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COMO VENCER A POBREZA HOW

E A DESIGUALDADE

TO STOP POVERTY AND INEQUALITY COMMENT VAINCRE LA PAUVRETÉ ET L’INÉGALITÉ Coletânea dos 100 trabalhos selecionados no Concurso de Redação para Universitários One hundred selected composition compilation from the Composition Contest for Brazilian undergraduation students Recueil des 100 textes sélectionnés lors du Concours de Rédaction parmi les étudiants universitaires brésiliens

Rio de Janeiro - Brasil 2006/2007

FOLHA DIRIGIDA Rua do Riachuelo, 114 - Centro

Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura Representação no Brasil SAS, Quadra 5 - Bloco H, Lote 6, Ed. CNPq/IBICT/UNESCO, 9º andar. 70070-914 - Brasília - DF - Brasil Tel.: (55 61) 2106-3500 Fax: (55 61) 322-4261 E-mail: [emailprotected]

Rio de Janeiro - RJ - Brasil 20230-014 Tel.: (55 21) 3233-6340 Fax: (55 21) 3233-6233 E-mail: [emailprotected]

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Os autores são responsáveis pela escolha e pela apresentação dos fatos contidos nesta publicação e pelas opiniões aqui expressas, que não são necessariamente as da UNESCO e não comprometem a Organização. As designações empregadas e a apresentação do material não implicam a expressão de qualquer opinião que seja, por parte da UNESCO, no que diz respeito ao status legal de qualquer país, território, cidade ou área, ou de suas autoridades, ou no que diz respeito à delimitação de suas fronteiras ou de seus limites.

The authors are responsible for the choice and presentation of facts contained in this publication and for the opinions expressed therein, which are not necessarily those of UNESCO and do not compromise the organization in any way. The terms used and the presentation of material do not imply the expression of any opinion whatsoever on the part of UNESCO concerning the legal status of any country, territory, town, or area, or that of its authorities, or in regard to the location of their frontiers or limits.

Les auteurs sont responsables du choix et de la présentation des faits contenus dans cette publication et des opinions qui y sont exprimées, n’étant pas nécessairement celles de l’UNESCO et ne compromettant pas l’organisation. Les termes utilisés et la présentation du matériel n’impliquent pas l’expression de n’importe quelle opinion, de la part de l’UNESCO envers le statut juridique de tout pays, territoire, ville, ou secteur, ou celui de ses autorités, ou en ce qui concerne la délimitation de leurs frontières ou limites.

ISBN

978-85-7632-209-2

EDITORA FOLHA DIRIGIDA www.folhadirigida.com.br

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Representação da UNESCO no Brasil UNESCO Representation in Brazil Représentation de l'UNESCO au Brésil Representante Representative Représentant Vincent Defourny Coordenador do Centro de Comunicação e Publicações Communication and Publishing Center Coordinator Coordinateur du Centre de Communication et Publications Célio da Cunha Escritório Antena do Rio de Janeiro Head Office in Rio de Janeiro Bureau Antenne de Rio de Janeiro Pedro Lessa Coordenador Coordinator Coordinateur Maria Cecilia Oswaldo Cruz Assessora Assistant Adjointe

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Conselho Editorial da Folha Dirigida Folha Dirigida Publishing Council Conseil Editorial de la Folha Dirigida Adolfo Martins Afonso Faria Andrea Ribeiro Martins Paulo Chico Rogério Rangel Equipe da Folha Dirigida Folha Dirigida´s Team Équipe de la Folha Dirigida Afonso Faria Coordenador do Projeto Project Coordinator Coordinateur du Projet Marcelo Fraga Produção gráfica Graphic Production Production Graphique

Avaliação e Seleção dos Textos Evaluation and Selection of Texts Évaluation et Sélection des Textes Equipe da Fundação Cesgranrio Tradução Translation Traduction Michel Teixeira (Versão em inglês / English version / Version en anglais) Michelle Pistolesi (Versão em francês / French version / Version en français)

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ABSTRACT This book displays the 100 best essays on Education, written by college students nationwide. These essays were selected from a writing contest held by UNESCO-Brazil and Folha Dirigida. “Education: Important or Priority?”, which has usually been a contest held at a basic education level and has now incorporated all Brazilian universities in an attempt to stimulate a critical reflection and a better understanding of the thinking process of the next generation to occupy important and influential positions in society. These texts disclose important and revealing reflections that are sensitive in their social and historical nature, mirroring the conditions of the States in which they were originated. They deal with various themes, but they all carry a common thread in constructing a culture of peace.

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APRESENTAÇÃO

Em sua quarta edição, o concurso de redações para universitários brasileiros promovido pelo jornal Folha Dirigida e a UNESCO Brasil elegeu mais um tema de inquestionável relevância para o futuro deste milênio: como vencer a pobreza e a desigualdade. Do total de 41.329 inscrições recebidas, foram selecionados 100 textos que compõem a presente antologia e expressam o pensamento da juventude brasileira sobre o tema indicando a amplitude do desafio a ser enfrentado não somente pelo Brasil, como também por toda a humanidade. Trata-se de um desafio que, para ser superado, requer políticas e ações compartilhadas e permanentes de todas as nações. Há mais de 60 anos, vem a UNESCO, em diferentes continentes e circunstâncias, sensibilizando governos, priorizando ações para a redução das desigualdades sociais e incentivando o desenvolvimento de nova mentalidade capaz de perceber que pertencemos a um destino comum e que, devido a isso, há a urgente necessidade de deixarmos de lado as nossas particularidades, de forma a viabilizar a centralidade de ações éticas em escala planetária. A responsabilidade é de todos e não há mais como fugir desse imperativo. Nesta direção, a juventude universitária constitui um segmento estratégico na medida em que ela representa esperança concreta para a formação de toda uma geração de líderes pró-ativos e conscientes da magnitude do problema que enfrenta este milênio. Dessa forma, UNESCO e Folha Dirigida, ao promoverem a reflexão sobre a pobreza e a miséria e a forma de superá-las, buscam essencialmente contribuir para o fortalecimento do compromisso ético de futuros líderes que, em situações várias, estarão em condições de efetivamente participarem do processo de construção de sociedades mais estáveis e humanas. Ainda mais. Este concurso tem o escopo de inventariar sugestões e idéias para superar a pobreza e a desigualdade que poderão ser aproveitadas pelas políticas públicas em vigor. Quando se examina o conteúdo das redações que integram a presente antologia, constata-se a riqueza de conteúdo e de propostas oportunas, o que signi-

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fica que a juventude universitária brasileira, reúne um admirável potencial para inserção relevante nas principais questões que desafiam o nosso tempo, que foram sintetizadas nos oito Objetivos para o Desenvolvimento do Milênio, aprovados no ano 2000 por 189 países, entre eles o Brasil. Uma das metas mais importantes desse pacto é a eliminação da extrema pobreza e da fome existente no planeta até o ano de 2015. As Nações Unidas, com a participação de todas as suas agências especializadas estão acompanhando no mundo todo o cumprimento dos objetivos estabelecidos. Se todos os seres humanos nascem iguais e desfrutam de seus direitos sem quaisquer formas de discriminação, conforme proclama a Declaração Universal dos Direitos Humanos que, em 2008, completa 60 anos, a questão da pobreza, em todos os seus aspectos, deve estar na agenda prioritária dos principais fóruns que discutem o futuro do planeta. A sua erradicação é condição básica para uma paz duradoura. Para a UNESCO desigualdade e a pobreza devem ser compreendidas em um amplo contexto e combatidas de maneira integrada, considerando a complexidade de sua natureza multidimensional. É necessário compreender e enfrentar mais eficazmente padrões enraizados de discriminação, desigualdade e exclusão que condenam indivíduos, comunidades e povos a gerações sucessivas de pobreza. È urgente romper o círculo vicioso de pobreza gerando mais pobreza. Este círculo só será substituído por uma espiral crescente na medida em que uma nova ética do desenvolvimento instaurar-se a passar a presidir as decisões que tenham efeitos reestruturantes em escala regional e mundial. Neste livro que reúne as 100 redações escolhidas para integrá-lo, os estudantes universitários apontam a indiferença, a falta de espírito solidário, o preconceito, os valores da sociedade de consumo, a ausência do Estado e de políticas públicas eficazes, como as principais causas da pobreza e da desigualdade. Eles sugerem enfrentamento efetivo através da articulação de toda a sociedade, por ações individuais, coletivas e institucionais. Por último, como ressaltou recentemente o Diretor Geral da UNESCO - Embaixador Koichiro Matsuura, em sua Mensagem por ocasião do Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, a UNESCO continuará tendo o combate contra a pobreza como o seu foco principal e se esforçará para contribuir de maneira prática para que as Metas do Milênio sejam atingidas.

Vincent Defourny Representante da UNESCO no Brasil

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PRESENTATION

The fourth edition of the composition contest for Brazilian students promoted by Folha Dirigida newspaper and UNESCO Brazil elected another unquestionably relevant topic for our future in this millennium: how to stop poverty and inequality. From the total of 41.329 compositions that entered the contest, one hundred of it were selected; this texts are part of the present anthology and express the Brazilian youth thought concerning this book's subject, expressing the wide challenge to be faced not only by Brazil, but by humankind as a whole. This is a challenge that demands permanent policies and united actions from all nations to be overcome. In all continents, in many different circ*mstances, and for more than 60 years, UNESCO has given priority to actions aiming to reduce social inequality and stimulate the development of a new way of thinking, which would allow us to understand our common destiny and, thus, that there is an urgent need to leave aside our peculiarities in order to create an ethical movement in a global scale. This is a global responsibility and no one is exempted from this imperative duty. In such effort, undergraduation students are a strategic segment, representing a concrete hope for the formation of an entire generation of pro-active leaders, aware of this millennium's issues. Thus, promoting the debate over poverty and misery and the ways to overcome it, UNESCO and Folha Dirigida essentially intend to contribute for strengthening the ethical commitment of our future leaders, who would be able to - in many ways - effectively take part in the process of building more stable and humanitarian societies. And there's more. This contest aim is to inventory ideas and proposals to stop poverty and inequality that should be included in the scope of the public policies in force. When we exam this anthology's compositions, we notice the richness of content and the viable proposals, what means that Brazilian undergraduation students have an admirable potential for playing a relevant role in the main issues we are facing today, which had been abridged in the eight Millennium

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Development Goals approved in the year 2000 by 189 countries, including Brazil. One of the main goals is the elimination of extreme poverty and hunger in the world up to the year 2015. United Nations, together with its specialized agencies, is checking the compliment with the established goals worldwide. If all human beings are born equal and enjoy their rights without any form of discrimination, as proclaimed in the Universal Declaration of Human Rights, which, in 2008, celebrates its 60th anniversary, the issue of poverty, in all its aspects, must be at the priority agenda of the main forums that discuss our planet's future. Poverty eradication is a basic condition for a long lasting peace. To UNESCO, inequality and poverty must be understood as a part of a wide context and combated in an integrated way, considering the complexity of its multidimensional nature. We must understand and combat in a more effective way the deep-rooted patterns of discrimination, inequality, and exclusion that convict individuals, communities, and peoples to successive generations of poverty. It is urgent to break the vicious circle of poverty generating more poverty. A crescent spiral would only exchange such vicious circle when a new development ethics is established, thus making the decisions that shall have re-structuring effects in global and regional scale. In this book, in the 100 compositions that have been chosen to be part of it, undergraduation students point out indifference, the lack of a solidary spirit, prejudice, the consumption society values, the absence of State and of effective public policies as the main causes of poverty and inequality. They suggest an effective combat with the articulation of the entire society by means of individual, collective, and institutional actions. At last, as Ambassador Koichiro Matsuura - Director-General of UNESCO said in his Message on International Day for Eradication of Poverty, UNESCO will maintain its focus on the fight against poverty and struggle to contribute in a practical way to attain the Millennium Goals.

Vincent Defourny Representative of UNESCO in Brazil

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PRÉSENTATION

Dans sa quatrième édition, le concours de rédactions pour universitaires brésiliens organisé par le Journal Folha Dirigida et l'UNESCO Brésil a élu un nouveau thème d'une importance inquestionnable pour l'avenir de ce millénaire : comment vaincre la pauvreté et l'inégalité. Sur un total de 41.329 inscriptions reçues, ont été choisis 100 textes qui composent la présente anthologie et qui expriment la pensée de la jeunesse brésilienne sur le thème indiquant l'amplitude du défi devant être affronté non seulement par le Brésil, mais aussi par toute l'humanité. Il s'agit d'un défi qui, pour être surmonté, exige des politiques et des actions partagées et permanentes de toutes les nations. Depuis plus de 60 ans, l'UNESCO, dans différents continents et circonstances, sensibilise les gouvernements, en donnant priorité aux actions pour diminuer les inégalités sociales et encourageant le développement d'une nouvelle mentalité capable de percevoir que nous appartenons à une destinée commune et que, pour cette raison, il existe la nécessité urgente que nous laissions de côté nos particularités, de manière à viabiliser la centralité d'actions éthiques à l'échelle planétaire. La responsabilité est de tous et nous ne pouvons plus échapper à cet impératif. Dans ce sens, la jeunesse universitaire constitue un segment stratégique dans la mesure où elle représente l'espoir concret pour la formation de toute une génération de leaders proactifs et conscients de l'amplitude du problème qu'affronte ce millénaire. Ainsi, l'UNESCO et la Folha Dirigida, en proposant la réflexion sur la pauvreté et la misère et la manière de les surmonter, cherchent essentiellement à aider au renforcement de l'engagement éthique de futurs leaders qui, dans diverses situations, seront en condition de participer effectivement au processus de construction de sociétés plus stables et humaines. Encore plus. Ce concours a pour but d'inventorier des suggestions et des idées pour surmonter la pauvreté et l'inégalité qui pourront servir aux politiques publiques en vigueur. Quand on examine le contenu des rédactions intégrant la présente anthologie, on constate la richesse de contenu et de propositions opportunes, ce qui signifie

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que la jeunesse universitaire brésilienne réunit un potentiel admirable pour insertion relevante dans les principaux problèmes défiant notre époque, qui ont été synthétisés dans les huit Objectifs pour le Développement du Millénaire, approuvés en 2000 par 189 pays, parmi lesquels le Brésil. L'un des buts plus importants de ce pacte est l'élimination de l'extrême pauvreté et de la faim existant sur la planète d'ici 2015. Les Nations Unies, avec la participation de toutes ses agences spécialisées accompagnent dans le monde entier l'accomplissem*nt des objectifs établis. Si tous les êtres humains naissent égaux et jouissent de leurs droits sans aucune forme de discrimination, conformément à la Déclaration Universelle des Droits de l'Homme qui, en 2008, aura 60 ans, le problème de la pauvreté, sous tous ses aspects, doit figurer dans l'agenda prioritaire des principaux forums qui discutent l'avenir de la planète. Son éradication est la condition de base pour une paix durable. Pour l'UNESCO, inégalité et pauvreté doivent être comprises dans un large complexe et combattues de façon intégrée, considérant la complexité de leur nature multidimensionnelle. Il est nécessaire de comprendre et d'affronter plus efficacement les modèles enracinés de discrimination, inégalité et exclusion qui condamnent des individus, des communautés et des peuples à des générations successives de pauvreté. Il est urgent de rompre le cercle vicieux de la pauvreté générant davantage de pauvreté. Ce cercle ne sera remplacé par une spirale croissante que dans la mesure où une nouvelle éthique de développement s'instaure et commence à présider les décisions ayant des effets restructurants à l'échelle régionale et mondiale. Dans ce livre qui réunit 100 rédactions choisies pour en faire partie, les étudiants universitaires montrent l'indifférence, le manque d'esprit solidaire, les préjugés, les valeurs de la société de consommation, l'absence de l'Etat et de politiques publiques efficaces, comme étant les principales causes de la pauvreté et de l'inégalité. Ils suggèrent l'affrontement effectif au travers de l'articulation de toute la société, par des actions individuelles, collectives et institutionnelles. Enfin, comme l'a récemment souligné le Directeur Général de l'UNESCO l'Ambassadeur Koichiro Matsuura, dans son Message à l'occasion de la Journée Internationale de l'Eradication de la Pauvreté, l'UNESCO continuera a avoir pour but principal le combat contre la pauvreté et s'efforcera d'aider de façon pratique afin que les Objectifs du Millénaire soient atteints.

Vincent Defourny Représentante de l'UNESCO au Brésil

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ESFORÇOS DE TODOS

Nesses tempos, marcados pelo ritmo da vida que se apressa, pelos princípios que se baralham, pela violência que se avoluma, pela excludência que se banaliza, pela injustiça que se institucionaliza, pelos valores que se fragilizam, pela consciência que se mutila, pelo humanismo que se esvai e, sobretudo, pela pobreza que se multiplica - nesses novos tempos torna-se fundamental que se aguce a visão crítica, que se fortaleça o espírito solidário, que se amplifique a voz inconformada, que se revigorem as cabeças visionárias, que se reanimem as utopias fracassadas, que se reaqueça a esperança perdida, que se realimente os sonhos e os ideais. Nesses tempos de agora, é preciso não perder a capacidade de se sensibilizar diante de uma criança faminta. De se angustiar diante de um jovem desamparado. De se indignar diante de um adulto desempregado. Ou de se comover diante de uma família ao relento. É indispensável que se fortaleça o sentimento de indignação contra a perversidade de um sistema social que produz o deficiente cívico, que massifica o cidadão mínimo, que forma o analfabeto político, que multiplica o indigente desprotegido. E que erga uma trincheira contra a desumanidade de uma estrutura social que nega um abrigo, um alimento, um horizonte, uma educação, um trabalho, uma voz, um rosto, uma dignidade, um direito de viver para tantos. É uma luta, cuja energia frontal deve situar-se na reflexão sobre o dever ético de não se render à desilusão. Não se omitir. Não se encarcerar pelo medo. Não se amordaçar pelo comodismo. Não se acorrentar pela desesperança. Não se imobilizar pela indiferença. E não pactuar com a idéia errônea e paralisante de que, no mundo globalizado de hoje, não possa haver forças capazes de alterar a realidade massacrante de alienação política e social, sedimentada no individualismo, no utilitarismo, no tecnicismo, no consumismo, no espetáculo midiático, no economicismo (que se transformou numa espécie de religião em torno da qual tudo gravita). Pois é preciso somar forças. Multiplicar vontades. Aguçar consciências. E mobilizar energias para a busca de alternativas diante de um quadro preocupante Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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onde o ser humano tem sido transformado quase em escravo de um sistema que lhe corrói a solidariedade, lhe subverte os referenciais éticos, lhe contamina os princípios morais, lhe degrada o meio ambiente, lhe agride com a pobreza e a miséria de tantos. Este livro, produzido pela Folha Dirigida em parceria com a Unesco (resultante de um concurso nacional de redação entre universitários), e que reúne trabalhos de uma juventude preocupada com seu tempo - este livro há de espalhar idéias, provocar ecos, cutucar consciências e convocar todos os que, de alguma maneira, possam fazer algo em favor daqueles que se encontram acorrentados pela ignorância, desalentados pela miséria, desamparados pela desesperança e empurrados para a exclusão e para a violência. Um mundo mais justo, como reflexo uma sociedade mais fraterna e mais solidária, depende do esforço de todos. E o esforço de todos começa com o esforço de cada um. Adolfo Martins Presidente da Folha Dirigida

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THE EFFORTS OF ALL OF US

In these times marked by a increasingly fast life rhythm, by misused principles, by the escalade of violence, by the fact that excluding people is becoming banal, by the unfairness that is becoming an institution, by weakened values, by an impaired consciousness, by a fading humanism, and - above all - by the spreading of poverty; in these new times it is vital to sharpen our critical vision, strengthen our spirit of solidarity, to hear the bitter voices, to listen to visionary people, to recover failed utopias, to bring back our lost hopes, to believe again in our dreams and ideals. Today, we must not lose the capacity of being touched when we see a hungry child, of becoming anguished when we see a helpless teenager, of getting offended when we see an unemployed man or woman, of getting touched when we see a homeless family. We must strength this feeling of indignation against the cruelty of a social system that produces civically impaired citizens, that spreads over citizens with only the minimum, that forms political illiterates, and that multiplies the number of helpless indigents. We must build a barrier against the inhumanity of a social structure that denies shelter, food, opportunities, education, a job, a voice, a face, dignity, and the right to live to so many individuals. It is a battle, and the energy of this battle should come from the reflection about our ethical duty to not surrender to delusion. We must do our part. We must not be imprisoned by fear, or be silenced by our self-indulgence. We must not be chained by the lack of hope, or immobilized by our indifference. We should not agree with the wrong and paralyzing idea that, in today's globalized world, there are no power capable of changing our cruel reality based on political and social alienation, built over individualism, utilitarism, technicism, consumerism, media spectacle, and economicism (that have become some sort of religion around everything else gravitates). We must unite our forces, multiply our wills, sharpen our consciousness, and gather our energies to find alternatives for this worrying situation in which humanity is becoming almost a slave to a system that impairs solidarity, Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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undermine ethical principles, contaminates moral principles, degrade the environment, and attacks us with so many individuals' poverty and misery. This book, published by Folha Dirigida in a partnership with Unesco (and that results from a national contest of graduation students' compositions), gathers works from a youth that is concerned about our present time; this book shall spread ideas, produce echoes, wake up consciousnesses, and call together all people who, in some way, shall do something in the favor of those who are chained by ignorance, delusioned by misery, hopeless, and who had been pushed into exclusion and violence. A fairer world would rise from a more fraternal and solidary society, which depends on the efforts of all, and the efforts of all must begin with the efforts of each one.

Adolfo Martins President of Folha Dirigida

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EFFORT DE TOUS

A notre époque, marquée par le rythme de vie pressé, par les principes qui se brouillent, par la violence qui s'amplifie, par exclusion qui devient banale, par l'injustice qui s'institutionnalise, par les valeurs qui se fragilisent, par la conscience qui se mutile, par l'humanisme qui se dissipe et, surtout, par la pauvreté qui se multiplie - de nos jours, il devient fondamental que la vision critique soit plus aiguë, que l'esprit solidaire se fortifie, que la voix non résignée s'amplifie, que les têtes visionnaires se revigorent, que les utopies ruinées se réaniment, que l'espoir perdu se rallume, que les rêves et les idéaux soient de nouveau alimentés. De nos jours, il est nécessaire de ne pas perdre la capacité de se sensibiliser face à un enfant affamé. De s'angoisser devant un jeune désemparé. De s'indigner devant un adulte au chômage. Ou de s'émouvoir devant une famille sans toit. Il est indispensable que se fortifie le sentiment d'indignation contre la perversité d'un système social qui produit le déficient civique, qui massifie le moindre citoyen, qui forme l'analphabète politique, qui multiplie l'indigent sans protection. Et que soit érigée une tranchée contre la déshumanité d'une structure sociale reniant un abri, un aliment, un horizon, une éducation, un travail, une voix, un visage, une dignité, un droit de vivre à tant de personnes. C'est une lutte, dont l'énergie frontale doit se situer dans la réflexion sur le devoir éthique de ne pas se rendre à la déception. Ne pas s'omettre. Ne pas s'emprisonner à cause de la peur. Ne pas s'empêcher de parler par commodité. Ne pas s'enchaîner à cause du désespoir. Ne pas rester immobile à cause de l'indifférence. Et ne pas faire un pacte avec l'idée erronée et paralysante que, dans le monde globalisé d'aujourd'hui, il ne peut exister des forces capables de modifier la réalité massacrante de l'aliénation politique et sociale, sédimentée dans l'individualisme, l'utilitarisme, le technicisme, le consumérisme, le spectacle médiatique, l'économisme (qui s'est transformé en une espèce de religion autour de laquelle tout tourne). Il faut additionner les forces. Multiplier les volontés. Aiguiser les consciences. Et mobiliser les énergies dans la recherche d'alternatives face à un contexte Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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préoccupant dans lequel l'être humain a été presque transformé en esclave d'un système qui lui ronge la solidarité, lui fait annuler le références éthiques, lui contamine les principes moraux, lui dégrade l'environnement, l'agresse par la pauvreté et la misère de tant de personnes. Ce livre, produit par la Folha Dirigida en partenariat avec l'Unesco (résultant d'un concours national de rédaction parmi les universitaires), et qui réunit des travaux d'une jeunesse inquiète de son époque - ce livre doit répandre des idées, provoquer des échos, toucher les consciences et convoquer tous ceux qui, d'une certaine manière, peuvent faire quelques chose en faveur de ceux qui se trouvent enchaînés par l'ignorance, fatigués de la misère, désemparés par le désespoir et poussés vers l'exclusion et la violence. Un monde plus juste, comme réflexe d'une société plus fraternelle et plus solidaire, dépend de l'effort de tous. Et l'effort de tous commence par l'effort de chacun.

Adolfo Martins Président de Folha Dirigida

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ÍNDICE / CONTENT / INDEX

Adaílton Nunes Rocha ...................................................... 23

Ariani Caetano Parpaiola ................................................... 78

UESB – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – Vitória da Conquista – BA

UFES – Universidade Federal do Espírito Santo – Vitória – ES

Adriana Stella Chammas .................................................... 27

Bernard Luz Costa Santos .................................................. 82

ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing – Rio de Janeiro – RJ

Faculdade de Ciência e Tecnologia – Salvador – BA

Alan Soares dos Reis .......................................................... 31

Bernardo Augusto Azevedo de Almeida .............................. 86

UniFeso – Centro Universitário Serra dos Órgãos – Teresópolis – RJ

Universidade Católica de Salvador – Salvador – BA

Aline Amorim da Silveira .................................................. 35

Breno Achete Mendes ........................................................ 90

UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais – Belo Horizonte – MG

UNESP – Faculdade de História, Direito e Serviço Social – Franca – SP

Aline Araújo da Silva ......................................................... 39

Camila de Assis dos Santos ................................................ 94

UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

Aliny Dayany Pereira de Medeiros ..................................... 43

Camila Soares Sales ........................................................... 97

UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Natal – RN

Faculdade Maurício de Nassau – Paulista – PE

Álvaro Luiz Lutterback Dutra Dias ................................... 47

Carlos Magno Santos dos Anjos ....................................... 101

UFF – Universidade Federal Fluminense – Niterói – RJ

Universidade Estácio de Sá – Vitória – ES

Amanda Vieira e Silva ....................................................... 51

Carlos Renato Belo Azevedo ............................................ 105

Universidade Federal do Ceará – Fortaleza – CE

Universidade Católica de Pernambuco – Recife – PE

Ana Elisabeth de Brito Alves .............................................. 55

Carolina Cancio Pavaneli Moura ..................................... 110

Faculdade de Ciências da Administração do Limoeiro – Carpina – PE

UFF – Universidade Federal Fluminense – Niterói – RJ

Ana Maria Amorim Correia ............................................... 59

Carolina Vidal Décio ...................................................... 114

Universidade Federal de Viçosa – Viçosa – MG

PUC – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

Ana Maria Caroline de Arruda Farias ................................. 62

Celso Matos Costa ........................................................... 118

Universidade São Marcos – São Paulo – SP

Instituição de Ensino Metodista do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

André Magalhães Lima ...................................................... 66

Clarice Gomes Farias e Silva ............................................ 122

UFBA – Universidade Federal da Bahia – Salvador – BA

FAA – Faculdade de Administração de Alagoas – Maceió – AL

Andréia Costa Souza .......................................................... 70

Clarice Zeitel Vianna Silva .............................................. 126

Universidade Federal de Goiás – Goiânia – GO

UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

Aressa Michelle Esparano ................................................... 74

Clarissa Borba Prieto ....................................................... 130

UNISAL – Centro Universitário Salesiano de São Paulo – Santa Bárbara D'Oeste – SP

Universidade Estadual de Ponta Grossa – Ponta Grossa – PR

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Clarissa Cerveira de Baumont .......................................... 134

Gabriel Andreuccetti ........................................................ 214

UFRS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Porto Alegre – RS

USP – Universidade de São Paulo – Jundiaí – SP

Claudia Tabosa ................................................................ 138

Gabriela Santana Machado Silva ...................................... 218

Faculdade Maurício de Nassau – Recife – PE

UENF – Univ. Est. do Norte Fluminense Darcy Ribeiro – Campos dos Goytacazes – RJ

Cláudio Azevêdo da Cruz Oliveira .................................. 142

Gislei Martins de Souza ................................................... 222

UFBA – Universidade Federal da Bahia – Salvador – BA

UNEMAT – Universidade do Estado de Mato Grosso – Pontes e Lacerda – MT

Cleide Leonice Cruz Oliveira .......................................... 146

Greicianne Sousa de Oliveira ........................................... 226

Instituto Educacional de Carapicuíba – Itapetininga – SP

UBM – Universidade de Barra Mansa – Barra Mansa – RJ

Daniella Barcellos Magalhães da Rocha .......................... 151

Gustavo Alexandre Ferreira da Silva ................................. 231

UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais – Belo Horizonte – MG

UEPB – Universidade Estadual da Paraíba – Campina Grande – PB)

Danyel Sylvestre Travassos Soares ..................................... 156

Gusthavo Corrêa Gonçalves dos Santos ............................ 235

Universidade Estácio de Sá – Rio de Janeiro – RJ

Universidade Estácio de Sá – Belo Horizonte – MG

Deise Maria Dias Gonçalves ............................................ 160

Hegel Gomes Bittencourt ................................................ 239

Universidade Estácio de Sá – Rio de Janeiro – RJ

Faculdade dos Guararapes – Recife – PE

Edmario José Batista ........................................................ 164

Igor do Rego Barros de Aragão ....................................... 243

Faculdade Maurício de Nassau – Recife – PE

UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

Elise Sayuri Yoshida ......................................................... 169

Iraneide de Albuquerque Carvalho ................................... 247

CESUMAR – Centro Universitário de Maringá – Maringá – PR

CEUMA – Centro de Ensino Unificado do Maranhão – São Luis – MA

Elitânea Gomes Xavier ..................................................... 173

Isabelle Sales Paiva .......................................................... 254

Uni-Anhanguera – Centro Universitário de Goiás – Goiânia – GO

Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo – São Paulo – SP

Emmily Teixeira de Araújo .............................................. 178

Ivson Augusto Menezes de Souza Leão ............................ 259

Universidade Federal do Acre – Rio Branco – AC

Universidade Católica de Pernambuco – Recife – PE

Erik Ricardo Melo Ribeiro ............................................. 182

Jackeline Nunes de Oliveira ............................................ 263

Faculdade Comunitária Santa Bárbara do Oeste – Sumaré – SP

UniDF – Centro Universitário do Distrito Federal – Brasília – DF

Esechias Araújo Lima ...................................................... 186

Jackson Marcony Cordeiro dos Santos ............................. 266

UNOPAR – Universidade do Norte do Paraná – Campus Vitória da Conquista – BA

Faculdade II de Julho – Salvador – BA

Evelyn Cristina Ferreira de Aquino .................................. 191

Jaime Ricardo Wanner .................................................... 270

Universidade da Amazônia – Belém – PA

UFBA – Universidade Federal da Bahia – Salvador – BA

Fernanda Couto Ferreira .................................................. 196

Janaína Cristina Prados .................................................... 273

UNIRIO – Rio de Janeiro – RJ

UNIARAXÁ – Centro Universitário do Planalto de Araxá – Araxá – MG

Fernando Mello Machado ................................................ 200

José Adauto Gomes Moura .............................................. 277

UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

Universidade Estadual Vale do Acaraú – Sobral – CE

Flaviano Vasconcelos Pereira ............................................ 204

Juliana Casé Costa Cunha ............................................... 281

UNIPÊ – Centro Universitário de João Pessoa – João Pessoa – PB

FBV – Faculdade Boa Viagem – Recife – PE

Flávio Alex de Mesquita Soares ........................................ 210

Leysa de Almeida Vidal ................................................... 285

UniCarioca – Rio de Janeiro – RJ

Universidade Estácio de Sá – Rio de Janeiro – RJ

Unesco | Folha Dirigida

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Lilian Ribeiro de Oliveira ............................................... 289

Patrício Aureliano Silva Carneiro .................................... 365

USP – Universidade de São Paulo – São Paulo – SP

UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais – Belo Horizonte – MG

Lino Carneiro .................................................................. 293

Ranulfo Patury Correia .................................................... 370

UESB – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia -Vitória da Conquista – BA

UEFS – Universidade Estadual de Feira de Santana – Feira de Santana – BA

Lívia Barbati .................................................................... 297

Raquel Santos Souza ........................................................ 374

UNIMES – Universidade Metropolitana de Santos – Caieiras – SP

UVA – Universidade Veiga de Almeida – Rio de Janeiro – RJ

Luciana Barros Mineiro da Silva ...................................... 301

Renato Alves e Silva ........................................................ 379

Universidade Candido Mendes – Rio de Janeiro – RJ

UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

Marcos Junior Teixeira de Oliveira .................................. 305

Ricardo Eichler Bailly ..................................................... 384

Universidade Católica de Petrópolis – Petrópolis – RJ

UniRio Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

Marcos Santiago .............................................................. 310

Rodrigo de Castro Resende ............................................. 388

UNIVALE – Universidade Vale do Rio Doce – Governador Valadares – MG

Universidade Federal de Viçosa – Viçosa – MG

Maria Inês Moura Martins ............................................... 314

Rodrigo Rudi de Souza ................................................... 391

UBM – Centro Universitário de Barra Mansa – Barra Mansa – RJ

UBM – Centro Universitário de Barra Mansa – Barra Mansa – RJ

Maria Teresinha Machado Sagres ..................................... 318

Rosana Junqueira ............................................................. 396

Universidade Candido Mendes – Rio de Janeiro – RJ

UFBA – Universidade Federal da Bahia – Salvador – BA

Mauri Edgar Padilha de Lima ......................................... 322

Rui Braun ........................................................................ 400

Centro Universitário de Jaraguá do Sul – Corupá – SC

UnC – Universidade do Contestado de Curitibanos – São Cristóvão do Sul – SC

Maxwell Ranniere Osório Leal ........................................ 326

Silvana Michele Ramos ................................................... 405

UniDF – Centro de Ensino Universitário do Distrito Federal – Brasília – DF

Universidade Federal do Pará – Ananindeua – PA

Mázio Ribeiro de Souza .................................................. 330

Sócrates Simões Ramos .................................................... 411

UPE – Politécnica de Pernambuco – Recife – PE

Faculdade Sumaré – São Paulo – SP

Melissa Bortoloto Faria .................................................... 336

Solange Santos Santana .................................................... 416

Universidade São Francisco – Itatiba – SP

UEFS – Universidade Estadual de Feira de Santana – Feira de Santana – BA

Michael Frostnys Silva Félix ............................................. 341

Teresa Roberta Soares da Silva ......................................... 421

Universidade Federal do Maranhão – São Luis – MA

Universidade Católica de Pernambuco – Vitória de Santo Antão – PE

Michelle Thieme de Carvalho Moura .............................. 346

Ulrich Privat Akendengue Moussavou .............................. 426

UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Rio de janeiro – RJ

UFF – Universidade Federal Fluminense – Niterói – RJ

Narayana da Costa Marques ............................................. 350

Vando Victal ................................................................... 430

Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Campo Grande – MS

Universidade Federal de Juiz de Fora – Juiz de Fora – MG

Nilo Gonçalves dos Santos Filho ..................................... 353

Viviane Victor da Silva .................................................... 434

Faculdade Atenas de Paracatu – Paracatu – MG

Unirio – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

Nathália Veríssimo da Silva ............................................. 357

Wenderson Aparecido Nunes dos Santos .......................... 439

UNIPÊ – Centro Universitário de João Pessoa – PB

Unigranrio – Universidade do Grande Rio – Rio de Janeiro – RJ

Omar Monção Ramos ..................................................... 361

Xênia Machado de Oliveira ............................................. 444

Pontifícia Universidade Católica– PUC– Belo Horizonte – MG

IES – Universidade Católica de Brasília – Brasília – DF

Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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"Este é o momento de escolhermos a igualdade, o sonho, a partilha. É também o momento de renunciarmos à miséria, à desigualdade e ao egoísmo."

Adaílton Nunes Rocha

UESB – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – Vitória da Conquista – BA

REPENSAR A ESCOLHA CERTA Outro dia estive pensando numa frase que li na internet: "Para cada escolha uma renúncia será feita". Aliás, fiquei pensando nessa frase durante vários dias. Nesse tempo percebi que a vida nos coloca defronte com essa afirmação a todo o momento. É como no poema de Cecília Meireles "Ou isto ou aquilo", você escolhe uma coisa em detrimento de outra. Ainda nessas idas e vindas do pensamento, pensei mais uma vez como seria bom se pudéssemos fazer somente as escolhas certas, assim não erraríamos nunca. Esse seria o primeiro passo, não errar, apesar de o erro ensinar muito. E pensei de novo. Como seria maravilhoso se homem escolhesse apenas coisas boas para sua vida, seu convívio. Comecemos então a pensar holisticamente. Como seria a humanidade se escolhêssemos a paz e renunciássemos à guerra? E se as pessoas escolhessem o alimento e renunciassem à fome? Se escolhêssemos respirar e renunciássemos aos desmatamentos? Se optarmos por escolher as crianças nas escolas e renunciarmos ao trabalho infantil? Seria uma proposta interessante para construirmos uma sociedade no mínimo mais justa. Porém como permitir o acesso a diversos bens sociais de forma igualitária os maiores problemas do nosso país e do mundo são a pobreza e a desigualdade? Como vencer esses obstáculos que assolam o planeta e desconfiguram as relações humanas? Vencer a desigualdade e a pobreza e todos os problemas sociais advindos dela como a fome, a violência, o desemprego, a má qualidade da educação e da saúde dentre outros, é uma questão que vai além das velhas e conhecidas "políticas públicas", da intervenção social das ONGs, da ajuda dos países desenvolvidos... O movimento em busca da mudança deve ser outro. È algo mais pessoal, introspectivo. A mudança deve acontecer primeiro na consciência humana. É uma questão de enxergarmos e compreendermos o outro enquanto SER-HUMANO. Não dá para crescer a economia do país se a maioria da população não faz parte desse crescimento. Não dá para crescer intelectualmente se a educação

Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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não estimula e educa. Não dá para crescer se os políticos não exercerem a verdadeira política. Enfim, não dá para crescer se a "mãe" não alimenta o filho, ou melhor, se o homem não cuida dele mesmo. Se quiser alcançar a felicidade, o homem terá que repensar suas escolhas. Para vencermos a desigualdade, primeiro teremos que vencer a pobreza de espírito. É uma viagem longa como disse Carlos Drummond em "O Homem: as viagens". Devemos fazer uma viagem em busca de si mesmo, para "experimentar, colonizar, civilizar, humanizar o homem..." Para vencermos a pobreza e a desigualdade teremos que abdicar dos prazeres simplesmente materiais e buscarmos os verdadeiros valores humanos para o desenvolvimento pleno de todas as nações, de todos os povos. É uma escolha difícil e árdua, mas necessária se quisermos conviver em harmonia. Como tinha falado no início "para cada escolha uma renúncia será feita". Este é o momento de escolhermos a igualdade, o sonho, a partilha. É também o momento de renunciarmos à miséria, à desigualdade e ao egoísmo.

...........................................

"This is the time to choose equality, to dream and to share. It is also the time to resign misery, inequality and selfishness." THINK AGAIN, AND CHOOSE RIGHT The other day I was thinking about a sentence I read on the Internet: "Any choice implies in a waiver." In fact, I've been thinking about this sentence for many days. During this time I realized life confront us with that wording at every moment. As in Cecília Meireles' poem, "Ou isto ou aquilo [Or this or that]", you must choose one thing and give up another. Thoughts coming and going, I realized how good it would be if we only made right choices, never making any mistakes. This would be the first step, no mistakes; still, you can learn a lot from it. Then I thought again. How wonderful it would be if a man would make only the best choices in his life, his relationships. Let's think holistically. How would humankind be if we choose peace and resign war? If people choose food and resign hunger? If we choose to breathe instead of deforestation? If we choose to have children at school and resign children's work? It would be an appealing proposal in order to develop a more fair society, to say the less. But how can we provide access to social benefits equally if our country's and the world's biggest issues are poverty and inequality?

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How to overcome these obstacles spread all over the planet, poisoning human relations? Overcome inequality and poverty – and all associated social problems, such as hunger, violence, unemployment, poor education and health, among others – is an issue that exceed the odd and well-known "public policies", the social intervention of NGO's, and the help from developed countries... The search for changes must lead to another way. It is a more personal, introspective search. First, the changes must occur at the human conscience. We must consider and understand others and ourselves as HUMAN BEINGS. The Brazilian economy cannot grow if the largest part of the population does not take part of this growth. We cannot grow intellectually if education does not stimulate and prepare students. We cannot grow if politicians do not make fair policies. At last, it is impossible to grow if the "mother" is not feeding the child, or, in other words, if the man is not taking care of himself. Humankind must rethink its choices to find happiness. To stop inequality, first we have to stop poverty of spirit. It is a long journey, as Carlos Drummond wrote in the poem "O Homem: as viagens [The man: the journeys]". We must make a journey in the search for ourselves, to "experience, colonize, civilize, humanize man..." To defeat poverty and inequality we shall renounce the purely material pleasures e search for true human values, in order to achieve the full development of all nations, of all people. It is a hard and difficult – yet necessary – choice, if we want to live together in harmony. As said: "Any choice implies in a waiver." This is the moment to choose equality, to dream and to share. It is also the moment of resigning misery, inequality and selfishness."

.......................................... "Le moment est venu de choisir l'égalité, le rêve, le partage. C'est aussi l'heure de renoncer à la misère à l'inégalité et à l'égoïsme." REPENSER AU BON CHOIX L'autre jour je pensais à une phrase que j'ai lue sur Internet: "Pour chaque choix, un renoncement sera fait". D'ailleurs, j'ai repensé à cette phrase pendant plusieurs jours. J'e me suis alors aperçu que la vie nous place devant cette affirmation à tout moment. C'est comme dans le poème de Cecília Meireles "Ou ceci ou cela", tu choisis une chose au détriment de l'autre. Et aussi dans ces Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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allées et venues de la pensée, j'ai pensé encore une fois comme se serait bien si nous pouvions faire uniquement les bons choix, ainsi nous ne pourrions jamais nous tromper. Ce serait le premier pas, ne pas se tromper, bien que l'erreur nous apprenne beaucoup. Et j'ai pensé de nouveau. Comme ce serait merveilleux si l'homme pouvait seulement choisir des bonnes choses pour sa vie, sa convivialité. Commençons donc à penser de façon holistique. Comment serait l'humanité si nous choisissions la paix et si nous renoncions à la guerre? Et si les personnes choisissaient la nourriture et renonçaient à la faim? Si nous choisissions de respirer et nous renoncions aux déboisem*nts? Si nous options à choisir les enfants dans les écoles et si nous renoncions au travail infantile? Ce serait une proposition intéressante pour que nous construisions une société au minimum juste. Cependant comment permettre l'accès à différents biens sociaux de façon égalitaire les plus grands problèmes de notre pays et du monde sont la pauvreté et l'inégalité? Comment vaincre ces obstacles qui accablent la planète et accablent les relations humaines? Vaincre l'inégalité et la pauvreté et tous les problèmes sociaux qui en découlent comme la faim, la violence, le chômage, la mauvaise qualité de l'éducation et de la santé entre autres, est une question qui va au-delà des vieilles et connues "politiques publiques", de l'intervention sociale des ONGs, de l'aide des pays développés... Le mouvement à la recherche du changement doit être autre. C'est quelque chose de plus personnel, d'introspectif. Le changement doit se produire d'abord dans la conscience humaine. C'est une question de voir et comprendre l'autre en tant qu'ETRE HUMAIN. L'économie du pays ne peut pas croître si la majorité de la population ne fait pas partie de cette croissance. On ne peut pas croître intellectuellement si l'éducation ne stimule pas ni éduque. On ne peut pas croître si les hommes politiques n'exercent pas la vraie politique. Enfin, on ne peut pas croître si la "mère" ne nourrit pas son fils, ou mieux, si l'homme ne prend pas soin de luimême. S'il veut atteindre le bonheur, l'homme devra repenser ses choix. Pour que nous vainquions l'inégalité nous devrons d'abord vaincre la pauvreté d'esprit. C'est un long voyage comme dit Carlos Drummond dans "L'Homme: les voyages". Nous devons faire un voyage à la recherche de nous-même, pour "expérimenter, coloniser, civiliser, humaniser l'homme..." Pour que nous vainquions la pauvreté et l'inégalité, nous devrons abdiquer des plaisirs simplement matériels et chercher les vraies valeurs humaines pour le plein développement de toutes les nations de tous les peuples. C'est un choix difficile et ardu mais nécessaire si nous voulons vivre en harmonie. Comme je le disais au début "pour chaque choix un renoncement sera fait". L'heure est venue de choisir l'égalité, le rêve, le partage. Le moment est venu aussi pour que nous renoncions à la misère, à l'inégalité et à l'égoïsme.

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"A divisão é a operação que multiplica satisfação, soma alegrias e diminui a desigualdade."

Adriana Stella Chammas

ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing – Rio de Janeiro – RJ

ORAÇÃO Senhor, Fazei de mim vosso instrumento. Que eu possa dividir para multiplicar, satisfazer os meus e os que tenho em torno, e que esses repassem em dobro. Que o que sobra no meu prato não falte no de ninguém. Que não haja desperdício sobre a Terra e que a água não falte nem para ela. Que as oportunidades surjam para todos da mesma forma e que o acesso ao saber seja comum e o ensino de qualidade de todos e para todos, porque a educação é ponto de partida para o desenvolvimento nacional. Ela difunde valores comportamentais e mandamentos de vida e forma personalidades. Fazei o governo suprir as necessidades individuais básicas do coletivo. Mais do que bolsas, a população espera sapatos, cobertores, moradia, saneamento, alimentação, saúde, educação, trabalho, lazer. O Estado precisa entender como investimento a revisão de percentuais e outras fontes de incentivo à iniciativa privada, já que é o elo do compromisso entre essa e o meio no qual está inserida. É imperativo rezar no contrato social das empresas ações ética e responsavelmente comprometidas com o projeto contínuo de intervenção e de desenvolvimento da comunidade local e contabilizá-las ao fechar de cada balanço. Líderes devem se comprometer a dar meios para os cidadãos competirem no mercado, viabilizar cursos técnicos para aflorar talentos e valorizar a mão de obra. Cabe também a esses líderes provocar soluções de aproveitamento para a mão de obra carcerária, que deixará de ser mais uma despesa para equilibrar o gasto público que mantém um cidadão improdutivo e prejudicial ao todo. Com a mente ocupada não sobrará tempo para as doenças do ócio. A mente produtiva, aliás, é remédio poderoso para melhorar a qualidade de vida e a saúde de senhoras e senhores, que podem repassar seu aprendizado de vida e se perceberem necessários, em atividades adequadas e remuneradas, com carga horária reduzida. Pessoas produtivas são pessoas melhores. Um pouquinho de dedicação vale muito para quem não tem nada. A atividade física e o esporte, que Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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disciplina e internaliza valores, ensina a respeitar o próprio corpo e a competir consigo mesmo devem ser incorporados à rotina das crianças. O espírito esportivo difunde o trabalho em equipe e a busca por um ideal. Tira crianças das ruas e abre as portas da esperança. Finda a refeição, prazeres satisfeitos. Hora de lavar a louça e de perceber que a sobra nos pratos ainda faz falta no de muitos. Que por mais que se faça, sempre haverá por fazer. Que é também hora de sair do discurso de comprometimento e a traduzir solidariedade em prática – medular, incorporada na rotina diária. A divisão é a operação que multiplica satisfação, soma alegrias e diminui a desigualdade. Essa equação só se fará perene se a cidadania partir de cada um de nós. Amém.

.......................................... "Division is the operation which multiplies satisfaction, adds joy and subtracts inequality." PRAYER Lord, Make me an instrument of your will. Let me divide to multiply, satisfy my people and those around me, and let them give in doubled amount what they have received. Let what is left of my plate never be short on somebody else's one. Let it be no waste on Earth; let the planet never run short of water. Let it have equal opportunities for everyone, let the access to knowledge and a high quality education be available for all, for education is the starting point for national development. Education spreads values, life guidance and forms an individual personality. Let the government provide the people with their basic needs. More than a welfare program, people need a welfare state that provides proper health care, education, and employment. The Government must consider revising the incentives granted to private companies, acting as a mediator between the company and the area in which it is established. It should be mandatory to include in a company's Act of Incorporation the amount to be invested in a continuous development project for the local community, and account such investments in the company's final balance. All leaders must provide citizens with means to be competitive within the market, investing on technical courses to form new talents Unesco | Folha Dirigida

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and providing a fair value to people's labor. The government should also invest on prisoners' work, which shall no longer be an expense, balancing governmental investments instead of expending public resources with an unproductive person who's a danger to society. When a prisoner is busy, he would have no time for the evils of idleness. A productive mind is also a powerful medicine to improve health and life quality of old men and women, who could share their lifelong knowledge – feeling they're necessary – in adequate and remunerated activities with reduced work hours. Productive people are better people. A little bit of dedication is worth a lot for those who have nothing. Physical activities and sport – which enforce discipline and foster values, teaching how to respect the body and push its limits – shall be incorporated to children's daily routine. The fair play spirit encourages teamwork and the quest for an ideal. Sports get kids away from the streets and give them hope. Dinners over, pleasures satisfied. It is time to wash dishes and notice that what is left on our plates is lacking on the plates of many. The more one do, the more there is to do. It is now time to give up the talk and start practicing solidarity and commitment – for real, incorporated on daily routine. Division is the operation that multiplies satisfaction, adds joy, and subtracts inequality. Such equation will only last forever if citizenship actions come from each one of us. Amen.

.......................................... "Le partage est l'opération qui multiplie la satisfaction, somme les joies et réduit l'inégalité." PRIÈRE Seigneur, Faites de moi votre instrument. Que je puisse diviser pour multiplier, satisfaire les miens et ceux de mon entourage et que ceux-ci repassent le double. Que ce qu'il reste de mon plat ne manque dans celui de personne. Qu'il n'existe pas de gaspillage sur la Terre et qu'il n'y manque pas d'eau. Que les opportunités surgissent pour tous de la même façon et que l'accès au savoir soit commun et l'enseignement de la qualité de tous et pour tous, car l'éducation est le point de départ du développement national. Elle répand les valeurs du comportement et les commandements de vie et forme les personnalités. Faites que le gouvernement remplisse les besoins individuels de base du Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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collectif. Plus que des bourses, la population a besoin de chaussures, couvertures, habitation, assainissem*nt, alimentation, santé, éducation, travail, loisir. L'Etat doit considérer comme investissem*nt la révision des pourcentages et autres sources d'encouragement à l'initiative privée, puisqu'il est le lien d'engagement ente celle-ci et le milieu dans lequel elle est insérée. Il est impératif d'inclure dans le contrat social des entreprises des actions éthiquement et engagées de façon responsable dans le projet continu d'intervention et de développement de la communauté locale et les comptabiliser à la clôture de chaque bilan. Les leaders doivent s'engager à donner des moyens aux citoyens pour qu'ils soient compétitifs sur le marché, viabiliser les cours techniques pour faire émerger des talents et valoriser la main-d'oeuvre. Il incombe aussi à ces leaders de provoquer des solutions de profit pour la main-d'oeuvre des prisons, qui cessera d'être une dépense supplémentaire pour équilibrer les dépenses publiques qui gardent un citoyen improductif et nuisible à tout. Si l'esprit est occupé, il ne restera pas de temps pour les maladies et l'oisiveté. L'esprit productif d'ailleurs est un médicament puissant pour améliorer la qualité de vie et la santé des hommes et des femmes qui peuvent repasser leur apprentissage de vie et s'ils considèrent nécessaires, en activités adéquates et rémunérées, avec un temps de travail réduit. Les personnes productives sont des personnes meilleures. Un petit peu de dévouement vaut beaucoup pour celui qui n'a rien. L'activité physique et le sport, qui discipline et intériorise les valeurs, apprend à respecter le propre corps et à rivaliser avec soi-même doivent être incorporés dans la routine des enfants. L'esprit sportif répand le travail en équipe et la recherche d'un idéal. Il enlève les enfants de la rue et ouvre les portes de l'espoir. Le repas terminé, plaisirs satisfaits. Heure de laver la vaisselle et de s'apercevoir que les restes de nourritures manquent encore dans les plats de beaucoup. Que plus on en fait, plus il faudra en faire. Que l'heure est venue aussi de sortir du discours d'engagement et de traduire la solidarité en pratique – essentielle incorporée dans la routine quotidienne. Le partage est l'opération qui multiplie la satisfaction, somme les joies et réduit l'inégalité." Cette équation ne sera continue qu'à partir de la citoyenneté de chacun de nous. Amen.

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"E eis todo o problema: o dinheiro e o desejo doentio por ele."

Alan Soares dos Reis

UniFeso – Centro Universitário Serra dos Órgãos – Teresópolis – RJ

Caminhar, em uma tarde de domingo, pelas ruas enriquecidas e pateticamente maquiadas de um Leblon – que, na realidade, guarda uma mendicância latente e ardente aos olhos -, é a página da vida que o Cronista cronicamente doente pelas maravilhas cariocas fez questão de rasurar. E esta rasura revela muito mais do que um simples elitismo e preferência pelo belo: há uma verdadeira patologia social encerrada, refletida em programas governamentais falhos, de natureza meramente reparatória, nunca preparatória. As chamadas "bolsas" que tapam os dentes dos famintos e o "Sol com a peneira". As tão clamadas e aclamadas quotas, benevolentes em seu invólucro, xenofóbicas em sua essência. As casas populares que dão um teto quase-digno àqueles que nada têm, mas não tiram o cheiro do esgoto que corre a céu aberto no quintal enfeitado por ervas daninhas. Desinteresse governamental ou interesse direcionado de maneira errônea, beirando o precipício do ridículo e do descrédito do grande Poder, Estado Maior, nunca garantidor de qualquer dignidade humana aos humanos. O binômio contraditório que fede a milhões de reais mal empregados. E eis todo o problema: o dinheiro e o desejo doentio por ele. Todo o Estado (Poder Soberano, Povo e Território) corre a duzentos quilômetros por hora na direção errada, bombardeando projetos e implodindo prospectos de uma sociedade sadia, justa e solidária. Invertem-se as polarizações desta pilha (de nervos social). Tenta-se remediar o irremediável, uma vez que toda a máquina já se encontra infeccionada; por outro lado, esquece-se da base (educação, saúde, moradia e demais direitos – ditos – fundamentais) através de atividades governamentais protelatórias. Nada além de um corolário óbvio de uma pós-modernidade falida em que estudos antropológicos sobre seriados se sobrepõem a programas decentes para (tentar) salvar a situação antropofágica em que a sociedade se afunda. Não há seriedade. A única solução que se revela plausível para retirar o país do estado caótico em que se encontra é a súplica por mais compromisso na teoria e na prática do art. 5º de nossa tão prestigiada Constituição Federal – os direitos e garantias fundamentais à sobrevivência desta República, tão desrespeitada, sobremaneira

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nos últimos tempos. Investimento na Educação, sobretudo. Pois ninguém mais consegue ver nossas crianças com fome, vendendo balas em sinais, brincando com seus malabares em troca de esmolas sacrossantas (pacificadoras das almas soberbas), desencadeando futuramente numa subvida, permeada por sexo e drogas, sem qualquer música que embale as noites espiritualmente prostituídas. Caso contrário, um dia poderemos concluir, então (toda a sociedade, uníssona e estilhaçada), que a única saída que teremos é a de que devemos ter pena dos marginalizados, devorados pela falange canibal dos dedos da cultura capitalista, grande mal de todos os séculos vindouros.

.......................................... "And there is the problem: money and crazy desire for it." Take a walk, in a Sunday afternoon, by the wealth streets of Leblon – pathetically denying the latent and obvious beggar's presence jumping in front of everyone's eyes -; this are facts of life that the Chronicler, chronically in love with Rio's wonderfulness, writes down. And these writings reveal more than just elitism or preference for beauty: there is a real social pathology in there, reflected in faulty governmental welfare programs, which only repair, and never prepare. The stipends that fill people's hungry bellies do not fulfill their social needs. And the claimed and acclaimed quotes for minorities in the universities that seems so benevolent in the surface, are completely racist in the essence. There are government projects providing an almost respectful home for the underprivileged, but such projects couldn't take away the nasty smell of untreated open-air sewage in the houses backyard, dominated by grass weed. The government lack of interest in striking poverty – or poor investments when there's interest – lead to the discredit of the State, which does not provide human beings with human dignity. A contradiction that smells like millions of reals [Brazilian currency] badly invested. And there is the problem: money and crazy desire for it. The whole State (Sovereign Power, People and Territory) is running at 120 miles per hour in the wrong direction, ruining projects and the possibility of a sane, fair, and solidary society. And social riot seems to be just one step ahead. The government tries to correct the impossible, once the whole governmental machine is corrupted; on the other side, the State leave aside basic needs (education, health, dwelling

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and other – said – fundamental rights) and postpone measures. This is nothing more than the obvious corollary of a failed post-modernity in which sociological studies about TV series are superposed to fair programs that are (trying) to solve the almost anthropophagic situation of our society. These are not serious actions. The only plausible solution to save the country from such a chaotic situation is begging for the compliance with article 5º of our so respected Federal Constitution – the fundamental rights and warranties for the survival of our Republic, so disrespected, mainly during the last years. The State must invest on Education, above all. Nobody can stand to see our hungry children selling candies by the traffic lights, juggling with tennis balls for sacred alms (which pacifies arrogant souls), children who will live a sub-human life, full of sex, drugs but without any music to lull the nights spiritually prostituted. On the contrary, one day we all (the society, together and yet broke) would come to conclude that the only way out is to have pity for all the ones laid aside, consumed by the cannibal capitalist culture, the great evil of all centuries to come.

.......................................... "Et voilà tout le problème: l'argent et le désir maladif pour lui." Se promener, un dimanche après-midi, dans les rues enrichies et pathétiquement maquillées d'un Leblon – qui, en réalité, garde une mendicité latente et brûlant les yeux -, est la page de la vie que le Chroniqueur chroniquement malade des merveilles de Rio de Janeiro insiste à gribouiller. Et ce gribouillage révèle beaucoup plus qu'un simple élitisme et préférence du beau: il existe une véritable pathologie sociale enfermée, reflétée dans les programmes gouvernementaux fracassés, de nature purement réparatrice, jamais préparatoire. Ce qu'on appelle les "bourses" qui couvrent les dents des affamés et le "Soleil dans la passoire". Les cotas si clamées et acclamées, bénévoles dans leur enveloppe, xénophobes dans leur essence. Les habitations populaires qui donnent un toit presque digne à ceux qui n'ont rien, mais n'enlèvent pas l'odeur de l'égout qui s'écoule en plein air dans le jardin garni de mauvaises herbes. Manque d'intérêt du gouvernement ou intérêt orienté de façon incorrecte, frôlant le précipice du ridicule du grand Pouvoir, Etat Suprême, n'assurant jamais aucune dignité humaine aux humains. Le binôme contradictoire qui pue des millions de réaux mal employés.

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Voilà tout le problème: l'argent et le désir maladif de l'argent. Tout l'Etat (Pouvoir Souverain, peuple et Territoire) court à deux cent kilomètres heure dans la mauvaise direction, bombardant de projets et implosant des prospectus d'une société saine, juste et solidaire. Les polarités de cette pile (de nerfs sociaux) s'inversent. On essaie de remédier à l'irrémédiable, une fois que toute la machine est infectée; d'un autre côté, on oublie la base (éducation, santé, habitation et autres droits – dits – fondamentaux) au travers d'activités gouvernementales qui retardent. Rien au-delà d'une conséquence évidente d'une post-modernité en faillite où les études anthropologiques sur les feuilletons se superposent aux programmes décents pour (essayer) de sauver la situation anthropographique dans laquelle la société s'enfonce. Le sérieux n'existe pas. La seule solution se révélant plausible pour tirer le pays de cet état chaotique dans lequel il se trouve est la prière pour plus d'engagement en théorie et en pratique de l'art. 5 de notre Constitution Fédérale si prestigieuse – les droits et garanties fondamentales à la survie de cette République, si peu respectée, surtout ces derniers temps. Investissem*nt en Education, surtout. Car personne n'arrive plus à regarder nos enfants affamés, vendant des bombons au feu rouge, faisant leurs pirouette en échange d'aumônes sacro-saintes (pacificatrices des âmes arrogantes), déclanchant dans le futur dans une sous vie, imbibée par le sexe et les drogues, sans aucune musique qui emballe les nuits spirituellement prostituées. Dans le cas contraire, nous pourrons un jour conclure, alors (toute la société à l'unisson et défragmentée), que la seule sortie que nous aurons est celle de que nous devons avoir peine des marginaux, dévorés par la phalange cannibale des doigts de la culture capitaliste, grand mal de tous les siècles à venir.

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"Não é possível pensar em um projeto de transformação sem articular políticas emergenciais e outras de médio e longo prazos que se integrem e se complementem."

Aline Amorim da Silveira

UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais – Belo Horizonte – MG

VONTADE POLÍTICA E INTEGRAÇÃO MUNDIAL: CAMINHOS PARA A ERRADICAÇÃO DA POBREZA E DESIGUALDADE Com todos os avanços da humanidade no campo da ciência, tecnologia, medicina, indústria e o desenvolvimento dos mercados e da economia financeira, esperava-se uma solução quase automática para o tema da pobreza, como se esta acontecesse de forma passiva e espontânea. Esse entendimento fez com que durante muito tempo tivéssemos uma visão tolerante em relação à pobreza sendo tratada apenas por políticas assistenciais e compensatórias. A pobreza está intimamente ligada à péssima distribuição de renda, a baixos índices de escolaridade e ao trabalho informal; concentra-se nas regiões menos desenvolvidas e nas periferias dos centros urbanos. Torna-se cada vez mais clara e urgente a necessidade de se propor novas soluções e estratégias contra a pobreza e a desigualdade social. Vencê-las não é uma tarefa fácil. É necessário esforços conjuntos entre a sociedade, os movimentos sociais e os governos. Uma sociedade mais justa constitui-se com distribuição de oportunidades, não se pode tratar as diferenças e desigualdades sociais de maneira igual, é preciso inverter a ordem: os que têm menos precisam receber mais. É preciso garantir o acesso à educação básica gratuita de qualidade, com formação profissional e humana, e políticas que garantam a permanência na escola. A erradicação do analfabetismo mundial, criação de cursos tecnológicos, universidades com acesso democrático e assistência estudantil também podem operar verdadeiras mudanças. A garantia de emprego e renda às famílias, através de incentivo às pequenas empresas, ao comércio, à agricultura familiar, às cooperativas constituem importantes medidas que podem diminuir o trabalho informal e o desemprego. E ainda, facilidades na obtenção de crédito, urbanização das favelas, reforma agrária tecnológica e políticas sociais que se efetivem não simplesmente como políticas de governo como freqüentemente acontece e

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sim como políticas de Estado são condições para se construir políticas sustentáveis e consistentes de combate à pobreza e à desigualdade. Contudo, é preciso que estas ações sejam coordenadas. Não é possível pensar em um projeto de transformação sem articular políticas emergenciais e outras de médio e longo prazos que se integrem e se complementem. A organização e a participação dos sujeitos-cidadãos, centros dessas políticas é fundamental para que não sejam seres passivos contemplados por políticas assistenciais descoordenadas e isoladas. O primeiro passo para que as mudanças realmente aconteçam talvez seja o mais simples e o mais difícil de todos: a consciência de que a pobreza e a desigualdade constituídas enquanto problemas sociais sem proporções no mundo é o resultado de injustiças históricas entre povos e nações, sendo, portanto responsabilidade de todos precisa ser vencida através da integração mundial. Não é possível mais permitirmos que a injustiça social seja o flagelo e a frustração de nossa era, afinal, os avanços da humanidade só terão de fato valor quando puderem ser compartilhados por todos.

.......................................... "It is impossible to set up a transformational project without developing integrated and complementary emergency, medium and long term policies." POLITICAL EFFORTS AND GLOBAL INTEGRATION: THE PATHS TO ERADICATE POVERTY AND SOCIAL INEQUALITY With all human improvements in the fields of science, technology, medicine, industry, and the development of markets and financial economics, the entire world expected an almost immediate solution to stop poverty, as if it would occur in a passive and spontaneous way. Thus, we used to have – for a very long time – a tolerant vision of poverty, which had been combated only by assistance and compensatory policies. Poverty is directly connected to extremely unequal income distribution, to low levels of education and to low-paid informal works; it is concentrated in the outskirts of urban centers. The need for new solutions and strategies to fight poverty and social inequality is becoming more and more clear and urgent. It wouldn't be easy to overcome it. Such task demands joint efforts between society, social movements, and government. A fair society would be implemented with equal opportunities, considering that social differences and social Unesco | Folha Dirigida

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inequalities cannot be treated the same way. We must change the order: the less favored ones must receive more. High-quality and free basic education – including professional and human formation – is a must, as well as policies to keep students at school. True changes would come with the eradication of world's illiteracy, the creation of technology courses, democratic access to university, and assistance to all students. To assure employment and income to all families, providing incentives to small companies, trade, family agriculture and cooperatives is an important measure to decrease informal work and unemployment. Other measures, such as: the expansion of credit, the favelas' [shanty towns] urbanization, agricultural and technological reforms, and the creation of social policies that are more than government policies – as usual -, but real State policies are vital conditions to provide a sustainable and consistent combat to poverty and social inequality. However, such actions must be well coordinated. It is impossible to set up a transformational project without developing integrated and complementary emergency, medium, and long-term policies. The citizens' organization and participation is vital; people cannot accept passively the isolated and noncoordinated assistance policies. The first step to make these policies reality is perhaps the easiest and at the same time the hardest of all: it is the perception of poverty and inequality as unparalleled social problems resulting from historical unfairness between people and nations. It is the responsibility of everyone and must be combated by a global integration. We can no longer admit social inequality – the scourge and the frustration of our era; thus, the humankind developments are useless until everyone shares them.

.......................................... "il n'est pas possible de penser à un projet de transformation sans articuler les politiques d'urgence et d'autres à moyen et long terme qui s'intègrent et se complètent." VOLONTÉ POLITIQUE ET INTÉGRATION MONDIALE: CHEMIN POUR UNE ÉRADICATION DE LA PAUVRETÉ ET DE L'INÉGALITÉ Avec tous les progrès de l'humanité dans le domaine de la science, technologie, médecine, industrie et développement des marchés et de l'économie financière, on attendait une solution presque automatique pour le thème de la pauvreté, Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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comme si celle-ci se produisait de façon passive et spontanée. Cette compréhension a fait que durant longtemps nous avions une vision tolérante par rapport à la pauvreté étant traitée seulement par des politiques d'assistance et compensatrices. La pauvreté est intimement liée à la mauvaise distribution de revenu, aux faibles indices de scolarité et au travail informel; elle se concentre dans les régions développées et dans les périphéries des centres urbains. Le besoin de proposer de nouvelles solutions et stratégies contre la pauvreté et l'inégalité sociale devient chaque fois plus claire et urgent. Les vaincre n'est pas une tâche facile. Des efforts conjoints entre la société, les mouvements sociaux et les gouvernements sont nécessaires. Une société plus juste est constituée d'une distribution d'opportunités, on ne peut pas traiter les différences et les inégalités sociales de manière égale, on a besoin d'inverser l'ordre: ceux qui possèdent moins doivent recevoir plus. Il faut assurer l'accès à l'éducation basique gratuite de qualité, avec formation professionnelle et humaine, et des politiques qui garantissent la permanence à l'école. L'éradication de l'analphabétisme mondial, création de cours technologiques, universités d'accès démocratique et assistance estudiantine peuvent également opérer de véritables changements. La garantie de l'emploi et le revenu aux familles, au travers de l'encouragement aux petites entreprises, au commerce, à l'agriculture familiale, aux coopératives, constituent d'importantes mesures qui peuvent diminuer le travail informel et le chômage. Et en plus, des facilités pour l'obtention de crédit, urbanisation de favelas, réforme agraire technologique et politiques sociales qui sont effectives non pas simplement comme des politiques de gouvernement comme cela arrive souvent, mais comme des politiques d'Etat sans conditions pour construire des politiques durables et consistantes de combat contre la pauvreté et l'inégalité. Donc, il faut que ces actions soient coordonnées. Il est impossible de penser à un projet de transformation sans articuler les politiques d'urgences et autres à moyen et long terme qui s'intègrent et se complètent. L'organisation et la participation des sujets citoyens, centres de ces politiques sont fondamentales pour que ce ne soient pas des êtres passifs contemplés par des politiques d'assistance désorganisées et isolées. Le premier pas pour que ces changements se passent vraiment est peut-être le plus simple et le plus difficile de tous: la conscience que la pauvreté et l'inégalité constituées en tant que problèmes sociaux sans proportions dans le monde est le résultat d'injustices historiques entre peuples et nations, la responsabilité de tous devant donc être vaincue au travers de l'intégration mondiale. Il n'est plus possible que nous permettions que l'injustice sociale soit la flagellation et la frustration de notre ère, finalement, les progrès de l'humanité n'auront en fait de valeur quand ils pourront être partagés par tous.

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"Aquele menino pode ser só mais um, ele pode não durar muito, afinal viver nas ruas não deve ser fácil, mas quem tirou dele o direito de ser cidadão?"

Aline Araújo da Silva

UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

Quando consegui passar para a faculdade, fiquei num grande dilema: afinal de contas, para que eu iria estudar? Estudar para me enriquecer como pessoa ou enriquecer o bolso? Estudar para descobrir se devo estudar durante minha vida toda ou para provar que eu não agüentaria por muito tempo? Sobretudo, a maior dúvida era: estudar para me ajudar ou para ajudar os outros? Para todas as questões, a resposta é sempre o que pensei que seria. Sim, vou estudar para enriquecer-me como pessoa e cidadã, farei isso por toda a vida e ajudarei tanto a mim, quanto os que achar que necessitam, afinal eu não levarei nada mais da vida a não ser o que conquistar como pessoa. Quando se é jovem (jovem como estado de espírito e não como idade), há uma vontade incrível de mudar o mundo. Com o passar do tempo, essa vontade dá lugar ao comodismo e é aí que percebemos que o mundo não muda por nossa culpa, digo, por nossa falta de tentativa. Um dia, estava no ônibus e dei de cara com uma cena que para muitos pode ser comum, porém, felizmente, para mim nunca o será. Era um menino dormindo como se aquela rua fosse sua casa e aquela esquina, sua cama. Vi que muitos no ônibus viraram o rosto para não ver ou pela dor que causa ou porque tinham coisas mais significativas para verem. Lembro que sonhei com aquela cena e confesso que até hoje não saiu da minha cabeça. Aquele menino pode ser só mais um, ele pode não durar muito, afinal viver nas ruas não deve ser fácil, mas quem tirou dele o direito de ser cidadão? O dever de ser brasileiro? Quem tirou daquele menino sem rosto e sem nome o respeito que ele merece? E assim, eu me pergunto: como eu, uma menina que sempre sonhou em ser professora, que sempre desejou mudar o mundo (e que ainda deseja), que mora num lugar que a sociedade prefere esquecer e que tem idéias que não interessam à grande parte das pessoas, pode ajudar aquele pequeno garoto? Como ajudá-lo, eu não sei e nem poderia achar resposta em menos de 40 linhas. A resposta da questão não é um molde, onde encontraremos a perfeição.

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Ela é sim uma busca pessoal, um papel que somente pode vir de cada um. De cada um para todos, do indivíduo para o social! O que sei é que aquele menino é a representação física da tal desigualdade que muitos só conhecem de nome e da pobreza que para alguns não existe no Brasil. Ah, o que sei também é que...eu sou aquele menino...enquanto ele fizer parte dos meus pensamentos e enquanto ele representar a sociedade em que eu vivo, serei ele...digo, seremos ele...não há como fugir...essa é a nossa luta mais urgente e mais intensa também.

.......................................... "That boy could be only one more, he could be dead soon, for living in the streets isn't easy, but who had taken away from him the right to be a citizen?" When I managed to enter the university, I went through a great dilemma: for instance, why should I study? Should I study to be a better person or to have better incomes? Should I study to find out that I must study my entire life, or to prove that I couldn't handle it for a long time? Most of all, the greatest doubt was: should I study to myself or to help others? To all these questions, the answer always was the one I thought it would be. Yes, I will study to be a better person and citizen, I will do it my whole life, I will study to myself and to help the ones who are in need – for I shall take anything from life but my accomplishments as a human being. When you're young (young in the state of mind, not in age), there's an amazing will to change the world. Time passes by, and this wills is exchanged by selfindulgence; that's when we realize that the world doesn't change because of our fault, because we gave up trying. One day, I was at my bus and I saw something that may be common to many people, but – thankfully – would never be common to me. There was this boy sleeping in the street, as if the street was his home, and that corner, his bed. I'd realized that some people at the bus turned their faces away to avoid watching that scene, because of the pain it would cause, or because they'd had other important things to see. I remember dreaming about that scene and I confess that it had never left my mind since then. That boy could be only one more, he could be dead soon, for living in the streets isn't easy, but who had taken away from him the right to be a citizen? Who had taken away from him the right to be a Brazilian? Who took away from that faceless and nameless boy the respect that he deserves? Then I asked myself: Unesco | Folha Dirigida

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how can I – a girl who always wanted to be a teacher, always desired to change the world (and still desires), who lives in a place society rather forget, and who has ideas that most of the people wouldn't listen to – help that little boy? How can I help him? I don't know and I couldn't find an answer in this 40lines text. The answer to that question is not a model, where we can find perfection. It is a personal quest, a role that only one person, individually, can play. From each one to everybody, from an individual to society! All I know is that that little boy is a physical representation of the inequality that many only know by name and of the poverty that – for many – do not exist in Brazil. All I know is that... I am that boy... as long as he is part of my thoughts and as long as he represents the society in which I live, I will be him... or, better, we will be him... there's no way out... this is our most urgent and intense fight.

.......................................... "Ce garçon peut être à peine un de plus, il peut ne pas durer longtemps, finalement vivre dans les rues ne doit pas être facile, mais qui lui a-t-il enlevé le droit d'être un citoyen?" Quand j'ai réussi à entrer en faculté, j'ai traversé un grand dilemme: en fin de comptes, pourquoi irai-je étudier? Etudier pour m'enrichir en tant que personne ou enrichir le portefeuille? Etudier pour découvrir si je dois étudier toute ma vie ou pour prouver que je ne supporterai pas pendant longtemps? Surtout, mon plus grand doute était: étudier pour m'aider ou pour aider les autres? Pour toutes les questions, la réponse est toujours ce que je pensais qu'elle serait. Oui, je vais étudier pour m'enrichir en tant que personne et citoyenne, je ferai cela toute la vie et aiderai aussi bien moi-même que ce que je pense qui en ont besoin, finalement je n'enlèverai rien d'autre de la vie que ce que j'aurai conquis comme personne. Quand on est jeune (jeune comme état d'esprit et non d'âge), il existe une volonté incroyable de changer le monde. Le temps ayant passé, cette volonté donne lieu à la commodité et c'est là que nous nous apercevons que le monde ne change pas à cause de nous, c'est-à-dire, à cause de notre manque de tentative. Un jour, j'étais dans un autobus et j'ai assisté à une scène qui pour beaucoup peut être commune, cependant, malheureusem*nt, ne le sera jamais pour moi. C'était un petit garçon dormant comme si cette rue était sa maison et ce coin de rue, son lit. J'ai vu que beaucoup dans l'autobus ont tourné la tête pour ne pas voir ou pour la douleur que cela provoque ou parce qu'il y avait d'autres choses Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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plus significatives à voir. Je me souviens avoir rêvé de cette scène et confesse que jusqu'aujourd'hui elle ne me sort pas de la tête. Ce garçon peut être un de plus, il peut ne pas durer longtemps, finalement vivre dans les rues ne doit pas être facile, mais qui lui a-t-il enlevé le droit d'être un citoyen?" Le devoir d'être brésilien? Qui a enlevé de ce garçon sans visage et sans nom le respect qu'il mérite? Et ainsi, je me demande: comment moi, une fille qui a toujours rêvé d'être professeur, qui a toujours voulu changer le monde (et qui le veut encore), qui habite dans un endroit que la société préfère oublier et qui a des idées qui n'intéressent pas la majeure partie des personnes, peut aider ce petit garçon? Comment l'aider, je ne sais pas et ne pourrais pas trouver de réponse en moins de 40 lignes. La réponse à la question n'est pas un moule, où nous trouverons la perfection. C'est une recherche personnelle, un rôle qui ne peut venir que de chacun de nous. De chacun pour tous, de l'individu pour le social! Ce que je sais c'est que ce garçon est la représentation physique de cette inégalité que beaucoup ne connaissent que le nom et de la pauvreté qui pour certains n'existe pas au Brésil. Ah, ce que je sais aussi c'est que ...je suis ce garçon...tant qu'il fait partie de mes pensées et tant qu'il représentera la société où je vis, je serai lui. c'est-à-dire, nous serons lui.....on ne peut pas y échapper...c'est notre lutte plus urgente et plus intense aussi.

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"A pobreza e a desigualdade social devem sim ser combatidas através da educação, mas não somente dela."

Aliny Dayany Pereira de Medeiros

UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Natal – RN

QUAL A PORÇÃO MÁGICA? – Mãe! Não vou à escola hoje, tá? – Mas você tem que ir, acha que vai comer o que se não for? – Mas eu não tenho chinelo... Diálogo simples, tolo e sem emoção. Deve ser isso que muitos percebem ao ler este. Eu interpretaria diferente. Diálogo sério, cheio de compromissos e que expressa a realidade de milhões de brasileirinhos há muito tempo, desde a campanha "De pé no chão se aprende a ler", em Natal com o prefeito Djalma Maranhão, até hoje com os nossos atuais políticos e o nosso tão almejado progresso tecnológico. "O homem progrediu...", ouvimos isso desde o século XIX, com mais ênfase. E aí eu questiono: que homem progrediu? Que progresso é esse? Será que o menino do início do texto também concorda com tal progresso? Essas interrogações são feias para tentar chamar atenção para o fato de que internet, banco on line e carros importados surgiram, no entanto, não surgiram para todos (nem para a maioria). É lamentável constatar que o progresso de uns limita outros à total miséria. O garoto acima não é, infelizmente, a exceção, ele é a regra num país rico e com todo o potencial do nosso. Mas vamos ao que de fato interessa. Vocês já sabem do problema e agora qual a solução? Sim porque se é um problema implica uma solução, caso contrário tudo estaria bem porque não teríamos o problema. Então pensemos juntos. Durante todo o século XX, a educação foi apontada por muitos como a salvadora do mundo, a redentora dos pobres e famintos. É preciso ter cautela ao afirmar isso. Concordo que um povo educado (formalmente) questiona e reivindica mais. No entanto, não podemos ser tão ingênuos e acreditar que fazer escolas e colocar professores em sala de aula resolve tudo. Na verdade, resolve boa parte, mas eu lhe pergunto: como vou à escola sem sapatos? A pobreza e a desigualdade social devem sim ser combatidas através da educação, mas não somente dela. É preciso investimento em políticas trabalhistas que melhorem as condições e salários dos empregados (que em regiões como no Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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Nordeste ainda recebem míseros salários) para que a concentração de renda diminua e os filhos do trabalhador tenham escola e possam ir a ela calçando ao menos um par de sapatos. É necessário um investimento, e fiscalização, da rede pública de saúde, porque criança doente não vai à escola. É necessário que aqueles que têm um mínimo de educação e informação façam barulho, fiquem sensibilizados com a causa dos outros e reclamem, porque, em silêncio, o mundo não conhecerá suas mazelas. Como podemos ver, não existe uma poção mágica para diminuir ou sanar a pobreza e a desigualdade, basta um pouco de sensibilidade para enxergar o óbvio, sair cada um de sua inércia constante e empregar os conhecimentos teóricos vistos nos bancos das universidades, em conscientização e crítica, em atitudes práticas, em questionamentos, em voz destoante.

.......................................... "Sure we must fight against poverty and social inequality with education, but that's not only thing to do." WHAT IS THE MAGIC POTION? – Mother! Today I won't go to school, OK? – But you have to go, what else do you think you'll eat if you don't go? – But I don't have flip-flops... This is a simple, foolish, and emotionless dialogue. For this might be what many people think when they read it. I would think differently. This is a serious dialogue, full of commitments, which expresses the reality of millions of young Brazilians for a long time, since the beginning of the "De pé no chão se aprende a ler [Feet down on earth; that's how to learn to read]" campaign, in Natal, by the mayor Djalma Maranhão, until today, with our present politicians and the expected technological development. "Humankind had progressed..." we are used to hear it since the 19th Century, but with more emphasis. So I ask: which humankind has progressed? What progress is that? Does the boy at the beginning of the text also agree with this? These nasty questions were meant to get your attention to the fact that if the Internet, the online banking and the imported cars had appeared, it wasn't meant for all (not even for many). It is a pity that the progress of a few would limit others to complete misery. The boy above is not the exception, unfortunately; he is the rule in a country so rich and with the great potential like ours. Unesco | Folha Dirigida

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But let's go to the point. You know the problem, now, what's the solution? Yes, a solution, for a problem implies in a solution; on the contrary, everything would be fine because we wouldn't have a problem. So, let's think together. During the entire 20th century, many people pointed out education as the way to salve the world, to redeem the underprivileged and the hungry. One must be cautious in saying that. I agree that (well) educated people would question and claim more. On the other hand, we cannot be so naive to believe that building schools and providing teachers in classes would solve everything. In fact, it solves a great part of the problem, but I ask: how would I go to school without shoes? Sure, we must fight against poverty and social inequality with education, but that's not the only thing to do. We must invest on work policies to improve working conditions and incomes (in regions like Northeastern Brazil, the salaries are still miserable), in order to reduce income concentration, so the low-paid workers sons and daughters would go to school wearing a pair of shoes. It is necessary to invest in public health, supervising the services provided, for sick children do not go to school. All the people with a minimum of education and information must protest, as if the other's cause was their own, because, in silence, the world would not be aware of the underprivileged needs. As we can see, there isn't such a thing as a magic potion to reduce or stop inequality; it takes only sensitivity to see the obvious, leave the constant inertia the govern us and transform the theoretical knowledge acquired in the university classes into conscience and critics, into acts; to question the situation and raise our voices.

.......................................... "La pauvreté et l'inégalité sociale doivent être combattues au travers de l'éducation, mais pas seulement au travers d'elle." QUELLE EST LA POTION MAGIQUE? – Maman! Je ne vais pas à l'école aujourd'hui, d'accord? – Mais il faut y aller, qu'est-ce que tu penses que tu vas manger si tu n'y vas pas? – Mais je n'ai pas de sandales... Dialogue simple, ridicule et sans émotion. Ce doit être cela que beaucoup perçoivent en lisant ce texte. Moi je l'interpréterais d'une façon différente. DiaComo vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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logue sérieux, plein d'engagements et qui exprime la réalité de millions de petit* brésiliens il y a longtemps, depuis la campagne "Les pieds sur terre on apprend à lire", à Natal avec la maire Djalma Maranhão, jusqu'à aujourd'hui avec nos politiciens actuels et notre progrès technologique si convoité. "L'homme a progressé...", nous entendons cela depuis le XIXème siècle, avec plus d'insistance. Et c'est là que je questionne: quel homme a progressé? Qu'estce ce progrès? Est-ce que le petit garçon du début du texte est d'accord avec ce progrès? Ces interrogations sont faites pour essayer d'attirer l'attention sur le fait que l'Internet, banque en ligne et voitures importées ont surgi, cependant, pas pour tous (ni pour la majorité). C'est lamentable de constater que le progrès des uns limite les autres à la misère totale. Le garçon ci-dessus est, malheureusem*nt, l'exception, il est la règle dans un pays riche et ayant autant de potentiel. Mais allons directement à ce qui intéresse. Vous connaissez déjà le problème et maintenant quelle est la solution? Oui car s'il est un problème il implique une solution, sinon tout irait bien car nous nous n'aurions pas le problème. Alors pensons ensemble. Durant tout le XXème, l'éducation a été considérée par beaucoup comme la salvatrice du monde, la rédemptrice des pauvres et des affamés. Il faut prendre des précautions en affirmant cela. Je suis d'accord qu'un peuple éduqué (formellement) questionne et revendique plus. Cependant, nous ne pouvons pas être si ingénus et croire que faire des écoles et mettre des professeurs dans les salles de classes résout tout. En vérité, cela résout une bonne partie, mais je vous demande: comment puis-je aller à l'école sans chaussures? La pauvreté et l'inégalité doivent être combattues au travers de l'éducation, mais pas seulement au travers d'elle. Il faut investir en politiques travaillistes qui améliorent les conditions et les salaires des employés (qui, dans les régions comme le Nord-est, reçoivent des salaires de misère) pour que la concentration de revenu diminue et que les enfants du travailleur aillent à l'école et puissent y aller chaussant au moins une paire de chaussures. Un investissem*nt est nécessaire, ainsi que le contrôle du réseau public de santé, car l'enfant malade ne va pas à l'école. Il faut que ceux qui ont un minimum d'éducation et d'information se fassent entendre, soient sensibilisés par la cause des autres et réclament, car, dans le silence, le monde ne connaîtra pas ses problèmes. Comme nous pouvons le voir, il n'existe pas de potion magique pour diminuer ou assainir la pauvreté et l'inégalité, il suffit d'un peu de sensibilité pour voir ce qui est évident, sortir chacun de son inertie constante et employer les connaissances théoriques vues sur les bancs des universités, en prise de conscience et critique, en attitudes pratiques, en questionnements, en voix divergente.

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"O trabalho, meu filho, engrandece a alma de um homem e o dinheiro que recebe em troca desse trabalho o liberta..."

Álvaro Luiz Lutterback Dutra Dias

UFF – Universidade Federal Fluminense – Niterói – RJ

JOÃO E A VIDA João levanta cedo, antes das cinco da manhã. Passa uma água na cara, arruma o cabelo e põe uma chaleira com água para ferver. Côa o café, come uma pedaço de broa que a mulher Isabel preparou de véspera e, antes de pegar a rua com a marmita na mão, acorda o filho Mateus com um beijo na testa. João ama sua família e acredita que não mais viveria sem ela. Chega a se emocionar com os três almoçando juntos no domingo; com os três brincando de soltar papagaio na praça da igreja e com os três correndo livres na areia fina da praia. O vento frio o obriga a fechar o casaco preto que o acompanha desde rapaz, quando saía direto da fábrica para a escola noturna. Fez o primeiro grau, o segundo, e hoje com 24 anos está no início da faculdade de administração. Desde muito cedo aprendeu com o avô que "a educação liberta o homem e faz com que ele entenda melhor a vida". Caminha a passos largos até o ponto de ônibus, onde pega a condução que vai deixá-lo no local de trabalho. Está feliz... Hoje faz oito anos que está na mesma empresa. Lembra do seu primeiro chefe, o português Basílio, que lhe mostrou toda a fábrica e lhe confiou um segredo: "O trabalho, meu filho, engrandece a alma de um homem e o dinheiro que recebe em troca desse trabalho o liberta...". João sobe as escadas do ônibus e senta no banco junto à janela. Vê a paisagem passar rápido. Pensa na sua vida. Reflete sobre os caminhos que tomou para chegar onde está hoje. Não tem dinheiro. Vive com dificuldade... Mas espera um dia terminar a faculdade... poder comprar um carrinho... trocar a geladeira velha e viajar com a família nas férias do trabalho... João desce do ônibus, caminha em direção ao portão principal da fábrica e antes de passar na roleta vê um grande cartaz pregado no mural. Levanta os olhos e lê:

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"O direito ao trabalho... O acesso à Educação... O carinho da Família... Vamos acabar com a pobreza e a desigualdade?" João olha para o céu azul e vê lá no horizonte o nascer dourado de mais um dia. Passa as mãos no rosto... ajeita os cabelos... e suspira fundo... João está emocionado...

.......................................... "Work, my son, makes a man's soul greater, and the money that he receives in exchange for his work set him free..." JOÃO AND LIFE João wakes up early, before 5 a.m. He washes his face, arranges his hair, and boils water in his kettle. He filters the coffee, eats a piece of corn bread that his wife Isabel prepared the day before and, before heading to the street with his lunch pail in his hands, wakes up his son Mateus with a kiss in the forehead. João loves his family and believes that he cannot live without them. He gets emotional when he thinks of their Sunday lunches together, of them flying kites at the church square or running freely in the beach's thin sand. Because of the cold wind, he closes his black jacket, which is with him since he was a teenager, when he would leave the plant and head directly to night school. He concluded elementary school and high school, and today, at the age of 24, he is at the beginning of his Business Administration graduation course. Very early, his grandfather taught him "education set the man free and allow him to understand life better." He walks with large steps to the bus stop, where he takes the bus to his work place. He is happy... Today it has been eight years working at the same company. He remembers his first boss, Basílio, a Portuguese man who showed him the entire plant and told him a secret: "Work, my son, makes a man's soul greater, and the money that he receives in exchange for his work set him free..." João steps up the bus stairs and sits near the window. He sees the landscape going fast. He thinks about his life. He meditates about the paths that had taken him there, today. He has no money. He lives a hard life... But he hopes that some day he would graduate... buy a small car... change his old refrigerator for a new Unesco | Folha Dirigida

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one and travel with his family on work holidays... João steps out of the bus, and heads to the plant's main gate and, before coming in, he sees a big poster in the message board. He lifts his eyes and reads: "The right to work... The access to Education... The Family's love... Lets stop with poverty and social inequality?" João looks at the blue sky and sees in the horizon the golden dawn of another day. Waves his hand in his face... arranges his hair... and deeply sighs... João is filled with emotion...

.......................................... "Le travail, mon fils, agrandit l'âme d'un homme et l'argent q'il reçoit en échange de ce travaille le rend libre..." JOÃO ET LA VIE João se lève tôt, avant cinq heures du matin. Il se lave le visage, se peigne et met de l'eau à bouillir. Il fait un café, mange un morceau de pain que sa femme Isabel a préparé la veille et, avant de partir avec son repas, il réveille son fils Mateus en l'embrassant sur le front. João aime sa famille et pense qu'il ne vivra jamais sans elle. Il s'émeut quand tous les trois déjeunent ensemble le dimanche; tous les trois s'amusant en libérant le perroquet sur la place de l'église et tous les trois courant sur le sable fin de la plage. Le vent froid l'oblige à fermer sa veste noire qu'il porte depuis sa jeunesse, quand il allait directement de l'usine à l'école de nuit. Il a fait l'école primaire et la secondaire, et aujourd'hui à 24 ans, il commence une faculté d'administration. Depuis très tôt il a appris avec son grand-père que "l'éducation rend l'homme libre et fait qu'il comprend mieux la vie". Il marche à grand pas jusqu'à l'arrêt de l'autobus où il prend un transport qui va le laisser sur son lieu de travail. Il est heureux... Aujourd'hui, cela fait huit ans qu'il est dans la même entreprise. Il se souvient de son premier chef, le portugais Basílio, qui lui a montré toute l'usine et lui a confié un secret: "le travail, mon fils, agrandit l'âme d'un homme et l'argent qu'il reçoit en échange le rend libre...". Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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João monte les escaliers de l'autobus et s'assoit sur un banc prés de la fenêtre. Il voit le paysage passer rapidement. Il pense à sa vie. Il réfléchit sur les chemins qu'il a pris pour arriver où il est aujourd'hui. Il n'a pas d'argent. A des difficultés financières... Mais espère un jour terminer la faculté... pouvoir acheter une voiture... remplacer le vieux frigidaire et voyager avec sa famille pendant les vacances... João descend de l'autobus, marche vers le portail principal de l'usine et avant de passer la roulette voit une grande affiche fixée au mur. Il lève les yeux et lit: "Le droit au travail... L'accès à l'Education... L'affection de la Famille... Mettons fin à la pauvreté et à l'inégalité?" João regarde le ciel bleu et voit là-bas à l'horizon l'aube d'un nouveau jour. Passe ses mains sur son visage... peigne ses cheveux... et respire à fond... João est ému ...

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"Enxerguei a minha alma e resolvi mudar. Começando aqui dentro, conjecturando."

Amanda Vieira e Silva

Universidade Federal do Ceará – Fortaleza – CE

Nada de novo nos noticiários da televisão: o aquecimento global, os tornados assolando continentes, as taxas de juros oscilantes. Paro para meditar um pouco, mão no queixo e olhar perdido. A mídia mais uma vez se esqueceu da pobreza e da desigualdade que perambulam pelas avenidas cheias de butiques; marginalizando quem não tem mais expectativa de sair da condição miserável, entre buzinas e volantes impacientes, ávidos por chegar aos shoppings. E eu, absorta em minhas observações, findei querendo saber se, de alguma forma, a fome, a pobreza, a miséria e a desigualdade poderiam ser exterminadas. Abaixei os olhos, encarei o chão sujo da praça, desconsertada por não ter nenhuma idéia brilhante. Pensei em ajuntar toda a riqueza do mundo e sair dando um pouco a cada um, em cada canto, em cada esquina, sob cada viaduto. Converter os corações dos homens ao meu sonho seria impossível? Um passarinho rasgou o céu bem perto de mim e fez-me voltar os olhos ao céu. Senti como se o próprio Deus falasse ao meu coração, confirmando minha fraqueza – tão humana que sou – corroborando Sua grandeza insondável. Num súbito, um vento impetuoso invadiu-me e mostrou-me que eu não precisava de muito para começar a vencer a pobreza e as diferenças, que exaltam a poucos e pisoteiam a maioria. Bastava, no meu pouco, reaprender a enxergar. Entrei em juízo comigo mesma, considerando as pequenas coisas a fazer, disposta a materializar meu sonho. Enxerguei a minha alma e resolvi mudar. Começando aqui dentro, conjecturando. Se eu abrisse a janela do carro e, em vez de rejeitar aquelas pequenas esperanças que tocam meu vidro todos os dias, perguntasse "Qual é o teu nome, Esperança?" a cada uma delas, talvez o mundo se enfeitasse de uma ternura qualquer que me fizesse encontrar minha essência, perdida em qualquer campinho de futebol, onde eu sujei os pés algum dia. Se eu apreendesse por olhos mais coloridos a realidade preta e branca que mora detrás do meu apartamento no bairro nobre, talvez eu sentisse a brisa do mar no meu rosto, mesmo no meio desta ilha de calor que eu escolhi para morar. Se eu rejeitasse uma noite no meu mês egoísta, deixando a quentura dos meus lençóis para servir o calor da minha solidariedade num prato de sopa, tarde da noite, nas ruas da minha metrópole, às portas de qualquer casa de

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detenção, talvez descobrisse o que um sorriso de agradecimento diz quando não fala mil palavras. Se eu meditasse no mal-humor que ofereci sem perceber, no melhor de mim que não pude dar, por estar cansada demais para esboçar reação, talvez eu acordasse e, corajosamente, saísse pelo mundo, decidida a reconquistar meu próprio coração, resgatando-o no lugar onde eu penhorei a felicidade alheia e a minha, encontrando um lenitivo para minhas dores. Muito me custou compreender a carência e a entrega que vieram até mim no olhar de um moleque, chamado Miguel, com nome de anjo, que crispou os dedinhos de unhas sujas na manga da minha blusa de grife: "Tia, me dá um trocado?". Presumo que deveria ter ouvido o pedido das entrelinhas: "Tia, me mostra a Esperança...?" Só agora eu entendo que a Esperança daquele moleque um dia morou no meu peito. Com esta sem*nte, que finalmente saiu da latência, eu venço a minha pobreza e a dele. E, tornando-nos iguais, vencemos a desigualdade que, um dia, me perguntou pela Esperança.

.......................................... "I have seen my soul and I decided to change. Starting with the inside, conjecturing." Nothing new on TV news: global warming, tornados devastating continents, the oscillating interest rates. I stop to meditate for a while, with my hand in my chin, looking out at nowhere. Media once again have forgotten the poverty and inequality present in the avenues filled with boutique shops, this people has no hope to leave their miserable condition; they're set apart, among impatient horns and wheels that are dying to get to shopping malls. And I, distracted, watching, ended up wondering if, somehow, hunger, poverty, misery, and inequality would end one day. I look down, faced the square's dirty floor, disconcerted for not having any brilliant idea. I thought I could gather all the world's wealth and share a bit of it with everyone, at every place, every corner, under every viaduct. How would I convince the men's hearts that my dream is possible? A bird crossed the sky near me and made me look above. I felt like God himself was talking to me, to my heart, confirming that I'm weak – and so human – corroborating his unfathomable greatness. Instantly, a impetuous wind invaded me and showed that I didn't need much to combat poverty and social differences, which praise a few and degrade many. It would only take, to my little part, learn again how to see. I've made an agreement with myself, considering the small things I could do, willing to make my dream come true. Unesco | Folha Dirigida

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I have seen my soul and decided to change. Starting with the inside, conjecturing. If I open the car window and, instead of rejecting those tiny hopes that touch my car glass every day, asked each one of them: "What's your name, Hope?" maybe the world would be adorned by some kind of tenderness that would make me find my essence, lost in some football field, where I used to play barefooted. If I could see through colorful eyes the black and white reality that lives behind my apartment in a rich neighborhood, maybe I would feel the sea breeze in my face, even in the middle of this island of heat where I choose to live. If I leave the warmness of my bed sheets, just one single night of my selfish month, to offer the warmness of my solidarity in a plate of soup, late at night – in the streets of my metropolis, in the gates of any penitentiary – maybe I would find out what a thankful smile can say without saying a thousand words. If I meditate about the bad mood I delivered without even noticing it, failing to offer the best of me, for being so tired to bring a reaction, maybe I would wake up and, daringly, hit the road, decided to rescue my own heart in the place where I had seized someone else's happiness and mine, thus finding a lenitive to my pain. I took me so long to understand the need and the surrender that came to me through the eyes of a little boy called Miguel (Michael), with his angel's name, that touched the sleeve of my expensive blouse with his dirty nails' fingers: "Miss, could you give some change?" I presume I must have heard the request in between lines: "Miss, could you show me Hope...?" For now, I understand that the boy's Hope one day lived inside of me. With this latent seed that finally decided to grow, I can overcome my poverty and his. And, as equals, we have stopped the inequality that, some day, ask me about Hope.

.......................................... "J'ai vu mon âme et ai voulu changer. Commençant ici même, en présumant." Rien de nouveau dans les journaux télévisés à la télévision: l'échauffement global, les typhons détruisant les continents, les taux d'intérêt oscillants. Je m'arrête pour méditer un peu, la main au menton et le regard perdu. La presse une fois de plus a oublié la pauvreté et l'inégalité qui traînent dans les avenues pleines de boutiques; marginalisant ceux qui ne sont pas l'espoir de sortir de la misère, entre klaxons et volants impatients, avides d'arriver dans les centres commerciaux. Et moi, absorbée par mes observations, j'ai fini par vouloir savoir si, d'une Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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certaine manière, la faim, la pauvreté, la misère et l'inégalité pourraient être exterminées. Je baissai les yeux, regardai le sol sale de la place, désorientée de n'avoir aucune idée brillante. J'ai pensé réunir toute la richesse du monde et en distribuer un peu à chacun, à chaque coin de rue, sous chaque pont. Convertir les coeurs des hommes à mon rêve, serait-ce possible? Un oiseau déchire le ciel bien près de moi et me fit regarder le ciel. Je sentais comme si Dieu lui-même parlait à mon coeur, confirmant ma faiblesse – si humaine que je suis – corroborant Sa grandeur insondable. Subitement, un vent impétueux m'envahit et me montra qu'il ne me manquait pas beaucoup pour commencer à vaincre la pauvreté et les différences, qui exaltaient peu et écrasent la majorité. Il suffisant, dans mon peu, réapprendre à regarder. Je me suis mise à juger avec moimême, considérant les petites choses à faire, disposée à matérialiser mon rêve. J'ai regardé mon âme et j'ai décidé de changer. En commençant ici même, en présumant. Si j'ouvrais la fenêtre de la voiture et, au lieu de rejeter ces petit* espoirs qui frappent à ma vitre tous les jours, je demandais "Comment t'appelles-tu, Espérance?" à chacun d'eux, peut-être que le monde serait décoré d'une certaine tendresse qui me ferait trouver mon essence, perdue dans n'importe quel petit champ de football, où je me suis sali les pieds un jour. Si j'apprenais par des yeux plus colorés la réalité noire et blanche qui habite derrière mon appartement dans le quartier noble, je sentirais peut-être une brise de la mer sur mon visage, même au milieu de cette île de chaleur que j'ai choisie pour habiter. Si je rejetais une nuit dans mon mois égoïste, laissant la chaleur de mes draps pour servir la chaleur de ma solidarité dans un plat de soupe, tard dans la nuit, dans les rues de la métropole, aux portes de n'importe quelle prison, je découvrirais peut-être ce qu'un sourire de remerciement dit quand il ne parle pas mille mots. Si je méditais sur la mauvaise humeur que j'ai offert sans m'en apercevoir, sur le meilleur de moi-même que je n'ai pas pu donner, pour être trop fatiguée pour ébaucher une réaction, je me réveillerais peut-être et, courageusem*nt, partirais dans le monde, décidée de reconquérir mon propre coeur, en le sauvant à l'endroit où j'ai mis en gage le bonheur d'autrui et le mien, trouvant un calmant pour mes douleurs. Cela m'a beaucoup coûté de comprendre le manque et l'abandon qui sont venus jusqu'à moi dans le regard d'un gamin, appelé Miguel, nom d'un ange, qui a crispé ses petit* doigts aux ongles sales sur ma blouse de marque: "Donnemoi l'aumône?". Je présume que j'aurais du entendre la demande des petites étoiles: "Montre-moi l'espoir...?" Seulement maintenant je comprends que l'Espérance de ce gamin a un jour habité dans mon coeur. Avec cette graine, qui finalement est sortie de la latence, je peux vaincre ma pauvreté et la sienne. Et, en devenant égaux, nous vainquons l'inégalité, qui, un jour, m'a posé des questions sur l'Espoir. Unesco | Folha Dirigida

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"Ser cidadão é ser sujeito de direitos e deveres, fazendo valer sua denominação e seguir em frente."

Ana Elisabeth de Brito Alves

Faculdade de Ciências da Administração do Limoeiro – Carpina – PE

Sobreviver à pobreza é desafiar a realidade, Num mundo dividido entre o poder e a oportunidade, Governantes discursam e se vestem bem, Mas esquecem da sociedade, a fazendo refém. Como enfrentar as dificuldades, se a desigualdade forma a maior parte da população, É preciso gerar oportunidade, mais trabalho, saúde e educação, Seu "Doutor" faça valer sua verdade, Pra que o "pobre" não dê seu voto em vão. A grande massa reivindica direitos e contesta exclusões sociais, busca ações políticas e direitos à participação, A sociedade que se diz democrática deve abrir espaço pra que cada um trabalhe honestamente em busca do "pão", Ser cidadão é ser sujeito de direitos e deveres, fazendo valer sua denominação e seguir em frente, Embora a palavra Cidadania possa ter vários sentidos, atualmente sua essência é única: Ter o direito de viver decentemente. A globalização promoveu a massificação, a hom*ogeneização e a padronização cultural, onde emerge uma sociedade complexa e diferenciada, Onde esquecem que o primordial é o convívio social, que para o desenvolvimento da humanidade é a porta de entrada, Os "excluídos" imprimem marcantes diferenças na realidade atual, onde geralmente se originam da própria avaliação negativa que se tem deles, da sua discriminação e segregação, Que países capitalistas estimulam os indivíduos a competir em todas as suas atividades, agindo uns contra os outros em busca de melhor situação? A competição gera o conflito, o conflito gera a acomodação, o menos favorecido se torna vencido, ficando numa posição de subordinação, É gritante um basta, se faz valer tal reivindicação, pressão social só não basta, é preciso uma solução, Que venham dias melhores e mude a vida de cada irmão, Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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Pois ser um vencedor dessa realidade é derrubar o muro da desigualdade, é não ter medo de viver e lutar é ver o mundo com os olhos do coração, É ter as mãos prontas para a ação, É segurar uma bandeira como quem carrega uma nação, É não ter fronteiras e seguir em frente, apesar das feridas que vêm e vão.

.......................................... "To be a citizen is to be entitled to rights and duties, to stand up for it and move on." Surviving poverty is like challenging reality, In a world split between power and opportunity, The Leaders make their well-dressed speeches, But they forget about society, making people their hostages. How can we face difficulties, if inequality is part of daily life of most people in Brazil? Opportunities, employment, health, and education are a must, Hey, "Mister", value your truth, your trust, So that the "underprivileged" wouldn't throw their votes away. The mass claim for their rights and contest social exclusion, they long for policies and the right to participate, The so-called democratic society must give everyone the chance to work honestly to put "bread" on his or her tables, To be a citizen is to be entitled to rights and duties, to stand up for it and move on, Although the word Citizenship may have many senses, today its essence is only one: The right to live decently. Globalization promoted the influence of developed countries, the hom*ogenization, and standardization of local cultures, in a process from which emerges a complex and unequal society, Where they forget the most important issue: sociability, which is the entrance door to the humanity's development, The "excluded" ones are a portrait of today's great differences, generally originated from the negative opinion that people have about them, causing discrimination and segregation, Many capitalist countries stimulate individuals to be competitive in all their activities, going one against another to find a better situation. Competition generates conflict, a conflict generates defeats, the less favored

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are defeated, assuming a position of submission, We must say "Enough", and this claim must be heard; social pressure is not enough, we must find a solution, Let come better days and change the life of each brother, Because being a winner in such reality requires breaking the wall of inequality, without being afraid to live and to fight to see the world through the eyes of your heart, It is to have the hand always ready for action, To hold a flag like you're carrying your nation there, It is to forget the borders and move on, despite the wounds that come and go.

.......................................... "Etre un citoyen est être sujet de droits et devoirs, faisant valoir sa dénomination et aller de l'avant." Survivre à la pauvreté c'est défier la réalité, Dans un monde partagé entre le pouvoir et l'opportunité, Les gouvernants font des discours et s'habillent bien, Mais oublient la société, la séquestre. Comment affronter les difficultés, si l'inégalité représente la majeure partie de la population Il faut générer l'opportunité, plus de travail, santé et éducation, M. le ''Docteur" faites valoir votre vérité, Pour que le "pauvre" n'ait pas donné son vote en vain. La grande masse revendique les droits et conteste les exclusions sociales, cherche les actions politiques et les droits à la participation, La société qui se dit démocratique doit ouvrir l'espace pour que chacun travaille honnêtement à la recherche du "pain", Etre citoyen c'est être sujet de droits et devoirs, faisant valoir sa dénomination et aller de l'avant, Bien que le mot Citoyenneté peut avoir divers sens, actuellement son essence est unique: Avoir le droit de vivre décemment. La globalisation a encouragé la massification, l'hom*ogénéité et la standardisation culturelle, où émerge une société complexe et différenciée, Où ils oublient que le primordial est la convivialité sociale, que pour le développement de l'humanité c'est la porte d'entrée, Les "exclus" impriment des différences marquantes dans la réalité actuelle, Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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où généralement elles ont leur origine de la propre évaluation négative que l'on en a, de leur discrimination et ségrégation, Que les pays capitalistes stimulent les individus à la concurrence dans toutes leurs activités, agissant les uns contre les autres à la recherche d'une meilleure situation? La compétition génère le conflit, le conflit génère la commodité, le moins favorisé devient vaincu, se trouvant dans une position de subordination, C'est en criant ça suffit, se fait valoir une telle revendication, la pression sociale seulement ne suffit pas, il faut une solution, Que viennent des jours meilleurs et que la vie de chaque frère change, Car être vainqueur de cette réalité c'est faire tomber le mur de l'inégalité, c'est ne pas avoir peur de vivre et lutter, c'est voir le monde avec les yeux du coeur, C'est avoir les mains prêtes pour l'action, C'est tenir le drapeau comme qui porte une nation, C'est ne pas avoir de frontières et aller de l'avant, malgré les blessures qui viennent en vain.

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"Onde enterraram nossos valores? Fincam os pêsames em nossas esperanças. A falta que não se enche de signos, palavras, tons."

Ana Maria Amorim Correia

Universidade Federal de Viçosa – Viçosa – MG

ARQUÉTIPO Um ventre estéril. Mãos secas. Não sente o áspero no choro do seu irmão? Braços galvanizados para ajudar. Olhos blindados contra tamanha distorção. Nessas veias de asfalto são derramados os sangues daqueles que sustentam a fartura, que ignoram o grito dos seus pilares. A doença do egoísmo rasga as rachaduras de suas fracas percepções. Essa ácida escada que separa a identidade, impõe vírgulas ritmadas, segrega o todo, desfaz a união. Esses conceitos rudes, encaixotam por gênero, separam por cor, delimitam os escravos dos cifrões. Quebrar as paredes que sabem se sustentar em tanta contradição, apenas com martelos fortes de consciência – ter o ser humano em sua maior concepção. Entender-se enquanto um, mas sendo único. Respeitar o plural da unidade. Ser construtor e construído dentro da maior rede de humanidade. A sua pele é continuação da minha, retalhos cortados que se alinhavam pelos sentidos, mas se desfazem pelas incongruências. Encoberta o mundo frio, insípidos dias que nevam nos ombros dos esquecidos. Onde enterraram nossos valores? Fincam os pêsames em nossas esperanças. A falta que não se enche de signos, palavras, tons. O vão que não se alimenta de promessas, pena, desvios. Mostrar o avesso do veludo, o cortante fio que se esconde por trás de tanta ostentação. A beleza de uma pedra vale a vida de uma criança? O sabor doce perdido aos que rezam pelo estômago. Perder esse falso discurso. Perder a subserviência ao material. Perder o incômodo comodismo frente aos monótonos monólogos. Queimar os nós dessas vendas, centelha da mudança, faísca de determinação. Cravar a disputa pelo igual, desfazer essa injustificável escassez. Descobrir que nesse embate não há colocação final, sem a ganância por títulos ou prêmios de metal.

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"Where did they bury our values, trading condolences for our hopes? An absence that cannot be filled with signs, words, tones." ARCHETYPE There is a sterile belly. Dry hands. Can't you feel the harsh of your brother's cry? Arms galvanized to help. There are eyes armored against this huge distortion. In this asphalt veins, the blood of the ones who maintain abundance is wasted; the pillar's cry is ignored. The egotism disease tears off the fissures of their feeble perception. This acid stairway that cracks identity, impose rhythmic commas, and destroy the union. These rude concepts, which encase by genre and separate by color, also delimit the slaves of wealth. We must break the walls supported by such contradiction, using the strong hammer of conscience – which is the human being on his/her finest conception. To understand each other as one, being one. To respect the plurality that lies within the unit. To construct and to be constructed the biggest humanity net. Your skin continues on mine, cutting edges slightly sewed by our senses, but that would be undone by incongruity. Hiding the cold world, these insipid days are snowing down the shoulders of the forgotten ones. Where did they bury our values, trading condolences for our hopes? There is an absence that cannot be filled with signs, words, and tones. The empty space that cannot by fed by promises, pity, and misconducts. We must show the velvet's inside out, the sharp blade hidden behind all that ostentation. The beauty of a stone is worth a child's life? Where's the sweet taste that the ones who pray by their stomachs have lost. Stop this false speech. Stop the submission to material world. Stop the unindulgent self-indulgence before the monotonous monologues. Burn the knots of these blindfolds, letting shine the sparkling of change, the flash of determination. We must drive the dispute by the equal to undo this unjustified scarcity. And discover that in this combat there is no final place, without the greed for titles or prizes made with metal.

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"Où ont-ils enterré nos valeurs? Ils fixent les condoléances dans nos espoirs. Le manque qui ne se remplit pas de signes, paroles, tons." ARCHÉTYPE Un ventre stérile. Mains sèches. Tu ne sens pas les pleurs âpres de ton frère? Bras enflammés pour aider. Yeux blindés contre une énorme distorsion. Dans ces veines de l'asphalte coulent les sangs de ceux qui soutiennent l'abondance, qui ignorent le cri de leurs piliers. La maladie de l'égoïsme déchire les fêlures de leurs faibles perceptions. Cette échelle acide qui sépare l'identité, impose des virgules rythmées, marginalise tout, défait l'union. Ces concepts rudes, mettent en boite par genre, séparent par couleur, délimitent les esclaves de l'argent. Casser les murs qu'ils savent soutenir dans tant de contradiction, à peine avec des marteaux forts de consciences – avoir l'être humain dans sa plus grande conception. Se comprendre comme un, mais étant unique. Respecter le pluriel de l'unité. Etre constructeur et construit du plus grand réseau de l'humanité. Sa peau est continuation de la mienne, morceaux coupés qui s'alignaient par les sens, mais se défont par les inconvénients. Couvre le monde froid, les jours insipides qui neigent sur les épaules des oubliés. Où ont-ils enterré nos valeurs? Ils fixent les condoléances dans nos espoirs. Le manque qui ne se remplit pas de signes, paroles, tons." Le vain qui ne s'alimente pas de promesses, peine, déviation. Montrer l'envers du velours, le fil coupant qui se cache derrière tant d'ostentation. La beauté d'une pierre vaut-elle la vie d'un enfant? La saveur douce perdue à ceux qui prient pour l'estomac. Perdre ce faux discours. Perdre la soumission au matériel. Perdre la commodité incommode face aux monologues monotones. Brûler les noeuds de ces ventes, lumière du changement, étincelle de la détermination. Fixer la dispute pour l'égalité, défaire ce manque injustifiable. Découvrir que dans ce choc il n'y a pas de place finale, sans le gain pour les titres ou les prix en métal.

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"Todos questionam as razões de tanta desigualdade, todos querem entender porque os ricos continuam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais miseráveis."

Ana Maria Caroline de Arruda Farias Universidade São Marcos – São Paulo – SP

A pobreza e a desigualdade social podem ser consideradas conseqüências do capitalismo. Embora em uma época diferente, Marx já tratava a questão na obra Manifesto do Partido Comunista: "a história de toda a sociedade até aqui, é a história de lutas de classes". Marx se referia à relação entre burgueses e proletários, respectivamente exploradores e explorados – situação que perdura até hoje. Pode-se comprovar essa colocação analisando os altos índices de pobreza e desigualdade, má distribuição de renda, miséria, trabalho infantil, o problema da educação precária no país, entre outros fatores que todos já conhecem. Todos questionam as razões de tanta desigualdade, todos querem entender porque os ricos continuam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais miseráveis. A resposta para todas essas questões está enraizada na nossa história, ainda mais sabendo-se que o Brasil foi um país colonizado para exploração. Embora muitos acreditem que esse fator nada contribui para o agravamento da situação, na origem das pessoas, entre outros sentimentos, está o conformismo. A solução para a pobreza e a desigualdade está na própria sociedade. Devese mudar a postura diante das coisas que ocorrem, entender a realidade e criar propostas para desenvolver melhorias e garantir o presente e um futuro mais justos para todos. A chave para isto está na educação. É necessário criar investimentos e incentivos, acabar com o trabalho infantil, ampliar o número de escolas e melhorar a qualidade da educação. A sociedade precisa se reestruturar, e isso deve ter início nas escolas. Não há possibilidade de cobrar das autoridades melhorias sem ter no mínimo condições intelectuais para fazê-lo. Deve-se enterrar de uma vez por todas essas raízes da época da colonização, pois esses tempos passaram. O conformismo das pessoas está inclusive no fato delas acreditarem que nada podem fazer para mudar a realidade. O Brasil é um país rico, com grande diversidade cultural e grandes condições de se transformar em uma potência mundial principalmente no que diz respeito Unesco | Folha Dirigida

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ao agronegócio. Há uma grande possibilidade de desenvolvimento, e ao falar sobre isso, é inconcebível institucionalizar a pobreza e tê-la como uma condição natural. Portanto, não há desculpas. O período de mudança é agora: deve-se criar melhores condições educacionais, reeducar a sociedade e trabalhar a conscientização das massas. É necessário induzir ao desenvolvimento, e não somente crescer. O crescimento econômico – diferente do desenvolvimento – tem a preocupação principal de gerar lucros, riquezas, mas não distribuí-las. Para acabar com a pobreza e conseqüentemente com a desigualdade, é necessário investir em desenvolvimento – de preferência sustentável – priorizando a educação, melhores condições de trabalho, de moradia, proporcionando incentivos à população rural para que seja possível aumentar a produção agrícola e gerar empregos, e sobretudo criar formas de manejo que respeitem os recursos naturais do País, garantindo assim qualidade de vida para as gerações futuras.

.......................................... "Everybody wants to know the reason of such inequality, to understand why rich people are becoming more and more rich while the underprivileged ones are more and more miserable." Poverty and social inequality should be considered consequences of capitalism. Although in a different time, Marx wrote about this issue in the Communist Manifesto: "the history of all hitherto existing society is the history of class struggles." Marx referred to the relation between bourgeois and proletarians – exploiters and exploited, respectively – a situation that lasts until today. One can prove that by studying the high levels of poverty and inequality, unfair income distribution, misery, children's work, the poor level of the Brazilian educational system, among other facts we all know. Everybody wants to know the reason of such inequality, to understand why rich people are becoming more and more rich while the underprivileged ones are more and more miserable. The answer to all these questions is in our history, especially when we know that in Brazil colonization was equal to exploitation. Although many people believe that such fact do not make the situation even worse, the conformism, among other feelings, is in the origin of our people. The solution to poverty and inequality is in society itself. We must change Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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the way we face the facts, to understand reality, create ideas for improvements, and provide a fair present and future to everyone. The key to do that is in education. It is necessary to provide investments and incentives, stop children's work, build more schools, and improve education quality. Society needs a new structure, starting with better schools. It is impossible to demand improvements to authorities without having at least intellectual conditions to do so. We must bury the roots of colonization era, because this time is gone. People's conformism is marked by the fact that they indeed believe that there's nothing to do to change reality. Brazil is a rich country, with great cultural diversity and great possibilities to become a global power, especially in agro business. There's a great possibility for development and, considering that, it is unacceptable to view poverty as an institution or a natural condition. Thus, there are no excuses. The time to change is now: We must build a better educational structure, educate the society, and develop people's conscience. We must not only grow, but also to generate development. The economical growth's – which is different from development – purpose is to generate incomes, wealth, not to distribute it. To stop poverty and inequality it is necessary to invest in development – sustainable development -, specially in education, better work and living conditions, granting incentives to the rural population, to increase agricultural production and generate employment, and, above all, invest on practices that will respect our natural resources, providing quality of life to our next generations.

.......................................... "Tous questionnent les raisons de tant d'inégalité, tous comprennent pourquoi les riches continuent chaque fois plus riches et les pauvres chaque fois plus misérables." La pauvreté et l'inégalité sociale peuvent être considérées comme des conséquences du capitalisme. Bien qu'à une époque différente, Marx traitait déjà le problème dans l'oeuvre Manifeste du Parti Communiste: "l'histoire de toute la société jusqu'ici, est l'histoire de lutte des classes". Marx se référait au rapport entre les bourgeois et les prolétaires, respectivement explorateurs et explorés – situation qui continue jusqu'aujourd'hui. On peut prouver cette position en analysant les hauts indices de pauvreté et Unesco | Folha Dirigida

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d'inégalité, mauvaise distribution de revenu, misère, travail des enfants, le problème de l'éducation précaire dans le pays, entre autres facteurs que tous connaissent déjà. Tous questionnent les raisons de tant d'inégalité, tous veulent comprendre pourquoi les riches continuent chaque fois plus riches et les pauvres chaque fois plus misérables. La réponse à toutes ces questions est enracinée dans notre histoire, encore plus sachant que le Brésil a été un pays colonisé pour exploration. Bien que beaucoup croient que ce facteur ne contribue en rien à l'aggravement de la situation, dans l'origine des personnes, entre autres sentiments, se trouve le conformisme. La solution pour la pauvreté et l'inégalité se trouve dans la société. Il faut changer la posture devant les choses qui se passent, comprendre la réalité et créer des propositions pour développer des améliorations et assurer le présent et le futur plus justes pour tous. La clé de ceci se trouve dans l'éducation. Il faut créer des investissem*nts et des encouragements, en finir avec le travail des enfants, agrandir le nombre d'écoles et améliorer la qualité de l'éducation. La société a besoin de se restructurer, et ceci doit commencer dans les écoles. Il n'est pas possible de demander aux autorités de faire des améliorations sans avoir au minimum des conditions intellectuelles pour le faire. On doit enterrer une fois pour toutes ces racines de l'époque de la colonisation, car c'est du passé. Le conformisme des personnes se trouve d'ailleurs dans le fait qu'elles croient qu'elles ne peuvent rien faire pour changer la réalité. Le Brésil est un pays riche, d'une grande diversité culturelle et possédant de grandes conditions de se transformer en une puissance mondiale principalement en ce qui concerne les affaires agraires. Il existe une grande possibilité de développement, et en parlant de cela, il est inconcevable d'institutionnaliser la pauvreté et de l'avoir comme une condition naturelle. Il n'y a donc pas d'excuses. Le moment du changement est maintenant: il faut créer de meilleures conditions éducationnelles, rééduquer la société et travailler la prise de conscience des masses. Il est nécessaire d'induire le développement, et pas seulement croître. La croissance économique – différente du développement – a le souci principal de générer des gains, des richesses, mais non de les distribuer. Pour en finir avec la pauvreté et par conséquence avec l'inégalité, il faut investir dans le développement – de préférence durable – en donnant priorité à l'éducation, de meilleures conditions de travail, d'habitation, offrant des encouragements à la population rurale pour qu'il soit possible d'augmenter la production agricole et générer des emplois, et surtout créer des manières d'administrer qui respectent les ressources naturelles du Pays, en assurant ainsi qualité de vie aux générations futures.

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"Em que intricada matemática estaria o teorema ou a solução para o problema? É quase cert o que não esteja no poderio certo exacerbado das máquinas, tampouco no lúcido raciocínio dos gênios da humanidade."

André Magalhães Lima

UFBA – Universidade Federal da Bahia – Salvador – BA

TEOREMA ESFINGE Enquanto o sol ladrilha o dia com esfuziante balé de fótons e cores, e as ruas se apinham de automóveis das mais variadas marcas e modelos, a exibir o status dos seus donos; enquanto os aviões – relâmpagos de aço – rasgam os azuis dos céus, gordos de gente, e as bolsas dançam sua gangorra nervosa do sobe-edesce, nos quatro cantos do mundo, um medonho espetáculo apavora o homem: filhos do abandono brotam nos lixões como lírios ulcerosos de canteiros incômodos. No esplendor das ruas, flanelinhas mostram a nudez desconcertante das costelas e estendem as mãos magras e ameaçadoras. Nos rasos das catarinas agrestes, retirantes protagonizam, com a fome e a sede, uma dolorosa tragédia. Em que intricada matemática estaria o teorema ou a solução para o problema? É quase certo que não esteja no poderio exacerbado das máquinas, tampouco no lúcido raciocínio dos gênios da humanidade. Se assim fora, a geração do século das luzes e, hoje, a nanotecnologia já o haviam equacionado. Muito menos alguém o encontrará nos discursos messiânicos dos palanques políticos, nem mesmo nas prédicas filosófico-religiosas dos púlpitos e igrejas. Rousseau e Proudhon asseguram que esse mal tem raízes fincadas na questão da propriedade em vez da posse. Outros apontam a espoliação do capital especulativo estrangeiro. O certo é que o homem, esse ser racional que ainda não encontrou uma vacina eficaz para estancar o avanço das mazelas sociais, há de buscar em outras fontes a solução para a questão angustiante do "apartheid" econômicofinanceiro em que se mergulharam as nações. A resposta pode estar – e é factível que sim – no recôndito da alma humana. Há que se reconstruir o homem, retirar-lhe do peito o império da cifra e reimplantar-lhe um novo coração, mais anímico, menos maquinal. Há que se aprender a tecer uma nova teia social, onde os laços não sejam estanques, excludentes, mas um traço de união, um abraço de "anjos de uma asa só", para Unesco | Folha Dirigida

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possibilitar o vôo até uma civilização menos doentia, mais duradoura. Reaprender o afa*go, ainda que de olhar; reabilitar a ternura, ainda que tímida e tardia. Exercitar a difícil partilha de poder, desviar um pouco os olhos do próprio umbigo e enxergar o outro como semelhante. Já se teme não alcançar a meta estipulada de redução da pobreza e da miséria até 2015. O inchaço das metrópoles se dá a cada ano em tamanho, solidão e medo. Ou o se aprende a domar a gana, estancar o rio do individualismo, ou o ar rarefeito dos palacetes casmurros e lacrados sufocará seus poucos monarcas. Ou se formula um teorema urgente para se aplacar o vulcão do caos social, ou a esfinge da exclusão acaba por devorar a paz. Aí, sim, tão-somente restará, perplexo, por sobre o abismo da raça humana dizimada, o anjo do Apocalipse.

.......................................... "In what kind of intricate mathematics would be the theorem or the solution to the problem? For sure it is not in the exceeding power of machines, nor in the lucid reasoning of humankind's geniuses." SPHINX THEOREM While the sun fill in the day with its radiant ballet of photons and colors, and the streets are crowded with cars from a vast number of colors and models – portraying the owner's social status -, while the airplanes – steel lightning – are crossing the blue skies, with their bellies full of people, and the women's purses go up and down as a frantic seesaw, in the four corners of the world, a dreadful spectacle frightens humankind: the children of abandon are blossoming in dumps like ulcerous lilies from troubled gardens. In the streets' splendor, "flanelinhas [criminals who extort drivers who are parking their cars on the street]" show their unsettling rib's nudity and reach out their thin and threatening hands. At the Brazilian semi-arid, migrants have the leading roles of a dreadful tragedy full of hunger and thirst. In what kind of intricate mathematics would be the theorem or the solution to the problem? For sure, it is not in the exceeding power of machines, nor in the lucid reasoning of humankind's geniuses. If it were that way, the Century of Light generation and, today, nanotechnology, would have solved the problem. The

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answer is not on the politician's messianic speeches, and neither on the religious and philosophic sermons delivered in the churches' pulpits. Rousseau and Proudhon assure that this evil roots are deep down in the issue of property instead of possession. Others point out the spoliation of foreign speculative capital. What we know is that man, such a rational being, still haven't found find a vaccine effective against the spread of social wounds; man must find at another sources the solution to the anguishing social and economic "apartheid" in which all nations have been caught. The answer could be – it is possible – at the most hidden part of the human soul. We must rebuilt humankind, taking away from our chest the empire of money figures and give us a new heart implant, a heart more animic and less machinery. We must learn how to weave a new social web, where the ties wouldn't be enclosed or excluding, but would be ties of union, a hug of "One winged angels" willing to fly to a less sick and more permanent civilization. We must learn again how to caress, give tenderness, yet timid and late, another chance. We must learn how to share power, to stop gazing at our own navels and to see the other in our likeness. There's a fear that the goal of poverty and misery reduction up to 2015 wouldn't be reached. The metropolis is increasing in size, in loneliness and in fear. Or we learn how to control our desires, to drain the river of individualism, or the thick air from sad and locked palaces would suffocate its few monarchs. Or we urgently develop a theorem to avoid the eruption of the volcano of social chaos, or the sphinx of exclusion will end eating up peace. Then, over the abyss of decimated human race, shall only remain the puzzled figure of the Apocalypse angel.

.......................................... "Dans quelle mathématique compliquée se trouverait le théorème ou la solution du problème? C'est presque sûr qu'elle ne se trouve pas dans le pouvoir exacerbé des machines, ni dans le raisonnement lucide des génies de l'humanité." Théorie sphinx Tandis que le soleil illumine le jour dans un ballet irradiant de photon et couleurs, et que les rues se remplissent de voitures des marques et modèles les plus variées, exhiber la situation de leurs propriétaires; tandis que les avions – éclairs d'acier – déchirent les bleus des cieux, remplis de personnes, et que les Unesco | Folha Dirigida

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bourses dansent leur balançoire nerveuse de montée et descente, aux quatre coins du monde, un spectacle horrible effraie l'homme: les enfants de l'abandon poussent dans les ordures comme des lyres de jardinières non confortables. Dans la splendeur des rues, les gardiens de voiture montrent la nudité déconcertante de leurs côtes et tendent leurs mains maigres et menaçantes. Dans les plaines des roues de rencontres agrestes, retirant, protagoniste avec la faim et la soif, une douloureuse tragédie. Dans quelle mathématique compliquée se trouverait le théorème ou la solution du problème? Il est presque certain qu'elle ne se trouve pas dans le pouvoir exacerbé des machines, ni dans le raisonnement lucide des génies de l'humanité. Si c'était le cas, la génération du siècle des lumières et, aujourd'hui, la nanotechnologie, l'auraient solutionnée. Encore moins quelqu'un la trouvera dans les discours messianiques des estrades politiques, ni même dans les discours philosophiques et religieux des tribunes de prêcheurs et églises. Rousseau et Proudhon assurent que les racines de ce mal sont fixées dans le problème de la propriété au lieu de la détention. D'autres parlent des fraudes du capital spéculatif étranger. En réalité c'est l'homme, cet être rationnel qui n'a pas encore trouvé le vaccin efficace pour mettre fin aux avancées des maladies sociales, il faut chercher dans d'autres sources la solution pour la question angoissante de l'"apartheid" économico– financier où se sont plongées les nations. La réponse peut se trouver – il est probable en fait que oui – dans l'intimité de l'âme humaine. Il faut reconstruire l'homme, lui ôter du coeur l'empire des chiffres et lui réimplanter un nouveau coeur, plus psychique, moins mécanique. Il faut apprendre à tisser une nouvelle toile sociale, où les liens ne soient pas perméables, excluant, mais un trait d'union, une accolade de "anges à une aile", pour rendre possible le vol jusqu'à une civilisation moins maladive, plus durable. Réapprendre l'affection, regarder, réhabiliter la tendresse, bien que timide et tardive. Exercer le difficile partage du pouvoir, dévier un peu les yeux du propre nombril et voir l'autre comme son égal. On craint déjà de ne pas atteindre le but stipulé de réduction de pauvreté et de la misère d'ici 2015. Le gonflement des métropoles se donne chaque année en taille, solitude et peur. Ou l'on apprend à dompter le désir, sécher le fleuve de l'individualisme, ou l'air raréfié des palais têtus et scellés suffoquera leurs propres monarques. Ou l'on formule un théorème urgent pour apaiser le volcan du chaos social, ou le sphinx de l'exclusion finit par dévorer la paix. Alors oui, il restera seulement, perplexe, sur l'abîme de la race humaine disséminée, l'ange de l'apocalypse.

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"Um sistema educacional eficiente não pode se limitar a lições simplistas, que apenas dizem: não seja! Mas transparente e preparado para dizer por que somos e nos tornamos."

Andréia Costa Souza

Universidade Federal de Goiás – Goiânia – GO

A DESIGUALDADE DE GÊNERO Diante das inúmeras contradições e injustiças sociais que ainda castigam a América Latina, a pobreza e a desigualdade social se encontram em um ponto comum. Falamos da iniqüidade que caracteriza o chamado sistema de gênero. Um amplo mecanismo que também articula diferenças raciais e étnicas, componentes religiosos e identitários. Em nenhum lugar do mundo, homens e mulheres possuem as mesmas oportunidades. No entanto, em regiões como a América Latina o sistema de gênero desigual apresenta efeitos de repercussão ampla e complexa. As diferenças entre os sexos, em grande parte culturais, quando transformadas em desigualdade social, tornaram-se um dos maiores desafios daqueles que lutam por um mundo mais igualitário. É preciso que nos perguntemos através de quais mecanismos tal realidade se cria e perpetua. A crescente feminização da pobreza e os efeitos da divisão sexual do trabalho poderiam ser resolvidos ou amenizados unicamente com políticas públicas dirigidas aos setores econômico e político? De que maneiras o acesso à educação e a produção de conhecimentos hoje disponibilizados à maioria das mulheres poderiam interferir neste quadro? Contextos culturais e históricos mostram-se fundamentais para chegarmos às raízes e às possíveis soluções das desigualdades que se colocam como frutos de todos esses fatores. Obstáculos vistos como realidades "naturais" e intransponíveis, podem ser problemas com os quais os movimentos de mulheres e os governos não têm contado. As políticas públicas de gênero voltadas às especificidades da condição feminina devem constituir uma ação permanente dos programas sociais e governamentais. Deparamo-nos ainda com entraves que dificultam a efetivação de muitos direitos já conquistados, na medida em que condicionantes culturais no âmbito público e privado atuam como elementos de resistência à efetivação da eqüidade. Um sistema educacional eficiente não pode se limitar a lições simplistas, que apenas dizem: não seja! Mas transparente e preparado para dizer por que somos e nos tornamos. Por que somos sexistas? Por que somos racistas? Um ensino que Unesco | Folha Dirigida

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não preserva a memória dos movimentos sociais de seu país pouco poderá construir. Onde encontramos nas escolas a História do feminismo brasileiro ou latino-americano? Nossas/os professoras/es estão preparados/as para explicar às crianças e adolescentes porque somos criados em meio há tantos "pré-conceitos"? E por que muitos destes nunca são questionados? A recente ocupação feminina dos ambientes escolares e acadêmicos deve ser combinada com políticas educacionais dirigidas às mulheres, que construam espaços de discussão e informação das reais possibilidades e direitos formais que usufruímos hoje. Os conteúdos sexistas ainda aplicados em todos os níveis educacionais precisam ser extintos, pois somente por intermédio da educação que receberem, as mulheres poderão produzir novos conhecimentos e visões. Visões de si mesmas, de mundos igualitários, sem pobreza ou exclusão. Para mulheres e homens.

.......................................... "An effective educational system cannot be limited to simple lessons only saying: don't be! Instead, such system must be transparent and prepare ourselves to be who we are and what we shall become." GENDER INEQUALITY Due to the multiple contradictions and social injustices still existing in Latin America, poverty and social inequality have a common character. We are talking about the iniquity that is a characteristic of the gender system. We are talking about a wide structure that also articulates racial and ethnic inequalities, religious and identity-based components. There is no place in the world where men and women share the same opportunities. On the contrary, in areas such Latin America an unequal gender system generates effects with wide and complex repercussion. The differences between both sexes – in great extent cultural differences -, when transformed into social inequality, became one of the greatest challenges for those who fight for a more egalitarian world. We must ask ourselves by which mechanisms such reality is created and perpetuated. Could the increasing feminization of poverty and the effects of sexual division in work be solved or mitigated by means of public policies addressed to the economical and political sectors? How the access to education and knowledge now available to most women would interfere in this scenario? Historical and cultural contexts are fundamental to reach the roots and the possible solutions of inequalities derived from all these factors. Obstacles seen as "natural" Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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and insurmountable realities can be problems that haven't been taken into account by women's movements and governments. The public gender policies, focused on women's specific needs, must become permanent actions of social and governmental programs. We still come across many encumbrances that prevent many rights already in force to become effective, for there are some cultural barriers in the public and private levels acting as elements of resistance against sexual equality. An effective educational system cannot be limited to simple lessons only saying: don't be! Instead, such system must be transparent and prepare ourselves to be who we are and what we shall become. Why are we sexist? Why are we racist? An educational system that doesn't preserve the country's social movements history would do little to construct new thoughts. In which schools can we find the history of Brazilian or Latin American feminism? Are our teachers prepared to explain to our children and teenagers why we are raised in a society with so much prejudice? Why they never question such prejudice? The recent presence of women in school and academic environments must be combined with educational policies addressed to women, which shall create forums to discuss the real possibilities and formal rights we share today. The sexist contents still applied at all educational levels must be over, for it is only by means of education that women would produce new knowledge and new concepts; the vision of themselves, of an egalitarian world, without poverty or exclusion; for women and men.

.......................................... "Un système éducationnel efficace ne peut pas se limiter à des leçons simplistes, qui disent à peine: ne soyez pas! Mais transparente et préparé pour dire pourquoi nous sommes et nous devenons." L'INÉGALITÉ DE GENRE Face aux innombrables contradictions et injustices qui punissent l'Amérique Latine, la pauvreté et l'inégalité sociale se retrouvent en un point commun. Nous parlons de manque d'équité qui caractérise ce qu'on appelle le système de genre. Un ample mécanisme qui articule aussi les différences raciales et ethniques, composants religieux et identitaires. Nulle part dans le monde, hommes et femmes possèdent les mêmes opportunités. Cependant, dans les régions comme l'Amérique Latine, le système de genre inégal présente des effets de répercussion ample et complexe. Unesco | Folha Dirigida

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Les différences entre les sexes, en grande partie culturelles, quand elles sont transformées en inégalité sociale, deviennent l'un des plus grands défis de ceux qui luttent pour un monde plus égalitaire. Il faut que nous nous demandions au travers de quels mécanismes telle réalité se crée et perpétue. La croissante féminisation de la pauvreté et les effets de la division sexuelle du travail pourraient être résolus ou réduits uniquement avec les politiques publiques dirigées aux secteurs économique et politique? De quelles manières l'accès à l'éducation et la production de connaissances aujourd'hui mis à disposition de la majorité des femmes pourrait interférer dans ce cadre? Des contextes culturels et historiques se montrent fondamentaux pour que nous arrivions aux racines et aux possibles solutions des inégalités qui se placent comme fruits de tous ces facteurs. Obstacles vus comme des réalités "naturelles" et non transposables, peuvent être les problèmes sur lesquels les mouvements de femmes et les gouvernements n'ont pas compté. Les politiques publiques de genre tournées vers les spécificités de la condition féminine doivent constituer une action permanente des programmes sociaux et gouvernementaux. Nous nous trouvons encore devant des obstacles qui rendent difficile l'effectivité de plusieurs droits déjà conquis, dans la mesure où les conditionneurs culturels dans le domaine public et privé agissent comme des éléments de résistance à l'effectivité de l'égalité. Un système éducationnel efficace ne peut se limiter aux leçons simplistes, qui disent à peine: ne sois pas! Mais transparent et préparé pour dire pourquoi nous sommes et nous devenons. Pourquoi sommes-nous sexistes? Pourquoi sommesnous racistes? Un enseignement qui ne préserve pas la mémoire des mouvements sociaux de son pays ne pourra que construire peu. Où trouvons-nous dans les écoles l'Histoire du féminisme brésilien ou latino-américain? Nos professeur(s) sont-ils préparé(e)s pour expliquer aux enfants et adolescents pourquoi nous sommes élevés au milieu de tant de "préjugés"? Et pourquoi beaucoup de ceuxlà ne sont jamais questionnés? La récente occupation féminine des ambiances scolaires et académiques doit être combinée aux politiques éducationnelles dirigées aux femmes, qui construisent des espaces de discussion et information des réelles possibilités et droits formels dont nous bénéficions aujourd'hui. Les contenus sexistes encore appliqués à tous les niveaux éducationnels doivent être abolis, car seulement par l'intermédiaire de l'éducation qu'elles reçoivent, les femmes pourront produire de nouvelles connaissances et visions. Visions d'elles-mêmes, de modes égalitaires, sans pauvreté ou exclusion. Pour femmes et hommes.

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"...buscando a formação de indivíduos mais completos, cidadãos conscientes de suas próprias capacidades e de seu autopoder de transformação."

Aressa Michelle Esparano

UNISAL – Centro Universitário Salesiano de São Paulo – Santa Bárbara D'Oeste – SP

ESCAMBO UTÓPICO Imagine um lugar no qual tudo aquilo que você sabe é realmente valorizado. Nesse lugar imaginário, não importa se o que você sabe fazer é bolo de chocolate, pipas multicoloridas ou dançar como ninguém mais. Ao contrário! Nele é sim muito importante declarar que sabe "cantar como um sabiá" ou que é um ouvinte paciente dos "causos" alheios. Ou, ainda, que é capaz de redigir com desvelo o que for requisitado ou ser "fera" da informática. Nesse lugar o que você sabe é a sua "moeda de troca", funcionando da seguinte maneira: uma manicure divulga que está disposta a oferecer seu serviço em troca de ter para si aulas de violão. Acontece que uma adolescente "roqueira" está proposta a dar aulas a quem requisite, adorando a idéia de ter suas unhas tratadas. Então, a troca de serviços se torna totalmente viável, é realizada e deixa as envolvidas muito satisfeitas. Já apenas o que o pedreiro sabe fazer é ensinar seu próprio ofício, entretanto está com muita vontade de aprender a ler, divulgando, assim, a sua necessidade. Ocorre que o jardineiro se interessa por aprender sobre edificações, no entanto ele não se considera apto a ensinar o pedreiro a ler. Porém, a advogada adora plantas, mas não consegue manter as da sua casa viçosas, decidindo aprender o que puder sobre o assunto. E, desse modo, as necessidades dos três se entrelaçam, podendo ser satisfeitas através da troca de serviços. Visualize... Trabalho voluntário, mas com o qual todos sempre ganham. Um lugar organizado pelo próprio grupo social, com o intuito de atingir o bem da coletividade. Assim, fica estabelecida uma ampla ajuda comunitária permanente, baseada no apoio mútuo entre as pessoas, na qual aquele que "ajuda-auxilia" tem em troca a "ajuda-auxílio" da qual necessite. Espaço esse, no qual são desenvolvidas inúmeras atividades, desde a implantação de berçários e creches para atendimento das mães e pais que trabalhem e passem a maior parte do tempo fora de casa, até a efetivação de "trocas" das mais variadas áreas de interesse do conhecimento humano a serem compartilhadas, oferecendo, também, palestras Unesco | Folha Dirigida

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e debates bem estruturados, com a finalidade precípua de adicionar informação à experiência de vida dos interessados, com isso proporcionando a ampliação da "bagagem de saber" de cada um, buscando a formação de indivíduos mais completos, cidadãos conscientes de suas próprias capacidades e de seu autopoder de transformação. Centro de conhecimento formado com base na compreensão e tolerância, com a pretensão de estimular o desenvolvimento da natureza de AMOR existente em todos os seres humanos, no qual a bondade latente em cada um seja manifestada. Recinto com intensa atividade, criado com a aspiração de que a expressão de agressividade se torne impraticável, ao buscar a superação das diferenças étnicas, religiosas, ideológicas e as demais, desestimulando a discórdia. Local em que o objetivo maior é, em última análise, a realização pessoal, com a troca daquilo que se tem a transmitir por aquilo que se quer assimilar, sendo, por isso, uma forma de escambo. Sinta-se capaz de conceber... Esse lugar incrível bem poderia ser sua realidade.

.......................................... "...Aiming at the formation of more qualified individuals, citizens who are aware of their capacities and of their power of self-transformation." UTOPIST BARTER EXCHANGE Imagine a place where everything you know is highly valued. In this imaginary place, it doesn't matter if what you do well is chocolate cake, multicolored kites or if you dance like nobody else can. On the contrary! There it is important to say that you can "sing like a mockingbird", or that you're a great listener of other people's stories. Or, still, that you're capable of writing beautifully about whatever they ask you to, or that you're a genius on informatics. In this place, what you do best is your "barter exchange value", and it works this way: a manicurist advertises her services in exchange for guitar lessons. It happens that a teenage "rocker" is willing to give guitar classes, and she would love to have her nails done. So, the service exchange is totally viable; it is made and both parts are very pleased. All the mason can offer is teaching his own work, but he dreams of learning to read; so, he tells everyone about his desire. The gardener is interested on constructions, but he doesn't consider himself prepared to teach the mason to read. However, the lawyer loves plants, but she Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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doesn't know to maintain the ones in her house beautiful for a long time; so, she decides to learn all she can about plants. So, that way, the three's needs can be fulfilled through the exchange of services. Think about it... Volunteer work, and everybody always gain something. A place organized by the social group, with one purpose: the community's well being. Thus, a wide net of permanent community help, based on mutual support, is established between the "helpers" who exchange their help for any other "help" they might need. In this place various of activities can be developed, from the implementation of nurseries and day care centers for mothers and fathers who are working and expending most of their days outside their houses, up to exchanges between the most varied areas of interest; people can also offer well structured presentations and debates, with the purpose of providing information and life experience to improve the "cultural baggage" of each person, aiming at the formation of more qualified individuals, citizens who are aware of their capacities and of their power of self-transformation. A knowledge center based on understanding and tolerance, to stimulate the nature of LOVE that lies within each and every human being, manifesting the good that is inside everyone. This is a place with intense activity, created with the intention to prevent people from expressing their aggressivity, and to overcome any ethnical, religious, ideological, and other differences, thus suppressing dissents. A place where the main goal is, at the end, personal achievement, exchanging what you have to offer by what you want to learn; that's it, a sort of barter. Feel your ability to conceive this... This amazing place could be your reality.

.......................................... "...cherchant la formation d'individus plus complets, des citoyens conscients de leurs propres capacités et de leur auto pouvoir de transformation." ECHANGE UTOPIQUE Imagine un endroit où tout ce que sais est réellement valorisé. Dans cet endroit imaginaire, peu importe si ce que tu sais faire est un gâteau au chocolat, des cerfs-volants colorés ou danser comme personne d'autre. Au contraire! En lui il est très important de déclarer que tu sais "chanter comme un sabiá (oiseau)" ou que tu es un auditeur patient des "cas" d'autrui. Ou, encore, que tu es capable de Unesco | Folha Dirigida

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rédiger avec attention ce qui est demandé ou être un "as" de l'informatique. Dans cet endroit, ce que tu sais est que ta "monnaie d'échange", fonctionnant de la manière suivante: une manucure divulgue qu'elle est disposée à offrir ses services en échange de cours de guitare. Il se trouve qu'une adolescente "qui aime le rock" est disposée à donner des cours à qui elle veut, adorant l'idée de faire soigner ses ongles. Alors, l'échange de services devient totalement viable, est réalisé et satisfait les deux personnes impliquées. Mais le maçon lui ne sait qu'enseigner son propre métier, cependant il a très envie d'apprendre à lire, divulguant ainsi sa nécessité. Il se trouve que le jardinier s'intéresse à apprendre les édifications, cependant il ne se considère pas apte à enseigner le maçon à lire. Cependant, l'avocate adore les plantes, mais ne réussit pas à conserver celles de chez elles vertes, décidant d'apprendre ce qu'elle pourrait sur ce sujet. Et, ainsi, les besoins des trois s'entrelacent, pouvant être satisfaits au travers de l'échange de services. Visualise... Travail volontaire, mais avec lequel tous y gagnent toujours. Un lieu organisé par le groupe social lui-même, dans le but d'atteindre le bien de la collectivité. Ainsi, une vaste aide communautaire permanente reste établie, basée sur l'appui mutuel entre les personnes, dans laquelle celui qui "aide assiste" reçoit en échange "aide assistance" dont il a besoin. Espace dans lequel sont développées d'innombrables activités, depuis l'implantation de berceaux et de crèches pour accueil des mères et des pères qui travaillent et passent la majorité du temps en dehors de la maison, jusqu'à la réalisation d'"échanges" des domaines les plus variés d'intérêt de la connaissance humaine à partager, offrant, aussi, des conférences et des débats bien structurés, dans le but essentiel d'additionner l'information à l'expérience de vie des intéressés, permettant ainsi l'amplification du "bagage du savoir" de chacun, cherchant la formation d'individus plus complets, citoyens conscients de leurs propres capacités et de leur auto pouvoir de transformation. Centre de connaissance formé comme base de la compréhension et la tolérance, avec la prétention de stimuler le développement de la nature de l'AMOUR existant dans tous les êtres humains et dans lequel la bonté latente dans chacun soit manifestée. Recoin d'intense activité, créé avec l'aspiration que l'expression d'agressivité devienne impraticable, en cherchant le dépassem*nt des différences ethniques, religieuses, idéologiques et les autres, décourageant le désaccord. Lieu où l'objectif principal est, en dernière analyse, la réalisation personnelle, avec l'échange ce que l'on a à transmettre contre ce que l'on veut assimiler, étant, pour cela, une forme d'échange. Sens-toi capable de concevoir... Ce lieu incroyable pourrait bien être ta réalité.

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"Mas a justiça é feita por homens. Não por Deus. E os homens são desiguais. E pobres. Pobres de idéias..."

Ariani Caetano Parpaiola

UFES – Universidade Federal do Espírito Santo – Vitória – ES

VIDA DESIGUAL. VIDA POBRE Cercas de madeira e arame farpado e cercas elétricas são desiguais. Assim como famílias de onze e famílias de três. Também são desiguais contracheques de salário mínimo e de salário máximo. Como são desiguais pés descalços e "pés no chão", o preto e o branco. Mais até. São opostos, fluidos que não se misturam. Mas que vêm do mesmo frasco. E no rótulo dá até para ler a indicação: "Manter fora do alcance...". A desigualdade vem da pobreza ou é a pobreza que vem da desigualdade? Devem andar paralelas. Mas diz a matemática que as retas paralelas se encontram no infinito. Logo, a causa de ambas é a mesma. Mas qual? Como tratar uma ferida da qual desconhecemos a causa? A causa, apenas, porque os efeitos... Esses temos vivido aos montes. Ah, mas os homens inventaram uma entidade (além de Deus) que resolve todos esses problemas. Os da desigualdade e da pobreza. A justiça. Mas a justiça é feita por homens. Não por Deus. E os homens são desiguais. E pobres. Pobres de idéias, de conhecimento, de humanidade, de pensamentos. Imagina que eles tentam resolver as conseqüências da desigualdade e da pobreza sem conhecer as benditas causas. E sem parar para pensar que as causas somos nós mesmos. Sim, somos nós. Criamos ídolos para depois tirá-los dos tronos e dos pedestais, criamos ícones que depois afundamos no esquecimento, criamos regras que nem seguimos, criamos uma vida e nem sequer nascemos para ela. E criamos pobreza. E desigualdade. E agora damos as costas. Cobramos da justiça (não foi para isso que a inventamos?). Cruzamos os braços. Talvez não porque queremos, mas porque elas nos obrigam. A desigualdade e a pobreza são fortes. Tão fortes que não conseguimos vencê-las e elas, ah, elas têm nos vencido. E nos matado. Quer saber? Cansei. Cansei desse papo de "o país precisa oferecer educação de qualidade", "temos que vencer a má distribuição da renda", "os crimes precisam ser punidos com mais rigor", "ah, mas o Estado não faz a sua parte mesmo"... Precisamos de outro discurso. O da ação. Não o da indignidade. Esse já Unesco | Folha Dirigida

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praticamos (aliás, só o praticamos). A ação da descoberta. A ação de abrir os olhos para algo que por muito tempo negamos e escondemos: esse mundo é coisa nossa. E é do nosso ventre que saem os algozes (e os vitimados) da pobreza e da desigualdade. É o nosso egoísmo que lhes dá a vida. E nossa indiferença que os alimenta. Por todo e sempre. Como vencer a pobreza e a desigualdade? Ah, não sei. Sei que elas estão vencendo. Estão vencendo na luta nossa de cada dia. Estão vencendo a própria entidade justiça. Só nos resta orar. Talvez a Outra entidade nos ouça. E nos dê a bênção. A benção da igualdade. E da vitória. Não do bem contra o mal. Mas a vitória da vida, que tem sido tão desigual, tão pobre.

.......................................... "But justice is made by men. Not by God. And men are different one from the other. And they're poor. Poor of ideas..." UNEQUAL LIFE. POOR LIFE Wood and barbed wire fences are not the same thing as electric fences. A family of eleven is different from a family of three. Pay stubs for low and high salaries either are the same. Barefooted people and the "down on earth" ones are different, as so are black and white. Even more. They're opposites, fluids that cannot be mixed. But that came from the same flask. And in the label, you can read the prescription: "Keep out of reach..." Does inequality come from poverty, or poverty that comes from inequality? Perhaps they are in parallel. But mathematics says that two parallels meet in the infinite. Thus, the cause of both is the same. But what is that cause? How to treat a wound from which we don't know the cause? The cause, because the effects... The effects we have experienced, and much. Yes, but men have created an identity (aside from God) that can handle all these problems. They have created an identity that can deal with inequality and poverty. Justice. But making human justice is a human's issue. Not God's. And men are different one from the other. And they're poor: poor of ideas, of knowledge, of humanity, of thoughts. Can you imagine that they're trying to solve the consequences of inequality and poverty without knowing the causes? We are trying to solve a problem without realizing that we are the cause. Yes, we are. We create idols and after we throw them away from their thrones and pedestals, we create icons that we'll forget later, we create rules we don't Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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follow; we create a life for what we weren't even born. And we create poverty. And inequality. And now we turn our backs into it. We demand justice to solve it (that's not why it was invented?). We cross our arms. We do that, maybe not because we want to, but because we're obliged to. Inequality and poverty are strong. So strong we cannot beat them; and, oh, they have been defeating us, and killing us. You know? I'm tired. I'm tired of this "Brazil must provide quality education" talk, "we have to overcome the unfair income distribution", "crimes must be punished more rigorously", "oh, but the Government is not making its part"... We need another discourse. We need the discourse of action. Not the one of indignity. This one we have been practicing for a long (besides, that's all we have been doing). The action of discovery, of opening our eyes to something we have been denying and hiding for so long: this world belongs to us. And it is from this world's belly that the poverty and inequality's hangmen (and victims) are born. Our egotism gives them life. Our indifference feeds them, now and forever. How can we stop poverty and inequality? Well, I don't know. All I know is they're winning, defeating us at our everyday life struggle. They're beating the entity: justice. There's nothing to do but pray. Maybe the other Entity would hear us. And bless us with the blessing of equality. And victory. Not the victory of good over evil, but the victory of life, which has been so unequal, so poor.

.......................................... "Mais la justice est faite par les hommes. Non par Dieu. Et les hommes sont inégaux. Et pauvres. Pauvres d'idées..." VIE D'INÉGALITÉ. VIE PAUVRE Clôtures en bois et fer barbelé et clôtures électriques sont inégales. Comme les familles de onze et les familles de trois. Egalement inégaux les feuilles de paie de salaire minimum et de salaire maximum. Comme sont inégaux les pieds nus et les "pieds sur terre", le noir et le blanc. Encore plus même. Les fluides qui ne se mélangent pas sont opposés. Mais qui viennent du même flacon. Et sur l'étiquette on peut même lire l'indication: "Conserver hors de portée de...". L'inégalité vient de la pauvreté ou est-ce la pauvreté qui vient de l'inégalité? Elles doivent marcher en parallèle. Mais les mathématiques disent que les lignes parallèles se rencontrent à l'infini. Ainsi, la cause des deux est la même. Mais Unesco | Folha Dirigida

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laquelle? Comment soigner une blessure dont nous méconnaissons la cause? La cause, à peine, car les effets... Ceux-ci nous en vivons des tas. Ah, mais les hommes ont inventé une entité (au-delà de Dieu) qui résout tous ces problèmes. Ceux de l'inégalité et de la pauvreté. La justice. Mais la justice est faite par les hommes. Non par Dieu. Et les hommes sont inégaux. Et pauvres. Pauvres d'idées, de connaissances, d'humanité, de pensée. Imagine qu'ils essaient de résoudre les conséquences de l'inégalité et de la pauvreté sans connaître les saintes causes. Et sans s'arrêter pour penser que les causes ce sont nous-mêmes. Oui, ce sont nous. Nous créons des idoles pour ensuite les enlever des trônes et des socles, nous créons des icônes que nous enfonçons ensuite dans l'oubli, nous créons des règles que nous ne suivons pas, nous créons une vie et nous ne naissons même pas pour elle. Et nous créons la pauvreté. Et l'inégalité. Et maintenant nous tournons le dos. Nous exigeons justice (n'est-ce pas pour cela que nous l'avons inventée?). Nous croisons les bras. Peut-être non pas parce que nous le voulons, mais parce qu'elles nous y obligent. L'inégalité et la pauvreté sont fortes. Si fortes que nous ne réussissons pas à les vaincre, et elles, ah, elles nous ont vaincus. Et nous ont tués. Tu veux savoir? Je suis fatigué. Fatigué de cette histoire du "le pays a besoin d'offrir une éducation de qualité", "nous devons vaincre la mauvaise répartition des revenus", "les crimes doivent être punis plus rigoureusem*nt", "ah, mais l'Etat ne fait même pas son devoir"... Nous avons besoin d'un autre discours. Celui de l'action. Non pas celui de la dignité. Celui-ci nous le pratiquons déjà (d'ailleurs, nous ne faisons que le pratiquer). L'action de la découverte. L'action d'ouvrir les yeux pour ce que nous avons nié et caché pendant longtemps: ce monde est notre affaire. Et c'est de notre ventre que sortent les bourreaux (et les victimes) de la pauvreté et de l'inégalité. C'est notre égoïsme qui leur donne la vie. Et notre différence qui les alimente. Pour tout et toujours. Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité? Ah, je ne sais pas. Je sais qu'elles sont en train de vaincre. Elles sont en train de vaincre dans notre lutte de chaque jour. Elles sont en train de vaincre l'entité justice elle-même. Il ne nous reste plus qu'à prier. Peut-être que l'Autre entité nous entend. Et nous donne la bénédiction. La bénédiction de l'égalité. Et de la victoire. Pas du bien contre le mal. Mais la victoire de la vie, qui a été si inégale, si pauvre.

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"Não devemos esperar nenhuma transformação social que não tenha sido conquistada com nossas próprias mãos, mas a educação ainda é o caminho que melhor emancipa o ser humano..."

Bernard Luz Costa Santos

Faculdade de Ciência e Tecnologia – Salvador – BA

Desde criança minha mãe direcionava nossos dias de forma sistemática. Quando não cantava músicas clássicas da igreja, lia e desenvolvia em quase representações teatrais trechos da Bíblia para mim e meus três irmãos. Nossos olhinhos brilhavam e arregalavam-se a cada gesto de firmeza e autenticidade daquela palavra bem falada e tão profundamente saída de um coração cheio de vontade em formar homens de bom caráter, firmes em meio a uma sociedade com tantas disparidades sociais e crescente pobreza. Muitas vezes chorei de emoção e o coração cheio de ânimo. Mesmo sendo uma filósofa ela dizia que esse era o único livro em que a verdade é totalmente absoluta e através dessa verdade poderíamos atravessar o deserto da pobreza, desigualdade social, já que moramos num complexo de favelas em Salvador, hoje considerado o maior centro de tráfico de drogas, armas, e prostituição da cidade. Assistimos através da janela da casa de minha vó (já que não temos moradia própria), como num filme, passar as armas, a pobreza, à anorexia, às pedras de craque, o crime, à fome, à nudez, o choro de mães (a maioria) que voltam dos presídios e sentem que perderam o rumo. Passa também, a solidariedade, a misericórdia de uns para com os outros, alguém se compadece e dá. Nunca vi passar nenhum daqueles famosos projetos federal, estadual ou municipal, nunca vi aqui nenhum político, ou entidade filantrópica, ou a saúde, educação. Parece que a ética está em extinção. Acreditei que chegaria a uma Universidade e sei que da mesma forma meus irmãos acreditam. Aqueles dias da nossa infância não passaram, ela (minha mãe) continua como a corsa que anseia pelas águas, como árvore cortada que com o cheiro das águas brota e dá fruto na estação própria, e mesmo quando ela foi pedir uma bolsa de estudos numa escola jesuíta, escola que é considerada o protótipo de educação na Bahia, o diretor lhe respondeu que o Vaticano estava em crise. Ela chorou escondido de nós por sentir na carne a indiferença e o descaso social, mas folhas verdes voltaram a brotar. Vencer a pobreza e a desigualdade é a maior luta social que o homem poderá enfrentar. Os inimigos dessa luta são os projetos emperrados, utilizados para Unesco | Folha Dirigida

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desvios de verbas, lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito, obras inacabadas, desgoverno. Sinto que o Brasil é um barco à deriva, como uma folha ao vento, levado por imensas torrentes de corrupção e brutalidades criminais que desafiam os corredores da ciência e os recursos humanísticos. Não devemos esperar nenhuma transformação social que não tenha sido conquistada com nossas próprias mãos, mas a educação ainda é o caminho que melhor emancipa o ser humano da mais abjeta manipulação, seja por via dos símbolos, seja pelo apelo continuado aos instintos mais rudimentarmente negativos.

.......................................... "We shouldn't expect any social change that wasn't conquered with our own hands, but education is still the best way to achieve human emancipation..." When I was a child, my mother commanded our days in a systematic way. When she wasn't singing classical church music, she used to read, in a quite theatrical performance, Bible passages to my three brothers and me. Our little eyes sparkled and stared with each gesture of energy and authenticity of her, with that words so beautifully spoken coming from a heart fulfilled with the will to raise men of good character, steady men, within a society with such social inequality and growing poverty. Many times, I've cried, filled with emotion, and a heart full of will. Even being a philosopher, she used to say that the Bible was the only book in which the truth is absolute and only with the help of the Bible we could cross a desert of poverty and social inequality, the complex of shanty towns where we live in Salvador. This place is now considered the major center of drug and weapons traffic, and prostitution in the city. Through my grandma's house windows (for we don't have our own home), we watch – like in a movie – men with weapons passing by, poverty, anorexia, crack stones, crime, hunger, nudity, mother's crying (most of them) when they're coming back from prison visits feeling they have lost their way. We can also see solidarity, someone's offering his/her mercy to others, and someone's sympathetically helping others. I have never seen any of these famous federal, state, or local projects; I have never seen any politician in here, or any philanthropic entity. I have never seen health or education. It looks like ethic is in ways of extinction. I have always believed I would enroll University, and I know that my brothers also believe it. These days of my childhood are still present, my mother is still the Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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deer waiting for the waters, like a cut tree that sprouts and gives its fruits at the proper season. When she asked for a scholarship in a Jesuit school, the one's that is considered a model of education in Bahia, the director said to her that Vatican was facing a crisis. Hidden from us, she cried, because she felt in her flesh indifference and social disregard. But new green leaves were about to grow. Stop poverty and inequality is the greatest social mission that a man would face. In this mission, the enemies are abandoned projects, siphoned cash, money lauder, illegal enrichment, unfinished projects, and the lack of government actions. I feel that Brazil is a boat drifting off, like a leaf in the wind, taken away by torrents of corruption and brutal crimes that challenge scientific and humanistic resources. We shouldn't expect any social change that wasn't conquered with our own hands, but education is still the best way to achieve human emancipation...

.......................................... "Nous ne devons attendre aucune transformation sociale qui n'ait pas été conquise de nos propres mains, mais l'éducation est le chemin qui émancipe mieux l'être humain..." Depuis mon enfance, ma mère orientait nos journées de forme systématique. Quand elle ne chantait pas des musiques classiques d'église, elle lisait et développait dans des représentations théâtrales d'église des passages de la Bible pour moi et mes trois frères. Nos petit* yeux grand ouverts brillaient à chaque geste de fermeté et authenticité de ces mots bien dits et si profondément sortis d'un coeur plein de volonté de former des hommes de bon tempérament, fermes au milieu d'une société de tant de disparités sociales et de pauvreté croissante. Plusieurs fois j'ai pleuré d'émotion et le coeur plein de courage. Même étant une philosophe, elle disait que c'était le seul livre où la vérité est totalement absolue et au travers de cette vérité nous pourrions traverser le désert de la pauvreté, inégalité sociale, car nous habitions dans un complexe de bidonville à Salvador, aujourd'hui considéré le plus grand centre de trafic de drogues, armes, et prostitution de la ville. Nous assistions de la fenêtre de chez ma grandmère (car nous n'avions pas notre propre maison), comme dans un film, passer les armes, la pauvreté, l'anorexie, les pierres de crack, le crime, la faim, la nudité, les pleurs des mères (la majorité) qui reviennent des prisons et sentent qu'elles sont à la dérive. Passe aussi, la solidarité, la miséricorde des uns au autres, quelqu'un se lamente et donne. Je n'ai jamais vu aucun de ces fameux projets Unesco | Folha Dirigida

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sociaux fédéral, de l'état ou municipal, je n'ai jamais vu ici aucun homme politique, ou entité philanthropique, ou la santé, l'éducation. On dirait que l'éthique est en extinction. J'ai cru que j'arriverais à l'Université et sais que de la même façon, mes frères y croient. Ces journées de mon enfance ne sont pas passées, elle (ma mère) continue comme le poisson avide d'eau, comme l'arbre coupé qui avec l'odeur des eaux pousse et donne ses fruits à la bonne saison, et même quand elle a été demander une bourse d'études dans une école jésuite, école qui est considérée le prototype de l'éducation à Bahia, le directeur lui a répondu que le Vatican était en crise. Elle s'est cachée de nous pour pleurer, pour sentir dans la peau l'indifférence et le manque de considération sociale, mais les feuilles vertes ont poussé de nouveau. Vaincre la pauvreté et l'inégalité est la plus grande lutte sociale que l'homme pourra affronter. Les ennemis de cette lutte sont les projets si difficiles, utilisés pour dévier les budgets, lavage d'argent, enrichissent illicite, travaux inachevés, manque de gouvernement. Je sens que le Brésil est un bateau à la dérive, comme une feuille au vent, levé par d'immenses torrents de corruption et de brutalités criminelles qui défient les couloirs de la science et les ressources humanistes. Nous ne devons attendre aucune transformation sociale qui n'ait pas été conquise de nos propres mains, mais l'éducation est encore le chemin qui émancipe mieux l'être humain de la manipulation la plus ignoble, soit au moyen des symboles, soit par l'appel continu aux instincts plus rudimentairement négatifs.

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"O mundo encurta as fronteiras físicas e as barreiras econômicas na mesma velocidade em que aumenta as distâncias entre ricos e pobres."

Bernardo Augusto Azevedo de Almeida

Universidade Católica de Salvador – Salvador – BA

Grande parte da humanidade é vitimada pelos flagelos da pobreza e da desigualdade social – para a vergonha e a tristeza dos seres mais sensíveis aos fenômenos que atentam, de forma violenta e intempestiva, contra o bem estar da coletividade. A situação ainda piora quando se percebe que, hoje em dia, tais mazelas persistem em existir devido aos modelos econômicos adotados pela sociedade. O caso é de falha humana. Através da disseminação do pensamento globalizado, o sistema econômico conseguiu gerar mais riquezas, não só entre os países ricos e desenvolvidos. Porém, também contribuiu enormemente para o aumento das dimensões do fosso da desigualdade sócio-econômica no planeta. Riqueza deve ser usada para gerar riqueza. Essa é a premissa que norteia o princípio econômico vigente. Mas, na prática, as distorções dessa frase podem ser percebidas ao longe: se de um lado há profusão e excesso, do outro há escassez e recesso. Logo, não precisa ser muito atencioso para se perceber que o volume de miséria é constrangedoramente superior ao de opulência. O mundo encurta as fronteiras físicas e as barreiras econômicas na mesma velocidade em que aumenta as distâncias entre ricos e pobres. Contudo, acredito que existam grandes chances reais de mudança nesse quadro. É necessário que, além de palavras e sentimentos de comiseração, ajamos de forma insistente e permanente. É necessária a mobilização e o engajamento da comunidade internacional nessa intervenção positiva – tanto para a formação de grupos de voluntários, responsáveis pela implementação dos projetos, como para a captação de recursos provenientes das nações desenvolvidas e pessoas físicas e jurídicas. Dentre as medidas que devem ser adotadas em busca da erradicação da pobreza e da desigualdade sócio-econômica, destaco: aumentar o investimento em educação, esporte e cultura; incentivar o empreendedorismo; fomentar ações de desenvolvimento local; criar programa de assistencialismo temporário (deve ser visto como ação emergencial seguida de programa de aulas de cidadania e auxílio para inserção no mercado de trabalho); criar um Banco de Dados com informações detalhadas sobre os pobres de cada país para ajustar a necessidade ao volume do benefício recebido; investir na infra-estrutura das áreas carentes e Unesco | Folha Dirigida

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nos serviços públicos; criar conselho internacional de voluntários – para gerir os recursos e implantar os projetos; criar programa para aumentar o piso de remuneração das atividades laborais que demandam mão-de-obra menos especializada; cancelamento total da dívida externa dos países pobres; reduzir carga de burocratização nas decisões e liberações de recursos destinados aos projetos de cunho social. Caso essa convergência de interesses, pessoas e ações não ocorram, tudo não passará de mero disparate, delírio, provocação utópica ou chantagem emocional.

.......................................... "The world is shortening physical borders and economical barriers at the same speed in which it enlarges the distance between rich and underprivileged people." Poverty and social inequality are two scourges that affect great part of humankind – causing pity and sadness in those who are particularly sensitive to sudden violent facts that conspire against the wellness of the community. The situation is even worse when one realizes that, today, such problems persist in the economic models adopted by society. This is a case of human fault. By the dissemination of the globalized thought, the economical system generated more wealth, not only among rich and developed countries. On the other hand, it has also in great part contributed to enlarge the social and economic inequality distance between both sides. Wealth must be used to generate wealth. This premise guides the economical principle in force. But, in fact, the distortions contained in such sentence can be easily seen: on one side, there is profusion and excess, on the other, scarcity, and death. Thus, one needn't to pay much attention to notice that the amount of misery is embarrassingly superior to the amount of opulence. The world is shortening physical borders and economical barriers at the same speed in which it enlarges the distance between rich and underprivileged people. Although, I believe there is a great chance to change this scenario. We must go beyond words and harsh feelings and act consistently and permanently. The international community mobilization and commitment is necessary to change the situation positively: forming groups of volunteers to implement the projects and raise funds from developed nations, legal entities, and individuals. Among the measures to eradicate poverty and social inequality, I would highlight: increasing investments in education, sport and culture, stimulating Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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entrepreneurship, promoting local development actions, creating temporary assistance programs (as an emergency measure, followed by a citizenship classes' program that would help people to access the work market); developing a Data Bank with detailed information about the underprivileged population, providing fair resources to each country needs; investing on the structure of underprivileged areas and public services, creating a international volunteer council to manage resources and implement projects; developing programs to increase the incomes for activities that demand less-specialized labor; canceling the poor countries external debt; reducing the bureaucracy in decisions for the provision of resources to social projects. If this convergence of interests, people, and actions fail, everything else would be nonsense, delirium, utopia, or emotional blackmail.

.......................................... "Le monde écourte les frontières physiques et les barrières économiques à la même vitesse qu'il augmente les distances entre les riches et les pauvres." Une grande partie de l'humanité est victime des douleurs de la pauvreté et de l'inégalité sociale – pour la honte et la tristesse des êtres plus sensibles aux phénomènes reflètent, de manière violente et intempestive, contre le bien-être de la collectivité. La situation s'empire encore plus quand on s'aperçoit que, aujourd'hui, des malheurs persistent à exister à cause des modèles économiques adoptés par la société. Le cas est de lacune humaine. Au travers de la dissémination de la pensée globalisée, le système économique a réussi à générer plus de richesses, non seulement entre les pays riches et développés. Cependant, a aussi contribué énormément à l'augmentation de dimensions de l'abîme de l'inégalité socio-économique sur la planète. La richesse doit être utilisée pour générer la richesse. C'est la prémisse qui oriente le principe économique en vigueur. Mais dans la pratique, les distorsions de cette phrase peuvent être perçues au loin: si d'un côté il y a profusion et excès, de l'autre il y a carence et récession. Ainsi, il n'est pas besoin d'être très attentionné pour s'apercevoir que le volume de la misère est supérieur de façon gênante à l'opulence. Le monde raccourcit les frontières physiques et les barrières économiques à la même vitesse qu'il augmente les distances entre les riches et les pauvres. Cependant, je crois qu'existent de grandes chances réelles de changement de ce contexte. Il est nécessaire que, au-delà des mots et sentiments de compassion, Unesco | Folha Dirigida

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nous agissions de façon insistante et permanente. La mobilisation et l'engagement de la communauté internationale dans cette intervention positive est nécessaire – tant pour la formation de groupes de volontaires, responsables pour la mise en oeuvre de projets, que pour la captation de ressources provenant des nations développées et des personnes physiques et juridiques. Parmi les mesures devant être adoptées à la recherche de l'éradication de la pauvreté et de l'inégalité socio-économique je distingue: augmenter l'investissem*nt en éducation, sport et culture; encourager l'entreprise; stimuler les actions de développement local; créer le programme d'assistance temporaire (doit être vu comme action urgente suivie de programme de cours de citoyenneté et assistance pour insertion dans le marché du travail); créer une Banque de Données avec des informations détaillées sur les pauvres de chaque pays pour adapter les besoins au volume du bénéfice reçu; investir dans l'infrastructure des domaines de carence et dans les services publics; créer le conseil international de volontaires – pour gérer les ressources et implanter les projets; créer le programme pour augmenter le plafond de rémunération des activités de travail qui exigent une main-d'œuvre moins spécialisée; annulation totale de la dette externe des pays pauvres; réduire la bureaucratie dans les décisions et les libérations de ressources destinées aux projets à caractère social. Dans le cas où cette convergence d'intérêts, des personnes et des actions ne se produit pas, tout ne sera que pur absurde, délire, provocation utopique ou chantage émotionnel.

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"O efetivo combate à pobreza e à desigualdade passa pelo modo de como elas se formam e perpetuam numa sociedade."

Breno Achete Mendes

UNESP – Faculdade de História, Direito e Serviço Social – Franca – SP

CIVES TOTIUS MUNDI O tema é, sem dúvida, tão ambicioso quanto necessário. Vencer esse binômio significa tanto a vitória de ordem econômica quanto, e primordialmente, sobrepujar a pobreza e a desigualdade geradas pela ignorância e o desconhecimento frente aos direitos e capacidades individuais e coletivas. A primeira, porque a inacessibilidade a bens básicos de infra-estrutura e renda não permite que pessoas possam ter acesso a meios mais dignos de vida. A segunda, por sua vez, é capaz de minar as chances de se sobrepor a todas essas formas de misérias sociais, já que propicia a reprodução da cultura do conformismo e o cultivo de uma promíscua relação entre cidadãos e Estado. Para tanto, a combinação de efetivos e bem sucedidos projetos de distribuição de renda aliada a concretas plataformas de ensino público devem ser o caminho mais plausível para enfrentar tão fortes adversários para o desenvolvimento humano pleno e justo. Tanto o Estado quanto a sociedade devem assumir responsabilidades. Isso quer dizer que, para ambos, responsabilidade é sinônimo de capacidade para assumir e transformar a realidade que se pretende superar. A única maneira do Estado se servir de membros capazes e a sociedade de dispor de cidadãos conscientes de seu dever é por meio de um sistema educacional concebido sob os alicerces da qualidade e da humanidade. Qualidade significa falar em conhecimentos científicos, técnicos e teóricos tradicionais, bem como do incentivo à sua constante inovação e eficiência. Humanidade quer dizer agregar a tudo isso o aprendizado de temas socialmente importantes como educação para o consumo, meio-ambiente, cidadania e empreendedorismo. O efetivo combate à pobreza e à desigualdade passa pelo modo de como elas se formam e perpetuam numa sociedade. Elas existem porque mecanismos falhos de governança e meios de produção que não distribuem riqueza em padrões desejáveis são reiterados pela forma como a sociedade aprendeu a se comportar e enxergar a si mesma. Adequar esse comportamento e visão a um Unesco | Folha Dirigida

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novo paradigma de responsabilidade regional e mundial requer que a educação seja o principal fomentador dos valores da realidade social. Dessa forma, por exemplo, se o mercado e o consumo são realidades da sociedade mundial, é necessária uma educação que envolva conceitos sobre o consumo consciente de bens e serviços, cuja qualidade atenda aos preceitos de sustentabilidade e sua produção respeite os trabalhadores quanto aos seus direitos e boas condições de trabalho, tudo isso visando expurgar os nefastos efeitos do consumo irresponsável, o qual indiretamente afeta todas as pessoas através das mudanças climáticas em escala global, o agravamento da pobreza e a violência. Em praticamente todos os lugares do mundo, pobreza e desigualdade são problemas recorrentes, em alguns mais endêmicos e em outros mais pontuais. Por isso, desenvolver um modelo educacional internacionalmente discutido e implantado através de requisitos mínimos de qualidade nos diferentes países e culturas deve ter como baluartes a superação dos respectivos problemas locais, o incremento de conhecimento e a necessária consciência de cives totius mundi.

.......................................... "An effective fight against poverty and inequality must contemplate how both are formed and perpetuated in a society." CIVES TOTIUS MUNDI Without doubt, this is a subject as ambitious as necessary. Overcome this binomial means the victory of the economical order and, most of all, overcome poverty and inequality that are generated by ignorance and lack of knowledge about collective and individual rights and capacities. The former, because failing to provide access to basic infrastructure needs and incomes prevent people from improving their life conditions. The latter, on its turn, prevent people from overcoming all kinds of social misery, spread the culture of conformism, and allow a promiscuous relation between citizens and the State. For that purpose, the combination of effective and successful income distribution projects, together with the improvement of public education, must be the best way to face these great challenges to a full and fair human development. Both the State and society must assume their responsibilities. That means the capacity to transform the present reality into a fairer one. There's only a way State and society could build capacities and form conscious citizens – an Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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educational system based on quality and humanity. Quality means teaching scientific, technical, and theoretical knowledge, as well as constant investment on innovation and efficiency. Humanity means quality allied to teaching socially significant subjects, such as education for consumption, environment, citizenship, and entrepreneurship. An effective fight against poverty and inequality must contemplate how both are formed and perpetuated in a society. Poverty and inequality exist because the faulty government structure and the means of production do not provide a fair distribution of wealth, and both are reinforced by the way society has learned to behave and see itself. The adequation of such behavior and vision to a new regional and global responsibility paradigm requires that education become the builder of social reality values. So, for instance, if the market and consumption are part of the global society, it is necessary to provide education involving concepts about conscious consumption of goods and services that attend sustainability precepts and which production attends best work practices and rights. This would help to stop the ominous effects of irresponsible consumption that affects the world indirectly, such as global climate changes, and the increase of poverty and violence. All around the world poverty and inequality are a recurrent problem: in some places, it's endemic; in others, it is punctual. That's why the development of an education model discussed internationally – implemented in accordance with minimum quality requirements in different places and cultures – must aim at the overcoming of local problems, the dissemination of knowledge and the necessary conscience of cives totius mundi.

.......................................... "L'effectif combat contre la pauvreté et l'inégalité passe par la façon dont elles de forment et se perpétuent dans une société." CIVES TOTIUS MUNDI Le thème est, sans doute, aussi ambitieux que nécessaire. Vaincre ce binôme signifie aussi bien la victoire de l'ordre économique que, primordialement, dépasser la pauvreté et l'inégalité gérées par l'ignorance et la méconnaissance face aux droits et aux capacités individuelles et collectives. La première, car l'inaccessibilité aux biens basiques de l'infrastructure et revenu ne permet pas aux personnes d'avoir accès aux moyens plus dignes de la vie. La Unesco | Folha Dirigida

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deuxième, à son tour, est capable de miner les chances de se superposer à toutes ces formes de misères sociales, car elle permet la reproduction de la culture du conformisme et la culture d'un rapport confus entre les citoyens et l'Etat. Ainsi, la combinaison des projets effectifs et bien réussis de distribution de revenu alliée aux plateformes concrètes d'enseignement public doit être le chemin plus plausible pour affronter des adversaires si puissants pour le développement humain plein et juste. Aussi bien l'Etat que la société doivent assumer les responsabilités. Ceci veut dire que, pour tous les deux, la responsabilité est synonyme de capacité pour assumer et transformer la réalité que l'on prétend dépasser. L'unique manière de l'Etat de se servir de membres capables et la société de disposer de citoyens conscients de leur devoir se trouve dans le système éducationnel conçu sur les fondements de la qualité et de l'humanité. Qualité signifie parler de connaissances scientifiques, techniques et théoriques traditionnelles, aussi bien que de l'encouragement à leur constante innovation et efficacité. L'humanité veut dire ajouter à tout ceci l'apprentissage de thèmes socialement importants comme éducation pour la consommation, environnement, citoyenneté et entreprise. Le combat effectif contre la pauvreté et l'inégalité passe par la manière dont elles se forment et se perpétuent dans une société. Elle existent car les mécanismes de carence de gouvernance et moyens de production qui ne distribuent pas la richesse en modèles souhaités sont réitérés par la forme dont la société a appris á se comporter et se voir elle-même. Adapter ce comportement et cette vision à un nouveau paradigme de responsabilité régionale et mondiale exige que l'éducation soit le principal stimulateur des valeurs de la réalité sociale. De cette façon, par exemple, si le marché et la consommation sont des réalités de la société mondiale, il est nécessaire une éducation impliquant les concepts sur la consommation consciente de biens et services, dont la qualité réponde aux préceptes de la durabilité et sa production respecte les travailleurs en ce qui concerne leurs droits et les bonnes conditions de travail, tout ceci visant à expurger les effets néfastes de consommation irresponsable, ce qui affecte indirectement toutes les personnes au travers de changements climatiques à l'échelle globale, l'aggravement de la pauvreté et de la violence. Dans pratiquement tous les endroits du monde, la pauvreté et l'inégalité sont des problèmes récurrents, dans certains endroits plus endémiques et dans d'autres plus ponctuels. Pour cela, développer un modèle éducationnel internationalement discuté et implanté au travers d'exigences minimum de qualité dans les différents pays et cultures doit avoir comme appui le dépassem*nt des respectifs problèmes locaux, l'augmentation de la connaissance et la conscience nécessaire de cives totius mundi.

Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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"Todos os dias, ensaiamos nossa cegueira, fingimos não ver o outro ao nosso lado. Assumindo uma postura individualista e preconceituosa..."

Camila de Assis dos Santos

UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

MODERNIDADE, AINDA QUE TARDIA Teatro. Literatura. Engenharia. Filosofia. Ciência. A civilização grega em muito contribuiu para a construção da sociedade que se intitula moderna. Essa mesma civilização, caracterizada como antiga, cunhou o ideal de Democracia, um governo do povo. Como princípio fundamental do regime democrático, figura a isonomia: "Todo cidadão tem os mesmos direitos e os mesmos deveres perante a lei". Belas palavras, belas idéias, triste realidade. A sociedade "moderna", evoluída e democrática está marcada pela pobreza e pela desigualdade. Todos os dias, ensaiamos nossa cegueira, fingimos não ver o outro ao nosso lado. Assumindo uma postura individualista e preconceituosa, ratificamos as diferenças existentes e estimulamos um "apartheid" invisível, porém sensível. Trancafiados em condomínios, exilados na Pasárgada dos bem-aventurados, somos banidos da vida real. Infelizmente, porém, o mundo está longe de ser um lugar idílico, mesmo para quem é amigo do "rei". Enxergar a realidade alheia é o primeiro passo, para que possamos, enfim, caminhar de "Mãos dadas". Como saber? Como alcançar o saber? A educação parece ser a solução para boa parte dos males sociais. Nos bancos escolares, nasce o senso de coletividade, as ideologias revolucionárias, o ímpeto de transformação. Em um "mundo caduco" como este em que vivemos, não se pode prescindir de educação e consciência crítica. Somente cidadãos educados e conscientes conseguem perceber o caráter endêmico da desigualdade social. O ideal de modernidade só poderá ser, efetivamente, alcançado, quando os benefícios do progresso forem democratizados. Mas, como saber, se nada sei? O homem precisa iniciar a "dificílima, dangerosíssima viagem de si a si mesmo", um processo de auto-reflexão. É fácil encontrar os "verdadeiros" culpados pela pobreza e desigualdade social: o Estado, os governantes, o capitalismo. Ao mesmo tempo, parece bastante confortável se ausentar de toda e qualquer responsabilidade. Mais do que nunca, é necessário civilizar o homem. Despoltronado, o espectador da vida pode, enfim, enxergar além das grades de seu condomínio. "O presente é tão grande, não nos afastemos", pois, somente juntos, poderemos construir as bases da civilização moderna. Unesco | Folha Dirigida

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.......................................... "Every day, we practice our blindness pretending not to see the other one by our side, assuming a selfish and prejudicious attitude..." MODERNITY, EVEN IF DELAYED Drama. Literature. Engineering. Philosophy. Science. The Greek civilization has contributed enormously to the construction of the so-called modern society. The antique Greek civilization created the ideal of Democracy, the people's government, where isonomy is a fundamental principle: "All citizens have the same rights, and are equal in front of the law." Nice words, nice ideas, but a sad reality. The developed and democratic "modern" society is marked by poverty and inequality. Every day, we practice our blindness pretending not to see the other one by our side, assuming a selfish and prejudicious attitude that ratifies the differences and stimulates an invisible but stable "apartheid". Locked in gated condos, exiled in Shangri-La, we're detached from real life. Unfortunately, the world is far away from being an idyllic place, even for those who are wealthy enough to live in a "Lost Horizon". The first step to help us walk "hand in hand" is facing the other's reality. How do we know? How can we become wise ones? Education seems to be the solution to many social problems. At the school, the collective sentiment, the revolutionary ideologies, the impulse for transformation are born. In a "decrepit world" such as this in which we live, one cannot waive education and critical consciousness. Only educated and conscious citizens could notice social inequality's endemic character. The ideal of modernity would only be effectively reached when the progress benefits are available to all. But, how would I know, if I know nothing? Each human being must embark on the "extremely difficult and dangerous trip deep down him/herself," a self-reflection process. It is easy to find "the ones" to blame for poverty and social inequality: State, governments, and capitalism. At the same time, it seems very comfortable to exempt from each and every responsibility. More than ever, it is necessary to "civilize" men. Out of his couch, the life spectator would, at last, see beyond his gated condo's bars. "Present is so huge, we must not deviate from it", because, only together we would build the base of a modern civilization.

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"Tous les jours nous, nous répétons notre cécité, nous faisons semblant de ne pas voir l'autre à côté de nous. Assumant une posture individualiste et de préjugé..." MODERNITÉ, BIEN QUE TARDIVE Théâtre. Littérature. Ingénierie. Philosophie. Science. La civilisation grecque a beaucoup contribué à la construction de la société qui s'intitule moderne. Cette même civilisation caractérisée comme ancienne, a inventé l'idéal de la Démocratie, un gouvernement du peuple. Comme principe fondamental du régime démocratique, figure l'insomnie: "Tout citoyen a les mêmes droits et les mêmes devoirs devant la loi". Belles paroles, belles idées, triste réalité. La société "moderne", évoluée et démocratique est marquée par la pauvreté et l'inégalité. Tous les jours, nous répétons notre cécité, nous faisons semblant de ne pas voir l'autre à nos côtés. Assumant une posture individualiste et de préjugés, nous ratifions les différences existantes et nous stimulons un "apartheid" invisible, cependant sensible. Emprisonnés dans des ensembles d'habitations, exilés dans la Pasárgada des gens heureux, nous sommes bannis de la vie réelle. Malheureusem*nt, cependant, le monde est loin d'être un lieu idyllique, même pour celui qui est ami du "roi". Voir la réalité d'autrui est le premier pas, pour que nous puissions, enfin, marcher "Main dans la main". Comment savoir? Comment atteindre le savoir? L'éducation semble être la solution pour une bonne partie des maux sociaux. Sur les bancs de l'école, naît le sens de la collectivité, les idéologies révolutionnaires, la précipitation de transformation. Dans un "monde caduque" comme celui où nous vivons, nous ne pouvons pas abstraire l'éducation et la conscience critique. Seulement les citoyens éduqués et conscients réussissent à percevoir le caractère endémique de l'inégalité sociale. L'idéal de modernité ne pourra être effectivement atteint que lorsque les bénéfices du progrès seront démocratisés. Mais comment le savoir, si je ne sais rien? L'homme a besoin de commencer le "très difficile, très dangereux voyage de lui à lui-même", un processus d'autoréflexion. Il est facile de trouver les "véritables" coupables de la pauvreté et de l'inégalité sociale: l'Etat, les gouvernants, le capitalisme. En même temps, il semble assez confortable se s'absenter de tout et n'importe quelle responsabilité. Plus que jamais, il est nécessaire de civiliser l'homme. En dehors de son fauteuil, le spectateur de la vie peut, enfin, voir audelà des grilles de son ensemble d'habitations. "Le présent est si grand, ne nous en éloignons pas", car, seulement ensemble, nous pourrons construire les bases de la civilisation moderne. Unesco | Folha Dirigida

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"O 'ideal', talvez, é que a pluralidade das nossas diferenças engendre a busca da tolerância, do respeito e do reconhecimento mútuo entre os seres humanos..."

Camila Soares Sales

Faculdade Maurício de Nassau – Paulista – PE

Pronunciar-se sobre tema tão vasto e complexo, e em tão poucas linhas, me impele a adotar uma postura catártica, um desejo inebriante que possua um auge constante, um frêmito regular que contamine todo o texto a fim de transmitir, como numa pintura, o sentimento resignado em mim. Do modo que o tema é estruturado, erigi-se ante meu campo visual vários vieses metodológicos que insolitamente poderiam diluir essas mazelas. Um Chef de cozinha poderia sugerir: "Numa vasilha misture uma porção de países ricos e acrescente um pouco de solidariedade, dessa massa filtre a ambição enquanto, em outro recipiente, realize a mistura de empenho e honestidade onde todos os outros povos seriam despejados e depois misturados com a outra massa(dos países ricos)". Um ilusionista de bastante destreza poderia despertar o anseio filantrópico nos líderes mundiais ao fazê-los, "misticamente", perceber o mundo pela ótica daqueles que, paradoxalmente, "vivem" à margem da vida. Um filósofo, através de ponderações dialéticas, talvez percebesse que a chave propedêutica para uma mudança de rumo da humanidade estaria na formação de uma consciência crítica e reflexiva das sociedades. Um sonhador, e acredito que me encaixo nesse crivo, almejaria uma verdadeira conscientização mundial, uma revolução que transformasse os valores difusos em uma compaixão por todos os seres humanos, talvez uma frivolidade vã dessas almas, mas quem sabe um desejo tão forte de concretização que o fim materializado estaria a apenas três palavras: desejo de mudança. Esses personagens genéricos citados no parágrafo anterior, não pretendem restringir o campo semântico que reveste as representações humanas perante a sociedade, mas, apenas, servir de nicho didático e elucidativo para a pretendida finalidade desta construção textual. Continuemos: A mesma imagem apresenta-se distinta para a apreciação de olhos atentos. Um som ecoa de maneiras múltiplas nas almas que o percebem. Uma patologia social, eminentemente mundial, como a pobreza e a desigualdade social, também acarreta implicações infinitas nas posturas coletivas e individuais ao redor

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do mundo. Em vista dessas indeterminações somos guiados a questionar sobre a validade dos paradigmas que se nos apresentam como valores intransponíveis, certezas enlatadas pela reprodução ideológica dos valores "oficiais" sobre a realidade. O "ideal", talvez, é que a pluralidade das nossas diferenças engendre a busca da tolerância, do respeito e do reconhecimento mútuo entre os seres humanos, pois uma ação altruística mundial que, verdadeiramente, busque a libertação das condições desumanas impostas a essas "populações esquecidas", deve começar por reconhecê-las como merecedoras de todos os diretos básicos de dignidade, já que iguais a todos nós na finalidade e fundamento de todos os seres vivos: existir.

.......................................... "Maybe the ideal is that the quest for tolerance, respect and mutual recognition among human beings shall be engendered by the plurality of our differences..." Discussing such a vast and complex subject in so few lines compels me to adopt a cathartic attitude, a inebriating desire full of highlights, a constant quivering to contaminate the whole text in order to communicate – as in a painting – the feelings inside of me. During the subject's investigation, I whole bunch of different approaches to combat these blemishes have come to me. A chef might suggest: "In a bowl, mix up a portion of wealth countries and add a little solidarity; from this mass, filter the ambition. At another recipient, mix commitment and honesty. In this recipient, drop all other countries people and mix it with the mass (of wealth countries)." A skilled illusionist could raise philanthropy on global leaders and make them – mystically – see the world through the eyes of the ones who – paradoxically – "live" at the margin of life. A philosopher, by means of dialectic thought, might understand that the propedeutic key would be at the formation of societies' critic and reflexive conscience. The dreamers, and I believe I am one of them, are longing for a true global conscience, a revolution that would transform diffuse values in a compassion for all humankind. This may be a vain frivolity of such souls, but who knows if a strong desire like this wouldn't create all we are hoping for, translated into three little words: desire for change. These generic characters quoted on last paragraph do not intend to restrict the semantic field that covers human representation before society; these are Unesco | Folha Dirigida

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only a didactic and elucidative structure to the purpose of this textual construction. I continue: The same image presents itself in a distinctive way before mindful eyes. A sound echoes in multiple ways within the souls that listen to it. A global social pathology, like poverty and social inequality, also has infinite implications at collective and individual attitudes around the world. Because of such indetermination, we're compelled to question the validity of the paradigms that seem unsurpassable values, certainties involved by ideological reproduction of "official" values about reality. Maybe the ideal is that the quest for tolerance, respect and mutual recognition among human beings shall be engendered by the plurality of our differences; for a global altruistic action that is truly seeking to set these "forgotten populations" free from the inhuman conditions imposed to them must start by recognizing their right to dignity, because they're just like us in our basic need, which is: to exist.

.......................................... "L'idéal', peut-être, est que la pluralité de nos différences engendre la recherche de la tolérance, du respect et de la reconnaissance mutuelle entre les êtres humains..." Se prononcer sur ce thème si vaste et complexe, et en si peu de lignes, m'incite à adopter une posture purificatrice, un désir enivrant qui possède une apogée constante, un murmure régulier qui contamine tout le texte afin de transmettre, comme dans une peinture, le sentiment résigné en moi. De façon dont le thème est structuré, s'érigent devant mon champ visuel plusieurs biais méthodologiques qui de manière insolite pourraient diluer ces malheurs. Un Chef de cuisine pourrait suggérer: "Dans un plat mélangez une portion de pays riches et ajoutez un peu de solidarité, de cette masse filtrez l'ambition tandis que, dans un autre récipient, mélangez les efforts et l'honnêteté où tous les autres peuples seraient évacués et ensuite mélangés à une autre masse (des pays riches)". Un illusionniste ayant une habilité suffisante pourrait éveiller le désir philanthropique chez les leaders mondiaux en les faisant, "mystiquement", percevoir le monde par l'optique de ceux qui, paradoxalement, "vivent" en marge de la vie. Un philosophe, au travers de pondérations dialectiques, pourrait peutêtre s'apercevoir que la clé propédeutique pour le changement de direction de l'humanité se trouverait dans la formation d'une conscience critique et réflexive Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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des sociétés. Un rêveur, et je pense que je m'encadre dans ce crible, rêverait d'une vraie prise de conscience mondiale, une révolution qui transformerait les valeurs diffuses en une piété pour tous les êtres humains, peut-être une frivolité vaine de ces âmes, mais qui sait un désir si fort de concrétisation que la but matérialisé serait à peine trois mots: désir de changement. Ces personnages génériques cités dans le paragraphe antérieur, ne prétendent pas restreindre le champ sémantique qui revêt les représentations humaines devant la société, mais à peine, servir d'habitation didactique et élucidant pour la finalité prétendue de cette construction textuelle. Continuons: La même image se présente distincte pour l'appréciation d'yeux attentifs. Un son retentit de façons multiples dans les âmes qui le perçoivent. Une pathologie sociale, éminemment mondiale, comme la pauvreté et l'inégalité sociale, porte aussi des implications infinies dans les postures collectives et individuelles autour du monde. Au vu de ces indéterminations nous sommes guidés à questionner sur la validité des paradigmes qui se présentent à nous comme des valeurs non transposables, certitudes mises en boite par la reproduction idéologique des valeurs "officielles" sur la réalité. L' "idéal", peut-être, est que la pluralité de nos différences engendre la recherche de la tolérance, du respect et de la reconnaissance mutuelle entre les êtres, car une action altruiste mondiale qui, véritablement, recherche la libération des conditions inhumaines imposées à ces "populations oubliées", doit commencer à les reconnaître comme méritant tous droits basiques de dignité, puisque égaux à nous tous dans le but et le fondement de tous les êtres vivants: exister.

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"Mente vazia não questiona, só concorda com tudo que lhe é posto."

Carlos Magno Santos dos Anjos

Universidade Estácio de Sá – Vitória – ES

O que falar quando o assunto é pobreza e desigualdade? É criar soluções em prol de melhoria, é propor um reajuste pessoal por dia? Ou seria me trancar em meu "pseudomundo", e que se virem as barrigas vazias? É enterrar antigas crenças e ter coragem para mudar, É ter fé e estar de mente aberta para a descoberta do novo; ou a máxima é verdadeira, que a quantidade de leis brasileiras são inversamente proporcionais à cultura de seu povo? Quando passa por mim e não me olha, eu estou enxergando você, ignora-me em minha insignificância, de bons momentos não tenho lembrança, com isso se esvai o último fio de esperança, enterrado pela sua ganância, então já não me resta mais nada a perder. Faça um exame de consciência, se acha que lhe convêm. Analise o seu comportamento todo dia, é isso que você queria? Seu pensamento é de hipocrisia, sua alma se encontra vazia, Não se pode dar aquilo que não se tem. Que solução quer que eu lhe dê? Que seja rápida e que mude o atual momento; Na minha escrita não está a solução, mas na dignidade de uma boa EDUCAÇÃO, Ou tens medo de questionamentos? Mente vazia não questiona, só concorda com tudo que lhe é posto; Desvios de finalidades, favores, arquivamentos, isso tudo é muito normal, O momento é de reflexão, uma análise discreta e pessoal; Não me tome por bobo meu amigo, brasileiro é um povo sofrido, Mas de inabalável Moral. Se te ofendi, garanto que não houve a intenção,

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Esse é o desabafar de um simples cidadão; Que acredita que ainda há solução, Faça a sua parte, me olhe como irmão, Não está na lei, está na Educação, Na sua coragem e determinação, De fazer o que é certo e dentro da razão, Para desenvolvermos juntos esta grande Nação.

.......................................... "A man with an empty mind do not question, just agrees with everything that is imposed to him." What can we say about poverty and inequality? We can say we must create solutions to stop it, we must propose a personal adjust every day? Or should I lock myself into my "pseudo-world", And to the hell with all empty bellies? Is it to bury old beliefs and dare to change? Is it to have faith and be open-minded to the new? Or is it true, that the number of Brazilian Laws Is inversely proportional to the culture of Brazilian people? When you pass by me and didn't look at me, I'm seeing you, You ignore me in my insignificance, for I have no memories of nice moments, And so there goes the last vestige of hope, buried by your greed, And then there's nothing else to lose. Make a conscience effort, if you think you should. Think about your daily behavior, is that what you want? You're such an empty-minded soulless hypocrite, One can't give what he doesn't have. What answer do you expect me to give you? The one that's quick and will change the present thought; The answer is not in my writing, but in the dignity of a well-structured EDUCATION, Or are you afraid of questions?

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A man with an empty mind do not question, just agrees with everything that is imposed to him. Misuse of resources, illegal bids, unsolved processes' archiving; this is all very common, Now it is time to think about it all, to do a personal and discrete reflection. Don't take me as a fool, my friend; the Brazilians suffer, But they have an indestructible Moral. If I have offended you, that was not my intention, This is only an ordinary citizen opening his heart, The one who believes there's a solution, Do your part; look at me as a brother, It's not about law; it's about Education, It is in your courage and will, To do what is right and reasonable, So, we all can contribute to the development of this great Nation.

.......................................... "Esprit vide ne questionne pas, il concorde seulement avec tout ce qu'il lui est placé." Que dire lorsque le sujet est pauvreté et inégalité? C'est créer des solutions en faveur de l'amélioration, c'est proposer un réajustement personnel par jour? Ou serait-ce m'enfermer dans mon "pseudo monde", Et que les pauvres se débrouillent? C'est enterrer d'anciennes croyances et avoir le courage de changer, C'est avoir la foi et l'esprit ouvert pour la découverte du nouveau; ou la maxime qui dit que la quantité de lois brésiliennes sont inversem*nt proportionnelles à la culture de son peuple est vraie? Quand tu me croises et ne me regarde pas, je te vois, Tu m'ignores dans mes insignifiances, des bons moments je ne me souviens pas, Avec ceci se dissipe le dernier fil d'espoir, enterré par son ambition pour le gain, Il ne me reste alors plus rien à perdre. Fais un examen de conscience si tu trouves que cela te convient Analyse ton comportement tous les jours, c'est cela que tu voulais? Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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Tes pensés sont hypocrisie, ton âme est vide, On ne peut pas donner ce que l'on n'a pas. Quelle solution veux-tu que je te donne? Quelle soit rapide et change le moment actuel; Dans mes écrits ne se trouve pas la solution, mais dans la dignité d'une bonne EDUCATION, Ou as-tu peur du questionnement? Esprit vide ne questionne pas, il concorde, il concorde seulement avec tout ce qui lui est placé; Déviations de finalités, faveurs, archivage, tout ceci est très normal, L'heure est à la réflexion, une analyse discrète et personnelle; Ne sois pas ingénu mon ami, le peuple brésilien souffre, Mai est d'une inébranlable Moralité. Si je t'ai offensé, je t'assure que je n'en avais pas l'intention, C'est la confidence d'un simple citoyen; Qui croit encore qu'une solution existe, Fais ce qui t'incombes, regardes-moi comme un frère Ce n'est pas dans la loi, mais dans l'Education, Dans ton courage et détermination, De faire ce qui est correct et dans la raison, Pour que nous développions ensemble cette grande Nation.

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"Ainda falta à humanidade o entendimento de que a construção de uma consciência ética una constitui um pré-requisito para grandes mudanças sociais..."

Carlos Renato Belo Azevedo

Universidade Católica de Pernambuco – Recife – PE

O SER SOCIAL E A SUA LUTA: A FAMÍLIA E COMUNIDADE PODEM FAZER A DIFERENÇA A história humana fornece, em trajes dramáticos, contundentes provas acerca da capacidade desestabilizadora do homem, enquanto parte de um sistema complexo e caótico, o qual se denomina sociedade. Quantos povos, culturas e etnias já não sofreram hostilidades incompreensíveis forjadas por seus semelhantes? Surpreendentemente, após milhares de primaveras, o sonho de muitos mártires floresce a partir de uma realidade bastante debatida e criticada: a globalização, que, apesar de seu viés capitalista, carrega a esperança de uma sociedade integrada e mais humanística. Nesse contexto, é natural que o homem almeje atenuar as diferenças e resolver antigos conflitos, evoluindo enquanto espécie. Diante desse desafio, três passos podem ser indicados, traços de uma teoria sistêmica. O primeiro consiste na consideração das causas dos conflitos sociais em um contexto macro. De nada adianta promover a falácia de que os famintos nos continentes sul-americano e africano pouco têm em comum, ou de que a pobreza não é um problema dos países industrializados. Como identificar as verdadeiras causas através da análise de um restrito contexto? Precisa-se construir o entendimento de que os problemas sociais estão intrinsecamente correlacionados espaço-temporalmente e, portanto, devem ser abraçados por todas as nações, as quais devem estabelecer responsabilidades mútuas. Mais complexo, o segundo passo requer uma característica pouco comum às últimas gerações: a autocrítica. Sabe-se que, sob a tutela da impunidade, coexiste entre os homens a corrupção que, sendo uma vantagem situacional, promove a desigualdade. No entanto, o cultivo de uma ética familiar e comunitária condicionaria cada indivíduo a agir de acordo com a premissa da auto-reflexão. Assim, possivelmente, uma pessoa infiel ao cônjuge poderia evitar a infidelidade à nação através de uma consciência dualista, do acerto e do erro. Claramen-

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te, os valores familiares e a vida em comunidade refletem-se no macro, consolidando-se, portanto, como as pedras fundamentais para mudanças sociais. O último passo é comumente recitado por muitos especialistas: o redimensionamento dos investimentos. Entretanto, a real aplicação dessa etapa falha em não fundamentar-se na consideração dos princípios anteriores. Essencialmente, as ações políticas não surtem efeito porque constituem atos isolados. Os estados democráticos não amadureceram o suficiente para subsidiarem importantes projetos sociais no longo prazo, devido a compromissos com a conquista de novos mercados e com a atração de mais capital em detrimento a uma gestão sábia dos recursos existentes. Nem tampouco as pessoas se conscientizaram de suas parcelas de responsabilidade. Ainda falta à humanidade o entendimento de que a construção de uma consciência ética una constitui um pré-requisito para grandes mudanças sociais, através de ações pautadas no comprometimento com a ética social e no senso de coletividade. Espera-se que as conseqüências dessa práxis resultem no incentivo concreto e contínuo à educação e à cultura e na implantação de políticas de desenvolvimento sustentável. Tais medidas devem ser respaldadas, em primeira instância, individualmente, restando, então, a esperança de que cada ser humano reconheça-se como um agente de mudança social para a formação de uma coletividade harmoniosa, um todo integrado, caminhando sob um mesmo ideal de união e rumo à justiça social.

.......................................... "Humankind still lacks the comprehension that the development of an ethical conscience is the basis of true social changes..." THE SOCIAL MAN AND HIS FIGHT: FAMILY AND COMMUNITY CAN MAKE THE DIFFERENCE Human history has provided us with dramatic proofs of humankind's capacity to cause instability in this complex and chaotic system that is society. How many populations, cultures, and ethnical groups had gone through insane hostilities by other human beings just like them? Surprisingly, after thousands of springs, the dream of many martyrs' is flourishing by means of a phenomenon that is facing many critics: globalization, despite its insertion within the capitalism structure, brings the hope of a more integrated and human society. In this context, we can expect that man would try to weaken differences and Unesco | Folha Dirigida

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put an end to old conflicts, thus developing as species. To face such challenge, there are three possible steps, based on the system theory. The first one consists in considering social conflicts in a macro context. There's no use to say that hunger in South America or in Africa have little in common, or that poverty is not a problem of industrialized countries. How to identify the true causes only studying a restrict context? We must build the notion the social issues are strictly related, in place and in time, and must be faced by all nations, establishing mutual responsibilities. The second step is more complex and requires a practice that is not familiar to new generations: self-criticism. It is well known that, under the veils of impunity, the corruption spreads over humankind promoting inequality. Nevertheless, building familiar and common ethics would cause each individual to act only after going through self-criticism. Thus, it is possible to prevent that an unfaithful husband/wife would be unfaithful to his/her nation, thanks to a conscience of what's right and what's wrong. Clearly, family values and social life are reflected in the macro-level, thus being consolidated as the cornerstone to social changes. Specialists generally quote the last step: to recalculate investments. However, this stage fails to be taken in force because it is not based on the previous steps. In fact, political actions do not work because they're isolated acts. The democratic States are not ready to invest in long term social projects because they're interested in conquering new markets and generating more incomes, instead of managing wisely the available resources. Either people are conscious of their responsibilities. Humankind still lacks the comprehension that the development of an ethical conscience is the basis of true social changes, through actions based on the commitment with social ethics and collectiveness. We expect that such practices would result in a concrete investment in education and culture, and in the implementation of sustainable development policies. First, such measures must be based on individual behavior, in the hope that each human being recognizes him/herself as an agent of social changes in order to create a society living in harmony, walking side by side to achieve union and social equality.

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"Il reste encore à l'humanité la compréhension que la construction d'une conscience éthique constitue une pré exigence pour les grands changements sociaux..." L'ÊTRE SOCIAL ET SA LUTTE: LA FAMILLE ET LA COMMUNAUTÉ PEUVENT FAIRE LA DIFFÉRENCE L'histoire humaine fournit, en costumes dramatiques, des preuves incisives sur la capacité de déstabilisation de l'homme, en tant que partie d'un système complexe et chaotique, lequel s'appelle société. Combien de peuples, de cultures et d'ethnies n'ont pas déjà souffert d'hostilités incompréhensibles forgées par leurs semblables? De façon surprenante, après des milliers de printemps, le rêve de plusieurs martyrs fleurit à partir d'une réalité assez débattue et critiquée: la mondialisation qui, malgré son biais capitaliste, porte l'espoir d'une société intégrée et plus humaniste. Dans ce contexte, il est naturel que l'homme désire atténuer les différences et résoudre d'anciens conflits évoluant en tant qu'espèces. Face à ce défi, trois pas peuvent être indiqués, traits d'une théorie systémique. Le premier consiste en la considération des causes des conflits sociaux dans un contexte macro. Il ne sert à rien de promouvoir l'illusion que les affamés dans les continents sud-américain et africain ont peu en commun, ou que la pauvreté est un problème des pays industrialisés. Comment identifier les vraies causes au travers de l'analyse d'un contexte restreint? Il faut construire la compréhension que les problèmes sociaux sont intrinsèquement en corrélation dans l'espace et dans le temps et, donc, doivent être adoptés par toutes les nations, lesquelles doivent établir les responsabilités mutuelles. Plus complexe, le deuxième pas exige une caractéristique peu commune aux dernières générations: l'autocritique. On sait que, sous la tutelle de l'impunité, coexiste entre les hommes la corruption qui, étant un avantage de situation, encourage l'inégalité. Cependant, la culture d'une éthique familiale et communautaire conditionnerait chaque individu à agir selon la prémisse de l'autoréflexion. Ainsi, possiblement, une personne infidèle à son conjoint pourrait éviter l'infidélité à la nation au travers d'une conscience dualiste, du correct et de l'erreur. Clairement, les valeurs familiales et la vie en communauté se reflètent dans le macro, se consolidant, donc, comme les pierres fondamentales pour les changements sociaux. Le dernier pas est communément récité par de nombreux spécialistes: le nouveau dimensionnement des investissem*nts. Cependant, la vraie application de cette étape fracasse en ne pas fonder la considération des principes antérieurs. Unesco | Folha Dirigida

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Essentiellement, les actions politiques n'ont pas d'effet car elles constituent des actes isolés. Les états démocratiques ne mûrissent pas suffisamment pour pouvoir aider d'importants projets sociaux à long terme, à cause d'engagements dans la conquête de nouveaux marchés et avec l'attrait de plus de capital au détriment d'une gestion sage de ressources existantes. Les personnes n'ont pas non plus pris conscience de leurs parts de responsabilité. Il manque encore à l'humanité comprendre que la construction d'une conscience éthique constitue une pré exigence pour de grands changements sociaux, au travers d'actions prévues dans l'engagement envers l'éthique sociale et le sens de la collectivité. On espère que les conséquences de cette pratique résultent en un encouragement concret et continu. De telles mesures doivent être appuyées en première instance, individuellement, restant alors l'espoir que chaque être humain se reconnaissent comme un agent de changement social pour la formation d'une collectivité harmonieuse, un ensemble intégré, marchant sur même idéal d'union et vers la justice sociale.

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"Tão grave quanto a existência dos problemas é ignorá-los."

Carolina Cancio Pavaneli Moura

UFF – Universidade Federal Fluminense – Niterói – RJ

BASTA Basta andar pelo centro de alguma grande cidade brasileira. Basta ter olhos para ver. A desigualdade e a pobreza estão por todos os lados, estampadas em cada esquina, em cada favela, em cada mansão. Essas chagas que corroem cada vez mais intensamente a integridade do Brasil já viraram até rotina. São evidenciadas nas páginas de jornais quase que diariamente e fazem parte do cenário das ruas país afora. Por terem se tornado rotina, as propostas para acabar com elas já viraram clichê, já são lugar comum. Por isso, fugir do óbvio é difícil. Cair na repetição e vender a idéia de que a educação é a solução pra tudo se torna extremamente atrativo, uma vez que, ao analisarmos mais profundamente o problema, vemos que as vertentes e causas desses males são inúmeras e complexas. Ainda assim, é necessário faze-lo, pois são nelas que pode residir a real solução. Tão grave quanto a existência dos problemas é ignorá-los. A resolução destes está nas mãos daqueles que teimam em fingir que, ao cercar-se de grades em seus condomínios e artefatos de segurança, eles deixam de existir. Se não vemos o menino de rua, ele deixa de estar no sinal vendendo bala. Isso porque são as classes mais altas que possuem a educação e formação necessárias para tomar decisões, decidir o rumo do país. Porém, talvez por comodismo, não o fazem. A pobreza de bens materiais, de comida, existe em muito por causa da pobreza de altruísmo e solidariedade existente no Brasil. Somente em raras ocasiões, como no natal,o espírito de caridade floresce e os olhos se abrem para enxergar aquele que não tem nada, e é confortável enganar-se, achando que dar um prato de comida e um agasalho resolvem a situação. Ao mesmo tempo, é comum a restrição do assunto desigualdade como se somente a sócio-econômica existisse. Esta é, sim, mais evidente, já que temos constantemente contato com os índices discrepantes de distribuição de renda no Brasil, e com ela já fazendo parte do nosso cenário. O que não se percebe, porém, é que esta se dá, em muito, pela desigualdade de oportunidades. Se houvesse uma melhoria na educação pública de base, haveria uma igualdade maior na entrada para o ensino superior e conseqüente obtenção do diploma,

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requisito quase que fundamental hoje para a entrada no mercado de trabalho. Dessa forma, a disputa seria mais justa, com igualdade de oportunidades, e a desigualdade social deixaria de ser quase que uma marca de nascença para tantos. Dessa forma, fica claro perceber que o vértice que estamos acostumados a lidar sobre os problemas abordados é somente a ponta do iceberg. É certo que a pobreza faz o estômago e o coração doerem, mas é o olhar pobre para com o próximo que piora a situação. Ao mesmo tempo, a desigualdade social é injusta mas não existe nem mesmo uma igualdade de oportunidades para haver justiça. Exterminar de vez tais doenças é utópico, uma vez que vivemos em um sistema que exige a existência da desigualdade para sobreviver. Podemos, sim, amenizálas. Precisamos parar de insistir do clichê de que "o que os olhos não vêem o coração não sente." Não só sente, como grita. Basta da solidariedade temporal. Basta da educação de base precária que limita a igualdade de oportunidades. Basta de venda nos olhos e elitismo. Basta, somente. E definitivamente.

.......................................... "As serious as the problems is the fact of ignoring it." THAT'S ENOUGH! If you walk by any Brazilian big city downtown, you will see it. If you have eyes, you will see it. Inequality and poverty are everywhere, at any corner, in any mansion. These wounds are increasingly corroding Brazil's integrity and have become a routine. One can see it on the newspapers almost every day; it is part of the Brazilian streets environment. And because it have become a routine, each and every project to stop it have become a cliché, are commonplace. That's why it is so hard to escape the obvious. It is easy to say that education is the solution to everything, but, if we look carefully at the problem, we can see that it has innumerous and complex causes and manifestations. And it is necessary to look carefully, because that's where the true solution should be. As serious as the problems is the fact of ignoring it. The solution is in the hands of those who insist on living locked in their gated houses and condos and protected their security devices, pretending there's no problem. We pretend that if we don't see the boy, he would not be selling candy in the streets. That happens because the best education – which allows people to make decisions about the country policies – is only available to higher classes. But they, maybe for being complacent, do not make any decision. The lack of goods, of food, is

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strictly related to the lack of altruism and solidarity in Brazil. There are only a few occasions – like Christmas – when the charity's spirit would allow people to see the one's who have nothing; and they feel relieved by fooling themselves that offering one meal or a coat would solve the underprivileged problem. At the same time, inequality in its multiple aspects is not widely discussed; only the social and economical ones are considered. Both these aspects are the most evident – for sure – when we see the unequal levels of income distribution in Brazil, and both are part of our daily life. What people no not notice is the lack of equal opportunities. With better public basic education, the chances of admission on graduation courses would be more equal; and today, having a diploma is an almost fundamental requirement to find a good job. Thus, with a more fair competition and equal opportunities, social inequality would cease to be a kind of birthmark to so many people. So, it is clear that the socio-economical aspect is only the tip of the iceberg we are dealing with. For sure that poverty hurts – in one's heart and in the other's stomach -, but it is the lack of compassion which makes the situation even worse. At the same time, social inequality is unfair, but there aren't even equal opportunities to achieve justice. It is a utopia to stop now and forever with these problems, for we live in a system that demands inequality to continue working. But, for sure, we could decrease inequalities. We must stop thinking the same way, that "what one's eyes can't see, one's heart wouldn't feel." It feels, and cries. We're done with seasonal solidarity. We're done with poor basic education that limits equal opportunities. Enough with blindfolded eyes and social prejudice. That's enough. Period.

.......................................... "Aussi grave que l'existence des problèmes est les ignorer." ÇA SUFFIT Il suffit de se promener dans le centre d'une grande ville brésilienne. Il suffit d'avoir des yeux pour voir. L'inégalité et la pauvreté sont partout, imprimées à chaque coin de rue, dans chaque bidonville, dans chaque mansion. Ces blessures qui détruisent chaque fois plus intensément l'intégrité du Brésil sont déjà devenues une routine. Elles sont en évidence dans les pages des journaux presque que quotidiennement et font partie du scénario des rues du pays. Etant devenues une routine, les propositions pour en fini sont devenues cliché, communes. Pour

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cela, fuir de l'évidence est difficile. Tomber dans la répétition et vendre l'idée que l'éducation est la solution pour tout devient extrêmement attrayant, une fois, quand nous examinons plus profondément le problème, nous voyons que les versants et les causes de ces maux sont innombrables et complexes. Même ainsi, il est nécessaire de le faire, car c'est en elles que peut résider la véritable solution. Aussi grave que l'existence des problèmes est de les ignorer. La résolution de ceux-ci se trouve dans les mains de ceux qui craignent faire semblant de, en s'entourant de grilles dans leurs immeubles et de systèmes de sécurité, ils cessent d'exister. Si nous ne voyons par le petit garçon de la rue, il ne reste plus au feu rouge à vendre des bombons. Ceci car ce sont les classes les plus riches qui possèdent éducation et formation nécessaires pour prendre des décisions, décider le destin du pays. Cependant, peut-être par commodité, ils ne le font pas. La pauvreté de biens matériels, de nourriture, existe chez beaucoup à cause de la pauvreté d'altruisme et de solidarité existante au Brésil. Seulement en de rares occasions, comme à Noël, l'esprit de charité fleurit et les yeux s'ouvrent pour regarder celui qui n'a rien, et il est confortable de se faire des illusions, en pensant qu'en donnant un plat de nourriture et un vêtement chaud vont résoudre la situation. En même temps, la restriction du sujet inégalité est commune, comme s'il n'existait que le sujet socio-économique. Celui-ci est, plus évident, puisque nous sommes constamment en contact avec les indices divergents de distribution de revenu au Brésil, et faisant partie de notre scénario. Ce que l'on de voit pas, cependant, est que cela est dû, pour beaucoup à l'inégalité d'opportunités. S'il existait une amélioration dans l'éducation publique de base, il y aurait une égalité majeure dans l'entrée dans l'enseignement supérieur et en conséquence pour l'obtention du diplôme, exigence presque fondamentale aujourd'hui pour l'entrée dans le marché du travail. Ainsi, la dispute serait plus juste, avec égalité d'opportunités, et l'inégalité sociale cesserait d'être presque une marque de naissance pour beaucoup. De cette manière, il est clair de s'apercevoir que le point que nous sommes habitués à traiter des problèmes abordés est seulement la pointe de l'iceberg. Il est certain que la pauvreté fait souffrir l'estomac et le coeur, mais c'est le regard pauvre sur le prochain qui empire la situation. En même tems, l'inégalité sociale est injuste mais il n'existe même pas une égalité d'opportunités pour avoir la justice. Exterminer une fois pour toutes les maladies est utopique, à partir du moment où nous vivons dans un système qui exige l'existence de l'inégalité pour survivre. Oui, nous pouvons les diminuer. Nous devons cesser d'insister sur le cliché que "loin des yeux, loin du coeur." Non seulement le coeur ne sent pas, mais crie. Ça suffit de solidarité temporelle. Ça suffit d'éducation de base précaire qui limite l'égalité d'opportunités. Ça suffit de se cacher les yeux, ça suffit d'élitisme. Ça suffit, seulement. Et définitivement.

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"Há muito a ser mudado, e não será de uma hora pra outra que os problemas serão resolvidos. Mas é preciso começar."

Carolina Vidal Décio

PUC – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

UM LINDO AMANHECER A cada nascer do sol há alguém sofrendo pela desigualdade que se alastra pelos quatro cantos do planeta, pela pobreza que devasta povos inteiros, pela indiferença daqueles que se julgam melhores por terem mais condições, pela crueldade de toda essa situação. Há solução para este problema? Muitos sofrem pela ganância dos sedentos de poder.Muitos não têm nada porque há quem queira tudo. O céu deixou de ser limite para aqueles que passam por cima de quem quer que seja para alcançarem aquilo que desejam. Eles não conhecem o limite. O limite do amor, da compaixão, da solidariedade e da igualdade entre os homens. Igualdade? Palavra fora de moda, antiga, abandonada em algum canto do coração desses homens que esquecem – ou simplesmente ignoram – que ter condições financeiras melhores que outros não significa serem superiores. Já dizia Renato Russo que "nosso suor sagrado é bem mais belo que esse sangue amargo". O sangue amargo da ganância, da crueldade para com aqueles que têm menos, da desonestidade para conseguir poder, da desesperança de um futuro mais justo daqueles que não têm nem o que comer. Apontar soluções para esses problemas é o que fazem as pessoas a todo o momento. Uns dizem que a união faz a força. Outros que a conscientização é a chave mágica que resolverá qualquer problema. E o que essas pessoas fazem ao passarem na rua e se depararem com uma criança largada à própria sorte ou uma família a pedir esmolas? Nada. Elas não fazem nada! Cadê a união de todos os povos? Onde foi parar a conscientização? Falar é fácil. É chegado o momento de deixar de lado toda essa ladainha de união, conscientização e tudo o mais. A humanidade precisa de pessoas dispostas a agir de verdade, a levantar da poltrona e largar sua confortável vida, para encarar a dura realidade que as cerca. A começar pelos governantes. Está na hora de eles pararem de encher suas malas e cuecas com o dinheiro alheio, e fazer algo de realmente útil para sua cidade, estado ou país. Quantos hospitais precisando de equipamentos, quantas escolas precisando de reformas, quanta gente precisando de um amparo. Unesco | Folha Dirigida

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E, aos cidadãos, cabe indicar aqueles que têm a capacidade de mudar essa situação, aqueles que irão representá-los de forma honesta e igualitária, sem prevalecer nenhuma classe. Mas não basta apenas votar e esperar que, como em um passe de mágica, tudo melhore e o mundo se torne um lugar melhor. A vida não é um conto de fadas, e as pessoas não são super-heróis. É preciso que este seja um processo contínuo, no qual não é preciso esperar que alguém comece a agir, para tomar alguma providência. O mundo está precisando de exemplos, tanto de cidadãos, quanto de governantes. Há muito a ser mudado, e não será de uma hora pra outra que os problemas serão resolvidos. Mas é preciso começar. Caminhando contra o vento da ignorância, lutando com unhas e dentes contra aqueles que ignoram a igualdade. Seguindo em frente, sem tempo a perder. Um novo amanhecer, melhor e mais bonito, é possível de ser alcançado, mas é preciso que ele seja desejado, e, ainda mais, é preciso que ele seja buscado. "Sei que não dá para mudar o começo, mas se a gente quiser, vai dar para mudar o final".

.......................................... "There's a lot to be changed, and we wouldn't solve all problems from one time to another. But we must start." A BEAUTIFUL DAWN At each sunrise there is somebody suffering because of the inequality that had into the four corners of the world, the poverty that devastates entire populations, the indifference of the one's who think they're better for being richer, the cruelty of this whole situation. Is there a solution for such problem? Many people suffer because of the greed of those longing for power. Many people have nothing because of the ones who want everything. The sky is no limit for those who would do anything to get what they want. There's not limit to them. Love, compassion, solidarity, and equality among people – these are no limits to them. What is equality? It is an old-fashioned useless word, abandoned somewhere down in the hearts of those who forget – or just ignore – that having better economical conditions doesn't mean that they're better than anyone. Renato Russo said, "Our sacred sweat is by far more beautiful than this bitter blood." The bitter blood of greed, of the cruelty with those who have less possessions, of being dishonest to achieve power, of the lack of hope for a better future of those who have anything to eat. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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Every time there is someone pointing out solutions to these issues. Some said that many hands make light work. Others said that consciousness is the magic key that would solve any problem. And what does that people do when they pass by a child left on his/her own in the street, or by a family begging for alms? Nothing. They don't do anything! Where's the people's union? Where did consciousness go? It's easier to say than to do. Now it's time to set aside this entire litany about union, consciousness, and all that. Humankind needs people who are willing to act, to leave their houses and their comfortable life to face the tough reality around them. And politicians would be the first. It's time to stop filling their briefcases or underwear with money, and do something useful for their cities, states, and country. How many hospitals need equipments, how many schools need a do up, how many people need attention and help? The citizens must vote for the ones who could change this situation, who would represent them honestly and fairly, without favoring any social class. But voting is not enough; things wouldn't be better instantly – the world would not become a better place – as in the cast of a spell. Life is not a fairy tale, and people are not superheroes. This process must be continuous; we shouldn't wait for someone to act, to do something. The world needs good examples of citizens and politicians. There's a lot to be changed, and we wouldn't solve all problems from one time to another. But we must start by stopping the wind of ignorance, fighting with all our forces against those who ignore equality. Moving forward, there's no time to lose. A new dawn, better and brighter, could be seen; but we must desire it, or more, fight for it. "I know we can't change the beginning, but, if we want to, we can change the end".

.......................................... "Il y a beaucoup de choses à changer, et ce ne sera pas d'une heure à l'autre que les problèmes seront résolus. Mais il faut commencer." UN BEAU LEVER DE SOLEIL A chaque lever du soleil, il y a quelqu'un qui soufre d'inégalité qui se répand aux quatre coins de la planète, par la pauvreté qui dévaste des peuples entiers, par l'indifférence de eux qui se jugent meilleurs car ils ont de meilleures conditions, par la cruauté de toute cette situation. Y a-t-il une solution à ce problème? Unesco | Folha Dirigida

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Beaucoup souffrent du goût du gain des avides de pouvoir. Beaucoup n'ont rien car il existe celui qui veut tout. Le ciel a cessé d'être une limite pour ceux qui passent au-dessus de n'importe qui pour atteindre ce qu'ils désirent. Ils ne connaissent pas la limite. La limite de l'amour, de la pitié, de la solidarité et de l'égalité entre les hommes. Egalité? Mot qui n'est pas à la mode, ancien, abandonné dans un certain coin du coeur de ces hommes qui oublient – ou simplement ignorent – qu'avoir de meilleures conditions financières que les autres ne signifie pas qu'ils sont supérieurs. Renato Russo disait déjà que "notre sueur sacrée est bien plus belle que ce sang amer". Le sang amer de l'ambition du gain, de la cruauté pour ceux qui ont moins, du manque d'honnêteté pour atteindre le pouvoir, du désespoir d'un avenir plus juste de ceux qu' n'ont même pas de quoi manger. Montrer des solutions à ces problèmes c'est ce que font les personnes à tout instant. Les uns disent que l'union fait la force. D'autres que la prise de conscience est la clé magique qui résoudra tout problème. Et que font les personnes qui passent dans la rue et se trouvent devant un enfant abandonné à sa propre chance ou une famille faisant l'aumône? Rien. Elles ne font rien! Où est l'union de tous les peuples? Où se trouve la prise de conscience? Parler c'est facile. L'heure est venue de laisser de côté tout ce discours d'union, prise de conscience et tout le reste. L'humanité a besoin de personnes disposées à agir vraiment, qui se lèvent de leur fauteuil et laissent leur vie confortable, pour faire face à la dure réalité qui les entoure. A commencer par les gouvernants. L'heure est venue qu'ils arrêtent de remplir leurs valises et caleçons d'argent des autres, et de faire réellement quelque chose d'utile pour leur ville, état ou pays. Combien d'hôpitaux ont besoin d'équipements, combien d'écoles ont besoin de reformes, combien de personnes ont besoin d'aide. Et, aux citoyens, il incombe d'indiquer ceux qui ont la capacité de changer cette situation, ceux qui les représenteront de manière honnête et égalitaire, sans prévaloir aucune classe. Mais il ne suffit pas seulement de voter et d'attendre que, comme par magie, tout s'améliore et que le monde devienne un endroit meilleur. La vie n'est pas un conte de fées, et les gens ne sont pas des super héros. Il faut que ce soit un processus continu, dans lequel on n'ait pas besoin d'attendre que l'autre commence à agir, pour prendre toute décision. Le monde a besoin d'exemples, autant de citoyens que de gouvernants. Il y a beaucoup de choses à changer, et ce ne sera pas d'une heure à l'autre que les problèmes seront résolus. Mail il faut commencer. Marchant contre le vent de l'ignorance, luttant de toutes ses forces contre ceux qui ignorent l'égalité. Aller de l'avant, sans perdre de temps. Il est possible d'atteindre un nouveau lever du soleil, meilleur et plus beau, mais il faut le désirer, et encore plus, il faut le chercher. "Je sais qu'il n'est pas possible de changer le début, mais si on le veut, on pourra en changer la fin".

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"União: palavra que leva à vitória. Estratégia: palavra que soma sabedoria à inteligência. Comprometimento: palavra que regula relações de responsabilidade e caráter."

Celso Matos Costa

Instituição de Ensino Metodista do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

A DIGNIDADE HUMANA Vencer: palavra que traz em si, sentimentos como o de bem-estar, alegria, paz e felicidade. Pobreza: palavra triste, sofrida e cruel. Desigualdade: configuração perversa que tem como uma de suas principais origens a existência da pobreza. Esses dois elementos, pobreza e desigualdade, combinados, formam uma espécie de parede de morte, morte de vidas vencidas pela parede, morte sem compaixão. Observar a ação desses elementos tão perversos sem reagir, parece quando não uma entrega, uma forma de colaboração. Mas vencê-los requer inteligência, requer sabedoria! Vencê-los é olhá-los de frente e definir os parâmetros que lhes dão causa e a partir daí utilizar de todos os recursos necessários ao seu combate. Organizar esse combate estruturalmente, abrangendo todos os campos que os originam, políticas sérias e comprometidas, atuando diretamente no desenvolvimento dos setores de produção (geração de emprego e renda), educação (ensinando e desenvolvendo competências), cultura (dando oportunidade ao saber e ao desenvolvimento pessoal), saúde (cuidando dignamente de todos) e lazer (diversificando e dando acesso para todos a espaços de recreação). Parcerias diretas e de fato entre a sociedade, cada cidadão e o estado, sinergia entre esses partícipes. Ação! Atitude! Vencer requer iniciativa! Objetivo comum: o bem-estar de todos, ou melhor, o vencer de todos, ou ainda a vitória da vida sobre a morte. Vencer a pobreza e a desigualdade é colocar em prática essas soluções, é agir, é o querer de cada um, formando elos de atuação contínuos e comprometidos. A base econômica por si só não modifica, não transforma. Ela requer atuação positiva de cada um de nós. Em nosso país, o regime político e de governo se estabelecem para proporcionar o bem viver de seus cidadãos de forma que organize a sociedade e dirija suas ações. Nossos representantes têm o dever de fazer valer nossos direitos e nossos direitos estão regidos na lei, quando eles os negligenciam estão agindo em desacordo com a lei, porém nossa passividade diante dos fatos nos torna cúmplice de tal negligência. Os projetos existem, mas não conseguem sair do papel! Dificuldades de orçamento? Talvez! Contudo obUnesco | Folha Dirigida

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servamos dificuldade da observância dos princípios e normas constitucionais que regem nosso país, dificuldade criada pelos mais variados motivos que desprestigiam o bem comum. Vencer os males sociais é uma tarefa que requer comprometimento na observância do bem comum, das normas constitucionais e principalmente da importância da vida. União: palavra que leva à vitória. Estratégia: palavra que soma sabedoria à inteligência. Comprometimento: palavra que regula relações de responsabilidade e caráter. Humanidade: palavra que estampa a evolução do homem e de sua existência. Amor: palavra que dá razão a vida. O foco nesses conceitos modelam ações que nos conduzam à vontade positiva de todos, de forma orientada, correta e coerente com objetivo comum. Seguir esses conceitos transcende a boa vontade e manifesta-se como princípio que deve estar presente não só na sociedade em geral como em cada cidadão e principalmente pelos lideres dos diversos setores globais, desde o mais humilde empresário até os maiores representantes políticos.

.......................................... "Union: a word that leads to victory. Strategy: a word that gathers wisdom and intelligence. Commitment: A word that regulates responsible and fair relationships." HUMAN DIGNITY Victory: a word that provides feelings such as wellness, joy, peace, and happiness. Poverty: sad, suffering, and cruel word. Inequality: cruel structure that has the existence of poverty one of its structures. Both elements – poverty and inequality – combined form a kind of death wall, in which many lives ended with no compassion. Ignore the action of such powerful elements is not only a defeat, but also a kind of collaboration. It takes intelligence, wisdom, to stop poverty and inequality! We must face the truth about both issues to stop it, defining their causes and using all means available in this combat. WE must take into account all structural elements related to poverty and inequality, investing on serious policies, committed with the development of the productive sectors (thus generating employment and incomes), education (teaching and building capacities), culture (giving access to knowledge and personal development), health (providing good care to all patients) and leisure (providing access and multiplying recreational venues). Direct partnerships between society, each citizen, Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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and the State must be conceived, creating a synergy among all participants. It is time for action! Let's do it! It takes initiative to win! The common purpose is: Everyone's wellness, or better, the victory of all, of life over death. Stop poverty and inequality is putting into practice these solutions, do our part, and it takes everyone's will, forming chain actions – committed and continued. The economical basis does not change things by itself. It takes us to act positively. In our country, the political regime and the government are established with the purpose of providing wellness to citizens, organizing society and directing its actions. Our representatives' duty is to defend our rights and law provides our rights; when our representatives neglect rights, they are breaking the law, but if we act passively against the facts, we support such negligence. The projects are there, but never come to reality! There are budget problems? Maybe! However, we see that constitutional principles and norms are not observed, and this fail to accomplish the law – which has many reasons – disrespects our common wellness. Stop social problems is a task that requires commitment with common wellness, the observance of constitutional rules, and the respect for life above all. Union: a word that leads to victory. Strategy: a word that gathers wisdom and intelligence. Commitment: A word that regulates responsible and fair relationships. Humanity: A word that shows humankind evolution and existence. Love: A word that makes life worth living. Focusing on such concepts will create actions that would lead to attend everybody's will, in an oriented, correct, and coherent way, with a common purpose. The will to follow these concepts transcends goodwill and manifests itself as a principle that must be present not only in society as a whole but in each and every citizen, and mainly in world leaders, from the microcompany owner to the most important political representatives.

.......................................... "Union: mot qui conduit à la victoire. Stratégie: mot qui ajoute savoir à intelligence. Engagement: mot qui règle les rapports de responsabilité et tempérament." LA DIGNITÉ HUMAINE Vaincre: mot qui apporte en soi, des sentiments tels que le bien-être, la joie, la paix et le bonheur. Pauvreté: mot triste, douloureux et cruel. Inégalité: configuration perverse qui a comme l'une de ses principales origines l'existence Unesco | Folha Dirigida

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de la pauvreté. Ces deux éléments, pauvreté et inégalité, combinés, forment une sorte de mur de la mort, mort de vies vaincues par le mur, mort sans pitié. Observer l'action de ces éléments si pervers sans réagir, semble, quand ce n'est pas une trahison, une forme de collaboration. Mais les vaincre exige intelligence, savoir! Les vaincre et les regarder en face et définir les paramètres qui leur donnent cause et à partir de là, utiliser toutes les ressources nécessaires pour leur combat. Organiser ce combat de façon structurée, couvrant tous les domaines qui sont à leur origine, politiques sérieuses et engagées, exerçant directement dans le développement des secteurs de production (génération d'emploi et revenu), éducation (enseignant et développant des compétences), culture (donnant une opportunité au savoir et au développement personnel), santé (traitant dignement de tous) et loisir (diversifiant et donnant accès à tous à espaces de récréation). Partenariats directs et de fait entre la société, chaque citoyen et l'état, synergie entre ces participants. Action! Attitude! Vaincre exige initiative! Objectif commun: le bien-être de tous, ou mieux, la victoire de tous, ou encore la victoire de la vie sur la mort. Vaincre la pauvreté et l'inégalité c'est mettre en pratique ces solutions, c'est agir, c'est le vouloir de chacun, formant des liens d'action continus et engagés. La base économique pour elle-même ne modifie pas, ne transforme pas. Elle exige une action positive de chacun de nous. Dans notre pays, le régime politique et de gouvernement s'établissent pour offrir le bien vivre de ses citoyens de manière à organiser la société et dirige leurs actions. Nos représentants ont le devoir de faire valoir nos droits et nos droits sont régis dans la loi, quand ils les négligent ils agissent en désaccord avec la loi, cependant notre passivité face aux faits nous rend complices d'une telle négligence. Les projets existent, mais ne réussissent pas à sortir du papier! Difficultés budgétaires? Peut-être! Ainsi nous observons la difficulté de respecter les principes et les normes constitutionnelles qui régissent notre pays, difficulté créée par les motifs les plus variés qui font perdre le prestige au bien commun. Vaincre les maux sociaux est une tache qui exige engagement dans le respect du bien commun, des normes constitutionnelles et surtout de l'importance de la vie. Union: mot qui conduit à la victoire. Stratégie: mot qui somme le savoir à l'intelligence. Engagement: mot qui règle les rapports de responsabilité et tempérament. Humanité: mot qui montre l'évolution de l'homme et de son existence. Amour: mot qui donne raison à la vie. La cible dans ces concepts moule des actions qui nous conduisent à la volonté positive de tous, de forme orientée, correcte et cohérente avec objectif commun. Suivre ces concepts transcende la bonne volonté et se manifeste comme principe qui doit être présent non seulement dans la société en général comme dans chaque citoyen et surtout par les leaders des divers secteurs globaux, depuis le plus humble entrepreneur aux plus grands représentants politiques.

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"O sonho alimenta a vida e a esperança é um degrau para todas as nossas realizações."

Clarice Gomes Farias e Silva

FAA – Faculdade de Administração de Alagoas – Maceió – AL

NÃO SERIA UM SIMPLES SONHO Acordei. Como de costume, levantei-me, tomei banho, tomei café, arrumei-me e saí. Esquisito meu despertador não funcionou. Talvez me esqueci de programá-lo. Lembro-me bem daquele dia, fazia um sol maravilhoso e todos pareciam estar nas ruas. Jovens, crianças, casais, idosos, animais de estimação. O que eu percebia nas faces das pessoas que caminhavam nas calçadas, era uma alegria contagiante e logo senti que aquele dia seria um ótimo dia para mim também. Confesso que cheguei a pensar, será que Jesus voltou?! No inicio, fiquei tão contagiada com a tranqüilidade de todos, que por minutos, viajava num mar de sonhos bons. Pensava em coisas boas e me sentia com muita paz. Parei no semáforo, que fica no caminho do meu trabalho e senti algo diferente. Costumeiramente, há crianças vendendo balas e outras coisas. E todos os dias eu compro balas, embora não goste muito, fazia para ajudá-las. Mas para minha surpresa, nesse dia, não havia nenhuma criança. Apesar de estranhar, continuei meu percurso e resolvi ouvir uma música no rádio. Liguei-o e estava passando um noticiário, mesmo estando dispersa, deixei-o ligado. De repente a repórter, noticia que o mundo comemorava a erradicação da pobreza e da desigualdade. Que fora criado um programa interno em todas as nações e que após anos em execução, enfim teria atingido o ideal. Explicou que esse programa foi feito à base de estudos de pesquisadores de todos os países e que incluía a educação, controle de natalidade, doações e conscientização nas pessoas. Após todos os estudos serem minuciosamente postos em prática, enfim acabara com o mal que assola o planeta. A pobreza e a miséria que geram a desigualdade. As pessoas passariam a ter verdadeiramente todos os seus direitos e a dignidade da pessoa humana, verdadeiramente, seria real. Quando o noticiário terminou, ouvi um toque distante, que ficava cada vez mais próximo. Era meu despertador! Dessa vez acordei de fato. Senti um enorme aperto no peito ao saber que

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tudo não passava de um sonho, um lindo sonho. Mas apesar de estar triste com a realidade, a partir de então me comprometi em fazer a minha parte para buscar um mundo melhor, sem divisão de classes sociais, um mundo em que verdadeiramente todos serão iguais. A mudança começou por mim, mas isso não quer dizer que desisti de sonhar. Não desisti do meu sonho, porque não devemos desistir nunca. O sonho alimenta a vida e a esperança é um degrau para todas as nossas realizações.

.......................................... "A dream nurture life, and hope is a stairway that leads to all of our accomplishments." IT WOULDN'T BE A MERE DREAM I woke up. As always, I got up, took a shower, had my breakfast, dressed myself up, and left. That's funny, by alarm clock hadn't rang. Maybe I had forgotten to set it. I remember that day, it was a glorious sunny morning, and everybody was on the streets: teenagers, children, couples, aged people, and pets. What I saw at people's faces was an overwhelming joy and I soon felt that I was also going to be a great day for me. I must confess, I even thought that it was Jesus second come. At the beginning, I felt so overwhelmed by the calmness of everyone that, in a minute, I was traveling in a sea of good dreams. I thought about nice stuff and I felt filled with peace. I stopped at the semaphore in the way to my work and I felt something different. Usually there are children selling candies and other stuff here. Every day I used to buy candies; I don't like it much, I buy it to help the children. To my surprise, there were no children that day. Although I found it strange, I continued my way and decided to turn on the radio. There was the news being broadcasted; I didn't pay much attention, but left the radio on. Suddenly the reporter was noticing that world was celebrating the end of poverty and inequality. That all nations have created an internal program that, after years, had now reached its ideal point. This program – she explained – was the result of studies by researchers from all countries, and included education, birth control, donation and developing people's conscience. When all projects had been carefully implemented, poverty

Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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– an evil for the entire planet – had been extinguished: the poverty and misery that generates inequality. People would then truly acquire their rights and the dignity of human beings. When the news was over, I heard a distant sound, which became more and more clear. My alarm clock! And now I was awake, in fact. I felt so disillusioned when I knew it was just a dream, a beautiful dream. Despite being so sad with reality, I have committed myself on doing my part to do a better world, with no class divisions, a world in which everybody would be equal. The change started by me alone, and that doesn't mean I gave up my dreams. I didn't give up my dreams, because we must never quit. A dream nurture life, and hope is a stairway that leads to all of our accomplishments.

.......................................... "Le rêve alimente la vie et l'espoir est une marche pour toutes nos réalisations." CE NE SERAIT PAS UN SIMPLE RÊVE Je me suis réveillée. Comme d'habitude, je me suis levée, ai pris ma douche, mon café et je me suis habillée pour sortir. Etrange, mon réveil n'a pas sonné. J'ai peut-être oublié de le programmer. Je me souviens de ce jour-là, il faisait un soleil magnifique et tout le monde semblait être dans la rue. Jeunes, enfants, couples, vieux, animaux domestiques. Ce que je percevais sur les visages des personnes qui marchaient sur les trottoirs était une joie contagieuse et j'ai tout de suite senti que ce jour serait un excellent jour pour moi aussi. Je confesse que je suis arrivée à penser, Jésus serait-il revenu?! Au début, j'étais tellement contaminée par la tranquillité de tous, que pendant quelques minutes, je voyageais dans une mer de beaux rêves. Je pensais à des bonnes choses et me sentais en pleine paix. Je m'arrêtais au feu rouge qui se trouve sur le chemin de mon travail et je sentis alors quelque chose de différent. D'habitude, il y a des enfants qui vendent des bonbons et d'autres choses. Et tous les jours, j'achète des bonbons, bien que je n'aime pas beaucoup, je le faisais pour les aider. Mais à ma surprise, ce jour-là, il n'y avait aucun enfant. Bien que je trouvais cela étrange, je continuais mon parcours et décidai d'écouter une musique à la radio. J'allumai la radio et il passait un journal parlé,

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même étant disperse, je le laissai allumé. Soudain la journaliste annonce que le monde commémorait l'éradication de la pauvreté et de l'inégalité. Qu'un programme interne dans toutes les nations avait été créé et qu'après des années en exécution, aurait enfin atteint l'idéal. Elle expliqua que ce programme avait été fait à la base d'études de chercheurs de tous les pays et qu'il comprenait l'éducation, le contrôle de la natalité, les donations et la prise de conscience des personnes. Après que toutes les études aient été minutieusem*nt mises en pratique, enfin le mal qui accable la planète avait cessé. La pauvreté et la misère qui génèrent l'inégalité. Les personnes commenceraient à avoir véritablement tous leurs droits et la dignité de personne humaine, vraiment ce serait réel. Quand le journal termina, j'entendis un bruit distant, qui se rapprochait chaque fois plus. C'était mon réveil! Cette fois-ci, je me réveillais pour de bon. Je sentis un énorme pincement dans la poitrine en sachant que ce n'était qu'un rêve, un beau rêve. Mais bien que j'étais triste de la réalité, à partir de ce moment-là, je m'engageai à y mettre du mien pour chercher un monde meilleur, sans division de classes sociales, un monde dans lequel vraiment tous seront égaux. Le changement commença par moi, mais cela ne veut pas dire que je désistais de mon rêve. Je n'ai pas désisté de mon rêve, car nous ne devons jamais désister. Le rêve alimente la vie et l'espoir est une marche pour toutes nos réalisations.

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"É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado..."

Clarice Zeitel Vianna Silva

UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

PÁTRIA MADRASTA VIL Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência... Exagero de escassez... Contraditórios?? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL. Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade. O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada – e friamente sistematizada – de contradições. Há quem diga que "dos filhos deste solo és mãe gentil.", mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil. A minha mãe não "tapa o sol com a peneira". Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica. E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro PACote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição! É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem! A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão. Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta – tão confortavelmente situUnesco | Folha Dirigida

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adas na pirâmide social – terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso? Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil. Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afa*ga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona? Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos... Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Perguntese: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?

.......................................... "That's what Brazil needs: changes in the structure, revolutionary changes, that stop with the established social scheme-system..." VILE STEPMOTHER FATHERLAND How can we stand such excess of lack, such abundance of inexistence, such exaggeration of scarcity? Contradiction?? That's it! That's the new name of our country! There would be no better synonym for BRAZIL. Because Brazil is nothing but the excess of lack of character, the abundance of the inexistence of solidarity, the exaggeration of scarcity of responsibility. Brazil is nothing but a badly engendered combination – coldly systematized – of contradictions. Some might say that "Thou art the gentle mother of the children of this soil", but I say it is nor gentle, nor mother. For what I know about the definition of MOTHER, Brazil looks like a vile stepmother. My mother does not deny the obvious. For example, she wouldn't allow me to enroll university if I haven't had a strong basic education. And, 200 years ago, she wouldn't free me from slavery knowing that I would be nothing only to die of hunger. My mother wouldn't want to fool me, to deceive me. She wouldn't offer me an empty PACk, instead she would provide effective solutions to my problems, including education + freedom + equality. She knows that a poor education would be useless for me: I would have no opportunities, no Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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choices; I would be locked up and my voice wouldn't be heard. My mother knows that I would grow only if my education could generate freedom and my freedom could generate equality. One follows the other... There's no contradiction! That's what Brazil needs: changes in the structure, revolutionary changes, which stop with the established social scheme-system... Changes that change nothing are another contradiction. (Sometimes) the politicians give us some small fishes, but they never taught us how to fish. That's the role of education, set us free. People are so paralyzed by ignorance that they don't know what are their rights. They don't know what it is to be a citizen. However, there's a lack of a vital factor to achieve equality: we must do our part, effectively; the changes within the State machine do not modify the structures. Medium and high classes – so comfortably situated at the top of the social pyramid – must do a lot more than just complain (for this action just relieves our pain and nothing more)... But are we prepared for that? I deeply believe that only a structural revolution, from the inside to the outside, and that do not exclude nor anyone nor anything from its effects would stop poverty and inequality in Brazil. For what's the use of a government that do not take care of management? What's the use of a mother who doesn't give her caress? Finally, what's the use of a human being who doesn't take sides? Maybe the sense of our existence is connected to stand up for what we believe before the world as a whole. We must leave our egotism. One for all... Some questions could be elucidative, when you ask it to yourself. Ask yourself: do I want to be underprivileged in Brazil? Do I want to be the son of a "gentle mother or having a vile stepmother. Do I prefer being treated as a citizen or as an excluded person, as a human being or as an animal?

.......................................... “C'est de cela dont le Brésil a besoin: changements structuraux, révolutionnaires, qui rompent ce système schéma social monté..." PATRIE MARÂTRE TE INFÂME Où a-t-on déjà vu tant d'excès de carence? Abondance et inexistence... Exagération de manque... Contradictoires?? Alors le voilà! Le nouveau nom de notre pays! Il ne peut y avoir de meilleur synonyme pour le BRÉSIL. Unesco | Folha Dirigida

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Car le Brésil n'est autre chose que l'excès de manque de personnalité, l'abondance d'inexistence de solidarité l'exagération du manque de responsabilité. Le Brésil n'est rien d'autre qu'une combinaison mal engendrée – et froidement systématisée – de contradictions. Il y a celui qui dit que "des enfants de cette terre tu es la gentille mère.", mais je dis qu'elle n'est pas gentille, et encore moins, une mère. Par la définition que je connais de MERE, le Brésil est plutôt une marâtre infâme. Ma mère ne "cache pas la terre avec un tamis". Elle ne me donnerait pas par exemple, une place à l'université sans m'avoir donné une formation de base. Et même il y a 200 ans elle n'abolirait pas l'esclavage si elle savait qu'il me resterait la liberté à peine pour mourir de faim. Parce que ma mère ne me tromperait pas, ne me donnerait pas d'illusions. Elle me donnerait un véritable ensemble qui serait effectif dans la solution du problème, et qui comprendrait éducation + liberté + égalité. Elle sait qu'il ne me sert à rien d'avoir une moitié d'éducation, ou de l'avoir par manque d'opportunité, par manque de choix, enchaînée par ma voix en rien active. Ma mère sait que je ne vais grandir que si mon éducation génère liberté et celle-là, enfin, l'égalité. Une suit l'autre... Sans aucune contradiction! C'est de cela dont le Brésil a besoin: changements structuraux, révolutionnaires, qui rompent ce système schéma social monté: des changements qui ne soient pas hypocrites, des changements qui transforment! Le changement qui ne change rien est seulement une contradiction de plus. Les gouvernants (parfois) donnent des poissons mais n'apprennent pas à pêcher. Et l'éducation de la délivrance entre là. Le peuple est si paralysé par l'ignorance qu'il ne sait pas quels sont ses droits. Il n'a pas appris ce qu'est être citoyen. Cependant, il nous manque encore un facteur fondamental pour atteindre l'égalité: notre participation effective; les changements dans le corps bureaucratique de l'Etat ne modifient pas la structure. Les classes moyennes et riches – si confortablement situées dans la pyramide sociale – devront faire plus que réclamer (ce qui ne sert que pour soulager notre faute)... Mais sont-elles préparées pour cela? Je pense profondément que seule une révolution structurelle, faite de l'intérieur à l'extérieur et qui n'exclue rien ni personne de ses effets, puisse en finir avec la pauvreté et l'inégalité au Brésil. Enfin, à quoi sert un gouvernement qui n'administre pas? A quoi sert une mère qui ne caresse pas? Et, finalement, à quoi sert un Homme qui ne se place pas? Peut-être le sens de notre propre existence est-il lié, justement, à une position devant le monde comme un tout. Sans égoïsme. Chacun pour tous... Certaines questions, quand elles sont faites à soi-même, deviennent explicables. On se demande: je veux être pauvre au Brésil? Fils d'une mère gentille ou d'une marâtre te infâme? Etre traité comme un citoyen ou un exclus? Comme une personne... Ou comme un animal? Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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"A educação tem que servir para a problematização, para fazer o individuo pensar e caminhar e com suas mãos..."

Clarissa Borba Prieto

Universidade Estadual de Ponta Grossa – Ponta Grossa – PR

A ESCOLA E O DESENVOLVIMENTO SOCIAL João acorda. De pés no chão, com uma sacola na mão, beija sua mãe e vai. E é assim que vai todos os dias porque já que tem que ir, vai ligeiro e economiza conversas, economiza promessas, economiza reveses, economiza desarranjos. Economiza. Porque economia é palavra sentida e silenciosa, que se diz sem se dizer todos os dias ao se levantar e ver que não há o que comer nem o que dizer. João chega à escola. A aula não era boa, o corpo não era bom, ajeita-se melhor e resolve descansar porque também a coisa anda feia e ele já não dorme a tempo. A professora vê e briga. E diz que esse menino não tem jeito, que é um verdadeiro desleixo. Mas, outra vem e diz, não se enerve é o meio. De onde veio só pode dar no que eu vejo todos os dias nos jornais. João cansado da discussão vai embora e diz para a mãe que para a escola não quer mais voltar. A mãe bate na testa do atrevido e diz, se besta menino, como é que então você vai enricar? João contrariado, no outro dia, se vê obrigado a voltar. E diz para a professora que veio porque tinha que vir que por ele não vinha porque estudo não serve e que a prova maior era a professora que estudou e não tava muito melhor do que ele não. E a professora diz que não é assim que tem gente que muda de vida com o estudo sim e que se com estudo não tá bom, imagine a outra opção. Mas a aula começa, e já logo termina e a professora sem ter mais o que falar resolve perguntar, por que ver o tempo passar sem nada dizer é um desprazer. Então pergunta para os meninos o que eles querem ser. João levanta a mão, mas a professora não gosta porque esse menino nem tem o que dizer. Mas, outra opção não aparece e vai ter que ser mesmo esse moleque que vai ter que dizer. E João se levanta que é pra dar mais importância e diz o que tem para dizer. Professora, se tu soubesses o que eu quero ser... eu quero ser coisa grande que é para eu poder dizer que este mundo anda errado, que todo mundo é pobre e tá danado e vai vivendo sem ilusão porque a vida é tão seca que já nem deixa mais sonhar o coração e que para mudar tudo isso, não basta só educação, que educação é uma coisa só e que a sociedade são coisas muitas e que não adianta ensinar se só se ensina a trabalhar e trabalhando os outros é que vão enricando e assim Unesco | Folha Dirigida

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não há como mudar. Educação, só para dar instrução é como somente dar o pão, mas se um dia a padaria fechar e o governo quebrar como é que fica essa nação? A educação tem que servir para a problematização, para fazer o individuo pensar e caminhar e com suas mãos poder mudar o que se vê, mas, se todos esperarem a salvação vão continuar comendo grão. É preciso uma educação de construção e uma economia de união que saiba que os números não falam não e que falar por eles é gerar acomodação. Eu gostaria que esse mundo estivesse diferente que a gente de lá fosse gente da gente e que todos entendessem que é preciso dar as mãos, que com uma andorinha não se faz verão e que são muitas coisas para construir uma nação e que cidadania é o primeiro passo para a construção de autonomia e que sem autonomia e criticidade, não há como se falar em igualdade. O sinal tocou e a professora saiu e nada se falou sobre o que o João falou por que sobre essas coisas não se deve falar muito.

.......................................... "Education must raise questions, must make the individual think and continue his way, so that with his hands..." SCHOOL AND SOCIAL DEVELOPMENT João wakes up. Shoeless, with a bag on his hands, he kisses his mother and leave. And so he goes every day; for if he really has to go, he rather go fast, saving talks, promises, ups and downs, misunderstandings. He saves everything. "To save" is a painful and quiet order, an order he has been given without really being given, because he knows he has to save, there's nothing to eat and nothing to say. João arrives at school. The class isn't good, his body isn't fine; he changes his position and decides to take a rest, because things do not went well and he haven't slept enough. The teacher calls his attention. She says that he's a lost case, a perfect sloven. A girl adds, "don't be pissed of, it is the environment. "Being from where he's from, he would only become one of those we see on newspapers." João, tired of the argument, leaves the school and say to his mother that he doesn't want to go there again. She laps him on the forehead and says: "Don't be a fool, boy. What else would you do to be wealth in the future?" Annoyed, João is obliged to go to school the other day. He says to the teacher that he came because he was told to because education is useless and the biggest proof is the teacher herself because she had studied and she wasn't way better than him. The teacher say that's not that way, many people change their lives Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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because of their education. If it wasn't good with education, you can imagine the other choice. The class begins, the game is over, and the teacher, with nothing else to say, decides to ask, because to see the time going by and say nothing is very unpleasant. She then asks boys and girls what they want to be in the future. João raises his hand, but the teacher isn't pleased, because this boy has nothing to say. However, no other choice appears, so it would be him to say something. João stands up to give importance to what he's about to say. Teacher, if you'd only know what I want to be... I want to be a great man, so that I could say to anyone that this world is wrong, that everybody is poor and in trouble, and we're all disappointed, because life is so harsh that we couldn't even dare to dream; to change it all, education is not enough, for education is only one thing against society's many issues; there's no use to teach if you only teaches us to work for another ones who are becoming more and more richer, so there's no way to change. Providing education just to provide tuition is like just offering the bread, but, what if the bakery closes one day and the government is broken, how this country's going to end? Education must raise questions, must make the individual think, and continue his way, so that with his hands he would change what he sees, but, if we all kept waiting for the solution to come, we will continue eating poorly. We must receive a constructive education and build an economy for all, which is aware that numbers do not say much and being guided by them generates conformation. I wish that this world was different and that their people was like our people and everyone understands that we must give our hands, because one swallow does not make a summer; it takes a whole bunch of things to build a nation, and citizenship is the first step to build our autonomy, for with no autonomy or criticism it is impossible to expect equality. There was the ring ending the class, the teacher left and said nothing about what João had just said, because it is not wise to talk much about certain issues.

.......................................... "L'éducation doit servir à la problématique, pour faire l'individu penser et cheminer et avec ses mains..." L'ÉCOLE ET LE DÉVELOPPEMENT SOCIAL João se réveille. Debout, avec un sac à la main, embrasse sa mère et part. Et c'est ainsi qu'il part tous les jours puisqu'il doit y aller, il va léger et économise les paroles, économise les promesses, économise les rêves, économise les obstacles. Il

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économise. Car économie est le mot souffert et silencieux, qui se dit sans se dire tous les jours en se levant et voir qu'il n'y a pas de quoi manger ni de quoi dire. João arrive à l'école. Le cours n'était pas bon, le corps n'était pas bon, il s'arrange mieux et décide de se reposer car aussi ça va mal et il ne dort pas depuis un moment. Sa professeur voit et le gronde. Et dit que ce garçon est impossible qu'il est vraiment négligent. Mais, une autre vient et dit, ne t'énerve pas c'est le milieu. D'où il vient ça ne peut Donner que ce que je vois tous les jours dans les journaux. João fatigue de la discussion s'en va et dit à sa mère qu'il ne veut plus retourner á l'école. La mère frappe sur le front de cet insolent et dit, ne soit pas bête mon garçon, alors comment tu vas enrichir? João contrarié, se voit obligé à y retourner. Et dit à la professeur qu'il est venu parce qu'il devait venir que pour lui il ne viendrait pas car les études ne servent à rien et que la plus grande preuve était la professeur qui avait étudié et n'était pas beaucoup mieux que lui. Et la professeur dit que ce n'est pas comme ça que les personnes changent de vie avec les études et que si les études ne sont pas bonnes, qu'il imagine une autre option. Mais la classe commence, et termine tout de suite et la professeur sans n'avoir plus rien à dire décide de demander, pourquoi voir le temps passer sans n'avoir rien à dire est un déplaisir. Alors demande aux enfants ce qu'ils veulent être. João lève la main, mais la professeur n'aime pas car ce garçon n'a rien à dire. Mais, autre option n'apparaît pas et ça va être ce gamin là qui va devoir dire. Et João se lève pour se donner plus d'importance et dit ce qu'il a à dire. Professeur, si tu savais ce que je veux être... je veux être un grand pour pouvoir dire que ce monde va mal, que tout le monde est pauvre et c'est terrible et vit sans illusion car la vie est si sèche qu'elle ne laisse plus rêver le coeur et que pour changer tout ça, l'éducation seule ne suffit pas, que l'éducation est une seule chose et que la société sont beaucoup de choses et que ça ne sert pas d'enseigner et on apprend qu´à travailler et travaillant ce sont les autres qui s'enrichissent et ainsi il n'y a pas comment changer. Education, à peine pour donner l'instruction c'est comme seulement donner du pain, mais si un jour la boulangerie ferme et le gouvernement fracasse, que devient la nation? L'éducation doit servir à la problématique pour faire un individu penser et marcher et de ses mains pouvoir changer ce qu'il voir, mais si tous attendent le sauveteur, ils vont attendre longtemps. Il faut une éducation de construction et une économie d'union qui sache que les chiffres ne parlent pas et que parler pour eux provoque la commodité. J'aimerais que ce monde soit différent que les personnes du gouvernement soient des nôtres et que tout le monde comprenne qu'il faut Donner les mains, qu'une hirondelle ne fait pas le printemps et que pour construire une nation il faut beaucoup de choses et que la citoyenneté est le premier pas pour la construction de l'autonomie et que sans autonomie et critique, on ne peut pas parler d'égalité. La cloche sonna et la professeur sortit et on ne commenta pas ce que João a dit car sur ces choses on ne doit pas beaucoup parler. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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"O homem conseguiu expandir sua tecnologia, ao passo que acorrentou os sentimentos mais sublimes que é capaz de desenvolver."

Clarissa Cerveira de Baumont

UFRS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Porto Alegre – RS

MURMÚRIOS DE SANGUE Nas barulhentas ruas dos grandes centros urbanos, há ruídos abafados que não se escutam. Sons que parecem estar impregnados no concreto das paredes envelhecidas, nas pedras das calçadas, nas árvores das praças; e que jamais foram ouvidos, mas ali ficaram presos e o tempo não os pôde dissipar. E assim instalou-se o novo sobre o novo até os dias atuais, cobrindo de camadas frágeis – quem sabe em nome da evolução humana – milhares de vozes silenciadas de personagens invisíveis. Suas formas continuam, porém, nas ruas, como os edifícios antigos, parecendo uma denúncia contínua dos limites humanos mais cruéis criados pelo próprio homem. Só que os homens não as vêem de fato. Estão sempre atrasados. Correm para cuidar de seus negócios. Depois, correm para suas casas. Trancam-nas muito bem. Certificam-se de que a segurança particular esteja garantida. Os homens temem, e nem sabem bem o quê. Mas temem sobretudo a perda de seus objetos, de suas propriedades, de seu dinheiro, de suas vidas. Encerram-se em si mesmos, sem perceber que matam aos poucos a esperança de vidas alheias. Entretanto, correm para salvar-se: é preciso viver bem. Esforçam-se por encontrar maneiras e conseguir mais e mais posses enquanto há milhões sem ter o suficiente para sobrevivência. Tentam ascender ainda que signifique causar mais sofrimento: há gente demais no mundo. Chegam a pensar que vários seres vivos – da mesma espécie – não fazem diferença e por isso se pode tirar-lhes o direito à vida. Aprendem a querer tanto ultrapassar em poder os demais que chegam a odiar seus semelhantes. Quando não os odeiam, há no máximo indiferença guiando a maioria das pessoas. Entre inocentes e culpados, ingênuos e corruptos, pessoas com mais ou menos poder, ninguém nega as conquistas de liberdade nem os avanços da tecnologia, da ciência, do conhecimento. Ninguém ousa proclamar que o mundo não evoluiu frente à profusão de informações e facilidades proporcionadas pelos estudos do homem. Contudo, seus avanços acaso melhoraram a vida de além de uma ínfima parcela da humanidade, quando tantos não têm acesso à chamada Unesco | Folha Dirigida

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evolução? De que serve a liberdade quando se transforma em desrespeito e egocentrismo? As conquistas não adiantam se não houver vida humana para compartilhá-las. E a vida humana encaminha-se ao individualismo extremo. O homem conseguiu expandir sua tecnologia, ao passo que acorrentou os sentimentos mais sublimes que é capaz de desenvolver. O amor ao próximo dilui-se em palavras comoventes de discursos pronunciados por aqueles que não sofrem. Toda possível evolução conquistada não dissipou os sofrimentos de tanta e tanta gente. Os clamores dos miseráveis permanecem nas ruas, inaudíveis; enquanto o mundo sangra de gente viva sem cortes. E permanecerá sangrando as dores de seus filhos enquanto a humanidade não reconhecer a semelhança entre todos os indivíduos e a necessidade de amor e união para transformar concretamente a forma cruel de se construir a história através da existência.

.......................................... "Man managed to develop technology, but at the same time he had locked in chains the most sublime feelings he can have." BLOOD MURMURS At the busy streets of large urban centers, there are oppressed noises that wouldn't be listened. These are sounds that seemed to be impregnated in the concrete of aged walls, in the sidewalk's stones, in the square's trees, and that had never been heard; still, theses sounds were stuck there and time couldn't dissipate it. It had been accumulated again and again up to today, covering with fragile layers – maybe in the name of human evolution – thousand of invisible character's voices, silenced. Its form, however, is still in the streets, like the old buildings, looking like a continuous representation of the cruelest human limits created by man. But men couldn't see it. They're always late. They run to take care of their business. Then, they run to their houses, to their very well locked houses. They make sure that their individual security is guaranteed. Men fear, but they don't know what to fear. They fear to lose their goods, their properties, their money, and their lives. They're locked inside themselves, without realizing that they're killing, little by little, the hope of other men's life. However, they run to save themselves: they want to live a wealthy life. They struggle to find other ways to get more and more while there are millions without Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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the basic for their survival. They try to grow, even if it would cause more suffering: there are too much people in the world. They would even think that some other living beings – human beings – won't make any difference, so their right to live can be taken away. People want so desperately to overcome others in power that they even come to the ones who are their likeness. And when there's no hate, there's at least indifference guiding the actions of most people. Among the innocent and the guilty ones, the naive and the corrupt ones, people with less or more power, no one denies the freedom acquired or the developments in Technology, science, and knowledge. Nobody dares to say that the world hasn't improved in face of the enormous amount of information and facilities provided by humankind discoveries. However, what's the use of these developments that improved the life of only a tiny part of humankind, when there are many people who wouldn't get access to it? What's the use of freedom when freedom becomes disrespect and egotism? Developments are useless if there are no human beings to share it. And so, humankind is coming to an extreme selfishness. Man managed to develop technology, but at the same time, he had locked in chains the most sublime feelings he can have. The love for our likeness becomes only weak words in the speeches by the ones who wouldn't suffer. Each and every development achieved hasn't eased the sufferings of so many people. The claim of the miserable ones is still in the streets, inaudible, while the world is bleeding by living and uncut people. And the world would continue bleeding by its sons and daughters as long as humankind refuses to recognize the likeness among all individuals and the need of love and union to effectively transform this cruel way to build history through our existence.

.......................................... "L'homme a réussi à étendre sa technologie, à mesure qu'il enchaîné les sentiments plus sublimes qu'il est capable de développer." MURMURES DE SANG Dans les rues bruyantes des grands centres urbains, il y a des bruits sourds qui ne s'entendent pas. Des sons qui semblent être imprégnés dans le béton des murs vieillis, dans les pierres des trottoirs, dans les arbres des places; et qui n'ont jamais été entendus, mais qui là sont prisonniers et que le temps ne peut dissiper. Et ainsi s'est installé le nouveau jusqu'au jours actuels,– recouvrant de Unesco | Folha Dirigida

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couches fragiles – qui sait au nom de l'évolution humaine – des milliers de voix silencieuses de personnages invisibles. Leurs formes continuent, cependant, dans les rues, comme les bâtiments anciens, paraissant une dénonce continue des limites humaines plus cruelles créées par l'homme lui-même. Mais les hommes en fait ne les voient pas. Ils sont toujours en retard. Ils courent pour s'occuper de leurs affaires. Ensuite, courent chez eux. S'y enferment bien. Ils s'assurent que la sécurité particulière soit garantie. Les hommes craignent, et ne savent même pas ce qu'il en est. Mais craignent surtout la perte de leurs objets, de leurs propriétés, de leur argent, de leurs vies. Ils s'enferment sur euxmêmes, sans percevoir qu'ils tuent petit à petit l'espoir de vies d'autrui. Cependant, pour se sauver: il faut vivre bien. Ils s'efforcent de trouver les manières et réussir chaque fois plus de possession de biens tandis que des milliers n'ont pas suffisamment pour survivre. Ils essaient l'ascension bien que cela signifie causer plus de souffrances: il y a trop de personnes sur la terre. Ils arrivent à penser que plusieurs êtres vivants – de la même espèce – ne font pas la différence, et pour cela on peut leur ôter le droit á la vie. Ils apprennent à vouloir dépasser en pouvoir les autres qui arrivent à détester leurs semblables. Quand ils ne les détestent pas, il y a au maximum l'indifférence guidant la majorité des personnes. Entre innocents st coupables, ingénus et corrompus, personnes avec plus ou moins de pouvoir, personne ne nie les conquêtes de liberté ni les progrès de la technologie, de la science, de la connaissance. Personne n'ose proclamer que le monde n'a pas évolué face à la profusion d'informations et facilités offertes par les études de l'homme. Cependant, leurs progrès ont amélioré la vie d'au-delà d'une infime partie de l'humanité, quand tous n'ont pas accès à ce qu'on appelle évolution? A quoi sert la liberté quand elle se transforme en manque de respect et égocentrisme? Les conquêtes ne servent à rien s'il n'y a pas de vie humaine pour les partager. Et la vie humaine s'achemine vers l'individualisme extrême. L'homme a réussi à étendre sa technologie, à mesure qu'il enchaîné les sentiments plus sublimes qu'il est capable de développer. L'amour du prochain se dilue en paroles touchantes de discours prononcés par ceux qui ne souffrent pas. Toute évolution possible conquise n'a pas dissipé les souffrances de tant de personnes. Les clameurs des misérables restent dans les rues, sans que l'on puisse les écouter; tandis que le monde perd du sang de personnes vivantes sans blessures. Et les douleurs de leurs enfants continueront à perdre du sang tandis que l'humanité ne reconnaît pas la similitude entre tous les individus et le besoin d'amour et d'union pour transformer concrètement la forme cruelle de construire l'histoire au travers de l'existence.

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"Para que a pobreza e a desigualdade social sejam vencidas, é preciso que, primeiramente, sejam vencidas barreiras chamadas ignorância, oportunismo, individualismo."

Claudia Tabosa

Faculdade Maurício de Nassau – Recife – PE

A justiça social, que deveria promover a igualdade de direitos entre todos os cidadãos, independente de raça, credo ou mesmo classe social, alia-se ao descaso e à tolerância, vitalizando a falta de senso humanitário. A erradicação da pobreza e conseqüente justa distribuição de renda ainda é utopia aos olhos de quem sofre com a marginalização. Essa, causada pelos mecanismos que mantêm a sociedade em dívida com os ricos do mundo. Diversas são as soluções apontadas para que seja feita a justiça em prol dos desfavorecidos. Na prática, a pergunta que não se cala: como e por onde começar as iniciativas? O que de fato exterminará, sem nenhuma maquiagem, a fome, a miséria, o preconceito, a violência resultante destas diferenças sociais? Seria a contribuição massificada dos grandes e médios empresários a solução mais viável? O primeiro passo? É claro que uma união de investimentos sem o almejo de benefícios pessoais seria um passo considerável para a classe pobre. Afinal de contas, os simplórios políticos estão em constante lamaçal de dívidas e sempre queixando-se de rombos previdenciários, quantias salariais injustas que mal dão para comprar seus "Mercedes" ou mesmo aquela estimada jóia com a qual suas senhoras sonham em comemoração às bodas. Enquanto essas preocupações permeiam seus pensamentos, programas sociais paliativos se apóiam em discursos e medidas falidas, que fogem à situação gritante que assola a grande parte da população. Logicamente educação é preciso.Trabalho digno, salário condizente com os esforços de cada cidadão, direito de voltar pra casa de fato, de ter uma moradia que proporcione um descanso depois de uma jornada suada de trabalho e tantas conduções para chegar ao esperado destino. Mas as propostas, muitas delas apenas permanecem no papel. Por que não terminar o que se começa? Tantos prédios abandonados onde se vêem escolas. Tantas áreas improdutivas, quase esquecidas e que bem poderiam servir a tantos desabrigados... E que tal, em vez do sistema de cotas para negros -porque não é a questão racial o problema, mas a questão do preparo educacional– um sistema igualitário de educação? Sim. Um sistema que assistisse, sem Unesco | Folha Dirigida

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hierarquia, a todos em situação pré-universitária. Isso sem dúvida alguma não faria com que a cor de pele fosse hipocritamente colocada como diferencial, assinando um termo que mais parece dizer: "favorecidos pelo desfavorecimento intelectual", quando, na verdade, a questão refere-se a oportunidades. Para que a pobreza e a desigualdade social sejam vencidas, é preciso que, primeiramente, sejam vencidas barreiras chamadas ignorância, oportunismo, individualismo. É preciso entender o social como benefício amplo e não restrito a uma parcela da sociedade. É garantir o presente a quem sequer sonha com o futuro. É respeitar as gerações atendendo cada uma delas em suas necessidades específicas. Investir em avanços que signifiquem avanços sociais e não estritamente materiais.É mudar pensamentos revoltosos abrindo portas que acresçam valores fundamentais aos seres humanos e não superlotar,atrás de grades de segurança máxima, dois resultados dessa disparidade social em que vivemos: as famílias assustadas em suas quase fortalezas, e aqueles cujas fortalezas seguram suas fúrias revoltosas e o apontam como um perigo social.

.......................................... "To stop poverty and social inequality, we must, at first, overcome barriers such as ignorance, opportunism, and selfishness." Social justice, which should promote equal rights to all citizens, regardless of race, religion or even social class, acts like an allied to disregard and tolerance, corroborating with the lack of humanitarianism. The eradication of poverty and the consequent fair distribution of income is still a utopia to the eyes of the ones who are marginalized. They are marginalized because of the structures that kept society in debt with the world's rich ones. There are many possible solutions to provide the underprivileged with a more fair life. But, in the practice, there's a question that won't be shut up: How and where to start the initiatives? What would stop, for real, the hunger, misery, prejudice, and violence that result from social differences? Could the massive contribution from medium and large-sized companies be the most viable solution? What could be the first step? It is clear that multiple investments from businessmen– without aiming personal benefits – would consist in a considerable gain to the poor class. Besides, politicians – such simple people – are constantly drowning in debts, always complaining about the holes on social security, unfair incomes – so that they

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could hardly afford their Mercedes or even the lovely jewel that their ladies' are dreaming of as a wedding anniversary gift. While they're so concerned about that, palliative social programs are based on faulty measures and discourses that ignore the terrible situation faced by great part of the population. Education is a must, for sure; and so are a decent job, fair incomes, in accordance with the efforts of each citizen, the right to have a decent house that provides a cozy rest after a long work journey and a lot of transports to get home. But there are so many projects still only in paper. Why can't they finish what they have started? So many empty buildings could be transformed into schools. So many unproductive areas, almost forgotten, that would be useful to a lot of homeless people... And why not, in exchange for the quote system to black students – because the issue here is not race, but the education provided to the underprivileged – provide a fair educational system? Yes. Provide a system that would offer the best assistance to all students in high schools, without any social hierarchy. No doubt, this would prevent that skin color from being hypocritically considered a differential, as if saying: "favored by being intellectually unprepared", when, in fact, the question is related to opportunities. To stop poverty and social inequality, we must, at first, overcome barriers such as ignorance, opportunism, and selfishness. We must understand social measures as wide benefits that should not be restricted to a determined part of society. We must guarantee the present for the one's who don't even dream about future. We must provide previous generations with their specific needs. This is respect. It is time to invest in social developments, not only material developments; to change these revolted thoughts by providing people with the opportunity to grow, to achieve human fundamental values, instead of locking behind bars both sides of this social inequality in which we live: The scared families whose secured houses look like fortresses and the one's held in penitentiaries for being a social danger in their revolted fury.

.......................................... "Pour que la pauvreté et l'inégalité sociale soient vaincues, il faut, d'abord, vaincre les barrières appelées ignorance, opportunisme, individualisme." La justice sociale qui devrait encourager l'égalité de droits entre tous les citoyens, indépendamment de la race, croyance ou même classe sociale, s'allie à la négligence et à la tolérance, vitalisant le manque de sens humanitaire. L'éradication de la pauvreté et par conséquent la juste distribution de revenu est encore utopie Unesco | Folha Dirigida

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aux yeux de celui qui souffre de marginalité. Celle-ci causée par les mécanismes qui maintiennent la société en dette avec les riches du monde. Diverses sont les solutions indiquées pour que soit faite la justice en faveur des défavorisés. En pratique, la question qui ne se tait pas: comment et par où commencer les initiatives? Ce qui en fait examinera, sans aucun maquillage, la faim, la misère, le préjugé, la violence résultant de ces différences sociales? Seraitce la contribution de masse des grands et moyens entrepreneurs la solution plus viable? Le premier pas? Il est clair que l'union d'investissem*nts sans le désir de bénéfices personnels serait un pas considérable pour la classe pauvre. En fin de comptes, les simples hommes politiques se trouvent dans une constante boue de dettes et se plaignent toujours de vols de la prévoyance, de salaires injustes qui donnent à peine de quoi acheter leurs "Mercedes" ou même ce bijou estimé dont rêvent les dames pour commémorer leurs anniversaires de mariage. Tandis que ces soucis pénètrent leurs pensées, les programmes sociaux palliatifs s'appuient sur des discours et mesures fracassés, fuyant de la situation criante qui accable la grande partie de la population. Logiquement l'éducation est nécessaire. Travail digne, salaire en harmonie avec les efforts de chaque citoyen, droit de rentrer chez soi d'avoir un toit offrant un repos après une dure journée de travail et tant de moyens de transport pour arriver à la destination attendue. Mais les propositions, beaucoup d'entre elles restent sur le papier. Pourquoi ne pas terminer ce qui est commencé? Tant d'immeubles abandonnés où l'on voit des écoles. Tant de zones improductives, presque oubliées et qui pourraient bien servir à tant de désabrités. Et pourquoi pas, au lieu de système de cotas pour les noirs -car ce n'est pas la question racial le problème, mais plutôt la question de préparation éducationnelle, un système égalitaire d'éducation? Un système qui aiderait, sans hiérarchie, tous ceux en situation pré universitaire. Ceci sans aucun doute ne ferait pas que la couleur de la peau soit hypocritement placée comme différentiel, signant un terme qui semble dire plutôt: "favorisés par le manque de favoritisme intellectuel", quand en réalité, la question se réfère aux opportunités. Pour que la pauvreté et l'inégalité sociale soient vaincues, il faut que, d'abord, vaincre les barrières appelées ignorance, opportunisme, individualisme. Il faut comprendre le social comme bénéfice ample et non pas restreint à une partie de la société. C'est assurer le présent à celui qui rêve de l'avenir. C'est respecter les générations en servant chacune d'elles dans leurs nécessités spécifiques. Investir en progrès qui signifient progrès sociaux et non strictement matériels. C'est changer des pensées révoltantes en ouvrant les portes qui font croître les valeurs fondamentales aux êtres humains et ne pas, remplir, derrière les grilles de sécurité maximum, deux résultats de cette disparité sociale dans laquelle nous vivons: les familles effrayées dans leurs presque forteresses, et ceux dont les forteresses contiennent leurs furies de révoltes et l'indiquent comme un danger social.

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"Assim, penso eu: do que vamos precisar para solucionarmos o problema da desigualdade social? De dinheiro? De vontade política? De consciência social? De educação?"

Cláudio Azevêdo da Cruz Oliveira

UFBA – Universidade Federal da Bahia – Salvador – BA

AULAS DE ALFABETIZAÇÃO A energia que me condiciona a continuar caminhando é a esperança de que poderei viver, um dia, num mundo em que a desigualdade não impere como alicerce de nosso sistema. A esperança de que os anos que estão por vir recuperarão a essência da vida do homem, perdida desde que se consolidou a idéia de que a pobreza é algo "normal". Fato cada vez mais difícil de ocorrer, concordo, mas é justamente este espírito criança, que teima em não crescer em mim, que impulsiona a ingenuidade a lutar por mudança. Por mais tentadoras que pareçam as evoluções alcançadas pelo homem, não é somente a tecnologia que quero vivenciar neste novo século. O ser humano moderno, eternamente encantado pelas novidades por ele criadas, olvida-se do principal: ele. Num mundo dominado pelo individualismo, o "eu" é cada vez mais valorizado. Manifestações desta tônica, as ferramentas do sistema vigente – como o novo ritmo que a vida dos cidadãos das grandes metrópoles tomou – auxiliam a perpetuação do pensamento que padece de coletivismo. A lógica da vida fora invertida, com o relacionamento interpessoal posto em segundo plano, em detrimento da satisfação material. Basta-nos viver nossas pequenas vidas, em constante estado de dormência, em que tudo cheira à banalidade. E, assim, somos todos artificialmente felizes, vivendo a comprar ingressos de felicidade. Frutos da árvore do contemporâneo, usamos nossos cinco(?) sentidos da mesma forma que um computador usa a energia elétrica. Ah! Somos todos tão automáticos! Mas não há problema, afinal isto é o que o mundo de hoje nos exige. Exige ele que sejamos espertos, inteligentes, infalíveis, invencíveis, "malandros". No meio deste mar de insensatez, com ares de pós-modernidade, a ingenuidade choca. Seria pouco demais para esta frase dizer que a ingenuidade assusta. Ela choca! Choca a todos ao ponto de ser tratada como brincadeira ou como loucura. A ingenuidade afronta tudo o que é (im)posto a nós desde que damos nosso primeiro choro e, como somos acostumados a respirar estes "buenos aires" de civilização, tudo o que vem a reboque da ingenuidade nos choca. Falar em soluUnesco | Folha Dirigida

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ções para acabar com a pobreza assusta o nosso chip fabricado que nos dá a medida certa de experiência para que sejamos espertos, desconfiados. E esse sentimento robotizado espalhado pelos quatro cantos do mundo faz que, ao invés do feitiço virar contra o feiticeiro, o milagre vire contra o "ingênuo demais" ou contra o "bonzinho demais". Atualmente, ser bem intencionado é ser burro! Ser honesto é perda de tempo. Hoje, ser sincero é estar mentindo! Que tempo é hoje? Assim, penso eu: do que vamos precisar para solucionarmos o problema da desigualdade social? De dinheiro? De vontade política? De consciência social? De educação? Espero que eu não precise apenas de mim! Que não seja eu o senhor da minha vida e que não seja eu o centro dela, pois já estou cansado de "eu" na faculdade, "eu" no trabalho, "eu" em casa, "eu"! Espero que as aulas da alfabetização me sirvam até minha velhice e que minha Tia Norma, como a chamávamos, venha sempre à minha mente para me lembrar que existe "tu", "ele", "nós", "vós" e "eles". Tomara que, agora, não esteja sendo burro nem ingênuo e, acima de tudo, tomara que este "eu" que insiste em me dominar, esbarre sempre na minha "burra utopia" de alfabetização.

.......................................... "So, I think: what do we need to solve the problem of social inequality? Money? Political will? Social consciousness? Education?" LITERACY CLASSES The energy that allows me to keep walking is the hope that I would live, some day, in a world where inequality shall not be the basis of our society. I have the hope that the years to come would bring back humankind's life essence, lost since the time when the idea that poverty is something "normal" was consolidated. I know this is very unlikely to happen, but it is precisely the spirit of the child that denies to grow up within me that give strength to my naivety, to my fight for changes. Even with the so attractive last humankind's developments, I don't want to experience only technology in this new century. The modern man, eternally attracted to his new accomplishments, ends up forgetting the most important: himself. In a world dominated by selfishness, "me" is a concept more and more valued. Manifesting this belief, the present system tools – like the new life rhythm adopted by the large metropolis citizens – help to perpetuate this thought that lacks collectiveness. Interpersonal relationship had been put in second place in the favor of material satisfaction, inverting life logic. For us, it is enough to live our small lives, in constant torpor state, where everything exudes banality. Thus, Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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we are all artificially happy, always buying tickets to happiness. As the children of the present day, we use our five (?) senses in the same way a computer uses electric power. Ah! We are so automatic! But that's OK, that's what today's world demands us. Today's world demands we be the clever, intelligent, infallible, invincible, "smart" ones. In the middle of this sea of rashness that looks like post-modernity, it is a shock to be naive. We could almost say the naivety is scaring. Naivety shocks! It shocks everybody up to the point to be considered a joke or insanity. Naivety insults everything that have been imposed to us since we cry for the first time and, as we are used to breath the civilization "buenos aires", all that comes with naivety shocks us. When we talk about solution to stop poverty it scares our "chip", designed to give us the exact measure of experiences to be smart, and to suspect all. This robot feeling spread over the four corners of the world causes the "magic" not to be caught in his own trap, but leads us against the ones who are "too naive" or "too good". Nowadays, if you have the best intentions, you're stupid! Being honest is a waste of time. Today, to be sincere is must lie! What time is today? So, I think: what do we need to solve the problem of social inequality? Money? Political will? Social consciousness? Education? I hope I don't need only me! That I would not be the lord of my life, the center of my life, for I'm to tired of "me" in my college, "me" in my job, "me" in my house, "me"! I hope that literacy classes would be worth until I grow old and that my old teacher Ms. Norma, would always come to my mind to remind me there's also "you", "he", "she", "us", and "they". I hope I'm not being stupid or naïve, I hope this "I, me, mine" that insists on controlling me would always be stopped by the "stupid utopia" of my literacy classes.

.......................................... "C'est ainsi que je pense: de quoi avons-nous besoin pour solutionner le problème de l 'inégalité sociale? D'argent? De volonté politique? De conscience sociale? D'éducation?" COURS D'ALPHABÉTISATION L'énergie qui me conditionne à continuer à marcher est l'espoir qu'un jour je pourrai vivre dans un monde ou l'inégalité ne règne pas comme fondement de notre système. L'espoir de pouvoir dans les années à venir récupérer l'essence de la vie de l'homme, perdue depuis que s'est consolidée l'idée que la pauvreté est quelque chose de "normal". Fait chaque fois plus difficile de se produire je

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suis d'accord, mais c'est justement cet esprit d'enfant, qui insiste à ne pas grandir en moi, qui encourage l'ingénuité de lutter pour le changement. Bien que les évolutions atteintes par l'homme soient tentantes ce n'est pas seulement la technologie que je veux vivre dans ce nouveau siècle. L'être humain moderne, éternellement enchanté par les nouveautés créées par lui, oublie le principal en lui. Dans un monde dominé par des outils du système en vigueur – comme le nouveau rythme que la vie des citoyens des grandes métropoles a pris– aident la perpétuité des pensées qui souffre de collectivisme. La logique de la vie a été inversée, avec relation interpersonnelle placée au deuxième plan, au détriment de la satisfaction matérielle. Il nous suffit de vivre dans nos petites vies, en constant état de dormance où tout sent la banalité. Et, ainsi, nous sommes tous artificiellement heureux, vivant à acheter des entrées de bonheur. Fruits de l'arbre du contemporain, nous utilisons nos cinq sens (?) de la même manière qu'un ordinateur utilise l'énergie électrique. Ah! Nous sommes tous automatiques! Mais il n'y a pas de problème, finalement c'est ce que le monde d'aujourd'hui exige de nous. Il exige que nous soyons malins, intelligents, invincibles, "astucieux". Au milieu de cet océan de folie aux airs de post-modernité, l'ingénuité choque. Ce serait un peu trop que cette phrase dise que l'ingénuité effraie. Elle choque! Elle choque tout le monde au point d'être traitée comme un jeu ou comme folie. L'ingénuité affronte tout ce qui nous est (im)posé depuis nos premiers pleurs, et comme nous sommes habitués à respirer ces "bons airs" de civilisation, tout ce qui vient avec l'ingénuité nous choque. Parler de solutions pour en finir avec la pauvreté effraie notre chip fabriqué qui nous donne la mesure correcte d'expérience pour que nous soyons malins, méfiants. Et ce sentiment robotisé réparti aux quatre coins du monde fait que, au lieu que le maléfice se retourne contre le magicien, le miracle se retourne contre le "trop ingénu" ou contre le "trop bon". Actuellement, être bien intentionné c'est être imbécile! Etre honnête c'est perdre son temps. Aujourd'hui, être sincère c'est mentir! Quel moment est aujourd'hui? C'est ainsi que je pense: de quoi avons-nous besoin pour solutionner le problème de l'inégalité sociale? D'argent? De volonté politique? De conscience sociale? D'éducation? J'espère n'avoir besoin pas seulement de moi! Que je ne sois pas le seigneur de ma vie et je ne sois pas son centre, car je suis fatigué de "moi" à la faculté, "moi" au travail, "moi" à la maison, "moi"! J'espère que les cours d'alphabétisation me servent jusqu'à la vieillesse et que ma Tante Norma, comme nous l'appelions, me vienne toujours à l'esprit pour me rappeler qu'il existe "toi", "lui", "nous", "vous" et "ils". J'espère, maintenant, ne pas être imbécile ni ingénu et par dessus tout, j'espère que ce "moi" qui insiste à me dominer, se heurte toujours à mon "utopie imbécile" d'alphabétisation.

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"Nós, pobres, desiguais, vencemos, mas, se demora muito para se chegar ao topo, ou às vezes se escorrega quando está chegando lá em cima."

Cleide Leonice Cruz Oliveira

Instituto Educacional de Carapicuíba – Itapetininga – SP

Iniciarei a minha redação com a minha auto-biografia: Tenho 39 anos, filha de um lavrador cujo nome é José Nathálio da Cruz e de uma dona de casa chamada Maria Joana da Cruz. Trabalhei durante muito tempo na "roça" com os meus pais colhendo tomates, no Município de Ribeirão Grande-S.P. Estudei sempre em escolas públicas, onde com orgulho aprendi a ler e a escrever sempre com o sonho de sair daquela pobreza através do estudo. Aos 11 anos de idade, quando terminei o antigo primário (4ª série), meu pai me disse: _Filha, agora você já sabe ler, escrever e fazer contas, está alfabetizada, chega de estudar! Fiquei muito triste e não obedeci as falas do meu pai, que na época (28 anos atrás ) queria me proteger, achando que estudar na "cidade" era perigoso. Procurei a minha madrinha e pedi a ela que fosse comigo até a cidade fazer a minha matrícula na 5ª série. Ela atendeu o meu pedido. Iniciei os meus estudos na cidade com muitas dificuldades, pois na época era muito elitista e eu era marginalizada, estava me sentindo como uma intrusa naquele meio. Era alvo de gozação, pois os meus livros, cadernos, uniformes eram usados, velhinhos... Decidi que seria a melhor em tudo, estudava muito, dia e noite, as minhas notas eram umas das melhores, Em meio a todos os obstáculos me perguntava: Por que sou excluída, se mostro constantemente a minha capacidade intelectual a todo momento? A resposta era muito simples: Não tinha sapatos e nem roupas novas, meu uniforme era comprado em brechó e isso fazia muita diferença para a sociedade. Ao mesmo tempo pensava: Eu sou inteligente, sou capaz, isso é o suficiente! O tempo passou, fiz o Curso de Magistério e comecei a trabalhar como, professora tendo como lema despertar a auto-estima dos meus alunos, fazer com que eles acreditem no seu potencial.

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Nunca podemos desistir dos nossos sonhos, devemos lutar por eles e isso eu sempre fiz. Houve um tempo em que devido às condições financeiras tive que trancar a matrícula da faculdade (habilitação em Biologia), senti-me arrasada, parecia que os obstáculos eram infindáveis para os mais pobres. Estudei muito sozinha, sem dinheiro para pagar Cursinhos, mas isso só me fez crescer e ter experiências que ninguém poderia me vender. Hoje digo isso a meus alunos. Eles me perguntam: É verdade mesmo professora o que a senhora nos conta? Eu então respondo: _ Sim, são experiências de vida e sinto que a minha missão na Terra como educadora é transmitir isso a vocês. Eles não entendem o que eu digo, é muito pessoal, mas eu sei que analisando psicologicamente acho que tem a ver com o que eu passei na minha infância, do quanto eu tive e tenho que lutar pelo meu espaço na hipócrita, ilícita, injusta sociedade em que vivemos. Nós, pobres, desiguais, vencemos, mas, se demora muito para se chegar ao topo, ou às vezes se escorrega quando está chegando lá em cima. Só o conhecimento nos salva, nos tira desse mar de ilusões, nos mostra um Mundo Novo, cheio de possibilidades onde podemos navegar sozinhos, sem uma âncora, pois esse mar é infinito...

.......................................... "We, the poor, the unequal, had won, but, if it takes so long to reach the top, sometimes we can slip when we are almost there." I would begin this text with my autobiography: I am 39 years old; daughter of a farm worker called José Nathálio da Cruz and of a housewife called Maria Joana da Cruz. I have worked for a long time in the farm with my parents, harvesting tomatoes in the town of Ribeirão, state of São Paulo. I had always studied in public schools, where I proudly learn to read and to write, dreaming of leaving poverty through my study. At age eleven, when I concluded junior school, my father told me: "My daughter, now that you can read, write and do the operations, now that you're literate, that enough of study!"

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I was very sad, but I didn't obey my father's order, which then (28 years ago) intended to protect me against the "dangers" of studying in the city. I looked for my godmother and asked her to go with me to the city to enroll myself at high school. She did what I asked her to. I went through many difficulties when I started to study at the city; the school was very elitist and I was set apart, I felt like an intruder there. People mocked me because my books, notebooks and uniforms were used, were old... I had decided to be the best, I studied hard, day and night, and my notes were among the best ones. In between the obstacles, I asked myself: "Why am I being set apart, if I am constantly showing my intellectual capacity? The answer was simple: I didn't have new shoes or new clothes, my uniform was second-handed, and this makes a lot of difference to society. At the same time, I though: I am clever, I am capable, and that's sufficient! Time passed by, I enrolled a Mastership Course and I have started to word as a teacher, having as a motto to raise my students self-esteem, make them believe in their potential. We must never give up our dreams; we must fight for it as I always did. There was a time when I had to freeze the registration of my Biology undergraduate course because of financial issues. I felt devastated, it seemed like the obstacles for the underprivileged never end. I studied hard by myself, because I had no money for preparatory courses, but that made me grow and provided me with experiences that no one could sell me. Today I say this to my students. They ask me: Is it true everything you tell us, teacher? Then I answer: "Yes, these are life experiences and I feel that my mission on Earth as an educator is to teach these to you. They don't understand what I say, it's too personal, but I know that – psychologically speaking – it is related to what I went through when I was a child, how I had, and still have, to fight for my space in this hypocrite, illicit, and unfair society in which we live in. We, the poor, the unequal, had won, but, if it takes so long to reach the top, sometimes we can slip when we are almost there. Only knowledge can save us, take us away from this sea of illusions, show us a new world, full of possibilities, where we can sail out by ourselves, without any anchors, because this sea is infinite...

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"Nous, pauvres, inégaux, nous sommes vainqueurs, mais on tarde beaucoup à atteindre le sommet, ou parfois, nous glissons en arrivant là-haut." Je commencerai ma rédaction par mon auto biographie: J'ai 39 ans, fille de cultivateur dont le non est José Nathálio da Cruz et d'une femme au foyer appelée Maria Joana da Cruz. J'ai travaillé pendant longtemps à la "campagne" avec mes parents faisant la récolte des tomates, dans la municipalité de Ribeirão Grande-S.P. J'ai toujours étudié dans des écoles publiques, ou avec fierté j'ai appris à lire et à écrire en rêvant toujours de sortir de cette pauvreté au travers des études. A l'âge de 11 ans, quand j'ai terminé l'ancien primaire (4ème), mon père m'a dit: – Ma fille, maintenant tu sais lire, écrire et compter, tu es alphabétisée, arrête d'étudier! J'étais très triste et je n'ai pas obéi aux dires de mon père qui, à l'époque (28 ans plus tôt) voulait me protéger, trouvant qu'étudier en "ville" était dangereux. J'ai cherché ma marraine et lui ai demandé qu'elle aille avec moi en ville pour m'inscrire en 5éme. Elle l'a fait. J'ai commencé mes études en ville avec beaucoup de difficultés, car à l'époque il y a avait beaucoup d'élitisme et moi j'étais marginalisée, je me sentais comme une intruse dans ce milieu. J'étais la cible de plaisanterie, car mes livres, mes cahiers, mes uniformes étaient usés, bien vieux... J'ai décidé que je serai la meilleure en tout, j'étudiais beaucoup, jour et nuit, mes notes étaient parmi les meilleures. Au milieu de tous ces obstacles je me demandais: Pourquoi suis-je exclue si je démontre ma capacité intellectuelle à tout moment? La réponse était très simple: Je n'avais pas de chaussures ni de vêtements neufs, mon uniforme était acheté en solde et cela faisait toute la différence pour la société. En même temps je pensais: Je suis intelligente, capable, cela est suffisant! Le temps a passé, j'ai fait le Cours de Professeur et j'ai commencé à travailler comme professeur ayant pour slogan d'éveiller l'amour-propre de mes élèves, faire tout pour qu'ils croient en leur potentiel. Nous ne pouvons jamais désister de nos rêves, nous devons lutter pour eux et je l'ai toujours fait. Il y a eu une époque ou à cause des conditions financières, j'ai dû suspendre la faculté (habilitation en Biologie), je me suis sentie très mal, on aurait dit que les obstacles étaient infinis pour les plus pauvres. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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J'ai étudié toute seule, sans argent pour payer les cours, mais cela n'a fait que me faire croître et voir des expériences que personne ne pourrait me vendre. Aujourd'hui je dis cela à mes élèves. Ils me demandent: c'est vrai professeur ce que vous nous racontez? Et je réponds alors: _ Oui, ce sont des expériences de vie et je sens que ma mission sur Terre comme éducatrice est de vous transmettre ceci. Ils ne comprennent pas ce que je dis, c'est très personnel, mais je sais u'analysant psychologiquement je crois que cela a rapport avec ce que j'ai passé dans mon enfance, de combien j'ai du lutter et je lutte encore pour mon espace dans la société hypocrite, illicite, injuste dans laquelle nous vivons. Nous, pauvres, inégaux, nous sommes vainqueurs, mais on tarde beaucoup à atteindre le sommet, ou parfois, nous glissons en arrivant là-haut. Seule la connaissance nous sauve, nous retire de cet océan d'illusions, nous montre un Monde Nouveau, plein de possibilités où nous pouvons naviguer seuls, sans une ancre, car cet océan est infini...

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"A violência e a criminalidade são sintomas de sociedades desiguais e deveriam servir de controle ao abuso da desigualdade."

Daniella Barcellos Magalhães da Rocha

UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais – Belo Horizonte – MG

A efetivação de um projeto de uma sociedade menos desigual e com menos pobreza deve incluir o desenvolvimento de um sistema em que cada homem saiba e sinta que a garantia do mínimo de bem-estar de toda a sociedade lhe afeta particularmente e de forma positiva. Esta tese está baseada no pressuposto de que a motivação individual é o motor fundamental e imediato de qualquer processo por que passa a humanidade. Assistindo ontem a uma propaganda de fraldas, pensei na rapidez com que novos produtos são criados e desenvolvidos, por uma tecnologia crescente, em direção ao bem estar humano. Pensei também que tão rápida evolução de tecnologia estava guiada pela disputa de mercado, pelo interesse financeiro, mesmo quando consideramos produtos mais amplamente relevantes, como medicamentos, por exemplo. Prova disto é o estimulo à produção de novos medicamentos através da patente temporária concedida ao laboratório, que lhe proporciona a garantia de lucro durante certo tempo. A explosão de tecnologia a que assistimos tem como causa imediata um motivo de ganho individual – o ganho financeiro. A humanidade criou um sistema auto-regulador para a criação de tecnologia, em que através da motivação individual, se cria bem estar para toda a humanidade incluída no sistema. No caso da desigualdade e da pobreza, há também um sistema regulador do tipo acima, porém, ele vem sendo desvirtuado pela manipulação ideológica que pretende manter as vantagens geradas por essa situação. A violência e a criminalidade são sintomas de sociedades desiguais e deveriam servir de controle ao abuso da desigualdade. Freud nos ensina, através de uma bela obra, "O Mal Estar na Civilização", que os nossos antepassados são animais. Nós saímos da condição puramente animal, através da construção da civilização. A civilização serve ao homem para protegê-lo da natureza, tanto do ambiente externo, quanto de sua própria natureza animal, guiada por instintos. O Direito é criado pelos homens como forma de protegê-los uns dos outros, regulando seus comportamentos e limitando o uso da força física. A partir de então, a Lei dos homens é a mediação para a satisfação de suas necessidades. O homem faz uma troca evolutiva: a busca de satisfação imediata de suas necessidades por uma Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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satisfação mais segura. É fundamental a compreensão de que a Lei é sustentada por uma dupla face, inseparável: ela ordena e interdita e, por outro lado, ampara e protege. É porque ela ampara e protege é que tem o poder de interditar e ordenar: obedecer para ser protegido. É nesse sentido que a violência e a criminalidade aparecem como uma conseqüência da desigualdade e da pobreza. O instinto agressivo, necessário à sobrevivência de qualquer animal, é recalcado pelo homem, porque, se ele abre mão da força física e se integra à civilização, a Lei vai ampará-lo e ele terá acesso mais seguro aos objetos de sua necessidade. Acontece que se indivíduos são retirados desses benefícios, dessas proteções, se a Lei já não é mais um caminho para a satisfação das necessidades, ao contrário, é um grande empecilho para a própria sobrevivência, o recalque do instinto agressivo dificilmente pode ser sustentado. Como foi dito anteriormente o sistema regulador existe. Se cada individuo tivesse a clara noção de que a violência que o ameaça é, em sua significativa maioria, conseqüência da desigualdade e da pobreza, o sistema funcionaria melhor, porque cada um trataria a questão como um problema próprio. Portanto, uma solução possível para a desigualdade e a pobreza seria o esforço na desconstrução dos mitos criados por uma elite beneficiada pela situação, que procuram desfazer a correlação inegável entre as duplas desigualdade e pobreza, e violência e criminalidade.

.......................................... "Violence and crime are symptoms of unequal societies and should serve to control the abuse of inequality." The implementation of a less unequal and less poor society project must include the development of a system where each and every man knows and feels that a minimum of wellness is guaranteed and would affect him particularly and in a positive way. This thesis is based on the concept that individual motivation is the fundamental motor of any process that humanity goes through. Yesterday I saw on TV a diaper ad and I realize how fast new products are created and developed, by an improving technology, to provide wellness. I also realized that the fight for markets, by financial interests, guides this fast technological development even when we consider highly relevant products, such as medicines, for example. As a proof, the temporary patent granted to the lab, which is guarantee of high incomes during a determined amount of time, stimulates the production of new medicines. The technology boom we face has Unesco | Folha Dirigida

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as its immediate cause an individual income reason – financial profits. Humanity created a self-regulating system for technology development, in which an individual motivation leads to the creation of wellness to the system-included humanity as a whole. In the case of inequality and poverty, there's also a self-regulating system as above, but it is being corrupted by ideological manipulation, which intends to keep the advantages generated by such situation. Violence and crime are symptoms of unequal societies and should serve to control the abuse of inequality. Freud teaches us in his fine work "Civilization And Its Discontents" that our ancestors are animals. We left the purely animal stage by building civilization. Civilization protects man from nature, the external environment, and from his animal nature, guided by instincts. Men created Law as a way to protect one from another, regulating their behaviors and limiting the use of physical strength. From then on, the Law of men is the mediation to the satisfaction of their needs. Man performs an evolutionary exchange: the search for immediate fulfillment of his needs for a safer satisfaction. It is vital to comprehend that the Law is based on a double and inseparable character: Law orders and interdicts; on the other hand, Law supports and protects. Because Law can support and protect it also has the power to interdict and order: one must obey to be protected. It is in this sense that violence and crime are a consequence of inequality and poverty. Man represses the aggressive instinct, necessary to the survival of each animal, for if he resigns his physical strength to be part of civilization, Law will support him, and he will have a safer access to the objects of his needs. What happens is that are apart from these benefits, these protection, if law is no longer a way to fulfill their needs, on the contrary, it becomes a great obstacle to survival, when the aggressive instinct would hardly be repressed. As we said, the regulatory system exists. If each individual had a clear perception that the violence that threatens him is, in most of the cases, a consequence of inequality and poverty, the system would work better, because each individual would deal with this issue as his own problem. So, a possible solution to inequality and poverty would be the effort to deconstruct the myths created by an elite who takes advantage of the situation, and who try to hide the undeniable relation between the pairs inequality and poverty, and violence and crime.

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"La violence et la criminalité sont symptômes de sociétés d'inégalité et devraient servir de contrôle à l'abus de l'inégalité." La réalisation d'un projet d'une société moins inégale et avec moins de pauvreté doit inclure le développement d'un système ou chaque homme sache et sente que la garantie d'avoir un minimum de bien-être de toute la société l'affecte particulièrement et de manière positive. Cette thèse est basée sur la présupposition que la motivation individuelle est le moteur fondamental et immédiat de tout processus par lequel passe l'humanité. En voyant hier une propagande de couches, je pensais à la rapidité avec laquelle sont créés de nouveaux produits et développés, par une technologie croissante, orientée vers le bien-être humain. Je pensais aussi qu'une évolution de la technologie si rapide était guidée par la dispute du marché, par l'intérêt financier, même quand nous considérons des produits plus amplement relevants, comme des médicaments par exemple. La preuve de cela est la stimulation à la production de nouveaux médicaments au travers de patente temporaire concédée au laboratoire, qui assurent le gain pendant un certain temps. L'explosion de technologie à laquelle nous assistons a pour cause immédiate un motif de gain individuel – le gain financier. L'humanité a créé un système autorégulateur pour la création de technologie, dans laquelle, au travers de la motivation individuelle, se crée le bien-être pour toute l'humanité incluse dans le système. Dans le cas de l'inégalité et de la pauvreté, il existe aussi un système régulateur du genre ci-dessus, cependant, il est en train d'être dévalorisé par la manipulation idéologique qui prétend maintenir les avantages générés par cette situation. La violence et la criminalité sont des symptômes de sociétés inégales et devraient servir de contrôle à l'abus de l'inégalité. Freud nous enseigne, au travers de la belle oeuvre, "Le Mal d'Etre dans la Civilisation", que nos ancêtres sont des animaux. Nous sommes sortis de la condition purement animale, au travers de la construction de la civilisation. La civilisation sert à l'homme pour le protéger de la nature, aussi bien de l'ambiance externe, que de sa nature animale ellemême, guidée par les instincts. Le Droit est créé par les hommes comme forme de les protéger les uns des autres, réglant leurs comportements et limitant l'utilisation de la force physique. A partir de là, la Loi des hommes est l'intervention pour la satisfaction de ses besoins. L'homme fait un échange évolutif: la recherche de satisfaction immédiate de ses besoins pour une satisfaction plus sûre. La compréhension du fait que la Loi est soutenue par une doublé face, inséparable: elle est fondamentale: elle ordonne et interdit et, d'un autre côté, aide et protège. C'est parce qu'elle aide et protège qu'elle a le pouvoir d'interdire et d'ordonner: obéir pour être protéger.

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C'est dans ce sens que la violence et la criminalité apparaissent comme une conséquence de l'inégalité et de la pauvreté. L'instinct agressif, nécessaire à la survie de tout animal, est réprimé par l'homme, car, s'il se passe de la force physique et se rend à la civilisation, la Loi va l'aider et il aura accès plus sûr aux objets de sa nécessité. Il se trouve que les individus sont retirés de ces bénéfices, de ces protections, si la Loi n'est plus le chemin, de la satisfaction des besoins, au contraire, est un grand obstacle à la propre survie, la répression de l'instinct agressif difficilement peut être soutenu. Comme je l'ai dit antérieurement, le système régulateur existe. Si chaque individu avait la claire notion que la violence qui le menace est, dans sa majorité significative, conséquence de son inégalité et de la pauvreté, le système fonctionne mieux car chacun traiterait la question comme un problème propre. Donc, une solution possible pour l'inégalité et la pauvreté serait l'effort dans la construction des mythes créés par une élite bénéficiée par la situation, qui cherchent à défaire la corrélation inégalable entre les doubles inégalité et pauvreté, et violence et criminalité.

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"Temos que largar nossos anos e anos de cultura nociva e começar a reconstruir nossas visões do início, baseadas na vontade do ser humano de fazer o bem..."

Danyel Sylvestre Travassos Soares

Universidade Estácio de Sá – Rio de Janeiro – RJ

ONDE ACHAR A RESPOSTA? Mais uma vez o Ser Humano se vê preso a uma questão que não nunca vai achar a resposta, a menos que procure dentro de si próprio. Como vencer uma conseqüência das próprias atitudes do Homem, entorpecido pelo seu medo irracional do futuro e do desconhecido? Sem dúvida não vai ser colocando a culpa em governos, instituições ou qualquer outro símbolo. Se existe desigualdade, é porque os homens não se vêem de fato como iguais. Se existe pobreza é porque certos homens querem garantir o seu confortável individualismo à custa da miséria de muitos outros. E isso é fruto da nossa própria cultura Mas pergunte se o Universo liga pra isso... Exatamente do jeito que as coisas são, elas se auto-organizam. A essência da Vida é a auto-organização. É triste, mas essa atual condição do homem é muito bem organizada... por valores desiguais e pouco humanos... mas de fato organizada. Tudo é conseqüência de uma causa interna: o Homem não se enxergar como parte integrante de um organismo vivo que é o Planeta Terra. Enxergar apenas o mundo que gira em torno de si próprio. Uma cegueira provocada pelo seu amor ao próprio ego. Olhando a tudo e a todos como peças da sua própria fantasia. Para vencer a pobreza e a desigualdade, os seres humanos devem primeiro começar a vencer seus egoísmos, preconceitos, medos e dogmas inúteis. Reavaliar toda a sua perspectiva de Vida e torná-la mais harmônica. Esquecer o "eu" e pensar no "nós". E não 'nós' só os seres humanos. 'Nós', toda a Vida no planeta. Temos que parar de olhar a Natureza e os outros Homens como 'recursos', e sim vê-los como o Sistema Vivo em sua magnífica Unidade, que é. Do contrário nossos problemas futuros não serão só a pobreza e desigualdade, e sim a extinção de nossa própria espécie. Não é correto analisar um só ponto do problema. É preciso mudar tudo de uma só vez. Os valores, as instituições, os sistemas de organização. E isso não

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acontecerá quando líderes mundiais sentarem-se à mesa na ONU pra discutir. Até porque eles têm seus próprios interesses... Acontecerá quando cada um de nós olhar pra dentro de si mesmo e mudar o que for necessário para o bem de todos. Quando olharmos para dentro de nós e gostarmos do que estamos vendo. Sem os disfarces ou máscaras que adoramos criar. Temos que largar nossos anos e anos de cultura nociva e começar a reconstruir nossas visões do início, baseadas na vontade do ser humano de fazer o bem, se sentir parte de alguma coisa, e principalmente de continuar existindo. Difícil? – eu ironicamente lhes pergunto. Talvez... só até começarmos a tentar.

.......................................... "We must resign years and years of noxious culture and begin to reconstruct our visions from the start, based on the human will to do good..." WHERE'S THE ANSWER? One more time, Man is stuck in a question for what he would never find an answer, unless he starts to look inside himself. How can we overcome something that is a consequence of our own attitudes when we are overwhelmed by the fear of the future and of the unknown? Sure, it wouldn't be blaming the government, the institutions, or any other symbol. If there's inequality, it is because men don't consider each other as equals. Poverty exists because of the ones who want to guarantee their comfortable selfishness at the expenses of many others's misery. This is a consequence of our culture. But ask how the Universe deals with that... Exactly in the way things are, they're self-organizing. The essence of Life is self-organization. It is sad, but the present situation of men is very well organized... by unequal and poorly human values... but it is organized. Everything is a consequence of an inner cause: Humanity cannot see itself as a part of this living organism that is Planet Earth. A man can only see the world spinning round him. This blindness is caused by the love for his ego. He is looking at everything and everyone as parts of his own fantasy. To stop poverty and inequality, men and women must start with their own useless egotisms, prejudices, fears, and dogmas. We must re-evaluate our Life perspectives and make it more harmonic. We must forget about "me" and think Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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about "us", but not only about "us", human beings. I am talking about "us", the entire Life on our planet. We must stop looking at Nature and at the other human beings as "resources"; instead, we must look at them as a part of a Living System in its magnificent Oneness. On the contrary, our future problems would not only be poverty or inequality, but also the extinction of our own species. It is not right to look only at one side of the problem. We must change everything at once: our values, our institutions, and our organizing systems. That wouldn't happen until all world leaders are together in a UN meeting to discuss this issue. Even because they have their own interests... The change will occur when each and everyone of us look inside ourselves to change whatever necessary to achieve the best for everyone; when we would look inside of us and admire what we saw, without the covers or masks that we love to create. We must resign years and years of noxious culture and begin to reconstruct our visions from the start, based on the human will to do good, to be part of something, and, most of all, to continue existing. Does it look difficult? – I ask you, ironically. Maybe... until we start trying.

.......................................... "Nous devons abandonner nos années et années de culture nocive et commencer à reconstruire nos visions du début, basées sur la volonté de l'être humain de faire le bien..." OÙ TROUVER LA RÉPONSE? Une fois de plus l'Etre Humain se voit prisonnier d'une question dont il ne va jamais trouver la réponse à moins qu'il cherche en lui-même. Comment vaincre une conséquence des propres attitudes de l'Homme, affaibli par sa peur irrationnelle du futur et du l'inconnu? Sans aucun doute ce ne va pas être en culpabilisant les gouvernements, les institutions ou tout autre symbole. S'il existe inégalité, c'est parce que les hommes ne se voient pas en fait comme égaux. Si la pauvreté existe c'est parce que certains hommes veulent assurer leur confortable individualisme aux dépens de la misère de beaucoup d'autres. Et ceci est le fruit de notre propre culture. Mais demandez si l'Univers se préoccupe de cela... Exactement de la façon dont sont les choses, elles s'auto organisent. L'essence de la Vie est l'auto Unesco | Folha Dirigida

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organisation. C'est triste, mais cette condition actuelle de l'homme est très bien organisée par des valeurs inégales et peu humaines mais de fait organisée. Tout est conséquence d'une cause interne: l'Homme ne se voit pas comme partie intégrante d'un organisme vivant qu'est la Planète Terre. Voir seulement le monde qui tourne autour de lui-même. Une cécité provoquée par son amour au propre ego. Regardant tout et tous comme des pièces de leur propre fantaisie. Pour vaincre la propreté et l'inégalité, les êtres humains doivent d'abord commencer à vaincre leurs égoïsmes, leurs préjugés, leurs peurs et les dogmes inutiles. Réévaluer toute leur perspective de Vie et la rendre plus harmonieuse. Oublier le "moi" et penser au "nous". Et non pas 'nous' seuls les être humains. 'Nous', toute la Vie sur la planète. Nous devons cesser de voir la Nature et les autres Hommes comme des 'ressources', mais plutôt le voir comme le Système Vivant dans sa magnifique Unité. Au contraire, nos problèmes futurs ne seront pas seulement la pauvreté et l'inégalité, mais l'extinction de notre propre espèce. Il n'est pas correct d'analyser un Seul point du problème. Il faut tout changer d'une seule fois. Les valeurs les institutions, les systèmes d'organisation. Et Ceci n'arrivera pas quand les leaders mondiaux seront assis à la table de l'ONU pour discuter. Car ils ont leurs propres intérêts... cela arrivera quand chacun de nous regardera en lui-même et changera ce qui sera nécessaire pour le bien de tous. Quand nous regarderons à l'intérieur de nous-mêmes et aimerons ce que l'on verra. Sans les déguisem*nts et masques que nous adorons créer. Nous devons abandonner nos années et années de culture nocive et commencer à reconstruire nos visions du début, basées sur la volonté de l'être humain de faire le bien se sentir partie de quelque chose et surtout de continuer à exister. Difficile? – je vous le demande ironiquement. Peut-être... seulement jusqu'à ce que nous commencions à essayer.

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"...este delicioso prato típico brasileiro será excepcionalmente servido em Paris, no Salão Nobre da Unesco, por 5 privilegiados garçons tupiniquins. Bom apetite!"

Deise Maria Dias Gonçalves

Universidade Estácio de Sá – Rio de Janeiro – RJ

FEIJÃO COM ARROZ À MODA DO REI INGREDIENTES 1 país tropical chamado Brasil, 200 milhões de habitantes, 1 prato fundo de educação fundamental, Escola para todos, Sopa de letrinhas para abrir o apetite, Merenda escolar com fartura e delícia, Goiabada de sobremesa, Mais histórias do Ziraldo e canções de ninar, 1 caldeirão de justiça social, Toneladas de dignidade e muita paz no coração, Respeito às desigualdades, à diversidade e ao meio-ambiente, 1 fitinha do Senhor do Bonfim, Bombons brancos e pretos para o recheio da massa, Uma pitadinha de índios para dar um sabor exuberante, Saúde, segurança e um tiquinho de sol, 1 xícara de poesia, que nunca é demais, Lazer, prazer, moradia, pitangas e macaxeiras, Rita Lee de dia, Tom Jobim de noite, Jardins, flores, serenatas, parques e amor ao próximo, Mar, pôr-do-sol e depois lua cheia, Ah, claro, o feijão e o arroz!, Se for domingo, com caipirinha, E uma coroa dourada de rei para cada brasileiro valente MODO DE FAZER: Vestir o avental verde e amarelo. Colocar todos os ingredientes no liqüidificador e bater sem pressa. Deixar a pobreza de fora. Lixo com ela. Enquanto olha a mistura girar, cante uma cantiga de roda para dar o ponto de puxa-puxa à mistura. Levante a tampa e esfarele delicadamente, com as pontas dos dedos, porções generosas de ética, cidadania, luta, sonho e coragem. Acrescente esperança e uma colher de sopa de caramelo e volte a bater, agora rapidamente. Abra o copo e ulalá! Se a senhora vir lá dentro algo de aparência bem heterogênea que lhe lembre um pudim de gelatina colorida, uma miscelânea de cores, como um caleidoscópio, é sinal de que a sua receita deu certo, parabéns. Repare, é como ver gente de todas as raças se abraçando e cantando e dançando feliz na chuva. Lá no fundo afinal, reina, soberano, o feijão com arroz, o grande personagem culinário deste manjar dos deuses. Despejar tudo numa forma untada com margarina e pincelar com gema de ovo. Por cima, claras em neve. Forno quente durante os noventa minutos do Fla-Flu e está pronto.

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PORÇÕES: Milhões de potinhos, com direito a repetição GUARNIÇÕES: Purê de boas intenções, Salada de políticas públicas, Panqueca de investimentos sociais, Banana à milanesa com desenvolvimento nacional, Farofa de passas com objetivos populares desfiados e, touchê, o crème de la crème: o sentimento de brasilidade à dorê. ATENÇÃO: SERVIR COM CONVICÇÃO E COMER SEM MODERAÇÃO OBS: Em junho deste ano, este delicioso prato típico brasileiro será excepcionalmente servido em Paris, no Salão Nobre da Unesco, por 5 privilegiados garçons tupiniquins. Bom apetite!

.......................................... "...this year, in June, five privileged tupiniquim waiters shall specially serve this delicious Brazilian dish in Paris, at Unesco's Noble Room." RICE AND BEANS A LA KING INGREDIENTS 1 tropical country called Brazil, 200,000,000 habitants, 1 deep plate of basic education, school for everyone, letter soup as appetizer, abundant and delicious school lunch, guava cheese for dessert, add Ziraldo's books and some lullabies, 1 cauldron of social justice, tones of dignity and a whole bunch of peace in the heart, respect to inequalities, to the diversity and to environment, 1 Senhor do Bonfim's ribbon, white and black chocolate candies for the dough stuffing, one pinch of Indians to give an exquisite flavor, health, security and a tiny bunch of sun, 1 cup of poetry, which never is enough, leisure, pleasure, dwelling, Brazilian cherries and manioc, Rita Lee in the day, Tom Jobim in the night, gardens, flowers, serenades, parks and love to your neighbor, sea, sunset and then full moon, and, of course, beans and rice!, if it's Sunday, with caipirinha, and a golden king's crown for each brave Brazilian. DIRECTIONS: Wear your green and yellow apron. Combine all ingredients on your blender and blend slowly. Do not put poverty. Send poverty to the trash. While you see the mixture blending, sing a merry-go-round to give a sticky point to the mixture. Open the blender and crumble gently, with your fingertips, generous portions of ethics, citizenship, struggle, dreams, and courage. Add hope and a tablespoon of caramel soup and blend again, fastly. Open the cup and uh-la-la! If you see inside the cup something very heterogeneous, which resembles a colorful jelly pudding, a mix of colors, like a kaleidoscope, then Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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your recipe is just fine, congratulations. See, is just like seeing people from all races hugging and singing and dancing happy in the rain. Below, ruling as kings, there is the bean and rice dish, the great culinary character of this food of the gods. Place the mix on a pan greased with butter and paint with yolk. On the top, spread beaten egg whites. Bake in hot oven during the ninety minutes of a Fla-Flu [traditional soccer game] and it's done. PORTIONS: Millions of small pots, with the right to repeat SIDE DISHES: Best intentions mashed with potatoes, public policies salad, social investments pancake, banana fried on manioc flour with national development, farofa with raisins and the best projects for the underprivileged, and – touché – la crème de la crème [the best of the best]: a golden feeling of "Brazilianship". WARNING: TO BE SERVED WITH CONVICTION AND EATEN WITHOUT MODERATION Note: this year, in June, five privileged tupiniquim waiters shall specially serve this delicious Brazilian dish in Paris, at Unesco's Noble Room

.......................................... "...ce délicieux plat typique brésilien sera exceptionnellement servi à Paris, au Salon Noble de l'Unesco, par 5 garçons tupiniquins (indiens) privilégiés. Bon appétit!" HARICOTS AU RIZ À LA MODE DU ROI INGRÉDIENTS 1 pays tropical appelé Brésil, 200 millions d'habitants, 1 plat creux d'éducation fondamentale, Ecole pour tous, Soupe de petites lettres pour ouvrir l'appétit, Goûter scolaire en abondance et délice, dessert de Goiabada (goyave), Plus histoires de Ziraldo et berceuses, 1 marmite de justice sociale, des tonnes de dignité et beaucoup de paix dans le coeur, Respect aux inégalités, à la diversité et à l'environnement, 1 ruban du Seigneur du Bonfim, Chocolats blancs et noirs pour fourrer la pâte, Une pincée d'indiens pour Donner une saveur exubérante, Santé, sécurité et un peu de soleil, 1 tasse de poésie, qui n'est jamais de trop, Loisir, plaisir, habitation, pitangas (fruits rouges) et macaxeiras (plantes), Rita Lee le jour, Tom Jobim la nuit, Jardins, fleurs, sérénades, parcs et amour du prochain, Mer, coucher du soleil et ensuite pleine lune, Ah, bien sûr, les haricots

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et le riz!, Si c'est dimanche, avec de la caipirinha (boisson à base d'alcool de canne à sucre), Et une couronne dorée de roi pour chaque brésilien vaillant MODE DE PRÉPARATION: Mettre le tablier verte et jaune. Mettre tous les ingrédients dans le mixeur et battre doucement. Laisser la pauvreté en dehors. Les ordures avec. Tandis que vous regardez tourner le mélange, chantez un refrain de samba pour Donner un point d'élasticité au mélange. Levez le couvercle et saupoudrez délicatement de la point des doigts, des portions d'étique, de citoyenneté, de lutte de rêve et e courage Ajoutez l'espoir et une cuillère à soupe de caramel et battez de nouveau, maintenant rapidement. Ouvrez le verre et oulalá! Si vous voyez dedans quelque chose d'apparence bien hétérogène que vous rappelle un gâteau de gélatine colorée, une mélange de couleurs, comme un caléidoscope, c'est un signe que votre recette a réussi, félicitations. Observez, c'est comme voir des gens de toutes les races se serrant dans les bras en chantant et dansant heureux sous la pluie. Au fond enfin, reine, souverain, les haricots et le riz, le grand personnage culinaire de ce banquet des dieux. Verser le tout dans un moule enduit de margarine et badigeonnez au jeune d'œuf. Par-dessus, les blancs en neige. Four chaud pendant quatre vingt dix minutes du Fla-Flu et c'est prêt. PORTIONS: des millions de petit* pots, avec droit à se resservir GUARNITURES: Purée de bonnes intentions, Salade de politiques publiques, Crêpe d'investissem*nts sociaux, Banane à la milanaise avec développement national, Farine de manioc aux raisins secs avec objectifs populaires en lamelles et, touché, la crème de la crème: le sentiment de " brasilité "doré. ATENTION: SERVIR AVEC CONVICTION ET MANGER SANS MODÉRATION OBS: En juin de cette année, ce délicieux plat typique brésilien sera exceptionnellement servi à Paris, au Salon Noble de l'Unesco, par 5 garçons " tupiniquins " (indiens) privilégiés. Bon appétit!

Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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"...a pobreza e a desigualdade enraizaram-se no inconsciente coletivo e transformaram-se, ao longo do tempo, numa plataforma, num sistema operacional..."

Edmario José Batista

Faculdade Maurício de Nassau – Recife – PE

Como vencer a pobreza e a desigualdade? É fácil responder isso. Os que sempre fizeram essa pergunta têm a resposta. Quem tem a resposta precisa apenas agir coletivamente. Mas, como esperar esse tipo de iniciativa por parte das estruturas políticas, econômicas e religiosas que vivem se digladiando em nome do poder, do dinheiro e da miséria? Como querer sombra num deserto ao meiodia, que suga todas as águas e impossibilita o crescimento das árvores? Melhor do que tentar vencê-las é compreendê-las para depois transcendêlas. A pobreza e a desigualdade são mazelas da nossa sociedade de consumo. São parâmetros da cultura do ter, que classificam e separam as pessoas pelo que elas possuem. E, na condição de parâmetros, são necessárias à manutenção atual dos sistemas estruturados na antiqüíssima exploração humana, que hoje se diferencia apenas pelo jogo de palavras e imagens. Será que podemos negar o fato de que elas justificam e garantem o sucesso dos empreendimentos ideológico-financeiros de grupos minoritários do topo da pirâmide social? Eis as guerras, as copas mundiais de futebol e a competitividade, exemplos claros dessa lógica belicosa de mercado; desse tipo de desenvolvimento que concentra renda e favorece a uns poucos em detrimento de uma maioria, que vive na base dessa mesma pirâmide. Mesmo assim, há os que, na base, defendem, reforçam e mantêm, por décadas, a vigência dessas chagas na coletividade. Isso é reflexo da ideologia do ter, da ilusão do possuir e do diferenciar-se do outro. Conseqüentemente, a pobreza e a desigualdade enraizaram-se no inconsciente coletivo e transformaram-se, ao longo do tempo, numa plataforma, num sistema operacional validado para as relações humanas e, principalmente, econômicas. Mas, se de um lado elas garantem o progresso material de grupos minoritários, do outro, fomentam o progresso humano, que é gestado na polifonia social dos seres, com sua troca de experiências e impressões sobre o mundo e as coisas. É neste grande jardim de pensamentos e ações que a imposição cultural do espírito mercantil se dilui. E abre os caminhos para as alternativas de desenvolvimenUnesco | Folha Dirigida

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to sustentável e para o raiar dos valores mais nobres do ser. Então, diria que, para vencê-las, devemos nortear nossas relações pelos valores humanos e não mais pelos econômicos. Esses últimos transformam o homem em algo descartável e agente poluidor, garantindo-lhe apenas a pobreza e a desigualdade; distorcendo, assim, sua condição natural de "ser". E somente como ser humano é que podemos reconhecer-nos nos outros e viabilizar uma sociedade melhor, que contemple as pessoas do hoje e do amanhã. Vencê-las não é criar novas guerras, novos estratos, novas formas sutis de exploração e comodismo. É sermos naturais e trabalharmos no vazio da mente, berço de todas as coisas materializadas pela comunidade planetária. É desenvolver uma educação humanitária e pacífica. É aprender e se espelhar na natureza que provê; no sol que brilha; na água que sacia e nos alimentos que nutrem, incondicionalmente todas as pessoas que deles necessitam. Na condição de ser racional, utilizei trinta e cinco linhas para dissertar sobre como vencer a pobreza e a desigualdade. É dessa forma, com muita fala e pouca ação, que reagimos às problemáticas sociais. Mas, como ser humano que ousa experienciar, utilizo apenas uma palavra: o Coração, que aliado à racionalidade, é a força-motriz para dissolver esses males. E, à medida que as pessoas permitem-se auscultá-lo, a prosperidade começará e a Paz também.

.......................................... "...poverty and inequality took roots at the collective unconsciousness and became, with the passing of time, a platform, an operational system..." How can we stop poverty and inequality? It is easy to answer that. The ones who always make the same question have the answer. And the ones who have the answer should only act collectively. But, how can we expect such initiative from the political, economical, and religious structures, if they are only fighting between them for power, money and misery? How can we expect to find a shade in the desert at noon, when the desert ends with all water sources and prevent trees from growing? Better than try to beat it is to understand it and then overcome it. Poverty and inequality are stains of our consumption society. Both are parameters of the "must have" culture, classifying and separating people for what they have. As parameters, both are necessary to maintain the systems built over the historical

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human exploitation, which are different only because of the new use of words and images. Can we deny that poverty and inequality justify and warrants the success of financial and ideological enterprises of small groups at the top of the social pyramid? There are the wars, the world cups and competitiveness, clear examples of the market's war logic, of the development that concentrates incomes e favors a few to detriment of many people who are at the basis of the pyramid. Even though, there are some people in the pyramid basis who are protecting, reinforcing and maintaining – for decades – this collective wounds. This is a reflex of the "must have" ideology, of the illusion to possess something and then become different from the others. Consequently, poverty and inequality took roots at the collective unconsciousness and became, with the passing of time, a platform, an operational system validated for human relations and, most of all, economic relations. If, from one side, these people warrant the material progress of small groups, from the other, they provide human progress, which is based of social multiplicity of human beings, sharing their experiences and impressions about the world and the things. It is here, is this large garden of thoughts and actions that the cultural imposition of the mercantile spirit is diluted, Opening the ways to sustainable development alternatives and to raise more noble human values. So, I would say that, to overcome it, we must guide our relations by human values instead of economical values. The latter transform man in something disposable and in a pollutant agent, warranting him only poverty and inequality, thus distorting his natural quality of "being". Only as human beings, we can manage to recognize us one in the other and build a better society, which contemplates people from the present and the future. Overcome it doesn't mean to create new wars, new stratums, new subtle forms of exploration and complacence. We must be natural and work our minds emptiness, which is the start of all material things in the planet's community. We must develop a humanitarian and peaceful education. We must learn how to reflect ourselves in the nature that supplies, in the sun that shines, in the water that satiates, in the food that feed, unconditionally, us, the people who need all of it. As a rational being, I have used 35 lines to write about overcoming poverty and inequality. It is in that way, with too much talk and too little action, which we react to social issues. But, as a human being who dares to experience, I will use only one word: Heart, which, allied to reason, is the motor to stop these evils. When people start to listen to their hearts, prosperity shall come, and Peace shall come.

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"...la pauvreté et l'inégalité se sont enracinées dans l'inconscient collectif et se sont transformées, au fil du temps, en une plateforme, en un système opérationnel..." Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité? C'est facile d'y répondre. Ceux qui ont toujours pose cette question ont la réponse. Celui qui a la réponse doit à peine agir collectivement. Mais, comment espérer ce genre d'initiative de la part des structures politiques, économiques et religieuses qui vivent dans la lutte au nom du pouvoir, de l'argent et de la misère? Comment vouloir de l'ombre dans un désert à midi, qui aspire toutes les eaux et empêche la croissance des arbres? Mieux qu'essayer de les vaincre c'est les comprendre pour ensuite les transcender. La pauvreté et l'inégalité sont les maux de notre société de consommation. Ce sont des paramètres de la culture du " posséder ", qui classent et séparent les personnes par ce qu'elles possèdent. Et, dans la condition de paramètres, sont nécessaires à la manutention actuel des systèmes structurés dans la très ancienne exploitation humaine, qui aujourd'hui se différencie à peine par le jeu de mots et images. Pourra-t-on nier le fait qu'elles justifient et assurent le succès des entreprises idéologiques et financières de groupes minoritaires du sommet de la pyramide sociale? Voilà les guerres, les coupes du monde de football et la compétition, exemples claires de cette logique belliqueuse de marché; de ce genre de développement qui concentre les revenus et favorise peu de personnes au détriment d'une majorité, qui vit sur la hase de cette même pyramide. Même ainsi, il y a ceux qui, à la base, défendent, renforcent et maintiennent, pendant des décades, la vigueur de ces blessures dans la collectivité. Ceci est le reflet de l'idéologie de l'avoir, donne l'illusion de posséder et de se différencier de l'autre. En conséquence, la pauvreté et l'inégalité se sont enracinées dans l'inconscient collectif et se sont transformées, au fil du temps, en une plateforme, en un système opérationnel validé par les rapports humains et, surtout économiques. Mais, si d'une part elles assurent le progrès matériel de groupes minoritaires, de l'autre, stimulent le progrès humain, qui est géré dans la polyphonie sociale des êtres, avec son échange d'expériences et impressions sur le monde et sur les choses. C'est dans ce grand jardin de pensées et d'actions que l'imposition culturelle de l'esprit mercantile se dilue. Et ouvre les chemins aux alternatives de développement durable et au rayonnement des valeurs plus nobles de l'être. Alors, je dirais que, pour les vaincre, nous devons orienter nos rapports par les valeurs humaines et non plus par les valeurs économiques. Celles-ci

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transforment l'homme en quelque chose de jetable et agent polluant, lui garantissant à peine la pauvreté et l'inégalité; distordant ainsi sa condition naturelle d"être". C'est seulement comme être humain que nous pouvons nous reconnaître dans les autres et viabiliser une société meilleure, qui considère les personnes d'aujourd'hui et de demain. Les vaincre n'est pas créer de nouvelles guerres, de nouvelles couches, de nouvelles formes subtiles d'exploitation et de commodité. C'est que nous soyons naturels et que nous travaillions dans le vide de l'esprit, berceau de toutes les choses matérialisées par la communauté planétaire. C'est développer une éducation humanitaire et pacifique. C'est apprendre et se refléter dans la nature qui approvisionne; dans le soleil qui brille; dans l'eau qui rassasie et dans les aliments qui nourrissent, inconditionnellement toutes les personnes qui en ont besoin. Dans la condition d'être rationnel, j'ai utilisé trente cinq lignes pour disserter sur comment vaincre la pauvreté et l'inégalité. C'est de cette façon, en parlant beaucoup et en agissant peu, que nous réagissons aux problématiques sociales. Mais, comme être humain qui ose expérimenter, j'utilise un mot: le Coeur, qui allié de la raison, est la force motrice pour dissoudre ces maux. Et à mesure que les personnes se permettent de l'ausculter, la prospérité commencera et la Paix aussi.

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"Meu pai sabia que tudo começaria a mudar a partir de mim, tudo começa a partir de cada um."

Elise Sayuri Yoshida

CESUMAR – Centro Universitário de Maringá – Maringá – PR

A VITÓRIA APARECE PARA QUEM BUSCA Lembro como se fosse hoje. Minhas duas irmãs e eu estudávamos no período da tarde, mas sempre tínhamos de acordar bem cedo para ajudar meus pais. Lavar a roupa, arrumar a casa, regar a horta, ajudar na feira. Tarefas básicas, mas as duas reclamavam um bocado. – Não enche, quero dormir! – Você acha que sou empregada? Elas sempre diziam desaforos desse tipo. Como sou a filha do meio, tentava aconselhar minha irmã mais nova e pedia para a mais velha maneirar. E adiantava alguma coisa? Meus pais diziam estar tudo bem, mas eu via que eles realmente ficavam tristes. Morávamos na roça, mas nada se assemelhava àquela paisagem bonita que aparece nas novelas. Não tínhamos energia elétrica, água encanada muito menos colchões para dormir. Mesmo assim meu pai, principalmente, sempre fez de tudo para que freqüentássemos a escola, por mais precária que fosse. Ele dizia que o estudo é que iria traçar nosso destino. Eu não me conformava com aquelas condições e sempre reclamava que o governo deveria mudar, renovar, dar mais atenção à população. E sempre que eu resmungava sobre a atuação governamental meu pai dizia que "não adianta ficar reclamando". Eu não entendia direito, ele parecia ser tão conformado, mas sempre ficava quieta. Além das aulas em uma escola relativamente perto de casa, considerando a distância das outras, o meu pai também conseguiu que uma mulher, cliente antiga da nossa barraca na feira, ensinasse inglês a mim e para minhas irmãs. Claro que em troca de algumas verduras e legumes. Quando ele me deu a notícia fiquei extremamente feliz, não via a hora de começar a aprender! Minhas irmãs reclamaram e até disseram que meu pai fazia aquilo só para elas não terem tempo de sair ou dormir um pouco mais. Acabaram nem indo às aulas, mas eu aproveitei cada segundo e cada vez me fascinava mais. Passaram-se alguns anos e minha irmã mais velha quis sair de casa e morar sozinha na cidade. Depois de um tempo ela voltou, acabada. Havia se envolvido com drogas, roubos e se dizia arrependida. Meus pais a receberam de braços Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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abertos e ela vive com eles até hoje. Mesmo dando alguns problemas, creio que eles preferem tê-la por perto. Minha irmãzinha acabou engravidando e se casando cedo. As duas nunca terminaram os estudos e nem ao menos tentaram. Continuam reclamando da vida, do governo, do destino... Ah! E eu? Continuei estudando naquela escolinha por um tempo, depois fui atrás de uma bolsa em escolas melhores e acabei conseguindo. Arranjei também um emprego e pude ajudar um pouco no orçamento de casa, além de cursar inglês em uma escola especializada. Tive algumas dificuldades na época de vestibular, afinal não tinha uma base muito boa. Mas depois de muito estudo e esforço, consegui entrar em uma faculdade e hoje sou gerente de uma empresa. Foi então que parei para pensar naquilo que meu pai sempre dizia quando eu começava a reclamar. Ele não era e nunca foi conformado. Mas sabia que para eu conseguir vencer a pobreza e a desigualdade não adiantaria ficar achando defeitos e falta de ações nos outros. Meu pai sabia que tudo começaria a mudar a partir de mim, tudo começa a partir de cada um.

.......................................... "My father knew that everything would change through me, because everything starts through one." VICTORY COMES FOR THOSE WHO SEARCH IT I remember as if it was today. My two sisters and me used to study in the afternoon, but we had to wake up early to help our parents: washing clothes, cleaning the house, watering the vegetable garden, helping in the street market. These are basic tasks, but my sisters complained a lot. "Get out. I want to sleep!" "Do you think I'm your maid?" They always said insolences like that. As being the second daughter, I tried to give a good advice to my little sister and asked the older one to be nice. But that was useless? My parents said it was OK, but I knew that they were sad. We lived in the country, but the landscape wasn't in no way as beautiful as in the soap operas. We didn't have electric power, piped water, or mattresses to sleep on. But my father, mainly, always did the best of him so that we could go to school, as bad as it may seem to be. He used to say that education would define our destiny. I couldn't accept such bad conditions and always complained the government should change, renovate, and give more attention to the population. And whenever I complained about the government my father said: "there's no use in complaining." I didn't understand, he seemed so resigned, but I never said anything.

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Besides enrolling us in a school that was relatively close to our home, considering the distance of other schools, my father also asked a woman, an old client of our stand in the street fair, to give me and my sisters English lessons in exchange for some greens and vegetables. When he gave me the news I was extremely happy, I couldn't wait to start the lessons! My sisters complained and even said that my father did that only to prevent them for going out or sleep a little more. They've ended up quitting the lesson, but I took advantage of each second and became more and more fascinated. Some years passed and my older sister decided to leave home and live alone in the town. After a while she returned home, destroyed. She was involved with drugs and stealing, and she said she regretted it. My parents received her with open arms and she lives with them until today. Even causing some troubles, I believe they rather have her near. My little sister went pregnant and married early. Both of them never concluded their studies, they didn't even tried to. They still complain about life, government, and destiny... Oh! Me? I have continued to study in my little school for a while, and then I went for a scholarship in better school and succeeded. I've got a job and I was able to help at our house debts, and I began to study in an English course. I went through a hard time at my university admission exams, because I didn't have a very good educational basis. But after studying hard, I managed to enroll in a graduation course and today I'm the manager of a company. It was then when I stopped to think about what my father always said when I started complaining. He wasn't and never will be a resigned man. But he knew that to overcome poverty and inequality it was useless to point about the faults and misacting of others. My father knew that everything would change through me, because everything starts through each one.

.......................................... "Mon père savait que tout commencerait à changer à partir de moi-même, tout commence à partir de chacun." LA VICTOIRE APPARAÎT À CELUI QUI LA CHERCHE Je me souviens comme si c'était aujourd'hui. Mes deux sœurs et moi étudions l'après-midi, mais nous devions toujours nous réveiller bien tôt pour aider mes parents. Laver le linge, arranger la maison, arroser le potager, aider au marché. Tâches basiques mais toutes les deux se plaignaient beaucoup. – Arrête, je veux dormir!

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– Tu penses que je suis une bonne? Elles disaient toujours des grossièretés de ce genre. Comme je suis la fille du milieu, j'essayais de Donner des conseils à ma soeur plus jeune et je demandais à la plus vieille de se clamer. Et cela servait-il à quelque chose? Mes parents disaient que tout allait bien, mais moi je voyais qu'ils étaient vraiment tristes. Nous habitions à la campagne, mais rien de ressemblait à ce beau paysage qui apparaît dans les feuilletons. Nous n'avions pas l'électricité, d'eau potable et encore moins des matelas pour dormir. Même ainsi, mon père surtout, fit toujours de tout pour que nous fréquentions l'école, même la plus précaire. Il disait que c'étaient les études qui allaient tracer notre destin. Je ne me résignais pas à ces conditions et je me plaignais toujours disant que le gouvernement devait changer, renouveler, être plus attentif à la population. Et toujours lorsque je ronchonnais sur l'action du gouvernement mon père disait "ça ne sert à rien de se plaindre". Je ne comprenais pas bien, il semblait si résigné, mais je restais toujours calme. En plus des cours dans une école relativement proche de chez nous, considérant la distance des autres, mon père réussit qu'une femme, ancienne cliente de notre tente au marché, nous enseignât l'anglais à moi l'anglais et à mes soeurs. Bien sûr en échange de quelques verdures et légumes. Quand il me donna la nouvelle, j'étais très heureuse, je ne voyais pas l'heure de commencer à apprendre! Mes soeurs se plaignaient et dirent même que mon père faisait cela seulement pour qu'elles n'aient pas le temps de sortir ou de dormir un peu plus. Elles finirent à ne pas aller au cours, mais moi je profitais de chaque seconde et cela me fascinait chaque fois plus. Quelques années se passèrent et ma soeur plus vieille voulut partir de chez nous pour vivre seule en ville. Après une période, elle revint, accablée. Elle s'était mise à se droguer, à voler et disait qu'elle le regrettait. Mes parents la reçurent les bras grand ouverts et elle vit chez eux jusqu'aujourd'hui. Même si cela cause un peu de problèmes, je crois qu'ils préfèrent l'avoir près d'eux. Ma petite sœur finit par tomber enceinte et à se marier tôt. Les deux ne terminèrent pas leurs études et ni au moins essayèrent. Elles continuent à se plaindre de la vie, du gouvernement, du destin... Ah! Et moi? J'ai continué à étudier dans cette petite école pendant un moment, ensuite j'ai essayé d'avoir une bourse dans de meilleures écoles et j'ai fini par réussir. J'ai réussi un emploi et ai pu aider dans le budget de la maison, en plus de faire des cours d'anglais dans une école spécialisée. J'ai eu quelques difficultés à l'époque du baccalauréat, car finalement j'avais de bonnes bases. Mais après beaucoup d'études et d'efforts, j'ai réussi à entrer en faculté et aujourd'hui, je suis gérante d'une entreprise. C'est alors que je me suis arrêtée pour penser à ce que mon père disait toujours quand je commençais à me plaindre. Lui n'était pas et n'a jamais été résigné. Mais savait que pour que je réussisse à vaincre la pauvreté et l'inégalité cela ne servirait à rien de trouver des défauts et manque d'actions chez les autres. Mon père savait que tout commencerait à changer à partir de moi-même, tout commence à partir de chacun.

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"A partir do momento em que a educação é colocada como prioridade na vida do homem, este não tem medo de enfrentar os preconceitos, as dificuldades e o trabalho."

Elitânea Gomes Xavier

Uni-Anhanguera – Centro Universitário de Goiás – Goiânia – GO

VENCER DIGNAMENTE Viver não é fácil! Nascer na classe social mais baixa torna a vida ainda mais difícil. Mas, com a capacidade de raciocinar o homem busca a sobrevivência de todas as formas. E alguns se sobressaem, pois não querem apenas sobreviver e sim ter uma vida digna, podendo desfrutar dos bens materiais e a boa qualidade de vida que o sistema capitalista proporciona as classes sociais mais altas. Ai o desafio! Como vencer a pobreza e a desigualdade? Bem! Podem-se citar algumas formas como: retirar daquele que tem muito e tomar para si, mas, isso é chamado de roubo; pode-se pegar alguém de classe social alta e trocá-lo por certa quantidade de dinheiro, mas, isso é chamado de seqüestro. E ambos são crimes, e pode ser condenado por eles. Como vencer de forma legal e justa? Existe uma palavra que resume este paradigma: Educação! É na escola que está o segredo da ascensão social. Por que estudar? Com a educação pode-se: ultrapassar fronteiras e conhecer o mundo. Antes inatingível por quem não pode financiar viagens para vários pontos geográficos. A geografia e a história levam o estudante a conhecer diferentes culturas, e compreender o homem em sociedade. O estudo da língua portuguesa enriquece o vocabulário e leva o estudante a alcançar um bom nível de oratória, esta que é um chamariz de liderança, onde ser líder é o diferencial na sociedade. Ninguém nasce líder, independentemente da classe social, torna-se um; e ganhar ou não a multidão ou o grupo empresarial dependerá apenas da coragem de trabalhar, e não esperar favores dos outros. Com os cálculos matemáticos atinge-se à capacidade de administrar seus orçamentos, saber como investir o 'salário família' financiado pelo governo, as 'moedas ganhadas no sinal', ou ajudar os pais que ganham o 'salário mínimo' a não passar fome, pagar impostos, água, luz, telefone e ônibus, e ainda sobrar algum para reunir a família para um almoço de domingo. É fundamental compreender como são formadas as moléculas que dão for-

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mas às coisas existentes, entender as transformações por causa do uso desregrado de combustíveis fósseis, e como os esses seres vivos podem fazer para reverter situações de calamidade. Além de buscar novas tecnologias para usar os elementos químicos a favor da vida. Limites! Foram feitos para serem superados. O homem sobrepõe casas sobre casas, dá asas a máquinas ao ponto de ir à Lua, constroem satélites que descobrem um planeta parecido com a terra. Usam a Física sem saber, onde constroem barracos, para abrigarem-se, dormem em grupos para trocarem calor e não morrerem congelados no inverno. Enquanto a infra-estrutura das cidades não projeta um lugar para os sem tetos. Pois a Biologia esta ai para explicar por que este os seres humanos sentem calor, frio e fome, e a ainda como funciona um cérebro que não se dá por vencido e busca uma vida digna. Educar. Essa é a fórmula! Buscar novos conhecimentos e trabalhá-los ao seu favor. A partir do momento em que a educação é colocada como prioridade na vida do homem, este não tem medo de enfrentar os preconceitos, as dificuldades e o trabalho. Assim educado e obstinado, ele supera a pobreza e a desigualdade social. Oferecer a todos a mesma oportunidade de estudar é permitir que os talentos de cada um apareçam e torne a competitividade mais justa. Educação de qualidade torna a vida em sociedade mais fácil.

.......................................... "From the moment that education is considered a priority at a man's life, he wouldn't fear to face prejudice, difficulties, and work." TO WIN WORTHILY It is not easy to live! Being born at the lowest social class makes life even harder. But, thanks to his capacity to reason, man struggles for survival in every way. Some are more successful, because they don't want only to survive but also to have a worthy life, they want to enjoy goods and a best life quality capitalist system can provide to the highest social classes. There's the challenge! How can we stop poverty and inequality? Well! We can list some ways, such as: you can take away things from the ones who had a lot and keep it, but this is called to steal; you can catch someone of a high social class and exchange him/her for money, but this is called to kidnap. Both are crimes, and you may be convicted for it. How can we win in a legal and fair way? There's a word to answer that question: Education! The secret of social ascent lies on the school. Unesco | Folha Dirigida

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Why should we study? With education, you can: Broke barriers and know the world. This is something that's unattainable for someone who cannot afford trips to many destinies in the world. Geography and history show the student new cultures, to understand man within society. Portuguese classes enrich the student's vocabulary and help him to achieve good skills in oratory, for a good speech is a signal of leadership, and being a leader is a differential in our society. Nobody is a natural born leader, one can become one, regardless of social class; winning or not the attention of a crowd or of a business group will depend only of the braveness to work, instead of expecting other's favors. With mathematical calculus, one learn how to manage welfare budgets, to administrate a "family salary" from the government welfare program, the "coins gained begging at the street crossings", or prevent the parents who earn a "minimum salary" to live in hunger, help them to pay water, electricity, and phone bills, taxes, transport, and still have a little extra for the family's Sunday lunch. It is extremely important to understand how the molecules that form to existing things are formed, understand the changes caused by the indiscriminate use of fossil combustibles, and what could these living beings do to revert calamity situations, besides searching new technologies to use chemical elements to improve our lives. Limits: They exist to be surpassed. Man superposes houses over houses, give wings to machines that can even reach the moon, built satellites that can discover a planet just like the Earth. Man uses Physics without even realizing it, building shanties, sleeping in groups to exchange body heat and not to die by frost in the winter. While the cities' structure do not provide a place for the homeless. By Biology can explain why human beings fell heat, cold, and hunger, or yet how our brain works, denying to accept a defeat and searching for a worth life. Education. That's the formula! We must search for new knowledge and use it at our favor. From the moment that education is considered a priority at a man's life, he wouldn't fear to face prejudice, difficulties, and work. Educated and obstinate, one can overcome poverty and social inequality. If we offer everybody the chance to study, we will allow each person's talents to appear and then provide a more fair competition between them. Quality education makes life in society easier.

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"A partir du moment ou l'éducation est placée comme priorité dans la vie de l'homme, celuici n'a pas peur d'affronter celui-ci les préjugés, les difficultés et le travail." VAINCRE DIGNEMENT Vivre n'est pas facile! Naître dans la classe sociale la plus basse rend la vie encore plus difficile. Mais, avec la capacité de raisonner l'homme cherche la survie de toutes les manières. Et certains se distinguent, car ils ne veulent pas seulement survivre mais avoir une vie digne, pouvant jouir des biens matériels de la bonne qualité de vie que le système capitaliste offre aux classes sociales plus élevées. C'est là le défi! Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité? Bien! On peut citer quelques formes comme: tirer de celui qui a beaucoup et le prendre pour soi, mais cela s'appelle vol; on peut prendre quelqu'un d'une classe sociale élevée et l'échanger pour une certaine quantité d'argent, mais ceci s'appelle séquestre. Et tous les deux sont des crimes, et on peut être condamner pour eux. Comment vaincre de manière légale et juste? Il existe un mot qui résume ce paradigme: Education! C'est à l'école que se trouve le secret de l'ascension sociale. Pourquoi étudier? Avec l'éducation, on peut: dépasser les frontières et connaître le monde. Avant inatteignable pour celui qui ne peut financer des voyages vers divers points géographiques. La géographie et l'histoire amènent l'étudiant à connaître différentes cultures, et comprendre l'homme en société. L'étude de la langue portugaise enrichit le vocabulaire et amène l'étudiant à atteindre un bon niveau d'oratoire, celle qui est une attraction de commandement, où être leader est le différentiel dans la société. Personne naît leader, indépendamment de la classe sociale, il le devient; et gager ou pas la foule ou le groupe d'entreprise dépendra à peine du courage de travailler et non d'attendre les faveurs des autres. Avec les calculs mathématiques on atteint la capacité d'administrer leurs budgets, savoir comment investir le 'salaire famille' financé par le gouvernement, les 'pièces de monnaie gagnées au feu rouge', ou aider les parents qui ont gagné le 'salaire minimum' à ne pas avoir faim, payer les impôts, l'eau, la lumière, le téléphone et l'autobus et il reste même quelque chose pour réunir la famille pour un déjeuner le dimanche. Il est fondamental de comprendre comment sont formées les molécules qui donnent formes aux choses existantes, comprendre les transformations à cause de l'utilisation déréglée de combustibles fossiles, et comment ces êtres vivants peuvent faire pour renverser des situations de calamité. En plus de chercher de nouvelles technologies pour utiliser les éléments chimiques en faveur de la vie. Unesco | Folha Dirigida

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Limites! Elles sont faites pour être dépassées. L'homme superpose des maisons sur des maisons, donne des ailes aux machines au point d'aller sur la Lune, construisent des satellites qui découvrent une planète semblable à la terre. Utilisent la Physique sans savoir, où ils construisent les baraques, pour s'abriter, dorment en groupe pour échanger la chaleur et ne meurent pas congelés en hiver. Tandis que l'infrastructure des villes ne projette pas d'endroit pour les sans toits. Car la Biologie existe pour expliquer pourquoi ces êtres humains sentent la chaleur, le froid et la faim, et encore comment fonctionne un cerveau qui ne se donne pas pour vaincu et cherche une vie digne. Eduquer. C'est la formule! Chercher de nouvelles connaissances et les travailler en sa faveur. A partir du moment ou l'éducation est placée comme priorité dans la vie de l'homme, celui-ci n'a pas peur d'affronter les préjugés, les difficultés et le travail. Ainsi éduqué et obstine il surpasse la pauvreté et l'inégalité sociale. Offrir à tous la même opportunité d'étudier c'est permettre que les talents de chacun apparaissent et rende la compétition plus juste. Education de qualité rend la vie en société plus facile.

Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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“somente de forma coletiva e concertada o desejo de um mundo melhor para todos se transformará em realidade”

Emmily Teixeira de Araújo

Universidade Federal do Acre – Rio Branco – AC

QUANDO O SEGREDO É SAIR DO INFINITIVO: COMO VENCER A POBREZA E A DESIGUALDADE O sonho de uma sociedade na qual se privilegie o trabalho, a cidadania e a dignidade humana existem há muito tempo. Ele está presente no manifesto de Marx, na militância de Gandhi pela paz e por justiça entre os povos, na luta de Chico Mendes em defesa do meio ambiente, nos discursos de Rui Barbosa, nas poesias de Pablo Neruda. Mas quem melhor sintetizou essa idéia foi o filósofo grego Aristóteles: "a virtude é o meio-termo e o vício se dá ou na falta ou no excesso". Ele não poderia ter sido mais perfeito e sua conclusão, embora escrita há séculos, nunca se mostrou tão evidente como nos dias de hoje. Os fogos de artifício que iluminaram e coloriram os céus do planeta na virada do século 21 não vieram acompanhados do futuro maravilhoso que se esperava. O novo milênio trouxe ainda mais miséria, desigualdade, doenças e violência entre as pessoas e contra o meio ambiente. Principalmente as regiões menos desenvolvidas ainda convivem com problemas graves como: dificuldades de acesso à educação e baixa qualidade das estruturas educacionais de muitos países, altas taxas de mortalidade infantil e precariedade do atendimento na rede pública de saúde (quando existe). Toda essa situação deixa claro que está na hora de repensar as políticas e elaborar uma nova visão de futuro para a humanidade. Para começar, seriam fundamentais alguns investimentos dos governos especialmente nas áreas da educação, garantindo-a – com qualidade – a um número maior de pessoas, e da saúde, de modo que a estrutura pública consiga atender à demanda existente, assegurando tratamento médico-hospitalar a todos, além de apostar na informação como estratégia para diminuir a incidência de doenças. Criar empregos, gerar renda e distribuí-la melhor. Já seria o bastante para o mundo experimentar uma transformação sem precedentes. Mas o esforço tem que vir também da iniciativa privada e da sociedade civil organizada, por meio de cooperativas, sindicatos, associações de moradores, ONG´s, grupos de jovens formados nas diversas igrejas (em quaisquer religiões). Só assim haverá uma mobilização social suficiente para a execução de proUnesco | Folha Dirigida

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jetos em escala e de forma conjunta, com parceiros de todos os setores, numa clara demonstração de que apesar das dificuldades, dos problemas políticos, da perversidade de algumas relações entre países e/ou empresas envolvidos no jogo da economia mundial, ainda é possível difundir a solidariedade, levando a todos a compreensão de que se cada um fizer "o que pode, com o que tem, onde estiver", simples atitudes e pequenas ações podem influir globalmente. Não é de hoje que a desigualdade é tema das discussões travadas na sociedade. A esperança de um futuro melhor há muito acompanha os seres humanos e foi expressa nas idéias de vários pensadores que, embora tenham vivido em épocas e condições diferentes, deixaram uma única mensagem: somente de forma coletiva e concertada o desejo de um mundo melhor para todos se transformará em realidade. É preciso acreditar que é possível, entender que depende de nós e, acima de tudo, lutar. O segredo é sair do infinitivo. Quando a humanidade aprender a conjugar esses verbos, vencer a pobreza e a desigualdade vai deixar de ser utopia para ser uma questão de tempo – de pouco tempo.

.......................................... “only in a collective and concerted way the desire for a better world for everyone would become a reality” WHEN THE SECRET IS AVOIDING THE INFINITIVE: HOW TO STOP POVERTY AND INEQUALITY The dream of a society that privileges work, citizenship and human dignity is here for a long time. It is in Marx's manifesto, in Gandhi's advocacy for peace and justice among all people, in Chico Mendes' fight to defend the environment, in Rui Barbosa's speeches, in Pablo Neruda's poetry. But the one who best described this idea was Aristotle, the Greek philosopher: "prosperity discovers vice, adversity discovers virtue." He couldn't be more wise and his conclusion, thought written centuries ago, never seemed so evident than today. The new bright future expected in the 21st century New Year's Eve did not came with the fireworks that gave bright and color to the sky. The new millennium brought even more misery, inequality, diseases, and violence against people and against the environment. The less developed regions – mainly -, still deal with severe problems like: difficult access to education and low quality of educational institutions in many countries, high rates of infant mortality and the precarious service in the public health net (when available). Such situation makes clear that Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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it is time to change policies and build a new future to humankind. To start, the government must perform crucial investments specially to provide the larger number of people with quality health and education, so that the structure would be proper to service the existing demand, warranting health assistance to everyone and providing information to prevent the spread and incidence of diseases. The government must also generate employment, to provide incomes and distribute it better. Just that would be enough for the world to face an unprecedented change. But the effort must also come from private entities and the organized civil society, by the means of cooperatives, trading unions, dwellers' associations, NGO's, church young men, and women groups (from all religions). Just then there will be a social mobilization wider enough to execute high scale and joint projects with partners from all sectors, thus demonstrating that, despite the difficult, the political issues and the cruel relation between countries and companies involved on the game of world markets it is still possible to share solidarity, and understanding that if each and everyone one "do the best they can, whatever it is, whenever it is", simple attitudes can generate global influence. Inequality is not a new subject in society's discussions. Humankind is expecting a brighter for a long time, and that hope was expressed by many thinkers who, despite living in different times and in different conditions, left a single message: only together and in accordance we can turn the desire of a better world to everybody into reality. We must believe it is possible, understand that it depends of us, and, above all, fight for it. The secret is avoiding the infinitive tense. When humankind could learn to conjugate these verbs, stopping poverty and inequality will no longer be a utopia and would become a matter of time – a small time.

.......................................... “c'est uniquement de façon collective et en commun accord que le désir d 'un monde meilleur pour tous pourra devenir réalité” QUAND LE SECRET EST SORTIR DE L'INFINITIF: COMMENT VAINCRE LA PAUVRETÉ ET L'INÉGALITÉ Le rêve d'une société dans laquelle on privilégie le travail, la citoyenneté et la dignité humaine existe depuis très longtemps. Il est présent dans le manifeste de Marx, dans la militance de Gandhi pour la paix et la justice entre les peuples, dans la lutte de Chico Mendes en défense de l'environnement, dans les discours Unesco | Folha Dirigida

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de Rui Barbosa, dans les poésies de Pablo Neruda. Mais celui qui a le mieux synthétisé cette idée a été le philosophe grec Aristote"la vertu est le moyen terme et le vice existe soit dans le manque soit dans l'excès. Il ne pourrait pas avoir été si parfait et sa conclusion, bien qu'écrite il y a des siècles, ne s'est jamais montrée si évidente comme dans les jours d'aujourd'hui. Les feux d'artifice qui ont illuminé et colorié les cieux de la planète pour le passage au 21ème siècle ne sont pas venus accompagnés de l'avenir merveilleux que l'on attendait. Le nouveau millénaire a apporté encore plus de misère, d'inégalité, de maladies et de violence entre les personnes et contre l'environnement. Principalement les régions moins développées vivent encore avec des problèmes graves comme: difficultés d'accès á l'éducation et faible qualité des structures éducationnelles de nombreux pays, forts taux de mortalité infantile et précarité d'accueil dans le réseau public de santé (quand il existe). Toute cette situation laisse Clair que l'heure est venue de repeser les politiques et élaborer une nouvelle vision du futur pour l'humanité. Pour commencer, certains investissem*nts des gouvernement seraient fondamentaux spécialement dans les secteurs de l'éducation, en l'assurant – avec qualité – à un nombre de personnes, et de la santé, de façon à ce que la structure publique réussisse à répondre à la demande existante, garantissant traitement médical hospitalier à tous, en plus de parier sir l'information comme stratégie pour diminuer l'incidence de maladies. Créer des emplois, générer des revenus et mieux les distribuer. Ce serait déjà suffisant pour que le monde expérimente une transformation sans précédents. Mais l'effort doit venir de l'initiative privée et de la société civile organisée, au moyen de coopératives, syndicats, associations d'habitants, ONG´s, groupes de jeunes formés dans les différentes églises (dans toutes religions). Seulement ainsi se fera une mobilisation sociale suffisante pour l'exécution de projets en échelle et de forme conjointe, avec des partenaires de tous les secteurs, dans une claire démonstration que malgré les difficultés, les problèmes politiques, de la perversité de certaines relations entre pays et/ou entreprises impliquées dans le jeu de l'économie mondiale, il est encore possible de répandre la solidarité, amenant à tous la compréhension de ce que chacun fera "ce qu'il peut, avec ce qu'il a, où qu'il soit", simples attitudes et petites actions peuvent influencer globalement. Ce n'est pas d'aujourd'hui que l'inégalité est le thème de discussions bloquées dans la société. L'espoir d'un avenir meilleur accompagne depuis longtemps les êtres humains et a été exprime dans les idées de nombreux penseurs, bien qu'ils aient vécu à des époques et dans des conditions différentes, ont laissé une seul message: seulement de manière collective et concertée le désir d'un monde meilleur pour tous se transformera en réalité. Il faut croire que c'est possible, comprendre que cela dépend de nous, et surtout, lutter. Le secret est sortir de l'infinitif. Quand l'humanité apprendra à conjuguer ces verbes, vaincre la pauvreté et l'inégalité cessera d'être une utopie pour être une question de temps – de peu de temps. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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"O suor que escorreu do meu rosto todas as vezes que subia e descia as ladeiras, foram enxugados pelo ânimo da vitória."

Erik Ricardo Melo Ribeiro

Faculdade Comunitária Santa Bárbara do Oeste – Sumaré – SP

DESTE SOLO GENTIL Percorro, em pensamentos, o morro da minha infância. O sol escaldava os telhados daquelas casas pobres e humildes, o ar quente passeava pelos pequenos cômodos que foram construídos por tijolos e tábuas. A travessia para o alto da favela, era um desafio cruel, a ladeira imensa desencorajava os nossos pés. O sinuoso beco, descendo de casa, até a parte baixa do morro, representava um percurso cansativo e indispensável. Todas as manhãs passávamos por ele, para chegar até a escola. A parte externa do edifício foi pichada e destruída pela burrice dos delinqüentes, deixando uma visão medonha. A sala de aula, destruída por pessoas sem qualquer tipo de interesse para o futuro, arruinava o palco de oportunidades. A cena era triste para meus olhos inocentes. Com perseverança contornei os obstáculos, buscando adquirir todo o conhecimento que o professor passava. Cada livro aberto, mundos eram descobertos, os sonhos alimentados por desejos incansáveis, trazendo esperança para uma realidade bruta. A escola, simples e pequena, acomodava a sabedoria dos sábios; homens que dela sabiam usufruir. O sobrado do Quinho, pequeno permuta de drogas, onde se fazia tráfico de tudo – da barata ao mais dispendioso. O local é famoso por ser o berço do crime, recebe pessoas com as piores intenções, muitos visitavam aquele ambiente e poucos conseguiram escapar de suas garras. Que saudades! Os velhos amigos dormem em um sono profundo, descansam de uma obra que nunca cumpriram. Os vermes comeram sua carne ociosa, destruída por um espírito pobre. Pouco adiante, a casa que morei, a longa viela de entrada. À esquerda, as praças abandonadas, as árvores marcadas por tiros perdidos, escondem um passado atormentado, de um lado, a inesquecível gangorra; ao fundo, o balanço que relembra as gargalhadas das crianças. Sobre o banco daquela praça, noites eu passava lendo os belos contos de Machado de Assis, um livro encontrado nas lixeiras dos bairros nobres da capital. Minha adolescência árdua ensinava o lado honesto da vida, nas ruas, eu trabalhava recolhendo latinhas de refrigerantes, papelões e todo o material reciclável, o lucro que recebia dava para ajudar nas despesas da casa e o que sobraUnesco | Folha Dirigida

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va eu ajuntava para pagar a minha faculdade. A bicicleta, vídeo game, computador ou um carrinho de controle remoto, eram presentes que teriam que esperar. Para alcançar tal meta, foi preciso abrir mão desses pequenos luxos. O morro discriminado pela alta sociedade, abriga pessoas de todo tipo, são pessoas iguais a mim e igual a você. A pobreza nunca foi motivo para deixar de acreditar na minha capacidade. No morro, sem identidade e endereço, vivi em um enorme labirinto, cheios de caminhos arriscados. O suor que escorreu do meu rosto todas as vezes que subia e descia as ladeiras, foram enxugados pelo ânimo da vitória. Eu sou um vencedor? Sim, eu venci a batalha, passei em primeiro lugar na faculdade que tanto sonhava, ganhei uma bolsa de estudos. O dinheiro que por muitos anos foram ajuntados transformou-se em novos livros que ampliaram meu conhecimento. Sou filho que não foge da luta, deste solo gentil colhi as boas oportunidades. Eu morei dentro da favela, mas a favela nunca morou dentro de mim.

.......................................... "The sweat that rolled from my face all the times when I went up and down the slopes was drained by the victory's will." THIS GENTLE SOIL In my thoughts, I wander by the hill in which I lived during my childhood. The sun heated these poor and humble houses' roofs, the hot air passed through the tiny rooms built in brick and wood. Crossing to streets up to the top of our shantytown was a cruel task; the huge slope discouraged our feet. The winding alley that leads from our house to the lower part of the hill was a tiresome and indispensable way. All mornings we crossed it to get to school. The external part of our building had been destroyed by the delinquent's graffiti, a dreadful vision. People who didn't care about future had destroyed our classroom, and this ruined our best place to have opportunities. That was a sad image to my innocent eyes. I overcame all obstacles with perseverance, trying to achieve all the knowledge the teacher taught us. At each book opened, I discovered new worlds; my dreams were fed by tireless desires, bringing hope to a tough reality. The school was small and simple, but it accommodates the wisdom of wise men who would know how to enjoy it. There is Quinho's place, a drug dealing point, where they trafficked everything – from the cheapest to the more expensive drugs. This location is famous for Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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being a crime nest, receiving the worst kind of people; many visited it, but just a few could get away from there. How I missed them! My old friends who are forever asleep, they're resting because of the work they never managed to accomplish. The worms have eaten their idle flesh, corrupted by a poor spirit. A few steps ahead there's the house where I lived, and the long entrance alley. To the left, abandoned squares, trees marked by gunshots, hiding a tormented past, at one side, and in the other, the unforgettable seesaw; in front, the swing that reminds me of the children's laughter's. In that square's bench I spent the nights reading the fine short stories by Machado de Assis that were printed in a book I found at a garbage can in a wealth neighborhood at our capital city. The difficulties I've faced when I was I teenager taught me honesty; I used to work at the streets pick cans, cardboards and other recyclable materials, and the money I earned helped at our houses debts and what's left I saved to pay my university. A bike, a videogame, a computer or a remote control car were presents that could wait. To achieve my goal I had to give up these small luxuries. The shantytown discriminated by the high society is the home of all kinds of people, people like you and me. Poverty never was a reason to give up believing in my own capacity. In the shantytown, without address or identity, I've lived in a huge labyrinth, full of dangerous paths. The sweat that rolled from my face all the times when I went up and down the slopes was drained by the victory's will. Am I a winner? Yea I am. I had won the battle and I won first place in my graduation admission exam in the university I dreamed of, winning a scholarship. The money I saved for so many years was invested in new books to broaden my knowledge. I'm a child who doesn't fear to fight; from this gentle soil, I grabbed the best opportunities. I have lived inside a shantytown, but the shantytown never lived inside of me.

.......................................... "La sueur qui coulait sur mon visage chaque fois que je montais et descendais les pentes, a été séché par l'esprit de la victoire." DE CE SOL GENTIL Je parcours, en pensées, la colline de mon enfance. Le soleil brûlait les toits des maisons pauvres et humbles, l'air chaud parcourait les petites pièces construites de briques et de planches. La traversée vers le haut du bidonville était un cruel défi, une pente immense décourageait nos pieds. Unesco | Folha Dirigida

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Le sentier sinueux, descendant de la Maison, jusqu'à la partie basse de la colline, représentait un parcours fatigante et indispensable. Tous les matins nous y passions, pour arriver à l'école. La partie externe du bâtiment était pleines de graffitis et détruite par l'imbécillité des délinquants, laissant une vision horrible. La salle de clase, détruite par des personnes sans aucun type d'intérêt pour l'avenir, ruinait l'estrade d'opportunités. La scène était triste pour mes yeux innocents. Avec persévérance, j'ai contourné les obstacles, cherchant à acquérir la connaissance que le professeur passait. Chaque livre ouvert, des mondes étaient découverts, les rêves alimentés par des désirs infatigables, apportant espoir pour la réalité brute. L'école, simple et petite, abritait le savoir des sages; hommes qui savaient en profiter. Le premier étage du Quinho, petite permute de drogues, ou se faisait trafic de tout – de la moins chère à la plus chère. Le lieu connu pour être le berceau du crime, reçoit des personnes ayant les pires intentions, beaucoup visitaient ce milieu et peu réussirent à échapper de ses griffes. Que de souvenirs! Les vieux amis dorment d'un sommeil profond, se reposent d'une oeuvre qu'ils n'ont jamais exécuté. Les vers ont mangé leur chair oisive, détruite par un esprit pauvre. Un peu à l'avant, la maison où j'habitais, la longue impasse de l'entrée. À gauche, les places abandonnées, les arbres marqués par des balles perdues, cachent un passé tourmenté, d'un côté, l'inoubliable bascule; au fond, la balançoire qui rappelle les éclats de rire des enfants. Sur le banc de cette place, je passais des nuits à lire les beaux contes de Machado de Assis, un livre trouvé dans les ordures des quartiers nobles de la capitale. Mon adolescence ardue enseignait le côté honnête de la vie, dans les rues, je travaillais ramassant des cannettes de boissons, des cartons et tout le matériel recyclable, ce que je gagnais permettait d'aider aux dépenses de la maison et ce qui restait, je l'économisais pour payer ma faculté. La bicyclette, le jeu vidéo, l'ordinateur ou la voiture télé guidée, étaient des cadeaux qui devraient attendre. Pour atteindre ce but, il a fallu se passer de ces petit* luxes. La colline discriminée par la haute société, abrite des personnes de tout genre, ce sont des personnes pareilles à moi et égales à toi. La pauvreté n'a jamais été un motif pour ne plus croire dans ma capacité. Sur la colline, sans identité ni adresse, je vivais dans un énorme labyrinthe, plein de chemins à risque. La sueur qui coulait sur mon visage toutes les fois que je montais et descendais les pentes, a été séchée par l'esprit de la victoire. Suis-je un vainqueur? Oui, j'ai vaincu la bataille, je suis passé à la première place à la faculté dont je rêvais tant, j'ai gagné une bourse d'études. L'argent que j'avais gardé pendant tant d'années se transforma en nouveaux livres qui ont amplifié mes connaissances. Je suis un fils qui ne fuit pas de la lutte, de ce sol gentil j'ai cueilli les bonnes opportunités. J'ai habité dans le bidonville, mais le bidonville n'a jamais habité en moi.

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"Há rostos que não têm nome/ Iguais na dor e na fome/ Uma vida amarga e ruim."

Esechias Araújo Lima

UNOPAR – Universidade do Norte do Paraná – Campus Vitória da Conquista – BA

O MUNDO EM CORDEL BAMBO Enquanto o sol espreguiça Um dia de diamantes E a lua bóia nos céus Seus relâmpagos esfuziantes U'a bala-pássara atrevida Põe reticência na vida Num texto-cena chocante A Terra virou o palco Duma tragédia sem fim Os espectros de gente Zanzam num vil trampolim Há rostos que não têm nome Iguais na dor e na fome Uma vida amarga e ruim "Fome é expressão biológica Para males sociológicos" Já diz Josué de Castro No seu pregar pedagógico Há poucos com muita herdade E uma vil desigualdade Num cenário antológico A flor fértil da miséria É um rio desembestado Muito ouro em poucos dedos Noutras mãos, um pão minguado Para reescrever o mundo Unesco | Folha Dirigida

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Há que se pensar profundo E agir acelerado Plantar canteiros de Amor E adubá-los com Altruísmo Regar com fraternidade Exterminar o Egoísmo E com determinação Semear a Educação Pôr fim ao analfabetismo. Pode parecer simplista Uma solução comezinha Mas o óbvio é irracional Agora ponto final Que pena! Quarenta linhas.

.......................................... "There are nameless faces/ Who are the same in pain and hunger/ A bad and bitter life." THE WORLD IN A LOOSE STRING While the sun stretches itself out A diamonds' day And the moons is floating in the skies These irrepressible lightings A daring bird-bullet Put a reticence in life In a shocking scene-text Earth had become the stage Of an endless tragedy Peoples like ghosts Are wandering in a vile diving board There are nameless faces

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Who are the same in pain and hunger A bad and bitter life "Hunger is a biological expression To sociological evils" Says Josué de Castro In his pedagogical sermon There are few who inherit much There's a vile inequality In an anthological scenario Misery's fertile flower Is like an unbridled river There is too much gold in too few fingers In other hands, there's barely bread To rewrite this world We must have deep thoughts And act fast To plant beds of love Fertilized with Altruism Watered with fraternity We must extinguish Egoism And with determination Sow Education To stop illiteracy. This may seem simplistic An evident solution But the obvious is irrational And that's all It is a pity! Forty lines.

..........................................

Unesco | Folha Dirigida

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"Il y a des visages sans nom/ Egaux dans la douleur et dans la faim/ Une vie amère et mauvaise." LE MONDE EN CORDE LIBRE Tandis que le soleil se détend Un jour de diamants Et la lune flotte dans les cieux Ses éclairs fusillant Une balle passera osée Met de la réticence dans la vie Dans un texte scène choquant La Terre est devenue une scène D'une tragédie sans fin Les spectres de gens Balancent dans un vil trampoline Il y a des visages sans nom Egaux dans la douleur et dans la faim Une vie amère et mauvaise "Faim est expression biologique Pour des maux sociologiques" Dit déjà Josué de Castro Dans son sermon pédagogique Il y en a peu ayant beaucoup d'héritage Et une vile inégalité Dans un scénario anthologique La fleur fertile de la misère Est un fleuve impétueux Dans d'autres mains, un pain maigre Pour réécrire le monde Il faut penser en profondeur Et agir accéléré Planter des jardinières d'Amour Et mettre de l'engrais d'Altruisme Arroser de fraternité

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Exterminer l'Egoïsme Et avec détermination Semer l'Education Mettre fin à l'analphabétisme. Cela peut paraître simpliste Une solution évidente Mais l'évidence est irrationnelle Maintenant point final Dommage! Quarante lignes.

Unesco | Folha Dirigida

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"É difícil vencer a pobreza e a desigualdade, não existe uma fórmula certa, nem é fácil conseguir chegar lá, mas não é impossível para ninguém..."

Evelyn Cristina Ferreira de Aquino

Universidade da Amazônia – Belém – PA

É UMA QUESTÃO DE SER HUMANO Há muitos que afirmam que as questões sócio-culturais atualmente são fator determinante para uma boa expectativa de vida. Os pobres têm menos oportunidades, pois sua herança econômica os acompanha, tornando comum as dificuldades em se adquirir uma educação básica de qualidade que é praticamente fornecida somente pelas escolas privadas no Brasil, as quais, sua herança econômica não lhes proporcionam freqüentar. Por outro lado, temos a questão racial, os negros no Brasil, ainda são "mascaradamente" discriminados pela sociedade e praticamente colocados à margem da participação proletariada à que todos têm direito. Não obstante, vemos pessoas bem sucedidas, com autonomia de decisões que se encaixam perfeitamente no perfil acima, vieram de baixo, mas não se deram por satisfeitas e lutaram por seus objetivos. Assim, como muitos perdem o poder, outros que não estavam acostumados com ele o conquistam. É difícil vencer a pobreza e a desigualdade, não existe uma fórmula certa, nem é fácil conseguir chegar lá, mas não é impossível para ninguém, e não diz respeito à capacidade nata de cada um, nem de suas origens, ou dificuldades, nem de oportunidades. Diz respeito unicamente a si próprio, oportunidades, cada um faz, desde que tenha capacidade para isso, e a capacidade é adquirida com muito esforço, perseverança e conquistas, as dificuldades não estão aí para serem lamentadas e sim, vencidas e as origens, apesar de dificultarem muito que as portas se abram e a pessoa seja respeitada, elas são o que menos importa quando se tem vontade de vencer. A formação do ser humano, não significa unicamente informação, experiência, aquilo que foi aprendido, mas também tem a ver com caráter, personalidade, princípios, não se deve aceitar o que não se deseja, de várias formas é possível encontrar uma solução para uma vida indigna, é difícil realizá-la, mas ela está lá esperando por sua execução, não conheço uma única pessoa que tenha batalhado para alcançar o sucesso com dignidade e garra e não o tenha alcançado. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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As diferenças sociais existem e é bem pouco provável que desapareçam em pouco tempo, mas ainda é possível escolher em que parte dessa conjuntura social deseja-se estar, talvez a pessoa não alcance exatamente sua ambição, mas pode chegar o mais perto possível, pode descobrir novos caminhos e desejos ainda melhores e mais justos. Cada um pode fazer por si o mínimo e o máximo, quanto mais você se esforça, mais perto da excelência chega, é uma questão de foco, de seguir o caminho certo que de alguma maneira, seja instintivamente ou racionalmente será descoberta e se não for o certo, sempre existe a chance de reconstruí-lo. Portanto, queixar-se e resignar-se com o que lhe foi dado de nada adianta, suas reclamações não serão ouvidas como motivo para a falta de perspectiva de vida, nem se conseguirá a melhora de seus problemas a não ser que alguma obra de caridade decida ajudar, o tempo que se perde com problemas pode ser transformado em tempo útil para se fazer a mudança. Grandes revoluções transformaram o mundo, lutas coerentes por objetivos, apesar de árduas, ao final sempre tiveram algum êxito. Afinal não é fácil transformar o mundo, mas é possível quando cada um adquire um senso de responsabilidade e forte desejo de melhoria e não só fala, mas verdadeiramente tenta melhorar, é uma tarefa de todos, mas que não pode ser adiada e nem combinada, cada um tem que fazer por si o que é necessário para todos viverem melhor.

.......................................... "It is hard to win poverty and inequality, there is no correct formula, nor is it easy to get there, but it is not impossible for anyone..." IT IS A HUMAN BEING'S MATTER Many people state that social and cultural matters are presently a determinant factor for a good life expectancy. The poor people have less opportunities because of their economical inheritance, so that they're used to difficulties in acquiring a good quality basic education, which is offered mostly only by private schools in Brazil, for they cannot afford it. On the other hand, we have the racial matter; in Brazil, black people are "disguisedly" discriminated by society and are, practically, put at the margin of the proletarian participation in which everyone has the right to participate. However, we see successful people, autonomous in their decisions, who fit perfectly in the profile above; they came from below, but were not satisfied so they fought for their objectives. Thus, as many loose the power, others who Unesco | Folha Dirigida

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were not accustomed to it, conquered it. It is hard to win poverty and inequality, there is no correct formula, nor is it easy to get there, but it is not impossible for anyone, and it is not in regard to one's innate capacities, or his origins, or difficulties or opportunities. It regards only oneself, the opportunities one makes for oneself, as long as one has the capacity to do so, and this capacity is acquired through effort, perseverance and conquests; the difficulties are there, not to be lamented, but to be overcome, and the origins, even though they make it more difficult to open doors and gain respect for the person, are the least important thing when one has the will to win. The development of a human being does not only involve acquiring information, experience or that which has been learned, but it also has to do with character, personality, principles. What one does not want, one should not agree with it; in several ways, it is possible to find a solution for an unworthy life, it is hard to put into practice but it is there waiting to be executed; I do not know of a single person who has strived to reach success with dignity and tenacity and has not achieved it. The social differences exist and it is quite improbable that they will disappear in a short time, but it is still possible to choose on which part of this social arena one wants to be in; maybe the person does not achieve his exact ambition but he can come as close as possible, he can find new paths and even better and fairer desires. Everyone can do for himself the minimum and the maximum; the more you strive, the closer you come to excellence, it is a matter of focus, of following the right path that somehow, instinctively or rationally, it will be found; and if is not the correct one, there is always a chance to rebuild it. Therefore, to complain and to conform to you have been given will be useless, your complaints will not be heard as a reason lacking perspectives in life, nor will there be improvement in life unless some charity institution decides to help you; the waste of time with problems can be transformed into a useful time to make changes. Great revolutions had transformed the world; coherent struggles for objectives, even though strenuous, were always somehow successful in the end. After all, it is not easy to transform the world, but it is possible when each one acquires a sense of responsibility and a strong desire for improvement, and not only in words; but to try to improve the world is a task for everyone, and it cannot be postponed or planned, each one has to do what is necessary so that everyone can live better.

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"Il est difficile de vaincre la pauvreté et l'inégalité, il n'existe pas de formule exacte, et il n'est pas facile d'y arriver, mais ce n'est impossible pour personne..." C'EST UNE QUESTION D'ÊTRE HUMAIN Beaucoup affirment que les questions socio culturelles actuellement sont facteur déterminant pour une bonne expectative de la vie. Les pauvres ont moins d'opportunités, car leur héritage économique les accompagne, rendant communes les difficultés d'acquérir une éducation de base de qualité qui est pratiquement fournie seulement par les écoles privées au Brésil, lesquelles, leur héritage économique ne leur permet pas de fréquenter. D'un autre côté, nous avons la question sociale, les noirs du Brésil, encore discriminés par la société de façon " cachée " et pratiquement placés en marge de la participation prolétaire à laquelle tous ont droit. Cependant, nous voyons des personnes qui ont réussi, avec autonomie de décisions qui s'encadrent parfaitement dans le profil ci-dessus, qui viennent de classes basses, mais non satisfaites et ont lutté pour leurs objectifs. Ainsi, comme beaucoup perdent le pouvoir, d'autres qui n'y étaient pas habitués l'ont conquis Il est difficile de vaincre la pauvreté et l'inégalité, il n'existe pas de formule exacte, et il n'est pas facile d'y arriver, mais ce n'est pas impossible pour personne, et cela ne concerne pas la capacité née de chacun, ni de ses origines, ou difficultés, ni de ses opportunités. Cela concerne uniquement soi-même, opportunités, chacun en fait, à partir du moment ou il a la capacité pour cela, et la capacité est acquise avec beaucoup d'effort, persévérance et conquêtes, les difficultés n'existent pas pour que l'on s'en plaigne mais plutôt pour être vaincues et les origines, bien qu'elles rendent difficiles l'ouverture de portes et que la personne soit respectée, elles sont ce qui importe le moins quand on a la volonté de vaincre. La formation de l'être humain, ne signifie pas uniquement information expérience, ce qui a été appris, mais aussi concerne le tempérament, la personnalité, les principes, on ne doit pas accepter ce que l'on ne désire pas, il est possible de trouver une solution pour une vie digne de différentes manières, il est difficile de la réaliser, mais elle est là, attendant son exécution, je ne connais pas une seule personne qui ait travaillé pour atteindre le succès avec dignité et, détermination et qui ne l'ait pas atteint. Les différences sociales existantes il est peu probable qu'elles disparaissent en peu de temps, mais il est encore possible de choisir dans quelle partie de cette conjoncture sociale on veut être, peut-être que la personne n'atteint pas exactement son ambition, mais peut arriver le plus près possible, peut découvrir Unesco | Folha Dirigida

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de nouveaux chemins et des désirs encore meilleurs et plus justes. Chacun peut faire pour soi le minimum et le maximum, plus tu t'efforces, plus près de l'excellence tu arrives, c'est une question de cible, de suivre le chemin exact que d'une certaine manière, soit par instinct ou par raisonnement sera découvert et si ce n'est pas sûr, il existe toujours la chance de le reconstruire. Donc, se plaindre ou se résigner de ce qui vous a été donné ne sert à rien, vos plaintes ne seront pas écoutées pour motif de manque de perspective dans la vie, ni vos problèmes s'amélioreront sinon qu'une certaine œuvre de charité décide de vous aider, le temps perdu avec les problèmes peut être transformé en temps utile pour faire un changement. De grandes révolutions ont transformé le monde, les luttes cohérentes pour des objectifs, bien qu'ardues, à la fin ont toujours réussi final. Finalement, ce n'es pas facile de transformer le monde, mais c'est possible quand chacun acquiert un sens de responsabilité et un fort désir d'amélioration et ne parle pas seulement, mais essaie vraiment d'améliorer, c'est une tâche de tous, mais qui ne peut être retardée ni combinée, chacun doit faire pour soi-même ce qui est nécessaire pour que tous vivent mieux.

Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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"...vencer a pobreza e a desigualdade, por quê? Melhor se fossem vencidos o preconceito, a indiferença, a covardia."

Fernanda Couto Ferreira

UNIRIO – Rio de Janeiro – RJ

VENCER A POBREZA E A DESIGUALDADE, POR QUÊ? "Verás que um filho teu não foge a luta". Não é possível reconhecer o brasileiro na letra do hino nacional. Se desigualdade e pobreza incomodam tanto, por que têm sido tão evitadas? Por que é mais fácil fugir? Talvez, se a questão fosse enfrentada de frente, poderia ser compreendida de uma outra forma. Hipocrisia é dizer que as pessoas estão buscando soluções para a desigualdade e a pobreza. Estão cada vez mais fugindo delas. Prova disso: as grades dos condomínios, os vidros blindados. É bem verdade que tais cuidados são proteção contra a violência. O problema é que, em uma linguagem bem matemática, criou-se um conjunto violência o qual contém o elemento pobreza. De forma que esta parece representar uma ameaça ao bem-estar da sociedade. E, fugindo da violência, acaba-se fugindo do pobre. Difícil compreender essa lógica, uma vez que, comumente, os noticiários revelam barbáries cuja causa por nada pode ser relacionada à falta do dinheiro. Muito mais preocupante do que a pobreza é essa covardia moral. Pessoas carentes necessitam da segurança daqueles que são auto-confiantes e seguros. Pessoas desorganizadas, em geral, contam com a organização de outros. E o pobre, da mesma forma, precisa da ajuda de pessoas mais afortunadas. A desigualdade não deve ser temida, mas compreendida como a maior motivação das relações. Porque o ser humano não é auto-suficiente, precisa do outro. Um relacionamento é originado quando é vista, no outro, a possibilidade de se atender alguma demanda, seja física, emocional ou de outra natureza qualquer. Nesse contexto, torna-se fundamental a compreensão de que não existe ser humano que não tenha algo a oferecer. Sendo assim, por que o pobre precisa ser visto como digno de compaixão? Não é preciso grande esforço para encontrar a resposta. Infelizmente, é atribuída ao dinheiro a mais alta voz. De forma que, todas as outras virtudes se calam em sua ausência. Quem perde? Pobres e ricos. Os primeiros pelas dificuldades que enfrentam com condições tão precárias de alimentação, saúde, moradia... Os ricos, por Unesco | Folha Dirigida

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perderem lições valiosas de persistência, humildade, força, criatividade (e como os pobres são criativos!) e fé . Ah, se os pobres fossem ouvidos...que ricas lições deixariam. Enfim, vencer a pobreza e a desigualdade, por quê? Melhor se fossem vencidos o preconceito, a indiferença, a covardia.

.......................................... "...to win poverty and inequality, why? It would be better if prejudice, indifference, cowardice were won." WHY MUST WE WIN POVERTY AND INEQUALITY? "You will perceive your children do not fear to fight". One may not identify the Brazilian people in our National anthem lyrics. If inequality and poverty bother so much, why have they been so avoided? Would it be because it is easier to run away? Maybe if we face the matter, it could be understood in another way. Hypocrisy is to say that people are searching for solutions for poverty and inequality. They are, more often, running away from them. An evidence of this: the bars that protect the gated condos, the steel-plated windows. It is true that such precautions are protection against violence. The problem is that, in a quite mathematical language, it was created a set called violence that contains the element poverty. This way, it seems to represent a threat to society's well being. And running away from violence, we end up running away from the poor people. It is hard to understand this logic, since the news usually reveals the cruel acts that cannot be related to the lack of money. Much more troubling than poverty is this moral cowardice. The needing people need the safety provided by those who are self-confident and assured. Disorganized people usually count on other people's organization. And poor people, likewise, need the help from more fortunate people. Inequality should not be feared, but understood as the greatest motivator for relationships. A human being is not self-sufficient; he/she needs the help of other human beings. A relationship is created when we glance, in the other, the possibility of satisfying some physical, emotional or other kind of need. In this context, it is vital to understand that there is no human being with nothing to offer. In such case, why is it necessary to see poor people as worth of compassion? No great effort is needed to find an answer. Unfortunately, the higher power is Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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given to money. Thus, all other virtues are silent in its absence. Who loses? Poor and rich people: the former because of the difficulties they face with such precarious conditions of nourishment, health and dwelling; the latter for missing valuable lessons on persistence, humbleness, strength, creativity (and how creative are the poor ones!) and faith. Oh, if the poor were heard... what rich lessons would they leave! After all, why must we win poverty and inequality? It would be better if prejudice, indifference, cowardice had won.

.......................................... "...vaincre la pauvreté et l'inégalité, pourquoi? Il vaudrait mieux vaincre le préjugé, l'indifférence et la lâcheté." VAINCRE LA PAUVRETÉ ET L'INÉGALITÉ, POURQUOI? "Tu verras que ton enfant ne fuit pas la lutte". Il n'est pas possible de reconnaître le brésilien dans les paroles de l'hymne national. Si l'inégalité et la pauvreté gênent tellement, pourquoi sont-elles si évitées? Pourquoi est-il plus facile de fuir? Peut-être, si la question était affrontée pourrait-elle être comprise d'une autre manière. Il est hypocrite de dire que les personnes cherchent des solutions pour l'inégalité et la pauvreté. Elles les fuient chaque fois plus. La preuve en est: les grilles dans les immeubles, les vitres blindées. Il est bien vrai que de tels soins représentent une protection contre la violence. Le problème est que, dans un langage bien mathématique, s'est créé un ensemble de violence qui contient l'élément pauvreté. De manière que celle-ci semble représenter une menace au bien-être de la société. Et, fuyant la violence, on finit par fuir du pauvre. Il est difficile de comprendre cette logique, quand, souvent, les journaux révèlent les barbaries dont la cause ne peut être liée en rien au manque d'argent. Beaucoup plus préoccupante que cette pauvreté, est cette lâcheté morale. De personnes nécessiteuses ont besoin de la sécurité de ceux qui sont auto confiants et sûrs. Des personnes désorganisées, en général, comptent sur l'organisation des autres. Et le pauvre, de la même façon, a besoin d'aide de personnes plus riches. L'inégalité ne doit pas être crainte, mais comprise comme la plus grande motivation des relations. Car l'être humain n'est pas auto suffisant, il a besoin de l'autre. Une relation a son origine quand est vue dans l'autre, la possibilité de répondre à une certaine demande, soit physique, émotionnelle ou de n'importe quelle autre nature. Dans ce contexte, la compréhension du fait Unesco | Folha Dirigida

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qu'il n'existe pas d'être humain qui n'ait rien à offrir, devient fondamentale. Ainsi, pourquoi le pauvre doit être vu comme digne de pitié? Il n'est pas nécessaire de faire beaucoup d'effort pour trouver la réponse. Malheureusem*nt, l'argent parle plus fort. De forme que, toutes les autres vertus se taisent en son absence. Qui perd? Pauvres et riches. Les premiers par les difficultés qu'ils affrontent par les conditions si précaires d'alimentation, santé, habitation... Les riches, car ils perdent des leçons précieuses de persistance, d'humilité, de force, de créativité (et comme les pauvres sont créatifs!) et la foi. Ah, si on écoutait les pauvres...que de riches leçons ils laisseraient. Enfin, vaincre la pauvreté et l'inégalité, pourquoi? Il vaudrait mieux vaincre le préjugé, l'indifférence, la lâcheté.

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"Os problemas decorrentes da marginalização de grande parte do corpo social já foram há muito tempo diagnosticados, destrinchados e apontados..."

Fernando Mello Machado

UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

TRABALHO DE POUCOS, TRABALHO DE TODOS Letargia, resignação, desinteresse e apatia parecem figurar em meio aos jovens e até mesmo entre os mais experientes quando assuntos crônicos e de difícil solução são apontados em uma discussão. Ainda que os atores sejam sujeitos engajados, implicados com as questões em análise, nota-se uma sensação de buraco sem fundo e desesperança. Ora, se esperamos um dia vencer, sobrepujar problemas delicadíssimos e de difícil solução como a pobreza e a desigualdade, faz-se mister estar implicado com a causa e motivar os ouvintes. Neste caso a primeira pobreza a ser vencida diz respeito à do próprio sujeito. Cada qual, como é claro, possui suas limitações e crenças pessoais que podem interferir muito negativamente quando temas urgentes e sobretudo de cunho social são postos em discussão. Assim, um sujeito adepto fervoroso de determinada escola de pensamento ou de uma religião pode facilmente inclinar-se a culpar estruturas sociais, culturais, econômicas ou até mesmo religiosas pelo atual fracasso de nossa civilização e esquecer-se, nem que seja por um momento, que ele próprio é um dos pilares sob os quais muitas dessas instituições se apóiam. Não digo que tais fatores não influam na lógica de organização de nossa sociedade, o que afirmo é que é inútil e até mesmo perigoso alocar apenas em fatores externos nossa própria miséria. Vencendo a pobreza do próprio sujeito, sendo este entendido como potencial ator ativo e vívido de transformações sociais e componente fundamental do seu próprio meio ambiente, estamos prestes a promover transformações de maior vulto. A desigualdade existe em diferentes tons e matizes; em diferentes níveis e esferas. É desigual, por exemplo, a distribuição de renda na maioria dos países do mundo, o que gera uma série de inconvenientes. Surge violência, ódio entre classes, problemas como fome e outros eventos de ordem extremamente desagradável. Os problemas decorrentes da marginalização de grande parte do corpo social já foram há muito tempo diagnosticados, destrinchados e apontados

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mas sempre há um enorme desconforto no tocante a apontar solução para os problemas. Embora tenha sido um passo importante a identificação do problema e suas causas, agora temos que dar um passo adiante. Antes de ser tratada em uma esfera macro, a desigualdade deve ser tratada em seus meandros. A terapêutica no entanto não é simples e supõe em primeiro lugar disposição para mudanças. Deve ser incutido primeiramente o desejo de cura nos pacientes para após ser feito um plano de tratamento adequado, como afirmaria um bom médico. Com a enfermidade social se dá o mesmo. Deve haver uma verdadeira reestruturação cognitiva em cada um dos sujeitos ("pacientes") promotores e fomentadores da desigualdade mas é claro que isso supõe a existência de outra classe de sujeitos ("médicos") que estariam aptos a conduzir a sanidade e reconstruir situações aparentemente insolúveis. Voltamos neste momento do texto aos atores sociais citados no início do mesmo. Toda mudança significativa se dá apenas quando existe disposição para mudança e isso exige um trabalho psíquico elaborado que só pode ser conduzido e induzido por pessoas preparadas e com voz de amplo alcance no âmbito social, mas o trabalho, como vimos, começa por nós, aqui e agora. Comecemos, pois, a trabalhar!

.......................................... "The problems that result from the marginalization of a large part of society have long been diagnosed, unraveled and pointed out..." WORK OF FEW, WORK OF ALL Lethargy, resignation, indifference, and apathy seem to stand among the youth and even among the elders when chronic and difficult solution matters are brought up to discussion. Even if the actors are engaged individuals, involved in the matters under analysis, it can be noticed there is a general feeling of emptiness and hopelessness. Well, if we expect to win someday, to overcome very delicate and hard to solve problems, such as poverty and inequality, it is vital to become involved with the cause and to motivate the listeners. In this case, personal poverty is the first to be overcome. Each one, as it is clear, has his own limitations and personal beliefs which can interfere, quite negatively, when urgent themes, and most of all, social themes, are being discussed. Thus, an individual who is an fervorous adept of a certain school of Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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thought or of a religion can easily be inclined to blame social, cultural, economical, or even religious, structures for our civilization failure and forget, even if for just a moment, that he himself is one of the pillars on which many of these institutions rely. I am not saying that such factors do not influence the organization of our society, what I am stating is that it is useless, and even dangerous, to blame only external factors for our own misery. When an individual's own poverty had been overcame, and we start to consider him as a potentially active and vivid actor of social transformations and a vital component of his own environment, we are about to promote extremely significant changes. Inequality exists in different colors and shades, in different levels and spheres. For example, in most countries of the world the income distribution is unequal, generating a series of problems. Violence, hatred among classes, hunger, and other extremely unpleasant events come about. Problems resulting from the marginalization of a large part of society had been diagnosed, unraveled, and pointed out a long time ago, but there is always a tremendous uneasiness when it comes to propose solutions it. Even though it was an important step to identify the problem and its causes, we now have to take a further step. Before being considered in a macro level, inequality should be treated in its meanders. Such action would not simple, however, and demands, in first place, a will to change. First, the patient must want to be treated, and then the appropriate treatment plan could be set up, as an experienced doctor would say. With a social disease, the same thing happens. There should be a true cognitive reconstruction in each individual ("patients") who is promoting and fomenting inequality; this, of course, demands the existence of another class of individuals ("doctors") who would be capable to drive restore sanity and rebuild apparently insoluble situations. At this point in the text, we go back to the social actors mentioned in the beginning. Any significant change happens only when there is a will to change and this requires an elaborate psychic work that can only be conducted by well-prepared people, with a clear importance in society; but the work, as we have seen, starts with us, here and now. So, let's start working, now!

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"Les problèmes découlant de la marginalité de grande partie du corps social ont été depuis longtemps diagnostiqués, résolus et montrés..." TRAVAIL DE PEU, TRAVAIL DE TOUS Léthargie, résignation, manque d'intérêt et apathie semblent figurer au milieu des jeunes et même parmi ceux qui ont plus d'expérience quand des sujets chroniques et de solution difficile sont montrés dans une discussion. Bien que les acteurs soient sujets engagés, impliqués dans les questions et analyse, on note une sensation de trou sans fond et de désespoir. Or, si nous espérons vaincre un jour, surmonter les problèmes très délicats et de solution difficile comme la pauvreté et l'inégalité, il est urgent d'être impliqué dans la cause et motiver les auditeurs. Dans ce cas, la première pauvreté à vaincre concerne le sujet lui-même. Chacun, c'est clair, possède ses limitations et croyances personnelles pouvant influencer quand des thèmes urgents et surtout de caractère social sont mis en discussion. Ainsi, un sujet fervent adepte d'une école de pensée déterminée ou d'une religion peut facilement avoir tendance à culpabiliser les structures sociales, culturelles, économiques ou même religieuses par l'actuel échec de notre civilisation et oublier, même pour un moment, que lui-même est l'un des piliers sur lesquels beaucoup de ces institutions s'appuient. Je ne dis pas que de tels facteurs n'influencent pas la logique d'organisation de notre société, ou que j'affirme qu'il est inutile et même dangereux de placer à peine dans les facteurs externes notre propre misère. En vainquant la pauvreté du propre sujet, celui-ci étant compris comme potentiel acteur actif et vécu de transformations sociales et composant fondamental de son propre environnement, nous sommes prêts à promouvoir les transformations de plus grand aspect. L'inégalité existe dans différents tons et nuances; à différents niveaux et sphères. Par exemple, est inégale la distribution de revenus dans la majorité des pays du monde, ce qui cause une série d'inconvénients. Surgissent alors la violence, la haine entre les classes, les problèmes de la faim et autres évènements d'ordre extrêmement désagréable. Les problèmes découlant de la marginalité de grande partie du corps social ont été depuis longtemps diagnostiqués, résolus et montrés, mais il existe toujours un immense manque de confort lorsqu'il s'agit de montrer la solution aux problèmes. Bien que l'identification du problème et de ses causes ait été un pas important, nous devons maintenant donner un pas en avant. Avant d'être traitée dans une sphère macro, l'inégalité doit être traitée dans ses méandres. La thérapeutique cependant n'est pas simple et suppose d'abord disposition pour des changements. D'abord le désir de cure chez les patients

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doit être suggéré pour après faire un plan de traitement adéquat, comme affirmerait un bon médecin. Avec la maladie sociale on fait la même chose. Il doit exister une véritable restructuration cognitive chez chacun des sujets ("patients") promoteurs et promoteurs de l'inégalité mais il est clair que cela suppose l'existence d'une autre classe de sujets ("médecins") qui seraient aptes à conduire la santé et reconstruire des situations apparemment insolubles. Nous revenons maintenant du texte aux acteurs sociaux cités au début. Tout changement significatif se fait à peine lorsqu'il existe une disposition pour le changement et ceci exige un travail psychique élaboré qui ne peut être conduit et induit que par des personnes préparées et ayant une envergure dans le domaine social, mais le travail, comme nous l'avons vu, commence par nousmême, ici et maintenant. Commençons donc à travailler!

"...a solução não é simplista, nem partirá do meio externo para o meio interno, depende antes de tudo, de um estado de consciência e espírito de cada ser humano."

Flaviano Vasconcelos Pereira

UNIPÊ – Centro Universitário de João Pessoa – João Pessoa – PB

UMA QUESTÃO DE EVOLUÇÃO HUMANA Bilhões de seres humanos estão em processo de sobrevivência no mundo. São pessoas que desconhecem a si mesmas e que são aprisionadas pela fome,doenças, violência e abuso... . Diante da tragédia globalizada, infelizmente, ser pobre é ser menos, é estar em desigualdade. Na pratica é menos justiça, menos saúde, menos dignidade, porém é mais sacrifício, é mais discriminação. A pobreza severa que conhecemos não é apenas desigual, mas é degradante e mata, inclusive, os não pobres. Como desafio desse milênio, a libertação é urgente. O primeiro ponto a ser discutido é o que a pobreza é o seu real significado, pois esta por mais que se tente figurar como problema principal, por incrível que pareça, é secundária. Na verdade, o problema principal está nos valores negativos agregados e conseqüentes dela. Hodiernamente, pobreza não é uma mera ausência de bens materiais; esta se apresenta pela exclusão social, pela desnutrição, ataca pela ignorância, dá as "boas vindas" pela falta de moradia, e esta não é uma mera ausência de teto, é muito mais, podemos destacar a desestruturação Unesco | Folha Dirigida

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de um núcleo importante, chamado família, até pela falta de justiça perante a não aplicação da jurisdição, principalmente a penal. Ora, essas conseqüências são exterminadoras da esperança, da moral do ser humano, vítima de um sistema que insiste na acumulação em vez da distribuição. Então esta é a nossa conjuntura atual: a pobreza, pelos seus valores negativos agregados, gerando o abismo da desigualdade, que é um canhão apontado para a dignidade, a liberdade e a vida. A caminhada para vencer a pobreza e a desigualdade começa em reconhecêla e aceitá-la, atacando os valores negativos e agregados. Para isso devem atuar poder público e privado através de seus diversos instrumentos. Precisamos de política concreta. Por exemplo, não basta apenas dizer que tem escola, tem que repensar se ela atinge sua finalidade, tem que, buscando nascer em cada aluno o interesse e a vontade de aprender e participar. Esse é apenas um dos casos, porque, para se combater a desigualdade, tem que se deixar de lado a superficialidade e ingressar no mundo real de cada ser humano vitima da pobreza. É atacando e transformando cada valor negativo agregado, que o problema perderá suas imensas proporções. Mas a solução não é simplista, nem partirá do meio externo para o meio interno, depende antes de tudo, de um estado de consciência e espírito de cada ser humano. Não há pobreza que acabe, enquanto a tendência individualista dominar. Tal problema social é, sem dúvida, conseqüência da falta de amor ao próximo. Não é raro vermos no dia-a-dia alguém em estado de miséria, olharmos e nada podermos fazer, ou virarmos as costas como se o problema não fosse nosso; ou pior, como se não existisse. No momento em que as pessoas olharem o próximo e se enxergarem nele, é que nossa sociedade atingirá um estágio de desenvolvimento humano capaz de resolver tal problema. A verdade é que vimos de há muitos séculos evoluindo, mas essa evolução é no campo dos meios, que é o da indústria, tecnologia etc. Então, a revolução do desenvolvimento do ser humano é que, sem dúvida, poderá vencer a pobreza e a desigualdade; sendo cada ser humano agente de transformação. Contudo, a pobreza é, com freqüência, vista como uma situação lamentável, mas acidental; ou como uma conseqüência inevitável de decisões e acontecimentos ocorridos noutros lugares; ou como sendo da exclusiva responsabilidade de quem a sofre. De fato, combater a pobreza não é nada mais do que fazer do pobre um cidadão, dando-lhe condições de viver a sua vida sem as privações que a economia de mercado lhe têm trazido e que o neoliberalismo tem exacerbado nos últimos tempos. E todos esses direitos fundamentais da pessoa humana devem ter, para os pobres, a qualidade e a importância que os ricos igualmente tiveram e vêm tendo no país. E, a partir do dia em que pobreza for um mero sinônimo de ausência de recursos materiais, já a estaremos vencendo!

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"...the solution is neither simplistic, nor will it come from the external environment to the internal environment; it depends, above all, on the conscience and the spirit of each human being." A MATTER OF HUMAN EVOLUTION There are billions of human beings struggling for survival in the world. People who do not know themselves and whom hunger, diseases, violence, and abuse imprison… Unfortunately, within the globalized tragedy, to be poor is to be less, is to be in inequality. In practice, it means less justice, less health, less dignity, but it is also more sacrifice, more discrimination. The severe poverty as we know is not only unequal, but also degrading, and it kills both poor people and non-poor ones. This millennium challenge is set people free from this misery. The first point to be discussed is poverty and its real meaning, for, as much as we consider it as the main problem, it is a secondary one. In fact, the main problem lies in the negative facts resulting from it. Today, poverty is not the mere absence of material goods; it is present in social exclusion, undernourishment; it attacks through ignorance, it "welcomes" you to the lack of dwelling, and this is not just not having a roof over one's head – it is much more, it is the disrupting of an important nucleus called family, even because of the lack of justice for the non-usage of the authority, specially the penal one. So, these consequences undermine hope and morals in the human being, a victim of a system that insists in accumulating instead of distributing. So, this is our present structure: poverty, for its aggregated negative values that create an abyss of inequality, is like a cannon pointing to dignity, freedom, and life. The journey to win poverty and inequality starts with recognizing and accepting it, attacking its negative consequences. To achieve this, public and private powers should use its several instruments. We need concrete policies. For example, it is not enough to say we have schools; we have to think over if they are accomplishing their purpose, raising on each student the interest, and desire to learn and participate. This is just one of the cases; to fight inequality, we have to put aside superficiality and access the real world of each human being victim of poverty. Only attacking and transforming each negative fact of the problem, it would loose its huge proportions. But the solution is neither simplistic, nor will it come from the external environment to the internal environment; it depends, above all, on the conscience and the spirit of each human being. Poverty will ever stop as long as the

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individualistic tendency dominates. Such social problem is, no doubt, the lack of love for our likeness. It is not rare to see, in our daily routine, someone in a state of misery; or we look and there's nothing we can do, or we just turn our backs as if it was not our problem, or worse, as if it did not exist. Our society would reach a stage of human development capable of solving such problem only at the moment in which people start to look at others and see themselves in them. The truth is that we have been developing for many centuries, but this evolution took place in the industry and technology fields. Thus, the human development revolution shall make it possible to stop poverty and inequality; and each human being would an agent for transformation. However, poverty is frequently seen as a sorrowful but incidental situation, or as an inevitable consequence of decisions or facts occurred in other places, or as an exclusive responsibility of the ones who suffer from it. In fact, overcoming poverty is nothing more than transform poor people into citizens, giving them the conditions to live their lives without the privations brought by the market or the neoliberalism. In our country, the human fundamental rights should have, for poor people, the quality, and importance that it has for the rich ones. And, on the day in which poverty becomes a mere synonym for absence of material resources, we will be winning it!

.......................................... "...la solution n'est pas simpliste, ni ne partira de l'extérieur vers l'intérieur, cela dépend avant tout, d'une étude de conscience et de l'esprit de chaque être humain." UNE QUESTION D'ÉVOLUTION HUMAINE Des milliards d'êtres humains sont en processus de survie dans le monde. Ce sont des personnes qui ne se connaissent pas elles-mêmes et qui sont prisonnières de la faim, des maladies, de la violence et des abus... . Face à la tragédie mondialisée, malheureusem*nt, être pauvre est être moins, c'est être en inégalité. Dans la pratique, c'est moins de justice, moins, de santé, moins de dignité cependant plus de sacrifice, c'est plus de discrimination. La pauvreté sévère que nous connaissons n'est pas à peine inégale, mais est dégradante et tue, y compris, les non pauvres. Comme défi de ce millénaire, la délivrance est urgente. Le premier point à discuter est que la pauvreté est sa réelle signification, car celle-ci, même si on essaie de la faire figurer comme problème principal, même Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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si cela semble incroyable, elle est secondaire. En réalité le problème principal se trouve dans les valeurs négatives ajoutées et qui en sont la conséquence. Actuellement, la pauvreté n'est pas une simple absence de biens matériels; elle se présente par l'exclusion sociale, par la dénutrition, attaque par l'ignorance, donne la ''bienvenue" par le manque d'habitation, et celle-ci n'est pas une simple absence de toit, c'est beaucoup plus, nous pouvons mettre en évidence la déstructuration d'un noyau important, appelé famille, même pour le manque de justice devant la non application de la juridiction, surtout la pénale. Or, ces conséquences sont exterminatrices de l'espoir, de la morale de l'être humain, victime d'un système qui insiste dans l'accumulation au lieu de la distribution. Alors celle-ci est notre conjoncture actuelle: la pauvreté, par ses valeurs négatives ajoutées causant l'abîme de l'inégalité, qui est un canon pointé vers la dignité, la liberté et la vie. La marche pour vaincre la pauvreté et l'inégalité commence par la reconnaître et l'accepter, attaquant les valeurs négatives et ajoutées. Pour cela les pouvoirs publics et privés doivent agir au travers de leurs différents instruments. Nous avons besoin de politique concrète. Par exemple, il ne suffit pas de dire qu'il y a une école, il faut repenser si elle atteint sa finalité, il faut, chercher à faire naître chez chaque élève l'intérêt et la volonté d'apprendre et de participer. Ceci est à peine l'un des cas, car, pour combattre l'inégalité, il faut laisser de côté le superficiel et entrer dans le monde réel de chaque être humain victime de la pauvreté. C'est en attaquant et transformant chaque valeur négative ajoutée, que le problème perdra ses immenses proportions. Mais la solution n'est pas simpliste, ni ne partira de l'extérieur vers l'intérieur, cela dépend avant tout, d'une étude de conscience et de l'esprit de chaque être humain. La pauvreté ne finira, tant que la tendance individualiste dominera. Tel problème social est, sans doute, conséquence du manque d'amour du prochain. Il n'est pas rare que nous voyions au quotidien quelqu'un en état de misère, nous regardions et ne pouvons rien faire, ou tournons le dos comme si le problème n'était pas le nôtre; ou pire, comme s'il n'existait pas. Au moment où les personnes regarderont le prochain et se verront en lui, c'est que notre société atteindra un degré de développement humain capable de résoudre ce problème. La vérité est que nous évoluons depuis des siècles, mais cette évolution est dans le domaine des moyens, qui est l'industrie, technologie, etc. Alors, la révolution du développement de l'être humain est que, sans doute, pourra vaincre la pauvreté et l'inégalité; chaque être humain étant un agent de transformation. Cependant, la pauvreté est, fréquemment, vue comme une situation lamentable, mais accidentelle; ou comme une conséquence inévitable de décisions et événements qui se sont passés ailleurs; ou comme étant de l'exclusive responsabilité de celui qui en souffre. De fait, combattre la pauvreté n'est rien de plus que faire du pauvre un citoyen, en lui donnant les conditions de vivre sa

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vie sans la privations que l'économie de marché lui a apporté et que le néolibéralisme a exacerbé ces derniers temps. Et tous ces droits fondamentaux de la personne humaine doivent avoir, pour les pauvres, la qualité et l'importance que les riches également ont eu et ont dans le pays. Et, à partir du jour où la pauvreté sera un simple synonyme d'absence de ressources matérielles, nous serions déjà en train de la vaincre!

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"Desde cedo, somos condicionados a acreditar que ser pobre é ser menos, sempre menos. Ter menores chances de uma boa educação, de um bom emprego ou de um bom relacionamento."

Flávio Alex de Mesquita Soares UniCarioca – Rio de Janeiro – RJ

NÃO SOMOS POBRES Que mecanismos devemos utilizar para medir nossa posição na sociedade? Quais requisitos nos definem como pobres? E o que isto implica? Importa é que a pobreza somente existe no terreno das coisas materiais, quando as opiniões são fundamentadas naquilo que cada um veste. Enquanto que a natureza das coisas está na forma em que conduzimos nossas relações e nos valores aos quais atribuímos maior ou menor importância. Desde cedo, somos condicionados a acreditar que ser pobre é ser menos, sempre menos. Ter menores chances de uma boa educação, de um bom emprego ou de um bom relacionamento. No entanto, ser pobre não implica ser menos. Somos iguais, apesar de nossas diferenças. Somos iguais, independente de pensarmos, vivermos e agirmos diferente. A pobreza e a desigualdade são espectros do mesmo infortúnio onde, possivelmente, seu efeito mais devastador esteja na privação do ser humano de empreender seu sonho. E pior ainda, de acreditar na realização dele. O que, muitas vezes, é um mal hereditário. Lamentavelmente, observamos, cada vez mais, que as relações humanas são baseadas no que cada um possui. A pobreza é vista como mal a ser combatido enquanto a riqueza é o bem maior no qual devemos empregar nossas esperanças, esforços e economias. Mudar de vida é a palavra de ordem. Mas que ordem é essa? A questão, é que ela tem corrompido cada vez mais as relações criando uma sociedade onde o bem material está acima daquilo que é essencialmente humano. Onde o capital é o grande gestor das relações e as inteligências são empregadas para a manutenção do poder e do lucro, fazendo da corrupção moral uma das maiores anomalias do mundo moderno. No entanto, quando experimentamos olhar "para o que se carrega no coração" é que podemos, verdadeiramente, ter noção do valor de cada um. Não há pobreza quando, irmanados, vemos num olhar o potencial, a capacidade e os sonhos. Quando vemos que, apesar das dificuldades e das privações, ainda exis-

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tem pessoas que escolhem agir de maneira correta, independente de as circunstâncias muitas vezes induzi-las ao erro; que optam por carregar pouco no bolso em lugar de abrirem mão de sua dignidade; que fazem questão de serem felizes e de cultivar o bem acima de qualquer coisa. Num momento em que calculamos os efeitos de nossas ações na natureza, em que fazemos previsões sobre a existência futura no planeta, em que nos deparamos com a urgência da reposição das florestas, talvez seja a hora de cultivarmos uma nova consciência onde não nos sintamos superiores a tudo, mas igual e parte. Onde esteja garantido o direito maior de cada um, seja quem for e onde quer que esteja, de desenvolver-se em sua plenitude e de realizar as mudanças necessárias à sua humanidade. Pois o desenvolvimento é iminente e a evolução um direito irrevogável que não está condicionado aos mecanismos materiais, mas à vontade de cada um e a nós como o Todo.

.......................................... "Very early we are lead to believe that being poor is having less, much less: less chances to have a good education, to find a good job, or a nice relationship." WE ARE NOT POOR PEOPLE What kind of devices should we use to measure our position within society? What kind of requirements defines us as poor people? What does it mean? It means that poverty exists only in the material world, in which opinions are based in what someone is wearing. Although the nature of things lie in the way we conduct our relations and in the values to what we give a lower or a higher importance. Very early we are lead to believe that being poor is having less, much less: less chances to have a good education, to find a good job, or a nice relationship. However, being poor does not imply in being less. We are equal, regardless of our differences. We are the same, regardless if we think, live, or act diversely. Poverty and inequality are two aspects of the same misfortune, which possibly has as its most devastating effect preventing a human being to achieve his/her dreams, or worse, to even believe in his/her dreams. And that, many times, is a hereditary evil. Regretfully, we see that, more and more, human relations are based on what each one possesses. Poverty is seen as an evil to be combated, while richness is Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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our best gift, and we should invest our hopes, efforts, and savings to achieve it. Changing our life is the mission. But what mission is that? The question is, this thought is corrupting human relations, creating a society where the possession of goods is above what is essentially human. A society where the capital controls human relations, and the knowledge is used to maintain power and profit, making moral corruption one of the modern world's greatest anomalies. However, when be look at "what is inside of our hearts", then we can truly perceive the value of each one. There would be no poverty when we, together, will be able to see in each other's eyes our potential, our capacity, and our dreams. When we see that, despite the difficulties and the privations, there are people who still choose to act correctly, no matter if the circ*mstances would lead them to make a mistake; there are people who choose to have little money in their pockets instead of resigning their dignity; people who decide to be happy and to believe in good actions above all things. At this moment, when we're measuring the consequences of our actions in nature, making predictions about our future existence in the planet, and seeing the urgency to replant forests, maybe now its time to grow a new conscience, in which we wouldn't feel we are above everything, but that we are part of everything. Maybe, then, every single person – whomever he/she may be, wherever he/she may be – would have the right to develop his/her best and achieve the necessary changes to be a better human being. Because our development is imminent and evolution is an irrevocable right that is not conditioned to material mechanisms, but to the will of each person and to us as a whole.

.......................................... "Depuis très tôt nous sommes conditionnés à croire qu'être pauvre c'est être moins, toujours moins. Avoir moins de chances pour une bonne éducation, un bon emploi ou une bonne relation." NOUS NE SOMMES PAS PAUVRES Quels mécanismes devons-nous utiliser pour mesurer notre position dans la société? Quelles exigences nous définissent comme pauvres? Et qu'est-ce que cela implique? L'important est que la pauvreté existe seulement dans le domaine des choses matérielles, quand les opinions sont fondées sur ce que chacun vêt. Tandis que la nature des choses se trouve dans la manière ou nous menons nos Unesco | Folha Dirigida

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relations et nos valeurs auxquelles nous attribuons une plus grande ou une moindre importance. Depuis très tôt nous sommes conditionnés à croire qu'être pauvre est être moins, toujours moins. Avoir moins de chances pour une bonne éducation, un bon emploi ou une bonne relation. Cependant, être pauvre n'implique pas être moins. Nous sommes égaux, malgré nos différences. Nous sommes égaux, indépendants de penser, de vivre et d'agir différemment. La pauvreté et l'inégalité sont des spectres du même malheur ou possiblement, son effet plus dévastateur se trouve dans la privation de l'être humain d'entreprendre son rêve. Et encore pire, de croire en sa réalisation. Ce qui est, souvent, un mal héréditaire. Lamentablement, nous observons, chaque fois plus, que les rapports humains sont basés sur ce que chacun possède. La pauvreté est vue comme un mal à combattre tandis que la richesse est un bien majeur dans lequel nous devons employer nos espoirs, efforts et économies. Changer de vie est le mot d'ordre. Mais quel ordre? La question est qu'il a corrompu chaque fois plus les rapports créant une société ou le bien matériel se trouve au-dessus de ce qui est essentiellement humain. Ou le capital est grand administrateur des relations et les intelligences sont employées dans la manutention du pouvoir et du gain, faisant de la corruption morale l'une des plus grandes anomalies du monde moderne. Cependant, quand nous essayons le regard "pour ce qui se porte dans le coeur" est que nous pouvons, réellement, avoir notion de la valeur de chacun. Il n'existe pas de pauvreté quand, liés par des liens fraternels, nous voyons dans un regard le potentiel, la capacité et les rêves. Quand nous voyons que, malgré les difficultés et les privations, il existe encore des personnes qui choisissent d'agir de façon correcte, indépendamment des circonstances très souvent les induire en erreur; qui optent de mettre peu d'argent dans leur poche au lieu de désister de leur dignité; qui insistent à être heureuses et de cultiver le bien audessus de n'importe quoi. Dans un moment ou nous calculons les effets de nos actions dans la nature, où nous faisons des prévisions sur l'existence future de la planète, ou nous nous trouvons face à l'urgence du reboisem*nt des forêts, il est peut-être l'heure de cultiver notre conscience où nous ne nous sentons pas supérieurs à tout, mais égal et partie. Ou soit garanti le droit majeur de chacun, qui que ce soit et ou que ce soit, de se développer dans sa plénitude et de réaliser les changements nécessaires à son humanité. Car le développement est imminent et l'évolution un droit irrévocable qui n'est pas conditionné aux mécanismes matériels, mais à la volonté de chacun et à nous comme le Tout.

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"A resolução de problemas sociais como a miséria e a desigualdade de distribuição de recursos no mundo está alicerçada no caráter humano de ajudar seus semelhantes..."

Gabriel Andreuccetti

USP – Universidade de São Paulo – Jundiaí – SP

SECOS DE AJUDA A trajetória dramática da família de retirantes do sertão nordestino descrita por Graciliano Ramos no romance "Vidas Secas" contribuiu, e muito, para a consciência dos problemas e flagelos da seca no Brasil. Seus personagens – um casal, duas crianças e uma cadela, todos brutos – vivem preocupados com o estômago e não têm tempo de abraçar um ao outro. A pobreza de recursos sempre foi um problema na história da humanidade e faz parte da luta pela sobrevivência em todas as espécies conhecidas, assim como a desigualdade entre os indivíduos, fator determinante na formação de sociedades. Essas características deveriam ser responsáveis por transformações, resultando em uma busca de esforços e soluções capazes de alterar a situação vivida, mas essa função parece ter sido deturpada pela civilização humana nos tempos atuais. A ausência de afeto pelo próximo, como a falta de amor demonstrada pelos personagens do livro de Graciliano Ramos, se tornou condição de sobrevivência para aqueles que se encontram em situação de pobreza e uma forma de não se contaminar com o sofrimento humano pelos mais abastados. Dessa forma, as injustiças sociais se propagam num universo onde as chagas da pobreza são inatas a determinadas pessoas, ampliando cada vez mais as dificuldades da maioria da população em adquirir bens de direito de todos, mas que uma minoria detém. Não se trata, portanto, somente de investimentos financeiros na sabida tríade educação, saúde e segurança, por mais significativos e necessários que sejam, quando o objetivo é vencer a pobreza e a desigualdade no mundo. O ato de doar ou compartilhar o bem próprio em favor de outros mais carentes merece ser mais bem explorado coletivamente, transcendendo a sua já comprovada efetividade no plano individual. Enquanto não formos solidários um com os outros, não entenderemos que o problema dos pobres e miseráveis é parte do nosso problema também. Unesco | Folha Dirigida

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Por isso que ações tão simples como a união de uma comunidade carente em torno de projetos educativos organizados por voluntários resultam na redução da criminalidade, inserção de jovens no mercado de trabalho, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, entre outras conseqüências positivas para o bem-estar social de todos. São medidas como essas, geralmente com fontes de financiamento escassas e realizadas por pessoas com poucos recursos, que são capazes de atingir as populações mais carentes e marginalizadas da sociedade. A resolução de problemas sociais como a miséria e a desigualdade de distribuição de recursos no mundo está alicerçada no caráter humano de ajudar seus semelhantes, caráter este que deve ser preconizado nas diversas discussões políticas sobre o desenvolvimento humano democrático e igualitário. Porém, para alcançarmos tal objetivo precisamos mudar o rumo dos nossos sentimentos com relação ao próximo, os quais estão se tornando cada vez mais "secos" e se esvaecendo numa multidão de retirantes cuja brutalidade nunca pareceu tão grande.

.......................................... "The solution to social problems such as misery and inequality in the distribution of the world's resources is based on the human will to help his likeness..." DRYING FOR HELP The journey of a family of emigrants leaving the arid northeastern Brazil is described by Graciliano Ramos in his romance "Vidas Secas" [Dry lives] contributed, a lot, to raise the conscience about the problems and the flagellum of drought. The characters – a couple, two kids and a bitch, all brute – live their lives concerned about their hunger and they don't have time to hug one another. The lack of resources was always a problem at human history and it is part of the struggle for life among all known species, as well as inequality between individuals, which was determinant on the society's formation. Such characteristics should be responsible for changes because of the efforts to find solutions that could change the situation, but this task seems corrupted by the present civilization. The lack of affection for each other, as well as the lack of love showed by Graciliano Ramos' characters, became a survival condition for those who live in poverty, as well as – to the rich ones – a way to avoid being affected by human suffering. Thus, social unfairness is propagated in an universe where the poverty wounds are innate Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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to some people, increasing more and more the difficulties for them to acquire goods that should be available to everybody, but only a few can afford. This is not only about financial investments on the always quoted education, health and security sectors – being significant and necessary as the three are -, when it comes to stop poverty and inequality in the world. The act of donating and sharing one's personal belongings in favor of the needing people should be explored collectively, transcending its proved effectiveness at the individual level. As long as we're not solidary one with the other, we wouldn't understand that the problem of poor and miserable people is part of our problem as well. That's why simple actions such as the union of a needing community around educational projects organized by volunteers are resulting in the decrease of crime levels, in the access to work market by young bots and girls, in the prevention of sexually transmitted diseases, among other positive consequences that lead to the social well being of everyone. Measures like these – which generally have few fonts of resources and that are generally conducted by people who have little resources as well – can affect the more needing and marginalized populations. The solution to social problems such as misery and inequality in the distribution of the world's resources is based on the human will to help his likeness, a will that must be stressed in all discussions about policies that aim at a democratic and egalitarian human development. However, to achieve such goal we must change the feelings about our neighbors, who are becoming more and more "dry" and disappearing in a crowd of emigrants whose brutality never seemed so huge.

.......................................... "La résolution de problèmes sociaux comme la misère et l'inégalité de distribution de recours dans le monde est fondée sur le tempérament humain d'aider ses semblables..." ASSOIFFÉS D'AIDE La trajectoire dramatique de la famille d'émigrants du nord-est par Graciliano Ramos dans le roman "Vies Sèches" aide, et beaucoup, à la conscience des problèmes et souffrances dus à la sécheresse au Brésil. Ses personnages – un couple deux enfants et une chienne, tous bruts – vivent préoccupés par l'estomac et n'ont pas le temps de s'embrasser.

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La pauvreté de recours a toujours été un problème dans l'histoire de l'humanité et fait partie de la lutte pour la survie dans toutes les espèces connues, ainsi que l'inégalité entre les individus, facteur déterminant dans la formation de sociétés. Ces caractéristiques devraient être responsables des transformations, résultant dans la recherche d'efforts et solutions capables d'altérer la situation vécue, mais cette fonction semble avoir été corrompue par la civilisation humaine dans les temps actuels. L'absence d'affection pour le prochain, comme le manque d'amour démontré par les personnages du livre de Graciliano Ramos, est devenue une condition de survie pour ceux qui se trouvent dans une situation de pauvreté et une manière de ne pas se contaminer avec la souffrance humaine par les plus favorisés. De cette façon, les injustices sociales se propagent dans l'univers où les blessures de la pauvreté sont innées à des personnes déterminées, amplifiant chaque fois plus les difficultés de la majorité de la population à acquérir des biens de droits de tous, mais qu'une minorité détient. Il ne s'agit pas, donc, seulement d'investissem*nts financiers dans la trilogie connue éducation, santé et sécurité, plus significatives et nécessaires soient-elles, quand l'objectif est de vaincre la pauvreté et l'inégalité du monde. L'acte de donner ou partager le bien propre en faveur d'autres plus nécessiteux mérite d'être bien exploré collectivement, transcendant son effectivité déjà prouvée dans le plan individuel. Tant que nous ne serons pas solidaires les uns avec les autres, nous ne comprendrons pas que le problème des pauvres et des misérables fait aussi partie de notre problème. Pour cela, les actions si simples comme union d'une communauté nécessiteuse autour de projets éducatifs organisés par des volontaires résultent dans la diminution de la criminalité, l'insertion de jeunes dans le marché du travail, prévention de maladies sexuellement transmissibles, entre autres conséquences positives pour le bien-être social de tous. Ce sont des mesures comme celles-ci, généralement avec sources de financement rares et réalisées par des personnes avec peu de recours, qui sont capables d'atteindre les populations les plus nécessiteuses et marginalisées de la société. La résolution de problèmes sociaux comme la misère et l'inégalité de distribution de recours dans le monde est fondée sur le caractère humain à aider ses semblables, caractère qui doit être préconisé dans les diverses discussions politiques sur le développement humain démocratique et égalitaire. Cependant, pour que nous atteignions un tel objectif, nous devons changer la direction de nos sentiments en relation au prochain, ceux-ci devenant chaque fois plus "secs" et se dissipant dans une foule d'émigrants dont la brutalité n'a jamais semblé si grande.

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"Agora imagine o que aquele homem que abraça o seu filho no meio de uma chuva de balas está sentindo."

Gabriela Santana Machado Silva

UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro – Campos dos Goytacazes – RJ

TRANSCENDÊNCIA Eu acordei ensolarada num dia cinzento. O vai e vem das marés me convidava para um passeio nas areias finas e brancas da praia. Apesar das nuvens e da sobriedade das cores que pintavam o céu, o mar estava azul e lá no alto voava um albatroz. Como eu, ele estava só. As poucas pessoas que caminhavam na praia vinham conversando assuntos que eu não ouvia. Na verdade o único som que eu conseguia escutar era o das carícias das ondas na areia, a minha própria respiração. Meus pés caminhavam sozinhos como se fizessem parte da água salgada, do chão. Meus braços dançavam no ar com intimidade e quando eu menos esperava, eu era aquele albatroz, eu era o horizonte, o céu nublado, as nuvens e também cada pessoa que eu via. Volto para casa. Nas ruas tortas da cidade os diálogos flutuam em meio a seres pobres, invisíveis. Eles pedem esmola, assim como aquele homem de terno debruçado na mesa do estabelecimento. Todos com o mesmo objetivo metálico e sem vida. Mas por debaixo daquele terno tem uma pessoa, que por sua vez contém um músculo involuntário igual ao meu. E por baixo daquele ser que senta, come e dorme no chão onde você cospe, por baixo daqueles trapos imundos, toca a mesma música. À noite, as roupas caminham sozinhas, vêem filmes, lêem livros, comem e, principalmente, bebem. As palavras dançam na superfície do ar. Elas falam de mudar o mundo, elas falam de união. E depois brincam de roda junto com a tísica fumaça que sobe de dentro da gente. Por fim entram em seus carros, tiram do bolso um pouco do peso que o seu conforto pode causar, estendem a mão e o fardo vira pão, vira cola de sapateiro, vira um momento de esquecimento, vira lágrima...o que fazer? Cada um é peça do grande quebra cabeça chamado Terra. A mesma batida. Não precisa da grande concentração de um monge, nem de um estetoscópio, nem de uma luneta, não precisa de televisão, de computador, de Internet...ele está aqui e também está aí. Está na China, nos EUA, na África, nas favelas do Rio, nos presídio, nas mansões: tum,tum,tum. Unesco | Folha Dirigida

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Como vencer a pobreza e a desigualdade? Feche os olhos e se concentre. O que você vê? Sua família? Seu emprego? Ouça a sua respiração, ouça a música divina que pulsa no seu corpo. Agora imagine o que aquele homem que abraça o seu filho no meio de uma chuva de balas está sentindo. Você pode ouvir o barulho ensurdecedor de uma bomba tombando as paredes que te dividem do resto do mundo? E se de repente aquele afegão, aquele iraquiano, aquela prostituta aidética ou aquele menino que teve a perna dilacerada e depois amputada por uma bomba, e se ele fosse você? Pior ainda, e se ele fosse o teu filho? Em meio a estes questionamentos, a resposta: a pobreza e a desigualdade só serão vencidas quando a humanidade acordar ensolarada num dia cinzento, ou seja, quando o amor for moeda única, mais valioso que a última gota de água e ao mesmo tempo comum como esta mesma gota no oceano.

.......................................... "Now imagine what that man who is hugging his son among the firing line is feeling." TRANSCENDENCE I woke up feeling sunny in a cloudy day. The tidal movement invited me to go for a walk on the beach's white and thin sand. Despite the clouds and the sober colors that painted the sky, the sea was blue and an albatross was flying high. Like me, the albatross was alone. Few people were walking by the beach, talking about subjects that I couldn't hear. In fact, the only sound I could manage to hear was the sound of the waves caressing the sand, and my own breath. My feet walked alone as if they were part of the sea water, of the ground. My arms danced intimately on air, and when I less expected, I was that albatross, I was the horizon, the cloudy sky, the clouds and each person I had seen. Then I came back home. At the winding streets of the town, dialogues float among poor and invisible beings. They're begging, like that man in a suit, bend over the bar's table. They all share the same metallic and lifeless purpose. But below that suit, there is a human being, who has an involuntary muscle just like mine. And, inside that man who sits, eat and sleep in the floor where you split, below that dirty rags, the same music is playing. At night, clothes walk alone, watch movies, read books, eat, and, most of all, drink. Words are dancing on air. They talk about changing the world, about union. And then they sing a merry-go-round, together with the consumptive

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smoke that flows out from us. At last they get into their cars, take off their pocket a part of the load that their comfort can cause, they stretch their hands and the load is transformed into bread, into shoemaker's glue, into a moment of oblivion, into a tear… what can we do? Each one of us is part of this huge puzzle called Earth. The same knock. It doesn't need the concentration of a monk, neither a stethoscope, nor a lunette, nor television, computer, Internet… it is here and it is there. It is in China, in USA, in Africa, in Rio's shantytowns, in the prisons, in the mansions: knock, knock, knock. How can we stop poverty and inequality? Close your eyes and concentrate. What do you see? Your family? Your job? Listen to your breath; listen to the divine music that pulses in your body. Now imagine what that man who is hugging his son among the firing line is feeling. Can your hear the huge noise of a bomb putting down the walls that protect you from the rest of the world? What if that Afghan, that Iraqi, that prostitute with AIDS, or that boy who had his leg destroyed and then cut off by a bomb, what if you were him? Or worse, if he was your child? Amongst these questions, the answer: poverty and inequality would be stopped only when humanity wakes up feeling sunny in a cloudy day, or else, when love would become the only richness, more expensive than the last drop of water and at the same time as ordinary as this drop within the ocean.

.......................................... "Maintenant imaginez ce que ressent un homme qui embrasse son fils au milieu d'une pluie de balles." TRANSCENDANCE Je me suis réveillée ensoleillée dans un jour grisaille. Le va et vient des marées m'invite à une promenade sur les sables fins et blancs de la plage. Malgré les nuages et la société des couleurs qui peignaient le ciel, la mer était bleue et en haut volait un pélican. Comme moi, il était seul. Le peu de personnes qui se promenaient sur la plage causaient de sujets que je n'entendais pas. En réalité, le seul bruit que je réussissais à écouter était celui des caresses des vagues sur le sable, ma propre respiration. Mes pieds marchaient tout seuls comme s'ils faisaient partie de l'eau salée, du sol. Mes bras dansaient dans l'air avec intimité et quand je ne m'y attendais pas, j'étais ce pélican, j'étais l'horizon, le ciel nuageux, les nuages et aussi chaque personne que je voyais. Unesco | Folha Dirigida

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Je rentre à la maison. Dans les rues tortueuses de la ville les dialogues fluctuent au milieu des êtres pauvres, invisibles. Ils font l'aumône, comme cet homme en costume appuyé sur la table de l'établissem*nt. Tous avec le même objectif métallique et sans vie. Mais au-dessous de ce costume il y a une personne, qui à son tour contient un muscle involontaire égal au mien. Et au-dessous de cet être qui s'assoit, mange et dort par terre où tu craches, en dessous de ces guenilles immondes, joue la même musique. La nuit, les vêtements marchent tout seuls, voient des films, lisent des livres, mangent et, surtout, boivent. Les paroles dansent à la superficie de l'air. Elles parlent de changer le monde, elles parlent d'union. Et ensuite jouent à la ronde avec la fumée usée qui monte dans nous. Enfin, entrent dans leurs voitures, enlèvement de leur poche un peu de poids que leur confort peuvent causer, tendent la main et le fardeau devient du pain, devient de la colle de cordonnier, devient un moment d'oubli, devient larme...que faire? Chacun est une pièce du grand casse-tête appelé Terre. Le même battement. Il n'est pas besoin d'une grande concentration d'un Monge, ni d'un stéthoscope, ni de jumelles, ni de télévision, d'ordinateur, d'Internet...il est ici et est aussi là. Il est en Chine, aux Etats-Unis, en Afrique, dans les bidonvilles de Rio, dans les prisons, dans les mansions: tum,tum,tum. Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité? Fermez les yeux et concentrezvous. Que voyez-vous? Votre famille? Votre emploi? Ecoutez votre respiration, écoutez la musique divine qui bat dans votre corps. Maintenant imaginez ce que ressent cet homme qui embrasse son fils au milieu d'une pluie de balles. Vous pouvez écouter le bruit assourdissant d'une bombe détruisant les murs qui t'isolent du reste du monde? Et si soudain cet afghan, cet iraquien, cette prostituée porteuse du Sida ou ce garçon qui a eu la jambe dilacérée et ensuite amputée par une bombe, et si c'était vous? Encore pire, et si c'était votre fils? Au milieu de ces questionnements, la réponse: la pauvreté et l'inégalité ne seront vaincues que lorsque l'humanité se réveillera ensoleillée dans un jour grisaille, c'est-àdire, quand l'amour sera la seule monnaie, plus précieux que la dernière goutte d'eau et en même temps commun comme cette même goutte dans l'océan.

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"Os grupos discriminados sentem, a flor da pele, a fome não só de pão, mas também de justiça, dignidade e respeito pela diversidade."

Gislei Martins de Souza

UNEMAT – Universidade do Estado de Mato Grosso – Pontes e Lacerda – MT

TEMOS FOME DE QUÊ? Vivemos uma época de constantes transformações em que comumente se fala em globalização, um processo que se intensificou com a expansão do capitalismo, suscitando o crescimento da interdependência entre todos os povos e países do mundo. Tal fato nos mostra que, com os avanços tecnológicos, o mundo passou a se integrar cada vez mais tanto do ponto de vista econômico quanto político e sócio-cultural. Nesse processo transitório, cada vez mais intenso, que põe em jogo a luta pelo poder e ascensão social, em detrimento das camadas menos favorecidas da sociedade, o sujeito que necessita das grandes potências industriais, para garantir o pão de cada dia, está sendo substituído, paulatinamente, pela automatização. Torna-se cada vez mais impossível matizar com a simbologia da bandeira nacional, a pobreza, a fome e os antagonismos sociais. Os grupos discriminados sentem, a flor da pele, a fome não só de pão, mas também de justiça, dignidade e respeito pela diversidade. De um lado, são múltiplas as teses de inclusão que pregam a valorização do ser humano em sua diversidade racial, lingüística, intelectual, étnica, etc. De outro, além de assistirmos diariamente o massacre de povos em virtude de questões políticas, religiosas e econômicas, ainda, vemos estampado, explicitamente, nos outdoors, nos jornais, nas propagandas de TV e, até mesmo, na própria escola uma série de valores que pregam a hom*ogeneização das identidades por meio de imaginários e preceitos moralizantes. A sociedade moderna ao adotar o consumismo exacerbado como regra de subsistência acabou por gerir e reproduzir as desigualdades sociais, os preconceitos, o racismo e a intransigência perante a miséria dos desfavorecidos. Não basta darmos voz aos excluídos para que lamentem seus sofrimentos e desgraças. Não basta oferecermos uma miséria mensalmente, pensando que isso irá suprir a necessidade de famílias que ainda não perderam a dignidade por alimentarem a esperança de uma vida melhor, sem discriminações. Não basta inferirmos discursos que colocam a pobreza, a desigualdade e o sofrimento como Unesco | Folha Dirigida

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redenção aos pecados. Não basta sensibilizarmos nossos filhos para que tenham compaixão pelo próximo, se ainda existe um inconsciente gritante de preconceitos fundado no consumismo e em esteriótipos culturais, raciais e religiosos. Num país extremamente rico pela sua diversidade paradisíaca e cultural torna-se imprescindível não só problematizarmos as diferenças étnico-culturais e religiosas, mas também repensarmos o papel das instituições sociais, em especial a escola, para que se alicerce, no âmbito de nossa realidade multicultural, uma nova postura sócio-política que respeite a diversidade e lute contra as desigualdades e a pobreza, promovendo realmente a ética e cidadania entre os povos. Somente assim combateremos todo tipo de fome coexistente em uma sociedade que, ainda não vestiu o estandarte da democracia.

.......................................... "Discriminated people feel, in their flesh, not only the hunger for bread, but also for justice, dignity and respect for diversity." WHAT ARE WE HUNGRY FOR? We live in a time of constant transformations, in which we usually talk about globalization, a process that was intensified with the expansion of capitalism, increasing the interdependence among people and among the countries of the world. Such fact shows us that, with technological advances, the world has become more and more economically, politically, and socially and culturally integrated. In this transition process, more and more intense, with the fight for power and social ascension in becoming increasingly harder, the less favored classes of society are being set aside; automatic processes are gradually substituting the individual who works for the great industrial entities in order to achieve his incomes. It is becoming impossible to match the symbolism of the Brazilian national flag with poverty, hunger, and social antagonisms. Discriminated people feel, in their flesh, not only the hunger for bread, but also for justice, dignity, and respect for diversity. On one side, there are multiple inclusion theories that preach the valorization of the human being in its racial, linguistic, intellectual, and ethnical diversities. On the other, besides watching the daily massacre of people because of political, religious, and economical matters, we still see portrayed, explicitly, on outdoors, newspapers, TV advertisem*nts, and even in schools, a series of values that Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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preach the hom*ogenization of identities in our imaginary and moral precepts. Modern society adopted excessive consumption as a rule of subsistence, and ended up producing and reproducing social inequalities, prejudice, racism, and intransigence related to the misery of poor people. It is not enough to give voice to excluded people so that they would complain about their sufferings and disgrace. It is not enough to offer monthly welfare thinking that this will supply the needs of families that have not yet lost their dignity because they dream of a better life without discrimination. It is not enough consider poverty, inequality and suffering as the redemption of our sins. It is not enough to make our children aware that they should have compassion for their likeness if there is still an unconscious prejudice based on consumption and cultural, racial, and religious stereotypes. In an extremely rich country, with such a cultural and geographical diversity, it is vital, not only to state the problems of ethnic, cultural and religious differences, but also to think about the role of social institutions, specially school, so that we may lay grounds, within our multicultural reality, for a new socio-political attitude, which would respect the diversity and combat inequalities and poverty, thus promoting ethics and citizenship. This is the only way we will combat all kinds of hunger that exist in a society which is not a real democratic one.

.......................................... "les groupes discriminés ressentent, à fleur de peau, la faim non seulement de pain, mais aussi de justice, de dignité et de respect de la diversité." NOUS AVONS FAIM DE QUOI? Nous vivons une époque de constantes transformations où l'on parle communément de globalisation, un processus qui s'est intensifié avec l'expansion du capitalisme, suscitant la croissance de l'interdépendance entre tous les peuples et les pays du monde. Ce fait nous montre que, avec les progrès de la technologie, le monde a commencé à s'intégrer chaque fois plus aussi bien du point de vue économique que politique et socioculturel. Dans ce processus transitoire, chaque fois plus intense, qui met en jeu la lutte pour le pouvoir et l'ascension sociale, au détriment des classes moins favorisées de la société, le sujet qui a besoin des grandes puissances industrielles, pour garantir le pain de chaque jour, est en train d'être remplacé, lentement, par l'automatisation. Il devient chaque fois plus impossible de diversifier avec le Unesco | Folha Dirigida

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symbole du drapeau national, la pauvreté, la faim et les antagonismes sociaux. Les groupes discriminés sentent, à fleur de peau, la fin non seulement du pain, mais aussi de justice, de dignité et de respect pour la diversité. D'un côté, les thèses d'inclusion qui prêchent la valorisation de l'être humain dans sa diversité raciale, linguistique, intellectuelle, technique, etc. sont multiples. De l'autre, en plus d'assister tous les jours au massacre de peuples en vertu de questions politiques, religieuses et économiques, nous voyons aussi, imprimée, explicitement, sur les outdoors, dans les journaux, dans les propagandes de TV et même, à l'école elle-même, une série de valeurs qui prêchent l'hom*ogénéité des identités au moyen d'imaginaires et préceptes moralisateurs. La société moderne en adoptant la consommation exacerbée comme règle de subsistance a fini par générer et reproduire les inégalités sociales, les préjugés, le racisme et l'intransigeance devant la misère des défavorisés. Il ne suffit pas que nous donnions la parole aux exclus pour qu'ils se lamentent de leurs souffrances et malheurs. Il ne suffit pas d'offrir une misère tous les mois, en pensant que cela pourra subvenir aux besoins de familles qui n'ont pas encore perdu la dignité en alimentant l'espoir d'une vie meilleure, sans discriminations. Il ne suffit de conclure des discours qui mettent la pauvreté, la misère, l'inégalité et la souffrance comme la rédemption des pêchés. Il ne suffit de sensibiliser nos enfants pour qu'ils ressentent de la pitié pour le prochain, s'il existe encore un inconscient criant de préjugés fondé sur la consommation et stéréotypes culturels, raciaux et religieux. Dans un pays extrêmement riche par sa diversité paradisiaque et culturelle, il devient indispensable de non seulement faire la problématique des différences ethno culturelles et religieuses, mais aussi de repenser au rôle des institutions sociales, spécialement l'école, pour que se fonde, dans le domaine de notre réalité multiculturelle, une nouvelle posture sociopolitique qui respecte la diversité et lutte contre les inégalités et la pauvreté, encourageant réellement l'éthique et la citoyenneté entre les peuples. C'est seulement ainsi, que nous combattrons tout type de faim coexistante dans une société qui, n'a pas encore vêtu l'étendard de la démocratie.

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"Mesmo havendo mentes conscientes e críticas, estas duelam com o crescente individualismo, dificultando reais mudanças."

Greicianne Sousa de Oliveira

UBM – Universidade de Barra Mansa – Barra Mansa – RJ

PRECISAMOS DE VOCÊ Não é fácil pensar numa manhã de sol quando se acorda sempre em noites nubladas, crianças morrem a cada minuto por causas evitáveis; nossa gente come lixo; condições subumanas para humanos. Quando se depara com o descaso, com a indiferença, com o egocentrismo, onde o eu é tão importante que bilhões de pessoas tornam-se invisíveis, não se enxerga nossa gente na África que morre a cada minuto; nossas crianças ali na esquina, sem futuro, sem presente, sem a chance de simplesmente, viver. Numa sociedade avessa às utopias -nunca se pensou que pessoas pudessem parar de sonhar– numa associação tão particularizada, num mundo destruído, enfim, das cinzas, pode tudo mudar, ou pelo menos, é isto o que todos ou muitos esperam, a mudança, no entanto, sem dores ou lutas. As transformações são constantes na dinâmica do mundo, a sociedade está em permanente construção, e seus atuantes podem variar, a burguesia assume esta posição ao tirar este poder dos monarcas. Não que uma grande maioria oprimida e ignorante à dominação, alienada pelo sistema, absorta pelo consumo, consiga atingir, com a atual situação da educação, a posição de suscitadora de mudanças; no entanto, uma importante contribuinte poderia ser o bastante, pessoas conscientes de direitos e reivindicadoras de transformações. O desafio encontra-se em como preparar a massa para assumir esta posição, função dos chamados formadores de opiniões, estes que muitas das vezes, mesmo que de uma forma inconsciente, são vilões reprodutores de discursos elitistas, pelos quais se sustentam as bases da dominação. Jornalistas, profissionais que deveriam tornar comum assuntos de interesse à sociedade, assumem brilhantemente este papel de mantenedores do poder, ao nos afastar das mudanças, ao colocar importância ao fútil e nos transmitir visões de uma classe dominadora para aceitar as diferenças sociais, a exploração, eles possuem o veneno,mas também o antídoto. Com pontes solidificadas, mesmo havendo muitas quedas, o caminho pode ser guiado e a linha de chegada alcançada, onde outro importante personagem entra em cena, os profissionais da educação, construtores de mentes capazes de interpretar o mundo e assim mudá-lo. Unesco | Folha Dirigida

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Mesmo havendo mentes conscientes e críticas, estas duelam com o crescente individualismo, dificultando reais mudanças. Formulas e caminhos para significativas ou pequenas alterações de micro estruturas existem, estas que de uma forma contínua e a longo prazo, podem amenizar os impactos da miséria, da fome, das injustiças sociais. No entanto, a luta incessante do eu pelo meu, impede toda e qualquer mudança que requerera a ação do indivíduo para o todo. Menospreza-se a incapacidade do homem de existir sem a sociedade, numa tentativa insana de tentar colocá-la à parte, de ignorar que qualquer ato ou omissão o afeta, pois encontra-se numa estrutura possuidora de influências mútuas, faz parte de uma grande composição que só unida pode sustentar-se. Por isso, até pequenas mudanças e ações de forças unidas são capazes de trazer grandes impactos à sociedade, este emaranhado que a todo momento é capaz de influenciar e ser influenciado. Em suma, a dinâmica da sociedade está em curso, todos devem estar preparados para assumir a posição de agentes e dirigir as mudanças numa ação conjunta, podemos desta forma vencer a pobreza, as desigualdades, assim como qualquer luta almejada.

.......................................... "Even with conscious and critical minds, both must fight against the increasing individualism that impairs real changes." WE NEED YOU It is not easy to think of a sunny morning when you always wake up with cloudy nights, children dying of avoidable causes at every minute; our people eat trash; these are human beings living in subhuman conditions. Billions of people become invisible when confronted to the carelessness, the indifference, and the egocentrism of the ones who cannot think of nothing but "me". We cannot see people who die every minute in Africa; there are children there, at the corner, with no future, no present, without a chance to live. In a society contrary to utopias – it was never thought that people could stop dreaming -, in such a particular association, in a destroyed world – at last, from the ashes, everything can change or, at least, this is what most people expect: a change without pain or fights. The changes in the world's dynamics are constant, society is in permanent construction, and its actors may vary, the bourgeoisie assumed its position when Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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it took of power from the monarchs. Not that a great majority of people, oppressed and ignorant of the domination, alienated by the system, absorbed by consumption, would reach, with the present situation of education, the position of change rousers; however, an important contributor should be enough, together with people who are aware of their rights and who claim for changes. The challenge lies in preparing the masses to assume this position, the position of the so-called opinion formers, these who many times, even if unconsciously, are the villains, reproducers of the elitist discourse in which domination is based. Journalists, professionals who should make the society's interests common matters, brilliantly take the role of power supporters, pushing us away from changes, making what is futile become important and broadcasting the views of the dominant class, so that we would accept social differences, and exploitation. Journalists have the poison, but they also have the antidote. With solid bridges, even if there are many falls, they can lead the way to reach the finish line, when another important character would appear, the education professionals, builders of minds that can understand the world and thus change it. Even with conscious and critical minds, both must fight against the increasing individualism that impairs real changes. There are formulas and means to achieve significant or small changes in the society's microstructures; these, in a continuous way and in the long term, would lessen the impacts of misery, hunger, or social injustices. However, the unending fight against the "give me mine" thought impairs each and all change that would require an individual action for the whole. Man's incapacity to exist without a society is underestimated, in an insane attempt to try to put it aside, to ignore that any act or omission affects him because he is within a frame that has mutual influences, a part of a large structure that can only stand still if united. So, even small changes and combined actions can cause a great impact in society, this entangled structure that at all times is capable of influencing and being influenced. In summary, the society dynamics is in progress, we all should be prepared to act as agents and perform changes in a joint action; in this way we can stop poverty, inequalities, as well as any other required fight.

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"Même ayant des esprits conscients et critiques, ceux-ci luttent contre l'individualisme croissant, rendant difficiles les réels changements." NOUS AVONS BESOIN DE TOI Il n'est pas facile de penser à un matin ensoleillé quand on se réveille toujours dans des nuits nuageuses, à des enfants qui meurent toutes les minutes pour des causes évitables; notre peuple mange des ordures; conditions inhumaines pour humains. Quand on fait face à la négligence, l'indifférence, l'égocentrisme, ou le moi est si important que des milliards de personnes deviennent invisibles, on ne voit les gens qui meurent à chaque minute en Afrique; nos enfants là au coin des rues, sans venir, sans présent, sans la chance de vivre, tout simplement. Dans une société contraire aux utopies -on n'a jamais pensé que des personnes pourraient s'arrêter de rêver– dans une association si particularisée, dans un monde détruit, enfin des cendres, tout peut changer, c'est au moins cela que tous ou beaucoup attendent, le changement, cependant, sans douleurs ni luttes. Les transformations sont constantes dans la dynamique du monde, la société est en permanente construction, et les actuants peuvent changer, la bourgeoisie assume cette position en enlevant ce pouvoir des rois. Non qu'une grande majorité opprimée et ignorante à la domination, aliénée par le système, absorbée par la consommation, réussisse à atteindre, avec l'actuel situation de l'éducation, la position de susciteuse de changements; cependant, une importante contribution pourrait être suffisante, des personnes conscientes des droits et revendicatrices de transformations. Le défi se trouve dans le fait de comment préparer la masse pour assumer cette position, fonctions de ce que l'on appelle formateurs d'opinions, ceux qui souvent, même de manière inconsciente, sont les vilains reproducteurs de discours élitistes, par lesquelles se soutiennent les bases de la domination. Journalistes, professionnels qui devraient rendre commun les sujets d'intérêt à la société, assument brillamment ce rôle de souteneurs de pouvoir, en nous éloignant des changements, en plaçant l'importance au futile et nous transmettre des visions d'une classe dominatrice pour accepter les différences sociales, l'exploration, ils possèdent le venin, mais aussi l'antidote. Avec des ponts solidifiés, même ayant beaucoup de chutes, le chemin peut être guidé et la ligne d'arrivée atteinte, où un autre personnage important entre en scène, les professionnels de l'éducation, constructeurs d'esprits capables d'interpréter le monde et ainsi le changer. Même ayant des esprits conscients et critiques, ils se battent contre l'individualisme croissant, rendant difficiles de réels changements. Formules et

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chemins pour des modifications significatives ou petites de micro structures existent, qui de forme continue et à long teme, peuvent améniser les impacts de la misère, de la faim, des injustices sociales. Cependant, la lutte incessante du moi pour le mien, empêche toute ou n'importe quel changement qui exige l'action de l'individu pour le tout. On méprise l'incapacité de l'homme d'exister sans la société, dans une tentative malsaine d'essayer de la mettre à part, d'ignorer tout acte ou omision l'affecte, car elle se trouve dans une structure possessive d'influences mutuelles, fait partie d'une grande composition qui, seulement unie, peut se soutenir. Pour cela, même des petit* changements et actions de forces unies sont capables d'apporter de grands impacts à la société, cette embrouille qui à tout moment est capable d'influencer et être influencée. En somme, la dynamique de la société est en cours, tous doivent être préparés pour assumer la position d'agents et diriger les changements dans une action conjointe, nous pouvons ainsi vaincre la pauvreté, les inégalités, ainsi que toute lutte souhaitée.

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"Para transcendermos a uma eqüidade social, é necessário que nossa educação se alie, dialeticamente, ao fazer cultural individuado..."

Gustavo Alexandre Ferreira da Silva

UEPB – Universidade Estadual da Paraíba – Campina Grande – PB)

JUSTIÇA GLOBAL Representando o nosso desequilíbrio sócio-cultural, a pobreza e a desigualdade delineiam o perfil da mesquinhez de uma espécie que ultraja todas as outras com seu arrogante ar de superioridade salvaguardado por um encéfalo de alta desenvoltura e que atualmente sequer consegue sanar as misérias da fome no mundo. Afinal de contas, os costumes contemporâneos despontam num mar individualista. Por ser multifacetada, a pobreza mostra-se como um dos problemas de resolução mais desafiante para o homem. Suas diversas máscaras correspondem à falta de aliança entre um patrimônio da humanidade: a cultura, e princípios de individuação, em que cada sujeito age em prol do todo. O ente contemporâneo não consome cultura, no sentido antropológico da palavra. Ele tem uma cultura de consumo não baseada em costumes totemizados, mas numa postura mercadológica; que para se manter rotativa, sempre dispõe de um novo produto. E esse indivíduo pós-moderno, vulgo consumidor, tem sua sensibilidade arrancada por essas midiosferas da vendagem. As artes, as crenças, a filosofia, a medicina; enfim, as tradições de um povo formam sua cultura. E ela, nas antigas civilizações como as indígenas e as pagãs, era um todo interligado, no qual as cerimônias ritualísticas simbolizavam o domínio e o acesso públicos. Já em nossa tão projetada sociedade, a cultura tomou uma nova carapuça com as ciências. O advento da modernidade trouxe-nos mudanças significativas, situando-nos na era da informatização. Com isso, o espaço artístico, por exemplo, está se tornando exclusivo àqueles que se enquadram nos modelos da globalização. E de acordo com nossos costumes atuais – como o de, cegamente, vivermos em constante ruptura e numa exacerbada preocupação de projeção individual -, parece-nos inconcebível, e mesmo aterrorizante, pensarmos sobre como estará o mundo daqui a mais um milênio. Para transcendermos a uma eqüidade social, é necessário que nossa educação se alie, dialeticamente, ao fazer cultural individuado, em que a riqueza das nossas diferenças seja celebrada; e não, como de costume, discriminada e sobrepuComo vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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jada. Assim, a nossa expressão maior – a cultura – retomará seu pudor popular, e não uma compostura massificada com a banalização dada por uma ternura vulgar. Com essa justeza de valores, virtudes brotarão nos mais diversos pontos de nossa sociedade: a política se despirá da politicagem; a violência civil – causada pelas indignações para com as desigualdades e para a qual temos um corpo policial tentando atenuar seu constante crescimento -, será retraçada por valores familiares; e até mesmo empregos surgirão em áreas como o turismo, já que este é uma combinação entre meio-ambiente e uma cultura de valores suntuosos. Apenas identificarmos esta problemática em nossos gabinetes de pesquisas não trará glória alguma a uma humanística empreitada por justiça global. Cabe a cada um de nós, através de uma prática empírica, darmos o nosso exemplo com gestos singulares que, somados, terão uma plural relevância.

.......................................... "To transcend to social equality, it is necessary that our education makes an alliance, dialectically, with the individuated cultural making..." GLOBAL JUSTICE Representing our socio-cultural unbalance, poverty and inequality outline the avarice profile of a species that outrages all others with its arrogance, guarded in a high performance encephalon and that presently cannot even heal the miseries of hunger in the world. After all, the contemporary behavior rises from our sea of individuality. For being so multifaceted, poverty presents itself as one of most challenging problems for man. Its several masks correspond to the lack of alliance between one of humanity's heritage: culture, and the principles of individuation, in which each one acts in favor of the whole. Contemporary man does not consume culture in the anthropological sense of the word. He has a consumption culture, based not on tokenized customs, but on a market posture, that, to keep revolving, always has new products available. And this post-modern individual, the socalled consumer, has his sensibility plucked out by the sales' medias. Art, beliefs, philosophy, and medicine: the traditions of a group build its culture. And culture, in ancient civilizations as the Indians and pagans, was considered as a whole in which the ritualistic ceremonies symbolized the public dominium and access. Now, in our modern society, culture put on a new label on sciences. The advent of modernity brought us significant changes, placing us Unesco | Folha Dirigida

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in the informatics era. With this, the artistic space, for example, is becoming exclusive of those who fit the globalization models. According to our present habits – such as blindly living in a constant rupture and with an exaggerated interest in personal projection -, it seems inconceivable to us, and even terrifying, to think how the world would be in the next millennium. To transcend to social equality, it is necessary that our education make an alliance, dialectically, with the individuated cultural making, in which the richness of our differences will be celebrated, instead of, as usual, being discriminated and defeated. Thus, our greater expression – culture – will recover its popular chastity, instead of a posture influenced by the degradation brought about by a vulgar tenderness. With this righteousness of values, virtues will spring out in the most varied spots of our society: the politics will undress pettiness, the violence – caused by the indignation with inequality and for which we have a police force trying to lower its constant growth – will be redrawn by familiar values, and there will be more jobs in areas such as tourism, since this is a combination of environment with a culture of sumptuous values. Merely identify this problem in our research offices will bring no glory to a humanistic search for global justice. It is up to each one of us, through an empirical practice, to give the example with singular gestures, that added together, will be of plural relevance.

.......................................... "Pour que nous transcendions à une équité sociale, il est nécessaire que notre éducation s'allie, dialectiquement, en faisant le culturel individualisé..." JUSTICE GLOBALE Représentant notre déséquilibre socio culturel, la pauvreté et l'inégalité tracent le profil de la mesquinerie d'une espèce qui outrage toutes les autres avec son arrogant air de supériorité sauvegardant par un encéphale de haute désinvolture et qui ne réussit même pas actuellement à guérir les misères de la faim dans le monde. En fin de comptes, les coutumes contemporaines naissent dans un océan individualiste. Pour être à multi facettes, la pauvreté se montre comme l'un des problèmes de résolution plus provocateur pour l'homme. Ses différents masques correspondent au manque d'alliance entre un patrimoine de l'humanité: la culture, Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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et principes d'individualisme, où chaque sujet agit en faveur de tout. L'être contemporain ne consomme pas la culture, dans le sens anthropologique du mot. Il a une culture de consommation non basée sur les coutumes de totem, mais une posture mercadologique; qui pour se maintenir rotative, dispose toujours d'un nouveau produit. Et cet individu post moderne, vulgaire consommateur, a sa sensibilité arrachée par ces sphères des médias de la vente. Les arts, les croyances, la philosophie, la médecine; enfin, les traditions d'un peuple forment sa culture. Et elle, dans les anciennes civilisations comme les indigènes et les païens, était un tout inter lié, dans lequel les cérémonies rituelles symbolisaient la dominance et l'accès publics. Dans notre société si projetée, la culture a pris une nouvelle carapace avec les sciences. La venue de la modernité nous a apporté des changements significatifs, nous situant dans l'ère de l'informatique. Avec cela, l'espace artistique, par exemple, devient exclusif pour ceux qui s'encadrent dans les modèles de la globalisation. Et en accord avec nos coutumes actuelles – comme celle de, aveuglément, vivre en constante rupture et dans une préoccupation exacerbée de projection individuelle -, il nous semble inconcevable et même effrayant, de penser comment sera le monde d'ici plus d'un millénaire. Pour que nous transcendions à une équité sociale, il est nécessaire que notre éducation s'allie, dialectiquement, en faisant le culturel individualisé, où la richesse de nos différences soit célébrée; et non, comme de coutume, discriminée et surpassée. Ainsi, notre expression majeure – la culture – reprendra sa pudeur populaire, et non pas une formation de masse avec la banalisation donnée par une tendresse vulgaire. Avec cette justesse de valeurs, les vertus pousseront dans les plus divers points de notre société: la politique se défera de politisation; la violence civile – causée par les indignations par rapport aux inégalités et pour laquelle nous avons un corps policier essayant d'atténuer sa croissance constante -, sera retracée par des valeurs familiales; et même des emplois surgiront dans les domaines comme le tourisme, car celui-ci est une combinaison entre l'environnement et une culture de valeurs somptueuses. Le fait de seulement identifier cette problématique dans nos cabinets de recherche n'apportera aucune gloire à une entreprise humanitaire pour la justice globale. Il incombe à chacun de nous, au travers d'une pratique empirique, de donner notre exemple avec des gestes qui, sommés, auront une importance diversifiée.

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"Educar o homem é um ato de amor. Quem ama educa até pelo olhar. Convence ao estender a mão pelo gesto em si. O miserável está destituído de suas entranhas."

Gusthavo Corrêa Gonçalves dos Santos

Universidade Estácio de Sá – Belo Horizonte – MG

A SIMPLICIDADE IGUALITÁRIA E PRÓSPERA DA NATUREZA HUMANA Você viu sua natureza hoje? Olhou para uma árvore? Poderia supor a quantidade de folhas que ostentava? Verde abundante e incontável... Da mesma forma brotam aos milhares as gotas do orvalho, os frutos no cerrado e a explosão de luzes de um crepúsculo. Tudo na natureza é cheio até a borda por uma riqueza convidativa. Nós, amplamente interligados por fios de fibra ótica, atropelamo-nos em plena corrida virtual. O tempo não é suficiente para a observação sugerida. Empobrecemo-nos em larga escala, ao nos afastarmos de nossa natureza interior. Educar o homem é um ato de amor. Quem ama educa até pelo olhar. Convence ao estender a mão pelo gesto em si. O miserável está destituído de suas entranhas. Elas não mais lhe pertencem. Pertencem ao consumo ilimitado ou ao vício da esmola. Sem entranhas não gritam mais a própria dor. Ambos os extremos se encontram em miséria, no afastamento de si mesmos. "Quem sou?"; perguntam ao se cruzarem entre viaduto e asfalto. Olham-se e não se reconhecem. Seres de uma mesma espécie. Humanos. Lapidados como obra-prima galáctica há milhões de anos. Perderam-se de um sentido de unidade que os reconhece interdependentes. O desafio de vencer a pobreza e a desigualdade passa necessariamente pela educação de valores. Valores esses particulares, que suportam as diferenças de pensamento, que integram cores, vozes, preces e anseios. Vencer a pobreza é antes retirar o homem da miséria da falta de valores e igualar pelo sentido familiar de pertencer a uma única espécie humana. O sentimento de valor traz prosperidade a qualquer proletário, se for mostrada a ele sua identidade. Seja sua cidade natal, sua origem ancestral, seu berço, seu clã. Se, por um gesto de misericórdia humana, telúrica e real, for concedido ao ser o trabalho íntimo e ao mesmo tempo social de resgatar sua origem, tal sen-

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tido pleno de conjunto ativará a força da hierarquia revolucionária destes possíveis homens livres. Pertencemos a algo maior que nós mesmos já ancestralmente, por direito natural. Fomos usurpados deste sentimento de Ser. Resgatá-lo encaixa-nos novamente em nosso eixo e faz brilhar no zênite o olhar revigorado de uma nova humanidade. Uma corajosa educação de valores, portanto, é o caminho para o revolver da terra e a modelagem de um homem geo-político capaz de vencer a pobreza e a desigualdade.

.......................................... "Educate man is an act of love. The one who loves would educate even with a look, would convince when stretching out a hand for the gesture itself. The miserable is destitute of his bowels." THE EQUALITARIAN AND PROSPEROUS SIMPLICITY OF HUMAN NATURE Have you seen your nature today? Did you look at a tree? Could you figure the amount of leaves it has? Abundant and countless green… In the same way, millions of drops of dew are spring out. There are fruits in the prairies and there is an explosion of lights in the sunset. Everything in nature is full of an inviting richness. But we – widely connected by optical fiber wires -, we run over each other in the middle of the virtual race. Time is not enough observe nature. We are impoverished in a large scale by being torn apart from our interior nature. Educate man is an act of love. The one who loves would educate even with a look, would convince when stretching out a hand for the gesture itself. The miserable is destitute of his bowels, which no longer belong to him. It belongs to the unlimited consumption or to the begging vice. Without bowels, they can no longer cry out their pain. Both extremes meet in misery, in being apart from themselves. "Who am I?" they ask when they pass by each other between asphalt and viaducts. They look and do not recognize each other, even belonging to the same species – human species – that was created as a galactic masterpiece millions of years ago. They have lost the sense of unity that recognizes them as interdependent. The challenge of stopping poverty and inequality goes through, necessarily, the education of values. Such values that is individual, that support differences Unesco | Folha Dirigida

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in thought, which integrates colors, voices, prayers, and hopes. To stop poverty is first to remove man from the misery of the lack of values and to make him equal by the familiar sense of belonging to the same and only human species. The feeling of value brings prosperity to any proletarian, if his identity is showed to him: being that identity his hometown, his ancestral origin, his birthplace, or his clan. If, by a gesture of human mercy, telluric and real, a human receives the intimate and at the same time social work of recovering his origin, a full sense of completeness will activate the revolutionary hierarchy's force of these free men to be. We belong to something greater than us, by natural law. We were deprived of this feeling of Being. Recovering it would place us back in our axis e would allow our look, renewed by a new humanity, to shine again in the zenith. A courageous education based on values is, thus, the way to revolve the land and to model a geopolitical man who can stop poverty and inequality.

.......................................... "Eduquer l'homme est un acte d'amour. Celui qui aime éduque même par le regard. Convainc en tendant la main par le geste en soi. Le misérable est destitué de ses entrailles." LA SIMPLICITÉ EGALITAIRE ET PROSPÈRE DE LA NATURE HUMAINE Tu as vu ta nature aujourd'hui? As-tu regardé un arbre? Pourrais-tu supposer la quantité de feuilles qu'il exhibait? Vert abondant et innumérable... De la même façon poussent par milliers les gouttes de rosée, les fruits dans les arbustes et l'explosion de lumières au crépuscule. Tout dans la nature est plein jusqu'au bord d'une richesse attrayante. Nous, amplement reliés par des fils de fibre optique, nous nous renversons en pleine course virtuelle. Le temps n'est pas suffisant pour l'observation suggérée. Nous nous appauvrissons à large échelle, et nous éloignons de notre nature intérieure. Eduquer l'homme est un acte d'amour. Celui qui aime éduque même par le regard. Convainc en tendant la main par le geste en soi. Le misérable est destitué de ses entrailles. Elles ne lui appartiennent plus. Elles appartiennent à une consommation illimitée ou au vice de l'aumône. Sans entrailles ils ne crient plus la propre douleur. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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Les deux extrêmes se trouvent en misère, dans l'éloignement d'elles-mêmes. "Qui suis-je?"; demandent-elles en se croisant entre viaduc et goudron. Elles se regardent et ne se reconnaissent pas. Etres d'une même espèce. Humains. Lapidés comme une oeuvre d'art galathée il y a des millions d'années. Elles se sont perdues d'un sens d'unité qui les reconnaît interdépendantes. Le défi de vaincre la pauvreté et l'inégalité passe nécessairement par l'éducation de valeurs. Valeurs particulières, qui supportent les différences de pensées, qui intègrent les couleurs, voix, prières et désirs. Vaincre la pauvreté c'est avant tout retirer l'homme de la misère du manque de valeurs et égaler par le sens familier d'appartenir à une seule espèce humaine. Le sentiment de valeur apporte prospérité à n'importe quel prolétaire, si son identité lui est montrée. Que ce soit sa ville natale, son origine ancestrale, son berceau, son clan. Si, par un geste de miséricorde humaine, tellurique et réelle, est concédé à l'être le travail intime et en même temps social de sauver ses origines, ce sens plein d'ensemble activera la force de la hiérarchie révolutionnaire de ces possibles hommes libres. Nous appartenons à quelque chose de plus grand que nous-mêmes déjà à l'époque de nos ancêtres, par droit naturel. Nous avons été usurpés de ce sentiment d'Etre. Le sauver nous met de nouveau sur notre axé et fait briller au zénith le regard revigore d'une nouvelle humanité. Une courageuse éducation de valeurs, par conséquence, est le chemin pour le retourner à la terre et le moule d'un homme géo politique capable de vaincre la pauvreté et l'inégalité.

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"Pobre típico pobre! Sem pai reconhecido, apenas uma mãe que não lhe dava de comer. Não por ser malvada ou coisa parecida..."

Hegel Gomes Bittencourt

Faculdade dos Guararapes – Recife – PE

ZEZINHO, O PEQUENO PRÍNCIPE Zezinho, simplesmente; mais simples do que mente. Identidade: menino pobre do centro da Favela dos MortaFome, periferia hipotética de qualquer metrópole que se possa imaginar. Contava apenas com seus nove anos, mas nem tão menino assim. Pobre típico pobre! Sem pai reconhecido, apenas uma mãe que não lhe dava de comer. Não por ser malvada ou coisa parecida, mas porque não tinha condições de fazê-lo e não queria roubar. O primeiro grande ensinamento de Zezinho: não roubar. – Não roubar... – praguejava Zezinho, nas horas de fome e aflição. E lhe vinha a figura da mãe, que, apesar do mérito de não ser uma ladra, estava quase morrendo por inanição. E este também seria o seu destino? Sua mãe não roubara, mas era como se o mundo estivesse roubando a sua dignidade... E a sua vida. E o pior é que Zezinho olhava para os lados e não via Desigualdade: todos eram iguaizinhos a ele, coitados, com tanta fome de tanta coisa, com tão poucos sonhos. Graças a Deus, segundo ele, não havia Desigualdade a ser vencida, somente a Pobreza, porém uma Pobreza verdadeiramente forte, traiçoeira, difícil de ser combatida. Não sabia ele que a Desigualdade era, na realidade, outra face da Pobreza. Então pensou: – Se a Pobreza pode ser tão forte assim, mesmo sem comida, deve ter um jeito. Assim, ele apenas sabia que tinha uma forma de vencer, o que aprendeu com a própria Pobreza. Afinal de contas, não era assim tão desprezível a danada. Mas qual seria o caminho que o levaria a subjugar a própria mestra? Como não tinha a mínima idéia da resposta para tal indagação, pôs-se a procurar, perguntar. Na favela, todos palpitavam. Alguns o achavam louco, por tamanha utopia; muitos o convidavam ao mundo das drogas; outros, ao mundo dos roubos. Como se vê, havia muitos mundos: o dos incrédulos, o dos drogados e traficantes, o dos assaltantes. Os primeiros, de pronto rechaçou; quanto aos demais, logo de sua mãe se lembrou. Mas, e as drogas? Olhou ao redor e viu que, neste mundo, todo mundo morria muito cedo e não era isso que ele queria. E, no centro de todo este Universo, ele, o pequeno Zezinho. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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Aprendeu logo cedo, então, o seu segundo grande ensinamento: que, na verdade, existiam muitos mundos, iguais e diferentes ao mesmo tempo, unidos pela Pobreza, Rainha absoluta de seu Universo. E ele? O Rei? Não, talvez o Pequeno Príncipe – de seu pequeno Mundo, ao menos. Assim, pôs-se a filosofar: – Será que existem outros mundos? Até mesmo outros universos, onde a Pobreza não reine? E, simplesmente, saiu voando com o pensamento nas nuvens, agora mais mente do que simples, de olho no seu terceiro grande ensinamento: sonhar, acreditar que tudo realmente pode mudar. Para ele, era apenas o início de sua grande batalha contra a Rainha do Universo.

.......................................... "Poor typical poor! With unknown father, only a mother who wouldn't feed him. Not for being mean or anything like that..." ZEZINHO, THE LITTLE PRINCE Simply Zezinho; more simple than simply. Identity: poor boy from the center of Favela dos MortaFome, hypothetical shanty town from any metropolis you can imagine. He has only nine years of age, but not as young as it seems. Poor typical poor! With unknown father, only a mother who wouldn't feed him. Not for being mean or anything like that, but because she didn't have the means to do it and she didn't want to steal. Zezinho's first great teaching: do not steal. "I will not steal...", swore Zezinho in the times of hunger and grief. And he remembered his mother, who had the merit of not being a robber but who was dying of inanition. Would this be his destiny as well? His mother did not steal, but it was like the world was stealing her dignity… and her life. The worst of all was that Zezinho looked sideways and did not see Inequality: all people were like him, miserable, hungry for so many things, with so few dreams. Thank God, according to him, there was no Inequality to beat, only Poverty, although a truly strong Poverty, treacherous, hard to fight. He did not know that Inequality was, in fact, another aspect of Poverty. So he though: "If Poverty can be this strong, even without food, there must be a way." So, he only knew there was one way to win, which he learnt from Poverty itself. After all, it wasn't so despicable. But which would be the way to subdue his own mistress? Unesco | Folha Dirigida

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Since he had no idea of the answer to such question, he searched, asked. In the shanty town, everyone gave an opinion. Some thought him mad for such utopia; many invited him to the world of drugs; others, to the world of robbery. As one can see, there were many worlds: those of disbelievers, of the drugaddicts and dealers, of the robbers. The first, he quickly rebuffed; as for the rest, he remembered of his mother. But what about the drugs? He looked around him and saw that, in this world, everyone died young and that was not what he wanted. And, in the center of this Universe, there was he, little Zezinho. He had learn early, then, his second great teaching: that, in reality, there were many worlds, similar and different at the same time, unified by Poverty, the absolute Queen of this Universe. And him? Was he the King? No, maybe the Little Prince – of his little World, at least. So, he started to think: "Are there other worlds? Even other universes, were Poverty does not reign?" And, simply, he flew with his thoughts in the clouds, now more simply than simple, with his eye on the third great teaching: to dream, to believe that everything can really change. For him, it was only the beginning his great battle with the Queen of the Universe.

.......................................... "Pauvre typique pauvre! Sans père reconnu, seulement une mère qui ne lui donnait pas à manger. Non parce qu'elle était cruelle ou quelque chose comme ça..." ZEZINHO, LE PETIT PRINCE Zezinho, simplement; plus simple qu'il ne ment. Identité: petit garçon pauvre du centre du bidonville des Morts de Faim, périphérie hypothétique de n'importe quelle métropole que l'on puisse imaginer. Il avait à peine neuf ans, mais pas si petit. Pauvre typique pauvre! Sans père reconnu, seulement une mère qui ne lui donnait pas à manger. Non parce qu'elle était cruelle ou quelque chose comme ça, mais parce qu'elle n'avait pas les conditions de le faire et ne voulait pas voler. Le premier grand enseignement de Zezinho: ne pas voler. -Ne pas voler... – maudissait Zezinho, aux heures de faim et de tristesse. Et lui venait la figure de sa mère, qui, malgré le mérite de ne pas être une voleuse, était presque morte d'inanition. Et serait-ce aussi son destin? Sa mère ne volait pas, mais était comme si le monde volait sa dignité... Et as vie. Et le pire est que Zezinho regardait de côté et ne voyait pas l'Inégalité: tous Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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étaient égaux à lui, les pauvres, avec tant de faim de tant de choses, ayant si peu de rêves. Grâce à Dieu, selon lui, il n'y avait pas d'Inégalité à vaincre, seule la Pauvreté, cependant une Pauvreté vraiment forte, traître, difficile à combattre. Il ne savait pas que l'inégalité était, en réalité, l'autre face de la Pauvreté. Il pensa alors: – Si la Pauvreté peut être forte ainsi, même sans nourriture, il doit y avoir un moyen. Ainsi, il savait à peine qu'il y avait un moyen de vaincre, ce qu'il apprit avec la Pauvreté elle-même. En fin de comptes, elle n'était pas si misérable cette sacrée pauvreté. Mais quel serait le chemin qui le mènerait à subjuguer la propre maîtresse? Comme il n'avait la moindre idée de la réponse à une telle question, il se mit à chercher, à demander. Dans le bidonville, tous palpitaient. Certains le trouvaient fou, à cause de cette immense utopie; beaucoup l'invitaient dans le monde des drogues; d'autres, dans le monde des vols. Comme on le voit, il y avait plusieurs mondes: celui des incrédules, celui des drogués et des trafiquants, celui des voleurs. Les premiers, il les élimina tout de suite; quant aux autres, il se souvint tout de suite de sa mère. Mais, et les drogues? Il regarda autour et vit que, dans ce monde, tous mourraient très jeunes et ce n'est pas cela qu'il voulait. Et, au centre de tout cet Univers, lui, le petit Zezinho. Il apprit très jeune, alors, son deuxième grand enseignement: que, en réalité, il existait beaucoup de mondes, égaux, différents en même temps, unis par la Pauvreté, Reine absolue de son Univers. Et lui? Le Roi? Non, peut-être le Petit Prince – de son petit Monde, au moins. Ainsi, il se mit à philosopher: – Existe-til d'autres mondes? Même d'autres univers, ou la Pauvreté ne règne pas? Et, simplement, il partit en courant, les pensées dans les nuages, maintenant plus mente que simple, attentif à son troisième grand enseignement: rêver, croire que tout peut vraiment changer. Pour lui, c'était à peine le début de sa grande bataille contre la Reine de l'Univers.

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"...a educação quando promovida isoladamente, não oferece resultados concretos de eliminação da miséria ou na redução das desigualdades sociais."

Igor do Rego Barros de Aragão

UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

DO INDIVÍDUO À SOCIEDADE A busca pelo desenvolvimento pessoal sempre existiu na vida de cada ser humano. No plano intrapessoal, buscamos aprimorar nossas habilidades, ampliar nosso autoconhecimento e criar sólidas relações interpessoais. Quando pensamos em sociedade não é muito diferente. Principalmente, quando pensamos em sociedades modernas, dotadas de um Estado cujo um dos alicerces é justamente a sua finalidade social. Finalidade essa de permitir que cada ser humano possa se desenvolver sozinho, oferecendo os instrumentos e oportunidades necessárias. Primeiramente, podemos ressaltar que a principal fonte da pobreza é justamente a desvalorização do trabalho humano – quanto menos capital o trabalho gera, a mais pobreza estará sujeito o indivíduo que o realiza. Nesse ponto, a superação da pobreza está intrinsecamente ligada ao desenvolvimento de habilidades que valorizem o trabalho humano, ou seja, ligada à educação. Nesse contexto, a educação básica deve adquirir bastante destaque no plano do investimento público, com efeito de reduzir as desigualdades sociais. Já, a educação técnica e superior têm efeito de condicionar mais crescimento econômico e criar condições de superar, assim, a pobreza. No entanto, a educação quando promovida isoladamente, não oferece resultados concretos de eliminação da miséria ou na redução das desigualdades sociais. É necessária ainda uma política econômica saudável que ofereça um ambiente propício ao investimento e à geração de novos empregos. Sem esse aumento de empregos e salários, o que se evidencia é apenas o aumento da fuga de cérebros em direção aos países desenvolvidos. Já no contexto político interno do país, faz-se necessária ainda uma política de coalizão. Uma política que tenha como meio de ação a união dos diversos grupos sociais em torno de um bem maior. Essa política só é possível e realmente efetiva quando promovemos aquilo que Tocqueville considerava como base da manutenção da democracia, ou seja, a descentralização administrativa. Com essa política interna, qualquer país pode promover avanços consideráveis na sua democracia. Democracia essa que é, de fato, fundamental para o Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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desenvolvimento nacional e para o bem-estar de cada homem. A supressão da liberdade de pensamento e dos direitos políticos gera apenas uma sociedade do medo, não uma sociedade próspera. Por fim, podemos destacar ainda o papel da cultura. Quando consideramos que um dos pontos centrais no indivíduo é a busca pelo autoconhecimento, por uma identidade, e quando pensamos numa dimensão mais ampla de sociedade, descobrimos que só a cultura cria vínculos de identidade entre os indivíduos. Ela assume assim um papel fundamental nas sociedades de informação, principalmente, por promover o turismo, atividades econômicas audiovisuais e a reintegração de vários indivíduos antes marginalizados à sociedade.

.......................................... "...education promoted in isolation does not offer concrete results for the elimination of poverty or the reduction of social inequalities." FROM THE INDIVIDUAL TO SOCIETY The search for personal development always existed in the life of every human being. On an interpersonal level, we seek to improve our abilities, broaden our selfawareness and create solid interpersonal relationships. When we think of society it isn't very different. Especially when we think of modern societies, with a State which foundations are exactly its social purpose. A purpose to allow every human being to develop on their own, offering the necessary opportunities and instruments. First, we can highlight the fact that the main source of poverty is the depreciation of human labor – the lower the incomes labor generates, the more exposed to poverty the working individual will be. In this aspect the overcoming of poverty is intrinsically connected to the development of abilities that would add value to human labor, or in other words, which are connected to education. In this context, basic education must acquire a spotlight in the public investment plan, consequently reducing social inequalities. Technical education and graduation courses have the effect of generating more economic growth and creating new conditions to overcome poverty. However, education promoted in isolation does not offer concrete results for the elimination of poverty or the reduction of social inequalities. A fair economic policy is necessary to offer a favourable environment for investments and the creation of new jobs. Without this increase of jobs and wages what will be seen is the departure of academics to developed countries. Unesco | Folha Dirigida

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In Brazil's internal political context, a coalition policy is still necessary; a policy aiming the union of different social groups towards a greater good. This policy would only be possible and truly effective when we promote what Tocqueville considered as a basis for the maintenance of democracy – the administrative decentralization. With this internal policy any country can promote considerable progress in its democracy. Democracy which is in fact fundamental for national development and for the wellness of each man. The suppression of freedom of though and of the political rights would lead only to a fearful society, instead of a prosperous one. Finally, we want to highlight the role of culture. When we consider that one of the central concerns of an individual is the search for self-knowledge, for an identity, and when we think of a broader dimension of society, we discover that only culture creates identity bonds between individuals. It assumes a fundamental role in the information society, especially in the promotion of tourism, in audiovisual economic activities and in the reintegration of various individuals previously marginalized.

.......................................... "...l'éducation, quand elle est promue isolément, n'offre pas de résultats concrets d'élimination de la misère ou de diminution des inégalités sociales." DE L'INDIVIDU À LA SOCIÉTÉ La recherche du développement personnel a toujours existé dans la vie de chaque être humain. Sur le plan intra personnel, nous cherchons à améliorer nos habilités, grandir notre auto connaissance et créer de solides rapports inter personnels. Quand nous pensons en société, ce n'est pas très différent. Principalement, quand nous pensons en sociétés modernes, dotées d'un Etat dont l'un des fondements est justement sa finalité sociale. Finalité de permettre que chaque être humain puisse développer tout seul, offrant les instruments et les opportunités nécessaires. D'abord, nous pouvons souligner que la principale source de pauvreté est justement la dévalorisation du travail humain – moins de capital est généré par le travail, plus l'individu qui le réalise sera sujet à la pauvreté. Sur ce point, le surpassem*nt de la pauvreté est intrinsèquement lié au développement d'habilités qui valorisent le travail humain, c'est-à-dire, lié à l'éducation. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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Dans ce contexte, l'éducation de base doit acquérir un relief suffisant sur le plan de l'investissem*nt public, afin de réduire les inégalités sociales. Quant à l'éducation technique et supérieure elles permettent de conditionner plus de croissance économique et créer des conditions de, ainsi, surpasser la pauvreté. Cependant, l'éducation quand elle est encouragée de façon isolée, n'offre pas de résultats concrets d'élimination de la misère ou dans la réduction des inégalités sociales. Il est aussi nécessaire une politique économique saine offrant une ambiance propice à l'investissem*nt et à la génération de nouveaux emplois. Sans ce sujet d'emplois et salaires, ce qui se distingue est seulement l'augmentation de la fuite de cerveaux vers les pays développés. Dans le contexte politique interne du pays, une politique de coalition est nécessaire. Une politique ayant pour moyen d'action l'union de différents groupes sociaux autour d'un bien majeur. Cette politique n'est possible et vraiment efficace que lorsque nous encourageons ce que Tocqueville considérait comme base de manutention de la démocratie, c'est-à-dire, la décentralisation administrative. Avec cette politique interne, n'importe quel pays peut réaliser de progrès considérables dans sa démocratie. Démocratie qui est, en fait, fondamentale au développement national et au bien-être de chaque homme. La suppression de la liberté de pensée et des droits politiques génère à peine une société de la peur, non pas une société prospère. Enfin, nous pouvons distinguer aussi le rôle de la culture. Quand nous considérons que l'un des points centraux dans l'individu est la recherche de l'auto connaissance, d'une identité, et quand nous pensons en une dimension plus ample de la société, nous découvrons que seule la culture crée des liens d'identité entre les individus. Elle assume aussi un rôle fondamental dans les sociétés d'information, surtout, pour encourager le tourisme, les activités économiques audiovisuelles et la réintégration de plusieurs individus avant d'être marginalisés dans la société.

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"Pois, para vencer a pobreza e a desigualdade, fundamental é a educação."

Iraneide de Albuquerque Carvalho

CEUMA – Centro de Ensino Unificado do Maranhão – São Luis – MA

HISTÓRIA DE UM SONHO BOM Vou contar uma história Bonita de se ouvir De um casal de analfabetos Que decidiu se unir E, logo após o matrimônio, Os filhos começaram a vir. Como eram muito pobres Não tinham casa pra morar Fizeram uma choupana na roça Onde foram se abrigar E juntos lavravam a terra Pra conseguir se sustentar. Quando o filho primogênito Sete aninhos completou Havia mais quatro filhos Nascidos daquele amor E o casal de analfabetos Pra cidade se mudou. Os pais não sabiam como Iriam sobreviver, Mas, uma coisa decidiram: Era viver ou morrer, Pois queriam que seus filhos Aprendessem a ler e escrever. Na cidade, entretanto, As coisas aperreavam Porque não tinham trabalho E as crianças já choravam Pedindo comida aos pais Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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Que quase se desesperavam. Porém, foram poucos dias De choro e desespero, Pois o pai começou a pescar E logo passou a ter dinheiro Pra sustentar sua família E sair do aperreio. Os filhos já estudavam No "Joaquim Salviano", Unidade Escolar Quando a mãe teve a idéia De também dinheiro ganhar; E, pedindo ao marido uma máquina, Começou a costurar. Não tinha cursado a escola De bordado ou costura Mas tinha tanta presteza Com a tesoura e com a agulha E, assim, fazia as roupas Que ficavam uma belezura. Havia até quem afirmasse Que ela tinha um dom Talvez fosse a necessidade Que a fizesse andar no tom Sem desistir do propósito De concretizar um sonho bom. De manhãzinha, o pai saía Ia ao açude pescar. A mãe, ao mandar os filhos à escola, Ia pra máquina costurar E, à noitinha, todos sentavam No alpendre a conversar. No banco de uma escola Esses pais nunca sentaram Mas, todos os seus filhos Desde cedo estudaram. E hoje os filhos professores Os pais alfabetizaram. Trinta e um anos se passaram Daquele tempo pra cá. Unesco | Folha Dirigida

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O primogênito já graduado E eu caminhando pra lá, Enquanto os meus outros irmãos Também continuam a estudar Esta é a minha história Que conto com grande emoção. Hoje temos casa e vida digna Que construímos com fé, trabalho e união, Pois, para vencer a pobreza e a desigualdade, Fundamental é a educação.

.......................................... "To beat poverty and inequality, education is fundamental." STORY OF A GOOD DREAM I will tell you a story Which is fine to be heard Of an illiterate couple Who decided to marry And soon after the marriage, Their Children started to born. As they were very poor They had no home to live in They built a shack in the countryside Where they sought refuge And together they worked the land To support themselves. When the firstborn son Turned seven years old There were four other children Born out of their love And the illiterate couple Moved to the city. The parents did not know How they would survive, Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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But one thing they decided: It was to live or die, For they wanted their children To learn how to read and write. In the city, however, Things were difficult, For there was no work And the children cried Asking their parents for food Who were almost desperate. However, there were few days Of cries of desperation, For the father started fishing And soon he earned money To support his family And leave the difficulty behind. The children were already studying At "Joaquim Salviano" school, When the mother had the idea Of also earning money; And asking her husband for a sewing machine She started sowing. She had not gone to school For sowing and mending But she was very skilled With the scissors and the needle And so she made clothes That were beautiful. There were even some Who said she had a gift Maybe it was need That made her good Without giving up Her good dream. In the morning, the father left Went to the river to fish. The mother, sending the kids to school, Went to her sowing machine, And at night, they all sat down At the table to talk. Unesco | Folha Dirigida

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At a school bench These parents never sat But all of their children Early started to study. And today the children Taugh their parents to read and write. Thirty one years have gone by Since that time. The firstborn is graduated And I am reaching there, While my other brothers Also continue to study. This is my story I am happy to tell you. Today we have a home and dignity Which we built with faith, work and union, For to stop poverty and inequality, Education is fundamental.

.......................................... "Bien, pour vaincre la pauvreté et l 'inégalité, l 'éducation est fondamentale." HISTOIRE D'UN BEAU RÊVE Je vais raconter une histoire Belle à entendre D'un couple d'analphabètes Qui décida de s'unir Et, après le mariage, Eurent des enfants. Comme ils étaient très pauvres Ils n'avaient pas de maison où habiter Ils firent une cabane à la campagne Où ils allèrent s'abriter Et ensemble cultivaient la terre Pour réussir à vivre. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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Quand le premier enfant Fêta ses sept ans Il y avait quatre autres enfants Nés de cet amour Et le couple d'analphabètes Alla habiter en ville. Les parents ne savaient comment Ils allaient survivre, Mais, décidèrent une chose: C'était une question de vie ou de mort, Car ils voulaient que leurs enfants Apprennent à lire et à écrire. A la ville, cependant, Les choses s'aggravaient Car il n'y avait pas de travail Et les enfants pleuraient Demandant à manger à leurs parents Qui se désespéraient presque. Cependant, ce furent peu de jours De pleur et de désespoir Car le père commença à pêcher Et commença à gagner de l'argent Pour entretenir la famille Et sortir de la misère. Les enfants étudiaient déjà Au "Joaquim Salviano", Unité Scolaire Quand la mère eut l'idée De gagner aussi de l'argent; Et, demandant une machine au mari, Commença à faire de la couture Elle n'avait pas étudié La broderie ni la couture Mais était si habile Avec les ciseaux et l'aiguille Et, ainsi faisaient des vêtements Qui étaient très beaux.

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On disait même Qu'elle avait un don Peut-être à cause de la nécessité Qui la faisait bien travailler Sans désister de son but De concrétiser un beau rêve. Tôt le matin, le père partait Allait pêcher à la reprise. La mère, envoyant les enfants à l'école, Se mettait à coudre à ça machine Et, dans la soirée, tous s'asseyaient Dans la véranda pour causer. Sur le banc d'une école Ces parents ne se sont jamais assis Mais, tous leurs enfants Etudiaient depuis tout jeunes. Et aujourd'hui les enfants professeur Alphabétisent les parents. Trente et un ans ont passé Depuis cette époque. Le premier enfant déjà diplômé Et moi presque, Tandis que mes trois autres frères Continuent aussi à étudier C'est mon histoire Que je raconte avec beaucoup d'émotion. Aujourd'hui nous avons une maison et une vie digne Que nous avons construit avec foi, travail et union, Car, pour vaincre la pauvreté et l'inégalité, L'éducation est fondamentale.

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"...as escolas têm de estar na alma dos alunos e dos professores, com muitos livros, instrumentos musicais, esportes, dança."

Isabelle Sales Paiva

Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo – São Paulo – SP

A HIPOCRISIA DE UM MUNDO DESIGUAL Com tanta tecnologia, o homem já foi para a Lua, desenvolveu satélites, construiu cidades, criou bombas e guerras, mas a única coisa que ele ainda não conseguiu foi erradicar com a miséria e a desigualdade entre os povos. Mas por que não, se existe uma fórmula simples a ser seguida (educação + saúde – corrupção + emprego = progresso). Infelizmente, a resposta é simples: ele não fez porque não quis, pois como diz o ditado "querer é poder" e neste caso não querer resolver o problema que assombra a humanidade há milhares de anos, significa Poder. Só que nem tudo está perdido, pois ainda há uma solução para vencermos a pobreza e a desigualdade, basta nos unirmos; – sim! – o povo, a parte interessada, o verdadeiro proprietário do poder constituinte. Em meio de muitas hipóteses do que poderia ser feito, como rasgar a constituição e fundar um novo país, ou então uma revolução armada, utilização de métodos medievais, aprisionando o presidente e depois o degolando em praça pública para mostrar a força do proletariado. Todavia, o brasileiro está um povo pacífico e hoje não faria uma revolução, embora a idéia não seja uma das piores, e muito menos degolariam o presidente da república. Então o que fazer? A resposta é aquela ladainha de sempre "temos de votar em políticos honestos...", só que a solução definitiva vem do próprio povo. Temos de exigir escolas decentes – afinal, pagamos impostos que consomem cerca de 40% dos salários; temos de exigir hospitais com aparelhos em bom estado de uso e não aqueles velhos e enferrujados, perigoso até de se pegar tétano, que temos nos hospitais públicos atualmente. E a classe média, pobre classe média! que ninguém sabe ainda se é vitima ou cúmplice dessa situação, paga duas vezes por serviços que tem de ser públicos e eficientes, tem mais força do que se imagina, pois podem tirar os seus filhos das escolas particulares (que nem são tão melhores que as públicas, mas caríssimas) e os matriculam em escolas públicas, cancelam os seus planos de saúde e usam o hospital público. No começo será difícil, mas temos de mostrar para os representantes do Unesco | Folha Dirigida

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povo – que ganham uma fortuna e ainda tem a coragem de roubar na maior "cara de pau" – que estamos aqui de olho neles e exigimos investimentos em nosso país e punição para os ladrões. É um dever do Estado promover o bem-estar social e investir no ser humano. No meio de tantas soluções para um problema "simples" de se resolver, a principal é: investimento, pois é a palavra chave para realmente extinguir a praga da desigualdade. O governo tem de investir em reformas de base, começar do zero, como com a construção civil, saneamento básico, educação, saúde, itens básicos que são vitais para sobrevivência de uma nação, e como conseqüência teremos a criação de empregos. Assim aquele operário que constrói prédios, quando receber o seu salário irá ao comércio da esquina comprar alimentos em geral, e indiretamente estará gerando empregos na agricultura, e esse agricultor irá comprar um eletrodoméstico, o vendedor de eletrodoméstico comprará um apartamento no prédio que o operário construiu, e assim o ciclo econômico do país estaria funcionando. A educação é primordial. Sem ela, a nação não chegará a lugar algum. O nosso país precisa de escolas, mas não somente o prédio físico, as escolas têm de estar na alma dos alunos e dos professores, com muitos livros, instrumentos musicais, esportes, dança. Para a fórmula funcionar é necessário de pessoas determinadas, que amem a sua pátria e principalmente que se orgulhem de dizer: "eu sou brasileiro". Pessoas que sonhem com um futuro melhor, que tenham um ideal de nunca mais ver crianças vendendo balas no farol, que não se conformem com injustiças e que lutem pelos seus direitos fundamentais violados.

.......................................... "…schools must be in the hearts of students and teachers, with many books, musical instruments, sports and dance." THE HYPOCRISY OF AN UNEQUAL WORLD With such a devoloped technology, man has already flown to the moon, designed satellites, built cities, created bombs and wars, but the only thing he hasn't yet accomplished is the eradication of poverty and inequality between all people. But why not, if there is a simple formula to be followed (education + health – corruption + jobs = progress). Unfortunately, the answer is simple: man hasn't accomplished it because he doesn't want to; as the saying goes "wanting Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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is doing", and in this case man do not want to solve thid issue that has tormented humanity for thousands of years because of Power. But not all is lost, for there's still a solution to stop poverty and inequality, we only have to unite; "Yes!", we, the people, the interested part, the true owner of the constituent power. There are many hypothesis of what could be done, such as tearing apart the constitution and founding a new country, or having an armed revolution, using mediaeval methods, imprisoning the president and then beheading him in a public square to show the power of the proletariat. However, Brazilians had become a peaceful people and we would not engage in a revolution, although the idea is not bad, and for much less some would behead the president of the republic. So what should be done? The answer is the same old "we have to vote on honest politicians…", with the difference that a definite solution would come from the people itself. We have to demand decent schools – after all, we pay taxes that take up around 40% of our salaries; we have to demand hospitals with decent equipment and not those old and rusting that we currently have in public hospitals, dangerous even as a source of tetanus. And the middle class – poor middle class! – that nobody knows if is also a victim or an accomplice of this situation -, and pays twice the amount for services that should be public and efficient, has more strength than one thinks, for they can take their children from private schools (which aren't even that better than public schools, but are extremely expensive) and enroll them in public schools, cancel their health insurance and use the public hospitals. At first it will be hard, but we have to show politicians – who earn a fortune and still dare to steal – that we are here with our eyes on them and we demand investments in our country and punishment for the outlaws. It is the State's duty to promote social well-being and invest in the human being. Amidst so many solutions for a "simple" problem to solve, the main one is investment, for this is the key-word to really exterminate the plague of inequality. The government must invest in basic reforms, starting from scratch, such as in civil constructions, basic water and sewage pipes, education, health, basic items that are vital for the nation's survival, and as a consequence we will have more jobs available. Therefore, that worker who builds buildings, afetr receiving his salary he would go to the store at the corner to buy general foodstuffs, and indirectly he is generating jobs in agriculture, and this farmer will buy an electronic device, the salesman of electronics will buy an apartment in the building the worker built and so the economic cycle of the country would be working. Education is vital. Without it, the nation wouldn't go anywhere. Our country needs schools, but not only the buildings, schools must be in the hearts of students and teachers, with many books, musical instruments, sports and dance. To make this formula works we need determined people, who love their

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country and especially who are proud to say "I am Brazilian". People who dream of a better future, who have an ideal of never again seeing children selling candy in the street crossings, who do not accept injustice and who will fight for their violated fundamental rights.

.......................................... "...les écoles doivent se trouver dans l'âme des élèves et des professeurs, avec beaucoup de livres, d'instruments musicaux, sports, danse." L'HYPOCRISIE D'UN MONDE INÉGAL Avec tant de technologie, l'homme est déjà allé sur la Lune, a construit des satellites, des villes, a créé des bombes et des guerres, mais la seule chose qu'il n'a pas encore réussi à faire c'est d'éradiquer la misère et l'inégalité entre les peuples. Mis pourquoi pas, s'il existe une formule simple à suivre (éducation + santé – corruption + emploi = progrès). Malheureusem*nt, la réponse est simple: il ne l'a pas fait car il ne l'a pas voulu, car comme le dit le proverbe "vouloir c'est pouvoir" et dans ce cas ne pas vouloir résoudre le problème qui accable l'humanité il y a des milliards d'années, signifie Pouvoir. Tout n'est pas perdu, car il y a encore une solution pour que nous vainquions la pauvreté et l'inégalité, il suffit de nous unir; – oui! – le peuple, la partie intéressée, le véritable propriétaire du pouvoir constituant. Au milieu de nombreuses hypothèses de qui pourrait être fait, comme déchirer la constitution et fonder un nouveau pays, ou alors une révolution armée, utilisation de méthodes médiévales, faisant prisonnier le président et ensuite le décapitant sur la place publique pour montrer la force du prolétariat. Cependant, le brésilien est un peuple pacifique et aujourd'hui ne ferait pas une révolution, bien que l'idée ne soit pas l'une des pires, et encore moins décapiteraient le président de la république. Que faire alors? La réponse est le même refrain de toujours "nous devons voter pour des politiciens honnêtes...", mais la solution définitive vient du peuple lui-même. Nous devons exiger des écoles décentes – finalement, nous payons des impôts qui consomment prés de 40% des salaires; nous devons exiger de hôpitaux avec des appareils en bon état d'utilisation et non pas les vieux rouillés, dangereux même pour attraper le tétanos, que nous avons dans les hôpitaux publics actuellement. Et la classe moyenne, pauvre classe moyenne! que personne ne sait encore si est victime ou complice de cette situation, paie deux fois pour des Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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services qui doivent être publics et efficaces, est plus forte que l'on imagine, peuvent enlever leurs enfants des écoles privées (qui ne sont pas tellement meilleures que les écoles publiques, mais très chères) et les inscrire dans les écoles publiques, annulent leurs plans de santé et utilisent l'hôpital public. Au début ce sera difficile, mais nous devons montrer aux représentants du peuple – qui gagnent une fortune et ont encore le courage de voler sans aucun scrupule – que nous les surveillons et que nous exigeons des investissem*nts dans notre pays et punition pour les voleurs. C'est un devoir de l'Etat d'installer le bienêtre social et d'investir dans l'être humain. Au milieu de tant de solutions pour un problème "simple" à résoudre, la principal est: investissem*nt, car c'est le mot-clé pour vraiment éradiquer la plaie de l'inégalité. Le gouvernement doit investir en réformes de base, repartir à zéro, comme pour la construction civile, assainissem*nt de base, éducation, santé, items basiques qui sont vitaux pour la survie d'une nation, et comme conséquence nous aurons la création d'emplois. Ainsi cet ouvrier qui construit des immeubles, quand il recevra son salaire ira à l'épicerie du coin acheter des aliments en général, et indirectement créera des emplois en agriculture, et cet agriculteur ira acheter un appareil électroménager, le vendeur d'électroménager achète un appartement dans un immeuble que l'ouvrier a construit, et ainsi le cycle économique du pays fonctionnera. L'éducation est primordiale. Sans elle, la nation n'arrivera à rien. Notre pays a besoin d'écoles, mais pas seulement d'immeuble physique, les écoles doivent être dans l'âme des élèves et des professeurs, avec beaucoup de livres, d'instruments musicaux, sport, danse. Pour que la formule fonctionne il est nécessaire d'avoir des personnes déterminées, qui aiment leur patrie et surtout qui son fiers de dire: "je suis brésilien". Des personnes qui rêvent d'un avenir meilleur, qui aient un idéal de ne jamais voir d'enfants vendant des bonbons aux feux rouges, qui n'acceptent pas les injustices et qui luttent pour leurs droits fondamentaux violés.

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"A mudança acontece quando todos estão dispostos a transformar as suas próprias concepções e modelos vigentes em beneficio do bem comum."

Ivson Augusto Menezes de Souza Leão

Universidade Católica de Pernambuco – Recife – PE

A cena é a mesma. O cenário é o mesmo. Os atores são os mesmos. A platéia é a mesma. E o texto, também é o mesmo. Crianças "órfãs" pedindo nos ônibus das grandes cidades. De quem é o olhar mais perdido? Será os daqueles pedintes desprovidos do entendimento da razão de estarem pedindo, ou, será os dos ouvintes que se dividem entre os solidários e os indiferentes. Todos os anos, inúmeros congressos, seminários e palestras discutem e debatem sobre a desigualdade e a pobreza no mundo, assim como, dissertações e teses acadêmicas estão contribuindo, paralelamente, com o tema. Os veículos de comunicação rádio, televisão e jornais divulgam diariamente informações, imagens e pesquisas da condição planetária. Como se pode perceber, alguns indivíduos estão tentando encontrar soluções, mesmo que seja em nível teórico, para diminuir tal situação. Tarefa difícil essa, haja vista, que os primeiros sintomas da desigualdade surgiram há milênios atrás, porém, hoje, ela é produzida por interesses políticos, econômicos, ideológicos e culturais completamente diferentes do contexto histórico do seu aparecimento entre os homens. Não adianta elegermos bons políticos e atribuir-lhes todas as responsabilidades de organização e solução dos conflitos sociais. Não adiantam programas salvacionistas para os países pobres. Não adiantam organizações não-governamentais quererem preencher todas as lacunas deixadas pelo Estado. Basta de paliativos, discursos demagógicos e corrupção. A educação é o caminho correto para construção de uma sociedade consciente de seus deveres e questionadora de seus direitos. Educar com qualidade é estimular nos alunos a reflexão constante, estimulando o papel político de cada cidadão perante sua comunidade, construindo sujeitos éticos, responsáveis por seus atos e escolhas. Elaborar projetos de auto-desenvolvimento e sustentabilidade, buscando a independência financeira, bem como, experimentar acordos de interação entre países, mas com benefícios múltiplos; e, não, de neocolonização e imperialismo,

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são tentativas de transpor as deficiências econômicas. A mudança acontece quando todos estão dispostos a transformar as suas próprias concepções e modelos vigentes em beneficio do bem comum. A mudança acontecerá quando todos perceberem que não são seres imortais, isto é, todos possuem prazo de validade, e, o que ficará para as próximas gerações é o legado deles mesmos.

.......................................... "Change happens when everyone is willing to transform their own opinions and ruling models for the benefit of the common good." The scene is the same. The set is the same. The actors are the same. The audience is the same, and the script is also the same. "Orphan" children asking for money in big cities' buses. The most lost look belongs to who? To those beggars deprived from the understanding of the reason to be begging, or to the listeners who divide themselves between the generous and the indifferent. Every year innumerable congresses, seminars and lectures discuss and debate the world's inequality and poverty, as well as dissertations and academic thesis that are discussing the theme. Medias such as radio, television and newspapers report daily information, images and research about the world's condition. As can be noticed, some individuals are trying to find solutions, even if it is in a theoretical level, to improve the situation. This is a difficult task since the first symptoms of inequality appeared thousands of years ago; however, today inequality is due to political, economic, ideological and cultural interests completely different from the historical context. There's no use electing good politicians and giving them all the responsibilities for the organization and solution of social conflicts. Aid programs do not work in poor countries. It's useless expecting non-governmental organizations to fill in the gaps left by the State. We have had enough of palliatives, demagogic speeches and corruption. Education is the correct path to build a society that is conscious of its duties and that questions its rights. Quality education means to stimulate a constant reflection in the students, to stimulate the political role of every citizen before his community, thus building ethical individuals who are responsible for their actions and choices. Unesco | Folha Dirigida

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Some attempts to overcome economic deficiencies are the conception of projects for self-development and sustainability, seeking financial independence, as well as the signature of interaction contracts between countries with multiple benefits instead of neo-colonization and imperialism. Change happens when evrybody is willing to transform their own opinions and in force models for the benefit of the common good. The changes would occur only when all people realize they are not immortal, that everybody has an expiration date, and that what will remain for the next generations is their personal legacy.

.......................................... "Le changement se produit quand tous sont disposés à transformer leurs propres conceptions et modèles en vigueur au bénéfice du bien commun." La scène est la même. Le scénario le même. Les acteurs sont les mêmes. Le public est le même. Le texte aussi est le même. Enfants "orphelins" demandant l'aumône dans les autobus des grandes villes. De qui est le regard le plus perdu? Est-ce que c'est celui des mendiants dépourvus de la compréhension de la raison d'être là à mendier, ou, est-ce que c'est celui des auditeurs qui se partagent entre les solidaires et les indifférents. Tous les ans, d'innombrables congrès, séminaires et conférences discutent et débattent sur l'inégalité et la pauvreté dans le monde, ainsi que, des dissertations et thèses académiques contribuent, parallèlement au thème. Les véhicules de communication radio, télévision et journaux divulguent tous les jours des informations, images et recherches de la condition planétaire. Comme on peut le voir, certains individus sont en train d'essayer de trouver des solutions, même au niveau théorique, pour diminuer cette situation. Tâche difficile, vue que les premiers symptômes d'inégalité ont surgi il y a des millénaires, cependant, aujourd'hui, elle est produite par des intérêts politiques, économiques, idéologiques et culturels complètement différents du contexte historique de leur surgissem*nt entre les hommes. Cela ne sert à rien d'élire de bons hommes politiques et de leur attribuer toutes les responsabilités d'organisation et solution des conflits sociaux. Les programmes de sauvetage pour les pays pauvres ne servent à rien. Les organisations non gouvernementales voulant remplir toutes les lacunes laissées par l'Etat ne servent à rien. Ça suffit de palliatifs, discours démagogiques et corruption. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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L'éducation est le chemin correct pour la construction d'une société consciente de ses devoirs et questionneuse de ses droits. Eduquer avec qualité, c'est stimuler nos élèves à la réflexion constante, stimulant le rôle politique de chaque citoyen face à as communauté, construisant des sujets éthiques, responsables de leurs actes et choix. Elaborer de projets d'auto développement et de durabilité, cherchant l'indépendance financière, ainsi que, faire l'expérience d'accords d'interaction entre les pays, mais avec des bénéfices multiples; et non de néo colonialisme et impérialisme, sont tentatives de transposer les déficiences économiques. Le changement se fait quand tous sont disposés à transformer leurs propres conceptions et modèles en vigueur en bénéfice du bien commun. Le changement se produira quand tous percevront qu'ils ne sont pas des êtres immortels, c'està-dire, que tous possèdent un délai de validité et, ce qui restera pour les prochaines générations est l'héritage d'eux-mêmes.

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"O excluído vê o mundo como um lugar extraordinário em que todos são normais e têm as mesmas oportunidades."

Jackeline Nunes de Oliveira

UniDF – Centro Universitário do Distrito Federal – Brasília – DF

O olhar. Tudo depende da forma de olhar. Mas o olhar que vê, o olhar que percebe, o olhar que sente. Pessoas se olham todos os dias, com interesses diversos. Muitas até nem se interessam. Outras preferem nem olhar. Algumas precisam ser vistas. O grande olha o pequeno de cima. O pequeno só quer enxergar como o grande. O escolhido olha o mundo com normalidade. O excluído quer ser normal no mundo. O adulto olha a criança com impaciência. A criança vê o adulto e sorri. O pobre olha a fome e sente dor. A fome enxerga o pobre como alimento para a morte. E chora no estômago dos que percebem a injustiça. O governo olha o povo como "a galinha dos ovos de ouro". O povo enxerga o governo como "lobo em pele de cordeiro". E no final da fábula, só os governantes são felizes para sempre. A mãe olha o filho e sente amor. O filho precisa que o mundo sinta amor por ele. Precisa ser enxergado pelo mundo. Olhar-se! É como se conjuga o verbo do futuro, da inclusão, da prosperidade dos povos. Pessoas precisam olhar-se mais, olharem-se a si mesmas, sem redundância. Como uma roda de embalo, onde se vêem, se percebem, como eu vejo você e você a mim. O grande se vê como o pequeno e o pequeno sente-se grande. O excluído vê o mundo como um lugar extraordinário em que todos são normais e têm as mesmas oportunidades. Adultos e crianças querem olhar para o futuro com esperança e serem reflexos uns dos outros. E sorrir! O pobre não quer mais enxergar a fome, quer ver o alimento e a oportunidade chegando em sua casa e não quer mais alimentar a morte. O lobo precisa enxergar a galinha e o cordeiro, e unir-se em prol de uma sociedade em que todos serão beneficiados se voltarem seus olhos para os que necessitam, e construir uma história que não é uma fábula, mas que todos serão felizes para sempre, sem ganância, fome, guerra, abandono, pobreza, medo, morte. E, finalmente, o filho do futuro não precisará mais que o mundo sinta amor por ele. O mundo já o enxergará com amor e aceitação. O mundo será salvo por aqueles que se permitiram enxergar-se, que se dispuseram a fazer parte uns dos outros, amarem uns aos outros, que perceberam que os olhos são, na verdade, corações cheios de esperança.

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"Those excluded see the world as an uncommon place where everybody is normal and has the same opportunities." The look. Everything depends on the way one gives a look. But the look that sees, the look that perceives, the looks that feels. People look at each other every day, with various interests. Many people don't even become interested. Others would rather not look. Some need to be looked at. The large one looks down on the small one. The small one only wants to see like the large one. The chosen one looks normally at the world. The excluded one wants to be normal in the world. The adult looks at the child with impatience. The child sees the adult and smiles. The poor look at hunger and feel pain. Hunger sees the poor as food for death. And hunger cries in the stomach of those who perceive injustice. The government looks at the people as "a hen that lays golden eggs". The people see the government as "a wolf in sheep's clothing". And, in the end of the fable, only the governors live happily ever after. The mother looks at the son and feels love. The son needs the world's love. Needs to be seen by the world. Look at yourself! That's how the verb of future, of inclusion and of people's prosperity is inflected. People need to look more at each other, to look at themselves, with no redundancy. Like a rocking circle where they see and perceive each other in the same way I see you and you see me. The large sees itself as the small and the small feels itself as large. Those excluded see the world as an uncommon place where everybody is normal and has the same opportunities. Adults and children want to look into the future with hope and be the reflected image of each other. And smile! The poor don't want anymore to see the hunger, they want to see food and opportunity arriving at their homes and they don't want to feed death. The wolf has to see the hen and the sheep, and join forces for the good of a society in which everyone will profit, if they turn their eyes to the needy, and build a history that is not a fable, but one in which everybody will live happily ever after, without greed, hunger, war, abandonment, poverty, fear and death. And, finally, the son of future will no longer need the world's love. The world will already see him with love and approval. Those that allow themselves to see themselves, those who prepare themselves to become part of each other, to love each other, those that noticed that the eyes are truthfully hearts full of hope, will save the world.

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"L'exclus voit le monde comme un lieu extraordinaire où tous son normaux et ont les mêmes opportunités." Le regard. Tout dépend de la forme du regard. Mais le regard qui voit, le regard qui perçoit, le regard qui sent. Les personnes se regardent tous les jours, avec des intérêts différents. Beaucoup ne s'intéressent même pas. D'autres préfèrent ne pas regarder. Certaines ont besoin d'être vues. Le grand regarde le petit d'en haut. Le petit ne veut regarder que comme le grand. Le choisi regarde le monde normalement. L'exclus veut être normal dans le monde. L'adulte regarde l'enfant avec impatience. L'enfant voit l'adulte et sourit. Le pauvre regarde la faim et sent la douleur. La faim regarde le pauvre comme aliment pour la mort. Et pleure dans l'estomac de ceux qui perçoivent l'injustice. Le gouvernement regarde le peuple comme "la poule aux oeufs d'or". Le peuple regarde le gouvernement comme "le loup dans la peau d'un agneau". Et à la fin de la fable, seuls les gouvernants sont heureux pour toujours. La mère regarde le fils et ressent de l'amour. Le fils a besoin que le monde sente de l'amour pour lui. Il a besoin d'être vu par l monde. Se regarder! C'est comme conjuguer le verbe du futur, de l'inclusion, de la prospérité des peuples. Les personnes ont besoin de se regarder davantage, se regarder elles-mêmes, sans excès. Comme une roue de balance, ou elles se voient, s'aperçoivent, comme je te vois et tu me vois. Le grand se voit comme le petit et le petit se sent grand. L'exclu voit le monde comme un lieu extraordinaire ou tous sont normaux et ont les mêmes opportunités. Adultes et enfants veulent regarder l'avenir avec espoir et être les reflets les uns des autres. Et sourire! le pauvre ne veut plus voir la faim, il veut voir l'aliment et l'opportunité arrivant chez lui et ne veut plus alimenter la mort. Le loup doit regarder la poule et l'agneau, et s'unir en faveur d'une société où tous seront bénéficiés s'ils tournaient les yeux vers les nécessiteux, et construire une histoire qui n'est pas une fable, mais où tous seront heureux pour toujours, sans ambition de gain, faim, guerre, abandon, pauvreté, peur, mort. Et, finalement, le fils de l'avenir n'aura plus besoin que le monde sente de l'amour pour lui. Le monde le verra déjà avec amour et acceptation. Le monde sera sauf par ceux qui se sont permis de se voir, qui se sont mis à disposition de faire partie les uns des autres, de s'aimer les uns les autres, que se sont aperçus que les yeux sont, en réalité, les cœurs pleins d'espoir.

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"A pobreza deve ser relatada não apenas em relação ao estado de miséria que assola o mundo, dividido em dois grandes eixos; mas também a pobreza de espírito, do homem..."

Jackson Marcony Cordeiro dos Santos Faculdade II de Julho – Salvador – BA

IGUALDADE E POBREZA: POLÍTICA DA CLASSE DOMINANTE? Uma melhor abordagem da pobreza se faz em conjunto com a desigualdade. Elas não são fruto do acaso. O "bicho homem" na história trocou valores na suposta idéia de progresso ou sobrevivência, estabeleceu conceitos, através de um poder muitas vezes invisível que determina o que é certo e errado; bom e mau; fraco e forte; rico e pobre, enfim, a desigualdade entre os homens. Muitos já abordaram esse tema. Marx explica a história da humanidade através da luta entre classes e só um mecanismo de ruptura, e não a lei, conforme achava Rousseau, é que faria os homens mais iguais. Sócrates já dizia que a educação é a melhor forma de não punir os cidadãos. Foucault, mais contemporâneo, coloca a idéia do poder impondo o conhecimento dentro de um discurso ideológico hierarquizado. A pobreza deve ser relatada não apenas em relação ao estado de miséria que assola o mundo, dividido em dois grandes eixos; mas também a pobreza de espírito, do homem que queda inerte, ante a força do poder econômico, em sua subsistência, oportunidades, auto-estima e no seu conformismo. Uma ideologia perversa, mais a princípio inteligente.A "Modernidade" perpetuou mazelas, colocou os "nobres" em fortalezas, definiu padrões e minorias. O homem "rico" que clama a diminuição da violência através da mídia às custas de uma maior opressão, não é tão inteligente assim, pois essa dominação põe em risco sua própria existência. É fácil entender como a miséria, as novas doenças, a tecnologia abusiva, o crescimento da intolerância que coloca o homem contra o homem faz com que a sociedade reflita os seus rumos. O poder dominante, outrora imutável, exercia livremente o poder de subjugar, mas agora não tem alternativa: ou busca uma igualdade possível, não mais por "benesse", mais por necessidade, ou terá que aceitar sua destruição sem limites. Ao tratar o problema da pobreza e da desigualdade no Brasil (com uma Constituição progressista, mas ainda sem eficácia e cuja igualdade acaba sendo meramente formal), devemos fazê-lo num contexto ampliado cujo cerne é a própria desigualdade. Ao falarmos de políticas públicas, as soluções paliativas Unesco | Folha Dirigida

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(imediatistas) não resolvem o problema, que tem um poder multiplicador.São necessárias medidas estruturais com melhoria das condições sócio-econômicas, distribuição de renda, prioridade para a educação e saúde, dentro de um contexto geopolítico. Isso inclui o efetivo cumprimento das leis, o combate à corrupção e uma política transparente e verdadeiramente democrática. Vencer a pobreza e a desigualdade, não de forma absoluta, mas possível, começa com um novo olhar para o mundo; um conceito ampliado de cidadania, que inclua direitos e deveres, políticos, sociais e de existência; uma visão ética do homem; ter mais solidariedade; buscar a igualdade nos desiguais; participar nas decisões políticas, atuando em ações populares e se permitir menos individualismo; atuar em entidades organizadas da vida civil; escolher nossos representantes de forma coerente e por fim, fiscalizar e cobrar os seus atos. Sabemos que o problema é estrutural, do Estado e da sociedade, mas como cidadãos do mundo podemos decidir se queremos compactuar, conscientes ou não com o sistema excludente. De forma global, a vitória é do homem contra sua própria ignorância.

.......................................... "Poverty should be reported not only in respect to the state of misery that overwhelms the world divided in two large axes; but also in respect to the poverty of spirit, of man..." EQUALITY AND POVERTY: DOMINANT CLASS POLITICS? A better approach of poverty can be made in conjunction with inequality. They do not arise by chance. The "man animal" traded values in history under the hypothetical idea of progress or survival, established concepts through a many times invisible power that determines what is right and wrong; good and bad; weak and strong; rich and poor, ultimately, the inequality among men. Many have already approached this topic. Marx explains the history of humanity through the war among classes and only one failure mechanism; and Rousseau believed that men would not be made equal by the law. Socrates said that education is the best way of not punishing the citizens. Foucault, more contemporary, placed the idea of power imposing knowledge inside a hierarchical ideological speech. Poverty should be reported not only in respect to the state of misery that overwhelms the world divided in two large axes; but also in respect to the poverty of spirit, of the man that lies inert, before the economic power strength, in his subsistence, opportunities, self-esteem and conformity. A wicked ideology,

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but clever at first. "Modernity" perpetuated flaws, placed the "noble" in fortresses, defined standards and minorities. The "rich" man, who calls for the reduction of violence through the media at the expense of more oppression, isn't that clever, because this supremacy puts his own existence at risk. It is easy to understand how misery, new diseases, harmful technology, intolerance growth that puts man against man make the society think about its directions. The once immutable dominant power exerted the power of subjugation freely, but now it has no options: it either pursuits a possible equality, no longer for "profit", but by necessity, or it will have to accept its complete destruction. When we deal with the poverty and inequality problem in Brazil (with a progressive but still inefficient Constitution, where inequality ends up being merely formal), we should do it in a broaden context whose core is the inequality itself. When we talk about public policies, the palliative solutions (immediate) do not solve the problem, which has a multiplying power. Structural measures with improved socioeconomic conditions, income distribution, prioritized education and health, within a geopolitical context are required. This includes effectively abiding by the laws, fighting corruption and having transparent and truly democratic politics. Defeating poverty and inequality, not completely, but in a feasible way, starts with a new look at the world; with a concept broadened by citizenship, which includes political, social and existential rights and duties; with an ethical view of man; man having more solidarity; searching for equality in the unequal; participating in the political decisions and in the popular movements and allowing him/herself less individualism; taking part in civil life organizations; choosing coherently our representatives and finally, supervising and demanding their actions. We know this is a structural problem from the State and the society, but, as world citizens, we can decide if we, consciously or not, want to agree with this excluding system. Overall, it is the man's victory over his own ignorance.

.......................................... "La pauvreté doit être relatée non seulement par rapport à l'état de misère qui accable le monde, mais divise en deux grands axes; mais aussi la pauvreté d'esprit, de l'homme..." EGALITÉ ET PAUVRETÉ: POLITIQUE DE CLASSE DOMINANTE? Un meilleur abordage de la pauvreté se fait conjointement à l'inégalité. Elles ne sont pas le fruit du hasard. L'"animal homme" dans l'histoire a changé les Unesco | Folha Dirigida

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valeurs dans l'idée supposée de progrès ou survie, a établi des concepts, au travers d'un pouvoir souvent invisible qui détermine ce qui est correct ou non; bon et mauvais; faible et fort; riche et pauvre, enfin, l'inégalité entre les hommes. Beaucoup ont déjà abordé ce thème. Marx explique l'histoire de l'humanité au travers de la lutte entre classes et seul un mécanisme de rupture, et non la loi, selon Rousseau, est qui ferait les hommes plus égaux. Socrate disait déjà que l'éducation est la meilleure forme de ne pas punir les citoyens. Foucault, plus contemporain, place l'idée du pouvoir imposant la connaissance dans un discours idéologique hiérarchisé. La pauvreté doit être relatée non seulement par rapport à l'état de misère qui accable le monde, divisé en deux grands axes; mais aussi la pauvreté d'esprit, de l'homme qui chute inerte, face à la force du pouvoir économique, dans sa subsistance, opportunités, amour propre dans son conformisme. Une idéologie perverse, mais en principe intelligente. La "Modernité" a perpétué les malheurs, a placé les "nobles" dans des forteresses, a défini les modèles et les minorités. L'homme "riche" qui exige la diminution de la violence au travers des médias aux dépens d'une plus grande oppression, n'est pas si intelligent, car cette domination met en risque sa propre existence. C'est facile de comprendre comment la misère les nouvelles maladies, la technologie abusive, la croissance de l'intolérance qui met l'homme contre l'homme fait que la société reflète ses directions. Le pouvoir dominant, auparavant immuable, exerçait librement le pouvoir de subjuguer, mais maintenant n'a pas d'alternative: ou recherche une égalité possible, non plus par "offrandes", mais par nécessité, ou devra accepter sa destruction sans limites. En traitant du problème de la pauvreté et de l'inégalité au Brésil (avec une Constitution progressiste, mais encore sans efficacité et dont l'égalité finit par être purement formelle), nous devons le faire dans un contexte plus large dont le cerne est l'inégalité elle-même. En parlant de politiques publiques, les solutions palliatives (immédiatises) ne solutionnent pas le problème, qui a un pouvoir multiplicateur. Des mesures structurelles comme amélioration des conditions socio économiques, distribution de revenu, priorité pour l'éducation et la santé, priorité à l'éducation et la santé, dans un contexte géo politique. Ceci inclut l'accomplissem*nt effectif des lois, le combat à la corruption et une politique transparente et véritablement démocratique. Vaincre la pauvreté et l'inégalité, non de manière absolue, mais possible, avec un nouveau regard sur le monde; un concept agrandi de la citoyenneté, comprenant droits et devoirs, politiques, sociaux et d'existence; une vision éthique de l'homme; avoir plus de solidarité; chercher l'égalité chez les inégaux; participer aux décisions politiques agissant en actions populaires et se permettre moins d'individualisme; agir en entités organisées de la vie civile; choisir nos représentants de forme cohérente et enfin, contrôler et exiger leurs actes. Nous savons que le problème est structurel, de l'Etat et de la société, mais comme citoyens du monde nous pouvons décider si nous voulons faire des pactes conscients ou non avec le système qui exclut. De manière globale, la victoire est de l'homme contre sa propre ignorance. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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"E a desigualdade fere, humilha e machuca, e apesar de parenta distante da pobreza, quando se une a esta, crescem ambas em força, poder e descontentamento."

Jaime Ricardo Wanner

UFBA – Universidade Federal da Bahia – Salvador – BA

A POBREZA E A DESIGUALDADE Se fosse dado, em solitária força, ao homem comum, realizar seus sonhos e vivenciar quimeras, então certamente seriam debeladas todas as desigualdades e suplantada a pobreza, essa impávida vilã que lhe abate o ânimo e cerceia suas esperanças. Mas o horizonte do homem comum não é tão vasto como o desejado, e costuma tingir-se de negro, como que a preparar tempestades, que não raramente com impiedade caem. E a desigualdade fere, humilha e machuca, e apesar de parenta distante da pobreza, quando se une a esta, crescem ambas em força, poder e descontentamento. E o homem desolado, mas ainda sonhador, imagina que poderá um dia, de alguma maneira, derrotar as duas. Então inventa idéias, arquiteta planos, e tal qual Quixote em seu Rocinante, ataca as gigantes do jeito que pode. Mas que pode um homem, só e desvairado, contra tais gigantes, que lutam lado a lado? Muito pouco, é certo, ou quase nada ainda, pois a luta inglória à que se determina, mal começa, acaba, e ele mais fraco finda. E então contempla o outro, afortunado e rico, desfrutando dos prazeres do mundo por se apropriar do fruto de seu trabalho, e mais ainda arquiteta e sonha e se revolta e chora! Talvez só tenha fim, tal luta desigual, se os homens se somarem, para vencer o mal. E, de tal forma unidos, firmes e resolutos, saibam que a diferença é um processo injusto, e que se um mais ganha do que o outro perde, a riqueza é vã, e quase nada serve. E um novo mundo, então, passem a construir, que lhes pareça humano, igualitário e bom. E para esta guerra que hão de enfrentar, muitas serão as armas a se habilitar. Uma só delas, porém, se destaca, sem ser arma de fogo, nem tampouco faca. A arma precisa para as batalhas, está em toda parte, em qualquer grotão... a arma precisa, saiba-se, é uma só, e o nome dela é educação!

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"And inequality hurts, humiliates and injures, and in spite of being poverty's distant relative, when the two of them are united, they both grow in strength, power and discontent." POVERTY AND INEQUALITY If common man could be given, in lonely strength, the wish of making his dreams come true and if he could live chimeras, then, all inequalities would certainly be overcome and poverty, this fearless villain that discourages him and cuts short his hopes, would certainly be subdued. However, the common man horizon is not as large as one would wish, and tends to blacken, as if preparing storms, which frequently fall mercilessly. And inequality hurts, humiliates and injures, and in spite of being poverty's distant relative, when the two of them are united, they both grow in strength, power and discontent. And the desolated but still idealist man believes that, one day, he will be able to defeat both of them. He then has ideas, conceives plans, and likewise Don Quixote on his Rocinante, attacks the giants in the way he can. Still, what can a lonely and crazy man do against such giants, which fight side by side? Not much for sure, or almost nothing, because as soon as the targeted inglorious fight begins, it ends, and the man ends up even weaker. That's when he contemplates the other one, lucky and rich, taking advantage of the world pleasures after confiscating the results from the man's work, and he plans and dreams even more and feels indignation and cries! Maybe this unequal fight will only end if men unite themselves to defeat the evil. And, united in a strong and resolute manner, know that the difference is an unfair process, and if one man wins more than the other looses, richness is worthless with almost no use. And then, they start to build a new world, one that seems to be humane, equal and good. And many weapons will need to be prepared for this war that they will fight. However, only one of them, neither a fire gun nor a knife, stands out. The right weapon for the battles is everywhere, at every corner... the right weapon, you must know, is only one, and it is called education!

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"Et l'inégalité blesse, humilie et offense, et malgré qu'elle soit parente distante de la pauvreté, quand elle s'y unit, pouvoir et mécontentement croissent tous deux en force." LA PAUVRETÉ ET L'INÉGALITÉ S'il était donné à l'homme commun, en force solitaire, de réaliser ses rêves et vivre ses chimères, toutes les inégalités seraient alors certainement vaincues et la pauvreté surmontée, cette intrépide vilaine que lui abat l'esprit et qui coupent ses espoirs à la racine. Mais l'horizon de l'homme commun n'est pas si vaste comme il le souhaiterait, et a l'habitude de se teindre en noir, comme avant les tempêtes, qui ne tombent pas rarement avec cruauté. Et l'inégalité blesse, humilie et offense, et malgré qu'elle soit parente distante de la pauvreté, quand elle s'y unit, pouvoir et mécontentement croissent tous deux en force. Et l'homme désolé, mais encore rêveur, imagine qu'il pourra un jour, d'une certaine manière, dérouter les deux. Il invente alors des idées, architecte des plans, et comme Dom Quichotte et sa Rossinante, attaque les géants comme il peut. Mais que peut faire un homme, seul et halluciné, contre ces géants, qui luttent côte à côte? Très peu, c'est certain, et presque rien encore, car la lutte modeste à laquelle il se détermine, finit dès qu'elle commence et finit par être encore plus faible. Et alors il contemple l'autre, fortuné et riche, jouissant des plaisirs du monde pour s'approprier des fruits de son travail, et fait encore plus plans et rêve et se révolte et pleure! Peut-être qu'une telle fin inégale ne finirait que si les hommes se joignaient pour vaincre le mal. Et, unis de cette façon, fermes et résolus, ils sauraient que la différence est un processus injuste, et que si l'un gagne plus que l'autre perd, la richesse est vaine, et ne sert presque à rien. Et ils commencent alors à construire un nouveau monde, qui leur paraît humain, égalitaire et bon. Et pour cette guerre qu'ils doivent affronter, nombreuses seront les armes dont il faudra disposer. Une seule d'elles cependant se distingue, qui n'est pas une arme à feu, ni un couteau. L'arme nécessaire pour les batailles, se trouve partout, dans n'importe quel grotte... l'arme nécessaire, on le sait, est unique, et son nom est éducation!

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"Reféns do silêncio e do medo, a infância constitui uma geração de refugiados de uma sociedade negligente e obcecada pelos prazeres do poder..."

Janaína Cristina Prados

UNIARAXÁ – Centro Universitário do Planalto de Araxá – Araxá – MG

CENÁRIOS Reféns do silêncio e do medo, a infância constitui uma geração de refugiados de uma sociedade negligente e obcecada pelos prazeres do poder... Como se não bastasse serem calejados pelas mazelas humanas, muitos têm suas vidas interrompidas pela violência... O abismo que separa ricos e pobres apenas reafirma as disparidades existentes entre os mesmos. Nem as novas políticas governamentais e muito menos a globalização, trouxeram mais justiça ao mundo, pelo contrário, este "vão" está muito além de uma disputa entre o bem e o mal... Revelando um cenário de miséria social, não é somente a fome e as doenças que têm consumido significante parcela dos incapazes. As diferenças entre o morro e o asfalto, ficam mais evidentes, a cada vez que assistimos à execução de inúmeros, que são julgados e condenados por razões que a própria razão desconhece... Para alguns, bastaria aumentar a severidade punitiva do Estado e chegaríamos a um nível de civilidade comparável à dos países que, pelo menos em nosso imaginário, são tranqüilos para se viver. O debate sobre possíveis modificações da lei penal funciona, entretanto, como uma espécie de atalho mental quando se trata de buscar soluções para a violência. Assim que acontece um crime bárbaro, cujas vítimas não sejam os habituais miseráveis, a resposta à indignação é quase uma escapatória para a fragilidade da justiça. No entanto, o problema maior não está nas novas leis que ainda carecem de ser elaboradas, mas nas já existentes, que amparariam todo o tecido social, caso deixassem de apenas compor o código penal. O que falta em ambos os lados é a capacidade de analisar a criminalidade para além dos argumentos da ótica judiciária, partindo para argumentos de princípios morais, éticos e culturais. Partindo do ponto de vista que a educação é um fator existencial, e que é ela a responsável pela formação do caráter humano, não há nada mais conivente do que torná-la prioritária. Dado este passo, estará configurada uma nova página no cenário da sociedade. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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Que o medo não cale, que a impunidade não sufoque, que a justiça não seja tida como cega e ponto. Que o poder transformador não se concentre em quem tem em punho a capacidade de decidir sobre a vida e a morte. Enxergar para além da lupa da minoridade pessimista, este deve ser o desafiador objetivo da promoção humana, resgatando a dignidade em uma prática por demais comum: o ensino como base. Alicerce para uma vida inteira, um único caminho para o bem, ricos e pobres, negros e brancos, inclusos e exclusos. É na educação que tudo se converte e tudo se encerra.

.......................................... "Hostages of silence and fear, the children of today became a generation of refugees in a negligent society obsessed by the pleasures of power..." SCENERIES Hostages of silence and fear, the children of today became a generation of refugees in a negligent society obsessed by the pleasures of power... As if it wasn't enough being hardened by human blemishes, many of them have their lives interrupted by violence... The abyss between the rich and the poor just reaffirms the disparity among them. Neither the new government policies nor globalization have managed to bring more justice to the world. On the contrary, the abyss is beyond a dispute between good and evil... This reveals an image of social misery, in which hunger and diseases are consuming a significant parcel of the incapable ones. The differences between shanty towns and the urbanized city are becoming more evident every time we face the execution of many people who are judged and considered guilty by reasons that reason itself doesn't know... For some, it would be enough if the State increase punitive severity and we would reach a level of civility comparable to those of countries that – at least in our imaginary – are a peaceful place to live. The debate about possible changes in the penal law works as mental detour when it comes to find solutions to violence. When a barbarian crime whose victims aren't miserable people occurs, the answer to the angers that arises is almost a chance to escape from our fragile justice. However, the biggest problem do not lie on the new laws that are still to be perfected, but at the existing laws, which would attend society as a whole, if it ceased to be an unused part of the Unesco | Folha Dirigida

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penal code. Both sides are lacking the capacity to understand crime from outside the law view, considering arguments based on moral, ethical, and cultural principles. From the point of view that education is factor of existence, and that it is responsible for the formation of human character, nothing would be more convenient than considering it a priority. When this step has been taken, then we will write a new page on society's scenery. Fear shall not be kept quiet, impunity shall not suffocate us, and justice shall not be blind, period. The changing power shall not be concentrated in the hands of those who have the power to decide about life and death. We must see beyond the lenses of the pessimist minority, this must be the challenging goal of promoting our human condition, rescuing our dignity in a very common practice: with education as a basis. As an foundation for one's entire life, the only way to Good for the rich and the poor, the black and the white, the included and excluded ones. It is in education that everything changes and where everything is included.

.......................................... "Otages du silence et de la peur, l'enfance constitue une génération de réfugiés d'une société négligente et obsédée par les plaisirs du pouvoir..." SCÉNARIOS Otages du silence et de la peur, l'enfance constitue une génération de réfugiés d'une société négligente et obsédée par les plaisirs du pouvoir... Comme si il ne suffisait pas qu'ils soient endurcis par les malheurs humais, beaucoup ont leurs vies interrompues par la violence... L'abîme qui sépare les riches des pauvres réaffirme à peine les disparités entre les mêmes. Ni les nouvelles politiques gouvernementales et encore moins la globalisation, ont apporté plus de justice sur la terre, au contraire, ce "précipice" est très au-delà d'une dispute entre le bien et le mal.... Révélant un scénario de misère sociale, ce ne sont pas seulement la faim et les maladies qui ont consommé une parcelle significative des incapables. Les différences entre la colline et la rue, sont plus évidentes, à chaque fois que nous assistons à l'exécution d'innombrables, que sont jugés et condamnés pour des raisons que la raison elle-même méconnaît... Pour certains, il suffirait d'augmenter la sévérité punitive de l'Etat et nous Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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arriverions à un niveau de civilité comparable à celle des pays qui, du moins dans notre imaginaire, sont tranquilles pour y vivre. Le débat sur les possibles modifications de la loi pénale fonctionne cependant, comme une espèce d'obstacle mental lorsqu'il s'agit de chercher des solutions pour la violence. Quand un crime barbare est commis, et que les victimes ne sont pas les habituels misérables, la réponse à l'indignation est presque une échappatoire pour la fragilité de la justice. Cependant, le plus grand problème ne se trouve pas dans les nouvelles lois qu'il manque encore à élaborer, mais dans celles qui existent déjà, qui protègeraient tout le tissu social, si elles e faisaient plus partie du code pénal. Ce qu'il manque des deux côtés, c'est la capacité d'analyser la criminalité au-delà des arguments de l'optique judiciaire, partant vers les arguments de principes moraux, éthiques et culturels. Partant du point de vue que l'éducation est un facteur existentiel, et qu'elle est responsable de la formation du tempérament humain, il n'y a rien de plus complice que de la rendre prioritaire. Ce pas étant fait, une nouvelle page sera configurée dans le scénario de la société. Que la peur ne se taise pas, que l'impunité ne suffoque pas, que la justice ne soit pas tenue comme aveugle. Que le pouvoir transformateur ne se concentre pas dans celui qui détient la capacité de décider de la vie ou de la mort. Regarder au-delà de la loupe de la minorité pessimiste, ceci doit être l'objectif défiant de la promotion humaine, sauvegardant la dignité dans une pratique trop commune: l'enseignement comme base. Fondement pour une vie entière, unique chemin pour le bien, riches et pauvres, noirs et blancs, inclus et exclus. C'est dans l'éducation que tout se convertit et tout se clôture.

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"...pobres e desiguais em todos os países unamo-nos! Avante!"

José Adauto Gomes Moura

Universidade Estadual Vale do Acaraú – Sobral – CE

Na antropogênese no comunismo primitivo, pobreza e desigualdade existiam já como irmãs irremediavelmente juntas, viviam como nômades pelo planeta por onde encontrassem o hom*o Sapiens, e mesmo com a dificuldade topográfica deixada pela pangea. Nas tribos, nos clãs, nas famílias, em toda densidade demográfica e por todas intempéries do tempo essa dupla histórica/ antropológica passava desapercebida e tinha sua razão natural de ser. Até bem aceitas eram numa convivência passiva e pacífica sem conflitos de classes. Essas primogênitas pobreza e desigualdade aparentemente feias não eram, porém, isto sim uma deusa Dual feito corpo e alma má intencionada, sempre propensa às minorias em detrimento da maioria e com um poder de regeneração, destruição e adaptabilidade inacreditável através dos tempos... mas não invencível! Pelo fato de sua existência milenar e sua indivisibilidade a lingüística/ filologia bem que poderia nomenclaturá-la de "desigualdeza ou pobredade". Pois é com tal nome ou designação neologística que ela explora, oprime, ludibria e dribla as pessoas num dos ramos de atividades comerciais mais rentáveis da globalização: o futebol e sua elitização, e, nos demais segmentos da sociedade destruindo vidas, independente de idade-sexo – etnia – religião e unicamente o proletariado. – Sou rainha pobredade, o mundo me pertence! – É o que ela pensa, coitada! Não perde por esperar... Pobreza e desigualdade, ou melhor, pobredade futebol clube – P.F.C, após uma turnê/ temporada invencível em todos os torneios e amistosos no qual disputou pelo mundo chega ao país do futebol, a Pátria de Chuteiras: Brasil. Para uma partida duelo final aguardada e almejada extremamente com expectativa por toda a humanidade. No templo maior do futebol mundial, estádio Mário Filho, O Maracanã. Onde toda a imprensa do planeta acompanha a histórica cobertura, para a posteridade. Soberba, preguiça, gula, avareza, luxúria, inveja, cobiça, miséria, fome, opressão e mais-valia com seu técnico, capitalismo, especulação, guerra consideram-se invencíveis para o confronto final. Enfim na contemporaneidade! Depois de experiências mal interpretadas e sucedidas além de sabotadas, destorcidas e combatidas ferozmente pela ideolo-

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gia burguesa e seu estado ao longo da história, eis que se reencontram frente a frente inevitavelmente para esta batalha final!: POBREDADE FUTEBOL CLUBE X MARXISMO ESPORTE CLUBE. Sob conscientização e mobilização da torcida mundial aliada à educação o M.E.C. MARXISMO ESPORTE CLUBE entra em campo convicto da vitória diante de seu histórico ferrenho, e cruel inimigo pobreza e desigualdade, com proletário, socialismo, revolução, ciência, tecnologia, paz, natureza, justiça, esperança, felicidade e amor aos brados de seu técnico(a): riqueza prosperidade plena humanidade: pobres e desiguais em todos os países unamo-nos! Avante!

.......................................... "...poor and unequal ones from all countries, gather on! Go on!" At primitive communism anthropogenesis, poverty and inequality existed as inseparable sisters that lived as nomads around the planet – wherever there was hom*o sapiens – even with all topographic difficulties left by Pangea. In the tribes, clans, families, in all demographic density a through all weather tempests this historical/anthropological pair would lie unnoticed and this has a natural reason to be. Both are even well accepted, in a passive and pacific sociability without class conflicts. These early born poverty and inequality did not appear to be ugly ones; however, they have become a dual goddess, with ill-intentioned body and soul, always on favor of the minorities in detriment of the majorities, and with and incredible power of regeneration, destruction and adaptation through time… but not invincible! Considering its millennial existence and its linguistic/philological indivisibility, it should be named "inequalverty or povertylity". So it is with that name or neologism that it explores, oppress, deceits and dribble people in one of the most profitable commercial activities in globalization: football (soccer) and its elitization, and, in other segments of society, destroying people's life, regardless of age, sex, ethnical group, religion, but only in the proletariat. – "I am Queen povertility, the world belongs to me!" – "That's what she thinks, poor thing! She has nothing to loose by waiting..." Poverty and inequality, or better, Povertility Football Club – P.F.C, which remains undefeated in all tournaments and friendly games in its last a tour/ season, arrives here at the country of football, the Fatherland in Football Boots: Brazil. There will be the most awaited and wanted final duel match that humanity

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has ever seen, in the world's biggest football temple, Mario Filho Stadium, also called Maracanã, where the entire planet press expects to cover the historical event for posterity. Pride, laziness, gluttony, avarice, luxury, envy, greed, misery, hunger, oppression and surplus value with their coaches: capitalism, speculation, and war, are considered the favorites in the final match. At last, today! After being badly understood, badly succeeded and even sabotaged experiences, which were distorted and combated fiercely, but the bourgeoisie ideology and its state through history, finally they're face to face to this final battle! POVERTYLITY FOOTBALL CLUB vs. MARXISM SPORT CLUB. Under the consciousness and mobilization of supporters from all over the world together with education, M.E.C. – MARXISM SPORT CLUB enters in the field convict of the victory against its historical, hard and cruel enemy – poverty and inequality -, with proletarian, socialism, revolution, science, technology, peace, nature, justice, hope, happiness and love, with the cries of their coaches: richness, plain prosperity, humanity: poor and unequal ones from all countries, gather on! Let's go!

.......................................... "...pauvres et inégaux de tous les pays unissons-nous! En avant!" Dans l'anthropogenèse du communisme primitif, pauvreté et inégalité existaient déjà comme des soeurs irrémédiablement ensembles, vivaient comme des nomades sur la planète où elles trouvaient l'hom*o Sapiens, et même avec la difficulté topographique laissée par la pangea. Dans les tribus, les clans, les familles, dans toute la densité démographique et toutes les intempéries du temps ce doublet historique/ anthropologique passait inaperçue et avait sa raison naturelle d'être. Même bien acceptées elles vivaient ensemble passivement et pacifiquement sans conflits de classes. Ces deux parentes pauvreté et inégalité n'étaient pas apparemment laides, cependant, plutôt une Déesse Dual de corps et âme mal intentionnée, toujours favorables aux minorités au détriment de la majorité et avec un pouvoir de régénération, destruction et adaptabilité incroyable au travers des temps, mais non invincible! Par le fait de son existence millénaire et son indivisibilité la linguistique/ philologie pourrait bien la nomenclature de "inégalité ou pauvreté". Car c'est avec ce nom ou désignation néo logistique qu'elle explore, opprime, dédaigne et drible les personnes dans l'un des domaines d'activités commerciales

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plus rentables de la globalisation: le football et son élitisme, et dans les autres segments de la société détruisant les vies, indépendamment de âge sexe – ethnie – religion et uniquement le prolétariat. – Je suis la reine pauvreté, le monde m'appartient! – C'est ce qu'elle pense, la pauvre! Ne pas perdre pour attendre... Pauvreté et inégalité, ou mieux, pauvreté football club – P.F.C, après une tournée/ saison invincible dans tous les tournois et amicales dans lesquels elle a disputé pour le monde arrive au pays du football, la Patrie de Tennis de football: Brésil. Pour une partie duel final attendue et désirée à l'extrême avec expectative par toute l'humanité. Dans le temple majeur du football mondial, stade Mário Filho, Le Maracanã. Où toute la presse de la planète accompagne la couverture historique pour la prospérité. Arrogance, nonchalance, gourmandise, avarice, vice, jalousie, ambition, misère, faim, oppression et plus-value avec son technicien, capitalisme, spéculation, guerre se considèrent invincibles pour l'affrontement final. Enfin dans le contemporain! Après des expériences mal interprétées et réussies en plus de sabotées, distordues et combattues férocement par l'idéologie bourgeoise et son état au long de l'histoire, voici qu'elles se rencontrent face à face inévitablement pour la bataille finale!: PAUVRETÉ FOOTFBALL CLUB X MARXISME SPORT CLUB. Sous prise de conscience et mobilisation des supporters mondiaux alliée à l'éducation le M.E.C. MARXISME ESPORT CLUB entre sur le terrain convaincu de la victoire face à son historique pertinent et cruel ennemi pauvreté et inégalité, avec prolétaire, socialisme, révolution, science, technologie, paix, nature, justice, espoir, bonheur et amour aux cris de son entraîneur (se): richesse prospérité pleine humanité: pauvres et inégaux de tous les pays unissez-vous! En avant!

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"Um ambicioso programa nacional que crie o esforço coletivo de todos esses agentes, operando de forma sinérgica, será o caminho para vencer o desafio da pobreza e da desigualdade nas próximas décadas."

Juliana Casé Costa Cunha

FBV – Faculdade Boa Viagem – Recife – PE

A globalização, processo econômico ocorrido em todo o mundo, ofereceu possibilidade de expansão em mercados com ganhos produtivos a vários países. Entretanto, países em desenvolvimento e com economias em transição ainda enfrentam sérios problemas sociais para promover o seu crescimento. Assim, para que ocorram benefícios crescentes a todos é necessária a adoção de políticas, em escala mundial, explicitamente voltadas às necessidades das populações dos paises ainda socialmente e economicamente mais atrasados. Medidas com o objetivo-fim de erradicação da pobreza e diminuição da desigualdade de renda contribuirão para a participação efetiva desses países no crescimento econômico. Inserido numa economia de transição e caracterizado entre um dos paises mais desiguais do mundo, o Brasil recentemente sofreu um expressivo processo de desconcentração de renda e de redução no grau de extrema pobreza, em larga medida, decorrente da melhoria do acesso a serviços públicos básicos, do aumento das transferências públicas de caráter previdenciário e assistencialista e também da redução do preço dos bens de consumo duráveis. Todavia, apesar de o Brasil ter um nível de renda suficientemente elevado, que poderia garantir o mínimo necessário à maioria de sua população, ainda persiste a pobreza absoluta, resultado, entre outros fatores, da má distribuição de renda, da ineficiência do gasto público e do negligenciamento histórico do investimento em capital humano. Historicamente, a relação entre crescimento do PIB e a concentração de renda no país foi marcada por períodos curtos de prosperidade econômica, não-contínuos e não bem distribuídos no tempo. Como conseqüência, as oportunidades "naturais" de crescimento econômico foram predominantemente concentradoras. Para criar uma relação saudável entre crescimento de longo prazo e desenvolvimento humano são necessárias ações específicas dos poderes públicos: universalização do acesso a serviços públicos com foco na qualidade, especialmente no que diz respeito à saúde e à educação, e o estabelecimento de uma rede de proteção social mais eficiente e eficaz, voltada para quem mais precisa, de modo a propiciar soluComo vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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ções para a problemática da dependência dos beneficiários. Almeja-se, assim, criarse um amplo conjunto de programas que motivem a inserção produtiva das pessoas no mercado de trabalho. Tais ações contribuiriam fortemente para a expansão sustentável do emprego e, desta forma, para a redução da desigualdade social. Para vencer a pobreza e a desigualdade de renda, um bom clima econômico e melhores práticas de governo (boa governança em todas as instâncias da administração pública) são imprescindíveis para que seja criado um ambiente no qual as pessoas possam prosperar e promover a sua ascensão social. Porém, vale enfatizar que sem o retorno ao crescimento econômico, uma melhor distribuição dos frutos do desenvolvimento, um maior compromisso com a preservação ambiental e um forte comprometimento de cada um de nós, da sociedade em conjunto, das empresas e do governo – não será possível obter-se um crescimento econômico sustentável, em nível social, político e econômico. Um ambicioso programa nacional que crie o esforço coletivo de todos esses agentes, operando de forma sinérgica, será o caminho para vencer o desafio da pobreza e da desigualdade nas próximas décadas.

.......................................... "An ambitious national program that creates a collective effort involving all these agents, operating in synergy would be the way to stop poverty and inequality in the coming decades." Globalization – a global economical process – provided many countries with the possibility to expand their markets with productive incomes. However, developing countries with economies in transition are facing serious social problems to promote their development. Thus, in order to provide benefits to all it is necessary to adopt global policies that are specifically driven for the needs of socially and economically undeveloped countries populations. Measures aiming at the eradication of poverty and the diminution of income inequality shall contribute to these countries effective participation on economic growth. Inserted in a transition economy and considered one of the most unequal countries in the world, recently Brazil went through an expressive income division process and a reduction on the extreme poverty level, in a large extent due to the better access to basic public services, the increase in public securitary and assistential transfers and also the durable consumption goods' price reduction. Nevertheless, despite Brazil's high income level, which should guarantee the minimum needs of its population, the absolute poverty still exists, resulting, among other factors, Unesco | Folha Dirigida

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from an unfair income distribution and from a historical neglect in human capital investment. Historically, the relation between GDP and income concentration in Brazil was marked by short periods of economic prosperity, not continuous and with a bad distribution in time. Therefore, the "natural" opportunities for economic growth had been predominantly concentrating. In order to create a healthy relationship between long term growth and human development specific action by the public powers are necessary: universal access to on quality-driven public services, specially in health and education, and the establishment of a more effective social protection net, focused on the ones who need it the most, to provide solutions to the problem of beneficiaries' dependence. The aim is to create a wide net of programs that intend to provide people with a productive insertion in the work market. Such actions would contribute to a sustainable work expansion and, thus, to social inequality reduction. To stop poverty and income inequality, a positive economic environment, and the best government practices (the best governance in all public management instances) are indispensable to create an environment in which individuals could prosper and achieve social ascension. However, it is important to stress that without economic growth, a better distribution of development incomes, a stronger concern about environmental preservation and a strong commitment of each one of us, of society as a whole, of companies and the government, it wouldn't be possible to achieve a sustainable economic development at the social, political and economic levels. An ambitious national program that creates a collective effort involving all these agents, operating in synergy would be the way to stop poverty and inequality in the coming decades.

.......................................... "Un ambitieux programme national qui crée l'effort collectif de tous ces agents, opérant de manière synergique, sera le chemin pour vaincre le défi de la pauvreté et de l'inégalité dans les prochaines décennies." La globalisation, processus économique survenu dans le monde entier, a offert la possibilité d'expansion avec gains productifs à différents pays. Cependant, des pays en voie de développement, et avec des économies en transition affrontent encore de sérieux problèmes sociaux pour promouvoir leur croissance. Ainsi, pour que des bénéfices croissants arrivent à tout le monde, l'adoption de Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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politiques est nécessaire, à l'échelle mondiale, explicitement tournées vers les besoins des populations des pays socialement et économiquement encore en retard. Mesures avec pour objectif final l'éradication de la pauvreté et diminution de l'inégalité de revenu contribueront à la participation effective de ces pays dans la croissance économique. Inséré dans une économie de transition et caractérisé dans l'un des pays ayant le plus d'inégalité au monde, le Brésil a subi récemment un processus expressif de déconcentration de revenu et diminution du degré d'extrême pauvreté, en large mesure, découlant de l'amélioration de l'accès aux services publics de base, de l'augmentation des transferts publics à caractère de prévoyance et assistance et aussi de la diminution du prix des biens de consommation durables. Cependant, bien que le Brésil ait un niveau de revenu suffisamment élevé, qui pourrait assurer le minimum nécessaire à la majorité de sa population, la pauvreté absolue persiste encore, résultat, parmi d'autres facteurs, de la mauvaise distribution de revenus, de l'inefficacité des dépenses publiques et de la négligence historique de l'investissem*nt en capital humano. Historiquement, le rapport entre la croissance du PIB et la concentration de revenu dans le pays a été marquée par des périodes courtes de prospérité économique, non continues et non bien distribuées dans le temps. Comme conséquence, les opportunités "naturelles" de croissance économique ont concentré de façon prédominante. Pour créer un rapport sain entre la croissance à long terme et le développement humain, des actions spécifiques des pouvoirs publics sont nécessaires: universalité de l'accès aux services publics avec cible sur la qualité, spécialement en ce qui concerne la santé et l'éducation, et l'établissem*nt d'un réseau de protection sociale plus efficace, tournée vers celui qui en a le plus besoin, de façon à offrir des solutions pour la problématique de la dépendance des bénéficiaires. On désire, ainsi, que se créer un grand ensemble de programmes qui motivent l'insertion productive des personnes sur le marché du travail. De telles actions aideraient fortement à l'expansion durable de l'emploi et, de cette façon, à la diminution de l'inégalité sociale. Pour vaincre la pauvreté et l'inégalité de revenu, un bon climat économique et de meilleures pratiques de gouvernement (bonne gouvernance dans toutes les instances de l'administration publique) sont indispensables pour que soit créée une ambiance dans laquelle les personnes puissent prospérer et promouvoir leur ascension sociale. Cependant, il convient de souligner que sans le retour à la croissance économique, une meilleure distribution des fruits du développement, un plus grand engagement dans la préservation environnementale et un fort compromis de chacun de nous, de l'ensemble de la société, des entreprises et du gouvernement – il ne sera pas possible d'obtenir une croissance économique durable, au niveau social, politique et économique. Un ambitieux programme national que crée l'effort collectif de tous ces agents, opérant de manière synergique, sera le chemin pour vaincre la pauvreté et l'inégalité dans les prochaines décennies.

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"para vencer a pobreza e a desigualdade falta uma coisa: vontade."

Leysa de Almeida Vidal

Universidade Estácio de Sá – Rio de Janeiro – RJ

Defrontamo-nos, atualmente, com inúmeras e persistentes questões acerca de temas que afligem a sociedade de modo geral. Indagamo-nos sobre como solucionar os graves problemas sociais que envolvem intolerância, fome, miséria e desigualdade social. São questões complexas, porém suas respostas são simples – numa equação tão contraditória quanto a própria humanidade. Quem dera que a implementação das soluções para essas questões fosse tão fácil quanto saber as suas respostas. A grande dificuldade reside em executá-las, não em conhecê-las. Afinal, todos as sabemos de coração. Uma resposta geral e abrangente seria que a principal solução está na educação. Não me refiro apenas ao ensino, mas também à conscientização que pode ser promovida mediante grandes e constantes debates acerca das questões sociais. A educação básica de qualidade permite, além do desenvolvimento individual e da auto-estima, maiores oportunidades no acesso a condições mínimas de dignidade e cidadania. Além disso, o ensino também propicia capacitar os indivíduos tanto a proporem, quanto a cobrarem – de maneira adequada e conseqüente – políticas sociais e econômicas dos Estados. O conhecimento possibilita o entendimento de que o planeta é um único organismo, e sendo assim, ninguém está imune aos flagelos que assolam qualquer parcela da sociedade, já que suas conseqüências desconhecem fronteiras territoriais, econômicas ou sociais. Além do que, todos nós pagamos um pesado tributo, tanto social quanto econômico, em razão dos desdobramentos de todas as mazelas sociais do planeta. Em última instância, permite pensar nos problemas e nas suas soluções de forma coletiva e global, reconhecendo que a miséria de milhões de pessoas no mundo todo é moralmente inaceitável. Apesar de considerar que a solução primária é a educação – posto que sem ela não há nenhum caminho possível – outras soluções, não menos urgentes e importantes, precisam ser praticadas em diferentes esferas: aliar desenvolvimento econômico com uma melhor distribuição de renda e de oportunidades; combater o desperdício, a corrupção e a indiferença; implementar programas para promover a saúde e o saneamento públicos. Todas essas medidas, porém, implicam resultados a médio ou a longo prazo. Outras estratégias mais imediatas também são necessárias, entre elas a manutenção de programas assistenciais

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de combate à fome, à miséria, às doenças e à mortalidade infantil. Evidentemente esse panorama não é igual em todos os países. Temos no mundo nações realmente pobres, que necessitam de ajuda externa. Mas também existem países que, apesar de não serem pobres, possuem uma grave desigualdade social, relegando a maioria da sua população a uma situação de pobreza e abandono. Existe uma conclusão dolorosa, porém inadiável. Todos nós conhecemos as soluções. A humanidade possui os recursos e os meios para colocá-las em prática. Logo, para vencer a pobreza e a desigualdade falta uma coisa: vontade. É fundamental reconhecermos que somos todos responsáveis, direta ou indiretamente, tanto pelos problemas sociais quanto pelas suas soluções. É urgente que todos os cidadãos do mundo globalizado cumpram o seu papel social e cobrem dos Estados ações efetivas no sentido de se estabelecerem políticas e estratégias globais de combate à pobreza e à desigualdade social.

.......................................... "One thing is missing to overcome poverty and inequality: will" We are currently faced with innumerable and persistent issues concerning themes that afflict society in general. We question ourselves as to how to solve society's serious problems involving intolerance, hunger, poverty and social inequality. These are complex matters, but with simple answers – in an equation as contradictory as humanity itself. We wish the implementation of solutions for these issues were as easy as knowing their answers. The great difficulty lies in executing them, not in knowing them. After all, we know them by heart. A general and comprehensive answer would be that the main solution lies within education. I do not allude to what is only taught in schools, but also the awareness that can be promoted through constant debates pertaining to social issues. Quality levels of basic education allow for individual and self-esteem development, as well as greater opportunity in accessing minimum levels of dignity and citizenship. Moreover, schooling also induces the capacity of individuals to propose and demand-in an adequate and conscious manner-social and economic policies from the State. Knowledge allows the understanding that the planet is a single organism, and so no one is immune to the wounds that plague any section of society since consequences know no territorial, economic or social boundaries. Furthermore, all of us pay an expensive tribute, both social and economical, due to the outcomes

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of all the social sores of the world. Lastly, it allows us to think of problems and their solutions in a collective and global way, acknowledging that the poverty of millions of people around the world is morally unacceptable. Although education is considered the primary solution-seen that without it there is no possible path to be taken-other solutions, no less urgent or important, need to be enforced in different areas: ally economic development with a better distribution of income and opportunities; fight waste, corruption and indifference; implement programs to develop health and public sanitation. However, all these measures imply medium or long-term results. Other more immediate strategies are also necessary, such as the preservation of assistant programs against famine, poverty, disease and infantile mortality. Evidently this outlook isn't the same in all countries. There are nations in the world which are really poor and need external help. But there are also countries that, although not being poor, have a great social inequality, leaving the majority of the population in poverty and abandonment. There is a painful conclusion, although inevitable. We all are aware of the solutions. Humanity possesses the resources and means to put them into practice. Therefore, one thing is missing to overcome poverty and inequality: will. It is fundamental to acknowledge that we are all, directly or indirectly, responsible for both social problems and their solutions. All the citizens of the world urgently need to fulfill their social role and demand from the States effective actions to establish global policies and strategies against poverty and social inequality.

.......................................... "pour vaincre la pauvreté et l 'inégalité, il manque une chose: la volonté." Actuellement, nous affrontons diverses questions concernant les thèmes qui affligent la société de façon générale. Nous nous questionnons sur la façon de résoudre les graves problèmes sociaux qui entourent l'intolérance, la faim, la misère et l'inégalité sociale. Ce sot des questions complexes, cependant leurs réponses sont simples – dans une équation si contradictoire sur l'humanité ellemême. Si l'on pouvait faire que la mise en oeuvre de solutions à ces questions soit aussi facile que connaître leurs réponses. La grande difficulté réside dans leur exécution, et non pas dans leur connaissance. Finalement nous les connaissons par coeur. La réponse générale et s'étendant le plus, serait que la solution principale se

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trouve dans l'éducation. Je ne me réfère pas seulement à l'enseignement, mais aussi à la prise de conscience pouvant être promue au moyen des débats grands et constants autour des questions sociales. L'éducation basique de qualité permet, en plus du développement individuel et de l'amour propre, de plus grandes opportunités dans l'accès à des conditions minimum de dignité et citoyenneté. De plus, l'enseignement offre aussi d'habilité les individus aussi bien à proposer qu'à exiger – de façon adéquate et conséquente – politiques sociales et économiques des Etats. La connaissance rend possible la compréhension que la planète est l'unique organisme, et cela étant, personne n'est immun aux malheurs qui accablent n'importe quelle partie de la société, puisque leurs conséquences méconnaissent les frontières territoriales, économiques ou sociales. De plus, nous tous payons un tribut, aussi bien social qu'économique, en raison des divisions de tous les malheurs sociaux de la planète. En dernière instance, permet de penser aux problèmes et à leurs solutions de manière collective et globale, reconnaissant que la misère de millions de personnes dans le monde est moralement inacceptable. Bien que nous considérions que la solution primaire set l'éducation – vu que sans elle il n'existe aucun chemin possible – d'autres solutions, non moins urgentes et importantes, ont besoin d'être pratiquées dans différentes sphères: allier développement économique avec la meilleur distribution de revenu et d'opportunités; combattre le gaspillage. La corruption et l'indifférence; mettre en oeuvre des programmes pour promouvoir la santé et l'assainissem*nt publics. Toutes ces mesures, impliquent des résultats à moyen ou à long terme. D'autres stratégies plus immédiates aussi sont nécessaires, parmi elles la manutention de programmes d'assistance de combat de la faim, misère, maladies et mortalité infantile. Evidemment ce panorama n'est pas égal dans tous les pays. Nous avons dans le monde des nations vraiment pauvres, qui ont besoin d'aide externe. Mais il existe aussi des pays qui, bien qu'ils soient pauvres, possèdent une grave inégalité sociale, reléguant la majorité de la sa population á une situation de pauvreté et d'abandon. Il existe une conclusion douloureuse, cependant ne pouvant être prolongée. Nous tous connaissons les solutions. L'humanité possède des ressources et des moyens pour les mettre en pratique. Donc, pour vaincre la pauvreté et l'inégalité, il manque une chose: volonté. Il est fondamental que nous reconnaissions que nous sommes tous responsables, directement ou indirectement, aussi bien des problèmes sociaux que de leurs solutions. Il est urgent que tous les citoyens du monde globalisé remplissent leur rôle et exigent des Etats de actions effectives dans le sens que s'établissent des politiques et des stratégies globales de combat de la pauvreté et d'inégalité sociale.

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"Semeando Educação, Colheremos atitude. Plantaremos grão por grão, Nossa safra de virtude."

Lilian Ribeiro de Oliveira

USP – Universidade de São Paulo – São Paulo – SP

LETRA DE MUDANÇA Mundo, mundo, vasto mundo! O que faltas para ti, população? Em terra de Teresas, Anas, e Raimundos, Onde tudo é azul profundo, Por que há de faltar o principal: Educação? E se falta Educação, Como prosseguir? Não se sabe ler, Questionar, Só oprimir! Quando o conhecimento é de poucos, A maioria sofre de indignação. Somente com o fomento, Com a luz do conhecimento, Pode-se mudar uma nação. Semeando Educação, Colheremos atitude. Plantaremos grão por grão, Nossa safra de virtude. Crescerão rapidamente, Neste solo tão fecundo. E, então, cada sem*nte Ajudará a mudar o mundo. Darão flores e frutos, Serão nossa maior riqueza. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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As raízes, nossas armas, Nessa luta contra a pobreza. E assim neste compasso, Nesta letra de mudança, Acertaremos nosso passo, Cultivaremos a esperança. Pois, quem escreve destrói limites, Quem lê constrói castelos. E enquanto a pobreza se dissolve, A igualdade se une em elos.

.......................................... "Sowing Education, We will reap attitude. We will plant seed by seed, Our crop of virtue." LYRICS OF CHANGE World, world, enormous world! What is missing for you, population? In a land of Teresas, Anas and Raimundos, Where everything is deep blue, Why the main issue should be missing: Education? And if there is no Education, How to go on? No reading, Questioning, Only oppressing! When knowledge is for few, Most suffer indignation. Only with incitement, With light of knowledge, Can we change a nation. Sowing Education, We will reap attitude. Unesco | Folha Dirigida

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We will plant seed by seed, Our crop of virtue. They will grow rapidly, In this fertile soil. And so every seed Will help change the world. They will give flowers and fruit, They will be our greatest wealth. Roots, our weapons, In this fight against poverty. And so in this beat, In these lyrics of change, We find our pace, We cultivate hope. So, who writes destroys limits, Who reads builds castles. And while poverty dissolves, Equality unites in links.

.......................................... "En semant l'Education, Nous cueillerons l'attitude. Nous planterons grain par grain, Notre récolte de vertu." PAROLES DE CHANGEMENT Monde, mode, vaste monde! Que te manque-tu, population? Sur la Terre des Thérèses, Annes, et Raymonds, Où tout est bleu profond Pourquoi manque-t-il le principal: Education? Et s'il manque l'Education, Comment continuer?

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On ne sait pas lire, Questionner, A peine opprimer! Quand la connaissance appartient à peu, La majorité souffre d'indignation. Seulement avec l'appui, Avec la lumière de la connaissance, On peut changer une nation. En semant l'Education, Nous cueillerons l'attitude. Nous planterons grain par grain, Notre récolte de vertu. Ils pousseront rapidement, Dans ce sol si fécond. Et, alors, chaque graine Aidera à changer le monde. Donneront fleurs et fruits, Seront notre plus grande richesse. Les racines, nos armes, Dans cette lutte contre la pauvreté. Et ainsi à ce rythme, Dans ces paroles de changement, Nous ajusterons notre pas, Nous cultiverons l'espoir. Car, celui qui écrit détruit les limites, Celui qui lit construit des châteaux. Et tandis que la pauvreté se dissout, L'égalité s'unit en liens.

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"E o maior ingrediente é mesmo a educação. Não aquela que prende, amarra e cerceia liberdades, mas aquela que desprende, eleva e transgride a consciência..."

Lino Carneiro

UESB – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia -Vitória da Conquista – BA

MAIS DO QUE UM PUNHADO DE FARINHA E UM TACO DE TERRA Besta aquele que pensa que dona Pobreza e a irmã Desigualdade têm vinte anos cada uma de idade. Nada disso, são mais velhas que as rodas da lambreta ou mais antigas que as noites de cantoria. Cada uma dessas senhoras, quando passa pela rua, desperta os olhares dos homens mais abastados e até dos que só têm no bolso vento e buraco. Eis que os filhos de dona Pobreza já têm até marca, seita, estereótipo ou fantasia. Com as costelas dependuradas, visíveis até para um míope, o cidadão transita adoidado sempre amparado pelas ondas da periferia. Mas não precisa agonia, porque eu vi na tevê que tudo isso ia mudar por causa da filosofia. Para a nossa alegria, o governo da capital com o carnaval iria acabar, separando as mãos de dona Pobreza da Desigualdade e arrancando as alegorias. Acreditei tanto que do susto recebi um solavanco, pois os homens só queriam dar, para toda essa multidão, alguns tacos de terra e um saco e meio de farinha trazidos pelo caminhão. Danei a lembrar do tal jornalista da capital. Ele dizia que nas andanças no Senado Federal achava que todo senador tinha cara de bobo, então foi quando um amigo lhe confessou meio torto: "o mais bobo deles conserta um relógio no escuro. E com luva de boxe". Foi aí que eu senti o calote, que tudo não passava de um trote, triste fiquei por perder aquele dia como eleitor. Mas isso já passou, quero agora fazer um bendito favor de amarrar as mãos do falso lutador. Já começo então traçando a solução, mas antes informo que todos já sabem a receita. Pena que muitos não querem compreender ou fingem não sabê-la; pois se fosse da vontade do Poder, a água virava suco e a farinha virava presunto na mesa de quem ainda não sabe ler. E o maior ingrediente é mesmo a educação. Não aquela que prende, amarra e cerceia liberdades, mas aquela que desprende, eleva e transgride a consciência dos cabras negros, índios ou pálidos, e das cabritinhas também. Até Deus que sempre nos serve de consolo diante de tanto roubo, está cansado de saber: que todo mundo diz que o objetivo é crescer e dividir o bolo. Eu

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nunca vi bolo tão grande e que só alguns podem ter, visto que mais de cinqüenta milhões de habitantes há muito só comem poucas migalhas e não têm dia de lazer. Para vencer as grandes irmãs é preciso ter força, e sustância só se encontra nas vitaminas, pois então é hora de repartir o bolo, dar as terras para o povo e condições reais e humanas de vida. Veja que o remédio já tem receita. É não colocar nenhum quilo de corrupção, investir de verdade na educação, melhorar a saúde e a segurança, distribuir terra e esperança, democratizar a mídia e as oportunidades para que a mentira sempre perca da verdade e os sonhos se unam à criatividade. Mas tudo isso só vai funcionar se o ser humano passar a se gostar, "valorizando mais o ser do que o ter", despertando o interesse pela participação e conscientização. E como diz a poeta, "só de sacanagem, mais honesta ainda eu vou ficar", pois qualquer revolução tem inicio dentro de cada ser.

.......................................... "And the biggest ingredient is indeed education. Not that which ties, confines and restrains freedoms, but that which frees, elevates and transgresses the conscience..." MORE THAN A HANDFUL OF FLOUR AND A BIT OF EARTH Only an idiot thinks that Ms Poverty and her sister Ms Inequality each are twenty years old. No, they are older than the wheels of the lambreta or more ancient than the nights of singing. Either of these two ladies, when passing by in the street, calls the attention of prosperous men as well as those who only have wind and holes in their pockets. Ms Poverty's sons already even have a brand, sect, stereotype or fantasy. With hanging ribs, visible even to the short-sighted, the citizen transits crazily, always supported by the waves of the periphery. But there is no need for anguish, for I saw on the TV that all of this would change because of philosophy. To our despair the government of the capital would end with carnival, separating the hands of Ms Poverty and Inequality and ripping the costumes. I believed so blindly that I was shaken from the shock, for the men only wanted to give to the crowd some bits of land and a bag and a half of flour brought by the truck. I took a while to remember the journalist from the capital. He said that in his wanderings through the Federal Senate he thought that all senators looked stupid, which was when a friend confessed annoyed: "the stupidest can fix a watch in Unesco | Folha Dirigida

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the dark. With boxing gloves on". It was then that I felt cheated, that all wasn't more than a scam, and I was sad to lose that day as a voter. But this is not over, and now I want to do a favour and tie the hands of the false fighter. I already start outlining a solution, but first I inform everyone that knows the recipe. Pity many don't want to understand or pretend not to know it; for if it was by the will of Power, water turned into juice and flour turned into ham on the table of those who cannot yet read. And the biggest ingredient is indeed education. Not that which ties, confines and restrains freedoms, but that which frees, elevates and transgresses the conscience of black, indian or white men, and even women too. Even God who always comforts us before such robbery, is tired to know: that everyone says that the objective is to grow and split the cake. I have never seen such a big cake that so few can have, seen that more than fifty million people only eat crumbs and have no leisure day. To vanquish the sisters strength is needed, and it is only found in vitamins, so it is time to split the cake again, give land to the people and real human conditions for life. Notice that the medicine already has a recipe. It is not to add a kilo of corruption, to really invest in education, improve health and security, redistribute land and hope, democratize the media and the opportunities so that lies always loose to truths and that dreams unite with creativity. But all of this will only work if human beings start to like themselves, "value more being than having", awakening the interest for participation and awareness. And as the poet says, "shady, but I will still be honest", since any revolution has a beginning inside each being.

.......................................... "Et l'ingrédient le plus important est l 'éducation. Non pas celle qui prend, qui unit et limite les libertés, mais celle qui relâche, élève et traverse la conscience..." PLUS QU'UNE POIGNÉE DE FARINE ET UN MORCEAU DE TERRE Bête est celui qui pense que dame Pauvreté et la soeur de l'Inégalité ont vingt ans chacune. Rien de cela, elles sont plus vieilles que les roues de la lambretta ou plus anciennes que les nuits de sérénade. Chacune de ces dames, quand elle passe dans la rue, éveille les regards des hommes plus fortunés et même de ceux qui n'ont la poche que vent et trou. C'est que les enfants de dame Pauvreté ont Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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déjà même une marque, secte, stéréotype ou fantaisie. Avec les cotes pendues, visibles même par un myope, le citoyen circule comme un fou toujours appuyé par les vagues de la périphérie. Mais il n'est pas besoin d'agonie, car j'ai vu à la télévision que tout cela allait changer à cause de la philosophie. Pour notre bonheur, le gouvernement de la capitale allait supprimer le carnaval, séparant les mains de dame Pauvreté de l'Inégalité et arrachant les déguisem*nts. J'y ai tellement cru que de la peur j'ai reçu une secousse, car les hommes ne voulaient que donner, à toute cette foule, quelques morceaux de terre et un sac et demi de farine amenés par le camion. Je me suis irrité à me souvenir de ce journaliste de la capitale. Il disait que dans les vas et viens au Sénat Fédéral, il trouvait que tout sénateur avait une tête de bébête, c'est alors qu'un ami à moitié saoul confessa: le plus bébête d'entre eux répare une montre dans l'obscurité. Et avec des gants de boxe". C'est alors que j'ai senti le coup, que ce n'était qu'une blague, je me suis senti triste de perdre ce jour-là comme électeur. Mais cela est passé, je veux maintenant faire une sacrée faveur d'attacher les mains du faux lutteur. Je commence alors à tracer la solution, mais avant j'informe que tous connaissent déjà la recette. Dommage que beaucoup ne veulent pas comprendre ou font semblant de ne pas la connaître; car si c'était la volonté du Pouvoir, l'eau se transformerait en jus et la farine en jambon sur la table de celui qui ne sait pas encore lire. Et l'ingrédient le plus important est l'éducation. Non pas celle qui prend, qui unit et limite les libertés, mais celle qui relâche, élève et traverse la conscience des chèvres noirs, indiens ou hommes blancs et des chevreaux aussi. Même Dieu qui nous sert toujours de consolation devant tant de vol, est fatigué de savoir: que tout le monde dit que l'objectif est de croître et partager le gâteau. Je n'ai jamais vu un gâteau si grand et que seuls quelques uns peuvent avoir, vu que plus de cinquante millions d'habitants ne mangent que peu de miettes depuis longtemps et n'ont pas de journée de loisir. Pour vaincre les grandes soeurs il faut avoir de la force, et la substance ne se trouve que dans les vitamines, c'est alors l'heure de diviser le gâteau donner les terres au peuple et les conditions réelles et humaines de vie. Voyez que le remède a déjà une recette. Ce n'est pas mettre un kilo de corruption, investir réellement en éducation, améliorer la santé et la sécurité, distribuer terre et espoir, démocratiser les médias et les opportunités pour que le mensonge perde toujours la vérité et les rêves s'unissent à la créativité. Mais tout cela ne fonctionnera que si l'être humain commençe à s'aimer lui-même, "valorisant plus l'être que l'avoir", éveillant l'intérêt de la participation et de la prise de conscience. Et comme dit le poète, "à peine de saloperie, mais honnête je vais rester", car toute révolution commence dans chaque être.

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"Cabe ao mundo assumir essa batalha incansavelmente e sem tréguas, até ver extinguir-se a última lágrima da face de uma dessas criaturas..."

Lívia Barbati

UNIMES – Universidade Metropolitana de Santos – Caieiras – SP

O mundo pede mudanças. Solidificar essas mudanças como um marco que possa transformar, em pé de igualdade, a vida de milhões de miseráveis, será indiscutivelmente o que levará os homens, nas próximas décadas, a uma verdadeira e decisiva evolução humana no sentido mais abrangente que este conceito encerra. Não é mais possível conceber a cegueira moral que tem perpetrado durante séculos o convívio humano sem comprometimento com essa miséria permanente e injusta, que tem dizimado e estagnado a vida de milhões de irmãos que, também há séculos, imploram por nossos olhos voltados às suas mais básicas necessidades. Subjugados às mais duras penúrias, relegados à sorte, esfomeados de alimentos e de todas as benesses que uma sociedade pode e tem o direito de usufruir, essas vidas clamam pelo fim de seu interminável martírio. Vislumbrar o fim desse triste quadro, que envergonha a muitos, talvez seja o esboço de uma grande batalha em que a principal arma seja tão somente a vontade. Nada poderá ser feito se a vontade não for a grande estratégia a ser passada a todos que comporão o exército que terá como missão o fim desse holocausto visível e aceito, ainda no século vinte e um, por uma sociedade que se consagra civilizada e desenvolvida. A que passos anda nossa consciência? Em que paragens a razão humana construiu seus pilares no egoísmo em contrapartida a um espírito solidário e desvinculado dos mais enraizados interesses que impedem um conviver igualitário em todas as nações da Terra? Quantos mais sucumbirão enquanto o mundo assiste passivo às cruzes que são enterradas em solos pobres, em cujo seio repousam corpos de crianças, jovens e velhos, vítimas dessa abominável cadeia destrutiva a que foram renegados? Quantas crianças ainda perecerão de fome e frio? Quantos jovens sucumbirão sonhando com um futuro de realizações e felicidade, que nunca chegará? Quantos velhos, ingratamente, "viverão" dias amargos e sem glórias, esperando apenas um olhar sensível sobre suas misérias?

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A vontade, senhora absoluta de todas as ações humanas, deveria ser o cerne dessa luta possível de ser vencida. Cabe ao mundo assumir essa batalha incansavelmente e sem tréguas, até ver extinguir-se a última lágrima da face de uma dessas criaturas cuja fragilidade e existência clamam por socorro. Não há como remediar essa ação. Os governos devem priorizar tempo e mobilizar homens a fim de que esse grande exército parta de imediato para essa luta de todos. A sociedade, em contrapartida, deverá aprender a abrir mão de privilégios para um bem comum. Só haverá vitórias nessa cruzada a favor da vida, contra o egoísmo. Lição de casa que o mundo deixou de lado e precisa retomar. Triste página da história que definitivamente precisa ser encerrada. Um resgate santo. Um novo futuro. Uma sociedade redimida.

.......................................... "The world should tirelessly fight this battle without truces until the last tear is gone from the faces of these people..." The world asks for change. Solidifying these changes as a foundation that can transform, equally, the lives of millions of poor people, will undoubtedly lead men, in the next few decades, to a true and decisive human evolution in the most encompassing sense. It is no longer acceptable to continue with the moral blindness that has endured through centuries in human society, without taking responsibility for this permanent poverty and injustice, which has decimated and stagnated the lives of millions of brothers who, also for centuries, beg for our eyes to turn to their most basic needs. Subjugated to the hardest indigence, relegated to luck, hungry for food and all the benefits a society can and has the right to enjoy, these lives demand the end of their interminable martyrdom. To imagine the end of this sad case, which shames many, might be the start of a great battle in which the main weapon is only will. Nothing can be done if will is not the great strategy to be taught to those who are part of this army, who have as a mission to end this visible and acceptable holocaust, seen in the twenty-first century by a society that considers itself civilized and developed. Where is our conscience? In which fields has human reason built its selfish pillars against its giving spirit and unattached to the most rooted interests which impedes an equal living in all nations of the Earth? How many more will fall while the world watches passively as the crosses as buried in poor soil, in whose Unesco | Folha Dirigida

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bosom lies the bodies of children, youths and the elderly, victims of this abominable destructive chain to which they were abandoned to? How many children will still die of hunger and cold? How many young people will succumb dreaming of a future filled with happiness and accomplishments, which will never come? How many elderly will "live" bitter days without glory, only waiting for a sensitive eye to look over their miseries? Will, absolute ruler of all human actions, should be the center of this winnable fight. The world should tirelessly fight this battle without truces until the last tear is gone from the faces of these people whose fragility and existence scream for help. There is no way to remedy this. Governments should prioritize time and mobilize men so that this great army can immediately fight this war. Moreover, society should learn how to forsake privileges for the common good. There will only be victories in this crusade for life, against selfishness. Homework that the world put aside and must retake. A sad chapter in history that definitely should be ended. A saintly rescue. A new future. A redeemed society.

.......................................... "Il incombe au monde d'assumer cette bataille inlassablement et sans trêve, jusqu'à voir s'éteindre la dernière larme de la face de ces créatures..." Le monde demande des changements. Solidifier ces changements comme une marque pouvant transformer, en pied d'égalité, la vie de millions de misérables, sera indiscutablement ce qui amènera les hommes, dans les prochaines décennies, à une évolution vraie et décisive dans les sens plus abrangeant que ce concept inclut. Il n'est plus possible de concevoir la cécité morale qui a perpétré durant des siècles la convivialité humaine sans engagement dans cette misère permanente et injuste, qui a disséminé et stagné la vie de millions de frères qui, aussi depuis des siècles, implorent les yeux tournés vers leurs besoins les plus basiques. Subjugués aux plus dures pénuries, relégués à la chance, affamés d'aliments et de touts les bénéfices dont une société a le droit de jouir, ces vies réclament pour la fin de leur interminable martyre. Entrevoir la fin de ce triste cadre, dont beaucoup ont honte, est peut-être l'ébauche d'une grande bataille dans laquelle la principale arme est seulement la volonté. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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Rien ne pourra être fait si la volonté n'est pas la grande stratégie à faire passer à tous qui composeront l'armée ayant pour mission la fin de ce terrible holocauste visible et accepté, encore au XXIème siècle, par une société qui se consacre civilisée et développée. A quel pas marche notre conscience? Où la raison humaine a-t-elle construit ses piliers dans l'égoïsme en contrepartie d'un esprit solidaire et délié des intérêts les plus enracinés empêchant une convivialité égalitaire dans toutes les nations de la Terre? Combien d'autres succomberont tandis que le monde assiste passif aux croix qui sont enterrées dans les sols pauvres, au sein desquelles reposent des corps d'enfants, jeunes et vieux, victimes de cette abominable chaîne destructive de laquelle ils ont été reniés? Combien d'enfants encore périront de faim et de froid? Combien de jeunes succomberont en rêvant d'un avenir de réalisations et bonheur, qui n'arrivera jamais? Combien de vieux, ingratement, "vivront" des jours amers et sans gloires, attendant à peine un regard sensible sur leurs misères? La volonté, dame absolue de toutes les actions humaines, devrait être l'invincible de cette lutte possible à vaincre. Il incombe au monde d'assumer cette bataille inlassablement et sans trêve, jusqu'à voir s'éteindre la dernière larme de la face de l'une de ces créatures dont la fragilité et l'existence crient au secours. Il n'y a pas comment remédier à cette action. Les gouvernements doivent prioriser le temps et mobiliser les hommes afin que cette grande armée parte immédiatement dans cette lutte de tous. La société, en contrepartie, devra apprendre à se passer de privilèges pour un bien commun. Il n'y aura de victoires dans cette lutte en faveur de la vie, contre l'égoïsme. Devoir que le monde a laissé de côté et a besoin de reprendre. Triste page de l'histoire qui définitivement a besoin dêtre tournée. Un saint sauvetage. Un nouvel avenir. Une société libérée.

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"De modo geral, falta aos governantes o compromisso com a sociedade e sobra a ganância individualista ou de grupos..."

Luciana Barros Mineiro da Silva

Universidade Candido Mendes – Rio de Janeiro – RJ

REPENSAR A SOCIEDADE CONTRA A POBREZA E A DESIGUALDADE A pobreza e a desigualdade são problemas de múltiplas dimensões, para cuja superação exigem-se, tanto no campo governamental, quanto no campo individual, transformações que ataquem a gênese destes males e propiciem meios de prevenção. A sociedade precisa repensar-se como comunidade dos cidadãos, guiando-se pelos princípios da solidariedade e da busca do equilíbrio social. No que tange à esfera do indivíduo, destaca-se a importância da família, tão desagregada nos dias de hoje. Cabe a ela a responsabilidade primeira e fundamental de ensinar valores éticos, morais, afetivos e espirituais à criança, dando a esta base para descobrir suas potencialidades desenvolver suas habilidades, aprimorar suas qualidades e integrar-se ao conjunto da sociedade, fornecendo instrumentos para tornarem-se um fator transformador da história sócio-econômica do meio onde vivem. Assim, é importante que haja políticas de apoio a essa célula-mãe da sociedade, com a função de desenvolver seus efeitos na formação dos futuros cidadãos. O outro enfoque sobre a pobreza e a desigualdade diz respeito ao campo do Estado. De modo geral, falta aos governantes o compromisso com a sociedade e sobra a ganância individualista ou de grupos, gerando políticas que mantêm a distribuição de renda desequilibrada, uma das bases da pobreza e da desigualdade. Entre outros aspectos, há que se repensar as verdadeiras prioridades do chamado desenvolvimento. Contraditoriamente, progresso e avanço tecnológico pouco têm provido o bem-estar geral, pois são distorcidos por mecanismos que concentram a renda, segregam socialmente e frustram a realização da imensa maioria das pessoas. A solução primordial, sob este prisma, começa pela revitalização do sistema educacional.Esta nova Educação não deve restringir-se ao campo formal do conhecimento científico, mas precisa ampliar-se aos aspectos profissional, religioso, moral, cultural, esportivo, sedimentando os valores aprendidos no seio familiar e inserindo cada pessoa no mundo social, econômico, profissional, intelectual e afetivo. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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Ressalta-se que a limitação do indivíduo a mero objeto de produção e consumo, que ocorre atualmente, contribui enormemente para a propagação destes males, ceifando todas as oportunidades das pessoas adquirirem meios para dinamizar e mudar a sua realidade . É necessário que o Estado implemente políticas de dinamização social, via trabalho e renda, via educação e valorização da cidadania, via ética pessoal e social aliada a modificação de suas relações econômicas internacionais, hoje baseadas na subordinação aos interesses dos países mais ricos. É inconcebível que em pleno século XXI, existam bilhões de pessoas excluídas, desprovidas do direito à dignidade e à mercê de mecanismos que continuam a concentrar a renda e a promover a pobreza e a desigualdade.

.......................................... "Generally, politicians lack responsibility towards society and have an excess of greed, be it individual or for a group..." RETHINKING SOCIETY AGAINST POVERTY AND INEQUALITY Poverty and inequality are problems with multiple faces and to overcome them changes are needed, both in governmental and individual areas, which attack the genesis of these evils and provide prevention methods. Society needs to rethink as a community of citizens, guided by solidarity principles and a search for social balance. Concerning the individual, the importance of family must he highlighted, for it is so broken up nowadays. It is the family's fundamental responsibility to teach ethical, moral, sensitive and spiritual values to the children, giving them the basis to discover their own potentials, develop their abilities, improve their qualities and integrate society, providing tools so they can become a transforming factor of socio-economic history of their environment. Therefore, it is important that there are support policies for this mother-cell of society, with the function of developing their duties of forming future citizens. The other perspective over poverty and inequality concerns the State. Generally, politicians lack responsibility towards society and have an excess of greed, be it individual or for a group, generating policies which maintain the distribution of income unequal, which is one of the basis of poverty and inequality. Amongst other aspects, the true priorities of so-called development must be rethought. Contradictorily, progress and technological advance has not Unesco | Folha Dirigida

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been promoting general well-being, for they are distorted by mechanisms that concentrate income, segregate society and frustrate the success of most people. Under this perspective, the primordial solution begins by the revitalization of the educational system. This new education should not be restricted to the formal fields of scientific knowledge, but should broaden and comprise professional, religious, moral, cultural and sportive aspects, establishing the values learned in the family and inserting each person into an economic, professional, intellectual, sentimental and social environment. It must be noted that the limitation of the individual as a mere production and consumerist object, which currently occurs, contributes greatly to the dissemination of these evils, reaping all opportunities of people acquiring means to change their reality. It is necessary that the State implements social policies for change, via work and income, via education and valorization of citizenship, via personal and social ethics together with modification of international economic relations based today on the subordination to the interests of wealthier countries. It is incomprehensible that in the XXI century there still are billions of people excluded and stripped of their rights to dignity and vulnerable to the mechanisms that continue to concentrate income and promote poverty and inequality.

.......................................... "De façon générale, il manque aux gouvernants l 'engagement avec la société et reste l'ambition du gain individualiste ou de groupes..." REPENSER LA SOCIÉTÉ CONTRE LA PAUVRETÉ ET L'INÉGALITÉ La pauvreté et l'inégalité sont des problèmes de dimensions multiples, et qui pour être surmonter exigent, aussi bien sur le plan gouvernemental qu'individuel, des transformations qui attaquent la genèse de ces maux et offrent les moyens de prévention. La société a besoin de se repenser comme communauté des citoyens, se guidant par les principes de la solidarité et de la recherche de l'équilibre social. En ce qui concerne la sphère de l'individu, on distingue l'importance de la famille, si désagrégée aujourd'hui. Il lui revient la responsabilité première et fondamentale d'enseigner les valeurs éthiques, Morales, affectives et spirituelles à l'enfant, lui donnant la base pour découvrir ses potentiels, développer ses habilités, améliorer ses qualités et s'intégrer á l'ensemble de la société, fournissant Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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des instruments pour qu'ils deviennent un facteur transformateur de l'histoire socio économique du milieu où ils vivent. Ainsi, il est important qu'il y ait des politiques d'appui à cette cellule mère de la société, avec la fonction de développer ses effets dans la formation des futurs citoyens. L'autre cible sur la pauvreté et l'inégalité concerne le domaine de l'Etat. De façon générale, il manque aux gouvernants l'engagement avec la société et reste l'ambition du gain individualiste ou de groupes, générant des politiques qui maintiennent la distribution de revenu déséquilibré l'une des bases de la pauvreté et de l'inégalité. Parmi d'autres aspects, il faut repenser aux vraies priorités de ce que l'on appelle le développement. De façon contradictoire, le progrès et l'avancée technologique ont fourni peu de bien-être général, car ils sont déformés par des mécanismes qui concentrent le revenu, ségréguent et frustrent la réalisation de l'immense majorité des personnes. La solution primordiale, sous ce prisme, commence par la revitalisation du système éducationnel Cette nouvelle Education ne doit pas se restreindre au domaine formel de la connaissance scientifique, mais a besoin de s'agrandir aux aspects professionnel, religieux, moral, cultural, sportif, sédimentant les valeurs apprises au sein de la famille et insérant chaque personnes dans le monde social, économique, professionnel, intellectuel et affectif. Il en ressort que l'imitation de l'individu au pur objet de production et consommation, qui arrive actuellement, aide énormément á la propagation de ces maux, coupant toutes les opportunités pour que les personnes acquièrent les moyens de dynamiser et changer leur réalité. Il est nécessaire que l'Etat mette en oeuvre des politiques de dynamisation sociale, via travail et revenu, via éducation et valorisation de la citoyenneté, via éthique personnelle et sociale alliée à la modification de leurs relations économiques internationales, aujourd'hui basées sur la subordination aux intérêts des pays plus riches. Il est inconcevable qu'en plein XXIème siècle, il existe des milliards de personnes, dépourvues du droit à la dignité et à la merci de mécanises qui continuent á concentrer le revenu et à promouvoir la pauvreté et l'inégalité.

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"Quero oferecer aos pobres, doentes, esquecidos, órfãos e a toda a sociedade a minha resposta, a opção radical pelo amor."

Marcos Junior Teixeira de Oliveira

Universidade Católica de Petrópolis – Petrópolis – RJ

JORNADA DA ESPERANÇA Despertar. Mais um dia na jornada da vida. É cedo, cedo, mas tenho que levantar. Vou tomar café, mas não posso, tem um só pão, prefiro deixar para meu filho, que vai logo à escola. Na televisão disseram que a verba do hospital foi desviada. Que pena dos doentes! Vou para o trabalho com o estômago vazio, mas com o coração cheio de amor para, nos outros, despertar. Trabalhar. Chego ao serviço, faminto, mas feliz, pois mais um dia tenho vontade, vontade de mudar o mundo. Lá vejo um colega triste, moribundo, logo ele que vive numa mansão e tem carro bonito. Soube que se separou. Nestas horas penso no meu caminho sofrido com horas de ônibus, um percurso, que revela facetas e mazelas dos subúrbios, pessoas que acordam cedo e estão dispostas para trabalhar. Lutar. Este eu conjugo em 1ª pessoa. No trabalho voluntário da empresa visito, quando posso, aqueles, muitas vezes esquecidos, doentes, pobres e órfãos que me transmitem um sinal de esperança em seus olhares e semblantes. Que comemoram, em vez de chorarem, cada centavo de seus baixos salários. Uns com muito, egoístas, secos, tristes, e estes com um sorriso intenso, radiante, pelo esforço de lutar. Vivenciar. O dia está chuvoso e com a chuva não sei se poderei chegar a casa, ou se ainda terei uma casa. Nossa luz é clandestina e as contas se acumulam. Busco há anos uma casa de verdade. Tento juntar umas economias para concretizar nosso desejo de ter um endereço, receber alguns amigos, a companhia de nossos vizinhos ou apenas uma carta, um cartão de feliz natal, de aniversário para a alegria vivenciar. Aprender. O que mais desejo para meu herdeiro. No meu almoço ele está na escola, moldando sua cidadania. Ele pequeno já questiona, do ônibus, os meninos no sinal, a sujeira dos rios e o porquê de morarmos numa área ainda ilegal. Cresce e já percebe as disparidades, realmente é difícil responder e interpretar a jovialidade da sabedoria deste inocente, isto é muito mais que compreender, é aprender. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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Alimentar. No lanche, hoje, comi um melão, tinha me esquecido do sabor. Guardei as sem*ntes para plantar em minha futura casa. Experimentar o néctar, fruto do meu trabalho. Meu pequeno voltando da escola viu um assalto, que cena, queria tê-lo protegido. Ele disse que os policiais estiveram por lá e o ladrão, um adolescente, mora lá perto de casa, levou dinheiro, pão e um melão para se alimentar. Dormir. A volta é difícil, mas necessária. Amanhã tudo de novo, não desanimo, pois existem pessoas em piores condições, sem emprego, comida e água. Ânimo é meu sustento, principalmente meu filho. Dou-lhe um beijo de boa noite e ele diz que me ama, ó Deus! Penso no que mais posso fazer por ele, pois já tem água, comida, escola e amor, é pouco, mas o que posso oferecer. Enfim já é hora de dormir. Lazer. Final de semana chega e o voluntariado continua. Não tenho nada e ainda dôo meu tempo e solidariedade. Meu filho adora contar histórias para os idosos, fala que tem muitos avós. Que esta bondade seja preservada e em nossa humildade descubramos mais as desigualdades que existem pelo País e que sejam combatidas no cotidiano, nos diálogos, até em nossos dias de entretenimento e lazer. Despertar, trabalhar, lutar, aprender, sentir são alguns verbos que conjugam nossas vontades de mudanças. Comprei uma casinha, meu pé de melão cresce e a esperança floresce a cada dia. Quero oferecer aos pobres, doentes, esquecidos, órfãos e a toda a sociedade a minha resposta, a opção radical pelo amor. Com ela minha família contribui sutilmente às mudanças das desigualdades e da pobreza.

.......................................... "I want to offer to the poor, sick, forgotten, orphans and to all of society my answer, the radical option for love." JOURNEY OF HOPE Awaken. Yet another day in the journey of life. It is early, early, but I must get up. I am going to have breakfast, but I can't, there is only one piece of bread, I rather leave it to my son, who is going to school soon. On the TV they said that hospital funds have been deviated. I feel sorry for the sick! I go to work with an empty stomach, but with my heart full of love to awaken in others.

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Work. I arrive, starving, but happy, for yet another day I have will, will to change the world. There I see a sad workmate, waning, him who lives in a mansion and has a pretty car. I heard he separated from his wife. In these times I think of my arduous way with hours in a bus, a route which reveals facets and wounds of the suburbs, people who wake up early and are ready to work. Fight. This I conjugate in 1st person. At the community work of the company I visit, when I can, those who many times have been forgotten, ill, poor and orphans who transmit to me a sign of hope through their eyes and expressions. Who celebrate, instead of lament, every penny of their low wages. Some with much, selfish, dry, sad, and these with an intense smile, radiant, because of the effort of fighting. Experience. The day is rainy and with rain I don't know if I'll be able to get home, or if I will still have a home. Our light is clandestine and the bills pile up. For years I have searched for a real house. I try to save some money to realize our dream of having an address, receiving friends, the company of our neighbours or just a letter, a Merry Christmas or birthday card to experience happiness. Learn. What I want most for my heir. During my lunch he is at school, moulding his citizenship. Even young he already questions, the bus, the boys at the stoplights, the filth in the rivers and why we live in an area that is still illegal. He grows and notices the disparities, it is really hard to answer and interpret the youthfulness of the wisdom of this innocent, it is much more than understanding, it is learning. Feed. As a snack today I ate a melon, I had forgotten its taste. I kept the seeds to plant in my future home. To try the nectar, fruit of my work. Coming back from school my young one saw a robbery, what a scene, I wish I could have protected him. He said that the policemen were there and the robber, a teenager, lives close to our home, took money, bread and a melon to feed himself. Sleep. The return is difficult, but necessary. Tomorrow everything all over again, I don't lose faith since there are people in worst conditions, without a job, food or water. Courage is my living, especially my son. I kiss him goodnight and he says he loves me, oh God! I try to think of what else I can do for him, for he already has water, food, school and love, it is not much, but what I can offer. At last, it is time to sleep. Leisure. Weekend comes and volunteering continues. I have nothing and still give my time and solidarity. My son loves telling stories to the elderly, says he has many grandfathers. Let this generosity be preserved and in our humility we discover more inequality in this Country and that they are fought daily, in dialogue, even in our days of entertainment and leisure. Awaken, work, fight, learn, feel are some of the verbs that conjugate our wills for change. I bought a simple house, my melon tree grows and hope

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flourishes every day. I want to offer to the poor, sick, forgotten, orphans and to all of society my answer, the radical option for love. With it my family subtly contributed to the change of inequality and poverty.

.......................................... "Je veux offrir aux pauvres, malades, oubliés, orphelins et à toute la société ma réponse, l'option radicale pour l'amour." JOURNÉE DE L'ESPOIR Se réveiller. Un jour de plus dans le chemin de la vie. Il est tôt, tôt, mais il faut que je me lève. Je vais prendre mon petit déjeuner, mais je ne peux pas, il n'y a qu'un pain, je préfère le laisser à mon fils, qui va aller à l'école. A la télévision, ils ont dit que la verbe de l'hôpital a été détournée. Quelle peine pour les malades! Je vais travaille le ventre vide, mais le coeur plein d'amour à éveiller chez les autres. Travailler. J'arrive au travail, affamé, mais heureux, car un jour de plus j'ai envie, envie de changer le monde. Je vois un collègue triste, moribond, lui qui vit dans une mansion et a une belle voiture. J'ai appris qu'il s'était séparé. A ces moments-là, je pense à mon dur chemin avec les heures d'autobus, un parcours, qui révèle les facettes et les malheurs des bidonvilles, personnes qui se lèvent tôt et sont disposées à travailler. Lutter. Celui-là, je le conjugue à la 1ère personne. Dans le travail volontaire de l'entreprise, je visite, quand je peux, ceux qui, très souvent oubliés, malades, pauvres et orphelins qui me transmettent un signe d'espoir dans leurs regards et semblables. Qui commémorent, au lieu de pleurer, chaque centime de leurs bas salaires. Les uns qui ont beaucoup, égoïstes, secs, tristes et ceux avec un sourire intense, radiant, par l'effort de lutter. Vivre. Le jour est pluvieux et avec la pluie, je ne sais pas si je pourrais arriver à la maison, ou si j'aurais encore une maison. Notre lumière est clandestine et les factures à payer s'accumulent. Je cherche depuis des années une vraie maison. J'essaie de faire des économies pour concrétiser notre désir d'avoir une adresse, recevoir quelques amis, la compagnie de nos voisins ou à peine une lettre, une carte de Noël, d'anniversaire pour la joie de le vivre. Apprendre. Ce que je souhaite le plus pour mon héritier. A l'heure de mon déjeuner il est à l'école, moulant sa citoyenneté. Lui petit demande déjà, de l'autobus, des enfants au feu rouge, la saleté des fleuves et pourquoi nous habitons Unesco | Folha Dirigida

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dans une zone encore illégale. Il grandit et s'aperçoit déjà des disparités, il est vraiment difficile de répondre et d'interpréter, la jovialité du savoir de cet innocent, ceci est beaucoup plus que comprendre, c'est apprendre. Alimenter. Au goûter aujourd'hui, j'ai mangé un melon, j'en avais oublié le goût. J'ai gardé les graines pour les planter dans ma future maison. Expérimenter le nectar, fruit de mon travail. Mon petit revenant de l'école a vu une agression, quelle scène, j'aurais voulu le protéger. Il a dit que les policiers étaient là et le voleur, un adolescent, habite près de chez nous, a volé de l'argent, du pain et un melon pour s'alimenter. Dormir. Le retour est difficile, mais nécessaire. Demain, tout de nouveau, je ne me décourage pas, car il existe des personnes dans des conditions pires, sans emploi, nourriture ni eau. Courage est mon soutien, surtout mon fils. Je l'embrasse avant de dormir et il dit qu'il m'aime, oh Dieu! Je pense à ce que je peux faire de plus pour lui, car il a déjà l'eau, la nourriture, l'école et l'amour, c'est peu mais c'est ce que je peux offrir. Enfin c'est déjà l'heure de dormir. Loisir. Le week-end arrive et le volontariat continue. Je n'ai rien et en plus je fais donation de mon temps et solidarité. Mon fils adore raconter des histoires pour les vieux, il dit qu'il a beaucoup de grands-pères. Que cette bonté soit préservée et que dans notre humilité nous découvrions plus les inégalités qui existent dans le Pays et qu'elles soient combattues au quotidien, dans les dialogues, même dans nos jours de diversion et loisir. Se réveiller, travailler, lutter, apprendre, sentir sont quelques verbes qui conjuguent nos volontés de changements. J'ai acheté une petite Maison, mon pied de melon grandit et l'espoir fleurit chaque jour. Je veux offrir aux pauvres, malades, oubliés, orphelins et à toute la société, ma réponse, l'option radicale pour l'amour. Avec elle ma famille a aider subtilement aux changements des inégalités et de la pauvreté.

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"Passam a vigorar os princípios da fraternidade entre os homens, o respeito às diferenças e a união entre os iguais e desiguais..."

Marcos Santiago

UNIVALE – Universidade Vale do Rio Doce – Governador Valadares – MG

ATO CONTRA A POBREZA E A DESIGUALDADE A esperança exige, e eu, ser humano, declaro que: I. A desigualdade e a pobreza reconhecidamente marcam o desenvolvimento histórico das mais diversas sociedades humanas, e, mesmo possuindo variadas conseqüências e particularidades, sejam elas de natureza política, econômica ou social, todas, porém, invocam efeitos prejudiciais ao pleno desenvolvimento humano. II. Os mecanismos de ordenamento social reforçam as limitações privadas de acesso a bens e serviços que grandes pensadores e humanistas conclamam universais, como a educação, a saúde, a cultura, o esporte, o lazer e a segurança, em todas as suas perspectivas. III. O reconhecimento e a prática cultural e cotidiana dos Direitos Humanos, especialmente os princípios da igualdade, da liberdade e da justiça serão inalienáveis e soberanos. IV. A construção de uma aldeia global, permeada pela paz entre os povos, pela sadia convivência entre os homens e o meio-ambiente, na busca incessante pela erradicação da pobreza e da desigualdade dependem da iniciativa solidária e coletiva para o estreitamento da distância que separa a simples sobrevivência da plena realização humana: a cidadania. V. Passam a vigorar os princípios da fraternidade entre os homens, o respeito às diferenças e a união entre os iguais e desiguais, objetivando o bem comum, podendo os indivíduos, unidos ou separadamente, editarem normas complementares e consensuais para a melhor realização destes princípios. VI. Não haverá discriminação por gênero, idade, cultura, etnia, raça, classe ou opção política e ideológica, recusando-se a violência, a opressão, o autoritarismo e a exploração humana. VII. Os desenvolvimentos científicos, tecnológicos e toda forma de conhecimento visarão à promoção do ser humano e à preservação da natureza. A educação será embasada, sobretudo, na formação das virtudes, dos valores e princípios humanitários. Unesco | Folha Dirigida

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VIII. Nenhum ser humano se sentirá solitário ou desamparado, não será submetido à desigualdade ou à precariedade, sob pena de infelicidade e comoção geral. IX. O direito será no todo respeitado, cabendo a cada ser humano e a toda a sociedade, o dever de viver e guardar a vida alheia, em sua diversidade e singularidade. X. É direito e dever pessoal e coletivo assegurar a ação diária no cumprimento desta declaração, surtindo efeito imediato e irrevogável. Banir-se-á a pobreza e as mais diversas desigualdades que acaso persistirem.

.......................................... "The principles of fraternity among men, of respect for our differences and of union between both equal and unequal are as of now effective..." AN ACT AGAINST POVERTY AND INEQUALITY Urged by Hope; I, a human being, do declare that: I. Inequality and poverty have been major features in diverse human societies' historical development and, despite their various consequences and peculiarities, whether political, social or economic in nature, all of which nevertheless, bring about harmful effects for the full development of human potentials. II. The mechanisms of social order reinforce private limitations imposed upon access to goods and services which great thinkers and humanists claim as universal, such as education, healthcare, culture, sports, leisure and safety, in all their dimensions. III. The daily and cultural observance and recognition of Human Rights, particularly of the principles of equality, liberty and of justice shall be indefeasible and sovereign. IV. Building a global village based upon peace among nations, healthy relations between man and the environment and an incessant quest for eradicating poverty and inequality depends on collective and solidary initiative, so as to diminish the gap which separates mere survival from full human realization: from citizenship. V. The principles of fraternity among men, of respect for our differences and of union between both equal and unequal are as of now effective, aiming at the greater good and allowing individuals, either solely or in groups, to lay down Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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complementary and consensual norms in order to ensure the fullest realization of these principles. VI. There shall be no discrimination due to gender, age, culture, ethnic group, race, class nor due to political or ideological options, rebutting violence, oppression, authoritarianism and human exploitation. VII. Scientific and technological developments, as well as all forms of knowledge, shall aim at the betterment of humankind and the preservation of nature. Education shall be based, most of all, upon teaching virtues, values and humanitarian principles. VIII. No human being shall feel lonely nor discarded, neither shall they be subject to inequalities or to precariousness, under penalty of general unhappiness and uproar. IX. Rights shall be respected as a whole, and each human being as well as society in general have a duty to live and to look after other's lives, in all their diversity and singularity. X. Making sure daily action is taken to honor this declaration is both a personal and collective right, effective immediately and irrevocably. Poverty and whatever inequalities might still persist are henceforth banished.

.......................................... "Les principes de fraternité entre les hommes, le respect aux différences et l 'union entre égaux et inégaux entrent en vigueur..." ACTE CONTRE LA PAUVRETÉ ET L'INÉGALITÉ L'espoir exige, et moi, être humain, déclare que: I. L'inégalité et la pauvreté sont reconnues pour marquer le développement historique des plus diverses sociétés humaines, et, même possédant des conséquences et des particularités variées, qu'elles soient de nature politique, économique ou sociale, toutes cependant, invoquent des effets préjudiciables au plein développement humain. II. Les mécanismes d'ordre social renforcent les limitations privées d'accès aux biens et services que de grands penseurs et humanistes acclament universelles comme l'éducation, la santé, la culture, le sport, le loisir et la sécurité, dans toutes leurs perspectives.

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III. La reconnaissance et la pratique culturelle et quotidienne des Droits Humains, spécialement les principes de l'égalité, de liberté et de la justice seront inaliénables et souverains. IV. La construction d'un village global, pénétrée par la paix entre les peuples, par la sage convivialité entre les hommes et l'environnement, dans la recherche incessante de l'éradication de la pauvreté et de l'inégalité dépendent de l'initiative solidaire et collective pour la diminution de la distance qui sépare la simple survie de la pleine réalisation humaine: la citoyenneté. V. Les principes de fraternité entre les hommes, le respect aux différences et l'union entre égaux et inégaux entrent en vigueur, avec pour objectif le bien commun, les individus pouvant, unis ou séparément, éditer des normes complémentaires et consensuelles pour la meilleur réalisations de ces principes. VI. Il n'y aura pas de discrimination par genre, âge, culture, ethnie, race, classe ou option politique et idéologique, refusant la violence l'oppression, l'autoritarisme et l'exploitation humaine. VII. Les développements scientifiques, technologiques et toute forme de connaissance viseront à la promotion de l'être humain et à la préservation de la nature. L'éducation sera basée surtout sur la formation de vertus, des valeurs et principes humanitaires. VIII. Aucun être humain se sentira solitaire ou désemparé, ne sera pas soumis à l'inégalité ou à la précarité, sous peine de malheur et de commotion générale. IX. Le droit sera totalement respecté, incombant à chaque être humain et à toute la société, le devoir de vivre et garder la vie d'autrui, dans as diversité et singularité. X. C'est le droit et devoir personnel et collectif de garantir l'action quotidienne dans ce respect de cette déclaration, produisant un effet immédiat et irrévocable. Bannir la pauvreté et les plus diverses inégalités qui par hasard persisteraient.

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"...sejam a pobreza e a desigualdade vencidas pela Educação. Que a Educação não mais permita que o homem aceite ser 'lobo do próprio homem'".

Maria Inês Moura Martins

UBM – Centro Universitário de Barra Mansa – Barra Mansa – RJ

"Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome." (Caetano Veloso) A pobreza dispensa definição. Sabê-la nos basta pensar. Neste momento um número incontável de habitantes deste planeta padece pela pobreza, sofre suas conseqüências, suas tão graves conseqüências: a pobreza mata e faz matar, porque desumaniza. Entender a pobreza é impossível porque seria como colocá-la no plano da tolerância. E não podemos nos acostumar nem tolerar o mal – devemos combatê-lo. No entanto, é possível nos darmos conta de que todo o caminho percorrido pela pobreza foi antes percorrido pela exploração. A pobreza é o rastro que a exploração deixa atrás de si. E não é incomum constatar que países tão ricos geralmente sirvam de cenário a tanta pobreza: a isso se chama desigualdade. A história dos povos nos mostra quão injusta tem sido a divisão dos bens que as sociedades produzem e quão perversa tem sido a trajetória dos menos favorecidos. Onde houve a ditadura de mãos exploradoras, invariavelmente, há ainda a submissão de mãos exploradas. Mãos que são obrigadas a produzir, mas impossibilitadas de ter acesso ao capital econômico – fruto do que produzem. E se a pobreza desumaniza, o faz revelando sua face mais cruel: a violência. Não se pretende, com esta afirmação, justificar a violência, tornando-a legítima enquanto conseqüência da pobreza. No entanto, não é a pobreza um estado de imensurável violência? Companheira inseparável da pobreza, a desigualdade apresenta também sua face mais cruel: a ignorância. Filha predileta da exploração, a ignorância reforça a desigualdade, impedindo o acesso ao capital intelectual, o que por sua vez mantém a desigualdade, compondo um círculo vicioso que nos parece impossível romper. E nos é perguntado: como vencê-las? Ousamos dizer: com justiça. Ousamos, porque nos parece pueril demais sugerir o óbvio. No entanto, como combater a Unesco | Folha Dirigida

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injustiça senão com justiça? Políticas públicas de igualdade sempre existiram nos discursos vazios e oportunistas e só recentemente ensaiam sair do campo da burocracia. Justiça, para que sejam efetivamente cumpridas. Sobretudo, sejam a pobreza e a desigualdade vencidas pela Educação. Que a Educação não mais permita que o homem aceite ser "lobo do próprio homem". Que a Educação promova a igualdade por ser capaz de ensinar a ser livre. E que ser livre signifique nunca mais ser pobre. Principalmente de ideais.

.......................................... "..may poverty and inequalities be conquered by Education. May education no longer allow man to be his own wolf. "People should be shining, not dying of starvation." (Caetano Veloso) Poverty dispenses definition. Thinking about it is enough to understand it. At this very moment an uncountable number of this planets' people are in distress because of poverty, suffering its consequences, its' very serious consequences: poverty kills and makes others kill, because poverty dehumanizes Understanding poverty is impossible because that would mean placing it in a region of tolerance. And we must not tolerate nor get used to it– we must fight it. However, it is possible to realize that the whole path trodden by poverty was previously trodden by exploitation. Poverty is the track that exploitation leaves behind it. And it is not unusual to see that countries with great riches are generally the backdrop of so much poverty: this is called inequality. The history of civilization shows us just how unfair the distribution of goods produced by society has been and how perverse the path of the underprivileged. Wherever we have seen a dictatorship imposed by those hands that exploit, we invariably still find the submission of those hands that are exploited. Hands which are made to produce, but are denied access to economic capital – the fruit of their labor. And if poverty dehumanizes, it does so by revealing its cruelest face: that of violence. We do not intend to justify violence by this assertion, making it legitimate because it is a consequence of poverty. But, is poverty not a state of immeasurable violence? Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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The inseparable companion of poverty, inequality also reveals its most cruel aspect: ignorance. As Exploitation's favorite child, ignorance reinforces inequalities by barring access to intellectual capital, which in its' turn sustains inequality and so forth in a vicious circle that seems impossible to break. And so, we are asked: How shall we prevail over them? We dare to answer: with justice. We say dare, because the truth seems too childlike a suggestion. However, how can we battle injustice if not by justice? Public policies for equality have always figured in empty, opportunistic speeches but they only recently have begun to leave the realms of bureaucracy. Justice, so these policies may be effectively pursued. And above all, may poverty and inequality be conquered by Education. May education no longer allow man to be his 'own wolf'. May education promote equality, because it teaches one to be free, and being free means never again being poor, especially poor in ideals.

.......................................... "...que ce soient la pauvreté et l 'inégalité vaincues par l 'Education. Que l 'Education ne permette plus que l 'homme accepte d 'être 'le loup de l 'homme lui-même'". "Le peuple est fait pour briller, non pour mourir de faim.." (Caetano Veloso) La pauvreté dispense une définition. La connaître nous suffit pour penser. Actuellement d'innombrables habitants de cette planète souffre de pauvreté, de ses conséquences, ses conséquences si graves: la pauvreté tue et fait tuer, car elle déshumanise. Comprendre la pauvreté est impossible car ce serait comme la mettre sur le plan de la tolérance. Et nous ne pouvons nous habituer ni tolérer le mal – nous devons la combattre. Cependant, il est possible de nous rendre compte que tout le chemin parcouru par la pauvreté a été avant parcouru par l'exploration. La pauvreté est la trace que l'exploration lisse derrière elle. Et il n'est pas inhabituel de constater que les pays si riches généralement servent de scénario à tant de pauvreté: cela s'appelle inégalité. L'histoire des peuples nous montre combien la division du revenu que les sociétés produisent a été injuste et combien a été perverse la trajectoire des moins favorisés. Unesco | Folha Dirigida

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Ou il y eu la dictature de mains explorées, invariablement, existe encore la soumission de mains explorées. Mains qui sont obligées de produire, mais qui ne peuvent avoir accès au capital économique – fruit de ce qu'elles produisent. Et si la pauvreté déshumanise, elle fait relever sa face la plus cruelle: la violence. On ne prétend pas, avec cette affirmation, justifier la violence, la rendant légitime en tant que conséquence de la pauvreté. Cependant, la pauvreté n'est-elle pas un état de violence incommensurable? Compagne inséparable de la pauvreté, l'inégalité présente aussi sa face plus cruelle: l'ignorance. Fille préférée de l'exploration, l'ignorance renforce l'inégalité, empêchant l'accès au capital intellectuel, ce qui à son tour maintient l'inégalité, composant un cercle vicieux qui nous semble impossible de rompre. Et on nous demande: comment les vaincre? Nous osons dire: avec l'injustice. Nous osons, car il nous semble trop puérile de suggérer l'évidence. Cependant, comment combattre l'injustice sinon par la justice? Des politiques publiques d'égalité existeront toujours dans les discours vides et opportunistes et essaient depuis peu de sortir du domaine de la bureaucratie. Justice, pour qu'elles soient effectivement respectées. Surtout, que la pauvreté et l'inégalité soient vaincues par l'Education. Que l'Education ne permette plus que l'homme accepte d'être "le loup de l'homme lui-même". L'Education encourage l'égalité car elle est capable d'apprendre à être libre. Et qu'être libre signifie ne plus jamais être pauvre. Principalement d'idéaux.

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"É a estrutura que nos cabe transformar, Com trabalho, oportunidade, Com respeito, cidadania."

Maria Teresinha Machado Sagres

Universidade Candido Mendes – Rio de Janeiro – RJ

QUATRO OPERAÇÕES À mesa, num boteco, juntos a conversar Três figuras imponentes, artistas da palavra: Professor de notável empenho, Político de carreira, Matemático poeta. Diante de tão aparente sapiência, Foram logo interrogados pelo dono do bar: Num país tão belo e trigueiro, Como vencer a desigualdade e a pobreza? O primeiro, mestre de longa data, Lançou rapidamente a resposta: É questão prefixal e sufixal... Digo e repito: tire des– e fique com a igualdade, Depois resgate -eza, guardando pobre, Formando beleza e firmeza, nunca moleza ou tristeza. Para não ficar atrás do nobre colega, Abriu o político um tão novo discurso: Povo rico em generosidade e diversidade, É a estrutura que nos cabe transformar, Com trabalho, oportunidade, Com respeito, cidadania, Enxugar a máquina estatal, Promover o desenvolvimento da economia! Eleito, tudo farei, O Brasil progresso alcançará!

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Nada disse o matemático, No guardanapo de papel, sobre a mesa, Assim rascunhou uma fórmula: {(E+S) . (T+A) – C}: Todos = Brasil ideal Sendo: E= educação; S= solidariedade; T= trabalho; A= ação política e C= corrupção. O que acharam da solução não se sabe, Lá se foi o guardanapo, na confusão da bandeja, Carregado por um garçom...

.......................................... "So, it is the structure itself that we must change With hard work and opportunities With respect and citizenship FOUR MATHEMATICAL CALCULATIONS Sitting at the bar table, deep in conversation, Three grand men, artisans of the written word: Professor of worthy labors Career politician Poet mathematician In view of such obvious erudition, They were soon approached by the bar owner: In such a lovely bright country as ours, How might we beat inequality and poverty? So the first one answered, a master of long standing He quickly dealt out the answer Why, this is a matter of suffixes and prefixes I say and say again: take away the 'in' and keep equality Then rescue -y from misery, and put miser away From which you get beauty and obstinacy and never despondency nor misery To look good after his learned friend, Politician started an oh-so new speech: Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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Our people are blessed in generosity and diversity So it is the structure itself that we must change With hard work and opportunities With respect and citizenship We must cut the fat from our government And promote economic development! If I am elected I shall accomplish all this And Brazil will finally attain Progress!! The mathematician, silently, Scribbled the following formula On the napkin lying on the table: {(E+S). (W+A) – C}: All = ideal Brazil Where E= education; s=solidarity W=work a= political action and c= corruption. What everyone thought of his solution is unknown For the napkin, amidst the ruckus on the tray Got carried off by a waiter…

.......................................... "Il nous incombe de transformer la structure, Avec travail, opportunité, Avec respect, citoyenneté." QUATRE OPÉRATIONS A la table d'un bar, causant ensemble Trois sujets imposants, artistes de la parole: Professeur de performance notable, Politicien de carrière, Mathématicien poète. Face à un savoir si apparent, Sont interrogés par le patron du bar: Dans un si beau pays et riche, Comment vaincre l'inégalité et la pauvreté?

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Le premier, maître de longue date, Lança rapidement la réponse: C'est une question de préfixe et de suffixe... Je dis et répète: enlève gardant pauvre, Formant beauté et fermeté, jamais apathie ou tristesse. Pour ne pas rester derrière le noble collègue, Le politicien ouvrit un nouveau discours: Peuple riche en générosité et diversité, C'est la structure qu'il nous incombe de transformer, Avec travail, opportunité, Avec respect, citoyenneté, Nettoyer la machine de l'Etat, Promouvoir le développement de l'économie! Elu, je ferai tout, Le Brésil atteindra le progrès! Rien de ceci n'est mathématique, Sur la serviette en papier, sur la table, Gribouilla une formule: {(E + S). (T + A) – C}: Tous = Brésil idéal Soit: E = éducation; S = solidarité; T = travail; A = action politique et C = corruption. One ne sait pas ce qu'ils ont pensé de la formule, La serviette s'en est allée dans la confusion du plateau, Emporté par un garçon de café..

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"Não existe remédio imediato para o fim de qualquer doença, certamente pobreza e desigualdade não se acaba num piscar de olhos, mas se acaba no interior de cada um..."

Mauri Edgar Padilha de Lima

Centro Universitário de Jaraguá do Sul – Corupá – SC

Um dia, num certo país distante, começou um pequeno atrito, um atrito que começou quieto, que foi se alongando e com o tempo, o senhor pequeno atrito se tornou numa grande guerra, uma guerra com mortos, feridos, inoperantes, suor, lágrimas e dores, inúmeras dores: dores no amor, na paz, na tristeza, em todos os tipos de sentimentos bons, nos sentimentos mais carinhosos que poderiam existir, e assim, começou a guerra das diferenças, que se tornou indiferenças, e que ao final, se tornou desigualdade e pobreza. Poderia ser um verso, mas se assim o fosse, não começaria com uma introdução das mais satisfatórias, poderia ser uma crônica, mas assim não seria, por não ter um tempo específico, poderia então ser uma parábola, mas também assim não seria, por não ser tão curta como seria esperado. Infelizmente, não é uma novela, por não se tratar de ficções, de fatos longe de nossa realidade. Aliais, está aí a explicação do que seria. Realidade! Uma triste realidade que infelizmente não foge de nossos olhos, não foge de nossos corações, mas se continuarmos com a imaginação longe, achando que com a gente este mal não prospera. Estaremos errando, errando e errando, muito. A pobreza, faz parte da realidade, ela prospera, ela faz tudo transformar em pó, e faz o pó, da estrada, das sujeiras, da poluição se tornar, um meio-ambiente, que foge do equilíbrio e torna uma paisagem não das mais belas, mas das mais visíveis. Mas não merece prosperar também a afirmação que ela é para sempre. O para sempre nunca vive, o que vive é o hoje, o agora, e tudo isso, fará o amanhã. Um amanhã que se consegue fazer com trabalho, e neste caso, com atenção, com busca pela igualdade, em revés a desigualdade, com esforço coletivo, em contra-razão da individualidade e que se faz com muito satisfação pessoal, sim, satisfação pessoal no sentido de fazer com que um a um, dois a dois, milhões em milhões, e bilhões em bilhões, possamos dar as mãos no sentido mais simples possível e lutar para que o que fazemos hoje, seja, em favor da natureza, ou em desfavor das malícias do mundo, sejam em prol do bem-estar e não da solidão. Unesco | Folha Dirigida

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E que o amor que sentimos por quem mais amamos, se converta para aqueles que estão longe de nós, que as diferenças sejam resolvidas em casa, para que os exemplos possam aparecer na janela da humildade. E jamais esquecer, solidariedade se faz só, com o pensamento no longe, e com o coração no próximo. Não existe remédio imediato para o fim de qualquer doença, certamente pobreza e desigualdade não se acaba num piscar de olhos, mas se acaba no interior de cada um, no amor coletivo e na paz, sempre buscando, que a riqueza e a igualdade sejam um espelho que possa não só transformar as desigualdades e a pobreza em ouro, mas sim, que sejam, o reluz, imaginário e eficaz para que a qualidade de um povo. Possa ser localizado nos pequenos e especiais momentos. Estes momentos são simples, rápidos e objetivos. Amor ao próximo, amizade, fraternidade, tudo junto, com muita qualidade, e tudo isso, com tempo, para que a recompensa venha no hoje, e não na melhor idade.

.......................................... "There is no immediate solution for the eradication of any disease, and certainly poverty and inequality cannot be eradicated in the blink of an eye, but they may be eradicated inside each one of us… us…”” Once upon a time, in a faraway land, there began a small misunderstanding, a misunderstanding that started out quietly, and then prolonged itself and, in time Mr. small misunderstanding became a full-fledged war, a war with death tolls and wounded, disabled, sweat, tears and pain, innumerable pains: love pains, peace and sadness pains, pains in all kinds of good feelings, in the most loving feelings possible, and from this sprang the war of differences, which then became indifferences and finally became inequality and poverty. This could just be verse, but if it were so, it wouldn't begin with a very satisfactory introduction; it could be prose, but couldn't be that, as it is not contained within a specific time frame; it could be a parable, but couldn't be that, as it was not as short as expected. Unfortunately it is not a soap-opera, because it is not about fiction and facts far from our reality. And actually, here is the explanation of what it could be. Reality! A sad reality which unfortunately does not evade our view nor our hearts, but if we continue to drift far away in our imaginations, believing that in our own case this evil will not prosper, we will be wrong, very wrong. Poverty is part of reality; it prospers, it converts everything into dust and Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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crafts the dust of roads, filth and pollution become an environment, which eludes balance and becomes a not very handsome view, but a very visible one. But what also does not deserve to prosper is the statement that this will last forever. Forever never lives, what really lives is today, now, and all of these make up tomorrow. A tomorrow that can be achieved through work, and in this case with attention, with a quest for equality, the opposite of inequality, with collective efforts, the opposite of individuality. And that is done with much personal satisfaction, yes, personal satisfaction in the sense of making ones, twos, millions and billions of us join hands in the simplest sense possible and fight for what we do today to be in behalf of nature or against the malice of the world, to be in favor of well being and not of solitude. And may the love we feel for our most loved ones be converted into love for those far from us, may differences be sorted out at home, so good examples may be seen through the window of humility. And never forget that solidarity is achieved by oneself, with your thoughts set very far and your heart set on your neighbor. There is no immediate solution for the eradication of any disease, and certainly poverty and inequality cannot be eradicated in the blink of an eye, but they may be eradicated inside each one of us, in collective love and in peace, always making sure riches and equality are a mirror that transforms inequalities and poverty into gold but that they be the light, imaginary and efficient, so the quality of a people may be found in the smallest, most special moments. Such moments are simple, fleeting and objective. Love thy neighbor, friendship, fraternity, all together, with lots of quality and all of this in time, so that we may reap the rewards today, and not in the fruition of age.

.......................................... "Il n'existe pas de remède immédiat pour la fin de n'importe quelle maladie, certainement la pauvreté et l'inégalité ne finissent pas en un clin d'oeil, mai terminent à l'intérieur de chacun ..." Un jour, dans un certain pays lointain, commença un petit conflit qui commença tranquille, qui s'est allongé et avec le temps, le petit conflit est devenu une grande guerre, une guerre avec morts, blessés, inopérants, sueur, larmes et douleurs, innombrables douleurs: douleurs dans l'amour, la paix, la tristesse, dans tous les genres de sentiments bons, sentiments les plus affectueux pouvant exister, et Unesco | Folha Dirigida

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ainsi, commença la guerre des différences, qui sont devenues des indifférences, et qui à la fin, sont devenues inégalité et pauvreté. Cela pourrait être un vers, mais si c'était ainsi, il ne commencerait pas par une introduction des plus satisfaisantes, pourrait être une chronique, mais ainsi ne serait pas, n'ayant pas un temps spécifique, pourrait être alors une parabole, mais ainsi ne pourrait être non plus, pour être si courte qu'on attendrait. Malheureusem*nt, ce n'est pas un feuilleton, car il ne s'agit pas de fictions, de faits lointains de notre réalité. D'ailleurs, l'explication de ce que serait se trouve ici. Réalité! Une triste réalité qui malheureusem*nt ne fuit pas de nos yeux, ne fuit pas de nos coeurs, mais si nous continuons avec l'imagination lointaine, pensant qu'avec nous ce mal ne prospère pas. Nous nous tromperions, tromperions et tromperions beaucoup. La pauvreté fait partie de la réalité, elle prospère, elle fait tout transformer en poussière, et fait la poussière, de la route, des saletés, de la pollution devenir un environnement qui fuit de l'équilibre et rend un paysage non des plus beaux, mais des plus visibles. Mais l'affirmation qu'elle existe pour toujours ne mérite pas non plus de prospérer. Le pour toujours ne vit jamais, ce qui vit est l'aujourd'hui, le maintenant, et tout ceci fera le lendemain. Un lendemain qui réussit à se faire avec travail, et dans ce cas, avec attention, dans la recherche de l'égalité, au contraire de l'inégalité, dans l'effort collectif, en contre raison de l'individualité et qui se fait avec beaucoup de plaisir personnel, oui, satisfaction personnelle dans le sens de faire que, un à un, deux à deux, millions en millions et milliards en milliards, nous puissions nous donner les mains dans le sens le plus simple possible et lutter pour ce que nous faisons aujourd'hui, en faveur de la nature, ou en défaveur des malices du monde, qu'elles soient pour le bien-être et non la solitude. Et que l'amour que nous ressentons pour celui que nous aimons se convertisse pour ceux qui sont loin de nous, que les différences soient résolues chez nous, pour que les exemples puissent paraître à la fenêtre de l'humilité. Et ne jamais oublier, la solidarité se fait seulement, les pensées loin et le coeur au prochain. Il n'existe pas de remède immédiat pour la fin de n'importe quelle maladie, certainement la pauvreté et l'inégalité ne finissent pas en un clin d'oeil, mais terminent à l'intérieur de chacun, Dans l'amour collectif et dans la paix, cherchant toujours à ce que la richesse et l'égalité soient un miroir pouvant non seulement transformer les inégalités et la pauvreté en or, mais plutôt, qu'elles soient brillantes, imaginaires et efficaces pour que la qualité d'un peuple puisse être située dans les moments petit* et spéciaux. Ces moments sont simples, rapides et objectifs. L'amour au prochain, l'amitié, la fraternité, tout ensemble, avec beaucoup de qualité, et tout Ceci, avec le temps, pour que la récompense arrive aujourd'hui, et non dans le meilleur âge. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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"...a maior e mais forte pobreza notada entre os seres humanos é aquela no qual não se deseja vencer."

Maxwell Ranniere Osório Leal

UniDF – Centro de Ensino Universitário do Distrito Federal – Brasília – DF

POBREZA E DESIGUALDADE, DOIS FORTES ALIADOS. Atualmente a pobreza é tão próspera, que até possui ramificações de sua forma, temos a pobreza social, a econômica, a intelectual, a sentimental, entre outras tantas e tantas (e são muitas mesmo), que se fossem citadas aqui! A própria pobreza ficaria surpresa, com todo o seu legado de riqueza. Vencer a pobreza e ganhar uma medalha de "Honra ao Mérito", além de desfilar em carro aberto, Poderia trazer status, fama e glória. Mas, ilustre mesmo seria, acompanhar o funeral da desigualdade, e talvez quem sabe, rezar uma vela para ela, na missa de "Sétimo Dia". Porém, nem a pobreza nem a desigualdade, mostram algum tipo de fragilidade. Tornando, aquelas pessoas a quem são atingidas (quanto maior o grau de vitalidade do sistema imunológico da pobreza e da desigualdade, maior será a opressão praticada por elas), meras coadjuvantes e espectadoras, vitimas do "acaso", proposto pelos menos expostos aos efeitos nocivos. Por sinal a quantidade de pessoas expostas é bem maior, do que as não expostas. A minoria, entretanto recusa-se a fornecer a fórmula ou a dar de graça o antídoto para combater essas pragas, pois seu uso pode causar efeitos colaterais sobre suas cabeças. Situação que seria bastante desagradável. Ademais, a maior e mais forte pobreza notada entre os seres humanos é aquela no qual não se deseja vencer. Ela na maioria das vezes costuma-se se aliar à desigualdade, não aquela que simplesmente dita quem é quem? Mas aquela desigualdade, que explora, escraviza e por fim mata a esperança de vida. Derrota a pobreza e a desigualdade não é fácil, não existe truque, nem mágica, nem "carta na manga". Primeiro que as duas são aliadas. Segundo sabem todos os truques e artimanhas necessários para conseguirem sobreviver juntas. Terceiro elas são persistentes, nunca desistem. E para que saiam vencedoras, basta que seus adversários (nós), não se manifestem, fique de canto (dificilmente algum grande líder discute realmente o problema da pobreza e da desigualdade), resmungando (devemos ir além do discurso e da falácia de sempre) e chorando (ao não ter conseguido "enxugar o gelo" proposto na ultima reunião anterior do G8). Unesco | Folha Dirigida

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O maior medo da desigualdade e da pobreza é um dia ficar pobre. No mais, elas nem gostam de pensar no assunto (mas nós podemos pensar por elas, se assim for de nosso interesse). Já pensou? Iriam ter que mendigar ou trabalhar duro, se possível até fazer hora extra, na ânsia de encontrar um hóspede inocente, para o qual prestariam serviço, não terceirizado, e sem custos adicionais. Entretanto, o homem, seu patrão preferido, não tomou consciência da real situação do seu empregado. A pobreza ainda continua com salário em dia, carteira de trabalho, direitos a férias, décimo terceiro salário e o pior! Praticando nepotismo. É só dar uma olhada no grau de parentesco que ela possui com a desigualdade. Pensando bem, está na hora de demitir esses empregados, por justa causa.

.......................................... …the supreme and strongest type of poverty discernible among humans is that in which one does not desire to win. POVERTY AND INEQUALITY, TWO STRONG ALLIES Nowadays poverty has grown so prosperous, it's even got ramifications of its' very own format – we have social poverty, as well as intellectual, economic and sentimental, among many many others (and they really are that many), which, were they all to be named here, would surprise poverty itself with its legacy of wealth. Prevailing over poverty and winning an honors medal would, besides participating in open car parades, bring you status, fame and glory. But a really memorable happening would be attending inequality's funeral and, who knows, maybe praying for it, lighting a candle in its seventh day's mass . But neither poverty nor inequality show any signs of frailties. By making people who are afflicted with them ( the stronger and more vital poverty and inequality's immune system is, the greater shall be the oppression levied by those two) into mere sidekicks and spectators, victims of the notion of 'chance of those less afflicted'. Actually the number of people afflicted is much greater than that of non-afflicted. The minority, however, refuses to hand them the formula or give away the antidote to these plagues, because its use could engender collateral damages falling on their heads, a situation which could be most unpleasant. Furthermore, the supreme and strongest type of poverty discernible among humans is that in which one does not desire to win. It most commonly associates Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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with inequality, but not that kind which simply says who is who, but with the inequality which exploits, enslaves and ultimately stamps out all hope in life. Defeating poverty and inequality isn't easy, there's no trick, nor magic, nor 'ace up you sleeve'. Firstly, because the two are allies. Secondly because they know all necessary tricks and twists to manage to survive together. Thirdly, because they are persistent, and never give up. So to ensure they continue winners, all their foes (us) have to do is not speak up, keep to the sidelines ( hardly any important leader is willing to really discuss the problem of poverty and inequality), mumbling (we should move beyond the discourse end usual fallacies) and crying ( for not having been able to 'dry out the ice" as planned in the last G8 meeting). The greatest fear inequality and poverty have is one day being poor. In general, they don't even like to think about it ( but we can do it for them, if it is in our interests). Think about this. They would have to either beg or work hard and if possible even put in some extra hours of work, in the expectation of finding an innocent host, for whom they could render their services, not outsourced and at no additional cost. However, man – their favorite boss– has not yet become conscious of his employee's real situation. Poverty still gets her paycheck on time, employment record card is duly signed, she has vacation rights, a 13th salary and– even worse – she is practicing nepotism. Take a look at how close the kinship between her and inequality. On second thought, it's high time we fired these employees, on grounds for fair dismissal.

.......................................... "...la plus grande et plus forte pauvreté notée parmi les êtres humains est celle dans laquelle il n'existe pas le désir de vaincre." PAUVRETÉ ET INÉGALITÉ, DEUX FORTS ALLIÉS. Actuellement la pauvreté est si prospère, qu'elle possède même des ramifications de sa forme, nous avons la pauvreté sociale, économique, intellectuelle, sentimentale, parmi tant et tant d'autres (et elles sont nombreuses), que si elles étaient citées ici! La pauvreté elle-même serait surprise avec tout son héritage de richesse. Vaincre la pauvreté et gagner une médaille de "Honneur au Mérite", outre de Unesco | Folha Dirigida

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défiler en voiture ouverte, Pourrait apporter statut, réputation et gloire. Mais, illustre même serait, accompagner les funérailles de l'inégalité, et peut-être qui sait, allumer une bougie pour elle à la messe du ''Septième Jour". Cependant, ni la pauvreté ni l'inégalité, ne démontrent quelque genre de fragilité. Rendant ces personnes qui en sont atteintes (plus le degré de vitalité du système immunologique de la pauvreté et de l'inégalité est grand, plus grande sera l'oppression pratiquée par elles), pures co-adjuvantes et spectatrices, victimes du "hasard", propos au moins exposés aux effets nocifs. D'ailleurs la quantité de personnes exposées est bien plus importante, de que celles non exposées. La minorité, cependant se refuse à fournir la formule ou à donner gratuitement l'antidote pour combattre ces plaies, car son utilisation peut causer des effets collatéraux sur leurs têtes. Situation qui serait assez désagréable. De plus, la plus importante et plus forte pauvreté notée parmi les êtres humains est celle dans laquelle on ne désire pas vaincre. Dans la minorité des cas elle à l'habitude de s'allier à l'inégalité, non celle qui simplement dicte qui est qui? Mais cette inégalité qui explore, rend esclave et enfin tue l'espoir de vie. Dérouter la pauvreté et l'inégalité n'est pas facile, il n'existe pas de truc, pas de magie, ni de "carte dans la manche". D'abord car les deux sont alliées. Deuxièmement, elles savent tous les trucs et artifices nécessaires pour réussir à survivre ensemble. Troisièmement, elles sont persistantes, ne désistent jamais. Et pour qu'elles sortent gagnantes, il suffit que leurs adversaires (nous), ne se manifestent pas, reste de côté (difficilement un grand leader discute réellement le problème de la pauvreté et de l'inégalité), ronchonnant (nous devons aller audelà du discours et des paroles de toujours) et pleurant (de ne pas avoir réussi à sécher la glace" proposé dans la dernière réunion antérieure du G8). La plus grande peur de l'inégalité et de la pauvreté est d'un jour être pauvre. Pour le reste, elles n'aiment même pas parler du problème (mais nous pouvons penser pour elles se c'est de notre intérêt). Vous imaginez? Elles devraient faire l'aumône ou travailler dur si possible même faire des heures supplémentaires, dans l'idée de trouver un hôte innocent, pour lequel elles seraient prestataires de service, non en sous-traitance, et sans coûts additionnels. Cependant, l'homme, leur patron préféré, n'a pas pris conscience de la vraie situation de son employé. La pauvreté continue encore le salaire à jour, carte de travail, droits à des vacances, treizième salaire et le pire! Pratiquant le népotisme. Il suffit de regarder le degré de parenté qu'elle a avec l'inégalité. En y pensant bien, l'heure est venue de licencier ses employés, pour faute grave.

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"Pra vencer toda mazela/ Comida de imediato/ Primeiro usamos o prato / Pois a fome não espera/"

Mázio Ribeiro de Souza

UPE – Politécnica de Pernambuco – Recife – PE

A GRANDE LUZ QUE O MUNDO ENSEJA I A pobreza nessa terra Faz tremer até o forte Tanto no Sul como Norte Ver-se palco dessa guerra. Ela nunca se encerra Tem proporção descabida Pra curar essa ferida Só responsabilidade – Meu Deus, que desigualdade! No trato com nossa vida. II Nosso Josué de Castro Demonstrou várias maneiras Dessa pesada bandeira Foi quem levantou o mastro Não se pode pôr emplastro Numa doença tão séria Pra acabar com essa miséria Que assola todo o mundo Precisamos ser profundos No estudo da matéria. III Pra vencer toda mazela Comida de imediato

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Primeiro usamos o prato Pois a fome não espera Partindo pra outra esfera O emprego selaria Com grande sabedoria O que estamos a comprovar Não se pode o peixe dar Sem ensinar a pescaria O ventre com alimento E os dias de labor Apaga-se o clamor E começa o crescimento Para o aprofundamento Naquela nova função Só com muita instrução Escola e professor. IV Não se forma um doutor Sem ajuda da nação. V Letrado e com saber Aumenta a dignidade E as oportunidades Começam a aparecer Se fizer por merecer Com seriedade e destreza Põe-se um fim nessa pobreza Ou pelo menos diminui Essa é a grande luz Que o mundo todo enseja.

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“So to stop all this malady We need food, and promptly, First we must heap the dish For hunger does not wait” THE GREAT LIGHT WHICH THE WORLD BEGETS I The Poverty in this land Shakes even the strongest Both north and south Find themselves an arena set for war A war which never ends And is out of proportion, huge Healing such a wound Takes a dose of responsibility By god, such inequality In dealing with our lives II Our own Josué de Castro Has pointed out many a path And he was the one Who, for this heavy flag First hoisted a mast For you cannot simply dress Such a serious ailment And to finish off this misery That besets the whole world We must think deeply Of this subject matter. III So to stop all this malady We need food and promptly First we must heap the dish For hunger does not wait And, moving on, Employment would set

Unesco | Folha Dirigida

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The stamp of approval With great wisdom On what we aim to prove here: That you cannot give away fish And not teach how to fish When bellies are full And days are fruitful All rumbles die down And growth starts anew Probing ever deeper Into this new deal. Well, this is possible only With many schools and teachers And heaps of learning to do. IV For you cannot forge a doctor Without the nation's help V When we are well versed and learned Dignity flourishes And opportunities Start to bloom If we are deserving We shall put an end to all this poverty Seriously and deftly Or at least greatly reduce it This is the Great Light Which the whole world begets.

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"Pour vaincre tous ces malheurs/ Nourriture immédiatement/ D'abord nous utilisons le plat / Car la faim n'attend pas/" LA GRANDE LUMIÈRE DONT LE MONDE ATTEND L'OPPORTUNITÉ I La pauvreté sur cette terre Fait trembler même le fort Aussi bien au Sud qu'au Nord Se voir scène de cette guerre. Elle ne finit jamais A des proportions inconvénientes Pour soigner cette blessure Seule la responsabilité – Mon Dieu, quelle inégalité! Envers notre vie. II Notre Josué de Castro A démontré plusieurs manières De ce lourd drapeau Dont il leva le mât On ne peut y mettre d'emplâtre Dans cette maladie si grave Pour en finir avec cette misère Qui accable tout le monde Nous devons être profonds Dans l'étude de la matière. III Pour vaincre tous ces malheurs/ Nourriture immédiatement/ D'abord nous utilisons le plat / Car la faim n'attend pas/" Partant dans une autre sphère L'emploi scellerait Avec une grande sagesse

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Ce que nous sommes en train de prouver On ne peut donner le poisson Sans apprendre la pêche Le ventre avec la nourriture Et les jours de labeur La clameur s'éteint Et commence la croissance Pour l'approfondissem*nt Dans cette nouvelle fonction Seulement avec beaucoup d'instruction Ecole et professeur. IV On ne forme pas un docteur Sans l'aide de la nation. V Lettré et ayant du savoir Augmente la dignité Et les opportunités Commencent à apparaître Si l'on fait pour mériter Avec sérieux et dextérité En finit avec la pauvreté Ou au moins diminue C'est la grande lumière Dont tout le monde attend l'opportunité.

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"...estaremos aptos a construir um mundo melhor, sem pobreza e desigualdade, pois esta deve ser a ideologia de todo ser humano."

Melissa Bortoloto Faria

Universidade São Francisco – Itatiba – SP

IMPACTOS PROFUNDOS De um lado, países ricos, economia favorável, saúde e educação de ótima qualidade e excelente padrão de vida. De outro, países pobres e miseráveis, dificuldades econômicas, sistema de saúde e educação deficientes, condições de vida precárias. É este, o paradoxo que vive hoje toda a pobreza e desigualdade existentes no planeta. Pode-se, afirmar em tese que, vários são os atos responsáveis por gerar tanta miséria e desigualdade, estas que por sua vez, acabam resultando em lamentáveis conflitos de violência e guerra, tornando ainda mais grave o problema. Na realidade, a omissão da própria sociedade diante dos fatos e a inépcia administrativa por parte dos chefes de Estados em toda a Terra, contribuem de maneira significativa para essa grande vergonha mundial. Todavia, é de vital importância uma cooperação mútua entre sociedade, setor privado e governos. Essa união podia resultar em diversos programas sociais como, por exemplo, projetos educacionais de incentivos ao esporte e oficinas de cultura, criando assim, oportunidades para crianças e jovens, mostrando que independentemente de sua condição social, somos todos iguais. No que tange ainda toda a pobreza e a miséria na atualidade, percebe-se que, há uma grande necessidade de mudança e reestruturação educacional. Um sistema de educação sólido prepara as pessoas para o mercado de trabalho, além de influenciar diretamente no sistema de saúde, isto porque, pessoas com acesso à informação, não ficariam doentes por qualquer descuido, fato que é bastante comum em países de terceiro mundo. Deve-se ressaltar, também, uma questão fundamental quando se fala em pobreza e desigualdade e que, infelizmente, sempre esteve em voga: O preconceito das pessoas diante de diversas situações do mundo contemporâneo, deve ser considerado como a maior barreira para a construção de um mundo melhor. O preconceito foi o principal motivo da 2ª Grande Guerra e é inacreditável estarmos vivendo em pleno século XXI, com pessoas capazes de atos preconceituosos, que de certa maneira, acaba atrasando todo o desenvolvimento do planeta. Para Unesco | Folha Dirigida

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se vencer a pobreza e a desigualdade, não se pode dividir a Terra em etnias, raça, cor, religião e entre países pobres e ricos. A população mundial, já está cansada de contabilizar tantos efeitos nocivos derivados de tanta ganância humana. O planeta está morrendo em virtude das desastrosas conseqüências que vem sofrendo ao longo de toda a sua história. O homem moderno que se diz tão evoluído, ainda não aprendeu a mais modesta das lições: o respeito ao próximo. Definitivamente, é impossível afirmar que a humanidade evoluiu, quando ainda vivemos em um mundo repleto de desafios a serem vencidos. Enquanto homens continuarem se digladiando por questões banais, pobreza e desigualdade continuarão fazendo parte do nosso cotidiano, deixando impactos profundos em todo o globo terrestre. No entanto, cabe a cada um de nós, descobrir a melhor maneira de combater todo o mal gerado ao longo do tempo. O respeito com todo e qualquer ser humano tem que estar em primeiro lugar sempre. Somente quando o preconceito se tornar fato anacrônico e o homem entender que este é o fator essencial para a evolução humana, estaremos aptos a construir um mundo melhor, sem pobreza e desigualdade, pois esta deve ser a ideologia de todo ser humano.

.......................................... "...we shall be fit to build a better world, with no poverty or inequality, because this should be every human being's ideology." DEEP IMPACTS On the one hand, we have rich countries with favorable economies, excellent healthcare, educational systems and standards of living. On the other, we find poor and miserable countries, economic difficulties, poor quality healthcare, educational systems and standards of living. This is the paradox which all poverty and inequality on this planet lives with. One may say that, theoretically, many actions are responsible for begetting so much misery and inequality, which in their turn result in lamentable conflicts of violence and war, making the problem yet more serious. In fact, omission on the part of society itself when faced with facts and the administrative ineptitude of world leaders all over the globe contribute significantly to this huge world infamy. It is however vitally important to establish mutual cooperation among society, Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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governments and the private sector. This union could result in several social programs such as, for example, educational sports incentive projects and cultural workshops; thus creating opportunities for children and young people and showing that, independently from social conditions, we are all equals. As regards all poverty and misery today, we can see there is a strong need for change and educational reform. A solid educational system prepares people for the labor market and also directly influences the healthcare system, because well informed people do not get sick due to lack of care, a fact quite common in third world countries. We must point out that a fundamental issue when dealing with poverty and inequality has always been in plain sight: prejudice. People's prejudices when facing several situations in today's world must be seen as the greatest barrier to achieving a better world. Prejudice was the driving force for II world war and it is unbelievable that we are living in the twenty first century alongside people who are capable of taking prejudiced action, which from a certain point of view ends up delaying the whole planet's evolution. To prevail over poverty and inequality, we cannot divide the earth into ethnic groups, races, colors, religions nor between poor and rich countries. The world population is already tired of recording so many negative effects sprung from so much human greed. The planet is dying due to the disastrous consequences it has shouldered all through its history. Modern man, believing himself so evolved, has not yet learned the most modest of lessons: respect for your neighbor. It is definitely impossible to affirm that humanity has evolved, when we are still living in a world of challenges to be faced. While men continue to fight over unimportant reasons, poverty and inequality will continue to be part of our daily lives, bequeathing deep impacts upon the globe. It is however up to every one of us to find the best way to fight all the iniquity created throughout time. The respect due to each and every human being must always come first. Only when prejudices become in fact anachronisms and when man understands that this is the key factor for human evolution, shall we be fit for building a better world, with no poverty nor inequality, for this should be every human being's ideology.

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"...nous serons aptes à construire un monde meilleur, sans pauvreté et inégalité, car ce doit être l'idéologie de tout être humain." IMPACTS PROFONDS D'un côté, les pays riches, économie favorable, santé et éducation de grande qualité et excellent style de vie. De l'autre, pays pauvres et misérables, difficultés économiques, systèmes de santé et éducation déficients, conditions de vie précaires. C'est cela le paradoxe que vit aujourd'hui toute la pauvreté et l'inégalité existantes sur la planète. On peut, affirmer en thèse que, nombreux sont les actes responsables pour générer autant de misère et inégalité, qui à leur tout, finissent par résulter en d'immenses conflits de violence et guerre, rendant le problème encore plus grave. En réalité, l'omission de la propre société face aux faits et à l'inertie administrative de la part des chefs d'états sur toute la Terre, contribuent de manière significative à cette grande honte mondiale. Cependant, une coopération mutuelle entre la société, le secteur privé et les gouvernements est d'une importance vitale. Cette union pourrait résulter en divers programmes sociaux comme, par exemple, des projets éducationnels d'encouragement au sport et ateliers de culture, créant ainsi des opportunités pour les enfants et les jeunes, montrant qu'indépendamment de leur condition sociale, nous sommes tous égaux. En ce qui concerne encore toute la pauvreté et la misère dans l'actualité, on s'aperçoit que, il existe un grand besoin de changement et de restructuration éducationnelle. Un système d'éducation solide prépare les personnes au marché du travail, en plus d'influencer directement sur le système de santé, ceci car les personnes ayant accès à l'information, ne seraient pas malades à cause de négligence, fait qui est assez commun dans les pays en voie de développement. On doit souligner aussi, une question fondamentale quand on parle de pauvreté et d'inégalité et qui, malheureusem*nt, a toujours été en vogue: le préjugé des personnes face à diverses situations du monde contemporain, doit être considéré comme la plus grande barrière pour la construction d'un monde meilleur. Le préjugé a été le principal motif de la 2ème Guerre Mondiale et il est incroyable que nous vivions en plein XXIème siècle avec des personnes capables d'actes d'intolérance qui, d'une certaine manière, finit par retarder tout le développement de la planète. Pour vaincre la pauvreté et l'inégalité, on ne peut pas partager la Terre en ethnies, race, couleur, religion et entre pays pauvres et riches. La population mondiale, est déjà fatiguée de comptabiliser tant d'effets nocifs dérivés de tant d'ambition de gain humain. La planète est en train de mourir en

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vertu des désastreuses conséquences subies tout au long de toute son historie. L'homme moderne, qui se dit si évolué, n'a pas encore appris la plus modestes des leçons: le respect de son prochain. Définitivement, il est impossible d'affirmer que l'humanité a évolué, quand nous vivons encore dans un monde rempli de défis à vaincre. Tant que les hommes continueront à se disputer pour des problèmes banaux, la pauvreté et l'inégalité continueront à faire partie de notre quotidien, laissant des impacts profonds sur tout le globe terrestre. Cependant, il incombe à chacun de nous, de découvrir la meilleure manière de combattre tout le mal causé au long du temps. Le respect de tout et n'importe quel être humain doit toujours être en premier lieu. Seulement lorsque le préjugé deviendra un fait anachronique et que l'homme comprendra que ceci est le facteur essentiel à l'évolution humaine, nous serons aptes à construire un monde meilleur, sans pauvreté ni inégalité, car cela doit être l'idéologie de tout être humain.

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"Cansados de tentar achar culpados, conseguiram quebrar a blindagem que os separava de uma vida digna e ousaram, assim, escrever sua própria história."

Michael Frostnys Silva Félix

Universidade Federal do Maranhão – São Luis – MA

POR UMA VIDA MELHOR Nos países onde impera a pobreza e a desigualdade, como é o caso do Brasil, o mais comum é ser derrotado por tais forças. O mais comum é afundar no mar da frustração e ser igual à maioria. É o medo de seguir na direção contrária, de ser a exceção, de tentar e não conseguir, melhor deixar tudo como sempre foi. Todavia, a despeito da falta de incentivo do governo e de todos os obstáculos culturais, sociais e econômicos, muitos têm mostrado que é possível vencê-los. Aliados?Trabalho, educação, criatividade e muita perseverança. Em países como a Coréia do Sul, onde a mudança se deu de forma vertical, os frutos foram colhidos por toda a coletividade que prioriza, hoje, a educação como princípio básico de transformação e busca por uma sociedade mais justa. Por outro lado, em nações como as latino-americanas, onde isso não acontece, são os indivíduos que, de forma corajosa, se lançam numa busca incessante por melhores condições de vida. É o caso de Maria das Graças Marçal, simples catadora de papel de Belo Horizonte que criou um código de ética para a profissão e fundou a Associação dos Catadores de Papel e Outros Materiais Reaproveitáveis, Asmare. Essa organização mudou não só a vida de Dona Geralda, como é conhecida nas ruas de sua cidade, como também a de 235 integrantes que recebem hoje, em média, três salários mínimos. A iniciativa rendeu a ela vários prêmios, entre eles, um concedido pela Unesco a brasileiros que se destacam em projetos de alcance social. Ou ainda a trajetória de Milton dos Santos, negro, neto de escravo, criado no interior da Bahia. Não olhou para os desafios e mirou-se apenas nos seus sonhos. Estudou, com a ajuda dos pais, o equivalente a todo o ensino primário em casa. Formou-se advogado e geógrafo, sendo esta última, a profissão que abraçou de coração. Com quarenta livros escritos em diversas línguas, deu aula na Europa, Américas e África. Sempre otimista, mostrou-se um estudioso comprometido com as causas sociais.

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Esses são apenas dois exemplos os quais a mídia tornou público. Porém em meio a quase cento e oitenta e nove milhões de brasileiros imersos em graves disparidades, existe uma infinidade de Marias e Miltons, que, como fazem alguns peixes em época de desova, nadam contra a correnteza na ânsia de salvar uma geração. Não tornaram pública, por exemplo, a história do Rafael, que sacrifica suas madrugadas como vigilante para fazer um dinheiro extra e pagar sua faculdade. Esqueceram a Silvânia, assistente social que, quando criança, caminhava vinte quilômetros para chegar à escola mais próxima. Ou ainda a vida de Marcos que ignorou o tráfico de drogas do subúrbio onde morava pelo desejo de se tornar um policial. E assim seguem inúmeros cidadãos em diversas partes do mundo, marchando ininterruptos rumo ao sucesso. Cansados de tentar achar culpados, conseguiram quebrar a blindagem que os separava de uma vida digna e ousaram, assim, escrever sua própria história.

.......................................... "Tired of trying to find the ones to blame, they managed to break through the strong barrier that separated them from a decent life and thus ventured to write their own story." FOR A BETTER LIFE In countries where poverty and inequality prevail, such as happens in Brazil, people are usually defeated by these forces. The most common is to sink into an ocean of frustration and remain the same as most people. It is the fear of going in the opposite direction, of being the exception, of trying and failing. They think it is better to keep things the way they have always been. However, in spite of the lack of incentives from the government and all the economical, social and cultural barriers, many have shown that overcoming them is possible. The allies? Work, education, creativity and a lot of perseverance. In countries such as South Korea, where the change happened in a vertical way, the fruits were enjoyed by the whole community that nowadays prioritizes education as the basis for change and achievement of a just society. On the other hand, in nations as the ones located in Latin American, where such a thing does not happen, individuals courageously throw themselves into an incessant search for better conditions of life. Unesco | Folha Dirigida

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Maria das Graças Marçal, for instance, is a simple waste paper picker from Belo Horizonte, who created a code of ethics for the profession and founded Asmare, Associação dos Catadores de Papel e Outros Materiais Reaproveitáveis (Association of Pickers of Waste Paper and Other Recyclable Materials). This organization changed not only Dona Geralda's life, as she is called on the streets of her city, but also the life of 235 members who earn the equivalent to three minimum wages on average nowadays. She won some prizes for her initiative; one of them is given by Unesco to Brazilian people who stand out in social projects. Another example is the life of Milton dos Santos, a black man that was raised in an inner city in Bahia and whose grandfather was a slave. He ignored the challenges and focused only on his dreams. With his parents' assistance, he studied the whole elementary school program at home. He is a lawyer and a geographer. The latter is his favorite profession. He has written forty books in different languages and taught in Europe, Americas and Africa. He has always been an optimist and showed himself to be a studious person who is committed to social causes. The above are only two examples publicized by the media. However, among almost a hundred and eighty-nine million Brazilian people living in serious disparities, there is a large number of Marias and Miltons, who, as well as some fish during the spawning period, swims against the current in order to save a generation. Media did not show, for instance, Rafael's story, who spends his nights working as a watchman to earn extra money so that he can pay for college. They did not mention Silvânia, a social assistant who as a child used to walk more than twenty kilometers to get to the closest school. Not even Marcos's life, who ignored the drug traffic in the suburb where he lived because he wished to become a policeman. That is the life of countless citizens in many places in the world, marching ceaselessly towards success. Tired of trying to find the ones to blame, they managed to break through the strong barrier that separated them from a decent life and thus ventured to write their own story.

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"Fatigués d'essayer de trouver des coupables, ils ont réussi à rompre le blindage qui les séparaient d'une vie digne et ont osé ainsi, écrire leur propre histoire." POUR UNE VIE MEILLEURE Dans les pays où dominent la pauvreté et l'inégalité, comme c'est le cas au Brésil, l'habitude est d'être dérouté par de telles forces. Le plus commun est noyer dans l'océan de frustration et être égal à la majorité. C'est la peur de suivre dans la direction contraire, d'être l'exception, d'essayer et de ne pas réussir, le mieux est de laisser tout comme cela a toujours été. Cependant, malgré le manque d'encouragement du gouvernement et de tous les obstacles culturels, sociaux et économiques, beaucoup ont montré qu'il est possible de les vaincre. Alliés? Travail, éducation, créativité et beaucoup de persévérance. Dans les pays comme la Corée du Sud, ou le changement s'est fait de façon verticale, les fruits ont été cueillis par toute la collectivité qui priorise, aujourd'hui, l'éducation comme principe de base de transformation et recherche d'une société plus juste. D'un autre côté, dans les nations latino-américaines, ou ceci n'arrive pas, ce sont les individus qui, de manière courageuse, se lancent dans une recherche incessante de meilleures conditions de vie. C'est le cas de Maria das Graças Marçal, simple chercheuse de papier de Belo Horizonte qui a créé un code d'éthique pour la profession et a fondé l'Association des Chercheurs de Papier et autres Matériels pouvant être ré utilisés, " Asmare ". Cette organisation a changé non seulement la vie de Dona Geralda, comme elle est connue dans les rues de sa ville, ainsi que des 235 intégrants qui reçoivent aujourd'hui, en moyenne, trois salaires minimum. L'initiative lui a valu plusieurs prix, parmi eux, un prix concédé par l'Unesco à des brésiliens qui se distinguent en projets de portée sociale. Ou encore la trajectoire de Milton dos Santos, noir, petit-fils d'esclave, élevé dans la province de Bahia. Il n'a pas regardé les défis mais seulement ses rêves. Il a étudié, avec l'aide de ses parents, l'équivalent de tout l'enseignement primaire chez lui. Il a eu son diplôme d'avocat et géographe, cette dernière profession étant celle qu'il exerce. A écrit quarante livres traduits en différentes langues, a donné des cours en Europe, en Amérique et en Afrique. Toujours optimiste, il s'est montré studieux et engagé dans les causes sociales. Ceux sont à peine deux exemples que les médias ont rendu publics. Mais au milieu de presque cent quatre vingt neuf millions de brésiliens plongés dans de graves disparités, il existe une infinité de Marias et de Miltons, qui, comme le font certains poissons à l'époque de ponte, nagent contre le courant en essayant Unesco | Folha Dirigida

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de sauver une génération. Les médias n'ont pas rendu publique par exemple l'histoire de Rafael, qui sacrifie ses petit* matins comme gardien pour gagner un peu plus d'argent et payer sa faculté. Elles ont oublié Silvânia, assistante sociale qui, quand elle était enfant, marchait vingt kilomètres pour arriver à l'école plus proche. Ou encore la vie de Marcos qui a ignore le trafic de drogues de la périphérie ou il habitait car il souhaitait devenir policier. Et ainsi de suite d'innombrables citoyens dans différentes parties du monde, marchant sans interruption vers le succès. Fatigués d'essayer de trouver des coupables, ils ont réussi à rompre le blindage qui les séparaient d'une vie digne et ont osé ainsi, écrire leur propre histoire.

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"E, finamente, torço para que minhas divagações ultrapassem uma vez por todas o pungente patamar das utopias desacreditadas."

Michelle Thieme de Carvalho Moura

UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Rio de janeiro – RJ

MAS LIVRAI-NOS DA DESESPERANÇA, AMÉM Peguei-me refletindo sobre soluções que pudessem duelar com a pobreza e suas vicissitudes. Passei, portanto, alguns dias me indagando se seria realmente possível, nos dias de hoje, pôr em prática alguma idéia que mudasse estruturalmente todo o sistema de valores econômicos e sociais que fomos acostumados a manter. Minha vontade de mudança fez então com que minhas esmaecidas esperanças conseguissem vislumbrar um fragmento de possibilidade que abafasse, pelo menos por instantes, o ceticismo que assombra essa criatura observadora e perplexa que habita dentro de mim. Acho graça em nossa sociedade contemporânea, que ao ser regida pelo sentido do imediatismo, não consegue perceber que fórmulas mágicas não funcionam para tudo na vida. Observo a maioria das idéias para combater a desigualdade e imediatamente me lembro das mirabolantes cápsulas compactas, consumidas socialmente com a intenção de emagrecer, de ter felicidade, de dormir, de ficar obediente... Soluções instantâneas e efêmeras, geradoras de um gigantesco mercado lucrativo e que acabam não fazendo o fundamental, que é fomentar a discussão crítica sobre uma possível mudança no contexto social no qual nós, indivíduos fragmentados e entorpecidos, estamos inseridos. Posso soar como cética ou reacionária, mas definitivamente não consigo imaginar a ausência de desigualdades sociais em um contexto sustentado pela alavanca do consumo, onde o lucro é o regente máximo das formas de existir. Temos observado que o processo de globalização raramente fomenta uma hom*ogeneidade social como a etimologia da palavra "global" sugere. Assim, cada vez mais convivemos com o domínio gigantesco de poucos sobre muitos, provocando o aumento do abismo entre ricos e pobres e a modelagem das identidades que estão em contato com todas as estimulações trazidas pelos recursos globais. Alegro-me ao lembrar que existem medidas conjunturais que podem ser colocadas em prática como uma tentativa de tentar conter, pelo menos um pouco, a aceleração desigual das condições sociais de sobrevivência. Tento diariamente me agarrar a um trunfo universal, que infelizmente só se consolida em longo prazo, Unesco | Folha Dirigida

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mas que é a única solução que ainda devolve minha crença no futuro: Educação. Como sonhar com uma inclusão social mais democrática se ainda existem lugares onde os subsídios necessários para formação de cidadãos conscientes estão reservados à minoria? Torna-se paradoxal pensar no desenvolvimento político, econômico e cultural de um povo sem a construção de valores epistemológicos no sistema de crenças desse local. Isso sim faz a diferença que tanto procuramos para dar um basta nesse encarceramento atroz, exercido por controles sociais cada vez mais etéreos e subjetivos. Torço para que minha esperança em um investimento consistente na educação consiga aos poucos neutralizar o propósito de mundo descartável imposto pela idolatria do mercado. Torço para que o desejo férrico pelo ato de consumir não acabe transformando a educação em mais um bem de consumo, cujo propósito seria mais uma vez gerar lucro para uma minoria sem limites de poder. E, finamente, torço para que minhas divagações ultrapassem uma vez por todas o pungente patamar das utopias desacreditadas.

.......................................... "And I finally hope that my dreams will definitely go beyond the painful barrier of discredited utopias." BUT DELIVER US FROM HOPELESSNESS. AMEN I caught myself reflecting upon solutions that could fight against poverty and its miseries. Thus I spent some days asking myself whether it would really be possible, nowadays, to put into practice an idea that would structurally change the whole system of economical and social values that we got used to maintain. My desire for change made my faded hopes to catch a glimpse of a small possibility that could reduce, at least for a while, the skepticism that haunts this observant and perplexed being that resides in me. I laugh at our contemporary society, which, ruled by immediateness, can not realize that magic formulas can not solve everything. I observe most of the ideas created to tackle inequality and they immediately remind me of those sensational largely taken pills that supposedly work for weight loss, happiness achievement, sleeping and good behaving. Instant and ephemeral solutions that generate a huge lucrative market and end up not doing the essential: to foment a critical discussion about a possible change in the social context in which we, ruined and torpid individuals, live. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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I may sound skeptical or reactionary, but it is definitely impossible to imagine that a context supported by consumption and where the maximum ruler is profit can turn into a context without any social inequality. We have observed that the globalization process rarely creates a social hegemony as the etymology of the word "global" implies. Thus, we have lived more and more with the giant dominance of a few over many and this increases the abyss between the rich and the poor and the model of identities that have contact with all stimulations brought by global resources. I am glad to remember that there are conjunctural actions that can be put into practice as an attempt of restraining, at least a little bit, the unequal acceleration of the social survival conditions. I try day after day to hold myself to a universal trump, which unfortunately can only yield results at long term, but that is the only solution that makes me believe in the future again: Education. How to dream of a more democratic social inclusion when there are still places where the subsidies needed for the formation of conscious citizens are reserved to a few people? It is paradoxical to think about a people's cultural, economical and political development without the construction of epistemological values in the belief system of its location. That makes the difference that we eagerly look for as a means of stopping such a cruel imprisonment exerted by social controls that are more and more ethereal and subjective. I hope that my expectations of a consistent investment in education will be able to neutralize, little by little, the idea of a disposable world imposed by the idolatry of the market. I hope that the strong desire for consumption will not end up turning education into another consumer good with the aim of generating profits to a minority group whose power has no limits. And I finally hope that my dreams will definitely go beyond the painful barrier of discredited utopias.

.......................................... "Et, finalement, dépassent une marche

je souhaite que mes divagations fois pour toute la douloureuse des utopies dépréciées."

MAIS DÉLIVREZ-NOUS DU MANQUE D'ESPOIR, AMEN Je me suis prise à réfléchir sur les solutions qui pourraient combattre la pauvreté et ses vicissitudes, J'ai donc passé quelques jours à me questionner sur ce qui serait réellement possible, au jour d'aujourd'hui, pour mettre en pratique une idée qui pourrait changer la structure de tout le système des valeurs économiques Unesco | Folha Dirigida

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et sociales que nous étions habitués à maintenir. Ma volonté de changement a fait alors que mes espoirs évanouis réussissent à entrevoir un fragment de possibilité qui étouffant, au moins pour quelques instants, le scepticisme qui assombrit cette créature observatrice et perplexe qui habite dans moi. Je trouve drôle que notre société contemporaine, étant régie par le sens de l'immédiatisation, n'arrive pas à percevoir que des formules magiques ne fonctionnent pas toute la vie. J'observe la majorité des idées pour combattre l'inégalité et immédiatement je me souviens des mirobolantes capsules compactes, consommées socialement dans l'intention de maigrir d'être heureux, de dormir, d'être obéissant... Solutions instantanées et éphémères, génératrices d'un gigantesque marché lucratif et qui finissent par ne pas faire le fondamental, qui est d'encourager la discussion critique sur un possible changement dans le contexte social dans lequel, nous, individus fragmentés et fragiles, sommes insérés. Je peux me faire passer pour sceptique ou réactionnaire, mais définitivement je ne réussis pas à imagier l'absence d'inégalités sociales dans un contexte soutenu par le levier de la consommation, où le bénéfice est le maître maximum des formes d'exister. Nous avons observe que le processus de globalisation cause une hom*ogénéité sociale comme l'étymologie du mot "global" suggère. Ainsi, nous vivons chaque fois plus avec la domination gigantesque de peu sur beaucoup, provocant l'augmentation de l'abîme entre les riches et les pauvres et le modelage des identités qui sont en contact avec toutes les stimulations apportées par les ressources globales. Je me réjouis en me rappelant qu'il existe des mesures conjoncturelles pouvant être mises en pratique comme une tentative d'essayer de contenir, au moins un peu, l'accélération inégale des conditions sociales de survie. J'essaie tous les jours de m'accrocher à une victoire universelle qui malheureusem*nt ne se consolide qu'à long terme, mais qui est la seule solution qui me rende encore ma croyance dans l'avenir: Education. Comment rêver d'une inclusion sociale plus démocratique s'il existe encore des lieux ou les contributions financières nécessaires à la formation de citoyens conscients sont réservées à la minorité? Il devient paradoxal de penser au développement politique, économique et culturel d'un peuple sans la construction de valeurs épistémologiques dans le système de croyances de cet endroit. Cela oui fait la différence que nous cherchons tellement pour en finir avec cet emprisonnement atroce, exercé par les contrôles sociaux chaque fois plus sublimes et subjectifs. J'insiste à ce que mon espoir dans un investissem*nt conscient dans l'éducation réussisse petit à petit à neutraliser le propos de monde jetable imposé par l'idolâtrie du marché. J'espère que le désir féerique par l'acte de consommer ne finisse pas par transformer l'éducation en un autre bien de consommation, dont le propos serait une fois de plus générer le gain pour une minorité sans limites de pouvoir. Et, finalement, je souhaite que mes divagations dépassent une fois pour toute la douloureuse marche des utopies dépréciées. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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"Vencer a pobreza e a desigualdade é, portanto, vencer, em primeira instância, uma sensação de comodismo perante problemas sociais..."

Narayana da Costa Marques

Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Campo Grande – MS

A sociedade, entretida em meio a normas técnicas e previsões financeiras de mercado, procura em livros e legislações a solução para a desigualdade, para os índices criminais crescentes e de desenvolvimento humano cada vez mais precários. Os meios de telecomunicação apresentam diariamente todo um acervo de criminalidade e índices que apresentam, ao fundo, a desigualdade como fonte e fator. A desigualdade é a conseqüência clara de uma distribuição de renda distorcida e desorganizada, bem como de uma política social mal-formulada, presente principalmente nos países em desenvolvimento. Por sua vez, a pobreza, intimamente ligada à desigualdade social, é o fruto claro, concreto e palpável desse descaso político e social, da falta de uma instituição de Estado de Bem-Estar social, um Estado que antes de tudo vele pelo bem-estar e respeito de seus cidadãos, um Estado que mais do que formular leis as cumpra. Convenha-se, porém, que nenhum Estado existe sem a consciência e vontade de seus cidadãos, as leis e projetos são o reflexo claro de uma vontade social, da consciência de um problema e da busca de soluções. Se a cidadania dorme e a vontade de seus membros torna-se sarcástica, habituada, dia após dia, a qualquer manchete de jornal que trate de insegurança jurídica, então não há mais quem faça exigir o cumprimento de leis e a responsabilidade da administração pública. Não é preciso tratar de acordos ou de teorias complexas sobre direitos humanos ou economia mundial, tampouco é preciso conhecer a fundo índices ou censos mundiais para enxergar que a solução para a pobreza e a desigualdade ainda reside numa questão muito mais subjetiva, num sentimento muito mais íntimo, ligado aos ideais de humanidade, igualdade e fraternidade que deve existir dentro de cada um, a capacidade de sentir indignação perante as desigualdades e a pobreza. Vencer a pobreza e a desigualdade é, portanto, vencer, em primeira instância, uma sensação de comodismo perante problemas sociais, vencer a palidez perante a burocracia, a falta de interesse com os aspectos esquecidos da sociedade. É, ainda, trocar a visão individualista da sociedade moderna, por uma visão de necessidade de integração social. Este sentimento é o que, efetivamente, constrói a Unesco | Folha Dirigida

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cidadania, conscientiza as classes. É mais, é direito e dever de cada cidadão. Só a conscientização constrói caminhos para vencer a pobreza e desigualdade.

.......................................... "Overcoming poverty and inequality is therefore overcoming, in the first place, a feeling of inertia towards social problems..." Society, involved with technical rules and financial market predictions, searches books and the law for solutions for inequality, increasing criminal rates and lower human development indexes. Means of communications daily present a huge number of crimes and rates that have inequality as their origin and cause. Inequality is the obvious consequence of a bad and disorganized income distribution, as well as a poorly formulated social policy, mainly common in developing countries. Poverty, closely related to social inequality, is the clear and tangible result of such a social and political negligence, of the absence of a Social Welfare State, a State that, first of all, cares about it's citizen's welfare and respect, a State that, do not only create law, but also obeys it. No State exists, however, without its citizen's consciousness and will. The law and projects are a clear reflection of a social will, of the awareness of a problem and the search for its solutions. If citizens are not awake and their will becomes sarcastic and used to all newspaper headlines about juridical insecurity day after day, there is no one else who can enforce the law and the public administration responsibility. There is no need to discuss about agreements or complex theories about human rights or the world economy, or even to have a thorough knowledge of indexes and world census to realize that the solution for overcoming poverty and inequality still lies in a much more subject issue, in a much more intimate feeling, closely related to the ideals of humanity, equality and fraternity that should lie inside everyone, the capacity of being filled with indignation towards inequality and poverty. Overcoming poverty and inequality is therefore overcoming, in the first place, a feeling of inertia towards social problems, overcoming the inaction towards bureaucracy, the lack of interest in forgotten aspects of society. It is turning the modern society's individualistic view into a view of the necessity of a social integration. This feeling is what really builds citizenship and raise classes' awareness. It is more; it is each citizen's right and obligation. Only awareness can make ways to overcome poverty and inequality. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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"Vaincre la pauvreté et l'inégalité est, donc, vaincre, en première instance, une sensation de commodité face aux problèmes sociaux..." La société occupée par des normes techniques et prévisions financières de marché, recherche dans les livres et législations la solution pour l'inégalité, pour les indices criminels croissants et de développement humain chaque fois plus précaires. Les moyens de télécommunication présentent tous les jours un ensemble de criminalité et indices qui ont dans le fond, comme source et facteur, l'inégalité. L'inégalité est la conséquence claire d'une distribution de revenu déviée et désorganisée ainsi que d'une politique sociale mal formulée, présente principalement dans les pays en voie de développement. A son tour, la pauvreté, intimement liée à l'inégalité sociale, est le fruit clair, concret et palpable de cette négligence politique et sociale, du manque d'une institution de l'Etat du bienêtre sociale, un Etat qui avant tout voile le bien-être et le respect de ses citoyens, un Etat qui, plus que formuler des lois, les accomplit. On peut convenir, cependant, qu'aucun Etat existe sans la conscience et la volonté de ses citoyens, les lois et les projets sont le reflet clair d'une volonté sociale, de la conscience d'un problème et de la recherche de solutions. Si la citoyenneté dort et la volonté de ses membres devient sarcastique, habituée jour après jour, à n'importe quelle couverture de journal qui traite de l'insécurité juridique, il n'y a personne donc qui fasse exiger l'accomplissem*nt de lois et la responsabilité de l'administration publique. Il n'est pas besoin de traiter d'accords ou de théories complexes sur les droits humains ou économie mondiale, ni de connaître à fond les indices ou recensem*nts mondiaux pour voir que la solution de la pauvreté et l'inégalité réside encore dans une question beaucoup plus subjective, dans un sentiment beaucoup plus intime, lié aux idéaux de l'humanité, égalité et fraternité devant exister dans chacun, la capacité de sentir l'indignation face aux inégalités et à la pauvreté. Vaincre la pauvreté et l'inégalité est, donc, vaincre, en première instance, une sensation de commodité face aux problèmes sociaux, vaincre la pâleur face à la bureaucratie, le manque d'intérêt des aspects oubliés de la société. C'est aussi, changer la vision individualiste de la société moderne, par une vision de nécessité d'intégration sociale. Ce sentiment est ce qui, effectivement, construit la citoyenneté, fait prendre conscience aux classes. C'est plus, c'est le droit et le devoir de chaque citoyen. Seule la prise de conscience construit les chemins pour vaincre la pauvreté et l'inégalité.

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"Seria utópico de nossa parte afirmar que, na atual conjuntura, é possível promover um nivelamento das ‘castas’ que predominam em todas as nações."

Nilo Gonçalves dos Santos Filho

Faculdade Atenas de Paracatu – Paracatu – MG

Certamente uma das maiores tragédias que circundam a humanidade, desde sua gênese, é o "fantasma da privação material". Passaram-se anos, séculos, milênios, e o homem permanece no mesmo ponto: quando possui "meios", se tranca em uma torre, com vitrais "fumês", nos moldes do panóptico foucaltniano, da qual, de longe, sem ser visto, monitora outrem, sem jamais descer à "cela", que a este priva, a fim de prestar-lhe o amparo almejado; doutro lado, quando habita as "celas", idealiza soluções para si e para os "companheiros de agonia", sem, no entanto, ter meios de trazê-las, satisfatoriamente, à existência. Partindo deste, ponto, visualizamos claramente as mazelas que colocam a humanidade no caos hodierno, sendo a primeira, e a pior delas, a indiferença dos que detêm o "Poder". Estes, ocupantes da "torre", têm, via de regra, a práxis da usura e do "ensimesmamento" exacerbados. No mesmo ínterim, temos outra mazela, que exsurge da incidência do idealismo e do altruísmo somente nos momentos de "cárcere", no qual o ser se vê submetido à privação e ao desconforto. Advinda a ascensão à torre, se esvaem a ideologia e a compaixão e abraça o ascendente a mesma postura de indiferença dos demais que lá estão. Temos "n" outras mazelas que lançam a humanidade no "poço da desigualdade". Contudo, essas duas chagas são notórias e incontestes. Daí, habita no combate a elas a solução para muitos dos males hodiernos, mormente a pobreza e a desigualdade, que aprisionam e vilipendiam a raça humana. Seria utópico de nossa parte afirmar que, na atual conjuntura, é possível promover um nivelamento das "castas" que predominam em todas as nações. Fora isso realizável, não existiria a "miséria". Contudo, é preciso reportar à parábola que dá conta de um homem que, de manhã, visitava a praia, onde ao se deparar com centenas de estrelas do mar, lançadas fora pelas ondas, devolvia ao oceano o máximo que conseguia. Deste conto, temos algumas lições: a mais importante delas é que, aquela atitude não resolvia o problema de todas, entretanto, era a diferença entre a vida e a morte para as que o benfeitor conseguia acudir; outra lição é que, apeComo vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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sar dos poucos recursos, o homem não permaneceu inerte; agiu, provendo "vida" a muitas "desesperançadas" estrelas-do-mar. A exemplo daquele homem, temos ONG's, entidades filantrópicas e símiles, com benfeitores que têm abdicado de parcela de si mesmo em prol da dignificação do próximo e, aliados às ações afirmativas estatais (bolsa família – apesar de meramente paliativo, sistema de cotas...), têm buscado a integração dos excluídos (pobres em decorrência da desigualdade), através de projetos de repercussão local, regional, nacional e internacional, que visam dar oportunidades (desenvolvimento cultural, social e profissional). Contudo, frente à extensão da pobreza e da desigualdade mundiais, os atuais benfeitores não conseguem suprir as necessidades dos "encarcerados" pelas privações. Por isso, a "solução" está na conscientização de todos nós de que, para dar dignidade a estes, cada um de nós deve se imbuir do espírito daquele homem, devolvendo, ao "oceano", onde habita a oportunidade, os que de lá foram lançados fora pelo descaso humano.

.......................................... "It would be utopian to say that, in nowadays conjuncture, it is possible to level the ‘castes’ that prevail in all nations." One of the worst tragedies existing in humankind, since its creation is the "ghost of material privation". Years, centuries and millenniums have passed and the human beings have not moved forward: when they have "means", they lock themselves in a tower, with dark stained glass windows, as Foucault's panoptic, from where they can monitor other people from the distance without being seen. They do not even get down to the "cell" where the others are locked to offer them help. On the other side, when living in the "cells", they make up solutions for themselves and their "fellow sufferers", without however having the means for adequately making these solutions real. With this picture in mind, we can clearly visualize the miseries that place the humankind in the current chaos. The first and worst of them is the indifference from those who have the "Power". Those who live in the "tower" generally have the praxis of excessive usury and are extremely self-absorbed. In the same interim, there is another misery, which arises when the human being becomes idealist and altruist only when suffering privation and discomfort in "prison". When they ascend to the tower, the ideology and compassion are gone and they adopt the same indifference of the other ones who are there.

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There are a number of miseries that cast the humankind into the "well of inequality". However, these two wounds are notorious and incontestable. A fight against these wounds is the solution to many of the current evils, especially poverty and inequality, that imprison and vilipend the human race. It would be utopian to say that, in nowadays conjuncture, it is possible to level the "castes" that prevail in all nations. Had it been feasible, "misery" would not exist. However, I must refer to the parable about a man that went to the beach every morning and when he saw hundreds of starfishes cast up onto the shore, he would bring the maximum starfishes he could back to the ocean. We can learn some lessons from this story: the most important of them is that his action could not solve everyone's problems; however, the ones he could help did not die. Another lesson is that though he had few resources, he was not inert; he acted and thus could save the "life" of many "hopeless" starfishes. As if following that man's example, there are NGOs, philanthropic and similar foundations, with benefactors who have abdicated part of their lives in favor of dignifying a fellow-person and, together with governmental affirmative actions (bolsa família (family allowance) – though only a palliative quota system), have searched for integrating the excluded people (the poor ones as a result of inequality), through local, regional, national and international reach projects that aim to give those people opportunities, such as professional, social and cultural development). However, due to the world poverty and inequality dimensions, nowadays benefactors can not fulfill the needs of the privation suffering "prisoners". Therefore, the "solution" lies in the awareness of all of us, who, in order to dignify those people, should imbue ourselves with that man's spirit, giving back to the "ocean", where opportunity lies, the ones who were cast up onto the shore by human negligence.

.......................................... "Il serait utopique de notre part d'affirmer que dans l'actuelle conjoncture, il est possible de promouvoir le nivellement des "castes" qui prédominent dans toutes les nations" Certainement, l'une des plus grandes tragédies qui accablent l'humanité, depuis sa genèse, est le "fantasme de la privation matérielle". Des années, siècles, millénaires ont passé, et l'homme est resté au même point : quand il possède les "moyens", s'enferme dans une tour, aux vitraux "fumés", dans les moules du pan optique foucaldien, duquel, de loin, sans être vu, il fait Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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le monitorage d'autrui, sans jamais descendre à "cela", qui l'en prive, afin de lui apporter l'aide désirée ; de l'autre côté, quand il habite dans les "cellules", il idéalise des solutions pour lui et pour les "compagnons d'agonie", sans, cependant, avoir les moyens de les apporter, de manière satisfaisante à l'existence. Partant de ce point, nous visualisons clairement les malheurs qui placent l'humanité dans le chaos actuel, étant la première et la pire d'entre elles, l'indifférence de ceux qui détiennent le "Pouvoir". Ceux-ci, occupants de la "tour", ont, en général, l'habitude de l'usure et du "en soi même " exacerbés. Dans le même interim, nous avons la même plaie, qui s'érige de l'incidence de l'idéalisme et de l'altruisme seulement dans les moments de "prison", dans laquelle l'être se voit soumis à la privation et à l'inconfort. Lorsque se produit l'ascension à la tour, l'idéologie et la pitié s'évanouissent et l'ascendant prend la même posture d'indifférence des autres qui y sont. Nous avons "des milliers" d'autres malheurs qui lancent l'humanité dans le "puits de l'inégalité". Ainsi, ces deux plaies sont notoires et incontestées. D'où, habite dans leur combat la solution pour beaucoup de maux actuels, surtout la pauvreté et l'inégalité, qui emprisonnent et méprisent la race humaine. Il serait utopique de notre part d'affirmer que dans l'actuelle conjoncture, il est possible de promouvoir le nivellement des "castes" qui prédominent dans toutes les nations ". Réalisable en dehors de cela, il n'existerait pas de "misère". Il est donc nécessaire de reporter à la parabole qui raconte qu'un homme qui, le matin, visitait la plage, ou en se trouvant devant des centaines d'étoiles de mer, lancées hors des vagues, rendait à l'océan le maximum possible. De ce conte nous tirons quelques leçons : la plus importante d'entre elles est que, cette attitude ne résoudrait pas le problème de toutes, mais, serait la différence entre la vie et la mort pour que celle que le bienfaisant réussissait à aider ; l'autre leçon est que, malgré le peu de ressources, l'homme n'est pas resté inerte ; a agi, offrant la "vie" a de nombreuses étoiles de mer "désespérées". A l'exemple de cet homme, nous avons les ONG's, entités philanthropiques et analogues, avec des bienfaisants qui ont abdiqué d'eux-mêmes en faveur de la dignification du prochain et, alliés aux actions affirmatives de l'état (bourse famille - bien que purement palliatif, système de cotas...),ont cherché l'intégration des exclus (pauvres en conséquence de l'inégalité), au travers de projets de répercussion locale, régionale, nationale et internationale, visant à donner des opportunités (développement culturel, social et professionnel). Cependant, face à l'extension de la pauvreté et de l'inégalité mondiale, les actuels bienfaisants ne réussissent pas à remplir les besoins des "prisonniers" par les privations. Pour cela, la "solution" se trouve dans la prise de conscience de nous tous de laquelle, pour donner dignité à ceux-ci, chacun de nous doit imprégner l'esprit de cet homme, rendant à "l'océan", où habite l'opportunité, ceux qui de là ont été jetés dehors par négligence humaine.

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"Não dá para imaginar o país sem pobreza e desigualdade, sem partir de uma base bem estruturada."

Nathália Veríssimo da Silva

UNIPÊ – Centro Universitário de João Pessoa – PB

OS ALICERCES PARA UM PAÍS MAIS JUSTO São as milhões de crianças sem escolas e os milhões de analfabetos que fazem do Brasil um país onde a pobreza e a desigualdade prevalecem. Isso ocorre porque a educação brasileira está longe de atingir os padrões mínimos de qualidade necessários para que se possa diminuir a distância entre a elite e o povo. Um dos caminhos que irá satisfazer essa necessidade é o investimento em escolas de qualidade que ensinem o sentido de ser, de compreender e de fazer – de ser cidadão, formar indivíduos capazes de compreender e respeitar a sociedade e adquirindo conhecimentos indispensáveis às suas vidas e às mudanças sociais que todos desejam. As escolas, abrindo suas portas à comunidade, se colocam como exemplos de uma mobilização pela educação e pela cultura e ajudarão a vencer os obstáculos e dificuldades. Outro seria criar projetos de inclusão, para ressocializar presidiários ou dependentes químicos, incentivar jovens e crianças de ruas, pais sem oportunidade e pessoas carentes, dando-lhes chance e aproveitando todo o potencial existente neles; para que exponham suas habilidades, mostrem o que sabem fazer ou simplesmente para que aprendam e se ocupem de uma forma educativa e digna; pois a exclusão conduz a situações complicadas, como as que vivenciamos, com o aumento da violência urbana que vitimiza principalmente a juventude. Uma parceria entre a população e os representantes públicos – para melhorar a situação de muitas famílias, instituições carentes e comunidades, dando uma atenção maior ao primeiro emprego para que não continue aumentando o número de desempregados; fazendo uma distribuição de renda mais justa através de salários compatíveis; assistência social para atender a todos que vivem em situações precárias e, trabalhos voluntários cabendo à população uma visão humanitária de ajudar ao próximo – contribui tanto para dar frutos como para distribuí-los. Alguns projetos já estão postos em prática. O PROUNI (universidade para todos), criado no governo Lula, já é um avanço no setor da educação, abrindo espaço para estudantes de baixa renda a ingressar no ensino superior para profissionalização e socialização. São esses tipos de iniciativa que devemos usar Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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como exemplo: oferecer crescimento e diminuir a exclusão dos que precisam e não encontram alternativas. Não dá para imaginar o país sem pobreza e desigualdade, sem partir de uma base bem estruturada. Base construída com educação inteligente, oportunidade, respeito, companheirismo e coletividade, determinação e bom senso; com a vontade de querer transformar o Brasil em um país sensato, onde a exclusão e a pobreza não sejam mais faces comuns à maioria do povo, diminuindo a dimensão de alguns que possuem e outros que são desprovidos das condições básicas de desenvolvimento e sobrevivência.

.......................................... "We can not conceive a country without poverty and inequality, if we do not start from a well structured basis." THE FOUNDATIONS FOR A FAIRER COUNTRY Millions of children who do not study and millions of illiterate people turn Brazil into a country where poverty and inequality prevail. Such happens because Brazilian education is far from reaching the minimum standards of quality needed to shorten the distance between the elite and the people. One of the ways that will fulfill this need is the investment in schools of quality that will teach the sense of being, understanding and doing – being citizens, individuals who are able to understand and respect society, and acquire the knowledge that are essential to their lives and to the social changes that everyone wishes. If schools open their doors to the community they will be the examples of mobilization in favor of education and culture and will help in overcoming obstacles and difficulties. Another way could be the creation of inclusion projects to resocialise prisoners or substance dependents and encourage young people and homeless children, parents with no opportunities and destitute people, giving them opportunities and bringing out all the potential they have; so that they can show their abilities and what they can do or so that they can simply learn and occupy themselves in a dignifying and educational way. Exclusion leads people to difficult situations, as the ones we experience with the increase of the urban violence that especially victimizes the youth. A partnership between the population and public representatives – to improve the situation of many families, communities and institutions for destitute people, Unesco | Folha Dirigida

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paying special attention to the first employment, so that the number of unemployed people can decrease; making a just income distribution through compatible salaries; providing social assistance for the ones who live in precarious situations and promoting volunteering jobs, being the population responsible for having a humanitarian view of helping fellow-people – contributes for both yielding fruits and sharing them. Some projects have already become reality. The PROUNI (university for all), created under Lula government, is already an advancement in education. It opens the doors for low-income students to reach university for professionalization and socialization. These are kinds of initiatives that should be used as examples: the offer of growth and the decrease of the exclusion of those in need who can not find alternatives. We can not conceive a country without poverty and inequality, if we do not start from a well structured basis. A basis built upon with intelligent education, opportunity, respect, companionship and sense of collectiveness, determination and common sense; with the will of turning Brazil into a sensible country, where exclusion and poverty will not be common to most of the people, diminishing the dimension between the few who possess basic development and survival conditions and the others who are destitute of that.

.......................................... "On ne peut imaginer le pays sans pauvreté, sans partir d'une base bien structurée." LES FONDEMENTS POUR UN PAYS PLUS JUSTE Ce sont les millions d'enfants sans écoles et les millions d'analphabètes qui font du Brésil un pays ou la pauvreté et l'inégalité dominent. Ceci se produit car l'éducation est loin d'atteindre les modèles minima de qualité nécessaires pour pouvoir diminuer la distance entre l'élite et le peuple. L'un des chemins qui satisfera ce besoin est l'investissem*nt en écoles de qualité qui enseignent le sens d'être, de comprendre et de faire – d'être citoyen, former les individus capables de comprendre et respecter la société et faisant l'acquisition des connaissances indispensables à leurs vies et aux changements sociaux que tous souhaitent. Les écoles, ouvrant leurs portes à la communauté, se placent comme des exemples d'une mobilisation pour l'éducation et pour la culture et aideront à vaincre les obstacles et difficultés. L'autre serait de créer des projets d'inclusion, pour socialiser de nouveau les

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prisonniers ou dépendants chimiques, encourager les jeunes et les enfants des rues, les parents sans opportunité et les personnes nécessiteuses, en leur donnant la chance et profitant de tout le potentiel existant en eux; pour qu'ils exposent leurs habilités, montrent ce qu'ils savent faire ou simplement pour qu'ils apprennent et s'occupent de manière éducative et digne; car l'exclusion conduit à des situations compliquées, comme celles que nous vivons, avec l'augmentation de la violence urbaine qui frappe surtout la jeunesse. Un partenariat entre la population et les représentants publics – pour améliorer la situation de beaucoup de familles, institutions nécessiteuses et communautés, en donnant priorité au premier emploi pour que le nombre de chômeurs n'augmente pas; en faisant une distribution de revenus plus juste au travers de salaires compatibles; assistance sociale pour accueillir tous ceux qui vivent en situations précaires et, travaux volontaires incombant à la population une vision humanitaire d'aider son prochain – aide aussi bien à donner ses fruits qu'à les distribuer. Certains projets sont déjà mis en pratique. LE PROUNI (université pour tous), créé dans le gouvernement Lula, est déjà un progrès dans le secteur de l'éducation, ouvrant l'espace pour étudiants de revenu faible à entrer dans l'enseignement supérieur pour professionnaliser et socialiser. Ce sont ces genres d'initiatives que nous devons utiliser comme exemple: offrir la croissance et diminuer l'exclusion de ceux qui ont besoin et ne trouvent pas d'alternatives. On ne peut imaginer le pays sans pauvreté ni inégalité, sans partir d'une base bien structurée. Base construite avec éducation intelligente, opportunité, respect, camaraderie et collectivité, détermination et bon sens; avec la volonté de vouloir transformer le Brésil en un pays sensé, ou l'exclusion et la pauvreté ne soient plus les faces communes de la majorité du peuple, en diminuant la dimension de certaines qui possèdent et d'autres qui sont dépourvus des conditions basiques de développement et survie.

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"O que há de concreto é a escravização do outro, com a concentração, quase ‘atômica’, do conhecimento e do poder."

Omar Monção Ramos

Pontifícia Universidade Católica– PUC– Belo Horizonte – MG

Primeiro precisamos entender se pobreza e desigualdade guardam entre si uma relação de causa e conseqüência, pois sem uma definição precisa não encontraremos resposta a este questionamento. A pobreza gera desigualdade ou a desigualdade gera a pobreza? Ambos. Ser pobre em uma sociedade injusta não dará as mesmas oportunidades de se chegar onde se quer, salvo raríssimas exceções, e que as exceções não sejam a forma de mascarar esta diferença. Sempre se questiona: a pobreza é um problema a ser resolvido, a partir da qual, a solução, se beneficiariam todos, pobres e ricos. Entretanto o que se vê é um mundo excessivamente míope para esta questão onde se globaliza a idéia, porque é politicamente correto, e moderno, sem nenhuma concretude. Preocupam-se, apenas, com os respingos pútridos desta gente maltrapilha. O que há de concreto é a escravização do outro, com a concentração, quase "atômica", do conhecimento e do poder. Como, entretanto, "docilizar" o coração humano no sentido de desarmar o espírito de todos os que possuem dinheiro e, principalmente, poder na tentativa de minorar a distância entre os muito pobres e os muito ricos se o "coração" humano parece andar na contramão deste desejo, cada dia mais frio, mais distante, mais indiferente, mais concentrador e menos altruísta? Conseguiremos mudar um mundo em que o dinheiro fácil, sem qualquer preocupação com a sua origem (SE DE ÁRVORES CORTADAS ILEGALMENTE NA FLORESTA TROPICAL, SE ADVINDO DOS GRANDES GOLPES DOS "SÁBIOS" EXECUTIVOS, SE DO NARCOTRÁFICO...) ou o caráter daqueles que o amealham, leva à fama e à idolatria insana? Em que o ter se torna o ser e que o não ter torna o humano trapo, ou farrapo, restos para uma sociedade plutocrática? Conseguiremos, a partir do momento em que a "divisão do suor" se tornar mais equânime, a partir do momento em que as autoridades governamentais se preocuparem com o outro verdadeiramente, se entenderem que só possuem "poder", na posteridade, aqueles que se fazem justos no presente, pois os injustos se tornam, Joaquims Silvério dos Reis ( e não do povo), Judas Escariotes, Hitlers e muitos mais cujo espaço, se não fosse pela necessidade de criar o contraditório, nem estes teriam aqui. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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Não apenas salário, mas a possibilidade de ascensão decente atrai melhores mentes. O primeiro degrau social, às vezes, só se atinge através de benefícios sociais, como o Bolsa Família ou o ProUni. "Levar" o cidadão, da barriga à juventude, para uma escola em tempo integral que, mesmo estando longe de ser a ideal, manterá o cidadão "distanciado" do submundo. A atitude de pessoas famosas na "externação" e globalização da pobreza, as várias ONGs. Se os governantes fossem capazes de "canalizar" um percentual do cheque especial ou do cartão de crédito, sem qualquer ônus para a cadeia produtiva, poderíamos minimizar a pobreza e diminuir a distância, que neste instante pode ser medida em "anos-luz", entre os paupérrimos e os RIQUÍSSIMOS. Precisamos fissurar este átomo e gerar ondas concêntricas de conhecimento, megatons de justiça social e arranquemos dos tiranos este prazer mórbido, a perpetuação da injustiça, coloquemos peito afora, através da democracia, aquilo que lhes servem como instrumento de domínio, o poder e o conhecimento.

.......................................... "What is real is the enslavement of others, with the concentration, virtually "atomic", of knowledge and power." First we need to understand whether there is a cause and effect relation between poverty and inequality because without a precise definition we will not find an answer to this question. Does poverty cause inequality? Or does inequality cause poverty? Both. Someone who is poor in an unfair society will not have the same opportunities of achieving what he/she wants save for very rare exceptions, and that these exceptions are not a way of masking this difference. People always question themselves if when the problem of poverty is solved, everyone will benefit from it, whether poor or rich. However, what we can observe is an extremely short-sighted world regarding that question. This idea is globalized because it is politically correct and modern; however, nothing becomes a reality. They only worry about the putrid aspersions from these ragged people. What is real is the enslavement of others, with the virtually "atomic" concentration of knowledge and power. However, how can we make human heart docile and disarm the spirits of all of the people who have money and, mainly, power in order to try to shorten the distance between the poor and the rich if the human "heart" seems to be on the opposite direction of such desire, getting colder day after day, more distant, more indifferent, more concentrative and less altruist? Will we be able to change a Unesco | Folha Dirigida

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world in which people who get money easily, without worrying about its origin (WHETHER IT IS FROM ILLEGALLY CUT TREES IN A TROPICAL FOREST, WHETHER IT IS FROM A HUGE STROKE MADE BY THE "WISE" EXECUTIVES, WHETHER IT IS FROM NARCO-TRAFFICKING…) or about the character of those who collect it, become famous and are insanely adored? A world in which "having" becomes "being" and "not having" turns a person into a rag, a ragamuffin, ruins in a plutocratic society? We will be able to change it when the "share of labor sweat" becomes more impartial, when governmental authorities truly worry about the others, if they understand that only those who are fair at present will have "power" in posterity, since the unfair ones become Joaquims Silvério dos Reis (where, in Portuguese, "Reis" means "king" and not "people"), Judas Escariotes, Hitlers and many others who, as well as these ones, were not for the need of showing the contradictory, would not have space here. Not only salary, but the possibility of a decent growth attracts better minds. The first social step, sometimes, is only achieved through social benefits, as Bolsa Família (family allowance) or ProUni. "Taking" the citizens from the womb to the youthhood to a full-time school that, even far from being the ideal one, will maintain them "far" from the underworld. The attitude of famous people in the "exteriorization" and globalization of poverty, the several NGOs. If governors were able to "canalize" a percentage from special check or credit card, without any onus to the productive chain, we would be able to minimize poverty and shorten the distance between the very poor and the VERY RICH that, at the moment, can be measured by "light-year". We need to split this atom and generate concentric waves of knowledge, megatons of social justice and take such a morbid pleasure and the perpetuation of injustice out of the tyrants. Let's take out of their chest, through democracy, what is their instrument of dominance: power and knowledge.

.......................................... "Ce qu'il y a de concret c'est l 'esclavage de l 'autre, avec la concentration, presque "atomique", de la connaissance et du pouvoir." D'abord nous devons comprendre si la pauvreté et l'inégalité gardent entre elles un rapport de cause et effet, car sans une définition précise nous ne trouverons pas la réponse. La pauvreté génère inégalité ou inégalité génère pauvreté? Toutes les deux. Etre pauvre dans une société injuste ne donnera pas Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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les mêmes opportunités d'arriver ou l'on veut, sauf de très rares exceptions, et que les exceptions de soient pas de forme à masquer cette différence. On se demande toujours: la pauvreté est un problème à résoudre, à partir duquel, la solution, tous seront bénéficiés, pauvres et riches. Cependant, ce qui se voit est un monde excessivement myope sur cette question où se globalise l'idée, car c'est politiquement correct, et moderne sans aucune qualité concrète. Ils se soucient à peine, des éclaboussures pourries de ces personnes en guenilles. Ce qu'il y a de concret c'est l'esclavage de l'autre, avec la concentration, presque "atomique", de la connaissance et du pouvoir. Comme, cependant, "rendre docile" le coeur humain dans le sens de désarmer l'esprit de tous ceux qui possèdent de l'argent et, surtout, le pouvoir dans la tentative de réduire la distance entre les très pauvres et les très riches si le "coeur" humain semble marcher à contre sens de ce désir, chaque jour plus froid, plus distant, plus indifférent, plus concentrateur, et moins altruiste? Nous réussirons à changer le monde ou l'argent facile, sans aucune préoccupation de son origine (SOIT DES ARBRES COUPÉS ILLÉGALEMENT DANS LA FORET TROPICAL, SOIT DES GRANDS COUPS DES "SAGES" EXÉCUTIFS, OU DU TRAFIC DES DROGUES.) ou le caractère de ceux qui l'économisent, mène à la célébrité et à l'idolâtrie malsaine? Où l'avoir devient l'être et où le non avoir devient la guenille humaine, ou vêtement usé, restes pour une société plutocratique. Nous réussirons, à partir du moment ou la "division de la sueur" deviendra plus équitable, à partir du moment ou les autorités gouvernementales se préoccuperont vraiment de l'autre, comprendront qu'elles n'ont du "pouvoir", dans la prospérité, ceux qui se font justes au présent, car les injustes deviennent, Joaquims Silvério dos Reis ( et non pas du peuple), Judas Escariotes, Hitlers et beaucoup d'autres dot l'espace, si ce n'était pour la nécessité de créer le contradictoire, ni eux ne l'auraient ici. Pas seulement le salaire, mais la possibilité d'ascension décente attire les meilleurs esprits. Le premier degré social, parfois, ne s'atteint au travers de bénéfices sociaux, comme la Bourse Famille ou le ProUni. "Amener" le citoyen, du ventre de sa mère à la jeunesse, pour une école à temps complet qui, même loin d'être idéale, maintiendra le citoyen "à distance" du bas monde. L'attitude de personnes célèbres dans "externation" et la globalisation de la pauvreté, les différentes ONGs. Si les gouvernants étaient capables de "canaliser" un pourcentage de chèque spécial ou de carte de crédit, sans aucune taxe pour la chaîne productive, nous pourrions minimiser la pauvreté et réduire la distance, qui en ce moment peut être mesurée en "années-lumière", entre les pauvres et les RICHISSIMES. Nous devons fissurer cet atome et générer des vagues concentriques de connaissance, mégatons de justice sociale et arracher des tyrans ce plaisir morbide, la perpétuité de l'injustice, laissons aller, au travers de la démocratie, ce qui leur sert comme instrument de dominance, le pouvoir et la connaissance. Unesco | Folha Dirigida

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"A origem da pobreza brasileira não reside na escassez, absoluta ou relativa, de recursos, mas na magnitude e na permanência da desigualdade de renda..."

Patrício Aureliano Silva Carneiro

UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais – Belo Horizonte – MG

No discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, Jean-Jacques Rousseau a concebe de duas formas: a estabelecida pela natureza e a que depende de uma espécie de convenção ou, pelo menos, autorizada pelo consentimento dos homens. Esta última, principalmente a partir da década de 1960, se aprofundou no Brasil. Quatro fatores podem ser elencados como responsáveis pela sua construção e sustentação. O primeiro se refere à modernização seletiva da agricultura que atingiu somente as regiões com possibilidades de expansão em escala empresarial. Os créditos agrícolas e os subsídios fiscais foram direcionados apenas para a expansão de culturas de exportação nos cerrados, contemplando, tão somente, os poucos e grandes latifundiários. O resultado foi o comprometimento da produção de gêneros alimentícios básicos da sociedade brasileira. O segundo fator é a concentração da terra que contribui para a predominância da rigidez e das velhas oligarquias tradicionais, sempre bem situadas nas estruturas de poder. A concentração fundiária coincide com os locais destinados à pecuária extensiva para gado de corte e/ou às monoculturas exclusivistas (soja, cana-de-açúcar, eucalipto e algodão em especial), intensivas em insumos e capitais. A agricultura familiar, por sua vez, possui um perfil essencialmente distributivo: supre o mercado interno com produtos alimentares de baixo custo, além de ser, incomparavelmente, melhor em termos socioculturais e ambientais. O êxodo rural consiste no terceiro fator, pois a modernização da agricultura, ao reduzir, drasticamente, o acesso à terra, aumentou a instabilidade das ocupações agrícolas, impulsionando a migração rural-urbana que se dirigiu às periferias das áreas metropolitanas devido à especulação imobiliária. Por fim, deve-se destacar o privilégio das políticas governamentais à agricultura de exportação que, a pretexto da necessidade de uma balança comercial superavitária, incentiva o crescimento de um setor agropecuário que somente supre a nutrição animal em mercados externos e produz concentração da renda e da terra e elevados impactos ambientais e sociais.

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A origem da pobreza brasileira não reside na escassez, absoluta ou relativa, de recursos, mas na magnitude e na permanência da desigualdade de renda, forjada pelos fatores anteriormente citados. Em 2000, por exemplo, o Censo Demográfico do IBGE apontou que enquanto a parcela dos 50% mais pobres detinha 14% da renda total, esta mesma fatia era apropriada por somente 1% dos mais ricos. A desigualdade na distribuição de renda é o principal problema a ser enfrentado pelas políticas públicas. A dimensão social da pobreza e da desigualdade exige provisão imediata das necessidades básicas da população, avaliação séria e crítica acerca das políticas de incentivo à agricultura familiar, criação de estratégias para minorar o déficit habitacional no espaço urbano e efetivação de uma profunda reforma fundiária baseada numa revisão minuciosa dos títulos de propriedade. A redução dos níveis de pobreza é mais sensível às políticas redistributivas do que às de crescimento econômico. Apesar desta evidência, a experiência brasileira no combate à pobreza, até pouco tempo, adotou exclusivamente a via do crescimento econômico. O que nos permite compreender a sua ineficácia e o porquê do Brasil não ser um país pobre, mas de muitos pobres e extremamente desigual.

.......................................... "The origin of Brazilian poverty does not lie in the absolute or relative scarcity, but in the magnitude and permanency of income inequality…" In his discourse upon the origin and the foundation of inequality among humankind, Jean-Jacques Rousseau perceives it in two ways: one is established by nature and the other depends on the kind of convention or, at least, is authorized by people's consent. The latter was the one that was deepened in Brazil from 1960 on. Four factors can be held responsible for its origin and support. The first one is the selective modernization of agriculture that affected only areas with potential business expansion. Agricultural credits and fiscal subsidies were only directed to the expansion of exportation cultures in savannah grasslands, benefiting only the few and powerful latifundium owners. As a result, the production of Brazilian basic foodstuff was jeopardized. The second factor is the concentration of land, which contributes to the predominance of rigidity and the old traditional oligarchies, which are always well placed in the structures of power. The concentration of land coincides with Unesco | Folha Dirigida

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sites destined to the extensive raising of cattle for slaughter and/or to monoculture (especially soy, sugar cane, eucalyptus and cotton), which gets much input and capital. Family agriculture, though, is essentially distributive: it supplies the internal market with low cost food products, besides being incomparably better socioculturally and environmentally speaking. Rural-urban migration is the third factor. Since agriculture modernization dramatically decreased the access to the land, it increased the instability of agrarian occupations, stimulating rural-urban migration towards the suburbs of metropolitan areas due to real estate speculation. Finally, it is very worth mentioning the privilege of governmental politics to export agriculture, which, with the excuse of achieving a favorable balance of trade, encourages the growth of the agricultural and cattle raising sector that only supplies external markets with cattle food, generates income and land concentrations, and high social and environmental impacts. The origin of Brazilian poverty does not lie in the absolute or relative scarcity, but in the magnitude and permanency of income inequality, generated by the factors mentioned above. In 2000, for example, IBGE Demographic Census indicated that while 50% of the poorest people own 14% of the total income, 1% of the richest people owns the same 14%. Income distribution inequality is the main problem to be tackled by public policies. The social dimension of both poverty and inequality requires immediate provision of the population basic needs, serious and critical evaluation of the policies that stimulate the family agriculture, creation of strategies to diminish the housing deficit in urban areas and a deep agrarian reform based in a detailed review of property titles. The reduction of poverty levels is more sensitive to the redistributive policies than to the economical growth ones. In spite of such evidence, until some time ago, the Brazilian experience in tackling poverty solely adopted economical growth policies. We can understand its ineffectiveness and the reason why Brazil is not a poor country, but has a lot of poor people and is extremely unequal.

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"L'origine de la pauvreté brésilienne ne réside pas dans le manque, absolu ou relatif, de recours, mais dans la magnitude et la permanence de l'inégalité de revenus..." Dans le discours sur l'origine et les fondements de l'inégalité entre les hommes, Jean-Jacques Rousseau la conçoit de deux manières: celle établie par la nature et celle qui dépend d'une sorte de convention ou, du moins, autorisée par le consentement des hommes. Cette dernière, surtout à partir de la décade de 1960, s'est approfondie au Brésil. Quatre facteurs peuvent être choisis comme responsables de sa construction et soutien. Le premier concerne la modernisation sélective de l'agriculture qui a atteint seulement les régions ayant des possibilités sélectives d'agriculture ayant atteint les régions à possibilités d'expansion à échelle d'entreprise. Les crédits agricoles et les aides fiscales ont été orientées à peine sur l'expansion de cultures d'exportation dans les terrains denses, seulement, les grands exploitants peu nombreux. Le résultat a été l'engagement de la production de genres alimentaires basiques de la société brésilienne. Le deuxième facteur est la concentration de la terre qui a aidé à la prédominance de la rigidité et des vieilles oligarchies traditionnelles, toujours bien situées dans les structures de pouvoir. La concentration des terres coïncide avec les lieux destinés à l'élevage extensif pour le bétail de coupe et/ou aux monocultures exclusives (soja, canne à sucre, eucalyptus et coton spécialement), intensives en produits et capitaux. L'agriculture familiale, elle, possède un profil essentiellement de distribution: elles approvisionne le marché interne avec des produits alimentaires de coût peu élevé, en plus d'être, incomparablement meilleure en termes socio culturels et environnementaux. L'exode rural consiste en un troisième facteur, car la modernisation de l'agriculture, en réduisant, de manière extrême l'accès à la terre, a augmenté l'instabilité des occupations agricoles, encourageant la migration rurale urbaine qui s'est dirigée vers les périphéries des zones métropolitaines á cause de la spéculation immobilière. Enfin, on doit souligner le privilège des politiques gouvernementales à l'agriculture d'exportation qui, sous prétexte du besoin d'une balance commerciale positive, encourage la croissance d'un secteur agriculture élevage qui ne sert qu'à l'alimentation animale sur les marchés externes et produit une concentration de revenus et de des impacts environnementaux et sociaux élevés. L'origine de la pauvreté brésilienne ne réside pas dans le manque, absolu ou relatif, de recours, mais dans la magnitude et la permanence de l'inégalité de Unesco | Folha Dirigida

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revenus forgée par les facteurs antérieurement cités. En 2000, par exemple, le recensem*nt démographique de l' IBGE a montré que tandis que la parcelle des50% plus pauvres détenait 14% du revenu total, cette même tranche était appropriée par seulement 1% des plus riches. L'inégalité dans la distribution de revenu est le principal problème à affronter par les politiques publiques. La dimension sociale de la pauvreté et de l'inégalité exige provision immédiate des besoins de base de la population, évaluation sérieuse et critique des politiques d'encouragement à l'agriculture familiale, création de stratégies pour diminuer le déficit d'habitation dans l'espace urbain et l'effectuation d'une profonde réforme agraire basée sur la révision minutieuse des titres de propriétés. La réduction des niveaux de pauvreté est plus sensible aux politiques de nouvelle distribution que celles de croissance économiques. Malgré cette évidence, l'expérience brésilienne dans le combat à la pauvreté, jusque récemment, a adopté exclusivement la voie de la croissance économique. Ce qui nous permet de comprendre son inefficacité et pourquoi le Brésil n'est pas un pays pauvre, mais de nombreux pauvres et d'extrême inégalité.

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"As pessoas, quando decidiam ajudar alguém, na maioria das vezes o faziam esperando alguma espécie de recompensa, alguns desejando retorno financeiro e outros, ajuda espiritual ou algo semelhante."

Ranulfo Patury Correia

UEFS – Universidade Estadual de Feira de Santana – Feira de Santana – BA

POBREZA E DESIGUALDADE – A VERDADE POR TRÁS DA UTOPIA O sinal acabou de fechar. Rapidamente, algumas crianças que se encontravam na calçada caminham em direção aos carros. Uma delas, uma menina de aproximadamente 10 anos, dirige-se a um veículo de vidros fechados e, postando-se ao lado da janela do motorista, pede a este sua atenção. O homem, no entanto, nem parece perceber sua presença, mas na verdade apenas finge: está em outro mundo, e não tem interesse algum em maculá-lo com elementos de um mundo tão diferente do seu. O seu filho, porém, uma criança de apenas oito anos, que a tudo observava do banco de trás, sente-se compadecer por aquela pobre garotinha. Retirando do bolso algumas moedas, ele abaixa o vidro de seu lado, estende o braço para fora e chama a menina. Ela se aproxima e apanha as moedas. Durante alguns segundos seus olhares se cruzam. Ele nota como ela é bonita; se bem arrumada, com certeza faria bastante sucesso entre seus coleginhas de escola. Pego de surpresa pela atitude do filho, o homem ao volante sente vergonha de si mesmo e lembra de um tempo em que também era jovem e sonhava em mudar o mundo. Com o passar dos anos, porém, toda aquela indignação foi sendo aos poucos substituída pelo egoísmo e indiferença. E infelizmente, bastava uma rápida análise da situação atual para perceber que muitos haviam passado por essa mesma transformação. Não era à toa que as coisas estavam daquela maneira. Só se ouvia falar em projetos e mais projetos que raramente saíam do papel. E quando algum saía, era sempre cumprido com um caráter de obrigação e não dever. As pessoas, quando decidiam ajudar alguém, na maioria das vezes o faziam esperando alguma espécie de recompensa, alguns desejando retorno financeiro e outros, ajuda espiritual ou algo semelhante. Desta forma, o segredo para uma verdadeira mudança, percebia agora, estava nas crianças. Consistia em impedir que elas, ao crescerem, perdessem sua bondade e compaixão características. Em outras palavras, impedir que se tornassem adultos como ele. Este, Unesco | Folha Dirigida

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sem dúvida, seria o principal e mais difícil passo a ser dado para se acabar com toda esta injustiça. Mas depois dele o resto seria fácil, porque viria naturalmente, já que disporíamos então de uma sociedade composta por adultos virtuosos e pessoas de quem realmente poderíamos esperar alguma iniciativa. Só assim, um dia os projetos de que tanto falam seriam finalmente postos em prática, oportunidades surgiriam para todos e a miséria e a desigualdade certamente veriam seu reinado chegar ao fim. O sinal volta a ficar verde outra vez. As crianças se afastam, os carros partem. Enquanto o carro em que está aos poucos ganha velocidade, o menino olha para trás e vê, através do vidro traseiro do automóvel, uma simpática garotinha a lhe sorrir da calçada. Em silêncio, ele lhe deseja boa sorte.

.......................................... "When people decided to help someone, they were, most of the time, expecting some kind of reward. Some of them expected a financial reward while others expected a spiritual reward or something of the kind. POVERTY AND INEQUALITY – THE TRUTH BEHIND UTOPIA The traffic light has just turned red. Quickly, some children who were on the sidewalk get closer the cars. One of them, a girl about 10 years old, comes closer to a closed window car and, standing beside the driver's window, claims for his attention. However, he seems not to notice her, but in reality he just pretends so: he is in another world and has no interest in blemishing it with elements from a world that is too different from his. His son, however, a child of only eight years old, who observed everything from the rear seat, pities the poor girl. He takes some coins out of his pocket, opens the window next to him, pulls his arm out and calls the girl. She comes closer and picks up the coins. For some seconds their eyes meet. He notices her beauty; were she dressed up, she would attract his schoolmates' attention. Surprised at his son's attitude, the driver is ashamed of himself and remembers the time when he was also young and dreamed of changing the world. As years went by, however, all his indignation was little by little being replaced with selfishness and indifference. Unfortunately, a quick analysis of the current situation would make him realize that many had changed the same

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way. It was not for nothing that everything was like that. He had heard of a lot of projects that rarely were put into practice. And when any of them became reality, it was accomplished as an obligation and not as a duty. When people decided to help someone, they were, most of the time, expecting some kind of reward. Some of them expected a financial reward while others expected a spiritual reward or something of the kind. Thus he could then realize that the secret for a real change lay with the children. It consisted in preventing them from losing their characteristic kindness and compassion when they grew up. In other words, they should be prevented from turning into adults like him. That would definitely be the main and most difficult step to be taken in order to put a stop to all that injustice. After the first step though everything else would be easy because it would come naturally, since the society would consist of virtuous adults and people from whom we would really be able to expect some initiative. Only this way the projects that were so much spoken about would finally be put into practice, opportunities would come out to everyone and misery and inequality would certainly come to an end. The traffic light turns green again. The children step back and the cars start out. As the car he is in speeds up, the boy looks back and sees, through the rear window, a friendly little girl smiling at him from the sidewalk. He silently wishes her good luck.

.......................................... "Les personnes, quand elles décident d'aider quelqu'un, la plupart des fois le font en attendant une sorte de récompense, certains désirant un retour financier et d'autres, une aide spirituelle ou quelque chose de semblable." PAUVRETÉ ET INÉGALITÉ – LA VÉRITÉ DERRIÈRE L'UTOPIE Le feu est au rouge. Rapidement, quelques enfants qui se trouvaient sur le trottoir vont dans la direction des voitures. L'une d'elles, une fillette d'à peu près 10 ans, se dirige vers une voiture aux vitres fermées, et se mettant à côté de la fenêtre du chauffeur, lui demande son attention. L'homme cependant ne semble même pas s'apercevoir de sa présence, mais en réalité, fait à peine semblant: il est dans un autre monde, et n'a aucun intérêt à le tacher d'éléments d'un monde différent du sien. Son fils, cependant un enfant de huit ans, qui observait tout,

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assis derrière, s'apitoie sur la pauvre fillette. Prenant de sa poche quelques pièces de monnaie, il baisse la vitre de son côté, tend le bras et appelle la fillette. Elle s'approche et prend les pièces. Durant quelques secondes leurs regards se croisent. Il remarque comme elle est belle; si elle était bien habillée, certainement elle ferait assez de succès parmi ses petites collègues d'école. Pris de surprise par l'attitude de son fils, l'homme au volant a honte de luimême et se souvient du tout ou il était jeune et rêvait de changer le monde. Les années passant, cependant, toute l'indignation a été peu à peu remplacée par l'égoïsme et l'indifférence. Et malheureusem*nt, il suffisait d'une rapide analyse de la situation actuelle pour s'apercevoir que beaucoup étaient passé par cette même transformation. Ce n'était pas par hasard que les choses étaient ainsi. On n'entendait parler que de projets et encore de projets qui rarement sortaient de la feuille de papier. Et lorsqu'un projet en sortait, il était toujours fait avec une sorte d'obligation et non de devoir. Les personnes, quand elles décidaient d'aider quelqu'un, la plupart des fois le faisaient en attendant une sorte de récompense, certains désirant un retour financier et d'autres, une aide spirituelle ou quelque chose de semblable. Ainsi, le secret d'un véritable changement, s'en apercevait maintenant, se trouvait chez les enfants. Il consistait e les empêchant, quand ils grandissent de perdre leur bonté et pitié caractéristiques. En d'autres termes, empêcher qu'elles deviennent adultes comme lui. Ce serait sans doute le principal et plus difficile pas à faire pour en finir avec l'injustice. Mais après lui, le reste serait facile, car il viendrait naturellement, puisque nous disposerions alors d'une société composée d'adultes vertueux et de personnes desquelles nous pourrions vraiment attendre une initiative. Seulement de cette forme, un jour les projets dont ils parlent tant, seraient finalement mis en pratique, des opportunités surgiraient pour tous et la misère et l'inégalité verraient certainement leur règne arriver à leur fin. Le feu passe au vert de nouveau. Les enfants s'éloignent, les voitures partent. Tandis que la voiture où il se trouve va plus vite, le gamin regarde en arrière et voit dans la vitre arrière de la voiture, une fillette sympathique qui lui sourit sur le trottoir. En silence, il lui souhaite bonne chance.

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“Com o passar do tempo, a 'inteligência' superior humana que antes nos distinguia dos primatas está cada vez mais condenando essa raça a total extinção”

Raquel Santos Souza

UVA – Universidade Veiga de Almeida – Rio de Janeiro – RJ

REESCREVENDO O FUTURO A evolução da raça humana deu-se de modo gradual e adaptativo. Com os seres humanos no ápice da cadeia evolutiva, no auge das grandes descobertas cientificas e no embate sobre o desenvolvimento sustentável versus meio ambiente, é estarrecedor assistir como mero espectador em um palco que já deixou de ser iluminado, à morte de milhares de pessoas em decorrer da fome e das guerras no mundo. Com o passar do tempo a "inteligência" superior humana que antes nos distinguia dos primatas, está cada vez mais condenando essa raça à total extinção. Em um mundo tão vasto em diversidade, riquezas minerais, terra produtivas, exportações gigantescas de gêneros alimentícios, é praticamente impossível que a maioria da população veja seus sonhos destruídos, seus filhos mortos em função de um poder público ambicioso e impune. A única verdade que cerca a humanidade é a realidade, nua e crua estampada todos os dias em diversos meios de comunicação, mas que se tornam somente mais uma notícia sem importância e as pessoas por si só fecham seus olhos para esse quadro penalizante. O que deveria ser feito? Como mudar seria viver em mundo mais digno? No tão sonhado "mundo melhor"? Antigas gerações queriam mudar o mundo e hoje ao longo dos anos o que fica claro é que conseguiram, e o planeta Terra encontra-se à beira do caos político, e principalmente ambiental que pode levar mais alguns milhares de vida ou até a total extinção de todas as espécies viventes. Junto com o declínio dos homens, a pobreza que vem se espalhando como uma peste por todo o mundo torna-se uma das conseqüências principais e com ela a violência que é um impacto mais do que esperado. A mudança poderia ser demasiadamente difícil ou até para alguns impossível, mas uma raça tão superior, tão avançada cientificamente não conseguiria deixar de lado suas a ambições que cercam o mundo globalizado? O egoísmo que infelizmente se enraizou na alma humana? Sem dúvidas a resposta é positiva, a miséria e a desigualdade avançam. E não tem de ser assim, pode-se criar Unesco | Folha Dirigida

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uma nova realidade. Haverá um futuro mais feliz e equilibrado se os homens começarem a pensar em seus sucessores, seus filhos, seus netos, que tipo de vida eles terão? E que qualidade? Afinal se todos os recursos existentes se esgotarem estourará uma guerra infindável. Reescrever o futuro pode parecer algo difícil e para alguns não existe mais tempo, contudo a visão de tantas pessoas sendo castigadas pela fome, pelas injustiças sociais e pela miséria não podem continuar é preciso qualificar atitudes. Existem recursos para isso, nosso planeta produz muito mais do que o suficiente para alimentar todas as pessoas que nele habitam essas vidas não podem se perder a custo de bilhões e bilhões de dólares que ao final, quando não houver mais um caminho de volta, será apenas papel colorido. O futuro desta raça está à espreita, andando a galope prestes a enredar a todos em seus planos, cabe aos homens que aqui vivem começar a reescrever uma nova história, um novo futuro, dando um novo significado á vida, a humanidade que sempre existiu, mas se tornou esquecida, encoberta pela impunidade, pela ambição. Mudar o mundo nunca será uma tarefa simples, como a evolução se deu de forma gradual e adaptativa, antigos valores devem ser revistos e assim o desenvolvimento econômico levará em conta o impacto no ambiente e na sociedade, mudando uma realidade cruel, e transformando o mundo em um lugar socialmente mais justo, culturalmente aceito e viável economicamente. O futuro começa agora.

.......................................... “As time passes by, the superior human "intelligence" that before had distinguished us from the primates is condemning our species to a complete extinction” REWRITING THE FUTURE The evolution of the human race came about in a gradual and adaptive way. With the human beings at the top of the evolutionary chain, at the peak of the great scientific discoveries and the clash of sustainable development versus environment, it is astonishing to watch as a mere spectator in a stage which is no longer illuminated, the death of millions of people due to hunger and the wars of the world. As time went by, the human superior "intelligence" which used to distinguish us from the primates, is more and more condemning this race to total extinction. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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In a world so vast in diversity, mineral riches, productive land, gigantic exportation of food products, it is practically impossible that the majority of the population sees its dreams destroyed, its children dead as a result of an ambitious and unpunished public power. The only truth about humanity is the reality, nude and crude, stamped every day in the several communication means, but which only come out to be just one more unimportant new and the people only close their eyes to this penalizing scenery. What should be done? How to change to live in a more condign world? To the so-dreamed "better world"? Past generations wanted to change the world and today, as the years went by, it is clear that they achieved it, and the planet Earth is on the verge of political and, specially, environmental chaos which can take even more millions of lives or lead to the total extinction of all living species. Along with man's decline, the poverty which has been spreading throughout the world like a pest comes out to be one of the main consequences and, with it, the violence which is a more than the expected impact. The change could be extremely difficult or even impossible for some, but couldn't such a superior race, so scientifically advanced, put aside its ambitions which envelop the globalized world? The selfishness which, unfortunately, took roots in the human soul? No doubt the answer is positive, misery and inequality increase. And it doesn't have to be like that, a new reality can be created. Will there be a happier and more balanced future if man starts to think of his successors, his children, his grandchildren, what kind of life will they have? And with what quality? After all, if all the existing resources are exhausted, an endless war will break out. To rewrite the future may seem something difficult and, for some, there is no more time; however, the sight of so many people suffering starvation, social injustices and misery cannot go on, it is necessary to qualify attitudes. There are resources for that, our planet produces much more than enough to feed all the people who inhabit it; these lives cannot be lost at the cost of billions and billions of dollars which, in the end, when there will be no way to return, will be merely colored paper The future of this race is at the watch, galloping, ready to entangle everyone in its plans, and it is up to the men who live here to start to rewrite a new story, a new future, giving a new meaning to life, to humanity that has always existed but has been forgotten, covered up by impunity, by ambition. To change the world will never be a simple task; since evolution took place in a gradual and adaptive way, old values have to be reviewed and thus the economical development will have to take in consideration the impact in environment and society, changing the cruel reality and transforming the world in a socially more fair place, culturally accepted and economically viable. The future starts now.

.......................................... Unesco | Folha Dirigida

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“Au fil du temps, l'"intelligence" supérieure humaine, qui depuis toujours nous distingue des primates, est de plus en plus en train de condamner cette race à l'extinction totale” RÉ ÉCRIVANT L'AVENIR L'évolution de la race humaine s'est faite de façon graduelle et adaptée. Avec les êtres humains à l'apogée de la chaîne évolutive, à l'apogée des grandes découvertes scientifiques et dans choc sur le développement durable, il est effrayant d'assister en tant que simple spectateur sur une scène non plus illuminée, à la mort de milliards de personnes causée par la faim et des guerres dans le monde. Le temps passant, l'"intelligence" supérieure humaine qui avant nous distinguait des primates, condamne chaque fois plus cette race à totale extinction. Dans un monde si vaste en diversité, richesses minérales, terres productives, exportations gigantesques de produits alimentaires il es pratiquement impossible que la majorité de la population voit ses rêves détruits, ses enfants morts en fonction d'un pouvoir public ambitieux et impuni. La seule vérité qui entoure l'humanité est la réalité, nue et crue affichée tous les jours dans différents moyens de communication, mais qui devient seulement une nouvelle sans importance et les personnes elles-mêmes ferment les yeux sur ce cadre pénalisant. Qu'est-ce qui devrait être fait? Comment changer serait vivre dans un monde plus digne? Dans le tant rêvé "monde meilleur"? D'anciennes générations voulaient changer le monde et aujourd'hui au fil des années ce qui est clair est qu'elles y ont réussi et la planète Terre se trouve au bord du chaos politique, et surtout environnemental pouvant prendre quelques milliards de vie ou même la totale extinction de toutes les espèces vivantes. En même temps que le déclin des hommes, la pauvreté qui se répand comme une peste dans le monde devient l'une des conséquences principales et avec elle la violence qui est un impact plus qu'attendu. Le changement pourrait être trop difficile ou même impossible pour certains, mais une race si supérieure, si avancée scientifiquement ne réussirait pas à laisser de côté ses ambitions qui marquent le monde globalisé? L'égoïsme qui malheureusem*nt s'est enraciné dans l'âme humaine? Sans doute la réponse est positive, la misère et l'inégalité avancent. Et cela ne peut être ainsi, on peut créer une nouvelle réalité. Il y aurait un avenir plus heureux et équilibré si les hommes commençaient à penser à leurs successeurs, leurs enfants, leurs petit* enfants, quelle genre de vie auront-ils? Et de quelle qualité? Finalement tous les recours existants étant épuisés une guerre permanente éclatera.

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Réécrire l'avenir peut paraître quelque chose de facile et pour certains il n'y a plus de temps, cependant la vision de tant de personnes étant punies par la faim, par les injustices sociales et par la misère ne peuvent pas continuer et il faut qualifier les attitudes. Il existe des recours pour cela, notre planète produit beaucoup plus que le suffisant pour nourrir toutes les personnes qui y habitent, leurs vies ne peuvent se perdre aux dépens de milliards et de milliards de dollars qui en fin de compte, quand il n'y aura plus de chemin de retour, sera simplement une feuille de papier en couleur. L'avenir de cette race est en vigile, marchant au galop prêt à capturer tout le monde dans leurs plans, il incombe au hommes qui vivent ici de commencer à ré écrire une nouvelle histoire, un nouvel avenir, donnant une nouvelle signification à la vie, l'humanité qui a toujours existé, mais est devenue oubliée, couverte par l'impunité, par l'ambition. Changer le monde ne sera jamais une tâche simples, comme l'évolution s'est faite de façon graduelle et adaptée, les anciennes valeurs doivent être revues et ainsi le développement économique prendra en compte l'impact sur l'environnement et dans la société, changeant une réalité cruelle, et transformant le monde en un endroit socialement plus juste, culturellement accepté et viable économiquement. L'avenir commence maintenant.

Unesco | Folha Dirigida

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"...não há como estabelecer grau de culpa quando todos somos culpados. Nem bradar contra a pobreza e a desigualdade enquanto os braços permanecerem cruzados."

Renato Alves e Silva

UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

VIAGEM INTERIOR: UMA REFLEXÃO SOBRE COMO VENCER A POBREZA E A DESIGUALDADE Era uma sexta-feira chuvosa. Estava no ponto esperando o ônibus para o trabalho. De repente, ouço um homem divagar sobre a existência de Deus. Havia muita indignação no seu discurso. Expunha ceticismo na divindade e colocava em xeque as instituições religiosas, segundo ele fonte de enriquecimento pessoal para determinados grupos. Fiquei incomodado com a contundência das declarações e ao voltar-me para o interlocutor, percebi que se tratava de um mendigo que toda noite dormia na esquina da minha rua. Por um instante recuei no meu primeiro juízo, mergulhando num profundo processo de reflexão. Crise de consciência? Culpa social? Desconforto moral? Percebi que o dia não seria mais o mesmo. Sim, o homem tinha todos os motivos do mundo para duvidar das instituições humanas. Desassistido em todas as suas necessidades primárias, qualquer que fosse a origem da sua indigência, nada mais coerente do que manifestar sentimentos como desconfiança e descrença em relação ao mundo. Na minha mente um questionamento delineou-se e ganhou força na forma de uma pergunta: como vencer a pobreza e a desigualdade? Dois grandes males tão atrelados como o núcleo de um átomo e os elétrons que giram incansáveis ao seu redor. A desigualdade, oriunda da partilha desproporcional dos recursos postos gratuitamente no planeta e que bastariam para suprir às demandas de toda nossa espécie, desponta como a progenitora da pobreza, flagelo excludente que mina as forças e a dignidade dos que sentem na carne e na alma seu toque nefasto. Sintetizando, a primeira a causa e o segundo o efeito, ambos legados pela mesquinhez dos homens. Diante desse quadro aterrador, qual seria minha participação na proliferação da pobreza e da desigualdade? As palavras do mendigo que havia deixado pra trás no ponto de ônibus seguiam viagem comigo.

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Aos governos cabe a gestão dos recursos gerados pela arrecadação de impostos. Tais recursos deveriam ser investidos maciçamente na educação, aumentando a capacitação dos cidadãos e ampliando seu horizonte profissional. Este contingente de pessoas esclarecidas e conscientes dos seus direitos, estaria inclinado a lutar por seus direitos e galgar uma posição na pirâmide social. Por outro lado, o suporte intelectual por si só não concederia subsídios suficientes para se criar um mundo livre da pobreza e da desigualdade. Uma outra motivação, de cunho mais simples, ainda seria exigida para extirpar essas ervas daninhas: o amor ao próximo. Pode parecer piegas, mas qual a melhor maneira de se detectar os problemas daqueles que estão ao nosso redor do que se colocando no lugar do outro. Antes de abrir as mentes para o conhecimento deveríamos abrir os corações por um instante. O esforço seria menos dispendioso e o resultado mais imediato. A partir desse ponto de vista, pude enfim esboçar o início da solução do impasse: não há como estabelecer grau de culpa quando todos somos culpados. Nem bradar contra a pobreza e a desigualdade enquanto os braços permanecerem cruzados. Antes de cobrar dos que se apropriaram da maior "fatia do bolo", é preciso saber dividir a nossa fração, por menor que ela seja. O ônibus chega no ponto final. Acho que encontrei meu ponto de partida.

.......................................... "...there is no way to determine the degree of guilt when we are all guilty. Nor yell against poverty and inequality when arms remain crossed." INNER VOYAGE: A REFLECTION ON HOW TO WIN POVERTY AND INEQUALITY It was a rainy Friday. I was at the bus stop waiting for the bus to go to work. Suddenly, I heard a man digressing on the existence of God. There was a lot of resentment in his speech. He showed asceticism about divinity and put the religious institutions in check – according to him, the source of personal enrichment for certain groups. I was bothered by the aggressiveness in his statements and when I turned to look at the speaker I noticed he was a beggar who sleeps every night on the corner of the street where I live. For a moment, I retreated in my first judgment, diving deep in a process of reflection. Conscience crisis? Social guilt? Moral unease? I noticed the day would no longer be the same. Unesco | Folha Dirigida

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Yes, the man had all the reasons in the world to doubt the human institutions. Unassisted in all his primary needs, whatever the source of his indigence, nothing more coherent than to show feelings such as distrust and disbelief in relation to the world. In my mind, a question began to take form and gained strength: how to win poverty and inequality? Two great evils are linked like the nucleus of an atom and the electrons that tirelessly spin around it. Inequality, resulting from the disproportional distribution of the resources placed freely in the planet and which would be enough to satisfy the demands of all our species, stands out to be the mother of poverty, an excluding flagellum which mines the strength and dignity of those who feel in their flesh and soul its disastrous touch. In summary, the first is the cause and the second the effect, both bequeathed by man's avarice. In face of this terrifying picture, what would be my part in the proliferation of poverty and inequality? The beggar's words I had left behind at the bus stop followed me in my journey. It is the governments' duty to manage the resources resulting from tax collection. Such resources should be massively invested in education increasing the citizens' capabilities and amplifying their professional horizons. This contingent of people, instructed and aware of their rights, would be inclined to fight for these rights and climb to a higher position in the social pyramid. On the other hand, the intellectual support for itself would not provide enough assistance to create a world free of poverty and inequality. Another motivation, of a more simple nature, would still be necessary to root out these venomous plants: the love for your neighbor. It might sound trifle, but what is the best way to detect the problems of those who are around us than to put ourselves in their places? Before opening our minds to knowledge, we should open our hearts for a moment. The effort would be less expensive and the result more immediate. From this point of view, I could finally outline the beginning of the solution for this dilemma: there is no way to determine the degree of guilt when we are all guilty. Nor yell against poverty and inequality when arms remain crossed. Before charging those who took the largest "piece of the cake", it is necessary that we know how to divide our share, for as small as it may be. The bus arrives at the final stop. I think I found my starting point.

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"...Il n'est pas possible d'établir un degré de faute alors que tous sont coupables. Ni en criant contre la pauvreté et l 'inégalité tandis que les bras restent croisés." VOYAGE INTÉRIEUR: UNE RÉFLEXION SUR VAINCRE LA PAUVRETÉ ET L'INÉGALITÉ C'était un vendredi pluvieux. J'attendais l'autobus pour aller au travail. Soudain, j'entends un homme divaguer sur l'existence de Dieu. Son discours était plein d'indignation. Il exposait du scepticisme dans la divinité et plaçait en échec les institutions religieuses, selon lui source d'enrichissem*nt personnel pour des groupes déterminés. Je me suis senti gêné par l'agressivité des déclarations et en me tournant vers l'interlocuteur, je m'aperçus que c'était un mendiant qui dormait toutes les nuits au coin de ma rue. Pendant un instant je revins à mon premier jugement, plongeant dans un profond processus de réflexion. Crise de conscience ? Faute sociale? Inconfort moral? Je vis que ma journée ne serait plus la même. Oui, l'homme avait toutes les raisons du monde pour douter des institutions humaines. Mal aidé dans tous ses besoins primaires, quelle que soit l'origine de son indigence, rien de plus cohérent que de manifester des sentiments comme la méfiance et la non croyance par rapport au monde. Dans mon esprit un questionnement se traça et gagna force sous la forme d'une question: comment vaincre la pauvreté et l'inégalité? Deux grands maux si attachés comme le noyau d'un atome et les électrons qui tournent inlassablement autour de lui. L'inégalité, originaire du partage disproportionné des recours placés gratuitement sur la planète et qui suffiraient pour répondre aux demandes de toute notre espèce, rappelle comment la progéniture de la pauvreté, calamité qui exclut qui mine les forces et la dignité de ceux qui entent dans la chair et dans l'âme leur aspect néfaste. En synthèse, la première la cause et le second l'effet, tous deux hérités de la mesquinerie des hommes. Face à ce cadre terrorisant, quelle serait ma participation dans la prolifération de la pauvreté et de l'inégalité? Les paroles du mendiant que j'avais laissé derrière à l'arrêt de l'autobus continuaient le voyage avec moi. Il incombe aux gouvernements la gestion des recours produits par le recueil des impôts. Ces recours devraient être investis en masse dans l'éducation, augmentant la capacité des citoyens et amplifiant leur horizon professionnel. Ce contingent de personnes cultivées et conscients de leurs droits serait incliné à

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transposer une position dans la pyramide sociale. De l'autre côté, le support intellectuel en lui-même ne concéderait pas d'aides suffisantes pour créer un monde libre de pauvreté et inégalité. Une autre motivation, d'origine plus simple, serait encore exigée pour extirper ces mauvaises herbes: l'amour du prochain. Cela peut sembler une bagatelle, mais quelle est la meilleure manière de détecter les problèmes de ceux qui nous entourent que de se mettre à leur place. Avant d'ouvrir les esprits pour la ce résultat plus immédiat. A partir de ce point de vue, j'ai pu enfin ébaucher le début de la solution de l'impasse: il n'est pas possible d'établir un degré de faute alors que tous sont coupables, ni en criant contre la pauvreté et l'inégalité tandis que les bras restent croisés. Avant d'exiger de ceux qui s'approprient de la plus grande "part du gâteau", il faut savoir partager notre part, si petite soit-elle. L'autobus arrive au point final. Je crois que j'ai trouvé moins de départ.

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"Nesta revolução social a educação, pública e de qualidade, assume papel preponderante, vez que é o veículo de transformação..."

Ricardo Eichler Bailly

UniRio Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

COMO COMBATER A POBREZA E A DESIGUALDADE Sintomas de uma sociedade global simultaneamente individualista e intrinsecamente coletiva, a pobreza e a desigualdade não são mazelas modernas, pelo contrário, são constantes e resultantes do processo histórico de formação dessa grande comunidade de homens chamada humanidade. Educação, vontade política e solidariedade certamente impõem-se como as palavras de ordem no combate a tais problemas. Nesta revolução social a educação, pública e de qualidade, assume papel preponderante, vez que é o veículo de transformação e meio através do qual poderemos incluir os menos favorecidos, dotando-os de efetiva igualdade de oportunidades, calcada em seu preparo profissional-acadêmico e em sua conversão em cidadãos virtuosos: ciosos de seus direitos e conscientes de seus deveres. Nesse diapasão, faz-se igualmente necessária uma política de desenvolvimento das potencialidades econômicas regionais, com enfoque na inclusão ao mercado de trabalho dos agentes econômicos mais frágeis através do fomento à criação de cooperativas. Desta forma dá-se a aplicação da famosa máxima "pense globalmente e aja localmente", encarando as comunidades como átomos de um organismo maior, leia-se nacional, global. Ainda no que diz respeito a um desenvolvimento sócio-econômico justo retornamos ao ponto já bastante debatido da reforma agrária. Faz-se mister que tal reforma seja implementada, nas terras devolutas e improdutivas, de forma responsável e duradoura, com amplo auxílio governamental durante os primeiros anos de assentamento das famílias, objetivando o verdadeiro sucesso da empreitada, o que significa maior produção alimentícia, mais renda e ocupação digna. Pensando no futuro e na sustentabilidade das melhorias propostas há que se realizar um sério programa de conscientização no seio das famílias quanto ao planejamento familiar, tema importantíssimo em um mundo cada vez mais super populoso e carente de recursos naturais. Poder-se-ia, desta forma, concentrar tempo e recursos paternos em um crescimento mais adequado com relação às necessidades das crianças, par e passo com um modelo de desenvolvimento Unesco | Folha Dirigida

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sustentável, comprometido com a preservação do meio ambiente. O princípio da solidariedade, por fim, revela-se de suma importância no quadro da consciência coletiva de um agrupamento de seres sociais. Na formação de tal consciência deve figurar com destaque a solidariedade que criará na sociedade a cultura da ajuda ao próximo, ao mais necessitado e ao mais fraco, impulsionando seu progresso, e conseqüentemente, a evolução de toda a coletividade, criando assim um ciclo ininterrupto de desenvolvimento. Para a efetiva adoção de todos os avanços supracitados urge que nossos legítimos representantes, pressionados pelos cidadãos, tenham vontade política e compromisso social, agindo de forma pragmática e contínua. Além de formar cidadãos, deve-se priorizar incutir nas crianças desde cedo, através de sua educação, a solidariedade humana, a ética, o respeito pelo próximo e a responsabilidade social como valores basilares de uma sociedade fraterna, democrática e igualitária, mas também plural, onde prevaleça o respeito e o auxílio mútuo.

.......................................... "In this social revolution, public education with quality, takes up a prevalent role since it is a vehicle of transformation..." HOW TO FIGHT POVERTY AND INEQUALITY Symptoms of a global society, simultaneously individualistic and intrinsically collective, poverty and inequality are not modern diseases, on the contrary, they are constant and resulting from the historical process of the formation of this large community of men called humanity. Education, political will and solidarity can certainly be established as words of command in the combat against such problems. In this social revolution, public education with quality takes up a prevalent role since it is a vehicle of transformation and a means through which we can include those less favored, endowing them with an effective equality of opportunities based on their academic-professional competence and their conversion into virtuous citizens: mindful of their rights and aware of their duties. By these standards, a policy for the development of regional economical potentials is equally necessary, focusing on the inclusion of the most fragile economical agents in the labor market through the encouragement for the creation of cooperatives. This way, the famous maxim "think globally and act locally" is applied, looking at the communities as atoms of a larger organism, to be read as national, global. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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Still in respect to a socio-economic development, it is fair to return to a point already quite debated, the agrarian reform. It is urgent that such reform is implemented in unoccupied and nonproductive lands, in a responsible and lasting way, with ample governmental aid during the first years of settlement by the families, aiming at a true success of the task, which means greater production of food, more income and respectable occupation Thinking of the future and of the sustainability of the best propositions, a serious program should be carried out for the awareness of families as to family planning, a very important theme in a world increasingly over-populated and short of natural resources. This way, time and paternal resources could be concentrated in a more appropriate growth as far as children's needs are concerned, par and pace with a model of sustainable development engaged in environmental preservation. At last, the principle of solidarity is revealed as extremely important in the collective awareness scenery of the assembly of social beings. In the formation of such awareness, it should be outstanding the solidarity, which will create in society a culture of helping neighbors, the more needed and weaker, stimulating his progress and, consequently, the evolution of the whole community thus creating an uninterrupted cycle of development. For the effective adoption of all the above mentioned advances, it is urgent that our legitimate representatives, pressed by the citizens, have political will and social compromise acting in a pragmatic and continuous way. Besides forming citizens, priority should be given to instilling in the children, from very early, through education, human solidarity, ethics, respect for the neighbor and social responsibility as basic values of a fraternal, democratic and equalitarian society but also plural where mutual respect and help prevail.

.......................................... "Dans cette révolution sociale l'éducation publique et de qualité, assume le rôle prépondérant, puisqu'elle est le véhicule de transformation..." COMMENT COMBATTRE LA PAUVRETÉ ET L'INÉGALITÉ Symptômes d'une société globale simultanément individualiste et intrinsèquement collective, la pauvreté et l'inégalité ne sont pas des malheurs modernes, au contraire, sont constantes et résultantes du processus historique Unesco | Folha Dirigida

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de formation de cette grande communauté d'hommes appelée humanité. Education, volonté politique et solidarité s'imposent certainement comme les mots d'ordre dans le combat à ces problèmes. Dans cette révolution sociale l'éducation, publique et de qualité, assume le rôle prépondérant, puisqu'elle est le véhicule de transformation et moyen à travers duquel nous pourrons inclure les moins favorisés, en les dotant d'égalité effective d'opportunités, calquée sur sa préparation professionnelle et académique et dans leur conversion en citoyens vertueux: attentifs á leurs droits et conscients de leurs devoirs. Sur ce diapason, se fait également nécessaire une politique de développement des potentialités économiques régionales, ciblées sur l'inclusion dans le marché du travail des agents économiques plus fragiles au travers de l'encouragement à la création de coopératives. De cette forme se fait l'application du fameux proverbe "penser globalement et agir localement", considérant les communautés comme des atomes d'un organisme plus grand, on lit national, global. Et pour ce qui concerne un développement socio économique juste nous revenons au point déjà assez débattu de la réforme agraire. Il est urgent de mettre en action cette reforme, dans les terres désoccupées et improductives de forme responsable et durable, avec une grande aide gouvernementale pendant les premières années de registre des familles, visant le vrai succès de l'entreprise, ce qui signifie une plus grande production alimentaire, plus de revenu et une occupation digne. Pensant au future et à la durabilité des améliorations proposés, il faut réaliser un sérieux programme de prise de conscience au sein des familles en ce qui concerne la planification familiale, thème très important dans un monde chaque fois plus super peuplé et nécessiteux de ressources naturelles. On pourrait ainsi concentrer temps et recours de la patrie en une croissance plus adéquate par rapport aux besoins des enfants, au rythme d'un modèle de développement durable, engagé dans la préservation de l'environnement. Le principe de solidarité, enfin, se révèle d'une extrême importance dans le cadre de la conscience collective d'un groupement d'êtres sociaux. Dans la formation de cette conscience doit figurer en relief la solidarité qui créera dans la société la culture d'aide au prochain, au plus nécessiteux et au plus faible, encourageant son progrès et en conséquence, l'évolution de toute la collectivité, créant ainsi un cycle ininterrompu de développement. Pour l'adoption effective de tous les progrès il est urgent que nos représentants légitimes pressionnés par les citoyens, aient la volonté politique et l'engagement social, agissant de manière pragmatique et continue. En plus de former es citoyens, on doit prioriser le fait d'inspirer les enfants très tôt, au travers de l'éducation, à la solidarité humaine, l'éthique, le respect du prochain et la responsabilité des valeurs fondamentales d'une société fraternelle, démocratique et égalitaire, mais aussi plurielle, où dominent le respect et l'aide mutuelle.

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"...aprecie o gosto de igualdade e de liberdade do bolo, o gosto da segurança, o gosto do bem-estar comum e o gosto de um país mais humano."

Rodrigo de Castro Resende

Universidade Federal de Viçosa – Viçosa – MG

VAMOS FAZER UM BOLO? Receita para se fazer um país justo, democrático e mais igualitário: comece a fazer a massa com carinho, determinação e responsabilidade, esses são elementos essenciais para que no final tenhamos um bom resultado. Separe os ingredientes, uma garrafa (bem cheia) de políticos honestos, duas colheres de hospitais públicos bem equipados, três doses de escolas públicas com professores e alunos motivados, algumas folhas de Segurança pública, mas essa tem que ser especial, aquela que vem com policiais equipados e com presídios que funcionem de forma educativa e não apenas punitiva. Coloque todos os ingredientes em um imenso tabuleiro. Misture bem os ingredientes, afinal em um país de tantas raças e tantas culturas, uma boa mistura sempre faz muito bem. Quando a massa estiver com as cores bem definidas (um verde bem forte e um amarelo reluzente) é hora de ir para a próxima etapa da receita. Coloque para ferver, um litro de políticas públicas de habitação, mais um litro de estruturas decentes de água e saneamento básico, além de mais dois litros de programas sociais de promoção humana que envolvam educação (já perceberam que a educação é que dará o sabor especial ao nosso bolo). Agora misture a fervura com a massa preparada anteriormente e coloque no forno. O bolo ficará pronto dentro de meia hora. Vamos à cobertura. Como não pode deixar de ser a cobertura tem que ser algo doce, vamos pegar então duas colheres de bons tratamentos às crianças e às mulheres de nosso país, uma xícara de respeito aos idosos e quatro pitadas de impostos mais justos e aplicados de forma correta. Misture tudo. Quando muitas estrelas estiverem saindo de nosso bolo é sinal que nossa receita está ficando boa. Tire-a do forno e coloque a cobertura. Deixe na geladeira por alguns minutos e ao perceber que ele está bem sólido é hora de saboreálo. Coma devagar, aprecie o gosto de igualdade e de liberdade do bolo, o gosto da segurança, o gosto do bem-estar comum e o gosto de um país mais humano. Faça quantas vezes você quiser.

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"...appreciate the cake's taste of equality and of freedom, the taste of security, the taste of common welfare and the taste of a more human country." LET'S MAKE A CAKE? Recipe to make a fair, democratic and equalitarian country: start preparing the dough with affection, determination and responsibility; these are essential elements so that in the end we have a good result. Separate the ingredients, a bottle (quite full) of honest politicians, two spoons of well-equipped public hospitals, three doses of public schools with motivated teachers and students, some leaves of public Security, but this one has to be special, that one that comes with equipped police officers and prisons that work in an educational manner and not only punishing. Place all the ingredients in a huge baking pan. Mix the ingredients well; after all, in a country with so many races and so many cultures, a good mixing is always good. When the dough is with well-defined colors (a very deep green and a shinning yellow) it is time to follow to the next stage of the recipe. Put to boil a liter of public housing policies, plus a liter of decent water supply and basic sewage systems, besides two more liters of social programs for human promotion which involve education (you must have noticed that education is what will give our cake the special flavor). Now mix the simmered mixture with the dough prepared before and put it in the oven. The cake will be ready within half an hour. Let's go to the topping. The topping, as usual, must be something sweet, so let's take two spoons of good treatments for the children and women of our country, a cup of respect for the elder and four relishes of fairer taxes appropriately invested. Mix everything. When many stars are coming out of our cake it is a sign that our recipe is very good. Take it from the oven and pour the topping. Put it in the refrigerator for a few minutes and when you notice it is quite solid it is time to taste it. Eat it slowly; appreciate the cake's taste of equality and of freedom, the taste of security, the taste of the common welfare and the taste of a more human country. Do this as many times as you wish.

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"...appréciez le goût de l'égalité et de liberté du gâteau, le goût et la sécurité, le goût du bien-être commun et le goût d'un pays plus humain." FAISONS UN GÂTEAU? Recette pour faire un pays juste démocratique et plus égalitaire: commencer à faire une pâte avec amour, détermination et responsabilité ce sont les éléments essentiels pour avoir un bon résultat à la fin. Séparez les ingrédients, une bouteille (bien pleine) de politiques honnêtes, deux cuillères d'hôpitaux publics bien équipes, trois doses d'écoles publiques avec des professeurs et des élèves motivés, quelques feuilles de Sécurité Publique, mais celle-ci doit être spéciale, celle qui vient avec des policiers équipés et avec des prisons qui fonctionnent de manière éducative et non à peine punitive. Mettez tous les ingrédients dans un immense plat. Mélangez bien les ingrédients, finalement dans un pays de tant de races et tant de cultures, un bon mélange fait toujours beaucoup de bien. Quand la masse a les couleurs bien définies (un vert bien fort et un jaune reluisant) c'est l'heure d'aller à la prochaine étape de la recette. Faites bouillir, un litre de politiques publiques d'habitation, plus un litre de structures décentes d'eau et assainissem*nt basique, plus deux litres de programmes sociaux de promotion humaine qui impliquent l'éducation (pour vous êtes déjà aperçus que c'est l'éducation qui donnera le goût spécial à notre gâteau). Maintenant mélangez l'ébullition à la pâte préparée antérieurement et mettez au four. Le gâteau sera prêt dans une demi-heure. Maintenant la couverture. Comme la couverture ne peut être que sucrée, prenons donc deux cuillères de bons traitements aux enfants et aux femmes de notre pays, une tasse de respect aux vieux et quatre pincées d'impôts plus justes et appliqués de manière correcte. Mélangez le tout. Quand plusieurs étoiles sortiront du gâteau c'est le signe que notre recette est bonne. Retirez-le du four et versez la couverture. Laissez au frigidaire pendant quelques minutes et quand il sera bien solide, ce sera l'heure de le savourer. Manger lentement, apprécier le goût de l'égalité et de la liberté du gâteau, le goût de la sécurité, le goût du bien– être commun et le goût d'un pays plus humain. Faites le autant de fois que vous voudrez.

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"A pobreza maior não é fruto da restrição material, mas sim da restrição à capacidade de sonhar."

Rodrigo Rudi de Souza

UBM – Centro Universitário de Barra Mansa – Barra Mansa – RJ

Querer definir, certamente é uma forma de aprisionar. Definir um critério, uma senha ou um jeito mágico de vencer a pobreza e a desigualdade já é função de uma boa parte que nos representa no poder. Mas, que de poder, não entende nada. Lá em casa, desde cedo, era preciso trabalhar. Meu pai aprendera a encorajar-nos e colocava nisso o imperativo ético para a sua paternidade. Naquele tempo, o meu coração sabia ser pobre. Era sem reclamar, porque no universo da carência a criatividade exerce o seu papel. O material escolar que eu trazia perto do peito, como um filho, embora simples e com apenas uma caixa de lápis de cor limitada em seis cores, comprada a tanto custo, era, para o meu coração, a caixa com vinte e quatro, composta por variadas cores, exposta na vitrine de uma papelaria próxima a minha casa. Sempre que podia, observava minuciosamente seus detalhes, de modo que, ao chegar em casa, eu pudesse ver as cores que faltavam na minha pequena caixa, conquistada depois de tanto choro e insistência. O que faltava nela e estava naquele universo de cores sem fim, na vitrine da papelaria, a minha imaginação completava. Isso durou muito tempo. Muitas vezes, eu parava diante dela e tinha vontade de tocá-la, pegá-la e assim colorir um pouco mais a minha vida ancorada com traços cinzas e nebulosos. Colocava o dedinho no balcão e aí me recordava de que era pobre e que aqueles lápis possuíam cores demais para pintarem apenas um cômodo, um pedaço de terra do quintal que meus pés tocavam ou a mesa remendada que eu apoiava para fazer a lição. O máximo que poderia fazer era sonhar com eles, com suas cores, seus rabiscos e sua silenciosa forma de despertar vida em mim. Nada mais que isso. Aquela pequena caixa era o lugar onde a minha alma de criança achava repouso. Certo dia, cheguei diante da loja e ela não estava mais lá. Perguntei por ela. "Foi vendida". Não tive dúvidas, o meu coração sofreu. Aí me recordei da frase: "Ser pobre é triste demais". Nunca contei para ninguém que aquela caixa com tantos lápis e com tantas cores era o objeto do meu desejo. Era um desejo silencioso. Eu bem sabia que meus pais não poderiam comprá-la, e que pedi-la seria uma forma de causar-lhes sofrimentos. Esse é um tipo de amor que o tempo não Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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apaga. Profundamente platônico, sem toque, mas absolutamente verdadeiro, porque tudo o que o coração deseja tende a eternizar-se em nós. Um grande caso de amor que o meu coração de pobre pôde viver. Neste enredo, não prevalece a lógica que separa ricos e pobres, loja e meninos sonhadores. A pobreza maior não é fruto da restrição material, mas sim da restrição à capacidade de sonhar. Acredito que a razão positivista, que sempre se esmera em definir de maneira clara toda e qualquer realidade, não deve suportar as crianças, nem a criatividade delas. Entendo que para vencer a pobreza é preciso antes de tudo, tirar os arames farpados que existem dentro de nós, olhando para o horizonte e enxergando as infinitas cores que tecem a coragem, a determinação e a força para vencer. Vencendo a pobreza, a partir das precariedades que a vida humana nos apresenta, pisaremos a serpente da desigualdade e ecoaremos em uma só voz o grito da igualdade. Não é com esmolas que venceremos a pobreza e a desigualdade social. Não é com explicações que saciaremos a fome da pátria e nem da nação. É com a esperança inquieta, que não pára em si, mas que avança, que grita a independência e a opção pela vida, não de cima de um cavalo como há tantos anos no marco de nossa história, mas da periferia, do subúrbio e da terceira margem que a sociedade insiste em não querer enxergar.

.......................................... "The greatest poverty is not the fruit of material restriction but of the restriction of the capacity to dream." To want to define is certainly a way of imprisoning. To define a criterion, a password or a magic way to win poverty and inequality is already the function of a good deal of those who represent us in power. But who, of power, don't know a thing. At home, from early, it was necessary to work. My father had learned to encourage us and placed on that the ethical imperative of his fatherhood. At that time, my heart knew how to be poor. It was without complaints because, in the universe of privation, creativity takes its part. The school material that I carried close to my chest, as a son, even though simple and with only a box of colored pencils limited to six colors and bought at great expense, was, to my heart, the box with twenty-four pencils made up of a variety of colors displayed on the shop-window of the stationery store near my house. Whenever I could, I carefully observed its details so that when I got home I Unesco | Folha Dirigida

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could see the colors that were missing in my small box, conquered with so many tears and insistence. What was missing in it and that was in that universe of endless colors, in the stationery store shop-window, my imagination completed. Many times I stopped before it and wanted to touch it, take it and color a bit of my life anchored with gray and hazy lines. I would put my little finger in the counter and then I would remember I was poor and that those pencils had too many colors to paint just one room, a piece of land in the backyard that my feet touched or the mended table I leaned on to do my homework. The most I could do was to dream with them, with their colors, their scribbles and their silent way to wake life in me. Nothing more than that. That small box was the place where my child's soul found to rest. One day, I was before the store and it wasn't there any more. I asked for it. "It was sold". There was no doubt, my heart suffered. Then I remembered a sentence: "To be poor is too sad". I never told anyone that that box with some many pencils and so many colors was the object of my desire. It was a silent desire. I knew quite well that my parents couldn't afford to buy it and to ask for that would be a way of making them suffer. This is a kind of love that time does not erase. Deeply platonic, without a touch, but absolutely true, because everything the heart desires tends to become eternal in us. A great love affair that my poor's heart had lived. In this story, the logic that separates the poor from the rich, shops and dreamy boys, does not prevail. The greatest poverty is not the fruit of material restriction but the restriction of the capacity to dream. I believe that the positivist reason, which always does its best to define in a clear way each and every reality, must not stand children or their creativity. I understand that to win poverty it is necessary, first of all, to remove the barbed wire that exists inside us, looking to the horizon and seeing the infinite colors that weave the courage, the determination and the strength to win. Winning poverty, from the uncertainties that human life presents us, we will be stepping on the serpent of inequality and will echo in one voice the cry of equality. It is not with charity that we will win poverty and social inequality. It is not with explanations that we will satisfy the hunger of a homeland or of a nation. It is with disquiet hope that does not stop but which advances, cries for independence and the choice for life, not from the top of a horse as many years ago in our history's milestone, but from the country area, from the suburb and from the third margin that society insists on not seeing.

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"La plus grande pauvreté n'est pas le fruit de la restriction matérielle, mais de la restriction à la capacité de rêver." Vouloir définir, certainement est une forme d'emprisonner. Définir un critère, un code ou une magie que pour vaincre la pauvreté et l'inégalité est déjà la fonction d'une bonne partie qui nous représente au pouvoir. Mais qui de pouvoir, ne comprend rien. A la Maison, depuis très tôt il fallait travailler. Mon père avait appris à nous encourager et y mettait l'impératif éthique pour sa paternité. Dans ce temps là, mon cœur savait être pauvre. C'était sans réclamer, car l'univers de la carence la créativité exerce son rôle. Le matériel scolaire que je portais près de ma poitrine, comme un fils, bien que simple et avec à peine une boite à crayons de couleur limitée à six couleurs, achetée à tant de coût, était pour mon coeur, la boite avec vingt quatre, composée de différentes couleurs, exposée dans la vitrine d'une papeterie proche de chez moi. Chaque fois que je pouvais, 'observais minutieusem*nt ses détails, de mode que, en arrivant à la Maison, je puisse voir les couleurs qui manquaient dans ma petite boite, conquise après tant de pleurs et d'insistance. Ce qui manquait était cet univers de couleurs sans fin, dans la vitrine de la papeterie, mon imagination complétait. Cela dura longtemps. Souvent, je m'arrêtais devant elle et avais envie de la toucher, de la prendre et ainsi colorier un peu plus ma vie ancrée dans des traits gris et nébuleux. Je mettais le petit doigt sur le balcon et me rappelais que j'étais pauvre et que ces crayons possédaient trop de couleurs pour peindre à peine une pièce, un morceau de terre du jardin que mes pieds touchaient ou la table rapiécée où je m'appuyais pour faire mes devoirs. Le maximum que je pouvais faire et en rêver, avec leurs couleurs, leurs gribouillages et leur silencieuse forme d'éveiller la vie en moi. Rien de plus que cela. Cette petite boite était l'endroit ou mon âme d'enfant trouvait le repos. Un jour, j'arrivais devant le magasin et elle n'était plus là. Je demandai où elle était. "Elle a été vendue". Je n'avais pas de doutes, mon coeur souffrait. Alors je me suis rappelé de la phrase: "être pauvre est trop triste". Je n'ai jamais raconté à personne que cette boite avec tant de crayons était l'objet de mon désir. C'était un désir silencieux. Je savais bien que mes parents ne pouvaient l'acheter et que la demander serait une forme de leur causer des souffrances. C'est un genre d'amour que le temps n'efface pas. Profondément platonique, sans touche, mais absolument vrai, car tout ce que le coeur désire a tendance à s'éterniser en nous. Une grande histoire d'amour que mon coeur de pauvre pouvait vivre. Dans cette histoire, la logique qui sépare les riches et les pauvres, le magasin et les enfants rêveurs ne domine pas. La plus grande pauvreté n'est pas le fruit

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de la restriction matérielle, mais de la restriction à la capacité de rêver. Je pense que la raison positiviste, qui se perfectionne toujours à définir de manière claire toute et n'importe quelle réalité, ne doit pas supporter les enfants, ni leur créativité. Je comprends que pour vaincre la pauvreté il faut avant tout, enlever les fers barbelés qui existent en nous, regardant vers l'horizon et voyant les infinies couleurs qui tissent le courage, la détermination et la force de vaincre. En vainquant la pauvreté, à partir des précarités que la vie humaine nous présente, nous écraserons le serpent de l'inégalité et nous filtrerons en une seule voix le cri de l'égalité. Ce n'est pas avec des aumônes que nous vaincrons la pauvreté et l'inégalité sociale. Ce n'est pas avec des explications que nous rassasierons la faim de la patrie ni de la nation. C'est avec l'espoir inquiet, qui ne s'arrête pas en soi, mais qui avance, qui crie l'indépendance et l'option pour la vie, pas de dessus un cheval comme il y a tant d'années dans la marque à ne pas voir.

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"A humanidade assiste à incompetência interminável do ser humano."

Rosana Junqueira

UFBA – Universidade Federal da Bahia – Salvador – BA

As lutas contra a desigualdade social e a pobreza têm sido o cerne das principais discussões em diversos âmbitos do saber. A sociedade e o mundo buscam alternativas que possam sanar com esta problemática que se alastra, principalmente, nos países que deixaram para discuti-la tardiamente. A pobreza reaparece como produto de um mundo inconseqüente e monstruoso, em que as ações de seus dirigentes ou a falta delas, ocasionaram e ocasionam diversos problemas para as populações em todo mundo. E por que discutir tanto o que desde as civilizações mais antigas era motivo de repúdio por parte das elites? O motivo parece claro. Não dá mais para construir muralhas e espantar o Outro que nos "agredia", ou que de certa forma era "inferior". As fronteiras estão cada vez mais próximas, cada vez mais diluídas. O medo que era tão distante e ficava do outro lado da muralha, agora bate à porta de todos. Discute-se a desigualdade social e a pobreza porque elas estão cada vez mais evidentes nos grandes cenários mundiais. Estes palcos agora assistem à problemática criada pelas más administrações anteriores. A desigualdade e a pobreza caminham de mãos dadas nas calçadas das grandes metrópoles, estão estampadas nas janelas dos carros, por mais que sejam blindados, explodem sintaticamente nas manchetes dos jornais e cartografam o grito da fome e da miséria nas primeiras páginas. Na arena moderna, onde permeiam as principais discussões, estão aqueles que representam ainda as elites, preocupados com os dados sobre o alastramento da fome e da miséria que mancham os índices das pesquisas, transbordando e revelando o descaso eterno dos governos a nível mundial. Do outro, não sei se pode dizer – lado-, mas o que sobra do que se denomina "alternativa" estão os atores marginalizados, os mesmos responsáveis pelos números que tornam uma simples pesquisa num dado vergonhoso para qualquer nação. Aqueles que assistem do outro lado e com fome à prepotência dos governantes, seus planos cada vez mais insanos e pouco relevantes, que não abalam um contexto secular de tentativas fracassadas. A humanidade assiste à incompetência interminável do ser humano. Na verdade, não há formulas que combatam essa problemática e nem programas econômicos que surgem como caixas de sobrevivência em plena guerra,

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geralmente antes das campanhas políticas. Mas, grandes passos podem ser dados se a humanidade tentar acabar, primeiramente, com o ranço que assola não apenas os governantes, mas toda uma sociedade mergulhada numa tradição em que o paradigma "quanto mais se tem, mais se quer" ainda prevalece. O Outro não pode ser tema de discussão somente quando emerge de forma vergonhosa nos jornais, ou em pesquisas, em que muitas vezes são patrocinadas pelas próprias elites que somente discutem e pouco faz. O problema além de macro envolve a contribuição que cada indivíduo pode e deve fazer para interferir e mudar números que são erros infinitos de um mundo que não sabe e não aprendeu a cuidar do próximo. Enquanto o mundo erra e pede desculpas, a desigualdade social aumenta e a pobreza alcança patamares cada vez maiores a assustadores.

.......................................... "Humanity watches the endless incompetence of human being." The fights against social inequality and poverty have been the core of the main discussions among various knowledge areas. The society and the world are searching for alternatives that can remedy this set of problems, which spreads out especially on countries that have postponed this discussion. Poverty reappears as the product from an inconsistent and hideous world where the leaders actions, or lack of them, caused and still cause many problems for people worldwide. And why should we discuss so much what the upper classes have been repudiating since the most ancient civilizations? The reason seems to be clear. We can't build walls anymore and drive away the Other who "attacked" us, or who was somehow "inferior". The boundaries are closer and closer, more and more diluted. Fear, which was so far away and stayed on the other side of the wall, now knocks at everyone's door. Social inequality and poverty are discussed because they are increasingly more evident in the large global scenario. Today, these global stages watch the problems created by poor previous administrations. Inequality and poverty walk together, hand in hand, on the large metropolis sidewalks. They are printed on car windows, no matter how armored these cars may be; and they burst from newspaper headlines and draw a map of the hunger and the misery screams on the first pages. Those which still represent the upper classes are in the current arena where the main discussions take place, and they are worried about the data reported

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for widespread hunger and misery, which stain the researches indexes, overflowing and revealing the endless government indifference at world level. At the other side, if you can actually call it – side -, or what is left from what is called "alternative", we find the pushed-to-the-edge-of-society actors, the same ones responsible for the numbers that turned an ordinary research into shameful data for any nation. Those that watch hungry, from the other side, the rulers despotism with their more and more insane and irrelevant plans with no impact whatsoever on the ancient context of failed attempts. Humanity watches the endless incompetence of human being. Actually, there are neither formulas nor economic programs that usually emerge before political campaigns, likewise survival kits during a war, to fight this problem. However, huge steps can be taken if people first try to end the staleness that overruns not only the rulers, but also the whole society sunk in a tradition in which the paradigm "the more you get, the more you want" still prevails. The Other cannot be the topic of discussion only when it appears shamefully in the newspaper, or in the researches many times sponsored by the upper classes themselves which only discuss and do so little. This macroproblem entails the contribution that each person can and should give in order to intervene and change the numbers that are endless mistakes made by a world that does not know and has not learned how to be altruistic. While the world makes mistakes and apologizes, social inequality escalates and poverty reaches higher and alarming degrees.

.......................................... "L'humanité assiste à l 'incompétence interminable de l 'être humain."

Les luttes contre l'inégalité sociale et la pauvreté ont été le centre des principales discussions dans divers domaines du savoir. La société et le monde cherchent des alternatives qui puissent guérir cette problématique qui se traîne, surtout dans les pays qui l'ont laissé de discuter tardivement. La pauvreté réapparaît avec le produit d'un monde inconséquent et monstrueux, ou les actions de leurs dirigeants ou leur manque, on occasionné et occasionne différents problèmes pour les populations dans le monde entier. Et pourquoi tellement discuter ce que depuis les civilisations plus anciennes était motif de répudiation de la part des élites? Le motif semble clair. On ne peut

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plus construire des murailles et faire peur à l'autre qui nous "agresse", ou que d'une certaine manière était "inférieur". Les frontières sont chaque fois plus proches, chaque fois plus diluées. La peur qui était si distante et restait de l'autre côté de la muraille, frappe maintenant à la porte de tous. On discute l'inégalité sociale et la pauvreté car elles sont chaque fois plus évidentes dans les grands scénarios mondiaux. Ces scènes maintenant assistent à la problématique créée par les mauvaises administrations antérieures. L'inégalité et la pauvreté marchent main dans la main sur les trottoirs des grandes métropoles, sont imprimées dans les vitres des voitures, même blindées, explosent synthétiquement dans les couvertures des journaux et écrivent le cri de la faim et de la misère aux premières pages. Dans l'arène moderne, où pénètrent les principales discussions, se trouvent ceux qui représentent encore les élites, préoccupés par les données sur la faim et la misère qui salissent les indices des recherches, transbordant et révélant la négligence des gouvernements au niveau mondial. De l'autre, je ne sais pas si on peut dire – côté-, mais ce qui reste de ce qui s'appelle "alternative" se trouvent les acteurs marginalisés, les mêmes responsables des chiffres qui rendent une simple recherche en une donnée honteuse pour n'importe quelle nation. Ceux qui assistent de l'autre cote et avec la faim à l'arrogance des gouvernants, leurs plans chaque fois plus malsains et peu relevants, qui ne bouleversent pas un contexte séculaire de tentatives fracassées. L'humanité assiste à l'incompétence interminable de l'être humain. En vérité, il n'existe pas de formules qui combattent ce probléme ni de programmes économiques qui surgissent avec des boites de survie en pleine guerre, généralement avant des campagnes politiques. Mais, de grands pas peuvent être faits si l'humanité essayait d'en finir, d'abord avec l'antipathie qui accable non seulement les gouvernants mais aussi toute une société plongée dans une tradition où le paradigme "plus on en a plus on en veut" domine encore. L'autre ne peut être le thème de discussion seulement quand il émerge de façon honteuse dans les journaux, ou dans les recherches, où elles sont parrainées par les élites elles-mêmes qui discutent seulement et agissent peu. Le problème audelà de macro implique la contribution que chaque individu peut et doit faire pour interférer et changer les chiffres qui sont des erreurs infinis d'un monde qui ne sait pas et n'a pas appris à aimer son prochain. Tandis que le monde commet des erreurs et demande pardon, l'inégalité sociale augmente et la pauvreté atteint des degrés chaque fois plus importants et effrayants.

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"Combater a fome, o excesso e a opulência escandalosa requer mudança de sistema econômico e a transformação de mentes e corações..."

Rui Braun

UnC – Universidade do Contestado de Curitibanos – São Cristóvão do Sul – SC

CUIDAR PARA EXISTIR: AGIR EM MIM E NO MEIO Saciar os que precisam de pão e encher de esperança os que padecem. Conter a avidez dos que devoram pelo acúmulo e encontrar novos sentidos simbólicos à existência humana. Superar as estruturas vorazes e as fomes ansiosas do exagero. Construir novas fronteiras contra a penúria e a injustiça: a renúncia aos excessos; a necessidade da resignação; a resistência ao ímpeto consumista, a cedência de parte da nossa parte; a colocação de 'limites que nos limitem'; logo, à aceitação de nem tudo é cabível e sustentável em nosso modo de vida. Ceder pela vida! Vencer a pobreza é combater sua dimensão imediata e estomacal, atacandolhe, contudo, a origem de ordem estruturante: a pobreza de muitos reside na fartura excessiva de outros. Combater a fome, o excesso e a opulência escandalosa requer mudança de sistema econômico e a transformação de mentes e corações, num desafio de dimensão estrutural e subjetiva, social e individual. A pobreza é sintoma parcial da enfermidade de um modo de vida do planeta. Saber aprender e mudar: perceber que somos sistema e princípio, agentes e agitados, engrenagem de consumo e esfomeados pelo excesso, ação e reação, desequilibro e fome, falta de saciedade e pó cósmico em risco... gente que precisa construir saídas. Por isso, saber-se responsável e desejar a mudança de estruturas, almejar o direito dos outros, incluir, anuir com as mudanças econômicas e, próprio, constituir-se em pessoa de transformação, em cidadão capaz de rearticular seu modo de vida de forma a enfrentar a pobreza material e simbólica. Ser grão de areia alternativo no deserto da normalidade, pois é tempo de atitudes e ações ainda que invisíveis: exigir mais de quem pode mais e muito de si mesmo, pois é momento de fazer: praticar antítese ao consumo e testemunhar com convicção que a mudança depende de mim e da minha força espiritual de mover o universo. Construir fendas de resistência pois agora é ocasião para a recolocação da sensibilidade, da renúncia, do gesto simples, do fazer eu mesmo! Ao banhar-se, pensar nos lábios ressecados de quem tem sede. Lembrar do desperdício que priva outros. Ao comprar, compreender que outros seres padecem na fome. No resistir ao acúmulo, fazê-lo como autocrítica ao modelo Unesco | Folha Dirigida

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autofágico que vivemos. Ao pensar em si próprio, entender que não há como fazê-lo, sem pensar na outra grande parte restante, ou seja, o ente-universo que integramos. Ao querer 'algo mais', lembrar da finitude das coisas. Diante da carência de quem não tem, crer no milagre da partilha. Renovar sempre o compromisso com a vida e a responsabilidade social. Renunciar e ainda assim, ser feliz! Viver cada dia com acuidade. Ser leve. Habitar o universo em estado de graça, simplicidade e integração. Rearticular engrenagens sociais injustas e construir estados de moderação e mediação tendo por monumentos, a re-humanização da vida e a razoabilidade na sua condução. Depende de nós: agir no meio e em nós próprios! A partir de hoje, eu e você, meu grupo e o seu, nos proporemos a, ao menos uma vez a cada semana, renunciar a algo excedente em nossas vidas: pouparemos um pouco de água ou energia, andaremos de bicicleta, reciclaremos materiais, consumiremos (comeremos) menos e dividiremos. Não teremos pressa, plantaremos árvores, faremos serviço voluntário, partilharemos! Seremos grãos de areia da mudança e, nisso encontraremos outra forma de felicidade! Já nos ensinaram que PENSAR É EXISTIR (viver)... haveremos de traduzir a tese para o momento presente: como partes do móbile cósmico, nos proporemos agora, a CUIDAR PARA EXISTIR. Que o universo nos inquiete e faça conspirar!

.......................................... "Fighting hunger, the excess and the scandalous opulence requires changing the economic system and transforming minds and hearts..." TAKE CARE IN ORDER TO EXIST: ACT ON MYSELF AND ON THE ENVIRONMENT Satiate those who need food and fill with hope those who suffer. Control the greed of those who devour by accumulating, and find new symbolic senses for human existence. Overcome the voracious structures and anxious hunger of exaggeration. Build new frontiers against penury and injustice: the renunciation of excesses, the need for resignation, the resistance to the consumerist impulse, the giving up of a share of our share, the setting of 'limits that will limit ourselves'; consequently, the acceptance that not everything is suitable or bearable in our way of life. Give away for life! To overcome poverty is to fight its immediate and visceral dimension, but it is also to attack its structural origin: the poverty of many resides in the excessive

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wealth of others. Fighting hunger, the excess and the scandalous opulence requires changing the economic system and transforming minds and hearts, in a challenge of structural and subjective, social and individual dimension. Poverty is a partial symptom of the disease that afflicts a planet's way of life. Know how to learn and change: be aware of the fact that we are system and principle, agents and agitated, consumer gears and people hungry for the excess, action and reaction, imbalance and hunger, lack of satisfaction and cosmic dust in risk... people that need to create exits. Therefore, knowing yourself as responsible and wanting a structure change, longing for the rights of others, including, agreeing with the economic changes and, constituting yourself a changing person, a citizen able to reorganize his/her way of life in order to confront material and symbolic poverty. Be an alternative grain of sand in the desert of normality, because it is time for attitudes and actions, even invisible ones: demand more from who can do more and a great deal from yourself, because this is the time to act: to practice the antithesis of consumption and to witness with conviction that the change depends on me and on my spiritual strength to move the universe. Build resistance cracks since now is the time to restore the sensibility, the renunciation, the simple gesture, the do-it-yourself! When you take a bath, think about the dry lips of the thirsty ones. Remember the waste that deprives others of that good being wasted. When you buy, understand that other people suffer from hunger. When you resist accumulation, do it with self-criticism towards the autophagic model that we live. When you think of yourself, understand that this cannot be done without thinking of the large remaining group, i.e., the being-universe to which we belong. When you want 'something else', remember that things have an end. In the face of those who are in need, believe in the miracle of sharing. Always renew your commitment to life and to social responsibility. Renounce and still be happy! Live each day intensively. Be light. Inhabit the universe in a state of grace, of simplicity and of integration. Rearticulate unfair social gears and build states of moderation and conciliation using a life newly humanized and reasonably conducted as foundation. It depends on us: act on the environment and on ourselves! From now on, you and I, my group and yours, at least once a week, will propose ourselves to give up some surplus in our lives: we will save some water or energy, ride our bikes, recycle materials, consume (eat) less and share. We will not rush; we will plant a tree, do volunteer work, and share! We will be sand grains of change and, in this, we will find another kind of happiness! We have already been taught that TO THINK IS TO BE (to live)... so we have to translate the thesis to the present moment: as parts of the cosmic mobile, we will now propose ourselves, TAKE CARE IN ORDER TO EXIST. May the universe disquiet us and make us conspire!

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"Combattre la faim, l 'excès et l 'opulence scandaleuse exige un changement de système économique et la transformation d'esprits et de coeurs..." PRENDRE SOIN POUR EXISTER: AGIR EN MOI ET DANS LE MILIEU Rassasier ceux qui ont faim et remplir d'espoir ceux qui souffrent. Contenir l'avidité de ceux qui dévorent par accumulation et trouver de nouveaux sens symboliques á l'existence humaine. Surmonter les structures voraces et les faims anxieuses d'exagération. Construire de nouvelles frontières contre la pénurie et l'injustice: le renoncement aux excès; le besoin de résignation; la résistance à l'instinct de consommation, la cession de partie de notre part; la mise ne place de 'limites qui nous limitent '; puis, à l'acceptation du fait que tout n'est possible ni durable dans notre mode de vie. Céder pour la vie! Vaincre la pauvreté c'est combattre sa dimension immédiate et stomacale, en l'attaquant, l'origine de l'ordre structurant: la pauvreté de beaucoup réside dans l'abondance excessive d'autres. Combattre la faim, l'excès et l'opulence scandaleuse exige un changement du système économique et la transformation d'esprits et de coeurs, dans un défi de dimension structurelle et subjective, sociale et individuelle. La pauvreté est symptôme partiel de la maladie d'un mode de vie de la planète. Savoir apprendre et changer: s'apercevoir que nous sommes système et principe, agents et agités, engrenage de consommation et affamés par l'excès, action et réaction, déséquilibre et faim, manque de société et poussière cosmique en risque, des gens qui ont besoin de construire des sorties. Pour cela, se savoir responsable c'est désirer le changement de structures, souhaiter le droit des autres, approuver les changements économiques et, se constituer en personne de transformation, en citoyen capable de ré articuler son mode de vie de manière á affronter la pauvreté matériel et symbolique. Etre grain de sable alternatif dans le désert de la normalité, car il est l'heure d'attitudes et d'actions encore qu'invisibles: exiger plus de celui qui peut plus et beaucoup de soi-même, car c'est l'heure de faire: pratiquer antithèse à la consommation et être le témoin avec conviction que le changement dépend de moi et de ma force spirituelle de mouvementer l'univers. Construire des fentes de résistances car maintenant c'est l'occasion de la remise de la sensibilité, du renoncement, du geste simple, de faire moi-même! En se baignant, penser aux lèvres sèches de celui qui a soif. Se rappeler du gaspillage qui prive d'autres. En achetant, comprendre que d'autres êtres souffrent

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de la faim. Ne pas résister à l'accumulation, le faire comme auto critique au modèle autophagique que nous vivons. En pendant à soi-même, comprendre qu'on ne peut le faire sans penser à l'autre partie restante, soit, le suprême univers que nous intégrons. En voulant quelque 'chose de plus' se rappeler de les limites des choses. Face à la carence de celui qui n'a rien, croire au miracle de partage. Renouveler toujours le compromis avec la vie et la responsabilité sociale. Renoncer et même comme ça être heureux! Vivre chaque jour avec acuité. Etre léger. Habiter l'univers en état de grâce, simplicité et intégration. Ré articuler les engrenages sociaux injustes et construire des états de modération et médiation ayant pour monuments, la ré humanisation de la vie et le raisonnement dans sa conduite. Dépend de nous: agir dans le milieu et en nous-même! A partir d'aujourd'hui, moi et toi, mon groupe et le tien, nous proposons, au moins une fois par semaine, de renoncer à quelque chose d'excédent dans notre vie: nous économiserons un peu d'eau ou d'énergie, nous roulerons en bicyclette, nous recyclerons des matériaux, nous consommerons (nous mangerons) moins et nous partagerons. Nous ne serons pas pressés, nous planterons des arbres, ferons un service volontaire, nous partagerons! Nous serons des grains de sable de du changement et, dans ceci nous trouverons une autre forme de bonheur! On nous a déjà appris que PENSER C'EST EXISTER (vivre)... nous devrons traduire la thèse pour le moment présent: comme partie du mobile cosmique, nous proposerons maintenant, de PRENDRE SOIN POUR EXISTER. Que l'univers nous inquiète et fasse conspirer!

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"...a real solução para a pobreza e a desigualdade na Amazônia consiste não em emendar com comiserações oportunistas..."

Silvana Michele Ramos

Universidade Federal do Pará – Ananindeua – PA

A INSUSTENTÁVEL VILEZA NO TER "A morte de qualquer homem me diminui, porque estou incluído na humanidade. Por isso, nunca perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti." John Donne (na Meditação que inspirou Hemingway) "Quem tem condição de provocar um debate tem que provocar um debate." Sebastião Salgado Eu contava sete anos de vida quando conheci Titi. Não que ela fosse uma coleguinha do jardim de infância; era a empregada da dona da escola. Em prática comum a famílias interioranas que pariram mais filhos do que podiam sustentar, fora enviada para Belém a fim de angariar algum auxílio financeiro com a prestação de serviços domésticos. Titi, que, aos nove anos, era magra, tinha feições caboclas e a pele clara e anêmica, padecia de asma e sempre tinha sua bombinha a postos na bolsa de pano puído. A ignorância incutida nos escolares mantinha-os ao seu largo, receosos de adquirir a doença não passável, e ela própria defendia-se com a bombinha dos olhares cúpidos das meninas sobre os demais bens encerrados na bolsa: o pente miúdo, a boneca de cuja calvície emergia único tufo de cabelos enlaçado, e a latinha continente de um creme rosa e cheiroso (ainda que os dois primeiros – acháveis – não ouriçassem tanto como a latinha que ninguém sabia onde comprar). À hora do almoço, Titi metia-se sob a mesa da cozinha, abria a latinha, e o indicador pálido, fino e comprido deslizava pelo creme já côncavo daquele hábito, coletando módica quantidade, que era posta, em forma de carinho, na testa e cabeça da boneca. Esquecida da vida, soltava o laço, penteava o tufo e tornava a enlaçá-lo. Até que ouvia: "-Titi! A louça!" Naquele instante, no rosto da Titi já avulsa do seu refúgio lúdico, era visível Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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o retorno à realidade cáustica. E não só ela despertava: eu, no aguardo monótono do turno da tarde era adornado pelo contemplar da cena leve porém repleta de significações intrínsecas que só aqueles dedos longos e finos concatenavam, também voltava à tona sem cor ou olor quando ela ocluía a lata, atirava-a com a boneca dentro da bolsa e corria a recolher pratos e talheres. Um dia, saindo da aula da manhã, deparei com Titi chorando debaixo da mesa. Os soluços interrompidos e os gemidos temerosos deviam-se à sobrinha de dez anos da dona, em férias na casa, que lhe tomara a latinha a despeito do medicamento-arma. E como fosse triste ver Titi tolhida do último rosa de uma infância espicaçada, e como o abjeto desapossamento me revoltasse, e como Titi já sacasse a temida bombinha para aplacar a opressão confundida com acesso asmático, emergi de sob a mesa e exigi explicações da visitante gatuna. A graúda justificou o afano com caquética arrogância: a Titi serviçal não tinha direito à latinha; por isso, pegara o que era naturalmente seu. Ameacei delatar à dona da casa, mas a monstrinha disse que sustentaria ter apenas retomado o que a empregada lhe havia furtado e esta acabaria presa. Assim, findou a poética rotina que os meus sentidos infantes almoçavam. Em tempos de grilagens e latifúndios acuando povos tradicionais, de madeireiras e monoculturas subtraindo habitats e espécies, de inundações gerando a energia que mina o solo de minérios e move as engrenagens do progresso alheio, de caudalosas isenções tributárias (não) compensadas por microscópicas contrapartidas sócio-ambientais, de índios ébrios de perda de identidade ou encolhidos em reservas borrifadas com agrotóxicos, de ribeirinhos magros garimpando peixes com metilmercúrio ou provendo matérias-primas a produtores de bens a que jamais terão acesso, e de "escravos-gabirus" morrendo quer rápida – pelo tiro calador e certeiro -, quer lenta – com pulmões endurecidos de fumaça carvoeira -, quer moralmente – por maquiagens infames dos propósitos das suas insurgências -, a lembrança singela e extinta de Titi convence-me de que a real solução para a pobreza e a desigualdade na Amazônia consiste não em emendar com comiserações oportunistas os direitos atropelados por faturas estratosféricas, mas em besuntar com ética a ganância que sacrifica a riqueza inerente ao diverso por moedas empapadas de supressão cultural e subjugação humana.

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"...the real solution for poverty and inequality in the Amazon does not consist in correcting with opportunistic commiseration..." THE UNBEARABLE VILLAINY OF HAVING "...any man's death diminishes me, because I am involved in mankind; and therefore never send to know for whom the bell tolls; it tolls for thee." John Donne (in Meditations which inspired Hemingway) "Those capable of provoking a debate must do it." Sebastião Salgado I was seven years old when I met Titi. She was not a friend from kindergarten; she worked as a maid for the school owner. As typically happened to countryside families that gave birth to more children than they could ever support, she had been sent to Belém in order to get some financial help while working as a maid. Titi, nine years old, was thin, had cabocla features and a clear and anemic skin. She suffered from asthma and always had her asthma pump ready to use in her shabby cloth handbag. The ignorance inculcated in the students kept them away from her, afraid of being contaminated by the non-contagious disease. She also protected herself with the asthma pump from the girls eyes eager to see the other goods inside her bag: the little comb, the doll with a lace-tied tuft of hair sticking out from its baldness, and a small can containing a pink and scented cream (even though the first two items – easy to find – were not as exciting as the small can which nobody knew where to buy). At lunch time, Titi would set herself under the kitchen table, open the small can, and her pale, thin and long index finger would slide over the cream, already concave from that habit, and collect a small amount of it, which was placed, affectionately, on the dolls' forehead and head. Oblivious of life, she would untie the lace, comb the tuft and tie it again. Until she heard: "-Titi! The dishes!" At that moment, Titi's face, withdrawn from its playful refuge, would visibly show the return to the caustic reality. But she was not the only one who would wake up: I, waiting monotonously for the afternoon period at school, was adorned by the contemplation of that light, but full of intrinsic meanings, scene, which only those thin and long fingers put together. I was also brought back to the colorless or odorless surface when she closed the can, tossed it back into the bag with the doll and rushed to collect the dishes and silverware.

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One day, when I was leaving the morning class, I came across with Titi crying under the table. The owner's ten-year-old niece, who was spending vacations at the house, and had taken the little can from Titi in spite of the medicationweapon threat, caused the interrupted sobs and the fearful whining. And since it was sad to see Titi deprived from the last pink of a tormented childhood, and since the abject deprivement made me angry, and Titi was already pulling out her feared pump to appease the oppression confused with the asthma attack, I emerged from under the table and demanded explanations from the thief visitor. The grown girl explained the stealing with worn out arrogance: the maid Titi had no right to have the little can; therefore, the girl had taken what was naturally hers. I threatened her that I would denounce her to the house owner, but the little monster said that she would stick to the excuse that she had only got back what the maid had stolen from her and that the maid would end up being arrested. Thus, the poetic routine that my childish feelings had for lunch was over. In times of landgrabs and large estates trapping traditional peoples, of lumberjacks and monocultures stealing habitats and species, of flooding producing energy that mine ores from the ground and moves the gears of someone else progress, of torrential tax exemptions (not) compensated by microscopic social-environmental counterparts, of native people inebriated by the loss of identity or shrunk into reservations sprayed with agrotoxic substances, of thin waterside populations catching methylmercury fish or providing raw material for producers of goods to which they will never have access, and the "slaves-gabirus1" dying either quickly – from a silencer and well-aimed shot – or slowly – with their lungs hardened by the coal smoke -, or morally – by infamous make-ups of their uprisings' objectives. The sincere and suppressed memory of Titi convinces me that the real solution for poverty and inequality in the Amazon does not consist of mending the rights run over by astronomic invoices with opportunistic commiseration, but of covering with ethics the greed that sacrifices the diverse innate richness with coins soaked by cultural suppression and human subjugation.

1N.T. Gabiru are people who live from and in the landfills. They are shorter in stature and thinner than an average person.

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"...la vraie solution pour la pauvreté et l 'inégalité en Amazonie consiste non pas à modifier avec des compassions opportunistes..." L'INSOUTENABLE VILETÉ D'AVOIR "la mort de n'importe quel homme me diminue, car je suis inclus dans l'humanité. Pour cela, ne demandes jamais pour qui sonnent les cloches; elles sonnent pour toi." John Donne (dans la Méditation qui inspira Hemingway) "Celui qui peut provoquer un débat doit provoquer un débat." Sebastião Salgado Je comptais sept ans de vie quand j'ai connu Titi. Non pas qu'elle était une amie du jardin d'enfance; elle était la bonne de la patronne de l'école. En pratique commune aux familles de la province qui accouchaient de plus d'enfants qu'ils ne pouvaient avoir, elle avait été envoyée à Belém afin d'obtenir une aide financière avec la prestation de services domestiques. Titi, qui, à neuf ans, avaient des traits de métisses et la peau claire et anémique, souffrait d'asthme et se maintenaient loin d'elle, de peur d'attraper la maladie qui n'était pas contagieuse, et elle-même se défendait avec la pompe des regards cupides des fillettes sur les autres biens contenus dans le sac: le petit peigne, la poupée dont émergeait de la calvitie une seul toupet de cheveux avec un ruban, et la boite contenant une crème rose et parfumée (bien que les deux premiers – trouvables – n'exciter pas autant que la petite boite que personne ne savait où acheter). À l'heure du déjeuner, Titi se mettait sur la table de la cuisine, ouvrait la petite boite et l'indicateur pâle, fine et long glissait sur la crème déjà concave de cette habitude, recueillant une modique quantité, qui était mise, en forme d'affection, sur le front et la tête de la poupée. Distraite, elle enlevait le ruban, peignait la touffe et le remettait. Jusqu'à ce qu'elle entendait: "-Titi! La vaisselle!" A ce moment-là, sur le visage de Titi déjà seule dans son refuge ludique, était visible le retour à la réalité caustique. Et non seulement elle se réveillait: moi, attendant dans la monotonie le tour de l'après-midi était décoré en contemplant de la scène légère mais remplie de significations intrinsèques que seuls ces doigts longs et fins enchaînaient, revenait aussi à la surface sans couleur ni odeur quand elle fermait la boite, la jetait avec la poupée dans le sac et courait pour recueillir les plats et les fourchettes et les couteaux.

Un jour, sortant de la classe le matin, je me trouvais face à Titi pleurant en bas de la table. Les sanglots interrompus et les gémissem*nts terribles provoqués par la nièce de dix ans de la patronne, en vacances à la Maison, qui lui avait pris la petite boite malgré le médicament arme. Et comme c'était triste de voir Titi paralysée du dernier rose d'une enfance affligée, et comme l'abjecte privation me révoltait, et comme Titi prenait déjà la petite pompe pour stopper l'oppression confondue avec l'accès d'asthme, j'émergeai sur la table et exigeai des explications de la visiteuse voleuse. La grande se justifia du vol avec une arrogance horrible: Titi la bonne n'avait pas le droit à la boite; pour cela elle l'avait prise car elle était naturellement sienne. Je la menaçais de l'accuser de coupable à la patronne, mais le petit monstre qu'elle avait à peine reprise ce que la bonne lui avait volé et que celle-ci serait arrêtée. Ainsi, finit la poétique routine que mes sens d'enfant déjeunaient. A l'époque d'invasion des terres et des propriétés, cerclant les peuples traditionnels, d'industries du bois et monocultures volant habitats et espèces, d'inondations générant l'énergie qui mine le sol de minerais et mouvemente les engrenages du progrès d'autrui, des abondantes exemptions d'impôts (non) compensées par des contreparties socio environnementales microscopiques, d'indiens ivres de la perte d'identité ou opprimés dans des réserves arrosées d'agro toxiques, de riverains maigres cherchant des poissons avec du méthyle mercure ou fournissant des matières premières aux producteurs de biens auxquels ils n'auront jamais accès, et d'"esclaves" mourant, soit rapidement– par le tir exact -, soit lentement – avec les poumons endurcis par la fumée de charbon -, soit moralement – par des maquillages infâmes des propos de leurs révoltes -, le souvenir simple et éteint de Titi me convainc du fat que la vraie solution pour la pauvreté et l'inégalité en Amazonie consiste non pas à modifier avec des compassions opportunistes les droits renversés par des faits stratosphériques, mais en salissant avec éthique l'ambition du gain qui sacrifie la richesse inhérente au divers par des monnaies trempées de suppression culturelle et de domination humaine.

"Clamei a todos os deuses um pouco de luz, de sobriedade, de compaixão. Porque tão poucos lutam por tantos? Dantesco ou ridículo, correra mais algumas lágrimas..."

Sócrates Simões Ramos

Faculdade Sumaré – São Paulo – SP

MEUS OLHOS, ABSOLVI Absolvo meus olhos. Não reativos, por ora piscam, lacrimejam amargura e um punhado de regozijo intercala suas pálpebras, os fazem descansar, observar, manter-se assustados... Caminhei aos quatro cantos, circunspecto em curiosidades e envolto em condenação, lamentei a inocência das crianças, saqueadas pela pobreza, maculadas pelo soro-positivo e chafurdadas na fome; eram grilhões invisíveis e separatistas, no entanto, elas sorriam. Uma lágrima, com peso de um corpo, caiu. Por mais que eu insistisse elas não paravam. De trabalhar, de matar, de morrer, de alimentarem a mercância e serem alimentados pelas drogas. Gemiam de fome; uns teriam o leite materno, outros, berrariam um pouco mais. Respostas não encontrei, mais uma lágrima caiu. Pesquisei em livros e pensadores, havia de fato muitas abordagens, alguns apontamentos, demasiadas e felizardas utopias jamais concebíveis e meu subconsciente respondera com o mais cabal dos teoremas: 'O quadro tornar-se-á pior'. O Apocalipse instalara-se em minhas entranhas. Turbulento e em passos vacilantes, caí. De rosto no pó que recebera pés descalços, suor, sangue e tão logo receberia um suntuoso edifício, permaneci prostrado. Minhas dores foram augustas e variadas, esperava ainda moinhos de vento, contudo, dessa vez, senti as chamas cuspidas pelos dragões consumindo minh'alma. Recorri a planos econômicos e sistemas de governança, repudiei o Norte e o Sul, as falaciosas classes sociais, a guerra digital, eletrônica, econômica e institucional, por essas horas, fora decretada de modo oficioso a morte de meus heróis. Talvez de overdose ou descaso, decerto que seus poderes não reduziriam o impacto da novíssima gazetada: "O globo aqueceu mais um grau".

Clamei a todos os deuses um pouco de luz, de sobriedade, de compaixão. Porque tão poucos lutam por tantos? Dantesco ou ridículo, correra mais algumas lágrimas... A comédia perdera espaço à tragédia, assisti à lenta e aflitiva marcha fúnebre dos meus e dos seus entes; ainda que olhasse para os dois lados, presumi que o terror não viria apenas dos ataques terroristas e suas bombas... Dilacerado e fantasioso como Cândido, disse a alguns próximos que a nossa então sobrevivência nos tornaria infindáveis, fadados tão somente a contracenar com o tédio, o vício e a iminência de precisão. Acaso, viver era preciso? Pululava em minha mente a afirmação oposta de Pompeu, o general romano. Meus olhos ainda incrédulos assistiram à maioria das crianças morrerem, os sobreviventes carregavam nas costas e para si o peso do mundo ignóbil, mais um sonho soou como rematado, o medo golpeara-me de modo certeiro. A visão absorvera e cerrara. Expeliam-se lágrimas como turbilhão e a certeza, sempre incerta, incestou-se em verbos: Esperançar, tentar, agir, vencer; os mesmos trancafiaram-se e a porta só pode ser aberta por dentro... Não me recordo do complemento; não saí de casa e tive medo de dormir. A saga, regida pelos próprios espectadores continuou a rumar... Respostas, ainda não encontrei. Meus olhos, absolvi.

.......................................... "I begged all gods for a little bit of light, sobriety and compassion. Why so few fight for so many? Dantesque or ridiculous, a few more tears were shed..." MY EYES, I ABSOLVED I absolve my eyes. Non-reactive, for the time being they blink, they shed tears of bitterness and a handful of deep satisfaction intersperse their eyelids, make them rest, observe and stay startled... I walked to the four corners, circ*mspect in curiosities and wrapped in condemnation, I lamented the children's innocence, devastated by poverty, stained by seropositive and stuck in hunger; they were invisible and separatist metal chains, nevertheless the children smiled. One tear, heavy as a body, was dropped. Unesco | Folha Dirigida

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No matter how much I insisted, they did not stop. From working, killing, dying, feeding the traffic and being fed by the drugs. They moaned with hunger; some would have their mother's milk, others would cry a little longer. Answers, I did not find, but a tear was dropped. I searched in the books and talked with the thinkers, there were, in fact, many approaches, some notes, too much and lucky utopias which one could never conceive and my subconscious answered with the most complete of the theorems: 'Things will get worse'. The Apocalypse had settled down inside myself. Agitated and walking unsteadily, I felt. Face down into the dust that received bare feet, sweat, blood and that would soon receive a sumptuous building, I stayed prostrate. My pains were august and diverse, I was still waiting for windmills; however, this time, I felt the flames being belched out by the dragons consuming my soul. I resorted to economic plans and government systems, I repudiated the North and the South, the fallacious social classes, the digital, electronic, economic and institutional war; by now, the death of my heroes had been unofficially proclaimed. Maybe from overdose or indifference, surely their powers would not reduce the impact of the newest truancy: "The globe temperature is one degree higher". I begged all gods for a little bit of light, sobriety and compassion. Why so few fight for so many? Dantesque or ridiculous, a few more tears were shed... Comedy had given place to tragedy, I watched the slow and grievous funeral of my and your dear ones; although I looked to both sides, I presumed that terror would not come only from terrorist attacks and their bombs... Distressed and fantastical like Candido, I told some close by that our said survival would make us endless, destined only to act with the tedium, the addiction and the imminence of necessity. Perhaps, was it necessary to live? The opposite statement by Pompeii, the Roman general, boiled in my mind. Still skeptical, my eyes watched the majority of the children die, the survivors carried on the backs and for themselves the weight of an ignoble world, one more dream sounded as finished, and fear knocked me straight down. Vision absorbed it and closed. Tears were shed like a whirl, and certainty, always uncertain, committed incest with itself in verbs: to hope, try, act, win; the same ones imprisoned themselves and the door can only be unlocked from inside... I do not remember the complement; I did not leave my home and was afraid of sleeping. The saga, conducted by the spectators themselves kept on going... Answers, I have not yet found them. My eyes, I absolved.

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"J'ai acclamé à tous les dieux un peu de lumière, de sobriété, de compassion. Pourquoi si peu luttent pour beaucoup? Dantesque ou ridicule, davantage de larmes couleront..." MES YEUX, J'AI ABSOUS J'absous mes yeux. Non réactifs, parfois ils clignent, larmoient l'amertume et une poignée de plaisir intercale leurs paupières, les font reposer, observer, se maintenir effrayés... J'ai marché aux quatre coins, circonspecte en curiosités et implique en condamnation, j'ai lamente l'innocence des enfants, dévastées par la pauvreté, taches par le séro positif et plongées dans la faim; ils étaient des menottes invisibles et séparatistes, cependant, elles souriaient. Une larme, avec le poids d'un corps, tomba. J'avais beau insister, elles ne s'arrêtaient pas. De travailler, de tuer, de mourir, d'alimenter la marchandise et d'être alimentées par les drogues. Elles gémissaient de faim; les uns auraient le lait maternel, d'autres crieraient un peu plus. Je n'ai pas trouvé de réponses, une autre larme tomba. J'ai recherché dans des livres et chez les penseurs, il y avait en fait beaucoup d'abordages, quelques indications et des utopies chanceuses jamais concevables et mon subconscient avait répondu avec le plus sérieux des théorèmes: 'Le cadre s'empirait. L'apocalypse s'était installée dans mes entrailles. Turbulent et à pas oscillants, je tombai. Le visage dans la poussière qui avait reçu les pieds nus, sueur, sang et aussitôt recevrait un somptueux bâtiment, je restai prostré. Mes douleurs étaient augustes et variées, j'attendais encore les moulins à vent mais, cette fois, je sentis les flammes crachées par les dragons consommant mon âme. J'ai eu recours à des plans économiques et es systèmes de gouvernance, j'ai répudié le Nord et le Sud, les classes sociales fallacieuses, la guerre digitale, électronique, économique et institutionnelle, pour ces heures, était décrétée de manière officielle la mort de mes héros. Peut-être d'overdose ou négligence, certainement que leurs pouvoirs ne réduiraient pas l'impact de la nouvelle gazette: "Le globe s'est réchauffé d'un degré de plus". J'ai acclamé à tous les dieux un peu de lumière, de sobriété, de compassion. Pourquoi si peu luttent pour beaucoup? Dantesque ou ridicule, davantage de larmes couleront. La comédie avait perdu de l'espace pour la tragédie, j'assistai à al lente et douloureuse marche funèbre des miens et de leurs esprits; bien que je regardais des deux côtés, je présumai que la terreur ne viendrait pas à peine des attaques terroristes et de leurs bombes... Unesco | Folha Dirigida

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Dilacéré et fantaisiste comme Cândido, je dis à certains proches que notre actuelle survie nous rendrait infinis, prédestinés seulement à jouer sur scène avec l'ennui, le vice et l'imminence de précision. Par hasard, il fallait vivre? Pullulait dans mon esprit l'affirmation opposée de Pompeu, le général romain. Mes yeux encore incrédules assistaient à la mort de la majorité des enfants les survivants portaient sur le dos et pour soi le poids du monde ignoble, encore un rêve sonna comme conclu, la peur me frappait de façon certaine. La vision avait absorbé et s'était fermée. Les larmes étaient expulsées comme un tourbillon et l'évidence, toujours incertaine, s'inceste en verbes: Avoir l'espoir, essayer agir, vaincre; les mêmes s'enfermaient et la porte ne peut s'ouvrir que de l'intérieur. Je ne me souviens pas du complément; je ne sortis pas de chez moi et j'ai eu peur de dormir. La saga, régie par les propres spectateurs continua dans sa direction... Réponses, je n'en ai pas encore trouvées. Mes yeux, j'ai absous

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"A televisão, a ilusão – fuga da realidade que mata a nossa fome de mentira. Ah, que mentira má!"

Solange Santos Santana

UEFS – Universidade Estadual de Feira de Santana – Feira de Santana – BA

À PROCURA DO ENCONTRO Eram poucos, como sempre... E mesmo assim, queriam ir até o infinito. Descobriram, desde muito cedo, que mesmo com as mãos sangrando, o melhor era ir juntos e em frente. Adiante!! Em meio a monstros, fantasmas, ânsias, injustiças e roubos estava a Esperança, que sempre serena, os animava a seguir em busca da Solidariedade. Todos já sabiam que ela era a única solução para a pobreza e desigualdade que assolava o nosso planeta! Estavam andando há tempos, há séculos, e depois de tantos desencontros tinham agora a chance de uma pequena conversa, de uma esperançosa conversa. Meio angustiados, sorrisos embaraçados pelo choro preso na garganta, seguiram em frente e abobalhados pararam naquele olhar firme e celestial. Era ela, enfim, encontraram-na. Aproximaram e ao tocá-la sentiram o Mundo: -Uma manhã viva, onde homens teciam novos dias; -meninas-mães dando a luz em meio a choros e ranger de dentes; – o espetáculo da vida desfiando, fabricando, brotando e explodindo; – o vento semeando, trabalhando pra compensar a nossa ignorância; – o salto da ave para o vôo; a liberdade engaiolada de enfeite numa sala tosca; – os jornais levando notícias; jornais-cobertores que aquecem a mente e o corpo; – a terra desertada, calcinada, abandonada de onde tudo foge, de onde só poucos ficam por não terem aonde ir; – um mendigo, uma porta entreaberta, a invasão, o consolo; O Mundo estava pior do que ela pensava, fazia tempo que se importa com a nossa história; descobriu, faz muito tempo, que o homem era um destruidor de vidas, de lares, de alegrias, da paz, da fé. Era tudo muito triste e real, choramos juntos por tudo que víamos. Fraquejar era o melhor? Que nada!!! O melhor era seguir em frente! Adiante!!! Unesco | Folha Dirigida

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A Solidariedade nos fortaleceu e nos guiou na nossa caminhada. Tínhamos que ver tudo antes do seu milagre: a Renovação. Fechamos os olhos e segurando na sua mão nos percebemos em meio a homens descalços, crianças famintas, fogão à lenha, panela vazia... Muitos Severinos, Joaquins, Marias, Doralinas iguais em tudo na vida, morrendo de fome e de preguiça. Faltava-lhes coragem de ter coragem. Faltava solidariedade!! Víamos a desordem da alma, fugindo, atropelando, crescendo, perdendo-se... A vida comendo a vida, impiedosa, cruel... A televisão, a ilusão – fuga da realidade que mata a nossa fome de mentira. Ah, que mentira má! Caminhamos e depois de muito caminhar víamos o homem aquém do homem, capaz de roer, de sangrar, de gritar. O homem nascendo, sobrevivendo e renascendo sempre. O silêncio. O verso renascendo, a Solidariedade vinculando o indivíduo à vida, novas chances para vencer, se não a pobreza social, pelo menos a mental. Abrimos os olhos e olhamos ao redor... Pouco havia mudado, mas nós já não éramos os mesmos!...

.......................................... "Television, illusion – an escape from reality that appeases our "fake" hunger. Oh, what a mean lie!" SEARCHING FOR THE ENCOUNTER They were few, as always... And still, they wanted to go to the infinite. They found, since very early, that even with the hands bleeding, the best option was to go together and ahead. Go on!! In the midst of monsters, ghosts, anxieties, injustices and thefts, there was Hope, which with its usual serenity, cheered them up to continue in the search of Solidarity. Everyone already knew that this was the only solution for the poverty and inequality that devastated our planet! They had been walking for a long time, for centuries and after going in different directions so much, they now had the chance for a short conversation, a conversation full of hope. Half-anxious, with their smiles embarrassed by the weep locked up inside the throat, they went ahead and stopped stupefied at that fixed and celestial

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look. There it was finally, they had found it. They came close and when they touched it, they felt the World: – A live morning, where men wove new days; – girls-mothers giving birth in the middle of cries and teeth grinding; – the show of life fraying, manufacturing, sprouting and bursting; – the wind sowing, working to compensate our ignorance; – the bird jump into flight; the freedom imprisoned in a decorative cage inside a primitive room; – the newspapers taking news; newspapers-blankets that warm up mind and body; – the deserted, calcined, abandoned land, from where everything runs away, where only a few stay because they do not have a place to go; – a beggar, a partially opened door, the invasion, the comfort; The World was worst than it thought, it had cared about our history for a long time now; it had discovered, a long time ago, that man was a destroyer of lives, homes, happiness, peace, faith. Everything was very sad and real, we cried together for everything we saw. To weaken was the best? Not at all!!! The best was to keep going ahead. Go on!!! Solidarity made us stronger and guided us in our walk. We had to see everything before its miracle: the Renewal. We closed our eyes and holding its hand we perceived ourselves in the middle of bare feet men, famished children, wood stove, empty pan... Many Severinos, Joaquins, Marias, Doralinas all equal in everything in life, dying of hunger and laziness. They lacked courage to have courage. They lacked solidarity!! We would see the soul disorder, running away, running over, growing, and losing ourselves... Life eating life, impious, cruel... Television, illusion – an escape from reality that appeases our "fake" hunger. Oh, what a mean lie! We walked and after walking, we saw the man beyond the man, capable of nibbling, bleeding, shouting. The man being born, surviving and always being born again. The silence. The verse being born again, Solidarity connecting the individual to life, new chances to win at least the mental poverty, if not the social one. We opened our eyes and looked around... Little had changed, but we were not the same anymore!...

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"La télévision, l'illusion – fuite de la réalité qui tue notre faim de mensonge. Ah, quel mensonge néfaste!" À LA RECHERCHE DE LA RENCONTRE Ils étaient peu comme toujours... Et même ainsi, ils voulaient aller à l'infini. Ils avaient découvert, depuis très tôt, que même avec les mains en sang, le mieux était d'aller ensemble et en avant. A l'avant!! Au milieu de monstres, fantasmes, angoisses, injustices et vols se trouvait l'Espoir, qui toujours sereine, les encourageait à continuer à la recherche de la Solidarité. Tous savaient déjà qu'elle était la seule solution pour la pauvreté et l'inégalité qui affligeait notre planète! Ils marchaient depuis longtemps, depuis des siècles et après tant de discordes, ils avaient maintenant la chance d'une petite conversation, d'une conversation d'espérance. Un peu angoissés, sourires gênés par les sanglots pris dans la gorge, ils continuèrent en avant et abêtis ils s'arrêtaient dans le regard ferme et céleste. C'était elle, enfin, ils l'avaient trouvé. Ils s'approchèrent et en la touchant sentirent le Monde: – Un matin vif ou les hommes tissaient de nouveaux jours; – femmes enfants donnant le jour au milieu de pleurs et de grincements de dents; – le spectacle de la vie défilant, fabricant, poussant et explosant; – le vent semant travaillant pour compenser notre ignorance; – le saut de l'oiseau pour le vol; la liberté enfermée de décor dans une salle rude; – les journaux relevant les nouvelles; journaux couvertures qui réchauffent l'esprit et le corps; – la terre désertée, calcinée, abandonnée d'où tout fuit, d'où Seul très peu restent pour ne pas avoir où aller; – un mendiant, une porte entrouverte, l'invasion, la consolation; Le Monde était pire qu'elle le pensait, cela faisait un moment qu'elle s'importait de notre histoire; elle découvrit, il y a longtemps que l'homme était un destructeur de vies, de foyers de joies, de paix, de la foi. C'était très triste et réel, nous pleurions ensemble pour tout ce que nous voyions. Faiblir était le mieux? Non!!! Le mieux était continuer en avant. En avant!!! La Solidarité nous fortifia e nous guida dans notre marche. Nous devions tout voir avant son miracle: la Rénovation. Nous fermions les yeux et lui tenant la main nous nous trouvions au milieu

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d'hommes pied nus, enfants affamés, fourneau à bois, casserole vide... Beaucoup de Severinos, Joaquins, Marias, Doralinas égaux en tout dans la vie, mourant de faim et de nonchalance. Il leur manquait du courage. Il manquait la solidarité!! Nous voyions le désordre de l'âme, fuyant, écrasant, croissant, se perdant... La vie mangeant la vie, sans pitié, cruelle... La télévision, l'illusion – fuite de la réalité qui tue notre faim de mensonge. Ah, quel mensonge néfaste. Nous marchions et après avoir beaucoup marche, nous avons vu l'homme audessous de l'homme, capable de ronger, de saigner de crier. Le silence. Le vers renaissant, la Solidarité liant l'individu à la vie, nouvelles chances de vaincre, si non la pauvreté sociale, au moins la mentale. Nous ouvrions les yeux et regardions aux alentours... Peu de chose avait changé, mais nous n'étions déjà pas les mêmes!...

Unesco | Folha Dirigida

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"Governo e sociedade precisam descruzar os braços porque só assim vão conseguir dar as mãos."

Teresa Roberta Soares da Silva

Universidade Católica de Pernambuco – Vitória de Santo Antão – PE

OS NOVOS 10 MANDAMENTOS DA HUMANIDADE Na guerra contra a pobreza e a desigualdade, a ordem de batalha é seguir os 10 mandamentos da dignidade humana. O primeiro mandamento é simples: Levantarás dessa cadeira, onde esperas sentado há tanto tempo. Arregaçarás as mangas. Marcharás rumo ao combate. Sem luta, não há vitória. Segundo mandamento: Ensinarás pelo menos um analfabeto a ler. Incentivarás a leitura. Ela dá inteligência e poder; enobrece e faz crescer. O terceiro mandamento é uma lição para as autoridades: Não serás corrupto. Não corromperás nem comprarás a integridade de ninguém. Não roubarás dos pobres nem enriquecerás os ricos. Trabalharás honestamente e em benefício de todos. O quarto mandamento é sacrificante para muitos: Abrirás mão das futilidades. Comprarás só o essencial. Terás uma vida mais simples. Investirás em cultura e educação. O mundo precisa de educação pública de qualidade porque ela é o alicerce de qualquer processo de socialização. Educar alguém é fazer com ele sinta-se igual perante os outros. Quinto mandamento: Preservarás o meio ambiente. Ele é fonte de sobrevivência e sustentação para muita gente. Não destruirás o pouco que ainda resta das florestas, nem secarás os rios até a última gota. Boa parte da população do planeta vive da pesca e da colheita. Sexto mandamento: Cuidarás dos doentes. Os governantes deverão investir mais em saneamento e saúde pública. Os médicos deverão honrar seu juramento e atender a todos os pacientes; mesmo aqueles que não têm plano de saúde. A saúde é um direito de todos. O sétimo mandamento é uma obrigação: Participarás de projetos sociais e incentivarás a criação e o desenvolvimento deles. Os projetos sociais são um instrumento poderoso no combate à desigualdade. Oitavo mandamento: Valorizarás os esportes. Eles são uma forma de inclusão social. O esporte, mais do que nunca, está formando cidadãos, resgatando vidas e merece respeito e investimento. Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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Nono mandamento: Apreciarás as artes e os projetos culturais. A dança, o teatro, a música, o cinema, as artes plásticas e a literatura constituem uma ferramenta preciosa para o desenvolvimento sociocultural e intelectual do indivíduo. O acesso à arte e à cultura afasta o ser humano das mazelas da sociedade e dá a ele uma nova visão de mundo. Décimo mandamento, mas não menos importante que os demais: Combaterás às injustiças. A injustiça favorece a desigualdade entre os seres. Um mundo injusto é um mundo doente; iníquo; perverso. Lutar contra as injustiças é, acima de tudo, ter moral. Esses mandamentos não caíram do céu; muito menos foram esculpidos numa pedra no alto de uma montanha. Eles são a súplica de uma sociedade real e atual que está em meio a um verdadeiro suplício. Nessa guerra, os continentes não podem ser cinco; eles têm que ser um. Governo e sociedade precisam descruzar os braços porque só assim vão conseguir dar as mãos. A desigualdade é um mal que tem solução. Para vencê-la, é necessário providência; e o primeiro passo é a conscientização de que a pior pobreza ainda é a de espírito.

.......................................... "Government and society need to uncross their arms because only in this way they will be able to hold hands." THE NEW 10 COMMANDMENTS OF HUMANITY In the war against poverty and inequality, the battle's order is to follow the 10 commandments of human dignity. The first commandment is simple: Thou shalt stand up from that chair, where you have been waiting sitting for such a long time. You shall roll up your sleeves. You shall march into combat. Without fight, there is no victory. The second commandment: Thou shalt teach at least one illiterate how to read. You shall stimulate reading. It gives intelligence and power; it dignifies and makes grow. The third commandment is a lesson for the authorities: Thou shalt not be corrupt. You shall neither corrupt nor buy anyone's integrity. You shall neither steal from the poor nor enrich the wealthy. You shall work honestly and for the benefit of everyone. The fourth commandment is a sacrifice for many: Thou shalt give up futility. Unesco | Folha Dirigida

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You shall only buy the essential. You shall have a much simpler life. You shall invest in culture and education. The world needs quality public education, because that is the foundation of any socialization process. To educate someone is to make he or she feels equal before the others. The fifth commandment: Thou shalt preserve the environment. It is the source of survival and support for many people. You shall neither destroy the little amount of the forests that still remains, nor dry the rivers down to the last drop. A great portion of the planet's population lives from fishing and harvesting. The sixth commandment: Thou shalt take care of the sick. The governors shall invest more in sanitation and public health. The medical doctors shall honor their oath and attend all patients; even those that do not have a health plan. Health is a universal right. The seventh commandment is an obligation: Thou shalt be involved in social projects and thou shalt encourage their creation and development. The social projects are a powerful tool in the fight against inequality. The eighth commandment: Thou shalt value the sports. Sports are one kind of social inclusion. More than ever, sports are forming citizens, rescuing lives, therefore they deserve respect and investment. The ninth commandment: Thou shalt appreciate the arts and the cultural projects. Dance, theater, music, movies, plastic arts and literature make up a precious tool for a person sociocultural and intellectual development. The access to arts and to culture keeps the human being away from the society's wounds and gives him/her a new view of the world. The tenth commandment, but not less important than the others: Thou shalt fight injustice. Injustice favors inequality among people. An unfair world is a sick, iniquitous, evil world. Fighting against injustices is, above all, having morals. Those commandments did not fall from heaven; much less were carved in a stone on the top of a mountain. They are the supplication from a real and current society, which is in the middle of a true torture. In this war, the continents cannot be five; they have to be a single one. Government and society need to uncross their arms because only in this way they will be able to hold hands. Inequality is a disease that has a cure. Providence is necessary in order to defeat it; and the first step is to be aware that the worst poverty is still the spiritual one.

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"Gouvernement et société ont besoin de décroiser lês brás car seulemetn ainsi vont réussir à donner les mains.." LES NOUVEAUX 10 COMMANDEMENTS DE L'HUMANITÉ Dans la guerre contre la pauvreté et l'inégalité, l'ordre de bataille est suivre les 10 commandements de la dignité humaine. Le premier commandement est simple: Tu te lèveras de cette chaise, ou tu attends depuis longtemps. Tu remonteras les manches. Tu marcheras vers le combat. Sans lutte, pas de victoire. Deuxième commandement: Tu enseigneras au moins un analphabète à lire. Tu encourageras la lecture. Elle apporte intelligence et pouvoir, ennoblit et fait croître. Le troisième commandement est une leçon pour les autorités: Tu ne seras pas corrompu. Tu ne corrompras pas ni achèteras l'intégrité de personne. Tu ne voleras pas des autres ni s'enrichiras les riches. Tu travailleras honnêtement et au bénéfice de tous. Le quatrième commandement est un sacrifice pour beaucoup: Tu te passeras des futilités. Tu achèteras seulement l'essentiel. Tu auras une vie plus simple. Tu investiras en culture et éducation. Le monde a besoin d'éducation publique de qualité car elle est le fondement de n'importe quel processus de socialisation. Eduquer quelqu'un c'est faire qu'il se sente égal devant les autres. Cinquième commandement: Tu préserveras l'environnement. Il est la source de la survie et le soutien de beaucoup de personnes. Tu ne détruiras pas le peu qu'il reste encore de forêts, ni sécheras les fleuves jusqu'à la dernière goutte. Une bonne partie de la population de la planète vit de pêche et de récolte. Sixième commandement: Tu prendras soin des malades. Les gouvernants devront investir plus en assainissem*nt et santé publique. Les médecins devront honorer leur jurement et recevoir les patients; même ceux qui n'ont pas de plan de santé. La santé est un droit de tous. Le septième commandement est une obligation: Tu participeras à des projets sociaux et encourageras leur création et leur développement. Les projets sociaux sont un instrument puissant dans le combat à 'inégalité. Huitième commandement: Tu valoriseras les sports. Ils sont une forme d'inclusion sociale. Le sport, plus que jamais forme des citoyens, sauvant des vies et mérite respect et investissem*nt. Neuvième commandement: Tu apprécieras les arts et les projets culturels. La danse, le théâtre, la musique, le cinéma, les arts plastiques et la littérature constituent un outil précieux pour le développement socio– culturel et intellectuel

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de l'individu. L'accès à l'art et à la culture éloigne l'être humains des problèmes de la société et lui donne une nouvelle vision du monde. Dixième commandement, mais non moins important que les autres: Tu combattras les injustices. L'injustice favorise l'inégalité entre les êtres. Un monde injuste est un monde malade; injuste, pervers. Lutter contre l'injustice est, au-dessus de tout, avoir la moralité. Ces commandements ne sont pas tombés du ciel; encore moins ont été sculptés dans une pierre en haut de la montagne. Ils sont la supplique d'une société réelle et actuelle au milieu d'un vrai supplice. Dans cette guerre, les continents ne peuvent pas être cinq; ils doivent être un seul. Gouvernement et société ont besoin de décroiser les bras car seulement ainsi ils vont réussir à donner les mains. L'inégalité est un mal qui a une solution. Pour la vaincre, la providence est nécessaire; et le premier pas est la prise de conscience du fait que la paire pauvreté encore est celle de l'esprit.

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"Nasci para vencer e nem a pobreza e nem a dona desigualdade me vencerão Nunca desistirei, serei forte até o fim."

Ulrich Privat Akendengue Moussavou

UFF – Universidade Federal Fluminense – Niterói – RJ

O CAMINHO DA ESPERANÇA Viajei durante nove meses, meses de reflexões. Reflexões e pura esperança. Meses, de carinho e tempo de angústia. Angustia da espera de uma criança. Mas foi-se tempo de muito amor, amor e carinho. Na frente, ainda me esperava um mais longo e árduo caminho. Nascemos todos iguais, dizem as nossas leis. Mas ao nascer hoje, deparei-me com fatos diferentes, constituições e acordos falíveis. Ao chegar neste mundo Ao abrir meus olhos, ao encher de ar meus pulmões. Ao sentir meu coração bater Senti-me, pelos braços da pobreza e da desigualdade, envolvido. O caminho foi longo até eu chegar aqui Nasci para vencer e nem a pobreza e nem a dona desigualdade me vencerão Nunca desistirei, serei forte até o fim. Nasci em terra árida, nasci pobre, vitima da desigualdade. Ao nascer, chorei, e minha lágrima, primeira gota de uma esperança caiu no chão de onde brotou uma nova luz. Sou a esperança de um povo, sou a cura das nossas doenças. Sou a fé, o respeito entre os Homens. Sou a compreensão, sou a esquecida humanidade dos seres humanos. Sou a ética, sou a paz. Não sou guerra, não sou conflitos, não sou poder. Por que tantas guerras? Por que tantos conflitos? Por que tantas ganâncias? Rezai, levantai os olhos para o Céu e pedi ajuda a Deus. Ao ouvir meus choros, ao ouvir minha miséria, ao ouvir minhas suplicações. Nosso Pai do Céu revelou-me que a solução não estava no crescimento econômico

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Revelou-me que nem o avanço tecnológico, nem o poder das armas. Nem uma boa política educativa ou sócioeconômica seria o caminho E de Deus, nosso Pai, ouvi: Siga seu coração. Eu não sou só política, não sou só lucro, não sou só planejamento, não sou só ajuda, não sou só programa de luta contra pobreza, não sou só ajuda internacional, não sou só educação. Eu só o Homem na sua pura e divina essência, sou alegria de viver, sou dignidade, sou oportunidade, sou respeito, sou tolerância, sou amor. Sou pobre, mas sou rico e rico de amor para dar. Sou filho da Terra, árvore nascente no meio do deserto. Sou a última das esperanças que morre.

.......................................... "I was born to win and neither poverty nor Ms. Inequality will defeat me I will never give up, I will be strong until the very end." THE HOPE'S PATH I traveled nine months, months of thoughts. Thoughts and pure hope. Months, of kindness and time of anxiety. Anxiety from expecting a child. But it was a time of much love, love and caring. Ahead, a longer and harder way still waited for me. We were all born the same, our laws say. But today when I was born, I came across different facts, fallible constitutions and agreements. As I arrived in this world As I opened my eyes, as I filled my lungs with air. As I felt my heart beat I felt myself embraced by the arms of poverty and inequality. It has been a long way until I got here I was born to win and neither poverty nor Ms. Inequality will defeat me I will never give up; I will be strong until the very end. I was born in a dry land; I was born poor, a victim of inequality.

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When I was born, I cried, and my tear, first drop of a hope, fell on the ground, from where a new light sprouted. I am people's hope; I am the cure for our diseases. I am faith, respect among Men. I am understanding, I am the human beings forgotten humanity. I am the ethic, I am peace. I am not war, I am not conflicts, I am not power. Why so many wars? Why so many conflicts? Why so much greed? Pray, look up to the Sky and ask for God's help. As my cries were heard, as my misery was heard, as my supplications were heard. Our Heavenly Father revealed to me that the solution was not in economic growth He revealed to me that neither the technological advance, nor the power of weapons. Nor a good educational or socioeconomic policy would be the way And from God, our Father, I heard: Follow your heart. I am not politics only, I am not profit only, I am not planning only, I am not help only, I am not a program to fight poverty only, I am not international aid only, I am not education only. I am only the Man in his pure and divine essence, I am joy of living, I am dignity, I am opportunity, I am respect, I am tolerance, I am love. I am poor, but I am rich and rich of love to give. I am the son of Earth, tree being born in the middle of the desert. I am the last of the hopes to die.

.......................................... "Je suis né pour vaincre et ni la pauvreté ni dame inégalité ne me vaincront Je ne désisterai jamais, je serai fort jusqu'à la fin." LE CHEMIN DE L'ESPOIR J'ai voyagé pendant neuf mois, mois de réflexions. Réflexions et pur espoir. Mois, d'affection et temps d'angoisse. Angoisse de l'attente d'un enfant. Mais le temps de beaucoup d'amour, amour et affection s'en est allé. Unesco | Folha Dirigida

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Devant, m'attendait encore un chemin plus long et ardu. Nous naissons tous égaux, disent nos lois. Mais en naissant aujourd'hui, j'ai fait face à des faits différents, constitutions et accords pouvant avoir des erreurs. En arrivant dans ce monde En ouvrant mes yeux, en remplissant d'air mes poumons. En sentant mon cœur battre Je me suis senti entouré par les bras de la pauvreté et de l'inégalité. Le chemin a été long jusqu'à arriver ici Je suis né pour vaincre et ni la pauvreté ni da inégalité me vaincront Je ne désisterai jamais, je serai fort jusqu'à la fin. Je suis né sur une terre aride, je suis né pauvre, victime de l'inégalité. A la naissance, j'ai pleuré, et ma première larme, première goutte d'un espoir est tombée par terre d'où a poussé une nouvelle lumière. Je suis l'espoir d'un peuple, je suis la cure de nos maladies. Je suis la foi, le respect entre les Hommes. Je suis la compréhension, je suis l'humanité réchauffée des êtres humains. Je suis l'éthique, je suis la paix. Je ne suis pas la guerre, ni les conflits, ni le pouvoir. Pourquoi tant de guerres? Pourquoi tant de conflits? Pourquoi tant d'ambitions de gain? J'ai prié, j'ai levé les yeux au Ciel et ai demande l'aide à Dieu. En entendant mes pleurs, en entendant ma misère, en entendant mes supplications. Notre Père du Ciel m'a révélé que la solution ne se trouvait pas dans la croissance économique Il m'a révélé que ni les progrès technologiques, ni le pouvoir des armes. Ni une bonne politique éducative ou socio économique serait le chemin Et de Dieu, notre Père, j'ai entendu: Suis ton Coeur. Je ne suis pas seulement politique, je ne suis pas seulement le gain, je ne suis pas seulement la planification, je ne suis pas seulement l'aide, je ne suis pas seulement le programme de lutte contre la pauvreté, je ne suis pas seulement l'aide internationale, je ne suis pas seulement l'éducation. Je suis l'Homme dans sa pure et divine essence, je suis la joie de vivre, je suis la dignité, je suis l'opportunité, je suis le respect, je suis la tolérance, je suis l'amour. Je suis pauvre, mais je suis riche et riche d'amour à donner. Je suis fils de la Terre, arbre naissant au milieu du désert. Je suis le dernier des espoirs qui meurt.

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"O ser humano, na verdade, se tornou uma máquina insensata e desumana que desconsidera o próximo e pensa pura e exclusivamente no bem-estar individual..."

Vando Victal

Universidade Federal de Juiz de Fora – Juiz de Fora – MG

sem*nTES DO MUNDO O mundo atual passa por um momento muito crítico, em todos os jornais, revistas, noticiários de TV ou rádio de todos os países, principalmente naqueles mais pobres, é comum nos depararmos com o crescimento da violência contra a vida. Uma violência que é fruto da intolerância, do preconceito, da falta de amor, da ausência do respeito para com o seu igual, da corrupção, da desonestidade, da desigualdade e da crescente pobreza e miséria que assolam não só os lares, mas também a alma das pessoas. O ser humano, na verdade, se tornou uma máquina insensata e desumana que desconsidera o próximo e pensa pura e exclusivamente no bem-estar individual, ainda que isso signifique a infelicidade de dezenas de milhares de pessoas. Em vários países, nós temos entidades não governamentais e governos empenhados em tentar modificar essa situação. No entanto, apesar das várias medidas econômicas e planos de governo já experimentados, os progressos foram poucos. E somente naqueles países nos quais as medidas econômicas vieram apoiadas a algum incentivo ou valorização da educação, as melhorias foram mais significativas e também produziram uma redução nos índices de pobreza e desigualdade social, com um conseqüente aumento na expectativa e na qualidade de vida das pessoas. Isso revela que toda e qualquer medida que pretenda diminuir com a pobreza e desigualdade que habitam o nosso planeta, não pode ser aplicada isoladamente, baseando-se apenas em aspectos econômicos. Ela tem que ser sustentada por medidas educativas que visem trabalhar e reavivar valores éticos, morais e humanos, como: amor ao próximo, senso de justiça e respeito às leis, valorização da vida, conhecimento e aplicação dos direitos humanos, ou seja, questões e conceitos que há muito deixaram de ser ensinados às crianças que hoje se tornaram médicos, advogados, professores, pais de famílias, políticos e vários outros pseudo-cidadãos que vagam pelo mundo com uma visão egocêntrica, individualista, preconceituosa, desumana e radical, que não respei-

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tam as diferenças e nem se importam com o estado no qual o outro se encontra. Tudo isso, então, revela que esse estado no qual vivemos é fruto daquilo que negamos aos nossos jovens no passado, ou seja, uma educação de qualidade e inclusive, que respeite as diferenças e se preocupe com o próximo. Assim sendo, não há nenhuma medida econômica que sozinha poderá diminuir com a desigualdade e pobreza vastamente observada no mundo. Portanto, para acabarmos ou diminuirmos com pobreza e desigualdade é necessário que, associada às políticas publicas que almejam fazer uma melhor redistribuição de rendas e de bens produzidos pela sociedade, os governos invistam maciçamente na pessoas e na educação que lhes é oferecida. Somente assim, vamos ter no futuro verdadeiros cidadãos que sejam frutos e sem*ntes de um mundo ou sociedade que aprendeu a ver o outro não como um estrangeiro, um rival ou um inimigo, mas sim como mais um tripulante que habita temporariamente nesta grande nave-mãe chamada Terra.

.......................................... "In fact, human being became an irrational and inhuman machine who disrespects others and thinks purely and exclusively in his or her own well being..." WORLD SEEDS Today's world goes through a very much critical moment. In all newspapers, magazines, TV news or radio from all countries, especially the poorer ones, it is common to come across the growth of violence against life. Violence that is a result of intolerance, of prejudice, of lack of love, of lack of respect for your equal, of corruption, of dishonesty, of inequality and of the growing poverty and misery that devastate not only the people's homes, but also their souls. In fact, human being became an irrational and inhuman machine that disrespects others and thinks purely and exclusively in his or her own well being, even if this means the unhappiness of tens of thousands of people. There are non-governmental entities and governments in many countries engaged in trying to change this situation. However, in spite of the various economic measures and governmental plans already tried, very little progress has been made. And only in those countries where the economic measures were supported by some kind of educational incentive or appreciation, the improvements were greater and also produced a reduction on the poverty and Como vencer a pobreza e a desigualdade | How to stop poverty and inequality | Comment vaincre la pauvreté et l'inégalité'

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social inequality indexes, followed by an increase in life expectancy and quality. This unveils that any and every measure intended to reduce poverty and inequality in our planet cannot be applied alone and based only on economic aspects. It has to be supported by educational measures which focus on working and reviving ethical, moral and human values, such as: love for other people, sense of justice and respect for the laws, respect for life, knowledge and application of human rights, i.e., issues and concepts that have not been taught in a long time to the children which are, today, medical doctors, lawyers, teachers, parents, politicians and various others pseudocitizens that wander around the world with egocentric, individualist, prejudiced, inhuman and radical views, which do not respect the differences and do not care about the condition in which the other person is found. So, all of this reveals that the condition in which we live is a result from what we denied to our youth in the past: a quality education which also respects the differences and worries about the others. In such case, there is no economic measure that can reduce alone the inequality and the poverty vastly observed in the world. Therefore, in order to end or reduce poverty and inequality, the public policies intended to make a better redistribution of revenues and of goods produced by the society need to be associated with a massive investment by the government on people and on the education that they are offered. Only in this way, we will have, in the future, real citizens as the products and seeds of a world or society that has learned to see other people not as a foreigner, a rival or an enemy, but as one more member of the crew that temporarily inhabits this huge mother ship called Earth.

.......................................... "L'être humain, en réalité, est devenu une machine insensée et inhumaine qui ignore le prochain et pense purement et exclusivement au bien-être individuel..." GRAINES DU MONDE Le monde actuel traverse une période très critique, dans tous les journaux, revues, nouvelles à la télévision ou radio de tous les pays surtout dans ceux plus pauvres, il est commun de faire face à la croissance de la violence contre la vie. Une violence qui est le fruit de l'intolérance, du préjugé, du manque d'amour, de l'absence du respect pour son égal, de la corruption, de la malhonnêteté, de Unesco | Folha Dirigida

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l'inégalité et de la croissante pauvreté et misère qui accablent non seulement les foyers, mais aussi l'âme des personnes. L'être humain, en réalité, est devenu une machine insensée et inhumaine qui ignore le prochain et pense purement et exclusivement au bien-être individuel, bien que cela signifie le manque de bonheur de dizaines de milliards de personnes. Dans plusieurs pays, nous avons des entités non gouvernementales et des gouvernements qui s'efforcent d'essayer de modifier cette situation. Cependant, malgré les diverses mesures économiques et plans de gouvernements déjà tentés, les progrès ont été faibles. Et seulement dans les p